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sábado, 7 de novembro de 2015

Cultura da Batata-Doce (Resumo)



O cultivo de hortaliças em pequena escala é geralmente uma atividade múltipla de produção agrícola, exercida com pouco uso de tecnologia e sem orientação profissional, obtendo-se baixos índices de produtividade e a baixa qualidade dos produtos.
A cultura da batata-doce é um exemplo dessa situação pois, ao longo do tempo, tem sido cultivada de forma empírica pelas famílias rurais, em conjunto com diversas outras culturas, visando a alimentação da família, principalmente na primeira refeição diária, utilizada na forma de raízes cozidas, assadas ou fritas. Com o crescente êxodo rural, grande parte do consumo de batata-doce foi substituído pelo pão e por hortaliças de mais fácil preparo e de maior atratividade, como batata, cenoura e tomate, que eram anteriormente pouco consumidas pela família rural, por serem de difícil cultivo em hortas domésticas.


A produção brasileira teve um forte declínio nas últimas décadas (Figuras 1 e 2). Por outro lado, percebe-se que o índice de produtividade tem sido crescente nos últimos anos, revelando que o sistema de produção tem sofrido mudanças que indicam uma evolução do nível tecnológico, embora muitas tecnologias disponíveis ainda sejam raramente aplicadas nessa cultura. Apesar da grande decadência, verifica-se pelos dados estatísticos, que a batata-doce ainda detém o 6° lugar entre as hortaliças mais plantadas no Brasil, correspondendo a [1] uma produção anual de 500.000 toneladas, obtidas em uma área estimada de 48.000 hectares (Quadro 1).
A batata-doce é cultivada em 111 países, sendo que aproximadamente 90% da produção é obtida na Ásia, apenas 5% na África e 5% no restante do mundo. Apenas 2% da produção estão em países industrializados como os Estados Unidos e Japão. A China é o país que mais produz, com 100 milhões de toneladas (Woolfe, 1992; FAO, 2001)
A batata-doce é cultivada em regiões, localizadas desde a latitude de 42 ºN até 35 ºS, desde o nível do mar até 3000 m de altitude. É cultivada em locais de climas diversos como o das Cordilheiras dos Andes; em regiões de clima tropical, como o da Amazônia; temperado, como no do Rio Grande do Sul e até desértico, como o da costa do Pacífico.

A cultura adapta-se melhor em áreas tropicais onde vive a maior proporção de populações pobres. Nessas regiões, além de constituir alimento humano de bom conteúdo nutricional, principalmente como fonte de energia e de proteínas, a batata-doce tem grande importância na alimentação animal e na produção industrial de farinha, amido e álcool. É considerada uma cultura rústica, pois apresenta grande resistência a pragas, pouca resposta à aplicação de fertilizantes, e cresce em solos pobres e degradados.
Comparada com culturas como arroz, banana, milho e sorgo, a batata-doce é mais eficiente em quantidade de energia líquida produzida por unidade de área e por unidade de tempo. Isso ocorre porque produz grande volume de raízes em um ciclo relativamente curto, a um custo baixo, durante o ano inteiro. Em termos de volume de produção mundial, a cultura ocupa o sétimo lugar, mas é a décima quinta em valor da produção, o que indica ser universalmente uma cultura de baixo custo de produção.

No Brasil, o investimento na cultura de batata-doce é muito baixo, e o principal argumento contrário ao investimento em tecnologia é que a lucratividade da cultura é baixa. Isso decorre do pequeno volume individual de produção, ou seja, os produtores ainda tendem a cultivar a batata-doce como cultura marginal, com o raciocínio de que, gastando-se o mínimo, qualquer que seja a produção da cultura constitui um ganho extra. Dessa forma, é obtido um produto de baixa qualidade e sofre restrições na comercialização, tanto por parte dos atacadistas, que tendem a reduzir o preço, quanto por parte do consumidor, que refuga parte do produto exposto à venda.
Ao se comparar os custos de produção e os índices de produtividade, percebe-se que uma questão básica é a falta de determinação, por parte do produtor, em pesquisar mercados e descobrir oportunidades de estabelecer compromissos de produção com alta qualidade, para ter um canal seguro de comercialização, com possível regularidade de uma produção programada.
A produtividade média brasileira é menor que 10 t/ha (500 caixas/ha), enquanto que, utilizando-se apenas cerca de R$3400/ha ou US$1300, que é o custo médio para adotar um sistema tecnológico acessível a qualquer nível de produtor, obtém-se a produtividade de 22 t/ha (1.100 caixas/ha). Considerando o preço médio de R$9,50 por caixa, estima-se o retorno do triplo do capital investido em quatro ou cinco meses, o que raramente se obtém em outra atividade produtiva. Além do bom nível de retorno econômico, o uso da tecnologia resulta na melhoria substancial da qualidade do produto, melhorando a sua aceitação e aumentando o poder de barganha no momento da comercialização.
No Brasil, a batata-doce é cultiva em todas as regiões. Embora bem disseminada no país, está mais presente nas regiões Sul e Nordeste, notadamente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco e Paraíba (Quadro 2).
No Nordeste, a cultura assume maior importância social, por se constituir em uma fonte de alimento energético, contendo também importante teor de vitaminas e de proteína, levando-se em conta a grande limitação na disponibilidade de outros alimentos em períodos críticos de estiagem prolongada. Paradoxalmente, é nesta região e no Norte do país, com população mais carente e com melhor clima, que a produtividade é mais baixa
A cultura de batata-doce necessita de cerca de 500 mm de lâmina de água durante o ciclo produtivo para que apresente um índice elevado de produtividade. As raízes de reserva se formam já no início do desenvolvimento da planta, e estas estruturas, além de se constituírem reserva para a própria planta, são unidades de reprodução que emitem novas brotações se a parte aérea da planta for eliminada ou se ressecar pela deficiência hídrica prolongada. Nesse caso, o ciclo cultural se prolonga, mas raramente ocorre perda total da lavoura, como é comum ocorrer com outras espécies, nessas condições.
Além da resistência à seca, a cultura apresenta as seguintes características:
  • É de fácil cultivo – Embora existam diversas técnicas aplicadas desde o preparo do solo até o processamento pós-colheita, a cultura pode ser conduzida de forma rudimentar, sem utilização de fertilizantes, agrotóxicos ou irrigação.
  • Tem baixo custo de produção – Ao se comparar com diversas outras hortaliças, a batata-doce demanda menos fertilizantes, irrigação e mão-de-obra, o que resulta em baixo custo relativo de produção.
  • Permite colheita prolongada – A parte comercial se constitui de raízes de reserva que se formam ao longo do ciclo da planta, sem apresentar um momento específico de colheita, tratando-se portanto de uma planta de ciclo perene. Assim sendo, a colheita pode ser parcelada, antecipada, ou retardada, de acordo com a conveniência do produtor, levando-se em conta porém, que a antecipação corresponde à produção de raízes de menor tamanho e que o retardamento implica em maior incidência de pragas, além da formação de raízes acima dos padrões comerciais.
  • Apresenta resistência a pragas e doenças – O fato da batata-doce ter sido uma das hortaliças mais cultivadas em períodos quando não se utilizavam agrotóxicos, é um comprovante de sua resistência natural a pragas e doenças. Esta característica foi comprovada por Müller e Börger – 1940, citado por Woolfe (1992), que descobriu que a presença de fitoalexinas, extraída pela primeira vez nesta planta, funcionavam como antibióticos naturais. Quando as raízes são danificadas por fungos patogênicos, tais como Ceratocystis fimbriata (Clark & Moyer, 1988) ou Fusarium solani (Wilson, 1973) ou então invadidas por brocas como Euscepes postfasciatus (Uritani et al. 1975), a planta reage ao ataque, produzindo uma variedade de sesquiterpenos que tornam o tecido vegetal amargo e com odor forte (Schneider et al., 1984).
  • É mecanizável – A horticultura é uma atividade que geralmente consome grande quantidade de mão-de-obra, o que favorece a fixação do homem no campo. Entretanto, o uso de serviços mecanizados reduz o custo de produção e aumenta a possibilidade de lucro para o produtor. Nesse sentido a cultura da batata-doce tem a vantagem de ser adaptada a ambos sistemas de produção, podendo ter diversas etapas mecanizadas, especialmente o plantio e a colheita.
  • É protetora do solo – A cultura é instalada em camalhões ou leiras que devem ser construídas em nível, formando um eficiente sistema de controle da erosão, podendo portanto ocupar áreas marginais e de topografia acidentada. A planta apresenta ainda um crescimento rápido, cobrindo completamente o solo a partir de aproximadamente 45 dias do plantio.
A despeito dessas características, a cultura apresenta uma série de desvantagens ou barreiras:
  • É de difícil preparo para a culinária – As hortaliças são geralmente preparadas em curto tempo, sendo diversas delas simplesmente picadas ou raladas. A batata-doce entretanto, necessita ser descascada, picada e cozida, exigindo esforço e tempo que nem todo consumidor moderno está disposto a despender..
  • Tem aparência ruim – Por se tratar de uma raiz tuberosa, o crescimento das mesmas é afetado pela presença de torrões, pedras e fendas do solo, formando um produto tortuoso. O ataque de larvas de insetos, mesmo que não danifiquem severamente as batatas, formam orifícios e galerias superficiais que depreciam a sua aparência. Além disso, as variedades cultivadas apresentam altos teores de produtos fenólicos que, embora úteis por aumentar a resistência a pragas, causam o escurecimento da polpa quando exposta ao ar, constituindo alimentos menos atrativos.
  • Forma manchas – A planta da batata-doce produz látex que se fixa facilmente na pele e em tecidos, formando manchas de difícil remoção.
  • Causa “pesadez” e forma gases – A batata-doce possui um inibidor da digestão que reduz a ação de enzimas digestivas como a tripsina e quimotripsina (Ryan, 1981). O prolongamento do tempo de digestão favorece a fermentação dos alimentos no trato intestinal, causando flatulência e formação de gases.
  • É pouco valorizada – A batata-doce tem sido tradicionalmente consumida por famílias de baixa renda, especialmente as do meio rural. Uma constatação disso é que raramente faz parte da pauta de produtos de exportação. Outra constatação é que, embora possa ser utilizada em inúmeras receitas, tanto de doces como de salgados, raramente é citada como ingrediente em livros de receitas.
Uma das conseqüências destes entraves é a restrição na comercialização. O volume de venda nos supermercados e nos atacadistas é relativamente pequeno. Com isso, não se formou, ao longo do tempo, um canal de comercialização e não se conhecem casos de produção programada ou organizada em forma de cooperativas ou associações. O maior volume de vendas ocorre em mercados de periferia, como as feiras e quitandas, que é individualmente pequeno, formando-se então um ciclo vicioso de baixa qualidade do produto, baixo valor pago ao produtor, pouco investimento, baixo nível tecnológico.
origem
A batata-doce, (Ipomoea batatas L. (Lam.)) é originária das Américas Central e do Sul, sendo encontrada desde a Península de Yucatam, no México, até a Colômbia. Relatos de seu uso remontam de mais de dez mil anos, com base em análise de batatas secas encontradas em cavernas localizadas no vale de Chilca Canyon, no Peru e em evidências contidas em escritos arqueológicos encontrados na região ocupada pelos Maias, na América Central.
É uma espécie dicotiledônea pertencente à família botânica Convolvulacae, que agrupa aproximadamente 50 gêneros e mais de 1000 espécies, sendo que dentre elas, somente a batata-doce tem cultivo de expressão econômica. A espécie Ipomoea aquatica também é cultivada como alimento, principalmente na Malásia e na China, sendo as folhas e brotos consumidos como hortaliça.
A planta possui caule herbáceo de hábito prostrado, com ramificações de tamanho, cor e pilosidade variáveis; folhas largas, com formato, cor e recortes variáveis; pecíolo longo; flores hermafroditas mas de fecundação cruzada, devido à sua autoincompatibilidade; frutos do tipo cápsula deiscente com duas, três ou quatro sementes com 6mm de diâmetro e cor castanho-clara. Da fertilização da flor à deiscência do fruto transcorrem seis semanas (Edmond & Ammerman, 1971)
King e Bamford (1937) contaram os cromossomos de 13 espécies de Ipomoea, verificando que 11 delas tinham 30 cromossomos (n=15), uma tinha 60 e somente I. batatas tinha 90 cromossomos. Sendo hexaplóide e autoincompatível, as sementes botânicas constituem uma fonte imensa de combinações genéticas e são utilizadas nos programas de melhoramento para obtenção de novas variedades (Folquer, 1978).
A batata-doce possui dois tipos de raiz: a de reserva ou tuberosa, que constitui a principal parte de interesse comercial, e a raiz absorvente, responsável pela absorção de água e extração de nutrientes do solo. As raízes tuberosas se formam desde o início do desenvolvimento da planta, sendo facilmente identificadas pela maior espessura, pela pouca presença de raízes secundárias e por se originarem dos nós. As raízes absorventes se formam a partir do meristema cambial, tanto nos nós, quanto nos entrenós. São abundantes e altamente ramificadas, o que favorece a absorção de nutrientes (Figura 3) .
As raízes tuberosas, também denominadas de batatas, são identificadas anatomicamente por apresentarem cinco ou seis feixes de vasos, sendo por isso denominadas de hexárquicas, enquanto que as raízes absorventes apresentam cinco feixes ou pentárquicas. As batatas são revestidas por uma pele fina, formada por poucas camadas de células; uma camada de aproximadamente 2 mm denominada de casca e a parte central denominada de polpa ou carne. A pele se destaca facilmente da casca, mas a divisão entre a casca e a polpa nem sempre é nítida e facilmente separável, dependendo da variedade, do estádio vegetativo da planta e do tempo de armazenamento.
As raízes podem apresentar o formato redondo, oblongo, fusiforme ou alongado. Podem conter veias e dobras e possuir pele lisa ou rugosa. Além das características genéticas o formato e a presença de dobras são afetados pela estrutura do solo e pela presença de torrões, pedras e camadas compactadas do solo, justificando-se a preferência por solos arenosos.
Tanto a pele quanto a casca e a polpa podem apresentar coloração variável de roxo, salmão, amarelo, creme ou branco. A escolha depende muito da tradição do local de comercialização, pois há locais que preferem batatas de pele roxa e polpa creme e outros que preferem pele e polpa claras.
A coloração arroxeada é formada pela deposição do pigmento antocianina, que pode se concentrar na pele, na casca ou ainda constituir manchas na polpa. O tecido colorido se torna cinza escuro durante o cozimento, e parte do corante se dissolve na água, causando o escurecimento de outros tecidos expostos. As variedades de polpa roxa e salmão são geralmente utilizadas como ingredientes para mistura com as de polpa de cor clara, na produção de doces e balas.
As raízes tuberosas possuem a capacidade de desenvolver gemas vegetativas que se formam a partir do tecido meristemático localizado na região vascular, quando a raiz é destacada da planta ou quando a parte aérea é removida ou dessecada. Ou seja, a formação das gemas é estimulada quando são eliminados os pontos de crescimento da parte aérea, deixando de atuar o efeito de dominância apical. Com isso, enquanto está em crescimento, as raízes tuberosas não apresentam gemas ou quaisquer outras estruturas diferenciadas na polpa.
A camada de tecido vegetal existente entre o tecido meristemático vascular e a pele é mais estreita nas extremidades da raiz e mais espessa na região central. Por isso, as primeiras gemas e o maior número delas surgem nas extremidades (Figura 4). Como se trata da formação de uma nova estrutura com meristema apical, as gemas que surgem primeiro passam a inibir a formação de novas gemas. O corte da raiz pode aumentar a taxa de produção de brotações, mas não é recomendado por favorecer o apodrecimento, em razão da maior exposição dos tecidos ao ataque de patógenos.
O caule, mais conhecido como rama, pode ser segmentado e utilizado como rama-semente para formação de lavoura. As ramas-semente têm capacidade de emitir raízes em tempo relativamente curto, que pode variar de três a cinco dias, dependendo da temperatura e da idade do tecido (Figura 5). O enraizamento é mais rápido em condições de temperatura elevada e em ramas recentemente formadas, pois as partes mais velhas apresentam um tecido mais rígido, por terem paredes celulares lignificadas e menor número de células meristemáticas, demandando maior tempo para que ocorra o processo de totipotência, que é o fenômeno da reversão de células ordinárias em meristemáticas, que dão origem às gemas vegetativas.







segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Composição e Uso da Batata Doce



A batata-doce é um alimento energético (Quadro 1). Ao ser colhida, apresenta cerca de 30% de matéria seca que contém em média 85% de carboidratos, cujo componente principal é o amido. Comparada com outras estruturas vegetais amiláceas, possui maior teor de matéria seca, carboidratos, lipídios, cálcio e fibras que a batata, mais carboidratos e lipídios que o Inhame e mais proteína que a mandioca.

Quadro 1. Composição média de 100 g de matéria fresca de batata-doce, mandioca e batata e inhame.
Quantidade
Componente
Unidade
Batata-doce
Mandioca
Batata
Inhame
Umidade%70637872
Carboidratos totaisg26,132,418,523,1
Proteínag1,51,02,11,7
Lipídiosg0,30,30,10,2
Cálciomg3239935
Fósforomg39415065
Ferromg0,71,10,81,2
Fibras digeríveisg3,94,42,14,0
Energiakcal11114180103

Durante o armazenamento, parte do amido se converte em açucares solúveis, atingindo de 13,4 a 29,2% de amido e de 4,8 a 7,8 % de açucares totais redutores (MIRANDA et al., 1995).
Aliado ao suprimento de vitaminas, principalmente as do grupo A e B (Quadro 2), torna-se um importante complemento alimentar para famílias de baixa renda, quando se compara com a composição do arroz, que é a base alimentar dessa classe social.

Quadro 2. Composição química de 100 gramas de raiz de batata-doce crua.
Componente
Quantidade
Água 72,8 (g)
Calorias 102
Fibras digeríveis 1,1 (g)
Potássio 295 (mg)
Sódio43 (mg)
Magnésio 10 (mg)
Manganês 0,35 (mg)
Zinco 0,28 (mg)
Cobre 0,2 (mg)
Vitamina A – retinol300 (mg)
Vitamina B – tiamina96 (mg)
Vitamina B2 – riboflavina55 (mg)
Vitamina C – ácido ascórbico30 (mg)
Vitamina B5 – niacina 0,5 (mg)

A batata-doce é consumida de diversas formas. A mais tradicional é cozida, consumida com ou sem uso de temperos, substituindo o pão e outros alimentos no café da manhã. A batata cozida pode ainda ser fatiada e fritada ou simplesmente picada e adicionada à salada ou ainda servida à parte, com ou sem temperos. A batata cozida e amassada é utilizada na confecção de doces e salgados tais como: purê, pastel, torta salgada, bala, bolo, pudim, torta doce, doce glaceado e vários outros produtos, como ingrediente principal ou como substituto parcial da farinha de trigo.
Para acelerar o cozimento, deve-se cortar a batata em pedaços. Caso a raiz tenha casca de cor roxa, deve-se descascá-la antes do cozimento, para evitar que o corante natural da casca cause escurecimento da polpa.
Outra forma de preparo consiste em fritar em pedaços do tipo rodelas ou palitos. Neste caso, a temperatura de fritura não deve ser muito elevada, para que ocorra inicialmente o cozimento e para evitar a caramelização das fatias. Uma opção de processamento consiste no congelamento de palitos semi-cozidos.
À semelhança do que se faz com mandioca, a batata-doce pode ser transformada em amido ou farinha, utilizando praticamente o mesmo processamento e com a mesma destinação. Na indústria de alimentos, a principal utilização da batata-doce é na fabricação de doce em pasta ou cristalizado, confeccionados basicamente com polpa de batata-doce, açúcar e geleificante. Entretanto a indústria de doces não é uma grande consumidora do produto, pois com um quilograma de polpa se produz dois quilogramas de doce, e portanto a produção em um hectare da cultura pode ser transformada em cerca de quarenta toneladas de doce.
Outro destino da produção é a alimentação animal. Tanto as ramas quanto as raízes podem ser fornecidas frescas, principalmente para os animais ruminantes, mas as folhas e brotos são também consumidas por aves e peixes. Como é um alimento apetitoso que contém o inibidor de digestão, quando fornecido à vontade pela primeira vez, pode causar congestão intestinal. A raspa, constituída de raízes picadas e secas, é um excelente complemento alimentar energético que pode ser adicionado à ração de animais, tanto de ruminantes como não ruminantes. A grande limitação para este tipo de utilização é o alto teor de umidade contido nas batatas frescas (70%) o que pode tornar antieconômica a secagem artificial.
Outro destino pode ser a produção de álcool, que não é comum no Brasil, uma vez que temos outras fontes mais econômicas de matéria prima.

A batata doce é uma hortaliça do grupo dos tuberosos feculentos (vegetais que armazenam reserva nos seus órgãos subterrâneos), assim como a batata, o cará, o inhame, a mandioca e a mandioquinha salsa. As hortaliças feculentas são fontes de carboidratos, minerais e vitaminas, e geram benefícios econômicos, nutricionais e diversidade no cardápio de sabor, textura e cor.
A batata doce é uma hortaliça de alto valor energético, por seu elevado percentual de carboidratos, sendo apenas menor que a mandioca, quando comparamos as hortaliças feculentas (Tabela de Composição dos Alimentos - TACO). A batata doce é rica em fibras, que apresenta efeito funcional (aumenta a absorção de nutrientes, a velocidade do transito intestinal, a saciedade, facilita o movimento do bolo alimentar, além de ajudar na redução do colesterol sérico), e comparada à batata (hortaliça feculenta mais utilizada), apresenta quase o dobro de fibras (Tabela 1).
A batata doce ainda é uma excelente fonte de vitamina A devido ao seu elevado teor de carotenoides, essenciais à manutenção da integridade do sistema ocular, imunidade do sistema, manutenção do crescimento ósseo, tecido epitelial, divisão e diferenciação celular. A deficiência da vitamina A no organismo pode ter como consequência doença macular da retina, cegueira noturna, xeroftalmia, que com o tempo pode levar à cegueira e também aumentar a suscetibilidade a infecções e a alterações na pele, tornando-a seca, áspera e escamosa.
100 gramas de batata doce suprem 43% da necessidade diária de vitamina A, recomendada pela FAO/OMS, de uma mulher adulta.
Outra vitamina essencial, encontrada na batata doce, é a vitamina C, um excelente antioxidante, aumenta a absorção de ferro, auxiliando no processo de cicatrização. A batata doce cozida tem uma quantidade maior de vitamina C, comparada às outras hortaliças feculentas.
100 gramas de batata doce cozida suprem 53% da necessidade diária de vitamina C, recomendada pela FAO/OMS, de um indivíduo adulto.
A batata doce contém entre as vitaminas do complexo B, a Niacina, que é essencial nas reações de liberação energética, ajudando também na redução dos triglicérides. Ela é rica também em minerais como o Fósforo, Ferro e Potássio.
Tabela 1 Comparação da composição nutricional da batata doce e da batata (dados da TACO)
A tabela acima mostra que a bata doce é mais rica em calorias, fibras, conteúdos de cálcio, magnésio, tiamina, niacina, vitamina c e A que a batata.




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Manejo integrado de Pragas da Batata Doce



A batata-doce se destaca entre as hortaliças pela rusticidade e tolerância ao ataque de pragas. Esta característica favorece o uso de técnicas de manejo integrado, podendo ser este um fator importante para reverter a tendência de declínio da cultura, pois a maior depreciação do produto se deve à presença de danos causados por pragas, principalmente as que formam galerias e orifícios nas raízes.
Fatores que favorecem ou que justificam a utilização de técnicas de manejo de pragas para a cultura da batata-doce.

Resistência da planta

A batata-doce é reconhecidamente resistente a pragas, exercendo o efeito de antibiose, por meio da produção de fitoalexinas, látex e terpenoides, e possuindo grande capacidade de compensação, cicatrizando feridas, repondo fartamente as áreas atacadas e produzindo tecido vascular secundário quando a medula da haste é danificada. Por isso, embora seja hospedeira de diversas espécies fitófagas, são poucas as pragas capazes de causar danos severos. Além disso, boa parte destes danos são apenas de efeito cosmético, por serem ferimentos ou galerias superficiais, que não reduzem a proporção de aproveitamento do produto.

Fisiologia da planta

A batata-doce possui hábito de crescimento indeterminado, ciclo perene, e tuberização contínua, ocorrendo a morte natural da planta somente na ocorrência de fatores climáticos muito severos, tais como geada e seca muito prolongada. Estas características permitem efetuar a colheita durante um período maior de tempo, o que permite ao produtor antecipar a colheita ou prolongar o ciclo cultural mediante uma avaliação do estado fitossanitário da lavoura.

Adaptabilidade e dispersão da espécie

A batata-doce se adapta a uma ampla condição de clima e de solo, sendo encontrada como planta voluntária em todas as regiões brasileiras, em qualquer época do ano, formando fontes permanentes de inóculos.
Especificidade das pragas
São relativamente poucas as pragas e os patógenos que causam danos severos à cultura, sendo que as principais pragas que são Broca-da-raiz e Broca-do-caule e a principal doença, Mal-do-pé, não atacam as maioria das plantas hortícolas.

Produção subterrânea

A parte comercial são raízes tuberosas, que são sujeitas tanto ao ataque de pragas específicas, que realmente se alimentam dos tecidos do vegetal, quanto de pragas ocasionais que danificam as raízes apenas no momento da prova, ou seja, na busca por alimento, as larvas dos insetos fazem incisões de prova e, mesmo que não prossiga alimentando do tecido vegetal estas feridas se ampliam à medida que ocorre o crescimento lateral da raiz. Nesse aspecto, quanto mais precoce a infestação, maior a extensão do dano, além de maior oportunidade de produção de novas gerações da praga.

Reprodução assexuada

Os tecidos vegetais utilizados para a propagação vegetativa, que são as raízes de reserva e segmentos do caule, mais conhecidos como ramas ou ramas-semente, são eficientes fontes primárias de disseminação de fungos bactérias, vírus, nematóides e de pragas, nas diversas formas de disseminação. Isso ocorre mais facilmente em órgãos de reprodução vegetativa pelas seguintes causas:

a) porque estes tecidos se formam enterrados ou relativamente próximo ao solo, sendo portando facilmente contaminados por patógenos e pragas contidas no mesmo; 
b) são estruturas tenras suculentas e nutritivas, que se formam durante todo o ciclo da cultura, ocorrendo portanto grande oportunidade de se contaminarem; 
c) não se formam dentro de estruturas de proteção e não possuem estruturas de “filtragem” de vírus, como é o caso das sementes botânicas.
Habitats protegidos

As pragas principais, que são as brocas, cavam galerias onde se protegem dos inimigos naturais, da ação dos entomopatógenos e dos inseticidas.

Práticas culturais que favorecem o manejo de pragas

Utilização de material de propagação isento de pragas
Para obtenção de material sadio deve-se conduzir plantas matrizes em viveiros, sendo que as matrizes devem ser obtidas por meio de cultura de meristema e reproduzidas em ambiente protegido, garantindo-se a ausência de vírus e de todos os inóculos de pragas e patógenos (DUSI; SILVA, 1991). Caso este material não seja disponível, as ramas-semente devem ser retiradas de uma cultura sadia e bem conduzida.

Tratamento de ramas
A utilização de inseticidas e fungicidas, além de eliminar inóculos infestantes, protege os ferimentos feitos quando se realiza a segmentação das ramas.

Escolha da área
Solos arenosos férteis, sem presença de alumínio tóxico, com índice de acidez acima de pH 4,5, área que não tenha sido cultivada com batata-doce nos dois anos anteriores, e sem histórico de ocorrência de pragas severas, doenças fúngicas ou bacterianas e nematóides, são critérios que favorecem o crescimento rápido da planta e portanto a obtenção de raízes em menor tempo evitando que o nível de dano seja elevado.

Isolamento da cultura
O isolamento de plantio quando se fazem cultivos seqüenciais é uma prática que evita a contaminação entre os cultivos. Não existe um parâmetro para essa indicação, mas acredita-se que uma barreira viva de pelo menos 50m deve ser útil para evitar o trânsito de pragas entre as lavouras.

Preparo do solo
O revolvimento do solo promove o esmagamento de larvas, promove sua exposição ao sol e ao ataque por pássaros, destrói abrigos e fontes de alimentos como as plantas hospedeiras.

Adubação, correção da acidez, irrigação e capinas
Estas práticas favorecem o desenvolvimento rápido das plantas, antecipando o ciclo e reduzindo o nível de danos.
Restabelecimento das leiras
Ao reformar as leiras, fecham-se as rachaduras do solo, que se formam em função do crescimento lateral das raízes tuberosas. Isso evita o acesso dos insetos diretamente nas batatas, o que aumenta o nível de dano.

Antecipação da colheita
Ao atingir cerca de 300 g as raízes devem ser colhidas. Entretanto, a colheita pode ser antecipada se houver perspectiva de dano significativo. Isso é possível porque a batata-doce não apresenta um ponto de maturação, permitindo antecipar ou prorrogar o momento da colheita.

Destruição de soqueira
Após a colheita, as sementes botânicas, os restos de caule e pedaços de raiz geram inúmeras plantas voluntárias que se constituem fontes de inóculos e de manutenção da população de pragas. Essas plantas devem ser destruídas com uso de herbicida ou realizando-se capinas mais freqüentes na cultura de sucessão, de forma a impedir a formação de novas raízes tuberosas. É condenável abandonar a área, pois as plantas voluntárias sobrevivem mesmo em condições de grande competição entre plantas.

Rotação de culturas
Visando facilitar a destruição das soqueiras deve-se plantar, em seguida à colheita, uma cultura como milho, ou outra planta de hábito de crescimento bem distinto da batata-doce, para facilitar a eliminação das plantas voluntárias.

Utilização de agrotóxicos
O uso de inseticidas e fungicidas ou outros agrotóxicos se esbarra na legalidade, pelo fato de não haver, até o momento, nenhum produto registrado para essa cultura. No entanto muitos produtores aplicam inseticidas de solo na base das plantas e realizam pulverizações quando ocorre intensa desfolha.

Métodos biológicos
Existem diversos inimigos naturais identificados, mas ocorre grande dificuldade em encontrar espécies capazes de localizar e atacar eficientemente os insetos localizados em habitats protegidos. Em outros países, especialmente onde ocorre a espécie Cylas formicarius são utilizados intensivas práticas de controle, em vista da severidade do dano que causa.
A base do controle preventivo é a obtenção de plantas sadias. Para isso, deve-se partir de plantas submetidas ao processo de cultivo de meristemas e indexadas para viroses. Estas técnicas exigem conhecimento específico, mas podem ser executadas por órgãos de pesquisa, universidades ou laboratórios especializados. Estas plantas matrizes passam por processos de reprodução vegetativa, em ambiente fechado, à prova de insetos, visando evitar a recontaminação das plantas, especialmente por viroses.
A manutenção de sistemas individuais de produção de ramas sadias pode não ser viável, mas alguns produtores ou grupos ou associações de produtores podem se especializar nessa atividade, contando facilmente com o apoio de entidades governamentais para a produção das plantas matrizes.
Enquanto não se tem acesso a estes programas, o produtor deve ter atenção ao selecionar as plantas de onde vai retirar ramas ou raízes, seja para a formação de viveiros, seja para o plantio definitivo. Nesta seleção, além de observar e desclassificar individualmente as plantas que apresentarem sintomas de ataque das pragas e das doenças importantes, deve observar também os aspectos de qualidade das raízes (formato, coloração, uniformidade, dispersão e produtividade). Ou seja, mesmo que se vá retirar somente as ramas, deve-se verificar as características da planta como um todo, visando obter um produto de melhor qualidade.

Desordens não infecciosas
  • Fermentação - quando o solo se encharca por longo período próximo à colheita, ocorre falta de troca gasosa e alteração dos processos metabólicos, formando etanol e acúmulo de CO2 nas raízes, resultando na rápida decomposição das raízes após a colheita.

  • Entumecimento de lenticelas - ocorre quando o solo apresenta muita umidade. As raízes tem pouco crescimento e forma-se tecidos entumecidos com aparência de bolhas.

  • Raiz-chicote - são raízes tuberosas relativamente finas e alongadas que se formam quando há excesso de umidade no solo.

  • Rachaduras - podem ser longitudinais ou transversais e são mais freqüentes quando ocorre ataque de nematóides e de bactéria Streptomyces sp. Variações de temperatura, flutuações de umidade no solo e excesso de adubação nitrogenada são fatores que desequilibram o crescimento das raízes, causando as rachaduras.

  • Coração duro - a raiz permanece dura após o cozimento. Ocorre quando as raízes são armazenadas à temperaturas baixas (1,5ºC por um dia ou 10ºC por 3 dias).

  • Decomposição interna - o tecido da raiz se torna esponjoso ou ocado. Ocorre quando a temperatura do solo é baixa (5 a 10ºC). Ocorre também quando se faz o armazenamento por longo tempo em condições de baixa umidade relativa.

  • Mutações somáticas - são deformações, variegações (alterações de cor) e fasciação (ramas geminadas) que surgem esporadicamente.

  • Toxidez por herbicidas - deformações diversas causadas por contaminação com herbicidas. Os sintomas variam com o produto e dosagem.

  • Deficiência e toxidez por nutrientes - várias alterações podem ser causadas tanto por falta quanto por excesso de elementos minerais e por acidez.

  • Brotação prematura da raiz - excesso de adubação com nitrogênio, excesso de adubação com matéria orgânica, excesso de irrigação, dano severo na rama principal, causado pela doença mal-do-pé ou pelo ataque de broca-da-rama.

  • Outras defomações - o uso de solos argilosos (pesados), com cascalho ou pedras aumenta a incidência de raízes deformadas, como as tortuosas e com constrições transversais e veias.






segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pragas da Batata Doce



As principais pragas, consideradas pragas-chave são broca-da-raiz (Euscepes postfasciatusColeopteraCurculionidae) e a broca-das-hastes (Megastes pusialis,LepidopteraPyralidae). Estas ocorrem com maior freqüência e geralmente causam danos severos, se não forem tomadas medidas de controle.
A larva-arame (Conoderus spColeopteraElateridae); as vaquinhas (Diabrotica speciosaColeopteraChrysomelidaeDiabrotica bivittulaColeoptera,Chrysomelidae Sternocolaspis quatuordecimcostataColeopteraChrysomelidae) e o negrito (Typophorus negritus) são também muito freqüentes (GALLO et al., 1978), mas geralmente são menos agressivos e portanto podem ser ocasionalmente considerados pragas, em condições que favoreçam a intensa reprodução do inseto.
Uma praga importante em outros países, inclusive os da América Central, mas que ainda não foi encontrada no Brasil, é uma broca-da-raiz denominada de (Cylas formicarius), que causa danos mais severos que o E. postfasciatus. Esta espécie deve ser considerada coma praga potencial de importância fitossanitária para a cultura da batata-doce no Brasil por que tem a característica de grande facilidade de disseminação, pois os insetos adultos voam, enquanto que os de E. postfasciatus apresentam élitros soldados e portanto não voam. Essa característica é muito importante para a eficácia das medidas preventivas de controle e de disseminação da praga.

Pragas-chave

A) Broca-da-raiz - Euscepes postfasciatusColeopteraCurculionidae
São besouros com 3 a 5mm de comprimento, com coloração castanha ou marrom, tendo manchas claras. As fêmeas depositam seus ovos nas raízes e nas ramas da batata-doce. Nas ramas, os ovos são colocados de preferência nos nós e nas partes mais grossas, junto ao colo. Na raiz tuberosa, as fêmeas fazem um orifício de oviposição e colocam um ovo por orifício, tampando-o com material fecal, que se oxida e passa a ter uma coloração preta amarronzada. As larvas atacam tanto as ramas quanto as raízes, escavando galerias, onde são depositados os dejetos fecais (Figura 1). É nas raízes que elas se desenvolvem e provocam os maiores estragos; o ataque severo pode até causar a morte das partes aéreas da planta.

Nas raízes tuberosas, as larvas cavam galerias que podem ser superficiais ou bastante profundas, se alimentando da polpa da batata. As larvas apresentam cor branca, exibindo cabeça avermelhada escura e medem de 0,5 a 5mm de comprimento. Embora pequenas, podem serem distinguidas a olho nu, principalmente quando totalmente desenvolvidas.
Dentro da galeria, as larvas passam por várias transformações, tornando-se pupas e depois insetos adultos. As larvas passam por cinco ínstares larvais antes de chegarem a fase de pré-pupa, e vai mudando de cor, completando o ciclo em 20 a 30 dias, até a fase adulta. A pupa mede de 4 a 5 mm, possui inicialmente cor branco leitoso, e, à medida que se desenvolve, os olhos, mandíbulas, rostro, pernas e élitros se tornam pigmentados.
Os insetos adultos medem de 3 a 5 mm de comprimento, têm coloração geral castanho escuro ou marrom e possui o corpo escamoso, apresentando espinhos e cerdas além de uma espécie de tromba curta, assemelhando-se com o gorgulho do feijão e do milho. Seus élitros são soldados, e possuem manchas claras, principalmente na porção mediana. Possuem olhos pretos, antenas geniculo-clavadas, com 11 segmentos, sendo que os três últimos formam uma clava compacta, de cor castanha clara.
Os adultos saem da galeria e fazem a desova na mesma raiz, de modo que muitas vezes podem-se encontrar centenas de indivíduos em uma só raiz. As batatas intensamente atacadas apodrecem ou mostram-se com o aspecto físico, cheiro e sabor bastante alterados, tornado-se imprestáveis para o consumo. É fácil identificar quando a batata-doce é atacada, pois a sua casca se torna escura e um pouco afundada na extensão das galerias. Raízes cortadas mostram as galerias contendo os resíduos fecais, cheiro característico e cor escura formada pela concentração de metabólitos fenólicos e terpenóides (SCHALK; JONES, 1985).
As medidas de controle devem ser intensificadas nos períodos mais quentes do ano, em função do aumento populacional do inseto neste período. Portanto, recomenda-se cultivares resistentes a insetos do solo; rotação de cultura com tomate, cenoura, alho, brássicas, trigo ou arroz por 2 a 3 anos; usar ramas sadias, de bom vigor, livre de insetos (produzi-lás em viveiro); pulverizar os viveiros a partir da brotação com Carbaryl (500 g de i.a.) de 15 em 15 dias; fazer amontoa; destruir os restos culturais e não armazenar as batatas após a colheita.
b) Broca-das-ramas ou broca-do-colo – Megastes pusialisLepidopteraPyralidae.
As lagartas desta praga formam galerias largas dentro do caule e hastes largas, podendo se estender até às batatas (Figura 2). As fêmeas depositam seus ovos no caule e nas hastes da planta próximo à base, por isso recebem o nome de “broca-do-coleto”. Logo após a eclosão, as larvas penetram nas ramas, escavando galerias que podem abrigar mais de uma lagarta. Estas são inicialmente de cor rosada com pontuações escuras e, quando no último ínstar, têm cor predominante rosa com pontos negros no dorso. Geralmente as lagartas empupam por duas semanas dentro das hastes e completam o ciclo que dura, em média, 57 dias. Os adultos são mariposas pardo-escuras e medem 40 a 45mm de envergadura. (POLLARD, 1989).

Percebe-se o ataque às hastes pelo seu entumecimento, pelas rachaduras e presença de orifícios de saída do inseto. Na galeria formada no interior da haste são encontrados excrementos típicos, larvas, fios de seda e até casulos. Pode haver também o murchamento e secamento das ramas que se soltam facilmente da planta (POLLARD, 1989). É comum só se observarem sintomas quando o ataque é intenso, pois, com o entrelaçamento das ramas, os sintomas ficam camuflados.
O estádio de desenvolvimento da cultura determina a intensidade das perdas. Ocorrendo ataque no início do crescimento da planta, verifica-se proporcionalmente maior depreciação da parte aérea e maior incidência de galerias até às raízes, causando maior perda da produção. Se o ataque for tardio, pode não haver redução da produção, pois, nestes casos, geralmente as larvas se alojam somente nas ramas ou em parte delas, sendo a produção de reservas garantida por hastes não atacadas, ou por novas hastes que se formam ao longo do ciclo da planta.

Outras pragas

Larva-arame – Conoderus sp., Coleoptera , Elateridae.
A larva-arame ataca as batatas, perfura o caule e outras partes subterrâneas da planta, podendo seus danos serem confundidos com os de outros insetos como a larva-alfinete. Os furos são profundos, o que diminui o valor comercial das raízes, além de facilitar a entrada de fungos e bactérias. Embora cause pequenos danos, a larva-arame apresenta a característica desejável de ser predadora de outros insetos.
Os adultos apresentam a forma do corpo afilada, típica de elaterídeos (vagalume), saltando-se quando colocados com dorso sobre o solo. As larvas medem até 20mm de comprimento, apresentam corpo rígido, cilíndrico, fortemente quitinizadas (duras como couraças) e pouco flexíveis, caracterizando o nome comum de “larva-arame”. Os adultos ocorrem principalmente no verão, enquanto as larvas ocorrem no inverno e na primavera.

Vaquinha (Bicho-alfinete) – Diabrotica speciosaColeopteraChrysomelidae
Os principais danos são causados pelas larvas que fazem pequenos furos na raiz, diminuindo o seu valor comercial. Além do dano direto, a perfuração na raiz facilita a entrada de fungos e bactérias. A fêmea põe os ovos no solo ou na base do caule da planta. As larvas são geralmente brancas e atingem até 10mm de comprimento. Os adultos são besouros verdes, com manchas amarelas nos élitros e medem 5 a 8 mm. Eles se alimentam das folhas e as danificam, deixando-as perfuradas.
Vaquinha – Diabrotica bivittulaColeopteraChrysomelidae
Quando adulto, apresenta-se como um besouro brilhante com listas brancas e escuras nos élitros. Os danos causados pelas larvas e pelo adulto são similares aos causados pela Diabrotica speciosa.

Vaquinhas – Sternocolaspis quatuordecimcostataColeopteraChrysomelidae
O adulto é um besouro verde-metálico, medindo de 7 a 10 mm de comprimento. A fêmea faz a postura dos ovos no solo e as larvas fazem pequenos furos superficiais nas raízes. O adulto se alimenta de folhas, deixando-as rendilhadas.

Negrito da batata-doce – Typophorus nigritusColeopteraChrysomelidae
As larvas cavam galerias dentro das raízes e nas ramas. Os danos nas raízes são facilmente reconhecidos por causa dos excrementos encontrados nas galerias. Em algumas oportunidades podem-se encontrar larvas no interior dos túneis um mês após a colheita. Os adultos emergem durante a primavera no início do verão, têm formato arredondado, cor verde-azulado metalizado e medem cerca de 8mm de comprimento. Alimentam-se de folhas e põe seus ovos agrupados debaixo daquelas localizadas ao nível do solo. As larvas passam o inverno no interior das galerias e se empupam no solo, no inicio do período de temperaturas mais elevadas (BIMBONI; RUBERTI, 1990).

Gorgulho da batata-doce – Cylas spp., Coleoptera, Brentidae
Há cerca de 27 espécies descritas. Porém, a mais importante é Cylas formicarius elegantulus, encontrada em países próximos ao Brasil, como os da América Central.
As larvas e os adultos se alimentam de raízes no campo e durante o armazenamento, escavando túneis que se estendem em direção ao interior da raiz e ramas, causando danos semelhantes aos da broca-da-raiz. O adulto mede aproximadamente 8mm de comprimento. Sua cabeça e os élitros são de cor azul escuro metalizado e o tórax e as patas são de cor vermelho escuro. As larvas são brancas com cabeça marrom claro, e o número de gerações por ano varia de 6 a 8 (BIMBONI; RUBERTI, 1990).
Outros insetos, como pulgões (Myzus sp., Aphis sp.), cigarras (Empoasca sp.), lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), lagartas da folhagem (Syntomeida melanthus) e o bicho-bolo (Dyscinetus planatus) raramente causam danos de importância econômica. As formigas cortadeiras se constituem praga importante somente na fase de implantação da cultura, pois cortam brotações novas da rama, podendo provocar falhas na lavoura.




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