terça-feira, 20 de julho de 2021

Cultivo do Tamarilho (tamarillo)


Ficha técnica do tamarilho

Origem: Bolívia e Peru.

Altura: Arbusto entre dois e quatro metros.

Propagação: Geralmente por sementes, menos comum por estaquia.

Plantio: Primavera e verão.

Solo: Solos profundos e férteis, bem drenados.

Clima: Prefere clima subtropical, também tolera clima temperado.

Exposição: Sol pleno.

Colheita: Geralmente no outono e parte do inverno.

Manutenção: Regas, mondas, controlo de pragas.

Cultivo e colheita

O tamarilho é um fruto que cresce bem em climas subtropicais, mas também nalgumas zonas temperadas.

Em Portugal, as zonas mais propícias para o seu crescimento são a Madeira, os Açores e o Algarve.

Ao redor do mundo, além da sua zona de origem, o tamarilho é cultivado em países como Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, Índia (nalgumas regiões), Nepal, Butão e Estados Unidos.

A forma mais fácil de o propagar é através de sementes visto que a taxa de germinação é bastante elevada e conseguem obter-se muitas plantas.

Também pode ser feita a partir de estacas, mas é menos comum.

Em Portugal, onde devem ser cultivados em zonas de pleno sol, abrigadas dos ventos e sem geadas, tendem a perder as folhas no inverno, voltando a ter rebentos na primavera.

É uma planta de crescimento rápido, cuja longevidade costuma rondar os 12 anos, não dura muito. Os tamarilhos só devem ser transplantados para o seu local definitivo com cerca de um metro de altura.

Existem tamarilhos de diversas cores. Os mais comuns nos mercados europeus são os vermelhos e púrpura, que, apesar de serem mais ácidos, são preferidos. Os amarelos e os cor de laranja têm níveis de acidez um pouco mais baixos.

A colheita costuma efetuar-se em Portugal no outono e parte do inverno. Após a colheita, os frutos aguentam-se cerca de dez semanas, ou seja, é uma fruta com potencial para comercialização.



Manutenção

Antes da plantação, convém considerar que é uma planta que necessita de estar protegida dos ventos, pois o seu sistema de raízes é frágil e não permite que a planta aguente ventos fortes.

Este sistema de raízes superficial faz com que não se possa sachar em profundidade, logo a monda deve ser manual e feita cuidadosamente.

Pode ainda usar cobertura de aparas de madeira ou de palha, entre outras, poderá evitar o aparecimento de ervas indesejáveis e ajudar a manter a humidade.

Isto também é importante porque os tamarilhos são pouco resistentes à seca, necessitam de ser regados com frequência nos meses de menor precipitação. A falta de rega poderá levar à morte da planta ou à infestação de pragas.

A fertilização da planta deverá distribuir-se ao longo do ano, com foco na primavera e no verão. As podas estimulam a produção, a limpar os ramos mortos e a controlar a forma e a altura do arbusto.

Pragas e doenças

Tal como outras plantas do género Solanum, esta espécie é sensível a pragas, especialmente a mosca-branca e os afídeos. Devemos estar atentos, para podermos combatê-las logo desde o início e evitarmos grandes infestações descontroladas.

É uma planta que apanha com facilidade doenças que afetam o tomateiro, como o míldio, nemátodos ou vírus. Não se deve por isso plantá-lo junto de tomateiros, mas numa zona do jardim ou quintal mais afastada.

Existem vários métodos biológicos para controlo de pragas e vírus, que poderão ser utilizados no caso do tamarilho.

Propriedades e usos

Este é um fruto que apresenta boas características nutritivas aliadas a um baixo nível de calorias. É muito rico em vitaminas A e C e também em cálcio, magnésio e ferro.

O seu sabor inclina-se para o ácido, lembrando uma mistura entre o tomate e o maracujá-roxo.

Pode ser consumido cortado ao meio e retirando a polpa com uma colher ou adicionado a saladas. Também podem ser cozinhado, grelhado ou assado. Pode igualmente ser consumido sob a forma de sumo, compotas, doces e molhos.

Assim, o seu consumo ajuda a prevenir doenças cancerígenas, a controlar a tensão arterial, os níveis de colesterol, e outros benefícios para a saúde.

Tamarilho: já plantou esta árvore de fruto na sua horta?

O tamarilho, como vulgarmente é conhecido, teve origem na América do Sul, é também conhecido  como tomate-de-árvore ou tomate-maracujá.  Independentemente do nome que se dá a este fruto, é certo que a sua popularidade tem vindo a aumentar. Baixo em calorias e riquíssimo nutricionalmente, o tamarilho pode facilmente ocupar um espaço muito especial na sua horta.


Tamarilho: tudo o que deve saber sobre esta árvore de fruto

Os tamarilhos cujo nome científico é  Solanum betaceum,  consistem em pequenas árvores de fruto que não atingem mais de 5 metros de altura e que pertendem à família das solanáceas (tomateiros, batateiras, beringelas, physalis, entre outras). No que diz respeito às variedades destas árvores de fruto, existem variedades de  de fruto amarelo e de fruto vermelho, que são as mais populares.

Esteticamente,  frutos são parecidos com o tomate, caracterizando-se por terem forma oval e pontiaguda. O sabor dos tamarilhos também é marcante: agridoce. Pode consumi-los de diversas formas: em fresco, em sobremesas, sumos e compotas. Na ilha da Madeira, por exemplo, são utilizados na preparação da tão famosa bebida, a poncha.

Como obter esta planta?

Pode adquirir esta árvore de fruto num viveiro (já pronta a plantar) ou pode propagar este fruto por semente ou por estaca.

Caso opte pela sementeira, deve fazer o seguinte:

Remova as sementes do fruto, lave-as e colocando-as em vasos.

Misture um pouco de areia na sua terra ou compre um substrato adequado para este tipo de árvores. Caso opte pelo substrato, garanta que este esteja sempre húmido.

Depois de proceder à sementeira, coloque os vasos num local abrigado e com temperaturas amenas.

Caso opte pela multiplicação por estaca, deve fazê-la pela Primavera, enraizando os rebentos jovens, com cerca de 20-30cm de comprimento. Estes rebentos devem ser tratados de forma especial. Para induzir o seu enraizamento, coloque um pó ou gel de enraizamento, que pode ser comprado em qualquer  loja da especialidade.  Depois desta procedimento, deve manter as  estacas em vasos com o mesmo tipo de substrato que escolher na operação anterior e colocá-las em local abrigado.

Como plantar tamarilho na sua horta ou pomar

Antes de plantar esta árvore de fruto na sua horta ou pomar, deve ter em atenção que estas plantas têm um crescimento muito rápido.

No entanto, estas árvores de fruto, devem apenas ser transferidas para o local definitivo quanto atingem cerca de 1 metro de altura, e por altura da Primavera.

Antes de plantar esta árvore de fruto, faça uma cova com cerca de 40-50cm de profundidade, podendo nesta altura incorporar o composto proveniente da compostagem, caso esta situação se aplique.

Depois de colocar a planta na cova, tape-a, regando o solo  logo de seguida.  Um boa ideia que pode adotar será colocar folhas secas em redor da planta, auxiliando desta forma a proteger a planta, mantendo o solo húmido (que é essencial).

Cuidados essenciais que deve ter com esta árvore de fruto

Rega

Tente regar de forma frequente para garantir que o solo fica sempre húmido, mas evite que este encharque! Por altura da Primavera,  faça uma poda para eliminar ramos secos e doentes e promover o crescimento de ramos laterais ( evitando que a árvore cresça em demasia).

Colheita

A altura ótima para colher estes frutos na sua horta ou pomar é  entre os meses de Novembro e Março. Quantos estes frutos apresentam uma cor uniforme e um pouco moles ao toque, estão no ponto!



Os  benefícios do tamarillo

  O Tamarillo possui possui propriedades que ajudam no tratamento e no combate de várias doenças no corpo. O Tamarillo também contém uma variedade de benefícios que ajudam em diversos problemas de saúde. Consuma essa fruta regularmente para aproveitar seus benefícios.

 O Tamarillo cresce em arbustos ou árvores pequenas. Tamarillo é normalmente conhecido como tomates de árvore, devido à sua cor Laranja, Amarelo e Vermelho. São cerca de 2 a 4 polegadas de comprimento e têm um sabor acetoso. O Tamarillo é rico em ferro e vitaminas e tem pouca quantidade de calorias. Tamarillo contém vitamina A que é essencial para uma visão saudável, pele, ossos e outros tecidos no corpo. A vitamina A também funciona como antioxidante que resiste ao dano celular e tem vários outros benefícios também. Tamarillo contém Beta-Caroteno, que também é conhecido como pró-Vitamina A.

Então, confira os  benefícios do tamarillo :

  Para Melhorar o Sistema Imunológico: Tamarillo contém grandes quantidades de vitamina C. A vitamina C pode prevenir deficiências do sistema imunológico, doenças cardiovasculares e doenças oculares. A vitamina C também é recomendada para prevenção de problemas de saúde pré-natal e para uma pele saudável.

  Antioxidantes: A vitamina E é importante por suas propriedades antioxidantes. Os antioxidantes removem os compostos instáveis, evitando danos celulares. A vitamina E também reduz o colesterol e previne o câncer.

  Auxilio do Metabolismo: Tamarillo é uma fonte média de vitamina B e complexo B. Essas vitaminas regem o metabolismo corporal que converte os alimentos em nutrientes requeridos pelos tecidos e órgãos. Com a quantidade adequada de alimentos e vitaminas B, você permanecerá energizado.

  Para Reduzir o Peso: Para aqueles conscientes sobre seu peso, ou aqueles que querem perder algum peso, o Tamarillo serve de grande ajuda para reduzir o peso de modo eficiente e saudável.


domingo, 18 de julho de 2021

PANCS: Mostarda (Brassica juncea)

 

Mostarda (Brassica juncea)

Planta herbácea anual de caule ereto, folhas longas e estreitas com bordas serrilhadas, que atinge entre 1,0 e 1,5 m de altura. As flores são pequenas, amarelas, em inflorescência terminal, seguidas de frutos redondos, a mostarda em grão. A mostarda usada no Brasil para o preparo do molho de mostarda, produzido a partir dos grãos da mostarda branca, é importada. Em outros países, utilizam-se outras espécies como a mostarda marrom (Brassica juncea), a Oriental ou amarela (Brassica hirta) e a mostarda escura ou preta (Brassica nigra), mais forte. No caso, abordaremos a utilização da mostarda enquanto hortaliça folhosa.

Nomes comuns – Mostarda, mostarda ardida, mostarda-folha.

Família botânica – Brassicaceae, a mesma do repolho e da couve.

Origem – Europa.

Variedades – Observa-se variabilidade com relação a porte e formato das folhas, além de precocidade no florescimento. Existem variedades de mostarda disponibilizadas por empresas de sementes, basicamente a mostarda de folhas lisas e a de folhas crespas.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas mais amenas nas regiões Sul e Sudeste. É bem rústica, adaptando-se a vários tipos de solo.

Preparo do solo – O plantio é feito em canteiros, após as práticas de aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. Os canteiros deverão ter 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura. A adubação deve ser feita após o encanteiramento.

Calagem e adubação – A correção do solo deve ser feita em função de análise para uma faixa de 5,5 a 6,0. Como não há recomendação específica para mostarda, sugere-se metade da recomendação de adubação para alface, ou seja, até 200 kg/ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O, 20 k/ha de N e 25 ton/ha de esterco de curral no plantio (Comissão, 1999), aplicando-se 20% do potássio (K) e do nitrogênio (N) no plantio e o restante parcelado em duas adubações de cobertura aos 20-25 dias e aos 40-45 dias após o transplantio.

Plantio – A propagação é feita por sementes. Realiza-se a produção de mudas para transplantio, geralmente em bandejas à semelhança do método utilizado para outras brássicas. O espaçamento deve ser de 0,3 a 0,4 x 0,3 a 0,4 m. É comum, entretanto, em hortas caseiras o simples manejo de plantas espontâneas, originadas a partir de sementes que caem ao solo. Neste caso, é recomendado selecionar as plantas mais vigorosas para florescimento e produção local de sementes.

Pode ser plantada durante o ano todo em regiões de clima ameno, e de março a outubro em regiões muito quentes, com temperatura média acima de 25ºC. De forma geral, recomenda-se o cultivo em períodos com temperaturas menos elevadas.

Tratos culturais – Manter a cultura livre de plantas infestantes, em geral por meio de capinas manuais. Irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos. Apesar da rusticidade da cultura, observa-se a ocorrência de alguns insetos desfolhadores como vaquinhas e gafanhotos, os quais não tendem a causar danos severos as plantas.

Colheita e pós-colheita – A colheita é feita a partir de 50 a 75 dias após o transplantio, quando as folhas atingem 20 a 25 cm de comprimento, estando ainda tenras. É feita a catação das folhas, deixando-se as plantas e formando maços, ou também se pode colher a planta inteira. Quando embalada em sacos plásticos ou recipientes fechados e armazenada sob refrigeração, a mostarda pode ser conservada por até sete dias. A produtividade pode variar de 20 a 40 ton/ha.

As folhas, que possuem paladar ardido característico, podem ser consumidas cruas em saladas, cozidas em sopas ou refogadas, pura ou associada a outros ingredientes. As sementes também podem ser utilizadas na alimentação como tempero, desidratadas ou em pó. Além disso, a mostarda também pode ser utilizada como adubo verde, melífera e ornamental.

Figuras 76 e 77: Mostarda, na fase vegetativa e na fase de florescimento



quinta-feira, 15 de julho de 2021

PANCS: Cultivo do Mangarito (Xanthosoma riedelianum)

 

Mangarito (Xanthosoma riedelianum)

O mangarito fazia parte da dieta dos índios e, claro, fez sucesso quando chegou ao prato dos colonizadores a ponto de ser mencionado por cronistas épicos como Gabriel Soares de Sousa, autor do “Tratado Descritivo do Brasil”, de 1587, e do padre jesuíta Fernão Cardim, que escreveu o “Tratado da Terra e Gente do Brasil”, de 1625. No clássico “O Cozinheiro Nacional” (reeditado pela Editora Senac São Paulo em 2008), segundo livro de culinária publicado no Brasil, o mangarito é citado numa receita de ensopado (FRAGATA, 2012). Muito apreciado no passado, nos dias de hoje é praticamente desconhecido. Ainda é encontrado esporadicamente em feiras nas cidades do interior de Minas Gerais como Uberlândia, Patrocínio e Montes Claros. Tem aumentado a produção na região de Joinville, estado de Santa Catarina. Acredita-se que, apesar de ser iguaria culinária por seu paladar único, seu desuso é decorrente da baixa produtividade e do aspecto visual. Entretanto, esforços para preservar este material realizados por entusiastas como o Sr. João Lino no interior de São Paulo, e instituições de pesquisa e Universidades (UFMG, campus de Montes Claros, UFV, Epamig, Emater-MG, Embrapa Hortaliças, entre outras) tem contribuído para preservação e difusão desta espécie. Alguns autores referem-se ao mangarito pelo nome científico de X. mafaffa, mas Gonçalves (2011) e Cavalcanti (2011) apresentam evidências morfológicas de que se trata de X. riedelianum.

Nomes comuns – Mangarito, mangareto, mangará, tayaó (guarani), malangay, tannia.

Família botânica – Araceae, a mesma família das taiobas e do taro.

Origem – Regiões tropicais das Américas Central e do Sul, podendo ser encontrado no México, Venezuela, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Porto Rico, Peru e Brasil.

Variedades – Não há variedades sistematizadas, mas observa-se variabilidade em clones apresentando rizomas de coloração interna branca, amarela e arroxeada. O que ocorre, na prática, é a manutenção de variedades locais e, muitas vezes, o plantio em quintais com a mistura de diferentes clones.

Clima e solo – Desenvolve-se plenamente em regiões tropicais úmidas, porém necessita de estação seca para produção satisfatória de rizomas. Adapta-se bem a cultivos de verão em outras regiões do Brasil de clima mais ameno. Os solos devem ser profundos, bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – Consiste em aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. Em seguida, efetuam-se o enleiramento ou encanteiramento e a adubação.

Calagem e Adubação – É planta muito rústica, mas em solos empobrecidos responde à correção e à adubação. Quando necessário, aconselha-se efetuar a correção da acidez do solo com dois meses de antecedência e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, de modo a obter pH entre 5,5 e 6,0. A adubação deve ser baseada nos níveis de nutrientes observados na análise de solo. Como não há recomendação específica para mangarito, sugere-se utilizar a recomendação para taro (ex-inhame), o que representa até 180 kg/ha de P2O5 e 90 kg/ha de K2O, fornecendo 30% do N e 50% do K no plantio (COMISSÃO, 1999). O restante do N e K são fornecidos em cobertura aos 40-45 e 75-90 dias após o plantio.

Plantio – A propagação é feita por pequenos rizomas, diretamente no local definitivo. Propágulos com 1 a 1,5 cm aumentam a produção comparativamente a propágulos muito diminutos, menores que 0,5 cm. Ainda assim, esses podem ser utilizados para multiplicar o material. O espaçamento deve ser de 0,4 a 0,5 m entre as leiras e de 0,2 a 0,3 m entre plantas nas leiras. É também comum o plantio em canteiros no espaçamento de 0,25 0,30 x 0,25-0,30 m e no caso de plantios tardios, pode-se usar até 20 x 20 cm.

Em regiões tropicais e equatoriais com chuvas durante todo o ano o cultivo pode ser realizado o ano inteiro, enquanto em regiões subtropicais ou tropicais de altitude, o cultivo é restrito à época mais quente do ano (setembro-outubro a março-abril), permanecendo a cultura em dormência durante o período frio e/ ou seco do ano. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o mangarito é plantado normalmente em setembro-outubro, no início do período chuvoso, e no Nordeste, pode ser plantado a partir de dezembro. Ensaios no Planalto Central tem demonstrado que o plantio tardio (final de novembro a início de dezembro) reduz o excessivo perfilhamento proporcionando o desejado efeito de menor número de rizomas por plantas que ficam então com maior tamanho. Como a parte aérea das plantas fica menor, é possível adensar o plantio.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida no limpo, por meio de capinas manuais. Deve-se irrigar conforme a necessidade, não havendo recomendações específicas para mangarito, lembrando que, em geral, é cultivado no período chuvoso, dispensando irrigação. A cultura é bastante tolerante a pragas e doenças. Contudo, Leite, et al. (2000) relatam a ocorrência de pulgões do gênero Aphis, ácaros do gênero Tetranichus, tripes do gênero Frankliniella e nematoides do gênero Meloidogyne, os quais podem causar alguns danos aos rizomas.

Colheita e pós-colheita – A colheita tem inicio 6 a 8 meses após o plantio, quando as folhas entram em senescência. São separados os rizomas com tamanho superior a 2 cm para o consumo, deixando-se os menores para propagação, onde é feita a limpeza, eliminando-se o solo aderido. A produtividade pode atingir até 15 ton/ha em cultivos mais adensados.

As folhas do mangarito são comestíveis, mas são os rizomas, que apesar de relativamente pequenos, representam verdadeira iguaria culinária de paladar particularmente especial, sejam cozidos, fritos, salteados (“sauté”) ou em cremes. Em tempos passados, era muito apreciado no meio rural no café da manhã ou lanche da tarde, quando cozido ou assado no forno a lenha e depois recoberto de melado.

Figuras 72 e 73: Mangarito com muitos perfilhos e touceiras com rizomas pequenos

Figuras 74 e 75: Mangarito com plantas pequenas e rizomas maiores



terça-feira, 22 de junho de 2021

PANCS: Major-Gomes (Talinum paniculatum) ou língua-de-vaca, benção-de-Deus

 

Major-Gomes (Talinum paniculatum)

Planta herbácea, ereta, suculenta, ramificada, com ramos de até 60 cm de altura. Interessante relato de agricultores do norte de Minas Gerais mostra que foi um dos únicos alimentos disponíveis na seca de 1963. Apresenta estrutura de reserva subterrânea, brotando no início da estação chuvosa. É normalmente coletada nos campos, sendo esporadicamente cultivada em hortas caseiras.

Nomes comuns – João-Gomes, língua-de-vaca, benção-de-Deus.

Família botânica – Portulacaceae.

Origem – Brasil, sendo encontrada em diferentes biomas, desde a Mata Atlântica do sul de Minas Gerais até o Cerrado de Tocantins ou do Oeste do estado de São Paulo.

Variedades – São plantas espontâneas, não sendo ainda comumente cultivadas; portanto, não há variedades sistematizadas. Observa-se, porém, variabilidade com relação a tamanho de folhas e coloração de flores (brancas, amarelas, rosadas e avermelhadas).

Clima e solo – Ocorre espontaneamente do interior de São Paulo ao estado de Tocantins. É extremamente rústica e adaptada a solos de baixa fertilidade.

Preparo do solo – Embora sejam comumente utilizadas como plantas espontâneas, iniciativas estão sendo feitas para o plantio de forma sistematizada em canteiros semelhantes aos usados para hortaliças folhosas como a alface.

Calagem e adubação – Por ser extremamente rústica e adaptada às condições de solo e clima do Brasil Central, produz em solos de baixa fertilidade e ácidos. Entretanto, responde quando conduzida em solos férteis e ricos em matéria orgânica.

Plantio – É feito por sementes, sugerindo-se o espaçamento de 0,2 x 0,2 m, mas também é viável a produção de mudas em bandejas. O plantio pode ser realizado o ano todo desde que com temperaturas superiores a 20ºC e sob condições de umidade.

Espontaneamente, brota no início do período chuvoso, entrando em dormência durante a estação seca.

Tratos culturais – Deve-se efetuar irrigação e capinas manuais quando necessário. Não há relatos da ocorrência de doenças importantes. Observa-se o ataque por pragas desfolhadoras, vaquinhas, idiamins ou gafanhotos.

Colheita e pós-colheita – Inicia–se cerca de 60 dias após a brotação ou semeadura, efetuando-se colheitas sucessivas da parte aérea por meses. As folhas carnosas (que tem até 5 cm de comprimento) são consumidas cruas quando novas ou refogadas.



sexta-feira, 18 de junho de 2021

Cultivo do Feijão-da-Espanha


Feijões-da-espanha Phaseolus coccineus

O feijão-da-espanha é uma trepadeira que pode ultrapassar a três metros de altura. A maioria das cultivares tem flores vermelhas e sementes rosadas ou rajadas, mas há cultivares com flores e sementes brancas, e cultivares com flores rosadas ou bicolores. Suas vagens imaturas e suas sementes em qualquer estágio de desenvolvimento podem ser consumidas cozidas, mas esta espécie também é muito apreciada como planta ornamental em jardins. Há também algumas poucas cultivares de porte baixo, que atingem apenas cerca de 40 cm de altura.

O feijão-da-espanha pode ultrapassar a três metros de altura

Clima
O feijão-da-espanha pode ser cultivado em regiões que apresentam temperaturas entre 14°C e 30°C. Em locais onde o inverno apresenta baixas temperaturas, este feijão é cultivado apenas durante os meses quentes do ano. Em regiões onde o inverno é ameno, esta planta é perene, podendo produzir por vários anos.

Luminosidade
Esta planta necessita de alta luminosidade, com luz solar direta pelo menos algumas horas por dia.
As flores do feijão-da-espanha são atraentes, por isso esta planta também é apreciada em jardins

Solo
Cultive em solo bem drenado, profundo, fértil e rico em matéria orgânica. O pH ideal do solo é de 6 a 7,5.

Esta planta pode formar uma associação simbiótica com bactérias conhecidas como rizóbios ou rhizobium, capazes de fixar o nitrogênio do ar no solo como amônia ou nitrato, provendo assim o nitrogênio necessário para a planta e ainda enriquecendo o solo com este nutriente.

Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, sem que fique encharcado.

Mudas de feijão-da-espanha. Note que os cotilédones não são visíveis, permanecendo enterrados no solo, diferindo do que ocorre com o feijão comum

Plantio
Semeie direto no local definitivo, a uma profundidade de aproximadamente 5 cm. Opcionalmente, as sementes de feijão-da-espanha podem ser pré-germinadas antes do plantio, deixando as sementes em um recipiente com papel-toalha ou papel mata-borrão umedecidos.
O espaçamento pode ser de 60 cm entre as linhas de plantio, com 15 cm entre as plantas para cultivo anual.

A maioria dos cultivares de feijão-da-espanha são trepadeiras e precisam de suportes

Tratos culturais
A maioria das cultivares de feijão-da-espanha são trepadoras e necessitam de um suporte com cerca de 2,4 m de altura ou mais, como por exemplo, varas de bambu, estacas de madeira, cercas, treliças ou caramanchões.
Retire as plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos.

Vagens do feijão-da-espanha

Colheita
A colheita pode começar de 90 a 120 dias após a semeadura, podendo variar com a cultivar plantada e as condições de cultivo. As vagens são colhidas quando bem desenvolvidas, com 15 a 25 cm de comprimento, mas ainda jovens e tenras, antes que as sementes comecem a inchar nas vagens. As sementes geralmente são colhidas quando as vagens estão completamente secas, embora também possam ser colhidas quando ainda estão imaturas.
Os feijões-da-espanha, tal como os feijões comuns, não devem ser consumidos crus, pois eles contêm fitohemaglutinina, uma lectina tóxica. O cozimento destrói esta substância.

O feijão espanhol, Phaseolus coccineus, é uma bela planta ornamental com flores brilhantes, mas também um bom vegetal com vagens e grãos saborosos.
Feijão espanhol, decorativo... e delicioso
Nas terras altas do México, há muito tempo atrás, Feijão espanhol é mais conhecido na França por sua floração do que por suas vagens. No entanto, estas vagens verdes longas podem para ser provado como um feijão verdequando os grãos começam a se formar, assim como os grãos, em "feijões secos"quando eles estão maduros. Até mesmo as flores são comestíveis!

Phaseolus coccineus é perene (pela sua raiz tuberosa), mas gelado. É, portanto, como uma planta anual que entra no jardim ou no jardim.

Sua haste retorcida pode subir de 1 metro a mais de 4 metros de altura. Dependendo da variedade, flores são vermelho brilhante, branco ou dois tons e os grãos são branco, preto, violeta variegado com preto, bronze e marrom, marrom e chocolate...

Algumas variedades de feijão espanhol
Phaseolus coccineus 'Desiree': variedade produtiva com flores brancas e grandes grãos brancos saborosos. Tolerante à seca.
Phaseolus coccineus 'Pickwick': variedade anã (50 cm no máximo) decorativa, com flores vermelhas escarlates e grãos roxos marmoreados com preto.
Phaseolus coccineus 'Scarlet Emperor'roxo roxo do feijão com salpicos pretos e as flores vermelhas brilhantes. Altura: 4 metros. Tolerante a climas frios.
Algumas variedades de feijão espanhol
Phaseolus coccineus 'Desiree': variedade produtiva com flores brancas e grandes grãos brancos saborosos. Tolerante à seca.
Phaseolus coccineus 'Pickwick': variedade anã (50 cm no máximo) decorativa, com flores vermelhas escarlates e grãos roxos marmoreados com preto.
Phaseolus coccineus 'Scarlet Emperor'roxo roxo do feijão com salpicos pretos e as flores vermelhas brilhantes. Altura: 4 metros. Tolerante a climas frios.
Embora o feijão espanhol seja uma planta de verão (dias longos), um excesso de calor (temperaturas acima de 25° C) estimula a floração, mas evita a frutificação; verões muito quentes você vai ter belas flores, mas não vagens! Em contraste, na estação de crescimento, o feijão espanhol pode suportar temperaturas relativamente baixas para um feijão, da ordem de 12° C.

chão
Rico e drenante (No entanto, suporta mais umidade do que a maioria dos feijões).

Sementeira e plantio
Semear sementes de feijão espanhol no lugar em maio, 5 cm de profundidade, em linha a cada 10 a 20 cm ou em bolsas de 5 sementes a cada 50 cm. A semeadura sob abrigo e em um balde é possível três semanas antes do transplante, no início de maio.

Os feijões da Espanha estão subindo principalmente; plano para estacas sólidas ou treliça de modo que as hastes retorcidas se apegam.

manutenção
A água é um elemento importante em todo o cultivo de feijão espanhol. Mantenha o solo úmido até que as sementes sejam levantadas e tomar novamente a rega abundante no momento da floração e a formação das vagens.

Assim que as plantas estiverem altas o suficiente, irrita os pés.

Plantas associadas
Mexicanos tradicionalmente cultivavam feijão espanhol em combinação com milho. o tomate ou abóbora também são bons companheiros, como para outros feijões.
Evite a proximidade de Alliaceae (alho, cebola, alho-poró...).

Leia: Cultive as 3 irmãs: milho, feijão, abóbora

A colheita de feijão espanhol
A colheita de feijão espanhol pode começar com o jovens vagens, para consumir como mangetouts, ou quando o pod está cheio, para o grãos frescos, ou quando a vagem está seca, por grãos secos.
Cuidado com infestações de bruch: guarde seus grãos em potes hermeticamente fechados ou no freezer.


segunda-feira, 7 de junho de 2021

PANCS: Jurubeba (Solanum scuticum)

 

Jurubeba (Solanum scuticum)

Planta semi-perene, de porte médio, com altura variando de 1,5 a 3,0 m. O nome vulgar deriva do tupi “yú”, espinho, e “peba”, achatado. É alógama e dependente de abelhas e melíponas para polinização.

Nomes comuns – Jurubeba, jubeba e jurubeba de conserva.

Família botânica – Solanaceae, a mesma do tomate, batata e berinjela.

Origem – América tropical, incluindo grande parte do território brasileiro.

Variedades – Há dois tipos que apresentam diferenças anatômicas bem nítidas: o de folhas em forma de coração com brotações em cor ferrugem e o de folhas dentadas sem esta coloração. Os frutos de ambas variedades são usados na alimentação humana, principalmente em Goiás e Minas Gerais, na região do Triângulo Mineiro.

Clima e solo – É muito rústica, tolerante à seca, própria de clima tropical e subtropical, adaptando-se a diversos tipos de solo.

Preparo do solo - Pode ser realizado pelo sistema convencional, adotando-se práticas conservacionistas, por meio de aração e gradagem, seguidos de coveamento e adubação, ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo), no qual o revolvimento é restrito às covas de plantio, deixando-se o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivos antecessores).

Calagem e adubação – É planta pouco exigente em fertilidade. Para que haja crescimento mais rápido, é interessante que seja mantido bom nível de matéria orgânica no solo. Como ocorre em solos de matas de galeria e de “mata seca”, é recomendada a calagem seguindo as recomendações da análise do solo. Na adubação pode se usar 200 g de fosfato natural por cova e 300 g de composto orgânico parcelado em três vezes durante o ciclo da cultura.

Plantio – Recomenda-se o plantio em recipientes individuais, semeando-se três ou quatro sementes por recipiente, as quais germinam 15 dias após a semeadura. O desbaste deve ser realizado 30 dias após a semeadura, deixando somente uma planta por recipiente, a mais vigorosa e aos 60 dias pode ser feito o transplantio para o campo. O espaçamento sugerido é de 2,5 m entre linhas e 1,0 m entre plantas na linha, para variedades de porte mais baixo, e 3,0 x 1,0 m para as de porte mais alto. A época ideal para o plantio é o início do período chuvoso.

Tratos culturais – Deve-se proceder capinas periodicamente, quando necessário, para evitar a concorrência com plantas infestantes. A planta deve ser mantida com a altura máxima de 2,0 m para facilitar o manejo e a colheita. Quando a altura ultrapassar esse limite, recomenda-se a poda do ponteiro na altura de 1,70 m. Não existem atualmente no Brasil estudos que identifiquem as principais pragas e doenças da cultura

Colheita e pós-colheita – A colheita é iniciada aos seis meses após o plantio, podendo ser estendida por seis meses; colhe-se do primeiro ao terceiro ano de cultivo. Os cachos com os frutos são colhidos ainda verdes em razão das sementes de frutos maduros serem muito duras e fibrosas. Recomendam-se o uso de tesoura de poda para cortar os cachos e luvas de couro para proteção contra os espinhos. O rendimento da cultura pode variar de 10 a 15 ton/ha.

Os cachos com frutos imaturos devem ser embalados em bandejas forradas com filme de PVC ou caixinhas de acrílico, com peso líquido de cerca de 300 g. A comercialização é feita em feiras livres e em frutarias “sacolões”, em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e outros Estados.

A forma mais comum de consumo da jurubeba é através do processamento sob a forma de conserva dos frutos verdes, o que lhe confere vida de prateleira de até um ano ou mais. Também é muito utilizada cozida com outros ingredientes, como arroz.

Além de seu uso como alimento, a jurubeba recebe destaque por sua resistência como potencial porta-enxerto de tomateiros visando controle de patógenos do solo, tais como nematoides

Figuras 66 e 67: Jurubeba, planta e frutos

Figuras 68 e 69: Jurubeba em bandeja e em conserva



segunda-feira, 31 de maio de 2021

PANCS: Junça (Cyperus esculentus)

 

Junça (Cyperus esculentus)

É uma ciperácea, ou seja, planta da família das tiriricas, com até 50 cm de altura e que produz rizomas ovóides comestíveis. Apresenta desenvolvimento diferenciado da tiririca comum (Cyperus rotundus) por formar pequenas touceiras. Dispersa pelo planeta, é geralmente considerada invasora nas lavouras. No Brasil, ainda é muito pouco utilizada. Entretanto, é alimento valorizado na Espanha, França, México e Estados Unidos, entre outros países. Ocorre espontaneamente em várzeas e, por sua rusticidade, produz mesmo em solos depauperados. Em geral, seu uso no Brasil está associado ao manejo (manutenção e coleta) de plantas espontâneas. Não há relatos de cultivo agrícola em campo aberto propriamente dito, somente algumas experiências empíricas de cultivo em recipientes sob telados, até mesmo para não haver a mistura com outras tiriricas não comestíveis, o que certamente aumenta sua produtividade.

Nomes comuns – Junça, tiririca-amarela, “caparé” (nome krahô), chufa (Espanha), amêndoa-da-terra (“almond earth” em inglês e “amande de terre” em francês).

Família botânica – Ciperaceae, a mesma das tiriricas.

Origem – É encontrada espontaneamente nas Américas, África e Eurásia, sendo considerada erva cosmopolita.

Variedades – Não se observa grande variabilidade morfológica.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas elevadas, acima de 28ºC. Contudo, é possível sua produção em regiões com inverno frio durante o verão ou sob condições controladas. Extremamente rústica, adapta-se a vários tipos de solo, sendo comum sua ocorrência espontânea em locais encharcados.

Preparo do solo – O plantio sistematizado pode ser feito em canteiros suspensos ou sob condições controladas, preferencialmente em recipientes, para evitar a mistura com outras ciperáceas não comestíveis como a tiririca comum (Cyperus rotundus) ou, como é realizado em outros países, em áreas reconhecidamente isentas de outras ciperáceas.

Calagem e adubação – Recomenda-se, quando cultivada, a correção do pH do solo ou substrato para 5,5 a 5,8 e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro.

Plantio – A propagação é feita por rizomas, que chegam a aproximadamente 2 cm de diâmetro. Recomenda-se espaçamento de 10 x 10 cm ou 15 x 15 cm. Em regiões quentes ou sob condições controladas, o plantio pode ser realizado durante o ano todo; em locais com inverno ameno a frio, seu cultivo se restringe à primavera e ao verão.

Tratos culturais – Quando sob condições controladas, deve-se efetuar capinas manuais e irrigar diariamente ou a cada dois dias, a depender das condições climáticas, especialmente temperatura e umidade relativa, mantendo sempre os recipientes bem umedecidos por ser cultura adaptada a ambientes alagados. Deve-se suspender a irrigação a partir dos 90 dias, o que promove a formação dos rizomas. Não há relatos de danos causados por pragas e doenças.

Colheita e pós-colheita – A colheita é feita normalmente ao final do período chuvoso, quando há translocação dos nutrientes da parte aérea para os rizomas subterrâneos. Uma planta em vaso com 0,5 litros de solo produz cerca de 15 a 20 rizomas ou aproximadamente 30 g. Considerando um metro quadrado de canteiro com até 100 plantas, pode-se então obter até 3 kg/m2.

No Brasil, a junça é normalmente consumida crua ou torrada como aperitivo, particularmente saboroso, com paladar que se assemelha a amendoim misturado com coco. Pode ser encontrada em alguns pontos de venda (feiras e mercearias) no Ceará, sendo muito apreciada por populações tradicionais da região Nordeste, do Ceará ao Maranhão, e no Estado do Tocantins. Na Espanha, especialmente na Catalunha, e no México, é matéria-prima de uma típica bebida chamada “horchata”.







quinta-feira, 27 de maio de 2021

PANCS: Jambu (Spilanthes oleracea)

 

Jambu (Spilanthes oleracea)

Folhosa cultivada em regiões equatoriais e tropicais. É uma herbácea perene, com crescimento predominantemente prostrado, atingindo cerca de 30 a 40 cm de altura. Possui flores amarelas e suas diminutas sementes germinam somente sob condições climáticas ideais.

Nome comum – Jambu.

Família botânica – Asteraceae, a mesma da alface. Origem – Região Amazônica.

Variedades – Existe pequena variabilidade, bastante semelhantes entre si, ocorrendo na prática a manutenção de variedades locais. Particularmente distinta é a variedade Nazaré, lançada pela Embrapa Amazônia Oriental, com a inflorescência bem mais alongada e o característico sabor e efeito de amortecimento mais intenso que a variedade comum.

Clima e solo – Exige clima quente e úmido, com temperaturas acima de 25ºC. Não tolera seca, nem baixas temperaturas, tendo seu crescimento reduzido abaixo de 18ºC e paralisado abaixo de 10ºC. Os solos devem ser bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – Após as práticas de aração e gradagem, efetua-se o encanteiramento. Entretanto, como é geralmente cultivada em pequenas áreas, as operações costumam ser feitas manualmente com auxílio de enxadas. Os canteiros devem ser semelhantes aos usados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 0,1 a 0,2 m de altura.

Calagem e adubação – A calagem deve ser feita em função da análise de solo, aplicando calcário visando atingir pH entre 5,5 e 6,5. Devido a sua rusticidade, recomenda-se a adubação somente com composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Plantio – A propagação é feita por sementes botânicas ou pelo enraizamento de ramos em recipientes, com atenção para que as atividades sejam realizadas à sombra. O espaçamento deve ser de 20 a 25 cm entre plantas. Em regiões de clima quente e úmido, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro. Em regiões tropicais com inverno ameno, o plantio pode ser realizado de outubro a março.

Tratos culturais – Não apresenta grandes exigências no cultivo, recomendando-se somente a realização de capinas manuais e irrigação quando necessário. Também é bastante tolerante a pragas e doenças, sendo atacado esporadicamente por vaquinhas e idiamin. Todavia, existem relatos de apodrecimento de plantas provocado por fungos de solo.

Colheita e pós-colheita– A colheita de ramos é feita a partir de 45 a 50 dias após o plantio, quando atingem de 20 a 30 cm. A planta pode produzir durante quatro a seis meses, até a necessidade de renovação. Produz cerca de dois a três maços/ m2 a cada 2 a 4 semanas, cada maço com cerca de 100 g, o que equivale a 2 kg/m2.

As folhas do jambu são consumidas cozidas, especialmente em caldeiradas de peixe. Faz parte de pratos típicos do Pará e Amazonas, como o tacacá, que é feito à base de goma de mandioca, tucupi, jambu e camarão seco. Apresenta paladar muito peculiar, especialmente quando se utilizam as pequenas flores amarelas, algo como um amortecimento inebriante das mucosas e salivação. A conservação é curta por se tratar de hortaliça folhosa bastante tenra. Pode ser embalada em sacos plásticos e colocadas na parte baixa da geladeira, prolongando sua vida útil.

Figuras 61 e 62: Jambu, variedades comum e Nazaré



quinta-feira, 20 de maio de 2021

pancs: Jacatupé (Pachirhyzus tuberosus)

 

Jacatupé (Pachirhyzus tuberosus)

O jacatupé, também chamado de feijão-macuco ou feijão-batata, é mais consumido na Amazônia Ocidental, especialmente por populações indígenas, mas há relatos de seu cultivo e consumo em Minas Gerais e Goiás, entre outros estados. Herbácea trepadora, pode atingir até 3 m de altura quando tutorada. As folhas são alternadas, compostas e trifolioladas, e a inflorescência é racemosa. Produz raízes tuberosas, em geral, em pequeno número, com casca marrom e polpa branca, podendo chegar a quatro ou cinco quando em boas condições de fertilidade e manejo.

Nomes comuns – Jacatupé, feijão-macuco, feijão-batata.

Família botânica – Fabaceae.

Origem – América tropical.

Variedades – Existe grande variabilidade genética, ocorrendo seleção e manutenção de variedades locais, normalmente sem nome ou registro sistematizado e de difícil identificação. Existe relato de duas outras espécies do mesmo gênero cultivadas: Pachyrrhizus erosus, muito usada no México e conhecida popularmente como jicama; e P. ahipa, nativa do Peru/Bolívia, chamada popularmente de ahipa e bastante consumida pelas populações locais.

Clima e solo – Desenvolve-se plenamente em regiões tropicais úmidas, mas se adapta a cultivos de verão em outras regiões do Brasil. Os solos devem ser profundos, bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica. Desenvolve-se melhor em solos arenosos.

Preparo do solo – As atividades de preparo do solo Consistem na realização de aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. Seguida do enleiramento e da adubação. No Brasil Central, em Goiás e em Minas Gerais, há relatos de seu plantio em meio à plantação de milho, usando este como tutor.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo com antecedência e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,8 e 6,3. A adubação deve ser baseada nos níveis de nutrientes observados na análise de solo. Como não há recomendações específicas para jacatupé, sugere-se utilizar as recomendações para batata-doce, isto é, até 180 kg/ha de P2O5, 90 kg/ha de K2O e 60 kg/ha de N, além de 10 ton/ha de esterco de curral curtido ou composto orgânico (COMISSÃO, 1999), fornecendo 50% do K e 25% do N no plantio e o restante em cobertura, 30-40 e 75-90 dias após o transplantio.

Plantio – A propagação é feita por sementes, com o semeio diretamente no local definitivo, dispondo-se duas a três sementes por cova, devendo-se desbastar posteriormente. A emergência ocorre normalmente em três a quatro dias, sendo a germinação bastante fácil, sem a necessidade de tratamento específico. O espaçamento deve ser de 0,8 a 1,0 m entre as leiras, e de 0,4 a 0,5 m entre plantas nas leiras.

Na Amazônia, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, durante o início do período chuvoso.

Tratos culturais – Deve-se reduzir a competição por plantas infestantes por meio de capinas manuais. Caso seja necessário, deve-se irrigar, apesar da cultura ser bastante tolerante à seca, lembrando-se que o cultivo é normalmente realizado em época chuvosa sem irrigação. Apesar de ser planta trepadora, o tutoramento parece não influir significativamente na produção de raízes, portanto, apesar de facilitar a realização dos tratos culturais, pode ser dispensado. Para aumentar a produção de raízes, é interessante podar as inflorescências em seu estágio inicial, visto que estas representam forte dreno de nutrientes, reduzindo drasticamente a produção de raízes. Para obter sementes, deve-se selecionar as plantas mais vigorosas para serem as matrizes, deixando que floresçam plenamente e produzam os frutos (vagens) e as sementes.

A escolha da área de plantio e o uso de sementes de plantas sadias são as práticas mais importantes para uma boa produção, sendo o cultivo bastante rústico e adaptado. O ataque de insetos desfolhadores, como vaquinhas, usualmente, não causa danos que levem à redução na produção de raízes. Entretanto, em relação a doenças, a podridão causada por Fusarium spp. é importante, assim como a incidência de nematoides dos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus , os quais podem afetar severamente a cultura.

Colheita e pós colheita – Pode ser feita a partir de cinco meses após o plantio em algumas regiões, porém com mais frequência aos seis ou sete meses, não sendo recomendado armazenar o produto no solo pela perda da sua qualidade, ficando muito fibroso. É comum uma única planta produzir mais que 5 kg, mas observa-se, em geral, elevada desuniformidade de produção. Após a colheita, as raízes devem ser lavadas e secas à sombra. A produtividade pode superar 30 ton/ha. O consumo das raízes tuberosas é feito, normalmente, na forma de saladas cruas, raladas ou em pedaços. Pode-se ainda produzir farinha ou extrair o polvilho para fabricação de pães e biscoitos, bolos e pudins. Destaca-se por ser fonte de amido de boa qualidade o pelo teor de proteínas das raízes, superior a 9% da matéria seca. Embora as vagens imaturas possam ser consumidas depois de cozidas; vagens maduras, folhas e sementes são tóxicas. O jacatupé também pode ser utilizado como matéria-prima na indústria de alimentos, incluindo a produção de xarope de glicose.



Figuras 58, 59 e 60: Jacatupé, planta, raízes, raiz cartada



segunda-feira, 10 de maio de 2021

Pancs: Inhame (cará) (Dioscorea spp.)


Inhame (cará) (Dioscorea spp.)

Inhame é o nome genérico que agrupa grande número de espécies do gênero Dioscorea, herbáceas trepadeiras que produzem tubérculos subterrâneos comestíveis, as túberas. Amplamente cultivado em regiões tropicais, é alimento básico na África Central, especialmente na Nigéria, maior produtor mundial com cerca de 3 milhões de hectares, Camarões e Gana. Também é alimento importante nas Américas Central e do Sul, na Ásia e nas ilhas do Pacífico. No Brasil são cultivados cerca de 25 mil ha anuais (FAO, 2009), principalmente na região Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Maranhão). Na região Sudeste, o nome comum é “cará”, enquanto o termo “inhame” é equivocadamente usado para plantas do gênero Colocasia. Pelo mundo afora, é denominado: yam, em inglês; ñame, em espanhol; e igname, em francês. Assim, no I Congresso de Inhame e Taro, realizado em 2002, discutiu-se a necessidade de padronização da terminologia, e foi acordado que, a partir de então, inhame passaria a referenciar o gênero Dioscorea e taro o gênero Colocasia. O certo é que da padronização técnica ao uso popular dos termos estabelecidos existe um grande salto.

Nomes comuns – Inhame e no Centro-sul do Brasil, é conhecido por cará.

Família botânica – Dioscoreaceae.

Origem – As espécies cultivadas no Brasil têm por centro de origem os continentes africano (Dioscorea cayanensis) e asiático (D. alata). Existe, também, um grupo de dioscoreáceas nativas do Brasil Central, a exemplo da Dioscorea trifida.

Variedades – As principais variedades de Dioscorea cayenensis L são: cará-da-costa, cará tabica, cará negro, cará espinho freire. As principais variedades de D. alata L. são: cará São Tomé, cará roxo, cará pezão, cará mandioca, cará Flórida, cará mimoso, roxo de lhéus, cará Sorocaba. Grupos indígenas do Brasil Central utilizam variedades locais, notadamente de D. trifida. As cultivares também podem ser divididas em relação a ter ou não espinhos. Com espinho: cará espinho freire, cará barbados, cará-da-costa. Sem espinho: cará Flórida, cará negro, cará São Tomé. Em Pernambuco e Paraíba, a variedade mais plantada é o cará-da-costa, cujo caule mede até 4 m de comprimento. Apresenta tubérculos com película escura, polpa branca e enxuta, formato alongado cilíndrico e boa aceitação comercial. No Sudeste, cultivam-se as variedades Flórida, Mimoso e São Tomé, que têm tubérculos com casca marrom-clara, formato alongado, polpa granulosa branca ou ligeiramente creme e boa aceitação comercial.

Clima e solo – Planta de clima tropical, o inhame desenvolve-se bem em regiões quentes e úmidas, com temperatura média entre 25ºC e 30ºC, chuvas em torno de 1.200 a 1.500 mm por ano, com estação seca definida de dois a cinco meses. A planta não tolera frio e geadas. Pode ser plantada em diversos tipos de solo, mas desenvolve-se melhor em solos leves, de textura média, profundos, com boa drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade. Deve-se evitar solos ácidos, solos com textura muito argilosa e os muito declivosos, sujeitos à erosão.

Preparo de solo – O preparo do solo pode ser mecanizado, com aração a 25-30 cm de profundidade, e gradagem, seguindo-se o enleiramento ou o levantamento de covas altas - “matumbos”. O enleiramento pode ser manual ou mecanizado com o uso de sulcadores formando leiras (camalhões) com 25 a 30 cm de altura, enquanto os matumbos são feitos com enxada, cobrindo-se o adubo disposto manualmente ao puxar solo formando covas altas que podem chegar a 30-40 cm de altura. O plantio em leiras ou matumbos reduz problemas como o apodrecimento dos tubérculos e facilita o arejamento e a drenagem do solo e a colheita.

Calagem e adubação – É planta rústica, mas responde à adubação em solos empobrecidos. É comum aproveitar-se o efeito residual dos fertilizantes utilizados em culturas anteriores ao inhame. Com base em resultados da análise de solo, deve-se corrigir a acidez do solo para se chegar à saturação de bases em 60%. Recomenda-se a adubação de plantio com até 120 kg/ha de P2O5 e 100 kg/ha de K2O, conforme a disponibilidade desses nutrientes no solo e em cobertura, 60 kg/ha de N em duas aplicações, 60 e 90-120 dias após o plantio. Em solos com baixo teor de matéria orgânica, podem ser usadas 10 ton/ha de esterco de curral curtido ou composto orgânico.

Plantio – As túberas apresentam dormência, por isso deverão ser armazenadas em ambientes arejados e escuros para forçar o entumescimento das gemas, cuja dilatação indica que já podem ser plantadas. Túberas inteiras, com 100 a 200 g de peso médio, são as ideais para o plantio. Entretanto, é difícil obter material comessas características em quantidade. O método de “capação” é uma alternativa para produção de túberas menores, consistindo na retirada cuidadosa de túberas graúdas aos 5 ou 6 meses, promovendo a formação de pequenas túberas em cerca de 90 dias. Também há o método de produção de “minitúberas em sementeira” (pedaços com 50 a 70 g plantadas no espaçamento de 20 x 20 cm por 30 a 60 dias), e ainda pode-se utilizar túberas partidas em pedaços com cerca de 100 a 200 g para o plantio; todavia o corte pode aumentar as taxas de apodrecimento e falhas na lavoura. Os tubérculos devem ser plantados enterrados no alto dos camalhões ou matumbos, em torno de 5 cm de profundidade. O espaçamento para o sistema em matumbos é de 1,0 a 1,2 x 0,8 m entre plantas. Para o plantio em camalhões, o espaçamento é de 1,2 m entre as linhas e 0,5 a 0,6 m entre plantas. O plantio deve ser realizado no início do período chuvoso, que normalmente ocorre, no Sudeste, entre setembro e novembro, e no Nordeste, a partir de novembro a fevereiro.

Tratos culturais – Após o brotamento do tubérculo, deve-se efetuar o tutoramento das plantas, formando-se espaldeiras com 1,8 a 2,0 m de altura. O tutoramento também pode ser individual, com bambu ou madeira para cada uma ou duas plantas. A variedade Flórida dispensa tutoramento por ter a parte aérea  mais tolerante a patógenos. São necessárias capinas e amontoas ao longo do ciclo da cultura e recomendada a aplicação cobertura morta em torno da planta, o que facilita o controle de plantas infestantes e proporciona maior estabilidade hídrica e térmica melhorando a produtividade. A lagarta das folhas (Pseudo plusia) e a broca do inhame (Xystus arnoldi) são as principais pragas que atacam o inhame, mas também podem haver pragas generalistas como formigas cortadeiras (Atta sp.) e cupins de solo. Entre as doenças, a casca preta, que provoca lesões escurecidas nas túberas, causada pelo nematóide Scutelonema bradys, tem sido devastadora em algumas regiões. Na Bahia, há relatos de que o plantio sucessivo por décadas sem os devidos cuidados com a qualidade das túberas-semente e com rotação de culturas tem inviabilizado o cultivo pelo ataque severo desse nematoide. Também ocorre incidência do nematóide das galhas, Meloydogine spp. Outras doenças são a queima das folhas, causada por Curvularia spp., mosaico e antracnose. É de fundamental importância a escolha de local de plantio sem histórico de doenças e o uso de túberas sadias para a propagação.

Colheita e pós-colheita– A colheita é iniciada, aproximadamente, a partir de 6 meses após o plantio no caso de colheitas precoces, especialmente quando se usa o método de capação para produção de túberas-sementes, mas o mais comum é colher as túberas maiores com 8 a 9 meses. O ponto de colheita é indicado quando as plantas apresentam folhas amareladas e os ramos começam a secar. A colheita é manual, podendo-se utilizar arado de aiveca para auxiliar na retirada das túberas do solo. Se não forem comercializados de imediato, as túberas devem ser armazenadas à sombra, sem lavar, podendo permanecer conservadas por mais de 15 dias em locais arejados e secos, sem necessidade de refrigeração. Para comercializar, as túberas devem ser lavadas, selecionadas, embaladas, sempre à sombra. A produtividade varia de 10 a 20 ton/ha, apesar do potencial produtivo superior a 40 ton/ha.

As túberas do inhame são altamente energéticas, ricas em carboidratos, amido, vitaminas do complexo B e minerais, possuem baixo teor de gorduras e são reconhecidas pelas propriedades depurativas do sangue. Pode ser consumido de diversas formas, cozido, frito, assado, em pirão, sopas, cremes, pães, bolos, biscoitos, panquecas e tortas. Pode substituir a batata em vários pratos.

Figuras 54 e 55: Inhame, planta e túberas

Figuras 56 e 57: Inhame, variedades Pezão e Roxo



terça-feira, 27 de abril de 2021

PANCS: Gila (Cucurbita ficifolia)

 

Gila (Cucurbita ficifolia)

Planta de extrema rusticidade quando em clima adequado, foi introduzida no Brasil pelos açorianos, fazendo parte da tradição culinária em Portugal e Rio Grande do Sul onde, no município de Bom Jesus, todos os anos ocorre a festa da gila, em que são oferecidos produtos regionais feitos a partir do fruto. Em regiões frias do Sul de Minas Gerais, é encontrada em pequenas hortas. Sua tolerância a baixas temperaturas, rara em cucurbitáceas, a tem tornado excelente porta-enxerto para pepino e melão em cultivos de inverno, em casas de vegetação. Os frutos possuem casca dura e facilmente destacável quando madura e polpa carnosa, com sementes pretas achatadas.

Nomes comuns – Gila, abóbora de Malabar (malabar gourd).

Família botânica – Cucurbitaceae, a mesma da abóbora e melancia.

Origem – Américas, provavelmente de regiões elevadas do México. Foi levada para Europa pelos espanhóis e chegou ao Brasil pelos portugueses, especialmente açorianos que imigraram para o Rio Grande do Sul.

Variedades – Observa-se alguma variabilidade com relação ao formato, mais ou menos arredondado. Recentemente a Embrapa Clima Temperado lançou a cultivar BRS Portuguesa.

Clima e solo – Proveniente de regiões de elevada altitude, a gila desenvolve-se melhor em climas subtropicais a temperados sob temperaturas mais amenas. Seu cultivo é tradicional nos Andes peruanos, em locais de altitude, acima de 2.500 m. No Brasil, desenvolve-se mais facilmente em regiões acima de 1200 m na região Sudeste e acima de 800 m na região Sul, mas é possível o cultivo em áreas mais baixas. Mesmo sob temperaturas baixas, em torno de 10ºC continua florescendo. Possui boa adaptação a vários tipos de solo, sendo mais recomendados solos que apresentem textura média ou areno-argilosos.

Preparo do solo – Pode ser feito pelo sistema convencional ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo). No preparo convencional, realiza-se aração e gradagem, adotando-se práticas conservacionistas, seguidos de coveamento e adubação. No sistema de plantio direto, o revolvimento é restrito às covas de plantio, deixando-se o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivos antecessores).

Calagem e adubação – Apesar da rusticidade em locais de clima adequado ao seu cultivo, responde à correção e à adubação. Para calagem, deve-se considerar a saturação de bases em 65%. Como não há estudos específicos para gila, sugere-se seguir a recomendação de adubação para a melancia com até 120 kg/ha de P2O5, 48 kg/ha de K2O e 36 kg/ha de N, além de 10 ton/ha de esterco de curral curtido (COMISSÃO, 1999). Na adubação de cobertura, a recomendação de N é de até 84 kg/ha e 72 kg de K2O, os quais podem ser aplicados em duas vezes, 15 a 20 dias e 35 a 40 dias após o transplantio.

Plantio – Em geral, o plantio é feito no local definitivo, dispondo-se 3 ou 4 sementes por covas e, deixando-se 1 ou 2 plantas mais vigorosas 20 dias após o semeio. Também podem ser produzidas mudas em bandejas ou em recipientes individuais (copinhos de jornal ou plástico, por exemplo). O transplantio é realizado 15 a 20 dias após o semeio, quando tiverem quatro a cinco folhas. Utiliza-se o espaçamento de 2,0 m x 2,0 m. Deve ser plantada em épocas do ano que apresentem temperaturas mais amenas, nas diversas regiões do Brasil. Em regiões muito frias do Sul, como nos campos de altitude do Rio Grande do Sul, o plantio é feito no final do verão, efetuando-se a colheita quando se iniciam as geadas a partir de maio-junho.

Tratos culturais – Pode-se deixar os ramos crescerem à vontade; é comum uma planta, quando isolada, produzir até 20 frutos. Recomenda-se a realização de capinas e irrigações necessárias ao desenvolvimento das plantas. É bastante tolerante a doenças, mas pode haver ocorrência de fungos, bactérias e viroses, especialmente em climas mais quentes. As pragas mais comuns são brocas que se instalam nos frutos quando no início do desenvolvimento, mas por ser cultivada em climas amenos, sob baixas temperaturas, a ocorrência é menor que em outras cucurbitáceas.

Colheita e pós-colheita – Após 80 a 100 dias do semeio, a planta apresenta frutos prontos para serem colhidos. Os frutos, que podem pesar de 4 a 6 kg, deverão ser colhidos e armazenados à sombra. A produtividade pode variar de 10,0 a 25,0 ton/ha. No Rio Grande do Sul, a polpa cozida do fruto maduro é utilizada no preparo de doces e sobremesas, como o tradicional doce de gila, sendo também usada em pratos salgados, como lasanhas, empadas e saladas. Realiza-se anualmente a cada inverno em Bom Jesus, município gaúcho localizado nos campos de cima da serra, a tradicional festa da gila. Em Portugal, é matéria-prima para doces tradicionais






terça-feira, 13 de abril de 2021

PANCS: Fisalis (Physalis angulata)

 

Fisalis (Physalis angulata)

A physalis (lê-se fisalis) é um arbusto semi-prostrado, de caule ereto e ramificado, que pode atingir até 2,5 metros de altura quando tutorado. Ocorre em praticamente todo território nacional, mas é nos países andinos como Peru e Equador que assume importância comercial, sendo comum nas feiras das cidades. Produz pequenos frutos, redondos e de coloração variada (verde, amarela, laranja ou vermelha), envolvidos por um casulo de finas folhas modificadas. No Brasil, além do uso em menor escala, em hortas caseiras ou mesmo fruto de coleta de plantas espontâneas nos campos, tem aumentado a demanda de mercado e algumas regiões tem produzido physalis comercialmente, destacando-se a região de Lages, Santa Catarina.

Nomes comuns – Fisalis, canapu, camapu, joá-de-capote, saco-de-bode.

Família botânica – Solanaceae, a mesma do tomate e berinjela.

Origem – Brasil, nas regiões Sudeste, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Norte. Nos países andinos (Peru, Equador e outros), há variedades com frutos maiores de Physalis peruviana.

Variedades – Observa-se variabilidade com relação a porte da planta, tamanho e coloração dos frutos.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas amenas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém há variedades silvestres adaptadas a diferentes condições de clima, inclusive no Semi-Árido durante a época chuvosa. Extremamente rústica, adapta-se a vários tipos de solo, mas não tolera encharcamento.

Preparo do solo – O plantio sistematizado deve ser feito em linhas distantes de 1,0 a 3,0 m entre si, a depender da variedade e do manejo da cultura.

Calagem e adubação – Para produção sistematizada, recomenda-se a calagem, que deve ser feita em função da análise de solo, visando atingir pH entre 5,5 e 6,0. Como não existem estudos específicos para cultura, sugere-se a adubação com 10 a 20 ton/ha de composto orgânico e metade da adubação recomendada para jiló, isto é, até 100 kg/ha de P2O5, 800 kg/ha de K2O e 50 kg/ha de N, fornecendo todo o P, 30% do N e 50% do K no plantio e o restante em cobertura, aos 30 e 60 dias (COMISSÃO, 1999).

Plantio – A propagação é feita por sementes, normalmente efetuando-se a produção de mudas em bandejas. O espaçamento é de 1,0 x 0,5 m para variedades de pequeno porte. Porém, as variedades com frutos para mercado tendem a crescer bastante, devendo-se usar espaçamento de 2,0 a 3,0 m entre linhas por 1,0 a 2,0 m entre plantas. Pode ser plantado durante o ano todo em regiões de clima ameno, desde que haja disponibilidade de água. Em regiões muito frias, o cultivo deve se iniciar após as geadas, setembro-outubro.

Tratos culturais – Manter as plantas infestantes sob controle, por meio de capinas manuais. Irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos. O tutoramento em espaldeira facilita a colheita e reduz a ocorrência de podridão de frutos. Quando as planats são conduzidas sem tutoramento, muitos frutos se desenvolvem em contato com o solo aumentando o ataque de artrópodes e a incidência de bactérias e fungos decompositores. Também pode sofrer ataque por pragas generalistas como formigas ou gafanhotos.

Colheita – A colheita de frutos é feita a partir de 3 a 4 meses após o plantio em variedades silvestres com frutos pequenos e sob condições de clima mais quente e a partir de 5 a 6 meses após o plantio em variedades com frutos maiores e sob condições de clima ameno, perdurando por meses. Em produções comerciais, as colheitas devem ser diárias ou a cada dois dias respeitando o ponto de colheita, quando o cálice (capa ou casulo) que envolve a fruta muda de coloração, de verde para amarelo ou palha. A colheita deve ser cuidadosa, devido ao fruto ser bastante sensível, podendo ocorrer de forma manual, individual ou com auxílio de tesoura de poda, quando se colhem cachos. Para prolongar o período de armazenamento dosfrutos é importante que seja mantido o casulo dos mesmos. A produtividade pode atingir até 4 kg/planta quando em espaçamento bem aberto, rendendo próximo a 10 ton/ha.

Os frutos de cor amarela ou alaranjada, com sabor equilibrado entre o doce e o ácido, são mais consumidos in natura, muitas vezes em saladas à semelhança do tomate-cereja. Sendo também ingrediente para molhos, compotas, doces, geléias, sorvetes e licores. Recomenda-se a sua comercialização até 12 horas após a colheita. Caso contrário, os frutos podem ser armazenados por um período de 20 dias a temperatura de 18 °C e 70% de umidade relativa ou a 2oC por até 4 ou 5 meses.






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