quarta-feira, 29 de maio de 2019

Solos para a Cultura da Melancia


A escolha do solo adequado para o cultivo da melancia deve atender às exigências de fertilidade física e química dessa olerácea, para que a cultura tenha bom desenvolvimento e possa expressar suas características varietais e o seu potencial produtivo. 
A cultura da melancia adapta-se aos mais diversos tipos de solos, podendo ser de textura arenosa ou média. Solos de textura argilosa ou muito argilosa devem ser evitados, a exemplo dos Vertissolos que ocorrem no Submédio do Vale do São Francisco, principalmente por causa dos problemas de contração e expansão, e a elevada densidade, tão comuns nesta classe de solos. Os solos de pouca profundidade, como os Neossolos Litólicos e os mal drenados como os Gleissolos, além daqueles que apresentam altas concentrações de sais como os Neossolos e Cambissolos Flúvicos sódicos ou salinos, e outras substâncias tóxicas, também devem ser evitados. 
Terras cultiváveis, aparentemente sem problemas ou com limitações simples de conservação e de textura média são as preferenciais. Nos solos de textura arenosa como nos Neossolos Quartzarênicos e Regossolos, a cultura da melancia se desenvolve de forma adequada, desde que sejam corrigidas as deficiências nutricionais, principalmente nos primeiros.
O sistema radicular da melancia é, normalmente, superficial. Entretanto, quando são realizadas práticas de manejo adequadas para solos mais compactados e/ou adensados, o sistema radicular da melancia pode atingir profundidades de até 60 cm. Este maior desenvolvimento em profundidade contribui para uma melhor exploração e extração de água e nutrientes podendo, em certos, casos levar à redução dos custos de produção.
Em termos de fertilidade química, solos que apresentam reação ácida podem levar ao aparecimento de distúrbios fisiológicos, como por exemplo, a podridão estilar, que decorre da deficiência de cátions alcalinos como o cálcio, principalmente, em cultivares de frutos mais alongados. Entretanto, esta deficiência pode ser corrigida com o uso de condicionadores do solo, como calcários calcíticos ou dolom íticos.

Preparo inicial do solo

O preparo inicial do solo compreende operações necessárias, no sentido de criar condições de implantação de cultivos. Quando se trata de áreas cobertas com vegetação natural (mata, capoeira, etc.) ou artificial (pastagens, culturas perenes, semiperenes ou anuais), deverá ser feito o desmatamento manual ou mecanizado e, se necessário, a movimentação de terra para tornar a superfície regular e facilmente trabalhável.

Desmatamento

É uma operação que consiste na eliminação da vegetação existente na área, seja mata virgem ou suas formas de regeneração, ou, ainda, culturas perenes e semiperenes, compreendendo as seguintes formas:

a) Desmatamento mecânico - Realizado por meio do uso de tratores, normalmente de esteiras, equipados com lâminas cortadoras frontais fixas ou anguláveis, destocadores com aríete frontal, correntões e rolo faca, entre outros dispositivos.

b) Desmatamento manual - Em geral é utilizado em pequenas áreas com vegetação tipo capoeira, ou onde a vegetação foi retirada para aproveitamento secundário e os tocos remanescentes devem ser escavados e eliminados com auxílio de enxadões e chibancas. Este tipo de desmatamento, também, pode ser utilizado na eliminação de culturas arbustivas.

Levantamento da área

Após o desmatamento, deve-se efetuar o levantamento planialtimétrico da área onde se deseja instalar o cultivo, a fim de estabelecer as curvas de nível, bem como as estradas, redes de drenagem superficial e subterrânea, redes de distribuição do sistema de irrigação, unidades de rega, entre outros.

Preparo do solo para implantação do cultivo

O preparo modifica rapidamente a biologia e a dinâmica dos nutrientes do solo, sendo dependente do tipo de equipamento usado. As modificações no perfil do solo e camadas adjacentes vão depender do tipo e da intensidade de uso do implemento selecionado. Essa etapa de preparo do solo compreende as operações de movimentação de solo agrícola, para melhorar as condições físicas, tais como: estrutura, aeração e uniformidade de agregados (torrões), a fim de torná-lo apto para a instalação dos cultivos. Além das operações básicas, tais como: aração, gradagem, distribuição de corretivos e fertilizantes, pode ser incluída, também, a operação de subsolagem, sempre que for constatada a compactação e/ou adensamentos em camada subsuperficial. O preparo da área visa, também, facilitar as operações posteriores ao plantio como irrigação nos sulcos, amontoa, movimentação de pessoas e de máquinas para a realização de práticas culturais. A enxada rotativa, que possui as lâminas formando um rotor, distribuídas em um eixo transversal ao sentido de deslocamento do implemento, de levante hidráulico, normalmente é acionada pela tomada de potência do trator, sendo mais utilizada no preparo de solo para hortaliças. Em outras culturas, seu uso é limitado em virtude de diminuir muito a estabilidade de agregados no solo.
O preparo do solo pode ser dividido em várias etapas. Depende do tipo de solo e disponibilidade de máquinas e às vezes algumas etapas são suprimidas porque não há disponibilidade de equipamentos ou por questões de economia como é o caso de se usar gradagem em substituição à aração. Comumente, as etapas são:

1) Usar a roçadeira para a ceifa de restos de cultura e ervas de cultivos anteriores. Neste caso, o uso de arado de disco liso só pode ser efetuado após a secagem do material vegetativo, o que não é muito recomendado por causa da degradação da matéria orgânica, o mais recomendável é o arado de discos recortados, arados de aivecas ou a grade aradora.
2) Subsolagem da área até atingir a profundidade da camada adensada, para rompimento de existente camada compactada visando a penetração da água e o crescimento da raiz em profundidade.
3) Aração em profundidade, com aiveca de preferência, quando necessário fazer calagem, preferencialmente, com antecedência de 2 meses, incorporando o corretivo no solo com auxílio de gradagem superficial com grade leve (discos abertos).
4) Aplicar calcário de 2 a 3 meses antes do plantio, a fim de que haja tempo necessário para neutralizar a acidez do solo com eficácia.
5) Gradagem até destorroamento e nivelamento adequados.
6) Irrigação da área, 3 a 4 dias antes do plantio/transplantio.
7) Sulcamento para plantio/transplantio, normalmente entre as operações feitas após o plantio/transplantio, para controlar ervas, para diminuir a compactação e melhorar a aeração e a penetração da água no solo.

Preparo intensivo provoca maior perda da matéria orgânica do solo, via oxidação e fluxo de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera, aumentada pela baixa incorporação de material orgânico durante o pousio e pela manutenção do solo sem cobertura vegetal.
As operações do preparo do solo em áreas com declividade devem ser reduzidas ao mínimo e realizadas em curvas de nível. Uma boa produtividade é conseguida quando o solo é bem preparado. 
A aração visa “cortar”, revolvendo e tornando o solo mais solto, permeável, aerado, com melhor condição para o desenvolvimento sistema radicular da planta. Na aração, grande parte dos restos culturais remanescentes é enterrada, e deve ser feita com o solo úmido, próximo à capacidade de campo; é uma operação necessária, principalmente em solo com textura argilosa que possua deficiência na drenagem e na penetração de água. Normalmente, após a aração, ocorre perda de carbono para a atmosfera em consequência da exposição e a subsequente oxidação da matéria orgânica além de aumento no teor de nitrogênio (N) mineral e na taxa de desnitrificação. 
A aração com aiveca (leiva de forma prismática) proporciona maior volume de solo solto que o arado de disco. O solo arado com aiveca fica mais irregular na superfície e com maior área superficial e espaço vazio relativamente ao solo arado com disco (leiva de forma semicircular), permitindo diferenciadas taxas de fluxos de CO2 e de vapor de água para a atmosfera e de arejamento do solo.
Quando o solo com excesso de umidade é arado, há formação de torrões grandes e duros, que não são facilmente rompidos pelas operações futuras. Deve-se considerar, também, que a aração de solo muito seco dificulta a penetração do arado. Dependendo do solo, para a obtenção de preparo mais profundo, é recomendada uma segunda aração após a gradagem e a emergência inicial de ervas.
A gradagem é feita com grade niveladora de discos ou de dentes com a finalidade de destorroar e “aplainar” o solo arado. A função básica da grade é complementar a aração embora, em algumas situações, possa substituir o trabalho do arado. As gradagens são feitas, geralmente, logo após a aração e antes do sulcamento. 
Apesar do predomínio da propagação através da semeadura direta, via semente e em covas, como é o caso da melancia, não é necessário que o solo esteja muito destorroado, pois os torrões de solo ajudam na fixação das plantas por meio das gavinhas. A superfície do solo pode apresentar torrões que favorecerão a fixação das ramas, evitando que ventos fortes provoquem danos à planta e aos frutos, além de impedir que os frutos mais pesados afundem muito no solo.
O excesso de operações mecanizadas deixa o solo pulverizado e suscetível à formação de crosta e à erosão, além de compactar as camadas mais profundas do perfil do solo não alcançadas pelos implementos. Foi comprovado um decréscimo significativo na produtividade da melancia em consequência da compactação do solo provocada pelo modo de preparo do terreno. No tratamento em que foi feita apenas a aração, a produtividade foi 16,23% maior que no preparo de solo com aração e gradagem. 
O sulcamento deve ser feito à profundidade de 20 cm, no espaçamento de 2 m a 3 m entre as linhas de cultivo (considerando o hábito de crescimento das cultivares). Quando o sistema de irrigação for por gotejamento ou aspersão, essa prática será utilizada como balizamento para o plantio, servindo de base à realização de adubação química e orgânica em fundação (no fundo do sulco), além de elevar o nível da zona de plantio, drenar o excesso de água e evitar o acúmulo de água no colo da planta.
Em solos muito compactados, recomenda-se a realização de uma subsolagem antes da aração, utilizando de trator de esteira (Figura 1) ou de pneus.

Foto: José Barbosa dos Anjos.
Figura 1.Subsolagem com trator de esteiras.

A aração (mobilização/revolvimento) é uma operação que visa à quebra de torrões quando realizada após uma subsolagem, bem como a incorporação de restos oriundos da cultura anterior, para incorporação de matéria orgânica no solo.
Para uma melhor eficiência no preparo de solo com aração, deve-se dar preferência ao uso de arado com discos recortados (Figura 2). Em solos isentos de tocos e de raízes grossas, esta operação pode ser realizada com arados de aivecas.
Foto: José Barbosa dos Anjos.

Figura 2.Aração: a) trator de pneus; b) modelo de disco de arado com perfil recortado.

Aração simultânea à subsolagem

A aração simultânea é utilizada quando não há disponibilidade de tratores com potência suficiente, capaz de efetuar a subsolagem (descompactação do solo) numa só operação. A cada percurso do arado, faz-se a subsolagem, com o trator deslocando-se dentro do sulco deixado pela aração, cujo objetivo é obter maior penetração das hastes do subsolador e, assim, sucessivamente. No caso da opção pela aração combinada com a subsolagem, é necessário dispor de dois tratores, sendo um equipado com arado e outro com subsolador, para realizarem o trabalho simultâneo e alternadamente (Figura 3a). O uso da aração combinada com subsolagem pode ser dispensado, quando se dispõe de tratores de esteiras, ou tratores de pneus com potência acima de 140 cv (103,04 kW) para realizar a subsolagem convencional, antes da aração. A profundidade de subsolagem deve ser de 0,80 m a 1,20 m, seguida da aração característica do preparo inicial do solo, de 0,30 m a 0,40 m de profundidade (Figura 3b).

Foto: José Barbosa dos Anjos.
Figura 3.a) Aração combinada com a subsolagem; b) detalhe da subsolagem.

O sulcamento faz-se necessário quando se deseja utilizar irrigação por infiltração (superfície). A operação consiste em regular o sulcador no espaçamento desejado e sulcar o terreno a uma profundidade de 20 cm. Os sulcos devem possuir de 0,2% a 0,5% de declividade e 10 m a 50 m de comprimento, conforme a topografia do terreno, textura do solo e época do plantio. Mesmo utilizando a irrigação por aspersão ou localizada (gotejamento), muitos produtores fazem o sulcamento do terreno para realizar a adubação de plantio (Figura 4).
Sulcos profundos para a confecção de bancadas, leiras ou camalhões, elevam a profundidade do perfil de solo explorado pelo sistema radicular das plantas, sendo uma prática que repercute na drenagem do excesso de água, principalmente na época chuvosa, bem como permite a manutenção das leiras fixas entre plantios sucessivos, deixando-se linhas permanentes de trânsito de pessoas e equipamentos. Em áreas com muito declive, os camalhões devem ser feitos em curvas de nível.
Em época chuvosa, solos de textura mais argilosa são de difícil drenagem. Neste caso, o plantio deve ser feito acima da superfície original do solo, na lateral (borda) do sulco ou no centro dos camalhões.

Foto: Rita de C. S. Dias.
Figura 4.Preparo do solo: a) aração e gradagem; b) sulcamento para adubação de plantio.


Preparo mínimo ou reduzido de solo

Preparo mínimo ou cultivo mínimo são práticas conservacionistas que visam menor mobilização do solo, de forma que grande parte da área esteja coberta com resíduo de culturas anteriores, “mulching”, cobertura viva com plantas espontâneas ou cobertura verde. Os benefícios desta prática são: menor gasto de energia, aumento da concentração de matéria orgânica, melhoria das condições físicas e químicas do solo, bem como prevenção de erosão. Essas atividades também promovem o aparecimento de organismos benéficos ou não à melancia


sábado, 25 de maio de 2019

Clima para a Cultura da Melancia


As cucurbitáceas se adaptam bem às zonas quentes e semiáridas, com alta luminosidade e temperaturas do ar entre 18 °C a 30°C, não tolerando temperaturas abaixo de 10 °C. A melhor época para o desenvolvimento da melancia é durante o período seco, pois nos períodos úmidos ela é mais suscetível a doenças. Entre as cucurbitáceas, a melancia é uma das espécies menos tolerantes a baixas temperaturas, principalmente durante a germinação das sementes e emergência, sendo uma cultura tipicamente de clima quente. As cultivares triploides — sem sementes — são mais exigentes em temperatura do ar que as demais, apresentando maiores problemas de germinação. Um clima quente e seco favorece a formação de frutos de melancia com excelentes qualidades organolépticas. Ao contrário, em condições de umidade relativa do ar alta e baixa insolação, os frutos formados são de má qualidade.
O efeito de condições ambientais na determinação do sexo em melancia foi estudado em condições controladas, verificando-se que em dias curtos (8h), a temperatura de 27 °C, aumentou-se a tendência de emissão de flores femininas e dias longos (16h) com a temperatura de 32 °C houve a inibição desta emissão. Além disso, os níveis de temperatura do ar também afetam significativamente o ciclo da melancia. Considerando uma mesma cultivar, este poderá ser incrementado em torno de 20 dias com a diminuição da temperatura do ar e radia ção solar incidente.

Temperatura do ar

Há, na literatura, diferentes informações sobre a faixa de temperatura do ar ideal para cada fase da cultura da melancia. A faixa que favorece a germinação das sementes situa-se entre 21,1 °C e 35 °C, sendo os limites de temperaturas mínimas do ar e do solo iguais a 15 °C e 21,1 °C, respectivamente. A temperatura média do ar ideal para que ocorra a germinação está entre 23,8 °C e 29,4 °C. Desta forma, quando a temperatura do ar situa-se em torno de 20 °C, a germinação das sementes se completa em 15 dias, enquanto a 30 °C, este processo ocorre em apenas 5 dias, em média. 
O desenvolvimento vegetativo e a floração são favorecidos por valores de temperatura do ar na faixa de 23 °C e 28 °C e 20 °C a 21 °C, respectivamente, e paralisados em temperatura de 11 °C a 13 °C ou inferiores (Tabela 1). Contudo, não permanecendo por muitos dias sob tais condições de temperatura, a planta voltará a crescer. A temperatura do ar ideal para o seu desenvolvimento deve estar em torno de 25 °C. O crescimento das plantas de melancia é afetado quando as temperaturas médias do solo atingem valores iguais ou inferiores a 16,7 °C. Além do anteriormente exposto, a temperatura também influencia na incidência de doenças. As temperaturas mais amenas favorecem a incidência de doenças como fusariose (Fusarium oxysporum f. sp. niveum), cancro das hastes (Didymella bryoniae), oídio (Shaerotheca fuliginea) e míldio (Pseudoperonospera cubensis).
Em condições térmicas ótimas, ou seja, temperaturas do ar noturnas entre 15 e 20 °C e diurnas de 20 °C a 30 °C, o fruto pode atingir 50% de seu peso final nos primeiros 15 dias após a antese. Atinge a maturação completa de 30 a 50 dias, dependendo, também, de outros fatores como as condições de cultivo e cultivar utilizada. 
Sob temperatura do ar elevada (acima de 35 °C), a formação de flores masculinas é estimulada. A associação de altas temperaturas e ventos provoca elevada taxa de transpiração, aumentado a pressão interna dos frutos e ocasionando a ruptura da casca dos frutos nos pontos mais fracos. 
A produtividade da cultura depende diretamente da eficiência da polinização que, em condição natural, é feita por abelhas. A maior atividade destas ocorre em temperaturas altas — entre 21 °C a 39 ºC —, com ótimo entre 28 °C e 30 °C. Assim, de forma indireta, a temperatura também pode afetar a produtividade. Na Tabela 1 são apresentadas as temperaturas críticas para a melancia em distintas fases de desenvolvimento.

Tabela 1. Caracterização das faixas de temperatura do ar para melancia em distintas fases de desenvolvimento.
Descrição
(°C)
Congelamento
0
Paralisação vegetativa
11 - 13
Germinação mínima
16
Floração ótima
20 - 21
Desenvolvimento ótimo
23 - 28
Maturação do fruto
23 - 28
Fonte: INFOAGRO (2010).

Quando as diferenças de temperatura do ar entre o dia e a noite são grandes (>10oC), pode ocorrer desequilíbrios nas plantas como fendas no colo e ramas, bem como, produção de pólen não viável. 
A temperatura do ar elevada, os altos níveis de radiação solar incidente e a baixa umidade relativa do ar proporcionam, quando associados, condições climáticas ideais para uma boa produtividade da cultura e obtenção de frutos de ótima qualidade, pois aumentam o conteúdo de açúcares e melhoram o aroma, o sabor e a consistência dos frutos. Em condições de irrigação do Vale do São Francisco, com os requerimentos hídricos satisfeitos, isso é alcançado no cultivo de agosto a novembro. 
Sob clima frio e úmido, as qualidades organolépticas tornam-se baixas, por causa da redução no teor de açúcares. Também, deve-se considerar a exposição do terreno, evitando-se faces atingidas por ventos frios - mais sujeitas às geadas - e aquelas menos iluminadas.

Umidade relativa do ar

A umidade relativa do ar ótima para a cultura da melancia, de forma geral, situa-se entre 60% e 80%, sendo um fator determinante durante a floração, uma vez que, associada a temperaturas mais amenas, favorece a uma melhor fertilização das flores e um maior número de flores femininas. 
Valores elevados de umidade relativa favorecem a ocorrência de doenças fúngicas, resultam em desfolha precoce das plantas, reduzindo a fotossíntese e afetando diretamente a produtividade e a qualidade dos frutos, que se tornam aguados e com baixo teor de açúcares. A alta umidade relativa do ar, sobretudo quando associadas a temperaturas elevadas, favorecem ao desenvolvimento de várias doenças, como alternaria (Alternaria cucumerina), mofo-branco (Sclerotium rolfsií) e de alguns distúrbios fisiológicos, como é o caso do rachamento de frutos. 
Em condições de irrigação a umidade relativa do ar é muito importante na determinação da evapotranspiração.

Precipitação

Quando o cultivo da melancia é realizado sem irrigação, o ideal é que as chuvas sejam bem distribuídas ao longo do ciclo da cultura. Embora a melancia possa tolerar pequenos veranicos, paralisando o seu crescimento, a falta de umidade no solo durante as fases de floração e frutificação, diminui a produtividade em decorrência da baixa frutificação e à redução do tamanho dos frutos.
O excesso de chuvas durante o desenvolvimento da cultura aumenta a incidência de doenças. No caso de solos mal drenados, períodos longos de encharcamento prejudicam a respiração radicular, provocando amarelecimento das plantas seguido de morte. Nesses casos, também é comum o desenvolvimento de raízes adventícias ao longo das ramas.
Durante a floração, o excesso de chuvas prejudica a polinização, danificando as flores e dificultando a ação dos polinizadores (abelhas). Na maturação, a qualidade dos frutos e a vida de prateleira dos mesmos podem ser prejudicadas pelo excesso de chuvas, pois há maior dificuldade para o controle das pragas e doenças que afetam as plantas e, consequentemente, a produção. Além disso, chuvas intensas, sobretudo quando acorrem após um período de estiagem ou próximo á colheita, contribuem para a rachadura de frutos.
Dentre os fatores climáticos, a precipitação é determinante para definição da época de plantio e da forma de cultivo. No caso dos cultivos sem irrigação, os meses de maior precipitação devem ser evitados por causa da dificuldade do controle de pragas e doenças. No caso dos cultivos irrigados, o semeio pode ser realizado de forma a sincronizar a colheita fora de épocas com precipitação, pois afeta, também, a qualidade dos frutos.

Radiação solar

A radiação solar (luminosidade) é fundamental, principalmente sob condições de temperatura do ar abaixo do ótimo, em que a elevada irradiância ou o prolongamento do período luminoso promove a formação de maior área foliar.
Longos fotoperíodos favorecem o crescimento vegetativo e o florescimento da melancia. Dias longos e noites curtas, ambos quentes, caracterizam verão quente e seco, que são considerados ideais para a cultura. É por isso que a região Nordeste apresenta excelentes condições climáticas para o cultivo da melancia e a obtenção de frutos de boa qualidade. Em condições de umidade alta e baixos índices de radiação solar incidente, os frutos apresentam-se sem sabor. 
Na região da Amazônia, durante o período de estiagem, quando a fumaça das queimadas se intensifica, a redução da radiação solar incidente pode provocar atraso no desenvolvimento das plantas.

Velocidade do vento

Ventos fortes danificam folhas, flores e frutos; nos últimos, os prejuízos são facilmente perceptíveis pela diminuição na frutificação e/ou depreciação do produto. Outro fator negativo, é que as lesões provocadas pelos ventos expõem a planta às infecções fúngicas e bacterianas, através de microlesões ocasionadas pelo atrito das ramas com o solo ou mesmo pelo atrito de partículas de solo arrastadas pelo vento. Além disso, ventos fortes e secos intensificam a evapotranspiração, aumentando a demanda da planta por água. 
No manejo cultural da melancia, a predominância de ventos fortes dificulta a prática cultural do penteamento, que consiste na condução das ramas a favor das direções predominantes, como forma de evitar que parte da planta fique dentro dos sulcos de irrigação, ou na área de circulação de pessoas e máquinas. 
Em regiões onde os ventos fortes são comuns, o preparo do solo deve ser moderado, evitando-se a pulverização e sempre que possível, as linhas de cultivo devem ser estabelecidas de modo que as plantas cresçam paralelamente às direções predominantes. Também deve ser adotada a confecção de barreiras vivas, próximo à área de cultivo, sem que causem sombreamento.


terça-feira, 14 de maio de 2019

Aspectos socioeconômicos da Cultura da Melancia



O Sistema de produção de melancia é uma publicação que resultou de parcerias da Embrapa com outras instituições. Traz muitas informações sobre esta importante oleácea, que tem boa parte de sua produção direcionada ao mercado externo.
Nesta publicação, são abordados aspectos como: produção de mudas, plantio, normas técnicas para o controle de pragas, manejo de plantas daninhas, coeficientes técnicos, custos, rentabilidade, mercado e comercialização e muitos outros.
Os resultados apresentados derivam de estudos de pesquisadores de diversas áreas como: melhoramento vegetal, irrigação, fisiologia pós-colheita, entomologia, socioeconomia, olericultura, produção de biomassa e outras. Portanto, trata-se de um trabalho multidisciplinar cujo principal objetivo é oferecer importantes informações nos diversos segmentos da cadeia produtiva da melancia, por isso, esperamos que seja bem aceito pelo público não só pelos esforços empreendidos para a sua consolidação, mas por entendermos que se trata de um instrumento que pode contribuir sobremaneira para uma produção respaldada na sustentabilidade, refletindo uma preocupação atual da sociedade e o compromisso com uma atividade agrícola de longo prazo.
A melancia Citrullus lanatus (Thunb.) Matsum & Nakai] pertence à família Cucurbitaceae, é cultivada em todo o mundo, sendo considerada cosmopolita. Tem uma expressiva importância no agronegócio brasileiro, sendo cultivada sob irrigação e em condições de sequeiro. Diferentemente do cultivo irrigado, que pode ocorrer durante o ano todo e se utiliza cultivares comercias, a produção em regime de sequeiro, aonde se utiliza os tipos locais apenas uma vez por ano, durante o período chuvoso, apresentam grande variabilidade quanto às características de aparência externa, cor da polpa, teor de açúcar, conservação pós-colheita, entre outras. 
O valor bruto da produção de melancia no Brasil, em 2006, foi em torno de R$ 533 milhões, considerando uma safra de 1.946.912 toneladas, em aproximadamente 93.000 hectares cultivados, bem como se subtraindo em 30% com perdas que ocorrem por diversas causas em produtos hortifrutícolas, e um preço médio nacional de R$ 0,27 por quilograma; sendo R$ 15,67 milhões obtidos com as exportações.
A atividade produtiva de melancia no Brasil apresenta um perfil predominante pela produção familiar por sua rusticidade, pelo menor investimento de capital e retorno em torno de 85 dias em relação às outras oleráceas.

Taxonomia, características botânicas e morfológicas

A cultura da melancia era conhecida dos egípcios há cerca de 2.000 anos a.C., e por causa da diversidade de formas silvestres, atualmente, é mais aceito que o gênero Citrullus tenha origem na África. Foi introduzida no continente americano pelos escravos e colonizadores europeus no século 16. A espécie se difundiu pelo mundo inteiro e é cultivada nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. A variabilidade genética trazida do continente africano aliado ao processo de manejo da cultura na agricultura tradicional da região, tornou o Nordeste brasileiro um centro secundário de diversificação da melancia. 
O gênero Citrullus é classificado como parte da divisão Magnoliophyta, da classe Magnoliopsida, da subclasse Dilleniidae, da ordem Violales e da família Cucurbitaceae. No gênero Citrullus estão incluídas quatro espécies: Citrullus lanatus, C. colocynthis, C. ecirrhosus e C. rehmii.
A espécie Citrullus lanatus (Thunb.) Matsum e Nakai, inclui a melancia cultivada para consumo humano Citrullus lanatus, de ampla distribuição mundial, e Citrullus lanatus var. citroides, uma forma silvestre encontrada no sul da África e cultivada em outras partes do mundo, principalmente para a alimentação animal.

Aspectos morfológicos

A melancia é uma planta anual, herbácea, de hábito de crescimento rasteiro, com ramificações sarmentosas e pubescentes (Figura 1). O caule é constituído de ramos primários e secundários, que podem assumir disposição radial — ramos de tamanho similar, partindo da base da planta — ou axial — um ramo mais longo com derivações opostas e alternadas a cada nó. Os ramos primários são vigorosos e longos, podendo superar a 10 m nas raças crioulas. No entanto, em variedades comerciais, geralmente, o comprimento do ramo principal é menor que 4 m. As folhas têm disposição alternada e, geralmente, apresentam limbo com contorno triangular, recortado em três ou quatro pares de lóbulos, de 15-20 cm de comprimento e de margens arredondadas. Possuem gavinhas — folhas modificadas — que auxiliam na fixação da planta ao solo. A partir de cada nó se origina uma folha e uma gavinha, sendo que a partir do terceiro, cada nó também dá origem a flores. O sistema radicular é pivotante e mais desenvolvido no sentido horizontal, concentrando-se até 30 cm abaixo da superfície do solo. Sob condições de umidade excessiva do solo ou morte de parte do sistema radicular, os nós também podem originar raízes adventícias.

Foto: Rita de C. S. Dias.
Figura 1.Ramificações sarmentosas e pubescentes em uma variedade crioula de melancia.
Quanto à biologia reprodutiva, a melancia é monoica — flores masculinas e femininas separadas —, mas também ocorrem plantas andromonoicas (flores masculinas e hermafroditas) ou ginandromonoicas — flores masculinas, femininas e hermafroditas (Figura 2). No ápice da floração, normalmente, na segunda semana após o início da abertura das flores, há cerca de três a cinco flores masculinas para cada flor feminina. Estas e as hermafroditas possuem ovário súpero em formato similar a forma final do fruto.

Foto: Rita de C. S. Dias.
Figura 2. Flores de melancia masculinas (A), feminina (B) e hermafrodita (C). Aspectos gerais de folhas e flores de melancia: disposição alternada e limbo com contorno triangular, recortado em três ou quatro pares de lóbulos, com margens arredondadas: a) flores masculinas; b) femininas; c) hermafroditas.

  Durante a floração, as flores abrem entre 1 e 2 horas após o aparecimento do sol e se fecham no mesmo dia à tarde, para não mais abrirem, tendo ou não ocorrido a polinização. O pólen da melancia é pegajoso e as abelhas são os principais polinizadores. Elas são atraídas pelo néctar e pólen, e, ao visitarem as flores realizam polinização. O vento não é suficiente para transportar o pólen entre as flores. Sem o estímulo propiciado pela polinização, o fruto não se desenvolve. É necessário que pelo menos 1.000 grãos de pólen sejam depositados sobre o estigma para que se desenvolva um fruto perfeito. 
O fruto é uma baga indeiscente que varia quanto ao formato, ao tamanho, cor, espessura da casca, cor da polpa, cor e tamanho de sementes. As variedades de melancia cultivadas possuem frutos de diversos tamanhos — 1 kg a mais de 30 kg —, formas — circular, elíptica - larga e alongada —, cores da superfície externa — verde cana, verde-claro, verde-escuro, amarelo, com ou sem listras — e interna —vermelho, rosa, amarelo e branco — e inúmeros sabores.
A polpa é formada de tecido placental, que é a principal parte comestível do fruto. Este tecido tem a coloração vermelha por causa da presença de licopeno ou amarelada em consequência da presença de carotenos e xantofilas. Frutos de materiais silvestres possuem amargor acentuado da polpa — “flesh bitterness” — que é atribuído à presença de cucurbitacina, um triterpenoide tetracíclico oxigenado, que é raro nas atuais variedades cultivadas. A polpa da melancia quanto à textura é classificada em macia ou firme — ou crocante. As cultivares de polpa macia são muito apreciadas no mercado nacional. Entretanto, para o mercado de exportação, a preferência é por cultivares de polpa firme — muito observado nas cultivares triploides ou sem sementes.
As sementes são variadas na cor do tegumento — branca, creme, verde, vermelha, marrom-avermelhada, marrom e preta —, com presença ou ausência de manchas — cor secundária do tegumento —, tamanho variando de muito pequeno a muito grande. As cultivares Charleston Gray e Fairfax apresentam sementes que medem cerca de 1,3 cm de comprimento, enquanto que cv. Kodama apresenta sementes com cerca de 0,4 cm. A melancia, de forma geral, apresenta cerca de 200 a 800 sementes por fruto, que ficam embebidas na polpa. As cultivares triploides não apresentam sementes perfeitas ou apresentam um número reduzido, variando de 1 a 10, mas apenas rudimentos de sementes — “sementes brancas” —, que são comestíveis.

Composição nutricional e usos

Apesar de o uso predominante da melancia é o consumo do fruto in natura, na China e em outras regiões do Meio Oriente também se cultiva para consumir as sementes. A melancia, além de conter quantidades abundantes de antioxidante licopeno, é uma Foto excelente do aminoácido citrulina que estão facilmente disponíveis. O corpo humano usa a citrulina para produzir outro aminoácido importante, arginina, que tem um papel importante na divisão das células, para cicatrizar ferimentos e na eliminação de amônia do corpo.

A melancia é Foto de pró-vitamina A e das vitaminas C e do complexo B, além de sais minerais como cálcio, fósforo e ferro. Por ser muito hidratante — 90% de seu volume é água — e diurética, elimina resíduos do aparelho digestivo e funciona como laxante. Nas melancias de polpa vermelha, assumem importância o potássio, o magnésio, o fósforo e o cálcio, estando os demais elementos como sódio, manganês, zinco, cobre e ferro presentes em menor quantidade. Vale ressaltar que, por ter baixo valor calórico, a melancia pode ser especialmente recomendada para dietas de baixo valor energético.

As cucurbitáceas, principalmente a melancia, desempenham um importante papel na alimentação humana, especialmente nas regiões tropicais, onde o consumo é elevado. Ela é consumida quase exclusivamente in natura, mas, também, na forma de sucos, geleias, doces, molhos e em saladas. Em alguns países, se preparam picles com a casca dos frutos e, na China e em diversas regiões da Ásia e no Oriente Médio, se consomem também as sementes. As sementes das cucurbitáceas são consumidas em diversos países — C. pepo, no México e melancia, na China — e são ricas em gordura, proteína, tiamina, niacina, cálcio, fósforo, ferro e magnésio. Na Índia, faz-se pão de farinha de semente de melancia. Nas regiões áridas da África, são utilizadas como Foto de água desde tempos imemoriais. Na Rússia Meridional, uma cerveja tem suco de melancia como ingrediente. Outro uso é fazer doce com a parte branca, preparado da mesma forma que o doce de mamão verde.

Como uso medicinal, o consumo habitual ou periódico da melancia é muito importante para a saúde, em vários aspectos:

Seu suco, feito da polpa, ajuda a eliminar o ácido úrico, substância química que se acumula no organismo e que causa a gota, mais conhecida como reumatismo gotoso, responsável pela formação de cálculos renais — calcificação em forma de pedras nos rins. Atua, também, na limpeza do estômago e dos intestinos; é benéfico no controle da pressão alta. O uso do chá das sementes da melancia, secas e trituradas, também auxilia no tratamento da pressão alta.
É eficaz nos tratamentos de acidez estomacal, mais conhecida como queima ou azia; da inflamação das vias urinárias; dos gases e dores intestinais e da bronquite crônica.
É recomendada no tratamento da erisipela — inflamação aguda da pele —, quando o suco da casca e da polpa da melancia for aplicado sobre a parte afetada, em forma de cataplasma.
A melancia possui atividade antioxidante e anticancerígena — protege contra câncer de útero, próstata, seio, cólon, reto e pulmão.
A melancia, além de saciar a sede e hidratar, é pobre em calorias e pode auxiliar no emagrecimento. Segundo os naturopatas, deve ser consumida isoladamente. As suas fibras agem na regulação do trânsito intestinal, além de auxiliar o organismo a eliminar toxinas — desintoxicante —, colaborando para a redução do colesterol.

Geografia da produção

A melancia é uma cucurbitácea cultivada em quase todas as regiões tropicais, subtropicais e temperadas do mundo. A produção e a área cultivada, em termos mundiais, desta olerácea têm seguido uma tendência crescente no período de 1997 a 2004, com um incremento de 38,5% na área plantada e em 61,6% na produção. Aproximadamente 80% da produção mundial de melancia está concentrada em dez países. A China ocupa a liderança, seguida pela Turquia, Rússia, Irã e Brasil.
Os maiores rendimentos no cultivo de melancia foram obtidos pela Espanha, Coreia do Sul, Marrocos e Estados Unidos, variando de 44 t/ha a 31 t/ha. A produtividade do Brasil, mesmo considerando os dados do IBGE (2006), aproximadamente 21 t/ha, corresponde ao menor rendimento do grupo de países que lideram a produção de melancia. No entanto, em 2006, já apresentou a quarta maior área colhida (Tabela 1), o que reflete no volume total de hortaliças produzidas no Brasil.

Tabela 1. Área colhida (ha), rendimento (kg/ha) e produção (t) nos principais
Países
Área colhida
(ha)
Rendimento
kg/ha
Produção
(t)
China
2.314.000
30.777,9
71.220.000
Turquia
137.000

27.776,0
3.805.306 
Irã
131.455
24.794,9
3.259.411
Estados Unidos
55.200
31.139,9
1.718.920
*Brasil
180.641
218.664,6
31.505.133
Egito
62.000
24.193,5
1.500.000
México
42.867
22.612,5
969.332
Coréia do Sul
20.553
37.871,5
778.374
Espanha
16.200
44.290,1
717.500
Marrocos
18.835
37.811,8
712.185
Outros
906.724
-
14.416.232
Total
3.785.475
26.575,9
100.602.393
1 92.996 ha; 2 20.935 kg/ha; 3 1.946.912 t.
Fonte: FAOSTAT (2007) e IBGE (2006).


Distribuição geográfica da produção de melancia no Brasil

A melancia está entre as cinco mais importantes olerícolas cultivadas no Brasil. Sua área plantada em 2006 foi em torno de 93.000 ha e sua produção correspondeu a 1.946.912 toneladas. Ela está entre as principais cucurbitáceas cultivadas no Brasil apresentando, no período de 1996 a 2006, produtividades médias de 32 t/ha a 6 t/ha (Figura 3). Em 2006, destacaram-se com as mais elevadas produções os seguintes estados: Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, São Paulo, Tocantins, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Pará, sendo as regiões Sul e Nordeste, responsáveis por 34,8% e 28,8%, respectivamente, da produção nacional. O Nordeste brasileiro, historicamente, foi o maior produtor de melancia, mas a partir de 2001, a produção do Sul do Brasil obtém a dianteira (Figura 3). Um aspecto que contribuiu para isso, provavelmente foi o contínuo incremento na produtividade observado nesta região (Figura 4).

Figura 3. Produção (t) de melancia nas cinco regiões do Brasil de acordo com dados do IBGE, no período de 1996 a 2006.

 As regiões produtoras de melancia no Brasil guardam relação direta com a forma de cultivo: irrigado ou de sequeiro. Diferentemente do cultivo irrigado, a produção em regime de sequeiro, não utiliza insumos agrícolas, como adubos e defensivos químicos. O cultivo irrigado, apesar do diferencial positivo de ter disponibilidade de água todo o ano e ser possível a escolha da época do plantio e o controle da irrigação em função do ciclo da cultura, muitas vezes, apresentam áreas vizinhas cultivadas em diferentes fases — área plantadas recentemente a outra que já foi efetuada a colheita —, o que representa condições favoráveis para o desenvolvimento de pragas e doenças; isso também repercute no rendimento da melancia. Deve-se considerar, também, que as cultivares e os híbridos de melancia disponíveis no mercado brasileiro são, na sua maioria, de origem americana e suscetíveis às principais doenças e pragas. Entre as cultivares a mais plantada é a ‘Crimson Sweet’ e tipos parecidos, respondendo praticamente por todo o fornecimento ao mercado consumidor.

Figura 4 - Rendimento (kg/ha) da melancia obtido nas cinco regiões brasileiras de acordo com dados do IBGE, no período de 1996 a 2006.