sexta-feira, 9 de outubro de 2020

PANCS: Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum)

 

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum)

Encontrada em toda a região Amazônica, é uma folhosa aromática com aroma característico de “coentro”. Possui folhas com até 20 cm de comprimento e 5 cm de largura, com bordas serradas, dispostas em roseta formando uma pequena touceira. Na fase reprodutiva, há emissão de uma haste floral com grande produção de sementes férteis.

Nomes comuns – Chicória-do-Pará, chicória, coentro-do-Pará, coentro-do-Maranhão e coentrão, pela semelhança do aroma a este outro condimento.

Família botânica – Apiaceae, a mesma da cenoura.

Origem – Existe certa contradição quanto à sua origem, mas certamente está associada à região equatorial, amazônica ou africana.

Variedades – Observa-se pouca variabilidade com relação ao material plantado na Amazônia. Entretanto, encontra-se esporadicamente na região Sudeste, em regiões serranas, uma variedade morfologicamente distinta àquelas da região Amazônica. A variedade serrana tem folhas mais fibrosas, mais compridas (até 25 cm) e estreitas (até 2 cm).

Clima e solo – É espécie adaptada a regiões com temperaturas mais elevadas e com boa disponibilidade de água. Exceção feita à variedade encontrada em regiões serranas do Sudeste que produz sob climas mais amenos. Produz melhor em solo leve, fértil e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – O plantio é feito em canteiros, após aração e gradagem. Como é geralmente cultivada em pequenas áreas, as operações são, em geral, feitas manualmente com auxílio de enxadas. Os canteiros devem ser semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 m a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura.

Calagem e adubação – A calagem deve ser feita em função da análise de solo, aplicando calcário visando atingir pH entre 5,5 e 6,5. Por sua relativa rusticidade, recomenda-se somente a correção do solo e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Se os níveis de fósforo (P) e potássio (K) forem muito baixos, inferior a 10 mg dm-3 (ppm), sugere-se até 200 kg/ha de P2O5 e 60 kg/ha de K2O.

Plantio – É normalmente feito o semeio em canteiros, seguido de transplantio cerca de 20 a 25 dias após o semeio ou pode-se produzir mudas em bandejas para transplantio. Em comunidades tradicionais da Amazônia, a semeadura é feita a lanço, com alta concentração de sementes por unidade de área. Quando a muda se desenvolve nos canteiros, em cerca de 30 dias, o excedente é desbastado e transplantado para outros canteiros, de modo a obter densidade de cerca de 50 plantas por m2. O plantio pode ser feito o ano todo em regiões de clima quente (temperatura média superior a 25ºC). Já em regiões de clima mais ameno (temperatura média superior a 20ºC), o plantio deve ser feito de setembro a março.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição com plantas infestantes, no limpo, por meio de capinas manuais. A irrigação deve ser diária. Deve-se ter atenção quando o objetivo é a produção de sementes pois o sombreamento favorece a produção de folhas, atrasando significativamente o florescimento. Por outro lado se o interesse for a produção de folhas, deve-se efetuar o desbaste precoce das hastes florais, para aumentar a produção dessas.

Dois problemas fitossanitários merecem atenção na condução da lavoura, a murcha das plantas, causada por Ralstonia solanacearum, e nematoides -das-galhas, Meloidogyne, responsáveis por grande redução na produção.

Colheita – A colheita ocorre quando há perfilhamento e tem início o florescimento, cerca de 50 a 60 dias após o transplantio. Pode ser feita com ou sem raízes. Após a colheita, efetua-se a limpeza e o agrupamento de folhas ou plantas em maços. A produtividade pode atingir 10 maços/m2 com cerca de 200 g, perfazendo cerca de 2 kg/m2.

Embora seja utilizada em pequenas quantidades, seu aroma particular, semelhante ao do coentro, dá o sabor característico aos pratos em que está incorporado. No Norte do País, é amplamente difundido compondo o maço de “cheiro verde” – cebolinha, coentro e chicória-do-Pará, indispensável no tempero de pescados. Sob condições ambientes, as folhas podem ser reidratadas, colocando-as em água fria para recuperar a turgidez. Também pode ser desidratado ou congelado, permitindo maior conservação e uso como tempero em pratos já preparados.

Figuras 37 e 38: Chicória-do-Pará amazônica e serrana





domingo, 23 de agosto de 2020

PANCS: Caruru (Amaranthus spp.)


Caruru (Amaranthus spp.)

Caruru é a designação comum para as plantas do gênero Amaranthus. Planta herbácea anual, ereta ou subprostrada, com altura de 0,8 a 2,0 m e caule de coloração esverdeada. As plantas de coloração pigmentada são, em geral, denominadas amaranto. Apresentam folhas de consistência tenra e flores em espigas nos ápices dos caules ou nas axilas das folhas. Muitas vezes consideradas como invasoras de plantações, podem ser também utilizadas como indicadoras de qualidade do solo, indicando solo fértil, especialmente rico em potássio.

Nomes comuns – Caruru, caruru-de-porco, bredo.

Família botânica – Amarantaceae.

Origem – América tropical e subtropical.

Variedades – Há várias espécies comestíveis: Amarantuhs viridis L.: caruru de mancha, caruru pequeno, caruru de porco; Amaranthus hibridus L.: bredo vermelho, caruru bravo, caruru roxo, chorão, crista de galo; Amaranthus spinosus L.: bredo, bredo de chifre, bredo de espinho, caruru bravo, caruru de espinho, caruru; Amaranthus lividus L.: caruru de cuia. Todavia, há também carurus bravos, não comestíveis, devendo-se buscar informação com agricultores da localidade.

Clima e solo – É amplamente adaptado a diferentes condições de clima e solo, ocorrendo em todo o País. As plantas são tolerantes a calor e seca, adaptando-se bem a condições de alta insolação e temperaturas típicas das regiões áridas e semiáridas.

Preparo do solo – A planta é geralmente cultivada em áreas pequenas, por vezes somente manejada aproveitando- se a germinação de plantas espontâneas. Assim, as operações são, em geral, feitas manualmente com auxílio de enxadas para o plantio em canteiros, que devem ser semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura.

Calagem e adubação – A calagem deve ser feita em função da análise de solo, aplicando-se calcário visando atingir pH entre 5,3 e 5,8. Por sua enorme rusticidade, recomenda-se somente a correção do solo e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Plantio – Reproduz-se por sementes, fácil e abundantemente. A semeadura é feita, normalmente, no local definitivo. Muitas vezes, o que acontece na prática em pequenas hortas é o manejo de plantas espontâneas, fazendo -se o desbaste para o espaçamento de aproximadamente 0,1 x 0,1 m. Pode ser plantado o ano todo, desde que haja disponibilidade de água. Sob temperaturas inferiores a 15ºC, o desenvolvimento é lento; portanto, na região Sul e em regiões de altitude do Sudeste, o desenvolvimento é favorecido de setembro a março.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida no limpo, sob baixa competição com as plantas infestantes por meio de capinas manuais. O sistema radicular vigoroso e o ciclo curto possibilitam ao caruru tolerar os estresses hídricos. Porém, para aumentar a produção especialmente de folhas, deve-se irrigar quando necessário.É planta bastante tolerante, sendo pouco afetada por pragas ou doenças. Observa-se esporadicamente a incidência de oídio e o ataque por pragas desfolhadoras, especialmente vaquinhas e idiamins.

Colheita – A colheita das folhas é feita cerca de 40 a 60 dias após o plantio, quando as plantas estão com 30 a 50 cm. Pode-se fazer a colheita mais tardia, mas as folhas vão ficando cada vez mais fibrosas. Colhe-se toda a planta, sugerindo-se o corte a 10 cm do solo para manter as folhas mais limpas e sem resíduo. Produz cerca de 1,0 a 1,5 kg/m2, o equivalente a 10 a 12 ton/ha, lembrando que em geral o cultivo como hortaliça folhosa é realizado em pequenos espaços.

Todas as partes do caruru são comestíveis. Na Bahia, é também conhecido como bredo e utilizado na culinária local, reservando-se o termo “caruru” ao prato preparado com esta planta, junto com quiabo, camarão e temperos, ainda que por vezes nem se
utilize mais o caruru no seu preparo.




segunda-feira, 3 de agosto de 2020

PANCS: Cará-do-ar ou Cará-Moela (Dioscorea bulbifera)


Cará-do-ar (Dioscorea bulbifera)

Planta trepadeira da família dos inhames (carás), mas que apresenta algumas peculiaridades em relação a esses, notadamente com a produção de tubérculos aéreos globulares com formatos arredondados ou alados, ás vezes na mesma planta. Encontra-se relativamente bem disseminado pelo Brasil, muitas vezes como planta espontânea, e, quando cultivado, em geral representa uso local basicamente de subsistência.

Nomes comuns – Cará-do-ar, cará-moela, cará-tramela.

Família botânica – Dioscoreaceae.

Origem – Brasil Central.

Variedades – Observa-se variabilidade com relação á coloração interna dos tubérculos aéreos, desde branco a arroxeado. Existe também variedade com aspecto cascudo, mas que parece não apresentar boa digestibilidade para muitas pessoas.

Clima e solo – Produz melhor em locais quentes e adapta-se a vários tipos de solo.

Preparo do solo – Recomenda-se o preparo somente das covas de plantio, mantendo-se o espaço entre as plantas sem revolvimento e com cobertura permanente.

Calagem e adubação – É planta rústica, mas responde à adubação em solos empobrecidos. Com base em resultados da análise de solo, recomenda-se corrigir a acidez do solo para se chegar à saturação de bases em 60%. Como não há recomendação específica para cará-do-ar, sugere-se utilizar recomendação para inhame (cará). Santos (1996), em trabalhos com inhame, recomenda a adubação de plantio com até 120 kg/ ha de P2O5 e 100 kg/ha de K2O, conforme a disponibilidade desses nutrientes no solo. Em cobertura, 60 kg/ha de N em duas aplicações, 45-60 e 90-120 dias após o plantio. Em solos com baixo teor de matéria orgânica, podem ser usadas 10 ton/ha de esterco de curral curtido ou composto orgânico.

Plantio – A propagação é feita por tubérculos aéreos, devendo-se utilizar aqueles de tamanho médio. Os maiores devem ser usados para alimentação. Os pequenos, menores que 2 cm, possuem reduzida quantidade de reservas, apresentando desenvolvimento inicial muito lento. O espaçamento deve ser 2,0 a 3,0 m entre linhas por 2,0 m entre plantas nas linhas.

Em regiões de clima quente com disponibilidade de água, o plantio pode acontecer durante todo ano. Já em regiões de clima ameno, com inverno frio e/ou seco, aconselha-se que o plantio seja realizado no período entre setembro e novembro.

Tratos culturais – As plantas devem ser tutoradas pelo método de espaldeira, semelhante ao usado para maracujá e também é recomendável a realização de capinas e irrigação, quando necessário. A cultura não sofre usualmente incidência de pragas e doenças, mas alguns insetos desfolhadores como vaquinhas e formigas podem atacá-la.

Colheita e pós-colheita – A colheita é feita a partir de 4 a 5 meses após o plantio e o tempo de conservação é bastante extenso quando armazenados em locais secos e arejados. A produtividade pode atingir 15 a 20 ton/ha. Na culinária os tubérculos podem ser consumidos refogados, cozidos, fritos, em sopas e na composição de pães. Mas, também podem substituir
a batata, compondo pratos com carnes e aves.

Figuras 31 e 32: Cará-moela, planta e tubérculo aéreo

Figura 33: Cará-moela cascudo, arroxeado e branco




quarta-feira, 29 de julho de 2020

PANCS: Capuchinha (Tropaeolum majus)


Capuchinha (Tropaeolum majus)

Planta anual, suculenta, prostrada, que se alastra com facilidade. O caule é herbáceo, retorcido, longo e carnoso. As folhas são arredondadas, com coloração verde-azulada e as flores vistosas e afuniladas, apresentam diversas cores. O formato das flores lembra um capucho (chapéu em bico), o que lhe confere seu nome popular mais usual. Produz frutos de coloração esverdeada formado por dois ou três aquênios pequenos. Pode ser plantada como melífera ou ornamental ou, ainda, como companheira para outras espécies como tomate, pepino e frutíferas pela sua característica de atrair polinizadores e repelir pulgões e besouros.

Nomes comuns – Capuchinha, chaguinha, chagas, papagaios, flor-de-sangue, agrião-do-méxico, flor-de-chagas, espora-de-galo, agrião-grande-do-Peru.

Família botânica – Tropaeolaceae.

Origem – Do Sul do México à Patagônia argentina, incluindo regiões do Brasil.

Variedades – Não há exatamente uma sistematização organizada de variedades; elas são definidas pela coloração das flores, que vão do amarelo ao vermelho intenso, passando por tons de laranja e vermelho mais claro, além de variedades com flores variegadas, por exemplo, de amarelo e vermelho. Também se observam diferenças entre variedades nas folhas, na coloração e no tamanho. Encontram-se no mercado sementes para venda, em geral “sementes sortidas”, ou seja, a mistura de variedades com flores de cores diferentes.

Clima e solo – É resistente e facilmente adaptável a qualquer tipo de clima, floresce durante quase todo o ano. Pode ser plantada em diversos tipos de solo, desenvolvendo-se melhor em solos leves de textura pouco arenosa, profundos, com boa drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade.

Preparo do solo – Após realizar as etapas de aração e gradagem, efetua-se o encanteiramento. Contudo, como é geralmente cultivada em áreas pequenas, as operações são feitas manualmente, com auxílio de enxadas. Os canteiros devem ser semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 15 a 20 cm de altura. Pode-se fazer o plantio em leiras espaçadas de 0,5 a 0,6 m entre si no caso de áreas sujeitas a encharcamento excessivo.

Calagem e adubação – Para melhor produção, quando necessário e de acordo com o resultado da análise, é indicado fazer a correção do solo com calcário para elevar o pH à faixa entre 5,5 e 6,0. Devido à rusticidade da planta, recomenda-se utilizar somente a adubação orgânica com 1,0 kg/m2 a 3,0 kg/m2 de composto orgânico, a depender do teor de matéria orgânica no solo. Para adubação por cobertura, pode ser aplicado até 1,0 kg/m2 de composto orgânico de acordo com a evolução da colheita.

Plantio - Sua multiplicação ocorre por sementes ou por estaquia, e as mudas podem ser feitas em bandejas ou recipientes individuais (copinhos plásticos ou de jornal, pequenos vasos etc.). No caso da multiplicação via estacas, para melhor pegamento, utiliza-se a região intermediária do caule. As estacas devem ter de 10 a 15 cm de comprimento e ser frequentemente irrigadas. O transplantio para o local definitivo é realizado cerca de 25 dias após a semeadura ou de 15 a 20 dias após o enraizamento das estacas, quando a planta apresenta entre quatro e seis folhas definitivas no caso do uso de sementes, e quatro folhas totalmente desenvolvidas no caso do uso de estacas. O plantio é feito em canteiros no espaçamento de 0,3-0,4 x 0,3-0,4 m.

A capuchinha pode ser cultivada durante o ano todo. Contudo, em regiões mais quentes é comum haver perdas no pegamento de mudas quando o plantio é feito em época chuvosa e sob altas temperaturas. Apesar disso, o desenvolvimento da planta é mais pronunciado em períodos com temperaturas mais elevadas.

Tratos culturais – Recomenda-se manter a cultura livre de plantas infestantes por meio de capinas manuais e irrigar quando necessário, o que em períodos de estiagem corresponde a duas ou três vezes por semana. Existem relatos de ocorrência de desfolhamento causado por formigas e lagartas desfolhadoras (curuquerê da couve), durante o desenvolvimento da cultura, mas, usualmente esse problema não atrapalha a produção.

Colheita e pós-colheita – A colheita é iniciada 50 dias após o plantio, podendo ser estendida por meses. As plantas podem ser podadas para colheita das folhas e das flores. No caso de colheita exclusivamente de flores, parte normalmente mais apreciada e procurada para a ornamentação de pratos, deve-se colher diariamente enquanto elas ainda estão tenras. Pode-se atingir produtividade de flores de até 0,5 kg/m2 por mês e de folhas, até 1,0 kg/m2 por mês.

Após a colheita, as flores devem ser imediatamente embaladas em sacos de polietileno, visando minimizar as contaminações e murchamento. Estes filmes plásticos devem oferecer condições de troca gasosa para evitar a condensação de vapor d’água. Para conservar as flores por três a cinco dias, recomenda-se resfriá-las logo após a colheita à temperatura de 1 a 4o C.

A capuchinha é uma das flores comestíveis mais consumidas no Brasil, com sabor levemente picante, assemelhando-se ao do agrião. Suas folhas são arredondadas e também comestíveis. As sementes, sob a forma de conserva, substituem as alcaparras. As flores com cores variadas, vermelhas, laranjas, amarelas, dão um toque todo especial as saladas. Suas flores podem ainda ser desidratadas, embebidas em álcool ou em açúcar, congeladas ou na forma de cubo de gelo adiconadas a coqueteis e drinks.

Figuras 26 e 27: Capuchinha laranja e Capuchinha amarela

Figuras 28, 29 e 30: Flores de Capuchinha Amarela, laranja e vermelha




segunda-feira, 13 de julho de 2020

PANCS: Capiçoba (Erechtites valerianifolius)


Capiçoba (Erechtites valerianifolius)

Folhosa herbácea, ereta, anual, ramificada, apresenta hastes grossas, que atingem até 1,0 m de altura. O uso potencial como hortaliça é ainda muito pouco explorado.

Nomes comuns – Capiçoba, gondó, maria gondó, maria-gomes e capiçova.

Família botânica – Asteraceae, a mesma da alface. 

Origem – Brasil.

Variedades – Comum, não havendo variedades sistematizadas.

Clima e solo – Desenvolve-se em diferentes regiões de clima tropical. O solo deve ser leve, fértil e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – Após aração e gradagem, efetua-se o encanteiramento. Entretanto, como é geralmente cultivada em áreas pequenas, as operações são, habitualmente, feitas de forma manual com auxílio de enxadas. Os canteiros devem ser semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 0,1 a 0,2 m de altura. Em hortas caseiras, é muito comum o simples manejo de plantas espontâneas originadas a partir de sementes que caem ao solo. Para tal, é interessante selecionar plantas matrizes, as mais vigorosas, até a fase reprodutiva quando ocorre a produção de sementes.

Adubação e calagem – Para maior produção, é importante efetuar a correção da acidez do solo e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,8 e 6,3. Pela sua enorme rusticidade, recomenda-se somente a correção do solo e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo. Para adubação de cobertura, após cada corte realizado, deve-se aplicar até 1,0 kg/m2 de composto orgânico.

Plantio – O plantio pode ser feito diretamente no canteiro definitivo ou em sementeiras para posterior transplantio de mudas produzidas em bandejas. O espaçamento recomendado é o de 30 x 30 cm. O cultivo da capiçoba pode ser feito durante o ano todo em regiões de clima ameno; em regiões muito quentes porém, com temperatura média superior a 25ºC, recomenda-se o plantio de março a agosto.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida no limpo, sob baixa competição por plantas infestantes, por meio de capinas, e irrigada periodicamente. Pode sofrer desfolhamento parcial devido a incidência de besouros e gafanhotos, mas tende a se recuperar posteriormente.

Colheita e pós-colheita – Inicia-se a colheita 60 a 80 dias após o plantio, quando então os ramos são cortados com 40 cm de comprimento, limpos e preparados em maços. O manuseio deve ser feito à sombra. Pode-se fazer 2, até 3 cortes por planta, pois, a partir deste valor há uma tendência a redução do vigor e do tamanho dos ramos. Produz cerca de quatro maços por metro quadrado com cerca de 300 g cada, rendendo o equivalente a 8 ton/ha por corte, lembrando que é geralmente cultivada em pequenos espaços.

As folhas são consumidas cruas em saladas, ou refogadas e cozidas em sopas, omeletes, mexidos, recheios e preparos de outros pratos. É importante ressaltar que esta hortaliça apresenta um sabor levemente amargo, devendo ser consumida com outros alimentos, como acompanhada de arroz e feijão.

Figuras 24 e 25: Capiçoba, fases vegetativa e de florescimento





sexta-feira, 3 de julho de 2020

PANCS: Bertalha (Basella alba)


Bertalha (Basella alba)

Planta trepadeira, vigorosa, de folhas espessas. Existem variedades de crescimento determinado e indeterminado, exigindo tutoramento semelhante ao realizado para vagem, em torno de 2m de altura.

Nomes comuns – Bertalha, bertália, espinafre indiano, espinafre tropical, folha tartaruga.

Família botânica – Basellaceae.

Origem – Subcontinente Indiano e Sudeste Asiático.

Variedades – Inpa 80, Inpa 81, Calcutá e Tatá são algumas variedades, mas na prática o que ocorre é a manutenção empírica de variedades locais pelos agricultores, muitas vezes sem conhecimento de seu nome. Há variedades de crescimento determinado e de crescimento indeterminado.

Clima e solo – Desenvolve-se melhor em regiões de clima quente, com temperaturas ideais para o crescimento entre 26ºC e 28ºC. Entretanto, é comum o cultivo em regiões serranas, de clima ameno, durante o verão. O solo deve ser leve, fértil e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – Pode ser feito pelo método convencional ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo). No caso do preparo convencional, realiza-se a aração e gradagem, atentando para a adoção de práticas conservacionistas. Em seguida, efetuam-se o coveamento e a adubação. No sistema de plantio direto, o revolvimento é restrito às covas ou linhas de plantio, deixando-se o solo protegido pela cobertura morta (palhada de gramíneas ou leguminosas) nas entrelinhas.

Calagem e adubação – As atividades devem ser feitas com base na análise de solo. Quando necessário, deve-se efetuar a correção da acidez do solo com antecedência e aplicar a quantidade e o tipo de calcário indicados, corrigindo-se o pH para 6,0 - 6,5. Não havendo recomendação específica, sugere-se seguir a adubação de plantio similar à recomendada para alface, reduzindo, no entanto, os níveis de nutrientes à metade, pela reconhecida rusticidade da bertalha. Assim, considerando a 5ª Aproximação para o estado de Minas Gerais, tem-se até 200 kg/ ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O, 75 kg/ha de N e 25 toneladas de esterco de curral curtido no plantio, fornecendo no plantio todo o adubo fosfatado e parte do adubo nitrogenado e potássico, além da adubação orgânica. A adubação de cobertura aos 15 e 20 dias deve ser feita com fontes nitrogenadas e, conforme o manejo, potássicas e com matéria orgânica. Após cada corte, deve-se realizar adubação nitrogenada, na dosagem de 30 kg de N/ha.

Plantio – A semeadura pode ser feita diretamente no local definitivo, no espaçamento de 0,8 m entre linhas por 0,5 m entre plantas nas linhas, para as plantas de crescimento indeterminado. Para as plantas de crescimento determinado, normalmente plantadas em canteiros, o espaçamento é 0,4 x 0,4 m. Também se pode produzir mudas em bandejas ou em recipientes individuais (copinhos de jornal ou plástico etc.). A profundidade de semeio deve ser de 0,5 cm. A temperatura ideal para germinação das sementes está entre 15 e 30ºC, levando de oito a dez dias para germinar. As mudas são transplantadas com 10 cm de altura, cerca de 20 dias após a germinação, quando apresentarem quatro a seis folhas definitivas.

Em regiões que apresentam clima mais quente, pode ser cultivada durante o ano todo. Em locais de temperaturas mais baixas, deve ser programado o cultivo na primavera ou início de verão.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição com plantas infestantes, no limpo, por meio de capinas manuais e/ou mecânicas. Quando se tratar de plantas de crescimento indeterminado, recomenda-se a utilização de tutores individuais ou de espaldeira semelhante à usada para tomate vertical ou feijão-vagem. A irrigação deve ser feita de acordo com as condições climáticas e de solo e as necessidades da planta. Entretanto, normalmente a irrigação é dispensada, pois o cultivo realiza-se no período das águas. Quanto aos problemas fitossanitários, é comum o ataque por insetos desfolhadores, especialmente vaquinhas, e por nematoides do gênero Meloidogyne que causam redução no desenvolvimento e na produção de plantas.

Colheita e pós-colheita – A colheita tem início 60 a 90 dias após o plantio. As folhas devem apresentar cor verde escuro, aspecto tenro e sem manchas, o usual é que os ramos sejam cortados com 30 a 40 cm de comprimento e posteriormente amarrados em maços. Todo manuseio da bertalha deve ser feito à sombra. A produtividade varia entre 15 e 30 ton/ha. A bertalha deve ser consumida logo após a colheita, pois se deteriora com relativa facilidade. Em temperatura ambiente conserva-se por um dia, desde que os ramos sejam mantidos imersos em uma vasilha com água. Para armazenamento em geladeira, deve-se embalar os maços em sacos plásticos, e coloca-lós na parte debaixo da mesma. Seu consumo ocorre na forma de refogados, na confecção de pratos com carnes, ovos e, quando ainda tenras, como salada crua. Os talos grossos também podem ser picados e refogados para enriquecer o arroz e o feijão.






terça-feira, 23 de junho de 2020

PANCS: Beldroega (Portulaca oleracea)



Beldroega (Portulaca oleracea)

Folhosa herbácea prostrada, anual, suculenta, ramificada, com ramos de 20 a 40 cm de comprimento. Sua introdução no País se deu como hortaliça folhosa pelos portugueses, estando hoje dispersa por todo o território brasileiro, sendo em geral, considerada como planta infestante.

Nomes comuns – Beldroega, caaponga, porcelana, bredo-de-porco, verdolaga, berdolaga, beldroega-pequena, beldroega-vermelha, beldroega-da-horta, onze-horas.

Família botânica – Portulacaceae.

Origem – Mediterrâneo, Norte da África e Sul da Europa.

Variedades – Não há a classificação de variedades de forma sistematizada, mas se observa variabilidade em campo. É interessante selecionar localmente plantas que possuem folhas maiores e que produzem grandes maços.

Clima e solo – A beldroega é uma planta que cresce em climas diversos, desde os subtropicais aos tropicais. Desenvolve-se em qualquer tipo de solo, mas produz folhas maiores em solos férteis e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – É geralmente cultivada em áreas pequenas, por vezes somente manejada aproveitando-se a germinação de plantas espontâneas. Assim, as operações são, em geral, feitas manualmente, com auxílio de enxadas. Quando cultivada, os canteiros devem ser semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura.

Calagem e adubação – Desenvolve-se plenamente em solos de baixa fertilidade, em função de sua enorme rusticidade, mas visando produzir maços e folhas maiores, recomenda-se a correção do solo e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo. Em cobertura, após cada corte realizado, pode-se aplicar até 1,0 kg/m2 de composto orgânico.

Plantio – A semeadura é feita diretamente no canteiro definitivo a lanço ou em sulcos, ou ainda em pequenas covas distantes 20 a 30 cm entre si. A germinação ocorre a partir de seis a sete dias. Pode-se também produzir as mudas em bandejas para transplantio a partir de 20 dias, quando as plântulas têm de quatro a seis folhas definitivas. É comum em hortas caseiras ou comunitárias aproveitar a germinação espontânea, fazendo-se somente o manejo pelo raleio para o espaçamento desejado. Pode ser cultivada durante todo o ano, mas produz folhas mais largas na primavera e verão.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição com plantas infestantes, no limpo, por meio de capinas manuais. Apesar de a beldroega ser tolerante à seca, para uma boa produção, com folhas largas, deve-se irrigar, quando em períodos de estiagem, duas a três vezes por semana, conforme as condições climáticas e de solo. Existem relatos quanto ao ataque por alguns insetos desfolhadores (besouros, gafanhotos e formigas), entretanto, a planta apresenta alta capacidade de rebrota e de recuperação.

Colheita e pós-colheita – Inicia-se 75 a 80 dias após a semeadura, podendo produzir de três a sete cortes, espaçados de 30 dias. A cada corte, observa-se tendência de redução no tamanho dos folíolos. Por isso, pode ser interessante a colheita única, com raízes, fazendo-se maços com as plantas inteiras. O ponto ideal de colheita ocorre quando o caule ainda está macio, as folhas bem desenvolvidas e com coloração intensa. No caso de mais de um corte, estes são feitos a 5 ou 10 cm acima da superfície do solo, fazendo-se maços com ramos de 20 a 30 cm. O manuseio da beldroega deve ser feito à sombra. Após o corte dos ramos, faz-se seleção e descarte de partes com defeitos.

Após colhida, assim como a maioria das espécies folhosas, apresenta um pequeno período de conservação. Quando embalados ou colocados em recipientes fechados e colocados na geladeira podem durar um maior tempo. A produção pode alcançar 10 maços com 150 g cada por m2 ou 1,5 kg/m2 a cada corte, sendo comum dois a três cortes até a renovação dos canteiros. As folhas e talos da beldroega são suculentos e podem ser utilizados em saladas, sucos, refogados, cozidos e em caldos, dando a eles uma consistência cremosa.

Figuras 20 e 21: Beldroega, canteiro e detalhes.




segunda-feira, 15 de junho de 2020

Desbaste da Cenoura


O raleio tem como objetivo aumentar a disponibilidade de espaço, água, luz e nutrientes por planta. Na semeadura manual ou mecânica convencional, em que as plântulas são dispostas em fileira contínua, o raleio torna-se uma operação imprescindível para a obtenção de raízes de maior tamanho, mais uniformes e de melhor qualidade.

Deve ser feito de uma só vez, aos 25-30 dias após a semeadura, (Figura 1 e 2) deixando-se um espaço de 4 a 5 cm entre plantas. Espaçamentos entre plantas maiores do que o recomendado vão implicar em menor número de plantas por unidade de área com consequente redução da produção.

Fig. 1. Raleio.  
Fig. 2. Desbaste de plantas excedentes.

Vale salientar que o atraso na realização do raleio, também implica em redução da produção, em decorrência do aumento da competição entre plantas. Na semeaduras de precisão, feitas com semeadeiras pneumáticas e sementes peletizadas, o raleio torna-se uma prática desnecessária, o que contribui para redução dos custos de produção.

o objetivo do desbaste é aumentar a disponibilidade de espaço, água, luz e nutrientes por planta. Na semeadura manual ou mecânica convencional, em que as plântulas são dispostas em fileira contínua, o desbaste toma-se uma operação imprescindível para a obtenção de raízes de maior tamanho e de melhor qualidade, Deve ser feito de uma só vez, aos 25-30 dias após a semeadura,
deixando um espaço de 4 a 5 em entre plantas. Espaçamentos, entre plantas, maiores do que o recomendado vão implicar menor numero de plantas por unidade de área com conseqüente redução da produtividade.
Vale salientar, que o atraso na real ização do desbaste também implica redução da produção, em decorrência do aumento da competição entre plantas (Figura 7). 
Na semeadura mecânica de precisão, em que se usam semeadeiras pneumáticas e sementes pc1etizadas, o desbaste toma-se uma prática desnecessária, contribuindo, assim, para a redução dos custos de mão de obra.







PANCS: Batata-crem ou Raiz-Forte (Armoracia rusticana)


Batata-crem (Armoracia rusticana)

Planta perene, que forma touceira com até 1,0 m de altura, é produzida em pequena escala no Sul do Brasil em quintais domésticos, sendo praticamente desconhecida no resto do país, e mesmo pouco conhecida em grandes cidades da região Sul.

Nomes comuns – Batata-crem, raiz-forte, rabanete-de-cavalo.

Família botânica – Brassicaceae, a mesma do repolho e da couve.

Origem – Europa.

Variedades – Observa-se baixa variabilidade no Brasil.

Clima e solo – Produz sob temperaturas amenas na região Sul. Sob essas condições climáticas, adapta-se a solos bem drenados de textura mediana e ricos em matéria orgânica. Não tolera encharcamento e calor.

Preparo do solo – O preparo do solo é habitualmente feito de forma manual. Devendo-se dar atenção ao preparo das covas, as quais devem ser altas, com cerca de 20 cm de altura em relação ao solo, de modo a permitir boa drenagem.

Calagem e adubação – Recomenda-se a calagem em função da análise de solo, visando atingir pH entre 5,5 e 6,0, e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Plantio – A propagação é feita, geralmente, por mudas diretamente no local definitivo. O espaçamento recomendado é de 1,0 x 0,5 m.

Pode ser plantado durante o ano todo em locais de clima ameno, desde que haja disponibilidade de água. Em locais mais quentes, com temperaturas médias superiores a 20oC, deve-se iniciar o plantio entre março e junho.

Tratos culturais – Recomenda-se manter as plantas infestantes sob controle, por meio de capinas manuais e Irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos.

Deve-se também monitorar constantemente a lavoura de forma a evitar que as plantas sejam danificadas por insetos desfolhadores (besouros, vaquinhas, idiamins, formigas e gafanhotos).

Colheita e pós colheita – A colheita é feita 4 a 5 meses após o plantio, assim que as folhas atingem cerca de 30 a 40 cm de comprimento. A produtividade pode variar em torno de 100 g/ planta semanalmente, perdurando por meses, com a precaução de sempre deixar uma boa reserva na planta (5 a 6 folhas).

As folhas são, em geral, consumidas refogadas ou cozidas em sopas. As raízes particularmente picantes, são consumidas em saladas ou cozidas em sopas.



Armoracia (por vezes designada como armorácia) é o género botânico a que pertence a raiz-forte, espécie representativa do género e que é também conhecida pelo nome de rábano-bastardo, rábano-de-cavalo, rábano-picante, rábano-rústico, rábano-silvestre, rábano-silvestre-maior, rabão-silvestre, rabão-rústico, rabiça-brava, rabo-de-cavalo ou saramago-maior, cujo nome científico é Armoracia rusticana (ou Cochlearia armoracia, Armoracia lapathifolia, Nasturtium armoracia, Radicula armoracia ou Rorippa armoracia). É uma planta perene, herbácea, da família das Brassicaceae (a que também pertence o nabo, a couve e a mostarda). As folhas radicais (junto à raiz) são grandes e oblongas. As folhas caulinares são lanceoladas. Tem flores brancas, com quatro pétalas inteiras. O fruto é uma silíqua pequena, de cerca de 4 mm de comprimento.

Segundo alguns autores, é nativa do norte temperado da Europa. Segundo outros, do Sudoeste da Ásia. Cresce até 1,5 metros de altura. As suas raízes, tuberosas e pontiagudas, são apreciadas como condimento picante e são ricas em vitamina C, mas as folhas também são comestíveis. Algumas comunidades judaicas utilizam-na ou utilizaram-na como “erva-amarga” durante a comemoração do Pessach. É também utilizado na preparação de molhos para acompanhar carne guisada, salsichas ou peixe defumado. É usado como sucedâneo do wasabi – sendo, para esse efeito, tingido com corante alimentar verde.

A raiz, por si mesma, não tem grande sabor, contudo, quando é cortada ou ralada, algumas enzimas das células danificadas da planta desdobram sinigrina, por hidrólise, de forma a produzir alil-isotiocianato (ou óleo de mostarda) – irritante para os seios da face e para os olhos. Quando se rala a raiz-forte, esta deve ser usada imediatamente ou misturada com vinagre, já que a raiz, exposta ao ar e ao calor, escurece e perde o sabor, tornando-se asperamente amarga.

Em Portugal é cultivada na região de Vila Nova de Milfontes, mas é amplamente utilizada no resto do mundo. Acredita-se que cerca de dois terços da produção mundial desta planta seja produzida na pequena região de Collinsville, no Illinois, Estados Unidos, que se auto-intitula “Capital Mundial da Raiz-forte”, até porque se exporta daí, como produto de luxo, até para locais onde o consumo da planta é mais habitual.

A raiz-forte contém potássio, cálcio, magnésio e fósforo, bem como óleos voláteis, como o óleo de mostarda, que tem propriedades antibióticas. Fresca, a planta tem 177,9 mg/100 g de vitamina C. A enzima peroxidase, encontrada na planta, é muito usada em biologia molecular, por exemplo, para a detecção da ligação de um antígeno a um anticorpos.

A planta é cultivada desde a antiguidade. Catão discute a planta nos seus tratados sobre agricultura. Um mural em Pompeia, onde a planta está representada, sobreviveu até à actualidade. É, provavelmente, a planta que Plínio, o Velho menciona na sua Naturalis Historia, sob o nome de Armoracia, onde a recomenda pelas suas qualidades medicinais. É provável, também, que seja o rabanete silvestre referido pelos antigos gregos como raphanos agrios.

Tanto as raízes como as folhas foram usadas em todo o mundo com intuitos medicinais durante a Idade Média, e como condimento, principalmente na Dinamarca e Alemanha. Antes do uso generalizado da pimenta e do piri-piri, a raiz-forte e a mostarda eram as únicas especiarias picantes utilizadas na Europa.

William Turner (não o pintor, mas o botânico, 1508-1568) menciona a planta como Red Cole no seu “Herbal” (1551-1568), mas não a refere como condimento. No “The Herball, or Generall Historie of Plantes” (1597), John Gerard descreve-a sob a designação de raphanus rusticanus, já que a planta é espontânea em diversas partes de Inglaterra. Depois de indicar as suas propriedades medicinais, este autor refere que os alemães a usavam, juntamente com vinagre, para acompanhar peixe, tal como os ingleses usavam a mostarda.

O rábano carimbado com um pouco de vinagre colocado para o efeito, é comumente usado entre os alemães para molho de comer peixe é tal como nós usamos a mostarda para codimentar carne.
É também ainda muito usado na culinária judaica, num molho agridoce, designado como chrain, que acompanha o gefilte fish. Existem duas variedades de chrain— chrain vermelho e chrain branco, isto é, misturado, ou não, com beterraba vermelha.

A raiz-forte é comumente usada na preparação do falso wasabi, mesmo no Japão. (Wikipedia)

Semana passada, em uma volta pelo Mercado Municipal, encontrei a própria raiz para o Crem (ver foto no início da matéria). É claro que eu tinha de sentir a sensação de preparar meu próprio Crem, não que tenha muito segredo.

Caso você consiga encontrar as raízes eArmoracia (por vezes designada como armorácia) é o género botânico a que pertence a raiz-forte, espécie representativa do género e que é também conhecida pelo nome de rábano-bastardo, rábano-de-cavalo, rábano-picante, rábano-rústico, rábano-silvestre, rábano-silvestre-maior, rabão-silvestre, rabão-rústico, rabiça-brava, rabo-de-cavalo ou saramago-maior, cujo nome científico é Armoracia rusticana (ou Cochlearia armoracia, Armoracia lapathifolia, Nasturtium armoracia, Radicula armoracia ou Rorippa armoracia). É uma planta perene, herbácea, da família das Brassicaceae (a que também pertence o nabo, a couve e a mostarda). As folhas radicais (junto à raiz) são grandes e oblongas. As folhas caulinares são lanceoladas. Tem flores brancas, com quatro pétalas inteiras. O fruto é uma silíqua pequena, de cerca de 4 mm de comprimento.

Segundo alguns autores, é nativa do norte temperado da Europa. Segundo outros, do Sudoeste da Ásia. Cresce até 1,5 metros de altura. As suas raízes, tuberosas e pontiagudas, são apreciadas como condimento picante e são ricas em vitamina C, mas as folhas também são comestíveis. Algumas comunidades judaicas utilizam-na ou utilizaram-na como “erva-amarga” durante a comemoração do Pessach. É também utilizado na preparação de molhos para acompanhar carne guisada, salsichas ou peixe defumado. É usado como sucedâneo do wasabi – sendo, para esse efeito, tingido com corante alimentar verde.

A raiz, por si mesma, não tem grande sabor, contudo, quando é cortada ou ralada, algumas enzimas das células danificadas da planta desdobram sinigrina, por hidrólise, de forma a produzir alil-isotiocianato (ou óleo de mostarda) – irritante para os seios da face e para os olhos. Quando se rala a raiz-forte, esta deve ser usada imediatamente ou misturada com vinagre, já que a raiz, exposta ao ar e ao calor, escurece e perde o sabor, tornando-se asperamente amarga.

Em Portugal é cultivada na região de Vila Nova de Milfontes, mas é amplamente utilizada no resto do mundo. Acredita-se que cerca de dois terços da produção mundial desta planta seja produzida na pequena região de Collinsville, no Illinois, Estados Unidos, que se auto-intitula “Capital Mundial da Raiz-forte”, até porque se exporta daí, como produto de luxo, até para locais onde o consumo da planta é mais habitual.

A raiz-forte contém potássio, cálcio, magnésio e fósforo, bem como óleos voláteis, como o óleo de mostarda, que tem propriedades antibióticas. Fresca, a planta tem 177,9 mg/100 g de vitamina C. A enzima peroxidase, encontrada na planta, é muito usada em biologia molecular, por exemplo, para a detecção da ligação de um antígeno a um anticorpos.

A planta é cultivada desde a antiguidade. Catão discute a planta nos seus tratados sobre agricultura. Um mural em Pompeia, onde a planta está representada, sobreviveu até à actualidade. É, provavelmente, a planta que Plínio, o Velho menciona na sua Naturalis Historia, sob o nome de Armoracia, onde a recomenda pelas suas qualidades medicinais. É provável, também, que seja o rabanete silvestre referido pelos antigos gregos como raphanos agrios.

Tanto as raízes como as folhas foram usadas em todo o mundo com intuitos medicinais durante a Idade Média, e como condimento, principalmente na Dinamarca e Alemanha. Antes do uso generalizado da pimenta e do piri-piri, a raiz-forte e a mostarda eram as únicas especiarias picantes utilizadas na Europa.

William Turner (não o pintor, mas o botânico, 1508-1568) menciona a planta como Red Cole no seu “Herbal” (1551-1568), mas não a refere como condimento. No “The Herball, or Generall Historie of Plantes” (1597), John Gerard descreve-a sob a designação de raphanus rusticanus, já que a planta é espontânea em diversas partes de Inglaterra. Depois de indicar as suas propriedades medicinais, este autor refere que os alemães a usavam, juntamente com vinagre, para acompanhar peixe, tal como os ingleses usavam a mostarda.

O rábano carimbado com um pouco de vinagre colocado para o efeito, é comumente usado entre os alemães para molho de comer peixe é tal como nós usamos a mostarda para codimentar carne.
É também ainda muito usado na culinária judaica, num molho agridoce, designado como chrain, que acompanha o gefilte fish. Existem duas variedades de chrain— chrain vermelho e chrain branco, isto é, misturado, ou não, com beterraba vermelha.

A raiz-forte é comumente usada na preparação do falso wasabi, mesmo no Japão. (Wikipedia)

Semana passada, em uma volta pelo Mercado Municipal, encontrei a própria raiz para o Crem (ver foto no início da matéria). É claro que eu tinha de sentir a sensação de preparar meu próprio Crem, não que tenha muito segredo.

Caso você consiga encontrar as raízes e queira preparar o Crem, comece descascando, deixando apenas a parte branca. Depois, pique em pedaços pequenos e processe bem.

Você deve fazer por etapas, colocando o resultado de cada uma em um pote de vidro e cobrindo com vinagre. Eu utilizei vinagre de maçã, mas você pode usar o de sua preferência.

Depois de preparado, é só tampar o vidro e guardar em geladeira. Tenha certeza que não poderá mais faltar Crem em sua casa.

 queira preparar o Crem, comece descascando, deixando apenas a parte branca. Depois, pique em pedaços pequenos e processe bem.

Você deve fazer por etapas, colocando o resultado de cada uma em um pote de vidro e cobrindo com vinagre. Eu utilizei vinagre de maçã, mas você pode usar o de sua preferência.


Depois de preparado, é só tampar o vidro e guardar em geladeira. Tenha certeza que não poderá mais faltar Crem em sua casa.



sexta-feira, 5 de junho de 2020

PANCS: Azedinha (Rumex acetosa)



Azedinha (Rumex acetosa)

Hortaliça folhosa cultivada em regiões de clima ameno do Rio Grande do Sul a Minas Gerais, podendo ser esporadicamente encontrada em regiões de altitude (acima de 1000m) da Região Centro-Oeste. É uma herbácea perene, que atinge até 20 cm de altura e forma touceiras com dezenas de propágulos. Raramente floresce nas condições climáticas brasileiras. Na verdade, observa-se esporadicamente o pendoamento com a emissão de propágulos aéreos.

Nomes comuns – Azedinha, salada-pronta, devido a seu característico sabor ácido (avinagrado).

Família botânica – Polygonaceae.

Origem – Não se sabe ao certo sua origem, mas é encontrada em estado silvestre em regiões de clima ameno da Europa e da Ásia.

Variedades – Existe alguma variabilidade, com folhas mais ou menos largas e eretas e de diferentes tons de verde-claro, além de variação no paldar quanto à acidez. Na prática, o que ocorre é a seleção e a manutenção de variedades locais.

Clima e solo – Exige clima ameno, com extremos de temperatura entre 5ºC e 30ºC. Não tolera o calor excessivo, tendo seu crescimento prejudicado acima de 30ºC. Possui boa tolerância ao frio, inclusive geadas, mas abaixo de 5ºC por longo período, o tamanho das folhas é sensivelmente reduzido. Os solos devem ser bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – O plantio deve ser feito em canteiros semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura. Como é geralmente cultivada em áreas pequenas, as operações são feitas manualmente, com auxílio de ferramentas manuais.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo, com antecedência de pelo menos 60 dias do plantio, e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,8 e 6,3. Como não há recomendação específica para azedinha, sugere-se a adubação para alface reduzindo, no entanto, os níveis à metade do recomendado devido à sua rusticidade. Assim, recomenda-se até 200 kg/ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O, 20 kg/ha de N e 25 ton/ ha de esterco de curral no plantio (Comissão, 1999). Deve-se aplicar 20% do potássio (K)e do nitrogênio (N) no plantio e o restante parcelado mensalmente a partir da primeira colheita.

Plantio – A propagação é feita através de propágulos desmembrados das touceiras. Estes podem ser plantados em recipientes para posterior transplantio ou direto no local definitivo com espaçamento de 20 cm a 25 cm entre plantas.

Em regiões de clima ameno, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro, desde que haja umidade para seu desenvolvimento. Em regiões tropicais com verão quente e inverno ameno, o plantio pode ser realizado de março a julho.

Tratos culturais – A azedinha é uma planta rústica, com baixas exigências. Deve-se capinar e irrigar conforme a necessidade, dando-se maior atenção ao período seco quando se faz necessário um maior aporte de água, por se tratar de planta perene. Outras atividades necessárias a boa condução da lavoura são o desmembramento dos propágulos das touceiras, quando as plantas estiverem muito adensadas, e o monitoramento quanto a infestação de formigas cortadeiras, cupins e besouros desfolhadores (vaquinhas e idiamim). Caso haja infestação dessas pragas, deve-se efetuar o controle manualmente (catação) ou pela aplicação de caldas repelentes ou inseticidas (à base de fumo, pimenta, alho, nim indiano etc.) quando do início da ocorrência. Se a infestação for muito alta, recomenda-se podar as partes mais atacadas e renovar os canteiros. Atenção também deve ser dada a incidência de nematoides do gênero Meloidogyne, os quais podem causar redução no crescimento das plantas.

Colheita e pós-colheita – A colheita tem inicio 50 - 60 dias após o plantio, retirando-se as folhas à medida que elas atingem um bom tamanho (entre 10 e 20 cm) e prolonga-se até seis meses, quando normalmente os canteiros são renovados. A produção varia de dois a três maços (com aproximadamente 100g) por semana por metro. Assim, obtém-se produtividade de 4 kg/m2 ou o equivalente a 40 ton/ha, lembrando-se que normalmente a azedinha é plantada em pequenas hortas.

As folhas da azedinha são consumidas in natura em saladas ou cozidas em sopas e molhos, conferindo um agradável sabor ácido. Após colhida, assim como todas as folhosas, possui vida útil curta em torno de um dia. Entretanto, se colocadas em bandejas de isopor com filme plástico, sacos plástico ou recipiente fechado, pode ser mantida na gaveta da geladeira por 2 ou 3 dias.


Figuras 16 e 17: Azedinha, canteiro e detalhes



terça-feira, 2 de junho de 2020

PANCS: Ariá (Calathea allouia)



Ariá (Calathea allouia)

Planta perene que forma touceiras com folhagem exuberante, inclusive com potencial como ornamental. Nas touceiras, ocorre a produção de caule rizomatoso usado como propágulo e de batatas subterrâneas de coloração amarela. No Brasil, é utilizada em comunidades rurais da Amazônia, sendo pouco conhecida no restante do país e mesmo em centros urbanos amazônicos como Manaus e Belém.

Nomes comuns – Ária, variá, batata-de-índio.

Família botânica – Marantaceae.


Origem – É originário da Amazônia e praticamente desconhecido no restante do País, sendo raramente encontrado mesmo nas cidades da Amazônia como Manaus ou Belém.

Variedades – Observa-se variabilidade com relação a porte, formato das folhas e raízes.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas elevadas. Extremamente rústica, adapta-se a vários tipos de solo, mas têm apresentado melhor produção em solos leves, arenosos.

Preparo do solo – O plantio deve ser feito em leiras (camalhões), com 1,0 a 1,2 m de largura por 0,2 a 0,3 m de altura.

Calagem e adubação – Por sua rusticidade, produz mesmo em solos depauperados. Recomenda-se a utilização de composto orgânico, até 3,0 kg/m2, conforme o teor de matéria orgânica no solo.

Plantio - A propagação é feita por mudas obtidas na base da touceira, porções de caule rizomatoso (estruturas de reserva), plantadas diretamente no local definitivo. O espaçamento recomendado é de 1,5 a 2,0 m x 0,8 a 1,0 m.

Pode ser plantado durante o ano todo em locais de clima quente, desde que haja disponibilidade de água. Em outras regiões, o plantio deve ser feito no início do período chuvoso quando em localidades com seca bem definida ou na primavera em regiões com temperaturas mais amenas.

Tratos culturais – Deve-se manter as plantas infestantes sob controle, por meio de capinas manuais. A espécie apresenta grande adaptação a diversas condições edafoclimáticas, sendo raramente atacada por pragas, a não ser esporadicamente por desfolhadoras.

Colheita e pós-colheita – A colheita das batatas é feita 7 a 8 meses após o plantio, quando as batatas atingem o tamanho em torno de 10 cm. A produtividade pode variar de 2 a 3 kg/planta ou 10 a 20 ton/ha. As batatas são, em geral, consumidas em saladas, como purê, ensopados, em caldeiradas, etc.


Figuras 14 e 15: Ariá, parte aérea e tubérculos


domingo, 24 de maio de 2020

Variedades de Cenoura



Normalmente, são encontradas no mercado sementes de várias cultivares de cenoura desenvolvidas tanto por instituições oficiais de pesquisa quanto por instituições privadas (Tabela 1)

Tabela 1. Principais cultivares de cenoura disponíveis atualmente no mercado e suas características
Cultivar
Formato das raízes
Ciclo
(dias)
Comprimento das raízes
(cm)
Resistência(R) ou Tolerância (T) à doenças
Clima mais favorável para cultivo
Brasília
Cilíndrica
90-100
15-22
R - queima das folhas
T - nematoide
ameno para quente
Kuronan
Ligeiramente cônica
100-120
15-25
R - queima das folhas
ameno para quente
Nova Kuroda
Ligeiramente cônica
100
15-18
R- alternária
ameno para quente
Prima
Cilíndrica
90-100
16-18
R - queima das folhas
ameno para quente
Nova Carandaí
Cilíndrica
80-90
18-20
R - alternária
ameno para quente
Nantes
Cilíndrica
90-110
13-15
-
frio
Harumaki Kinko Gossum
Ligeiramente cônica
85-110
16-18
T- queima das folhas
ameno
Tropical
Ligeiramente Cônica
80-90
20-25
R - queima das folhas
ameno para quente
Alvorada
Cilíndrica
100-105
15-20
R - queima das folhas
R - nematóides
ameno para quente
Fonte: Embrapa Hortaliças e Catálogos de Companhias Produtoras de Sementes

O consumidor brasileiro tem preferência por raízes de cenoura cilíndricas, lisas, sem raízes laterais ou secundárias, uniformes, com comprimento e diâmetro variando respectivamente entre 15 a 20 cm e 3 a 4 cm. A coloração deve ser alaranjada intensa , com ausência de pigmentação verde ou roxa na parte superior (ombro) das raízes.

Cada cultivar tem características próprias quanto ao formato das raízes, resistência às doenças e, principalmente, quanto à época de plantio. Esta última característica permite que se produza cenoura durante o ano todo na mesma região, desde que se plante a cultivar apropriada às condições de clima predominantes em cada época.

Cultivares e suas principais características

As principais cultivares de cenoura disponíveis no mercado podem ser agrupadas nos seguintes grupos:

Nantes

Cultivar de origem francesa;
As plantas têm folhagem verde escura e podem atingir até 30 cm de altura;
As raízes apresentam formato cilíndrico com 15 a 18 cm de comprimento, 3 a 4 cm de diâmetro e coloração alaranjada escura;
Esta cultivar é muito sensível às doenças de folhagem, não sendo recomendável o seu cultivo em estação chuvosa e quente;
Por sua exigência em temperaturas amenas é recomendada para plantio em época fria;
Seu ciclo vegetativo é de 90 a 110 dias;
Existem diversas cultivares deste grupo disponíveis no mercado.

Kuroda

As plantas apresentam folhagem vigorosa, com até 50 cm de altura;
As raízes são cônicas, de coloração vermelha-alaranjada e apresentam a película bastante delicada;
O comprimento das raízes varia entre 15 e 20 cm;
As cultivares deste grupo apresentam tolerância a temperaturas mais elevadas e resiste bem às doenças de folhagem quando semeadas no verão de regiões quentes;
Elas não são recomendadas para semeaduras sob condições de clima ameno pois suas características não permitem competir em qualidade com as do grupo Nantes;
Seu ciclo vegetativo é de aproximadamente 100 dias;
Diversas cultivares deste grupo estão disponíveis no mercado.

Brasília

Resultou de um programa de melhoramento de cenoura para cultivo no verão desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisas de Hortaliças - EMBRAPA-Hortaliças e Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" - ESALQ (Figura 1);
As plantas têm porte médio de 25 a 35 cm, com folhagem vigorosa e coloração verde escura;
As raízes são cilíndricas, com coloração alaranjada clara e baixa incidência de ombro verde ou roxo;
O comprimento varia de 15 a 22 cm e o diâmetro de 3 a 4 cm;
É resistente ao calor, apresentando baixos níveis de florescimento prematuro sob condições de dias longos;
Tem alta resistência de campo à queima-das-folhas, produzindo em média 30-35 t/ha nas condições de verão;
A colheita pode ser efetuada de 85 a 100 dias após a semeadura;
É recomendada para semeaduras de outubro a fevereiro nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, embora esteja sendo utilizada, com sucesso, em todo o país;
Existem diversas cultivares deste grupo disponíveis no mercado.

Foto: Carlos Solano
Fig. 1. Cultivar Brasília

Outras cultivares importantes
  
Kuronan

Resultou também de um programa conjunto de melhoramento de cenoura para cultivo no verão, desenvolvido pela ESALQ e a EMBRAPA-Hortaliças (Figura 2);
As plantas têm folhagem vigorosa, com coloração verde clara brilhante, com 35 a 45 cm de altura;
As raízes são ligeiramente cônicas de coloração alaranjada-escura e baixa incidência de ombro verde ou roxo;
O comprimento das raízes varia entre 15 e 20 cm e o diâmetro entre 3 e 4 cm. Resiste bem ao calor, apresentando baixos níveis de florescimento prematuro sob condições de dias longos;
Apresenta boa resistência de campo à queima-das-folhas, e produz em média 30 t/ha quando semeada em estação quente e chuvosa;
A colheita inicia-se 95 a 120 dias após a semeadura;
É recomendada para semeaduras de novembro a março na região Sudeste do Brasil.

Foto: Carlos Solano
Fig. 2. Cultivar Kuronan

Tropical

Cultivar desenvolvida pela ESALQ;
As plantas têm folhagem verde escura e apresentam mediana resistência de campo à queima-das-folhas;
As raízes são ligeiramente cônicas;
Esta cultivar é muito sensível ao florescimento prematuro sob condições de dias longos, apresentando pequena exigência em frio para diferenciação da gema floral. Por isto, a produção de raízes deve ser programada para estação fria e/ou sob condições de dias curtos.

Prima

Cultivar desenvolvida pela Agroflora para o plantio de primavera e outono (semeaduras de meados de setembro até início de novembro);
Apresenta ótimo vigor de folhagem, boa resistência à queima-das-folhas e ao florescimento prematuro;
As raízes tem formato cilíndrico, com boa coloração externa e interna das raízes, e, baixa incidência de ombro verde ou roxo;
O ciclo normal desta cultivar é de aproximadamente 100 dias.

Nova Carandaí

Cultivar desenvolvida pela Agroceres;
Apresenta comprimento de folhagem de 40 - 50 cm, ciclo vegetativo de 80 a 90 dias, e resistência à queima-das-folhas;
As raízes são de cor alaranjada com formato cilíndrico, variando de 16 a 18 cm de comprimento;
Apresenta tolerância ao calor.

Harumaki Kinko Gossum

Cultivar de origem japonesa com ampla adaptação climática;
Apresenta baixos níveis de florescimento e relativa tolerância à queima-das-folhas, produzindo bem em condições de alta e baixa temperatura;
Possui plantas vigorosas de porte alto, com 40 a 50 cm de altura, e coloração de folhagem verde clara;
As raízes são cilíndricas com ombro largo, ponta arredondada, comprimento variando de 16 a 18 cm, coloração laranja-avermelhada;
A colheita começa aos 90 dias após a semeadura.

Alvorada

Cultivar desenvolvida pela Embrapa Hortaliças;
As plantas tem porte médio 30 a 35 cm, com folhagem vigorosa e coloração verde escura;
As raízes são cilíndricas, com coloração alaranjada intensa, muito baixa incidência de ombro verde ou roxo;
O comprimento varia de 15-18 cm com diâmetro de 3 a 4 cm;
As raízes apresentam uniformidade de coloração entre o xilema e o floema, e teor de carotenóides totais da ordem de 12 mg/100 gr de raiz;
É resistente ao calor, apresentando baixos níveis de florescimento prematuro sob condições de dias longos;
Tem alta resistência de campo à queima-das-folhas e aos nematóides formadores de galhas, produzindo em média 30-35 t/ha nas condições de verão;
A colheita pode ser efetuada de 100 a 105 dias após a semeadura;
É recomendada para semeaduras de outubro a fevereiro nas regiões sul, sudeste e centro-oeste, muito embora esteja sendo utilizada em outras regiões do país. (Figura 3)

Foto: Paula A. Cochrane
Fig. 3. Cultivar Alvorada