segunda-feira, 10 de maio de 2021

Pancs: Inhame (cará) (Dioscorea spp.)


Inhame (cará) (Dioscorea spp.)

Inhame é o nome genérico que agrupa grande número de espécies do gênero Dioscorea, herbáceas trepadeiras que produzem tubérculos subterrâneos comestíveis, as túberas. Amplamente cultivado em regiões tropicais, é alimento básico na África Central, especialmente na Nigéria, maior produtor mundial com cerca de 3 milhões de hectares, Camarões e Gana. Também é alimento importante nas Américas Central e do Sul, na Ásia e nas ilhas do Pacífico. No Brasil são cultivados cerca de 25 mil ha anuais (FAO, 2009), principalmente na região Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Maranhão). Na região Sudeste, o nome comum é “cará”, enquanto o termo “inhame” é equivocadamente usado para plantas do gênero Colocasia. Pelo mundo afora, é denominado: yam, em inglês; ñame, em espanhol; e igname, em francês. Assim, no I Congresso de Inhame e Taro, realizado em 2002, discutiu-se a necessidade de padronização da terminologia, e foi acordado que, a partir de então, inhame passaria a referenciar o gênero Dioscorea e taro o gênero Colocasia. O certo é que da padronização técnica ao uso popular dos termos estabelecidos existe um grande salto.

Nomes comuns – Inhame e no Centro-sul do Brasil, é conhecido por cará.

Família botânica – Dioscoreaceae.

Origem – As espécies cultivadas no Brasil têm por centro de origem os continentes africano (Dioscorea cayanensis) e asiático (D. alata). Existe, também, um grupo de dioscoreáceas nativas do Brasil Central, a exemplo da Dioscorea trifida.

Variedades – As principais variedades de Dioscorea cayenensis L são: cará-da-costa, cará tabica, cará negro, cará espinho freire. As principais variedades de D. alata L. são: cará São Tomé, cará roxo, cará pezão, cará mandioca, cará Flórida, cará mimoso, roxo de lhéus, cará Sorocaba. Grupos indígenas do Brasil Central utilizam variedades locais, notadamente de D. trifida. As cultivares também podem ser divididas em relação a ter ou não espinhos. Com espinho: cará espinho freire, cará barbados, cará-da-costa. Sem espinho: cará Flórida, cará negro, cará São Tomé. Em Pernambuco e Paraíba, a variedade mais plantada é o cará-da-costa, cujo caule mede até 4 m de comprimento. Apresenta tubérculos com película escura, polpa branca e enxuta, formato alongado cilíndrico e boa aceitação comercial. No Sudeste, cultivam-se as variedades Flórida, Mimoso e São Tomé, que têm tubérculos com casca marrom-clara, formato alongado, polpa granulosa branca ou ligeiramente creme e boa aceitação comercial.

Clima e solo – Planta de clima tropical, o inhame desenvolve-se bem em regiões quentes e úmidas, com temperatura média entre 25ºC e 30ºC, chuvas em torno de 1.200 a 1.500 mm por ano, com estação seca definida de dois a cinco meses. A planta não tolera frio e geadas. Pode ser plantada em diversos tipos de solo, mas desenvolve-se melhor em solos leves, de textura média, profundos, com boa drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade. Deve-se evitar solos ácidos, solos com textura muito argilosa e os muito declivosos, sujeitos à erosão.

Preparo de solo – O preparo do solo pode ser mecanizado, com aração a 25-30 cm de profundidade, e gradagem, seguindo-se o enleiramento ou o levantamento de covas altas - “matumbos”. O enleiramento pode ser manual ou mecanizado com o uso de sulcadores formando leiras (camalhões) com 25 a 30 cm de altura, enquanto os matumbos são feitos com enxada, cobrindo-se o adubo disposto manualmente ao puxar solo formando covas altas que podem chegar a 30-40 cm de altura. O plantio em leiras ou matumbos reduz problemas como o apodrecimento dos tubérculos e facilita o arejamento e a drenagem do solo e a colheita.

Calagem e adubação – É planta rústica, mas responde à adubação em solos empobrecidos. É comum aproveitar-se o efeito residual dos fertilizantes utilizados em culturas anteriores ao inhame. Com base em resultados da análise de solo, deve-se corrigir a acidez do solo para se chegar à saturação de bases em 60%. Recomenda-se a adubação de plantio com até 120 kg/ha de P2O5 e 100 kg/ha de K2O, conforme a disponibilidade desses nutrientes no solo e em cobertura, 60 kg/ha de N em duas aplicações, 60 e 90-120 dias após o plantio. Em solos com baixo teor de matéria orgânica, podem ser usadas 10 ton/ha de esterco de curral curtido ou composto orgânico.

Plantio – As túberas apresentam dormência, por isso deverão ser armazenadas em ambientes arejados e escuros para forçar o entumescimento das gemas, cuja dilatação indica que já podem ser plantadas. Túberas inteiras, com 100 a 200 g de peso médio, são as ideais para o plantio. Entretanto, é difícil obter material comessas características em quantidade. O método de “capação” é uma alternativa para produção de túberas menores, consistindo na retirada cuidadosa de túberas graúdas aos 5 ou 6 meses, promovendo a formação de pequenas túberas em cerca de 90 dias. Também há o método de produção de “minitúberas em sementeira” (pedaços com 50 a 70 g plantadas no espaçamento de 20 x 20 cm por 30 a 60 dias), e ainda pode-se utilizar túberas partidas em pedaços com cerca de 100 a 200 g para o plantio; todavia o corte pode aumentar as taxas de apodrecimento e falhas na lavoura. Os tubérculos devem ser plantados enterrados no alto dos camalhões ou matumbos, em torno de 5 cm de profundidade. O espaçamento para o sistema em matumbos é de 1,0 a 1,2 x 0,8 m entre plantas. Para o plantio em camalhões, o espaçamento é de 1,2 m entre as linhas e 0,5 a 0,6 m entre plantas. O plantio deve ser realizado no início do período chuvoso, que normalmente ocorre, no Sudeste, entre setembro e novembro, e no Nordeste, a partir de novembro a fevereiro.

Tratos culturais – Após o brotamento do tubérculo, deve-se efetuar o tutoramento das plantas, formando-se espaldeiras com 1,8 a 2,0 m de altura. O tutoramento também pode ser individual, com bambu ou madeira para cada uma ou duas plantas. A variedade Flórida dispensa tutoramento por ter a parte aérea  mais tolerante a patógenos. São necessárias capinas e amontoas ao longo do ciclo da cultura e recomendada a aplicação cobertura morta em torno da planta, o que facilita o controle de plantas infestantes e proporciona maior estabilidade hídrica e térmica melhorando a produtividade. A lagarta das folhas (Pseudo plusia) e a broca do inhame (Xystus arnoldi) são as principais pragas que atacam o inhame, mas também podem haver pragas generalistas como formigas cortadeiras (Atta sp.) e cupins de solo. Entre as doenças, a casca preta, que provoca lesões escurecidas nas túberas, causada pelo nematóide Scutelonema bradys, tem sido devastadora em algumas regiões. Na Bahia, há relatos de que o plantio sucessivo por décadas sem os devidos cuidados com a qualidade das túberas-semente e com rotação de culturas tem inviabilizado o cultivo pelo ataque severo desse nematoide. Também ocorre incidência do nematóide das galhas, Meloydogine spp. Outras doenças são a queima das folhas, causada por Curvularia spp., mosaico e antracnose. É de fundamental importância a escolha de local de plantio sem histórico de doenças e o uso de túberas sadias para a propagação.

Colheita e pós-colheita– A colheita é iniciada, aproximadamente, a partir de 6 meses após o plantio no caso de colheitas precoces, especialmente quando se usa o método de capação para produção de túberas-sementes, mas o mais comum é colher as túberas maiores com 8 a 9 meses. O ponto de colheita é indicado quando as plantas apresentam folhas amareladas e os ramos começam a secar. A colheita é manual, podendo-se utilizar arado de aiveca para auxiliar na retirada das túberas do solo. Se não forem comercializados de imediato, as túberas devem ser armazenadas à sombra, sem lavar, podendo permanecer conservadas por mais de 15 dias em locais arejados e secos, sem necessidade de refrigeração. Para comercializar, as túberas devem ser lavadas, selecionadas, embaladas, sempre à sombra. A produtividade varia de 10 a 20 ton/ha, apesar do potencial produtivo superior a 40 ton/ha.

As túberas do inhame são altamente energéticas, ricas em carboidratos, amido, vitaminas do complexo B e minerais, possuem baixo teor de gorduras e são reconhecidas pelas propriedades depurativas do sangue. Pode ser consumido de diversas formas, cozido, frito, assado, em pirão, sopas, cremes, pães, bolos, biscoitos, panquecas e tortas. Pode substituir a batata em vários pratos.

Figuras 54 e 55: Inhame, planta e túberas

Figuras 56 e 57: Inhame, variedades Pezão e Roxo



terça-feira, 27 de abril de 2021

PANCS: Gila (Cucurbita ficifolia)

 

Gila (Cucurbita ficifolia)

Planta de extrema rusticidade quando em clima adequado, foi introduzida no Brasil pelos açorianos, fazendo parte da tradição culinária em Portugal e Rio Grande do Sul onde, no município de Bom Jesus, todos os anos ocorre a festa da gila, em que são oferecidos produtos regionais feitos a partir do fruto. Em regiões frias do Sul de Minas Gerais, é encontrada em pequenas hortas. Sua tolerância a baixas temperaturas, rara em cucurbitáceas, a tem tornado excelente porta-enxerto para pepino e melão em cultivos de inverno, em casas de vegetação. Os frutos possuem casca dura e facilmente destacável quando madura e polpa carnosa, com sementes pretas achatadas.

Nomes comuns – Gila, abóbora de Malabar (malabar gourd).

Família botânica – Cucurbitaceae, a mesma da abóbora e melancia.

Origem – Américas, provavelmente de regiões elevadas do México. Foi levada para Europa pelos espanhóis e chegou ao Brasil pelos portugueses, especialmente açorianos que imigraram para o Rio Grande do Sul.

Variedades – Observa-se alguma variabilidade com relação ao formato, mais ou menos arredondado. Recentemente a Embrapa Clima Temperado lançou a cultivar BRS Portuguesa.

Clima e solo – Proveniente de regiões de elevada altitude, a gila desenvolve-se melhor em climas subtropicais a temperados sob temperaturas mais amenas. Seu cultivo é tradicional nos Andes peruanos, em locais de altitude, acima de 2.500 m. No Brasil, desenvolve-se mais facilmente em regiões acima de 1200 m na região Sudeste e acima de 800 m na região Sul, mas é possível o cultivo em áreas mais baixas. Mesmo sob temperaturas baixas, em torno de 10ºC continua florescendo. Possui boa adaptação a vários tipos de solo, sendo mais recomendados solos que apresentem textura média ou areno-argilosos.

Preparo do solo – Pode ser feito pelo sistema convencional ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo). No preparo convencional, realiza-se aração e gradagem, adotando-se práticas conservacionistas, seguidos de coveamento e adubação. No sistema de plantio direto, o revolvimento é restrito às covas de plantio, deixando-se o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivos antecessores).

Calagem e adubação – Apesar da rusticidade em locais de clima adequado ao seu cultivo, responde à correção e à adubação. Para calagem, deve-se considerar a saturação de bases em 65%. Como não há estudos específicos para gila, sugere-se seguir a recomendação de adubação para a melancia com até 120 kg/ha de P2O5, 48 kg/ha de K2O e 36 kg/ha de N, além de 10 ton/ha de esterco de curral curtido (COMISSÃO, 1999). Na adubação de cobertura, a recomendação de N é de até 84 kg/ha e 72 kg de K2O, os quais podem ser aplicados em duas vezes, 15 a 20 dias e 35 a 40 dias após o transplantio.

Plantio – Em geral, o plantio é feito no local definitivo, dispondo-se 3 ou 4 sementes por covas e, deixando-se 1 ou 2 plantas mais vigorosas 20 dias após o semeio. Também podem ser produzidas mudas em bandejas ou em recipientes individuais (copinhos de jornal ou plástico, por exemplo). O transplantio é realizado 15 a 20 dias após o semeio, quando tiverem quatro a cinco folhas. Utiliza-se o espaçamento de 2,0 m x 2,0 m. Deve ser plantada em épocas do ano que apresentem temperaturas mais amenas, nas diversas regiões do Brasil. Em regiões muito frias do Sul, como nos campos de altitude do Rio Grande do Sul, o plantio é feito no final do verão, efetuando-se a colheita quando se iniciam as geadas a partir de maio-junho.

Tratos culturais – Pode-se deixar os ramos crescerem à vontade; é comum uma planta, quando isolada, produzir até 20 frutos. Recomenda-se a realização de capinas e irrigações necessárias ao desenvolvimento das plantas. É bastante tolerante a doenças, mas pode haver ocorrência de fungos, bactérias e viroses, especialmente em climas mais quentes. As pragas mais comuns são brocas que se instalam nos frutos quando no início do desenvolvimento, mas por ser cultivada em climas amenos, sob baixas temperaturas, a ocorrência é menor que em outras cucurbitáceas.

Colheita e pós-colheita – Após 80 a 100 dias do semeio, a planta apresenta frutos prontos para serem colhidos. Os frutos, que podem pesar de 4 a 6 kg, deverão ser colhidos e armazenados à sombra. A produtividade pode variar de 10,0 a 25,0 ton/ha. No Rio Grande do Sul, a polpa cozida do fruto maduro é utilizada no preparo de doces e sobremesas, como o tradicional doce de gila, sendo também usada em pratos salgados, como lasanhas, empadas e saladas. Realiza-se anualmente a cada inverno em Bom Jesus, município gaúcho localizado nos campos de cima da serra, a tradicional festa da gila. Em Portugal, é matéria-prima para doces tradicionais






terça-feira, 13 de abril de 2021

PANCS: Fisalis (Physalis angulata)

 

Fisalis (Physalis angulata)

A physalis (lê-se fisalis) é um arbusto semi-prostrado, de caule ereto e ramificado, que pode atingir até 2,5 metros de altura quando tutorado. Ocorre em praticamente todo território nacional, mas é nos países andinos como Peru e Equador que assume importância comercial, sendo comum nas feiras das cidades. Produz pequenos frutos, redondos e de coloração variada (verde, amarela, laranja ou vermelha), envolvidos por um casulo de finas folhas modificadas. No Brasil, além do uso em menor escala, em hortas caseiras ou mesmo fruto de coleta de plantas espontâneas nos campos, tem aumentado a demanda de mercado e algumas regiões tem produzido physalis comercialmente, destacando-se a região de Lages, Santa Catarina.

Nomes comuns – Fisalis, canapu, camapu, joá-de-capote, saco-de-bode.

Família botânica – Solanaceae, a mesma do tomate e berinjela.

Origem – Brasil, nas regiões Sudeste, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Norte. Nos países andinos (Peru, Equador e outros), há variedades com frutos maiores de Physalis peruviana.

Variedades – Observa-se variabilidade com relação a porte da planta, tamanho e coloração dos frutos.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas amenas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém há variedades silvestres adaptadas a diferentes condições de clima, inclusive no Semi-Árido durante a época chuvosa. Extremamente rústica, adapta-se a vários tipos de solo, mas não tolera encharcamento.

Preparo do solo – O plantio sistematizado deve ser feito em linhas distantes de 1,0 a 3,0 m entre si, a depender da variedade e do manejo da cultura.

Calagem e adubação – Para produção sistematizada, recomenda-se a calagem, que deve ser feita em função da análise de solo, visando atingir pH entre 5,5 e 6,0. Como não existem estudos específicos para cultura, sugere-se a adubação com 10 a 20 ton/ha de composto orgânico e metade da adubação recomendada para jiló, isto é, até 100 kg/ha de P2O5, 800 kg/ha de K2O e 50 kg/ha de N, fornecendo todo o P, 30% do N e 50% do K no plantio e o restante em cobertura, aos 30 e 60 dias (COMISSÃO, 1999).

Plantio – A propagação é feita por sementes, normalmente efetuando-se a produção de mudas em bandejas. O espaçamento é de 1,0 x 0,5 m para variedades de pequeno porte. Porém, as variedades com frutos para mercado tendem a crescer bastante, devendo-se usar espaçamento de 2,0 a 3,0 m entre linhas por 1,0 a 2,0 m entre plantas. Pode ser plantado durante o ano todo em regiões de clima ameno, desde que haja disponibilidade de água. Em regiões muito frias, o cultivo deve se iniciar após as geadas, setembro-outubro.

Tratos culturais – Manter as plantas infestantes sob controle, por meio de capinas manuais. Irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos. O tutoramento em espaldeira facilita a colheita e reduz a ocorrência de podridão de frutos. Quando as planats são conduzidas sem tutoramento, muitos frutos se desenvolvem em contato com o solo aumentando o ataque de artrópodes e a incidência de bactérias e fungos decompositores. Também pode sofrer ataque por pragas generalistas como formigas ou gafanhotos.

Colheita – A colheita de frutos é feita a partir de 3 a 4 meses após o plantio em variedades silvestres com frutos pequenos e sob condições de clima mais quente e a partir de 5 a 6 meses após o plantio em variedades com frutos maiores e sob condições de clima ameno, perdurando por meses. Em produções comerciais, as colheitas devem ser diárias ou a cada dois dias respeitando o ponto de colheita, quando o cálice (capa ou casulo) que envolve a fruta muda de coloração, de verde para amarelo ou palha. A colheita deve ser cuidadosa, devido ao fruto ser bastante sensível, podendo ocorrer de forma manual, individual ou com auxílio de tesoura de poda, quando se colhem cachos. Para prolongar o período de armazenamento dosfrutos é importante que seja mantido o casulo dos mesmos. A produtividade pode atingir até 4 kg/planta quando em espaçamento bem aberto, rendendo próximo a 10 ton/ha.

Os frutos de cor amarela ou alaranjada, com sabor equilibrado entre o doce e o ácido, são mais consumidos in natura, muitas vezes em saladas à semelhança do tomate-cereja. Sendo também ingrediente para molhos, compotas, doces, geléias, sorvetes e licores. Recomenda-se a sua comercialização até 12 horas após a colheita. Caso contrário, os frutos podem ser armazenados por um período de 20 dias a temperatura de 18 °C e 70% de umidade relativa ou a 2oC por até 4 ou 5 meses.






sábado, 20 de março de 2021

PANCS: Cultivo da Fava (Phaseolus lunatus)

 

Fava (Phaseolus lunatus)

Podem apresentar hábito de crescimento determinado ou indeterminado.

Nomes comuns – fava, fava-de-lima, fava-terra, fava-belém, feijão-espadinho, feijão favona, feijão-fígado-de-galinha, feijão-mangalô, bonge.

Família botânica – Fabaceae.

Origem – Centro Sul Andino.

Variedades – O que ocorre na prática é a seleção e manutenção local de variedades feita pelos agricultores. Verifica-se grande variabilidade em tamanho e coloração, de branca a preta, passando por creme, amarela, vermelha, rajadas branca e vermelha, branca e preta, entre outras. No Nordeste brasileiro, onde há maior consumo de fava, destacam-se as seguintes variedades que são mantidas pelos próprios agricultores: amarela-cearense, boca-de-moça, branquinha, mororó, olho-de-ovelha, olho-de-peixe, orelha-de-vó, raio-de-sol, rajada vermelha, rajada preta.

Clima e solo – Adapta-se às mais diferentes condições ambientais, mas desenvolve-se melhor nos trópicos úmidos e quentes e em solos areno-argilosos, férteis e bem drenados.

Preparo do solo – Varia conforme o sistema de cultivo a ser adotado. No caso do sistema convencional, deve-se proceder a aração e gradagem, e em seguida efetuar o coveamento ou sulcamento e adubação, atentando-se sempre para a adoção de práticas conservacionistas. Já em relação ao plantio direto o revolvimento é restrito às covas ou sulcos de plantio, deixando o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivo antecessor, geralmente de gramíneas e leguminosas) entre as covas ou linhas de plantio.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo com antecedência de 60 a 90 dias, e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,6 e 6,8. A adubação também deve ser baseada nos níveis de nutrientes observados na análise de solo, utilizando-se no plantio adubo fosfatado e parte do adubo nitrogenado e potássico, além da adubação orgânica. Em não havendo recomendações específicas para fava, sugere-se seguir a recomendação de adubação para feijão-vagem, ou seja, até 280 kg/ha de P 2O5 , 120 kg/ha de K 2O e 150 kg/ha de N, fornecendo 30% do N e 50% do K no plantio e o restante em cobertura, aos 30 e 60 dias (COMISSÃO, 1999).

Plantio – O semeio deve ser feito no local definitivo, em covas ou sulcos. Sugere-se o espaçamento de 1,0 x 0,5-0,6 m para variedades de crescimento indeterminado e 0,6-0,7 x 0,15 m para variedades de crescimento determinado. Em regiões de clima tropical, pode-se plantar durante todo ano, desde que haja disponibilidade de água. Em regiões com inverno mais ameno, o semeio deve ser feito na primavera ou início do verão.

Tratos culturais – As recomendações para a cultura referem-se a realização de capina e irrigação, quando necessárias, e quando o cultivo for de variedades de crescimento indeterminado, o tutoramento semelhante ao utilizado para feijão-vagem. As pragas que mais afetam a fava são vaquinhas e pulgões. Já com relação a doenças, é suscetível a antracnose, ferrugem e fusariose, que infestam folhas, caules, frutos e sementes.

Colheita – No caso de consumo como hortaliça, as favas (vagens) deverão ser colhidas ainda imaturas, pouco proeminentes, para o aproveitamento de todo o fruto, o que ocorre a partir dos 40-50 dias após o plantio. Para ingestão das sementes ainda verdes, as quais devem ser debulhadas, para posterior consumo, a colheita ocorre partir dos 50-60 dias após o semeio. O rendimento pode chegar a 8 ton/ha. Na alimentação utilizam-se os frutos (vagens) verdes, ainda bem tenros, imaturos, em refogados; e os grãos debulhados, ainda verdes ou secos. Os grãos verdes são típicos na culinária nordestina.

Figura 49: Fava




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

PANCS: Espinafre chinês - Batata d'agua (Ipomoea aquatica)


Espinafre chinês (Ipomoea aquatica)

Folhosa de grande importância no Sudeste Asiático, sendo produzido principalmente em solos encharcados e em canais de irrigação de arroz. No Brasil, é encontrada esporadicamente em alguns locais de clima quente e úmido, observando-se sua presença em feiras de Manaus, Estado do Amazonas, sendo muito procurada por asiáticos e descendentes, especialmente coreanos e chineses. Planta de crescimento indeterminado, com folhas alternas e tenras. É usada também como planta útil na despoluição de águas contaminadas por efluentes.

Nomes comuns – Espinafre chinês, espinafre d’água, batata-doce-folha, kangkung (Timor), hung tsay (China).

Família botânica – Convolvulaceae, a mesma da batata-doce.

Origem – Há controvérsias quanto ao centro primário, ocorrendo em diversas regiões tropicais do planeta, mas acredita-se que tenha se originado do Sudeste Asiático, pela maior variabilidade observada.

Variedades – Na Ásia, verifica-se a ocorrência de variedades comerciais; na Amazônia brasileira, observam-se variedades locais sem a sistematização das mesmas.

Clima e solo – Produz bem exclusivamente sob temperaturas elevadas. Desenvolve-se, em geral, em solos aluviais, mas pode ser produzida em diferentes tipos de solo de textura mediana desde que haja disponibilidade de água em abundância.

Preparo do solo – O plantio é, em geral, feito em sulcos em áreas alagadas ou encharcadas.

Calagem e adubação – É muito rústica, podendo produzir mesmo em solos depauperados. Entretanto, visando melhorar a produção, sugere-se fazer a correção do solo em função da análise de solo para uma faixa de 5,3 a 6,0. Recomenda-se a adubação somente com composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Plantio – A propagação é feita por sementes ou por mudas (ramas), sendo planta de fácil enraizamento. Sugere-se o espaçamento de 40 a 50 cm x 40 a 50 cm. Pode ser plantado durante o ano todo em regiões de clima quente e úmido, e de outubro a dezembro em regiões com inverno frio ou seco.

Tratos culturais – Recomenda-se manter a cultura livre de plantas infestantes por meio de capinas manuais e irrigar sempre que necessário, em geral duas a três vezes por semana. Não há relatos de sérios danos causados por pragas e doenças, mas pode ser alvo de insetos desfolhadores como vaquinhas e idiamins.

Colheita – A colheita é feita a partir de 60 dias após o plantio, efetuando-se cortes sucessivos das folhas por meses e a produtividade pode atingir até 20 ton/ha. Suas folhas são consumidas refogadas ou cozidas em sopas.


Figuras 47 e 48: Espinafre-chinês, planta e detalhe



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

PANCS: Dente-de-leão (Taraxacum officinale)

 

Dente-de-leão (Taraxacum officinale)

 

Folhosa silvestre nutritiva, de porte baixo, foi alimento importante durante a Idade Média. Depois, foi sendo gradualmente substituída por outras hortaliças, sendo hoje pouco usada como alimento, possivelmente por seu paladar amargoso. Em algumas situações é considerada como infestante de lavouras e pastagens e pode também ser considerada como planta indicadora de solo fértil.

 

Nomes comuns – Dente-de-leão.

 

Família botânica Asteraceae, a mesma da alface. Origem – Europa.

 

Variedades Observa-se variabilidade com relação a porte e formato das folhas.

 

Clima e solo Produz melhor sob temperaturas mais amenas, nas regiões Sul e Sudeste. Extremamente rústica, adapta-se a vários tipos de solo.

 

Preparo do solo O plantio sistematizado pode ser feito em canteiros semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura, lembrando que é frequente o manejo de plantas espontâneas em hortas caseiras, sem preparo de solo.

 

Calagem e adubação Por sua rusticidade, desenvolve-se mesmo em solos depauperados. Entretanto, para produção sistematizada, sugere-se a adubação. A calagem deve ser feita em função da análise de solo, visando atingir pH entre 5,5 e 6,0. Recomenda-se somente a correção do solo e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

 

Plantio A propagação é feita por sementes, normalmente no local definitivo, podendo-se também realizar a produção de mudas em bandejas, de modo semelhante ao empregado para hortaliças folhosas. Pode-se utilizar as brotações laterais como propágulos. O espaçamento recomendado é de 0,2 a 0,3 m x 0,2 a 0,3 m. Pode ser plantada durante o ano todo, desde que haja disponibilidade de água. É comum o manejo de plantas espontâneas em hortas caseiras.

 

Tratos culturais Manter as plantas infestantes sob controle, por meio de capinas manuais. Irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos. Por ser uma cultura muito adaptada, raramente é atacada, a não ser esporadicamente por pragas generalistas como formigas ou gafanhotos.

 

Colheita e pós-colheita A colheita é feita 50 a 60 dias após o plantio, assim que as folhas atingem cerca de 15 a 20 cm. A produtividade de folhas pode variar em torno de 100 g/m2 semanalmente, perdurando por 6 meses ou mais. Tanto as raízes, quanto as folhas, quando novas, podem ser consumidas cruas. Pode ser utilizado em saladas, sucos e desidratado sob a forma de chás. As folhas também podem ser refogadas ou usadas em sopas. Assim como a maioria das hortaliças frescas apresenta pequena vida útil, por isso a desidratação é uma excelente opção.