sábado, 28 de março de 2020

Clima e Solos para a Cenoura



Clima
A temperatura é o fator climático mais importante para a produção de raízes. Temperaturas de 10 a 15 ºC favorecem o alongamento e o desenvolvimento de coloração característica, enquanto temperaturas superiores a 21ºC estimulam a formação de raízes curtas e de coloração deficiente.

Existem cultivares que formam boas raízes sob temperaturas de 18 a 25ºC. Em temperaturas acima de 30ºC, a planta tem o ciclo vegetativo reduzido, o que afeta o desenvolvimento das raízes e a produtividade. Temperaturas baixas associadas a dias longos induzem o florescimento precoce, principalmente daquelas cultivares que foram desenvolvidas para plantio em épocas quentes do ano.

A germinação das sementes ocorre sob temperaturas de 8 a 35 ºC, sendo que a velocidade e a uniformidade de germinação variam com a temperatura dentro destes limites. A faixa ideal para uma germinação rápida e uniforme é de 20 a 30ºC, dando-se a emergência de 7 a 10 dias após a semeadura.

A alta umidade relativa do ar associada à temperaturas elevadas favorece o desenvolvimento de doenças nas folhas durante a fase vegetativa da cultura.



Solos
As propriedades físicas, principalmente textura, estrutura e permeabilidade, e as propriedades químicas e biológicas do solo afetam sensivelmente a produtividade e a qualidade das raízes de cenoura. Deve ser dada preferência aos solos de textura média, com adequados níveis de nutrientes e matéria orgânica e pH em torno de 6,0.

O preparo do solo consta de aração, gradagem e levantamento dos canteiros. Deve ser evitado o uso excessivo do encanteirador, por causar a destruição da estrutura do solo e facilitar a formação de crosta e a compactação do subsolo, que deformam e prejudicam o crescimento das raízes. Estes problemas podem ser reduzidos pela diminuição do tráfego de máquinas na área, pelo uso do arado de aiveca de dois em dois anos e, principalmente, pela adoção da rotação de culturas com leguminosas.

Os canteiros devem ter 0,80 m a 1,40 m de largura, 15 a 30 cm de altura dependendo do equipamento utilizado, e devem estar distanciados uns dos outros em aproximadamente 30 cm (Figura 1). Em solos argilosos, no período das chuvas, a altura deve ser maior, para facilitar a drenagem. Na semeadura manual, os sulcos nos canteiros, para a distribuição das sementes, pode ser feito transversal ou longitudinalmente. Sulcos transversais permitem maior número de plantas por unidade de área em comparação ao uso de sulcos longitudinais.

Foto: Antonio F. Souza
Fig. 1. Preparo do solo


Correção do Solo

O pH do solo para o cultivo da cenoura deve estar em torno de 6,0 a 6,5. A elevação exagerada do pH pode causar reduções na produção, por diminuir a disponibilidade de micronutrientes, tais como: Boro (B), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn) e Zinco (Zn).

Com base na análise de solo, a necessidade de calcário pode ser calculada por um dos métodos abaixo:

a - Pelo método que considera teor de Alumínio (Al) e [Cálcio (Ca) + Magnésio (Mg)] trocável, aplicando-se a fórmula

t/ha de calcário = 2 x meq Al/100 cm3 + 4 - [meq(Ca+Mg)/100 cm3 ] x PRNT

b - Pelo método da saturação de bases

t/ha de calcário = [ T(V2-V1)/PRNT ] , onde


T = capacidade de troca de cátions: [Ca + Mg + K + (H + Al)] em meq/100 cm3
V2 = saturação de base desejada (60%)
V1 = saturação de base atual do solo: [(S x 100)/ T], sendo
      S = K + Ca + Mg em meq/100 cm3
     PRNT= Poder Relativo de Neutralização Total do Calcário.


A aplicação do corretivo deve ser feito com antecedência de dois a tres meses do plantio. Metade da quantidade calculada do calcário deve ser aplicada antes da aração e a outra metade antes da gradagem.



domingo, 22 de março de 2020

Importância da Cultura da Cenoura


A cultura da cenoura é um ótimo exemplo da importância da pesquisa agrícola e de seus impactos positivos na economia, no desenvolvimento de várias regiões e também de benefícios para os consumidores. Até a década de 1980, as cenouras cultivadas no Brasil eram importadas e melhor adaptadas para climas amenos, mais comuns no período de inverno das regiões centro-sul. No período de verão, os preços da cenoura subiam significativamente, inviabilizando seu consumo por parte significativa da população brasileira.

A Embrapa Hortaliças é a única instituição pública de pesquisa no país, e umas das poucas do mundo,  que desenvolve atividades de melhoramento com cenoura visando a criação de cultivares de verão adaptadas às condições edafoclimáticas brasileiras e/ou para outras regiões tropicais. Em 1981, foi liberada a cultivar Brasília, desenvolvida para plantio durante o período de verão, atualmente cultivada em 75% da área de cenoura do Brasil.

Os principais benefícios decorrentes destas cultivares são traduzidos pelo aumento da produtividade em determinadas regiões e épocas de cultivo, redução do custo de produção pelo menor uso de agroquímicos, aumento das áreas plantadas nos anos após a liberação das cultivares, aumento da renda líquida dos produtores, ampliação da oferta de trabalho no campo e substituição das importações por sementes nacionais, graças à geração da cultivar Brasília.

A partir da década de 1980, face à deficiência de vitamina A em algumas áreas do país, deu-se início a uma nova fase no programa de melhoramento da Embrapa Hortaliças, com o objetivo de incorporar à cultivar Brasília algumas características como melhor qualidade nutricional e visual das raízes e maior nível de resistência a nematóides. Esta fase culminou com a liberação da cultivar Alvorada em 2000 que, dentre outras características, apresenta conteúdo de carotenóides totais 35% superior em relação às demais cultivares comerciais em uso no Brasil e alta resistência aos nematóides formadores de galhas nas raízes. 

O lançamento da cv. Alvorada tem ajudado a conscientizar o  consumidor brasileiro sobre a importância da qualidade nutricional das raízes de cenoura e também tem propiciado condições mínimas para alavancar o desenvolvimento da incipiente indústria de derivados de cenoura minimamente processados existente no Brasil, particularmente nas regiões próximas aos grandes centros urbanos.

Importância econômica

A cenoura (Figura 1) é uma hortaliça da família Apiaceae, do grupo das raízes tuberosas, cultivada em larga escala nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul do Brasil. A estimativa de área plantada no Brasil em 2001 foi de 28 mil hectares com produção de 800 mil toneladas de raízes. Os principais municípios produtores são: Carandaí, Santa Juliana e São Gotardo (Minas Gerais); Piedade, Ibiúna e Mogi das Cruzes (São Paulo); Marilândia (Paraná); Lapão e Irecê (Bahia).
Embora produza melhor em áreas de clima ameno, nos últimos anos, face ao desenvolvimento de cultivares tolerantes ao calor e com resistência às principais doenças de folhagem, o plantio de cenoura vem-se expandindo também nos Estados da Bahia e de Goiás.

 Fig. 1. Cultivar Brasília

Esta olerícola apresenta alto conteúdo de vitamina A (Tabela 1), textura macia e paladar agradável. Além do consumo in natura, é utilizada como matéria prima para indústrias processadoras de alimentos, que a comercializam na forma de minimamente processada (minicenouras, cubos, ralada, em rodelas) ou processada na forma de seleta de legumes, alimentos infantis e sopas instantâneas.

Tabela 1. Composição nutricional de 100 gramas de raízes de cenoura crua
Componente
Unidade
Quantidade
Calorias
Kcal
43,00
Gorduras
g
0,19
Carboidratos
g
10,14
Fibras
g
3,00
Proteínas
g
1,03
Sódio
mg
35,00
Potássio
mg
323,00
Cálcio
mg
27,00
Ferro
mg
0,50
Zinco
mg
0,20
Vitamina A
UI
12.000
Vitamina C
mg
9,00
Vitamina E
mg
0,46
Fonte: Adaptado de USDA, 2000.




sábado, 21 de março de 2020

Custos e Rentabilidade na Cultura da Melancia



O cultivo da melancia do Brasil ocorre tanto nas grandes empresas agrícolas quanto na agricultura familiar. O primeiro engloba principalmente o polo Aracati/Mossoró/Açu, nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, que já têm estabelecida as exportações de melão e procuram consolidar as exportações de melancia sem sementes, bem como, produtores de Tocantins e Goiás. Os produtores familiares, que representam a maioria, cultivam a melancia sob o regime de chuva, nas pequenas áreas de perímetros irrigados, às margens de rios, bem como em pequenas propriedades utilizando água de poços. Os produtores familiares representam a maioria dos envolvidos no cultivo da melancia no Brasil.

Na produção familiar, em geral, os equipamentos agrícolas são rudimentares ou adaptados, a estrutura e as decisões são baseadas em experiências, sujeitas a alto grau de incertezas. Em consequência, os resultados obtidos são, geralmente, imprevisíveis. Não existe flexibilidade na escolha do tipo de cultura que, geralmente, é definida com base no histórico familiar ou regional. A produtividade é inferior à média em função da baixa ou pouca utilização da tecnologia disponível, seja por falta de capital ou de conhecimento. No entanto, os custos também são menores e estão sujeitos à grande variabilidade de preço, e a instabilidade da oferta resulta do fato de que a produção é dependente de variações que fogem do controle do produtor rural, como clima, problemas fitossanitários, entre outros.

A produtividade média no Brasil, em 2006 variou de 3,7 t/ha a 31,1 t/ha em função das características do sistema de produção, se em condições de sequeiro ou em área irrigada, utilização ou não de tecnologia. Portanto, a determinação dos custos, coeficientes técnicos, rendimentos e rentabilidade desses sistemas de produção é muito difícil em função da diversidade dos tipos de cultivos. Assim, será tratado, como exemplo, o que ocorre no Perímetro Irrigado de Curaçá, localizado no Município de Juazeiro, BA, representando a produção de melancia irrigada no Submédio do Vale do São Francisco com adoção de um bom grau tecnológico, relacionando-o ao praticado no Baixo Jaguaribe, CE.

Em 2007, Curaçá, dos perímetros irrigados no Submédio Vale do São Francisco, foi o que mais cultivou melancia, ocupando 466 hectares, representando 22,3% da sua área plantada.

Coeficientes técnicos

Na Tabela 1, são apresentadas as quantidades e valores de horas de trabalho de máquina e da mão-de-obra necessários ao cultivo de 1 hectare de melancia. Os parâmetros apresentados são baseados naqueles praticados por produtores no Submédio Vale do São Francisco, que adotam um bom grau de tecnologia e visam à comercialização da produção no mercado interno. O sistema abrange adubação, de acordo com análise de solo, cultivo de melancia de frutos grandes, cv. Crimson Sweet, espaçamento de 3 m x 0,60 m - densidade: 5.555 plantas/há -; uso de fertirrigação e comercialização da produção no mercado local, por meio de um atacadista. Entretanto, existem fatores que podem variar de uma região para outra, conforme o sistema de produção adotado pelo produtor e até conforme as condições climáticas e fitossanitárias de cada ano agrícola.

Nas Figuras 1 e 2, observa-se o percentual das diferentes etapas da produção de 1 hectare de melancia em dois sistemas de produção em área irrigada no Nordeste brasileiro. Os custos de produção das empresas situadas no Baixo Jaguaribe, CE, que operam com a utilização de alto nível tecnológico e alto custo administrativo - fertirrigação, híbridos, assistência técnica, etc. - determinam um aumento no custo de produção, mas que é parcialmente compensado com o incremento da produtividade. Apesar de os custos de produção serem obtidos em épocas diferentes, observando-se as Figuras 1 e 2, constata-se que os custos com aquisição de sementes, equipamentos de irrigação, fertilizantes e custos administrativos são superiores na produção de melancia no Baixo Jaguaribe, CE, comparativamente aos do Submédio Vale do São Francisco. Observa-se que as principais diferenças estão nos itens fertilizantes - 11% maior no CE -, defensivos - 17% maior na BA -, sementes - 7% maior no CE -, equipamentos de irrigação - 2% maior no CE - e nos custos administrativos - 4% maior no CE -, enquanto nas pequenas empresas da Bahia, os custos de gerenciamento muitas vezes não são computados, pois o mesmo é feito pelo próprio produtor e em outros custos, como juros de crédito e impostos - 4% maior no CE.

Tabela. 1. Coeficientes técnicos para o plantio de 1 ha de melancia irrigada - Perímetro Irrigado de Curaçá, Município de Juazeiro, BA.
Descrição
Especificação
Valor Unit.
Quantidade
Total
%
1- Insumos (*)
3.947,20
61,91
1.1. Fertilizantes
1.490,50
23,39
Calcário dolomítico
R$/tonelada
200,00
1,00
200,00
3,14
MAP
R$/kg
1,12
300,00
336,00
5,27
Uréia
R$/kg
1,80
200,00
360,00
5,65
Cloreto de potássio
R$/kg
1,93
250,00
482,50
7,57
Micronutrientes de solo
R$/Kg
2,80
40,00
112,00
1,76
1.2. Fitossanitários
1.990,70
31,22
Espalhante adesivo
R$/litro
6,30
1,00
6,30
0,10
1Fungicidas
R$/kg ou R$/litro
113,13
383,40
6,01
1inseticidas
R$/kg ou R$/litro
132,33
1.601,00
25,11
1.3. Outros
466,00
7,33
Análise de solo
36,00
1,00
36,00
0,56
Sementes de variedade
R$/Kg
150,00
1,00
150,00
2,35
Água (**)
R$/1000 m3
4,00
70,00
280,00
4,39
2 - Operações
2.039,00
31,98
2.1. Preparo do solo
549,00
8,61
Aração, gradagem, calagem, sulcamento
HM
68,00
8,00
544,00

8,53
Calagem
Homem-dia
20,00
0,25
5,00
0,08
2.2. Plantio
240,00
3,77
Abertura das covas
Homem-dia
20,00
5,00
100,00
1,57
Plantio e replantio
Homem-dia
20,00
2,00
40,00
0,63
Adubação
Homem-dia
20,00
5,00
100,00
1,57
2.3. Tratos culturais
890,00
13,96
Desbaste de plantas
Homem-dia
20,00
2,00
40,00
0,63
Capinas
Homem-dia
20,00
15,00
300,00
4,70
Adubação em cobertura
Homem-dia
20,00
5,00
100,00
1,57
Desbaste dos frutos
Homem-dia
20,00
10,00
200,00
3,14
Pulverização
Homem-dia
25,00
10,00
250,00
3,92
2.4. Irrigação
120,00
1,88
Irrigação
Homem-dia
20,00
6,00
120,00
1,88
2.5. Colheita/Classificação
240,00
3,76
Colheita/Classificação
Homem-dia
20,00
12,00
240,00
3,76
Subtotal Conta de Cultivo
5.986,20
93,89
3 - 2Custos de Administração
179,59

2,82
Gerenciamento/Adm
3,0%
179,59
2,82
4 - Outros Custos
210,00
3,29
4.1. Impostos/Taxas
30,00
0,47
4.2. Custo da Terra
R$/ha/mês
40,00
3,00
120,00
1,88
4.3. Depreciação do Sistema de Irrigação
R$/ha/mês
20,00
3,00
60,00
0,94
Custo Total (R$/ha)
6.375,79
100,00
Produtividade média/safra
35.000 kg/ha
5. Rentabilidade/SAFRA
5.1. Preços médios de dezembro/2009
CEASA/PE
0,42
R$/kg
CEASA/BA/EBAL S.A
0,45
R$/kg
Média do atacado
0,43
R$/kg
3Preço de mercado pago ao produtor
52,87% do atacado
0,23
R$/kg
Valor Bruto da Produção (R$/ha)
8.050,00
0,23
R$/kg
Despesa
6.375,79
0,18
R$/kg
Receita líquida
1.674,21
0,05
Rentabilidade
20,79%
Ponto de equilíbrio
0,18 R$/kg
27.723,5
Kg/ha

HM = Hora Máquina
Análise de rentabilidade (cv. Crimson Sweet; espaçamento: 3 m x 0,60 m; densidade: 5.555 plantas/ha; tipo de irrigação: gotejamento.
1Valores médios dos fungicidas/inseticidas, que variaram de R$ 22,00 a R$ 350,00 por quilograma ou litro. 2Apesar da maioria dos produtores do Submédio Vale do São Francisco utilizarem uma parte da mão-de-obra familiar e ter a administração própria, esses valores foram considerados na análise para facilitar a extrapolação dos dados.
3Valores médios praticados em 2009: atacado (CEASAS BA e PE)= R$ 0,43/kg e no Mercado do Produtor de Juazeiro-BA = R$ 0,23/kg .
(*) Insumos: Valores Médios. É necessário fazer análise de solo.
(**) Água: os custos com a água incluem as despesas com manutenção e energia elétrica.
Atualizado em Dezembro/2009 em Valores Nominais. Na ocasião, o dólar médio norte-americano estava cotado em R$ 1,74.
Fonte: Dados Embrapa Semiárido

Fonte: Adaptado da Secretaria de Agricultura do Estado do Ceará (2009).

Figura 1. Participação (%) das diferentes etapas da produção de um hectare de melancia no Baixo Jaguaribe, CE, 2005.


Fonte: Dados Embrapa Semiárido..

Figura 2. Participação (%) das diferentes etapas da produção de um hectare de melancia no Perímetro Irrigado de Curaçá, Juazeiro, BA, 2009.


Melancia: aumentar a produtividade para ter maior rentabilidade

Os custos de produção para os produtores de melancia no Submédio do Vale do São Francisco, que utilizam a irrigação localizada e se especializaram nesta olerácea, é de R$ 6.375,79/ha. Deste total, 94% correspondem às despesas de produção e cerca de 6% são com outros custos inerentes ao empreendimento agrícola irrigado — impostos, custo da terra, depreciação do sistema de irrigação e administração. No entanto, é muito comum que o próprio produtor seja também o administrador, não gaste com assistência técnica. Nesta região, é muito comum a melancia ser vendida a granel e acondicionada nos caminhões pelo comprador na propriedade.

Por exemplo, no sistema de produção especificado na Tabela 1, em 2009, o preço médio da comercialização no atacado praticado nas Ceasas da Bahia e Pernambuco foi de R$ 0,43/kg e no Mercado do Produtor de Juazeiro, BA, R$ 0,23/kg. Considerando uma produtividade média de 35 t/ha, a receita bruta média obtida com a comercialização da produção no Mercado do Produtor de Juazeiro, BA correspondeu a R$ 8.050,00. Nesse mesmo ano, o custo de produção no referido perímetro foi de R$ 6.375,79/há, a receita líquida de R$ 1.674,21/ha e uma rentabilidade de 20,79%. Considerando que a receita líquida é baixa, R$ 0,05/kg, faz-se necessário aperfeiçoar o Sistema de Produção de Melancia para se obter incremento na produtividade e conseguir a sustentabilidade do agronegócio. Produtividades inferiores a 27,7 t/ha, em condições irrigadas do Submédio do Vale do São Francisco, não cobrem os custos totais do cultivo de melancia. Assim, o aumento do rendimento deverá ser o alvo dos produtores, especialmente, os da produção familiar, pois o seu cultivo é relativamente mais simples que outras oleráceas, com custo de produção mais acessível quando comparado, por exemplo, à cebola, tomate e melão.

A rentabilidade no Baixo Jaguaribe e no Submédio do Vale do São Francisco foram, respectivamente, 11,5% e 20,79%. Provavelmente, a utilização da mão-de-obra familiar e os menores custos com equipamentos de irrigação determinam uma redução no custo total da produção. A maior utilização da fertirrigação e o incremento da densidade de plantio, 5.555 plantas/há, têm proporcionado um aumento no rendimento médio e rentabilidade da melancia no Submédio Vale do São Francisco.