google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES: BRASSICAS
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Cultivo da Mostarda



Algumas espécies de plantas recebem o nome popular mostarda, produzindo sementes que são utilizadas para fazer condimentos do mesmo nome. Todas também podem ser consumidas como verdura, pelo menos quando jovens, mas a mostarda-oriental é a mais utilizada, existindo diversas cultivares que são utilizadas basicamente como verdura. As três espécies mais cultivadas de mostarda são:
Cultivar de mostarda-oriental, mostarda-marrom ou mostarda-castanha (Brassica juncea)

Brassica juncea - chamada de mostarda-oriental, mostarda-marrom, mostarda-castanha, mostarda-da-índia ou mostarda-da-china. Há um grande número de subespécies e cultivares desta mostarda, incluindo cultivares de folhas verdes, avermelhadas ou roxas, folhas lisas e crespas, plantas com o caule bastante desenvolvido e plantas que produzem grandes raízes comestíveis. É a mostarda mais utilizada e apreciada como verdura, sendo usadas como alimento suas folhas, flores, sementes, caules e raízes, dependendo da subespécie. Suas sementes também são usadas para fazer o condimento mostarda, mas são principalmente utilizadas para a obtenção de óleo de mostarda ou na preparação de pratos culinários.
Mostarda-preta (Brassica nigra)

Brassica nigra - chamada de mostarda-preta, suas sementes são muito apreciadas em pratos da culinária e são usadas na fabricação do condimento mostarda. Suas sementes são as mais ricas em lipídios e assim também são utilizadas para a obtenção de óleo de mostarda. Suas folhas e brotos podem ser consumidos cozidos, mas seu uso como verdura é incomum. Essa planta pode ultrapassar os 2 m de altura.


Mostarda-branca (Sinapis alba
Sinapis alba, por vezes denominada Brassica alba ou Brassica hirta - chamada de mostarda-branca ou mostarda-amarela, é a mostarda cujas sementes são mais usadas na fabricação do condimento mostarda (a mostarda amarela). Suas sementes são amareladas, beges ou castanho-claras. Suas folhas podem ser consumidas cozidas se colhidas antes da floração, mas seu uso como verdura também não é muito comum. Esta espécie atinge até 1,6 m de altura.

Clima

A mostarda pode crescer em uma ampla faixa de temperaturas, embora o ideal seja um clima ameno. As plantas podem suportar geadas leves.
A mostarda pode tolerar clima quente, mas a produção e a qualidade das sementes pode ser prejudicada se a temperatura for muita alta durante a floração e o crescimento das vagens. O ideal é que a temperatura não ultrapasse os 27°C. A mostarda-oriental, cultivada como verdura, geralmente não suporta bem altas temperaturas.

Luminosidade

A mostarda cresce melhor com luz solar direta, mas também pode ser cultivada em sombra parcial, especialmente se for cultivada durante o verão ou em regiões mais quentes.
Cultivar roxa de mostarda-oriental 

Solo

Cultive em solo bem drenado, fértil e rico em matéria orgânica. As mostardas são tolerantes quando ao pH do solo, mas crescem melhor com pH acima de 6.

Irrigação

Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, sem que fique encharcado.
Mudas de mostarda-oriental

Plantio

As sementes são geralmente semeadas diretamente no local definitivo, embora também possam ser semeadas em sementeiras e módulos, e transplantadas posteriormente quando as mudas estiverem bem desenvolvidas, tal que possam ser facilmente manuseadas.
O espaçamento entre as plantas varia muito com a espécie e a cultivar sendo plantadas. Para a mostarda-branca e a mostarda-preta, muitas vezes o espaçamento entre as plantas é negligenciado, estabelecendo-se apenas uma distância de 30 a 40 cm entre as linhas de plantio. Para a mostarda-oriental, um espaçamento de 15 a 35 cm é geralmente usado, dependendo da subespécie e da cultivar.
A mostarda-oriental pode ser cultivada facilmente em jardineiras e vasos de tamanho grande.

Tratos culturais

Retire plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos.
A presença de abelhas é essencial para a polinização das flores e a produção de sementes.
Vagens de mostarda

Colheita

A colheita das folhas da mostarda-oriental pode geralmente ser iniciada a partir de 40 a 70 dias do plantio, variando com a cultivar e as condições de cultivo.
A floração e a produção de sementes acontece de 2 a 5 meses após o plantio. As vagens da mostarda-oriental podem ser colhidas quando estão completamente secas. Já as vagens da mostarda-preta e da mostarda-branca devem colhidas antes de secarem, pois são deiscentes, isto é, as vagens se abrem e liberam as sementes quando estas estão maduras.


sábado, 12 de maio de 2018

Controle de Doenças no Brócolis



Hérnia das crucíferas
A hérnia das crucíferas é um dos principais problemas nas áreas produtoras de brássicas em todo o mundo. A doença é causada pelo patógeno de solo Plasmodiophora brassicae (Woron), que completa parte de seu ciclo de vida dentro das raízes da planta hospedeira – as brássicas.
Os sintomas característicos dessa doença são a murcha da planta e a formação de galhas nas raízes, por causa do crescimento anormal do tecido, que engrossa e encurta as raízes, adquirindo forma semelhante a uma hérnia, o que deu o nome à doença.
As plantas apresentam um aspecto normal de sanidade, mas murcham nos períodos mais quentes e secos do dia, recuperando-se durante a noite. Nas raízes, visualizam-se as galhas que se estendem quanto maior seja a infecção e a formação das raízes laterais (Figuras 15A e 15B). Quando as plantas não são capazes de absorver água e nutrientes em quantidade suficiente, ocorre a diminuição da produção por causa do comprometimento do sistema radicular.
Se a infecção é muito severa nos primeiros dias, pode levar à morte da planta.
A infestação do solo pode ocorrer pelos seguintes fatores: introdução de mudas infectadas na área, movimentação de pessoas, de máquinas e implementos agrícolas contaminados, solo e água contaminados.
P. brassicae possui estruturas de resistência extremamente eficientes com relação a sua forma de dispersão e sobrevivência no solo na forma de esporos de resistência. Por causa dessas particularidades, o controle da doença é ainda um desafio para os agricultores, pois não existe uma forma única capaz de eliminar completamente o patógeno do solo. No País, não há nenhum agrotóxico registrado no Mapa para o controle dessa doença em brócolis. Uma vez infestada a área, a solução é buscar estratégias de convivência com a doença. A hérnia das crucíferas é uma doença de difícil controle.
Desse modo, recomenda-se a utilização de várias estratégias de manejo que sejam adequadas à região e a forma de produção do agricultor, buscando o controle eficiente da doença.
Tradicionalmente, seu controle é realizado pela rotação de cultivos com espécies não suscetíveis ao patógeno durante longos períodos de tempo para reduzir o inóculo do solo, que possui meia-vida de 4 anos.
Assim, após esse período de rotação, restarão 50% de esporos viáveis em uma área e, após 8 anos de rotação, a tendência é haver apenas 25% de esporos viáveis na área.
Plantas como o manjericão e a hortelã, quando em cultivo prévio ao de brássicas, apresentam efeito antagônico contra P. brassicae, porém são de pouca viabilidade econômica em consórcio com brócolis, quando cultivados em escala e em sistemas convencionais. Algumas plantas estimulam a germinação prévia de esporos de P. brassicae, por isso são denominadas plantas-armadilhas. Essas plantas fazem que parte dos esporos de P. brassicae germinem antes da implantação da cultura de interesse, no caso as brássicas, tornando-os incapazes de invadir o pelo da raiz, reduzindo assim os sintomas nas plantas.
Compostos orgânicos à base de tortas e farelos vegetais têm se mostrado uma estratégia viável no manejo da hérnia das crucíferas. Porém, em áreas com alta concentração de inóculo, o uso desses produtos deve ser combinado com outras práticas para supressão da doença. O uso de substratos desinfetados para produzir as mudas é outro método preventivo para o controle de hérnia das crucíferas. A limpeza de bandejas pode ser realizada com o uso de hipoclorito de sódio e outros produtos comerciais sanitizantes à base de ácidos e peróxidos, que são diluídos em diferentes concentrações que variam de 0,5% a 1% do volume de água.
Outra prática importante é o ajuste do pH do solo. O aumento da alcalinidade do solo é a forma mais antiga praticada para controle da hérnia das crucíferas. A doença é mais severa em solos ácidos (com pH abaixo de 5,5), diminuindo em pH superiores e é inexistente em pH acima de 7,8.
A calagem do solo é o método mais utilizado para aumentar o pH e consiste na aplicação de Ca e Mg, os quais, quando incorporados, alteram favoravelmente suas propriedades físicas e químicas.
O uso de cultivares resistentes é uma das formas mais estáveis de controlar essa doença, porém ainda não há nenhuma cultivar de brócolis disponível no mercado com resistência ao patógeno. A dificuldade de introgressão da resistência em brássicas, bem como a dificuldade de manutenção, deve-se ao fato de P. brassicae ser um patógeno que apresenta grande variabilidade genética, com nove raças conhecidas, dificultando a seleção de cultivares resistentes às diversas raças.
A utilização de áreas com solos bem drenados, com água de boa qualidade, entre outras medidas, são recomendadas para o controle dessa doença.


Figura 15. Galhas severas de hérnia das crucíferas causada por Plasmodiophora brassicae.


Podridão-negra
Os brócolis têm sua produção limitada pela ocorrência de doenças bacterianas, entre as quais está a podridão-negra, causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. campestris (Pammel). Essa bactéria apresenta distribuição mundial e pode promover considerável redução na produtividade e na qualidade do produto, e, em casos extremos, pode levar à perda total na colheita em cultivares extremamente suscetíveis.
A sua disseminação se dá por meio de sementes ou mudas, restos culturais infectados e/ou estruturas de sobrevivência, além de apresentar grande efeito da disseminação secundária a curta distância. Os sintomas da podridão-negra podem aparecer em qualquer estádio de desenvolvimento desde a fase cotiledonar, lesionando as folhas, causando manchas e posterior queda da planta. Nas folhas definitivas, a bactéria penetra pelos hidatódios e provoca lesões amareladas, as quais progridem, em forma de V, em direção ao centro da folha e ficam limitadas pelas nervuras. Com o decorrer do desenvolvimento, essas lesões avançam para a nervura principal e adquirem uma tonalidade marrom-clara. Posteriormente, secam a folha e provocam sua queda (Figuras 16A e 16B).
Uma das medidas mais efetivas para o controle da doença é o uso de cultivares resistentes. Em brócolis, esta doença tem sido observada em várias regiões produtoras e não há cultivares comerciais consideradas resistentes.
No Mapa, não há nenhum agrotóxico registrado para o controle dessa doença em brócolis no País. Cultivares do tipo inflorescência única que possuem folhas imbricadas (mais eretas) permitem menor acúmulo de água na planta e podem auxiliar no manejo dessa doença.
As seguintes medidas de controle da podridão-negra devem ser adotadas em caráter preventivo:
• Utilizar sementes sadias.
• Evitar o excesso de adubação nitrogenada (orgânica ou mineral).
• Evitar plantios muito adensados.
• Utilizar preferencialmente a irrigação por sistema de gotejamento, evitando o molhamento foliar.
• Fazer rotação de culturas com hortaliças de famílias botânicas diferentes das brássicas.
• Queimar ou enterrar os restos de cultura, principalmente de cultivos contaminados.
• Controlar insetos mastigadores que ocasionam lesões e que servem de porta de entrada para a bactéria.
• Eliminar plantas daninhas próximas ao plantio.

Figura 16. Lesão em formato de V e avanço para a nervura.

Podridão-mole
A doença é causada por Pectobacterium carotovorum (Jones), com predominância da subespécie P. carotovorum subsp. carotovorum em brócolis. Os sintomas da podridão-mole se caracterizam, inicialmente, pela maceração dos tecidos da base das folhas em contato com o solo infestado, progridem rapidamente para o caule principal e resultam no colapso de toda a planta (Figura 17). Inflorescências com menor granulometria (botões florais menores e mais compactos) permitem menor acúmulo de água e podem auxiliar no manejo dessa doença.

Figura 17. Apodrecimento do caule causado por P. carotovorum.

Nas regiões produtoras, esta bactéria ocasiona um mau odor típico e é bastante frequente em plantios no verão. Tem sua ocorrência associada a ferimentos advindos
de capinas e/ou da colheita.
As principais medidas preconizadas para o controle de podridões-mole incluem:
• Evitar plantio em solos de baixada, mal drenados.
• Retirar da área plantas doentes.
• Destruir restos culturais.
• Realizar a rotação de culturas por 3 a 4 anos.
• Não armazenar inflorescências e maços de plantas doentes e sadias conjuntamente.
• Armazenar as inflorescências em local ventilado, seco e preferencialmente em baixas temperaturas.
• Evitar ferimentos durante os tratos culturais, como capina e durante a colheita.
• Controlar insetos mastigadores, que ocasionam lesões que servirão de porta de entrada para a bactéria.
• Usar água de irrigação livre de contaminação.
• Evitar o excesso de umidade com
espaçamentos maiores entre plantas.
• Fazer adubação e calagem equilibradas.
• Utilizar cloro na água de lavagem do produto.

Pratinho
O pratinho, também conhecido como doença do anel e enfezamento dos brócolis, é uma doença da cultura dos brócolis que apenas recentemente se tornou importante no Brasil. Ela tem causado perdas relevantes no Estado de São Paulo, até mesmo quando a incidência da doença é baixa, pelo fato de as plantas infectadas serem impróprias para a comercialização.
A doença é causada por fitoplasmas, um grupo de bactérias que habitam exclusivamente o floema das plantas. A colonização desse tecido está relacionada com o principal sintoma da doença em plantas de brócolis, que é o escurecimento dos vasos do floema (Figura 18A), que nada mais é do que a resposta da planta à infecção pela bactéria. Além desse sintoma típico, as plantas também apresentam redução do crescimento, alteração da coloração das folhas e má formação da inflorescência (Figura 18B). A bactéria demora algum tempo para se multiplicar e induzir a expressão dos sintomas e, por esse motivo, os sintomas são mais acentuados quando a
infecção ocorre no início do cultivo.
A disseminação do fitoplasma associado ao pratinho não ocorre da mesma forma que comumente acontece com várias bacterioses, ou seja, por meio de sementes, pela transmissão da bactéria de uma planta para a outra, por ferramentas de corte ou pela água de irrigação/chuva. Os fitoplasmas infectam as plantas de brócolis por meio de cigarrinhas que se alimentam no floema de plantas. Essas cigarrinhas adquirem a bactéria de uma planta contaminada e, posteriormente, transmitem-na para as plantas nas quais vai se alimentar. O processo de transmissão de fitoplasmas não é ocasional, por isso somente algumas cigarrinhas que se alimentam do floema de plantas poderão transmiti-los. No Brasil, as seguintes espécies foram identificadas como capazes de transmitir a bactéria: Atanus nitidus (Linnavuori), Balclutha hebe (Kirkaldi), Agallia albidula (Uhler) e Agalliana sticticollis (Stål).
Considerando-se que as mudas que formam o campo de cultivo sejam sadias, quando produzidas em ambiente telado (livre de insetos) há questionamentos quanto à origem da doença.

Figura 18. Escurecimento dos vasos do floema (A); redução do crescimento, alteração da coloração das folhas e má formação da inflorescência (B).

Estudos recentes revelaram que plantas daninhas presentes nas áreas de cultivo de brócolis (ou na proximidade dos campos) servem de hospedeiras tanto para fitoplasmas quanto para cigarrinhas. Plantas daninhas de diversas espécies abrigam fitoplasmas similares àqueles encontrados em plantas dessa brássica. Logo, acredita-se que as cigarrinhas adquirem as bactérias a partir dessas plantas daninhas e as disseminam para a cultura. Essa hipótese é reforçada pelo fato de a maior incidência da doença sempre ser maior nas bordas do cultivo, especialmente nas proximidades de áreas com grande ocorrência de plantas daninhas.
Após a infecção das plantas de brócolis pela bactéria, não é mais possível eliminá-la, portanto todas as medidas de controle da doença visam evitar a infecção da planta.
As medidas de controle devem ser realizadas mesmo antes da implantação da cultura, pela produção de mudas em ambiente protegido de insetos e pelo controle das cigarrinhas e das plantas daninhas na área de cultivo de brócolis, visando à redução da população do vetor e da fonte de inóculo do patógeno, respectivamente.

Alternariose
A alternariose, causada por Alternaria brassicicola (Schwn.) Wilt. ou Alternaria brassicae (Berk.) Sacc. é uma doença limitante na produção de brócolis, podendo reduzir sua produtividade em até 50%. Esse patógeno causa danos maiores quando ocorre na fase de sementeira, provocando necrose dos cotilédones, do hipocótilo e tombamento, o que acarreta a destruição das mudas e inviabiliza o transplantio.
Em plantas adultas, os sintomas ocorrem inicialmente nas folhas mais velhas, e são caracterizados por lesões pequenas e necróticas. Posteriormente, todas as folhas passam a apresentar lesões circulares, concêntricas e com halo clorótico (Figura 19).
Essas lesões podem coalescer e, em ataques mais severos, as folhas amarelecem e secam.

Figura 19. Lesão causada por alternariose.

As sementes infectadas, quando jovens, são destruídas ou ficam chochas, enquanto as sementes maduras podem ser infestadas e infectadas e contêm o micélio dormente do fungo.
Nos restos culturais comumente deixados na área nas diversas regiões produtoras,
A. brassicicola sobrevive dentro dos locais de plantio e entre eles, tendo em vista que suas estruturas de reprodução são facilmente disseminadas pelo vento. Em longos períodos com condições favoráveis à doença, tais como temperaturas amenas, umidade relativa do ar elevada e pouco molhamento foliar, seja por irrigação seja por baixas precipitações, as estruturas de reprodução originadas de poucas lesões produzem grande número de novas infecções e podem causar danos severos à cultura dentro de um tempo relativamente curto.
O manejo da alternariose em brócolis pode ser realizado pelo uso de agrotóxicos (Tabela 5) e pela incorporação dos restos foliares infectados no solo, à profundidade mínima de 10 cm, combinados com rotação de culturas que envolvam outras espécies, visando a um intervalo mínimo de 2 meses entre o plantio de brássicas na área.


Outra medida de manejo associada ao controle é o uso de quebra-ventos para isolamento das áreas de cultivo. O quebra-vento atua como barreira para a dispersão do fungo, sendo opção para essa finalidade o capim-elefante, entre outras plantas (Figura 20).


Figura 20. Barreira do tipo quebra-vento de capim-elefante.

Porém, é de extrema importância a aplicação desse manejo regionalmente, evitando- se cultivos sucessivos de brássicas e áreas com diferentes estágios de desenvolvimento em propriedades vizinhas, o que pode inviabilizar essa prática caso não seja efetuado corretamente.

Nematoides
Muitos gêneros de nematoides parasitas de plantas podem ocorrer em áreas de produção de brócolis, porém as informações são escassas.
No Brasil, os problemas em brócolis geralmente ocorrem por causa da infestação pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.), em especial as espécies Meloidogyne incognita (Kofoid & White) e Meloidogyne javanica (Treub), que são as espécies com maior distribuição nas regiões produtoras. Também vale destacar a presença de Meloidogyne hapla (Chitwood) e Meloidogyne arenaria (Neal) em áreas isoladas no País.
A alta incidência dessas espécies é atribuída à capacidade de reprodução em regiões com ampla variabilidade de temperatura.
Outra espécie de nematoide-das-galhas que vem causando problemas em hortaliças no Brasil é Meloidogyne enterolobii (Yang & Eisenback). Essa espécie apresenta forte ameaça às hortaliças
cultivadas, incluindo a cultura dos brócolis. Vale ressaltar que outras espécies de nematoides como Ditylenchus dipsaci (Khiin), Pratylenchus penetrans (Cobb) e Rotylenchulus reniformis (Linford & Oliveira) são relatados na cultura, porém sem prejuízos estimáveis.
O sintoma mais visível da infecção por nematoides é a presença de galhas e inchaços nas raízes com formato arredondado (Figura 21). A observação da presença de galhas e de massa de ovos no sistema radicular de plantas infectadas é a melhor forma de detectar a presença do nematoide-das-galhas em áreas de cultivo.

Figura 21. Galhas e massa de ovos (setas bancas) presentes em raízes de brócolis por infestação causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.).

Sintomas adicionais na parte aérea, tais como nanismo das plantas, amarelecimento e folhas murchas podem ocorrer. Normalmente são observadas falhas no estande das plantas que não conseguem cobrir toda área dos canteiros. Os danos estão diretamente relacionados ao tamanho da população inicial do nematoide no solo. Pode haver também a intensificação dos danos causados pelo rápido apodrecimento das raízes em razão da invasão de patógenos secundários, tais como Sclerotium rolfsii (Saccardo), Fusarium sp., Verticillium sp. e Ralstonia sp. (Figura 22).
Massas de ovos como pontos mais escuros na superfície das raízes galhadas também podem ser observadas (Figura 23).
Vale lembrar que se deve ter o cuidado para não haver confusões em relação à diagnose visual, pois, em cultivos de brássicas como os brócolis, pode ocorrer a presença da hérnia cujo agente etiológico é um fungo denominado de P. brassicae (mais detalhes em hérnia das crucíferas). Com a penetração do patógeno e o progresso da doença, também ocorre à formação de galhas, no entanto, geralmente, elas são maiores, quebradiças quando esmagadas com os dedos e não existe a presença de massa de ovos.
As galhas do nematoide são mais discretas e não são quebradiças quando esmagadas.

Figura 22. Sintomas em raízes de brócolis por infestação causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.). Observação de galhas e apodrecimento das raízes por causa da invasão por outros patógenos.


Figura 23. Sintomas em raízes de brócolis por infestação causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.).

É importante lembrar que tanto Meloidogyne spp., quanto P. brassicae podem ocorrer na mesma área de cultivo com intensificação dos danos à cultura.
Para o controle de nematoides na cultura dos brócolis é importante a integração de várias práticas, que vão desde a produção das mudas sadias até a escolha da área de plantio. Entre as principais medidas de controle, destacam-se:
• A prevenção e a rotação de culturas com culturas não hospedeiras (cultivares de milho e milheto resistentes e outras hortaliças que apresentem resistência).
• O alqueive.
• Uso de plantas antagonistas, como as crotalárias, e uso de matéria orgânica (torta de mamona, bagaço de cana, palha de café, entre outros).
• A utilização de cultivares resistentes quando disponíveis.

A maioria dos cultivos de hortaliças folhosas, como, por exemplo, os brócolis, geralmente situa-se na região urbana ou periurbana de cidades ou metrópoles, e isso aumenta a movimentação de pessoas, maquinários e animais, o que contribui para potencializar a disseminação desses
patógenos.
Além disso, o uso de condicionadores de solo não esterilizados, como tortas vegetais e outros, e de água de irrigação com risco de contaminação por nematoides contribuem para alta disseminação desses organismos.
Assim, antes de adotar o manejo integrado de nematoides, é necessário conhecer a espécie ou espécies que estão presentes na área e se o nível populacional de nematoides é alto o suficiente para causar prejuízos econômicos à cultura a ser cultivada. Com base nessas informações, o produtor vai determinar se a opção de manejo é eficiente e viável economicamente.



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Cultura da Couve-de-Bruxelas



Brassica oleracea Grupo Gemmifera ou Brassica oleracea variedade gemmifera

As couves-de-bruxelas são um grupo de cultivares de couve em que ocorre o desenvolvimento das gemas axilares das folhas, de forma que o caule fica coberto com muitos brotos semelhantes a pequenos repolhos, que são colhidos e consumidos principalmente cozidos.


Pé de couve-de-bruxelas
A couve-de-bruxelas cresce bem em clima ameno 

Clima
A couve-de-bruxelas é uma hortaliça de clima frio ou ameno, que dificilmente cresce bem em locais onde a temperatura média ultrapassa os 24°C, sendo que a faixa de temperatura considerada ideal para o cultivo é de 15°C a 18°C. A planta suporta bem geadas e algumas cultivares podem sobreviver durante curtos períodos a temperaturas de até -10°C.

Luminosidade
A couve-de-bruxelas necessita de alta luminosidade, com luz solar direta pelo menos algumas horas por dia.


Detalhe dos brotos laterais crescendo na couve-de-bruxelas
As couves-de-bruxelas são brotos laterais que vão surgindo nas axilas das folhas da planta, e que são parecidos com pequenos repolhos

Solo
Plante em solo bem drenado, fértil, rico em matéria orgânica e rico em nitrogênio. O pH ideal do solo está entre 6,0 e 6,8.

A couve-de-bruxelas é bastante sensível à falta de boro no solo. Se as plantas estão apresentando caules ocos e não estão se desenvolvendo bem, estes podem ser sintomas de carência de boro, problema que pode ser corrigido através da adubação com adubo que contém boro.

Irrigação
A horta deve ser irrigada de forma a manter o solo sempre úmido, sem que fique encharcado.


Mudas de couve-de-bruxelas


Plantio
As sementes podem ser plantadas em sementeiras, vasos pequenos ou copinhos de plástico ou de jornal, e transplantadas quando as mudas têm de 4 a 6 folhas. Transplante de preferência no fim da tarde, com o solo bem úmido, ou em dias nublados e chuvosos. As sementes também podem ser plantadas diretamente no local definitivo, embora esta prática seja menos comum.

Tratos culturais
Retire plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos.


Brotos laterais da couve-de-bruxelas
As pequenas cabeças podem ser colhidas individualmente ou a planta inteira pode ser cortada 

Colheita
A colheita da couve-de-bruxelas ocorre de 90 a 140 dias após a semeadura, variando conforme a cultivar plantada e as condições de cultivo, e prolongando-se por alguns meses se a planta não for cortada inteira na colheita, isto é, se os brotos forem colhidos um a um. Neste último caso os brotos vão sendo colhidos da base da planta para cima, conforme vão atingindo 2,5 a 5 cm de diâmetro, sem que estejam abertos ou amarelados. Corte os brotos com uma faca rente ao caule ou torça cada broto até que este se desprenda da planta.

Muitos afirmam que as couves-de-bruxelas são mais saborosas se forem colhidas após a ocorrência de uma leve geada.

Em seu aclamado livro Vegetable Book (O livro dos Vegetais, em tradução livre), a escritora inglesa Jane Grigson descreve a couve-de-bruxelas como “um elegante repolho em miniatura”. Difícil será encontrar definição melhor que essa para falar da Brassica oleracea, a caçula da família do repolho, brócolis, couve e couve-flor, e a última das variedades botânicas dessa linhagem a ser diferenciada.

Rica em vitaminas A e C, em manganês, potássio, ferro e cálcio, a couve-de-bruxelas já era cultivada ao redor de Bruxelas, na Bélgica, por volta do século 13. Mas a hortaliça só chegaria a outros países, como França e Inglaterra, cinco séculos depois. Uma das primeiras receitas com ela de que se tem notícia foi publicada pela inglesa Eliza Acton em Modern Cookery for Private Families (culinária moderna para famílias), em 1845. No livro, uma das recomendações é servir a couve-de--bruxelas com molho de manteiga. Atualmente, o Reino Unido é o maior produtor e consumidor europeu. A hortaliça faz parte da tradição natalina inglesa, quando é preparada com castanhas para acompanhar o peru ou a carne de caça da ceia.

No Brasil, segundo o pesquisador Raphael Augusto de Castro e Melo, da Embrapa Hortaliças, a couve-de-bruxelas começou a ser plantada no início dos anos 80, época em que surgiram os primeiros trabalhos sobre técnicas para seu cultivo. Ainda assim, essa pequena gema continua pouco conhecida no país, sendo plantada basicamente no Sul e Sudeste. “No mercado brasileiro, a couve-de-bruxelas é pouco conhecida. Devido a sua pouca importância econômica, essa cultura não tem recebido muita atenção”, explica Castro e Melo.


Por ser quase desconhecida, à primeira vista a couve-de-bruxelas pode intimidar, mas seu preparo é simples. Ela pode ser cozida ou assada. Só é preciso evitar cozinhá-la demais. Quando ela passa muito tempo no fogo, tende a desenvolver um odor forte, pouco agradável. O responsável é o sulforafano, composto químico associado à prevenção de doenças. A chef Tatiana Cardoso, do restaurante Moinho de Pedra e consultora do restaurante Gaia Natural Gourmet, testou algumas receitas com couve-de-bruxelas, mas a favorita é uma salada em que a hortaliça é cozida al dente e marinada com ervas. “A textura da couve--de-bruxelas é diferente e costuma surpreender”, diz ela.



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