segunda-feira, 31 de maio de 2021

PANCS: Junça (Cyperus esculentus)

 

Junça (Cyperus esculentus)

É uma ciperácea, ou seja, planta da família das tiriricas, com até 50 cm de altura e que produz rizomas ovóides comestíveis. Apresenta desenvolvimento diferenciado da tiririca comum (Cyperus rotundus) por formar pequenas touceiras. Dispersa pelo planeta, é geralmente considerada invasora nas lavouras. No Brasil, ainda é muito pouco utilizada. Entretanto, é alimento valorizado na Espanha, França, México e Estados Unidos, entre outros países. Ocorre espontaneamente em várzeas e, por sua rusticidade, produz mesmo em solos depauperados. Em geral, seu uso no Brasil está associado ao manejo (manutenção e coleta) de plantas espontâneas. Não há relatos de cultivo agrícola em campo aberto propriamente dito, somente algumas experiências empíricas de cultivo em recipientes sob telados, até mesmo para não haver a mistura com outras tiriricas não comestíveis, o que certamente aumenta sua produtividade.

Nomes comuns – Junça, tiririca-amarela, “caparé” (nome krahô), chufa (Espanha), amêndoa-da-terra (“almond earth” em inglês e “amande de terre” em francês).

Família botânica – Ciperaceae, a mesma das tiriricas.

Origem – É encontrada espontaneamente nas Américas, África e Eurásia, sendo considerada erva cosmopolita.

Variedades – Não se observa grande variabilidade morfológica.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas elevadas, acima de 28ºC. Contudo, é possível sua produção em regiões com inverno frio durante o verão ou sob condições controladas. Extremamente rústica, adapta-se a vários tipos de solo, sendo comum sua ocorrência espontânea em locais encharcados.

Preparo do solo – O plantio sistematizado pode ser feito em canteiros suspensos ou sob condições controladas, preferencialmente em recipientes, para evitar a mistura com outras ciperáceas não comestíveis como a tiririca comum (Cyperus rotundus) ou, como é realizado em outros países, em áreas reconhecidamente isentas de outras ciperáceas.

Calagem e adubação – Recomenda-se, quando cultivada, a correção do pH do solo ou substrato para 5,5 a 5,8 e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro.

Plantio – A propagação é feita por rizomas, que chegam a aproximadamente 2 cm de diâmetro. Recomenda-se espaçamento de 10 x 10 cm ou 15 x 15 cm. Em regiões quentes ou sob condições controladas, o plantio pode ser realizado durante o ano todo; em locais com inverno ameno a frio, seu cultivo se restringe à primavera e ao verão.

Tratos culturais – Quando sob condições controladas, deve-se efetuar capinas manuais e irrigar diariamente ou a cada dois dias, a depender das condições climáticas, especialmente temperatura e umidade relativa, mantendo sempre os recipientes bem umedecidos por ser cultura adaptada a ambientes alagados. Deve-se suspender a irrigação a partir dos 90 dias, o que promove a formação dos rizomas. Não há relatos de danos causados por pragas e doenças.

Colheita e pós-colheita – A colheita é feita normalmente ao final do período chuvoso, quando há translocação dos nutrientes da parte aérea para os rizomas subterrâneos. Uma planta em vaso com 0,5 litros de solo produz cerca de 15 a 20 rizomas ou aproximadamente 30 g. Considerando um metro quadrado de canteiro com até 100 plantas, pode-se então obter até 3 kg/m2.

No Brasil, a junça é normalmente consumida crua ou torrada como aperitivo, particularmente saboroso, com paladar que se assemelha a amendoim misturado com coco. Pode ser encontrada em alguns pontos de venda (feiras e mercearias) no Ceará, sendo muito apreciada por populações tradicionais da região Nordeste, do Ceará ao Maranhão, e no Estado do Tocantins. Na Espanha, especialmente na Catalunha, e no México, é matéria-prima de uma típica bebida chamada “horchata”.







quinta-feira, 27 de maio de 2021

PANCS: Jambu (Spilanthes oleracea)

 

Jambu (Spilanthes oleracea)

Folhosa cultivada em regiões equatoriais e tropicais. É uma herbácea perene, com crescimento predominantemente prostrado, atingindo cerca de 30 a 40 cm de altura. Possui flores amarelas e suas diminutas sementes germinam somente sob condições climáticas ideais.

Nome comum – Jambu.

Família botânica – Asteraceae, a mesma da alface. Origem – Região Amazônica.

Variedades – Existe pequena variabilidade, bastante semelhantes entre si, ocorrendo na prática a manutenção de variedades locais. Particularmente distinta é a variedade Nazaré, lançada pela Embrapa Amazônia Oriental, com a inflorescência bem mais alongada e o característico sabor e efeito de amortecimento mais intenso que a variedade comum.

Clima e solo – Exige clima quente e úmido, com temperaturas acima de 25ºC. Não tolera seca, nem baixas temperaturas, tendo seu crescimento reduzido abaixo de 18ºC e paralisado abaixo de 10ºC. Os solos devem ser bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – Após as práticas de aração e gradagem, efetua-se o encanteiramento. Entretanto, como é geralmente cultivada em pequenas áreas, as operações costumam ser feitas manualmente com auxílio de enxadas. Os canteiros devem ser semelhantes aos usados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 0,1 a 0,2 m de altura.

Calagem e adubação – A calagem deve ser feita em função da análise de solo, aplicando calcário visando atingir pH entre 5,5 e 6,5. Devido a sua rusticidade, recomenda-se a adubação somente com composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Plantio – A propagação é feita por sementes botânicas ou pelo enraizamento de ramos em recipientes, com atenção para que as atividades sejam realizadas à sombra. O espaçamento deve ser de 20 a 25 cm entre plantas. Em regiões de clima quente e úmido, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro. Em regiões tropicais com inverno ameno, o plantio pode ser realizado de outubro a março.

Tratos culturais – Não apresenta grandes exigências no cultivo, recomendando-se somente a realização de capinas manuais e irrigação quando necessário. Também é bastante tolerante a pragas e doenças, sendo atacado esporadicamente por vaquinhas e idiamin. Todavia, existem relatos de apodrecimento de plantas provocado por fungos de solo.

Colheita e pós-colheita– A colheita de ramos é feita a partir de 45 a 50 dias após o plantio, quando atingem de 20 a 30 cm. A planta pode produzir durante quatro a seis meses, até a necessidade de renovação. Produz cerca de dois a três maços/ m2 a cada 2 a 4 semanas, cada maço com cerca de 100 g, o que equivale a 2 kg/m2.

As folhas do jambu são consumidas cozidas, especialmente em caldeiradas de peixe. Faz parte de pratos típicos do Pará e Amazonas, como o tacacá, que é feito à base de goma de mandioca, tucupi, jambu e camarão seco. Apresenta paladar muito peculiar, especialmente quando se utilizam as pequenas flores amarelas, algo como um amortecimento inebriante das mucosas e salivação. A conservação é curta por se tratar de hortaliça folhosa bastante tenra. Pode ser embalada em sacos plásticos e colocadas na parte baixa da geladeira, prolongando sua vida útil.

Figuras 61 e 62: Jambu, variedades comum e Nazaré



quinta-feira, 20 de maio de 2021

pancs: Jacatupé (Pachirhyzus tuberosus)

 

Jacatupé (Pachirhyzus tuberosus)

O jacatupé, também chamado de feijão-macuco ou feijão-batata, é mais consumido na Amazônia Ocidental, especialmente por populações indígenas, mas há relatos de seu cultivo e consumo em Minas Gerais e Goiás, entre outros estados. Herbácea trepadora, pode atingir até 3 m de altura quando tutorada. As folhas são alternadas, compostas e trifolioladas, e a inflorescência é racemosa. Produz raízes tuberosas, em geral, em pequeno número, com casca marrom e polpa branca, podendo chegar a quatro ou cinco quando em boas condições de fertilidade e manejo.

Nomes comuns – Jacatupé, feijão-macuco, feijão-batata.

Família botânica – Fabaceae.

Origem – América tropical.

Variedades – Existe grande variabilidade genética, ocorrendo seleção e manutenção de variedades locais, normalmente sem nome ou registro sistematizado e de difícil identificação. Existe relato de duas outras espécies do mesmo gênero cultivadas: Pachyrrhizus erosus, muito usada no México e conhecida popularmente como jicama; e P. ahipa, nativa do Peru/Bolívia, chamada popularmente de ahipa e bastante consumida pelas populações locais.

Clima e solo – Desenvolve-se plenamente em regiões tropicais úmidas, mas se adapta a cultivos de verão em outras regiões do Brasil. Os solos devem ser profundos, bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica. Desenvolve-se melhor em solos arenosos.

Preparo do solo – As atividades de preparo do solo Consistem na realização de aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. Seguida do enleiramento e da adubação. No Brasil Central, em Goiás e em Minas Gerais, há relatos de seu plantio em meio à plantação de milho, usando este como tutor.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo com antecedência e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,8 e 6,3. A adubação deve ser baseada nos níveis de nutrientes observados na análise de solo. Como não há recomendações específicas para jacatupé, sugere-se utilizar as recomendações para batata-doce, isto é, até 180 kg/ha de P2O5, 90 kg/ha de K2O e 60 kg/ha de N, além de 10 ton/ha de esterco de curral curtido ou composto orgânico (COMISSÃO, 1999), fornecendo 50% do K e 25% do N no plantio e o restante em cobertura, 30-40 e 75-90 dias após o transplantio.

Plantio – A propagação é feita por sementes, com o semeio diretamente no local definitivo, dispondo-se duas a três sementes por cova, devendo-se desbastar posteriormente. A emergência ocorre normalmente em três a quatro dias, sendo a germinação bastante fácil, sem a necessidade de tratamento específico. O espaçamento deve ser de 0,8 a 1,0 m entre as leiras, e de 0,4 a 0,5 m entre plantas nas leiras.

Na Amazônia, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, durante o início do período chuvoso.

Tratos culturais – Deve-se reduzir a competição por plantas infestantes por meio de capinas manuais. Caso seja necessário, deve-se irrigar, apesar da cultura ser bastante tolerante à seca, lembrando-se que o cultivo é normalmente realizado em época chuvosa sem irrigação. Apesar de ser planta trepadora, o tutoramento parece não influir significativamente na produção de raízes, portanto, apesar de facilitar a realização dos tratos culturais, pode ser dispensado. Para aumentar a produção de raízes, é interessante podar as inflorescências em seu estágio inicial, visto que estas representam forte dreno de nutrientes, reduzindo drasticamente a produção de raízes. Para obter sementes, deve-se selecionar as plantas mais vigorosas para serem as matrizes, deixando que floresçam plenamente e produzam os frutos (vagens) e as sementes.

A escolha da área de plantio e o uso de sementes de plantas sadias são as práticas mais importantes para uma boa produção, sendo o cultivo bastante rústico e adaptado. O ataque de insetos desfolhadores, como vaquinhas, usualmente, não causa danos que levem à redução na produção de raízes. Entretanto, em relação a doenças, a podridão causada por Fusarium spp. é importante, assim como a incidência de nematoides dos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus , os quais podem afetar severamente a cultura.

Colheita e pós colheita – Pode ser feita a partir de cinco meses após o plantio em algumas regiões, porém com mais frequência aos seis ou sete meses, não sendo recomendado armazenar o produto no solo pela perda da sua qualidade, ficando muito fibroso. É comum uma única planta produzir mais que 5 kg, mas observa-se, em geral, elevada desuniformidade de produção. Após a colheita, as raízes devem ser lavadas e secas à sombra. A produtividade pode superar 30 ton/ha. O consumo das raízes tuberosas é feito, normalmente, na forma de saladas cruas, raladas ou em pedaços. Pode-se ainda produzir farinha ou extrair o polvilho para fabricação de pães e biscoitos, bolos e pudins. Destaca-se por ser fonte de amido de boa qualidade o pelo teor de proteínas das raízes, superior a 9% da matéria seca. Embora as vagens imaturas possam ser consumidas depois de cozidas; vagens maduras, folhas e sementes são tóxicas. O jacatupé também pode ser utilizado como matéria-prima na indústria de alimentos, incluindo a produção de xarope de glicose.



Figuras 58, 59 e 60: Jacatupé, planta, raízes, raiz cartada



segunda-feira, 10 de maio de 2021

Pancs: Inhame (cará) (Dioscorea spp.)


Inhame (cará) (Dioscorea spp.)

Inhame é o nome genérico que agrupa grande número de espécies do gênero Dioscorea, herbáceas trepadeiras que produzem tubérculos subterrâneos comestíveis, as túberas. Amplamente cultivado em regiões tropicais, é alimento básico na África Central, especialmente na Nigéria, maior produtor mundial com cerca de 3 milhões de hectares, Camarões e Gana. Também é alimento importante nas Américas Central e do Sul, na Ásia e nas ilhas do Pacífico. No Brasil são cultivados cerca de 25 mil ha anuais (FAO, 2009), principalmente na região Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Maranhão). Na região Sudeste, o nome comum é “cará”, enquanto o termo “inhame” é equivocadamente usado para plantas do gênero Colocasia. Pelo mundo afora, é denominado: yam, em inglês; ñame, em espanhol; e igname, em francês. Assim, no I Congresso de Inhame e Taro, realizado em 2002, discutiu-se a necessidade de padronização da terminologia, e foi acordado que, a partir de então, inhame passaria a referenciar o gênero Dioscorea e taro o gênero Colocasia. O certo é que da padronização técnica ao uso popular dos termos estabelecidos existe um grande salto.

Nomes comuns – Inhame e no Centro-sul do Brasil, é conhecido por cará.

Família botânica – Dioscoreaceae.

Origem – As espécies cultivadas no Brasil têm por centro de origem os continentes africano (Dioscorea cayanensis) e asiático (D. alata). Existe, também, um grupo de dioscoreáceas nativas do Brasil Central, a exemplo da Dioscorea trifida.

Variedades – As principais variedades de Dioscorea cayenensis L são: cará-da-costa, cará tabica, cará negro, cará espinho freire. As principais variedades de D. alata L. são: cará São Tomé, cará roxo, cará pezão, cará mandioca, cará Flórida, cará mimoso, roxo de lhéus, cará Sorocaba. Grupos indígenas do Brasil Central utilizam variedades locais, notadamente de D. trifida. As cultivares também podem ser divididas em relação a ter ou não espinhos. Com espinho: cará espinho freire, cará barbados, cará-da-costa. Sem espinho: cará Flórida, cará negro, cará São Tomé. Em Pernambuco e Paraíba, a variedade mais plantada é o cará-da-costa, cujo caule mede até 4 m de comprimento. Apresenta tubérculos com película escura, polpa branca e enxuta, formato alongado cilíndrico e boa aceitação comercial. No Sudeste, cultivam-se as variedades Flórida, Mimoso e São Tomé, que têm tubérculos com casca marrom-clara, formato alongado, polpa granulosa branca ou ligeiramente creme e boa aceitação comercial.

Clima e solo – Planta de clima tropical, o inhame desenvolve-se bem em regiões quentes e úmidas, com temperatura média entre 25ºC e 30ºC, chuvas em torno de 1.200 a 1.500 mm por ano, com estação seca definida de dois a cinco meses. A planta não tolera frio e geadas. Pode ser plantada em diversos tipos de solo, mas desenvolve-se melhor em solos leves, de textura média, profundos, com boa drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade. Deve-se evitar solos ácidos, solos com textura muito argilosa e os muito declivosos, sujeitos à erosão.

Preparo de solo – O preparo do solo pode ser mecanizado, com aração a 25-30 cm de profundidade, e gradagem, seguindo-se o enleiramento ou o levantamento de covas altas - “matumbos”. O enleiramento pode ser manual ou mecanizado com o uso de sulcadores formando leiras (camalhões) com 25 a 30 cm de altura, enquanto os matumbos são feitos com enxada, cobrindo-se o adubo disposto manualmente ao puxar solo formando covas altas que podem chegar a 30-40 cm de altura. O plantio em leiras ou matumbos reduz problemas como o apodrecimento dos tubérculos e facilita o arejamento e a drenagem do solo e a colheita.

Calagem e adubação – É planta rústica, mas responde à adubação em solos empobrecidos. É comum aproveitar-se o efeito residual dos fertilizantes utilizados em culturas anteriores ao inhame. Com base em resultados da análise de solo, deve-se corrigir a acidez do solo para se chegar à saturação de bases em 60%. Recomenda-se a adubação de plantio com até 120 kg/ha de P2O5 e 100 kg/ha de K2O, conforme a disponibilidade desses nutrientes no solo e em cobertura, 60 kg/ha de N em duas aplicações, 60 e 90-120 dias após o plantio. Em solos com baixo teor de matéria orgânica, podem ser usadas 10 ton/ha de esterco de curral curtido ou composto orgânico.

Plantio – As túberas apresentam dormência, por isso deverão ser armazenadas em ambientes arejados e escuros para forçar o entumescimento das gemas, cuja dilatação indica que já podem ser plantadas. Túberas inteiras, com 100 a 200 g de peso médio, são as ideais para o plantio. Entretanto, é difícil obter material comessas características em quantidade. O método de “capação” é uma alternativa para produção de túberas menores, consistindo na retirada cuidadosa de túberas graúdas aos 5 ou 6 meses, promovendo a formação de pequenas túberas em cerca de 90 dias. Também há o método de produção de “minitúberas em sementeira” (pedaços com 50 a 70 g plantadas no espaçamento de 20 x 20 cm por 30 a 60 dias), e ainda pode-se utilizar túberas partidas em pedaços com cerca de 100 a 200 g para o plantio; todavia o corte pode aumentar as taxas de apodrecimento e falhas na lavoura. Os tubérculos devem ser plantados enterrados no alto dos camalhões ou matumbos, em torno de 5 cm de profundidade. O espaçamento para o sistema em matumbos é de 1,0 a 1,2 x 0,8 m entre plantas. Para o plantio em camalhões, o espaçamento é de 1,2 m entre as linhas e 0,5 a 0,6 m entre plantas. O plantio deve ser realizado no início do período chuvoso, que normalmente ocorre, no Sudeste, entre setembro e novembro, e no Nordeste, a partir de novembro a fevereiro.

Tratos culturais – Após o brotamento do tubérculo, deve-se efetuar o tutoramento das plantas, formando-se espaldeiras com 1,8 a 2,0 m de altura. O tutoramento também pode ser individual, com bambu ou madeira para cada uma ou duas plantas. A variedade Flórida dispensa tutoramento por ter a parte aérea  mais tolerante a patógenos. São necessárias capinas e amontoas ao longo do ciclo da cultura e recomendada a aplicação cobertura morta em torno da planta, o que facilita o controle de plantas infestantes e proporciona maior estabilidade hídrica e térmica melhorando a produtividade. A lagarta das folhas (Pseudo plusia) e a broca do inhame (Xystus arnoldi) são as principais pragas que atacam o inhame, mas também podem haver pragas generalistas como formigas cortadeiras (Atta sp.) e cupins de solo. Entre as doenças, a casca preta, que provoca lesões escurecidas nas túberas, causada pelo nematóide Scutelonema bradys, tem sido devastadora em algumas regiões. Na Bahia, há relatos de que o plantio sucessivo por décadas sem os devidos cuidados com a qualidade das túberas-semente e com rotação de culturas tem inviabilizado o cultivo pelo ataque severo desse nematoide. Também ocorre incidência do nematóide das galhas, Meloydogine spp. Outras doenças são a queima das folhas, causada por Curvularia spp., mosaico e antracnose. É de fundamental importância a escolha de local de plantio sem histórico de doenças e o uso de túberas sadias para a propagação.

Colheita e pós-colheita– A colheita é iniciada, aproximadamente, a partir de 6 meses após o plantio no caso de colheitas precoces, especialmente quando se usa o método de capação para produção de túberas-sementes, mas o mais comum é colher as túberas maiores com 8 a 9 meses. O ponto de colheita é indicado quando as plantas apresentam folhas amareladas e os ramos começam a secar. A colheita é manual, podendo-se utilizar arado de aiveca para auxiliar na retirada das túberas do solo. Se não forem comercializados de imediato, as túberas devem ser armazenadas à sombra, sem lavar, podendo permanecer conservadas por mais de 15 dias em locais arejados e secos, sem necessidade de refrigeração. Para comercializar, as túberas devem ser lavadas, selecionadas, embaladas, sempre à sombra. A produtividade varia de 10 a 20 ton/ha, apesar do potencial produtivo superior a 40 ton/ha.

As túberas do inhame são altamente energéticas, ricas em carboidratos, amido, vitaminas do complexo B e minerais, possuem baixo teor de gorduras e são reconhecidas pelas propriedades depurativas do sangue. Pode ser consumido de diversas formas, cozido, frito, assado, em pirão, sopas, cremes, pães, bolos, biscoitos, panquecas e tortas. Pode substituir a batata em vários pratos.

Figuras 54 e 55: Inhame, planta e túberas

Figuras 56 e 57: Inhame, variedades Pezão e Roxo