segunda-feira, 20 de abril de 2020

Deficiências Nutricionais na Cultura da Cenoura



Nitrogênio

A deficiência de nitrogenio reduz o crescimento da planta. As folhas mais velhas ficam amareladas uniformemente e, com a evolução da deficiência, tornam-se avermelhadas. As condições que predispõem à deficiência são:

insuficiência de fertilizante nitrogenado;
elevado nível de material vegetal não decomposto no solo;
compactação do solo;
elevada intensidade de precipitação; e
condições desfavoráveis à mineralização da matéria orgânica.
A deficiência pode ser prevenida pela aplicação em cobertura, de fertilizantes nitrogenados.

Fósforo

Com a deficiência de fósforo as folhas mais velhas apresentam coloração castanho-arroxeada. Com a evolução da deficiência as folhas amarelecem e caem. As raízes apresentam desenvolvimento anormal.

A disponibilidade de fósforo depende principalmente do nível de fósforo no solo, tipo e quantidade de argila, época de aplicação do adubo fosfatado, aeração, compactação, umidade do solo e temperatura ambiente. A deficiência pode ser evitada com a distribuição de um fertilizante fosfatado solúvel distribuído a lanço e incorporado com gradagem.

A dose usual é de 4 kg/ha de P2O5 solúvel para cada 1% de argila constante da análise física do solo, ou aplicação de um fertilizante fosfatado antes do plantio, de acordo com a análise do solo.

Potássio

Com a deficiência de potássio as folhas mais velhas apresentam as margens dos folíolos queimadas. Com o avanço da deficiência, os pecíolos destas folhas coalescem, secam e morrem.

Solos arenosos com elevada lixiviação e elevados níveis de outros cátions, como magnésio e amônio, são as condições que predispõem à deficiência de potássio. A correção pode ser feita com adubação, em cobertura, à base de sulfato ou cloreto de potássio (60 Kg/ha de K2O) seguida de irrigação.

Cálcio

A deficiência de cálcio causa necrose dos pontos de crescimento das folhas novas. O pecíolo apresenta pequenas áreas coalescentes.

Há morte das folhas ainda com a coloração verde. Na raiz, a deficiência não é muito comum em condições de campo. Pode ser provocada pelo rápido crescimento da planta em temperaturas elevadas, baixo teor de água no solo e antagonismo com outros cátions como amônio, potássio e magnésio.

Para prevenir a deficiência deve-se fazer a neutralização da acidez do solo.

Magnésio

Com a deficiência de magnésio as folhas mais velhas ficam cloróticas nas bordas. Coloração levemente avermelhada aparece nas margens e se expande em direção ao centro dos folíolos. Pode ser confundida com a deficiência de nitrogênio ou virose. No caso de deficiência a sintomatologia é generalizada e não em plantas distribuídas ao acaso, como acontece nos casos de viroses.

Solos ácidos, arenosos, com alto índice de lixiviação, e a aplicação excessiva de nitrogênio amoniacal ou potássio favorecem o aparecimento da deficiência. A correção é feita com pulverização de sulfato de magnésio a 0,5%. Quando é utilizada a cal hidratada para correção do solo, devem ser aplicados 40 kg/ha de sulfato de magnésio (9,5% Mg) no plantio.

Boro

Quando ocorre deficiência de bóro, observa-se encrespamento das folhas, que se dobram para o solo e frequentemente tomam tonalidade vermelha ou amarela, podendo também ser confundida com viroses. As folhas novas são pequenas e é comum a morte do broto com aparecimento de necrose progressiva.

Na raiz, ocorre o fendilhamento longitudinal com posterior cicatrização (Figura 1). Excessiva aplicação de calcário em solos arenosos, excesso de N e elevado índice de precipitação predispõem à deficiência deste elemento. A deficiência pode ser evitada aplicando-se 20 kg/ha de bórax.

Fig. 1. Rachaduras em raízes de cenoura provocadas por desbalanço e/ou deficiência de boro



quarta-feira, 8 de abril de 2020

Adubação na Cultura da Cenoura


Adubação Orgânica

A cenoura responde à adubação orgânica especialmente em solos de baixa fertilidade e/ou compactados. É fundamental que o adubo orgânico esteja bem curtido. Tratando-se de esterco de gado, em geral aplicam-se 30 toneladas ou 60 metros cúbicos por hectare, antes do plantio. No caso de esterco de galinha, aplica-se um terço desta quantidade. A distribuição é feita a lanço sobre os canteiros, seguida de incorporação, que é feita utilizando-se enxada rotativa.

Adubação Química

A quantidade de fertilizantes a ser utilizada é calculada com base na análise química do solo, principalmente de acordo com seus níveis de fósforo e potássio, tendo como referência os valores indicados na Tabela 1.


Tabela 1.
 Recomendação de adubação para produção de cenoura em latossolos da região Centro–Oeste, com base na análise do solo .
Fósforo
Potássio 
Teor no solo
(mg dm³)
Dose recomendada de
P2O5 (Kg ha-1)
Teor no solo
(mg dm³)
Dose recomendada de
K2O (Kg ha-1)
< 10
400-600
< 60
200-300
10-30
200-400
60-120
100-200
30–60
100-200
120–240
50-100
> 60
50
< 240
0
Fonte: Adaptada de Emater-DF (1987)
















Além do fósforo e do potássio, devem ser aplicados no plantio mais 40 kg/ha de nitrogênio, 12 kg/ha de bórax (17,5% B) e 12 kg/ha de sulfato de zinco monohidratado (35% Zn). A adubação em cobertura deve ser feita com 40 kg/ha de nitrogênio (N). Nos plantios em épocas chuvosas, recomenda-se a aplicação de 60 kg/ha de N e 60 kg/ha de K2O, aos 30 e 60 dias após a emergência.

Normalmente, quando se incorpora o esterco de galinha na dosagem recomendada, a adubação de cobertura com nitrogênio pode ser dispensada, se o desenvolvimento das plantas for normal.

Adubação Foliar

A adubação foliar é uma alternativa raramente utilizada na cultura da cenoura. Visa prevenir ou controlar alguma deficiência mineral e/ou doença na planta, suplementando à aplicada ao solo. É realizada por meio de pulverizadores (costais ou motorizados) e equipamentos maiores tracionados por trator, ou ainda empregando-se avião agrícola.

Recomenda-se que sua aplicação seja prescrita por um engenheiro agrônomo, uma vez que a aplicação indiscriminada poderá causar plasmólise (desidratação) ou queima das folhas, compromentendo assim a produção, além da contaminação ambiental por metais pesados.

Análise foliar

A análise foliar permite observar se a planta está ou não bem nutrida. Ela consiste na determinação dos níveis dos diferentes nutrientes em tecidos vegetais, principalmente na parte aérea (folha + pecíolo) recém-formada, pois estes órgãos refletem melhor o estado nutricional da planta em determinada condição de solo, clima e manejo para a cultura, identificando casos de deficiência e toxicidade.

Permite ainda, distinguir sintomas provocados por agentes patogênicos, daqueles decorrentes por nutrição inadequada. Em outras palavras, ela corrobora a análise química do solo.

Entretanto, em regiões de difícil acesso a um laboratório, utiliza-se a diagnose visual da planta, que consiste em comparar o aspecto da planta problema com o padrão. Em havendo falta ou excesso de algum nutriente, isto será traduzido em anormalidades visíveis.

Para a análise foliar, recomenda-se fazer amostragem entre 50 e 60 dias após o semeio. Deve-se coletar pelo menos 50 folhas por hectare, escolhidas de forma aleatória.

É importante ressaltar que não se deve retirar amostras quando nos dias antecedentes ocorreu qualquer tipo de adubação no solo ou pulverização na planta. As amostras devem estar livres de danos ocasionados por insetos, doenças, fenômenos climáticos, ou tratos culturais.

As amostras assim coletadas devem ser acondicionadas em sacos de papel limpos, contendo orifícios médios de 0,5 cm de diâmetro (que podem ser feitos com a ponta de um lápis) e envia-las para o laboratório para análise devidamente identificadas. As amostras também poderão ser acondicionadas em sacos plásticos limpos e postos em caixa de isopor contendo gelo, ou em uma geladeira. Nestes dois últimos casos, o horticultor poderá envia-las ao laboratório em até 48 horas.

Em uma primeira aproximação, as faixas consideradas adequadas às concentrações de macro e micronutrientes em folhas cenoura, provenientes de experimentos de campo realizados em Brasília-DF e área do Entorno do Distrito Federal, são apresentadas na Tabela 2. Estas poderão serem utilizadas como referência para a identificação de problemas nutricionais da cultura.





Tabela 2. Teores médios adequados de nutrientes na massa seca da parte aérea* de cenoura cultivada em solos de cerrado do Distrito Federal e da região do Entorno. Embrapa Hortaliças, Brasília, DF, 2002.
Nutrientes
Teores Adequados
Macronutrientes
(g kg-1)**
N
20-33
P
2-65
K
20-50
Ca
8-26
Mg
2-35
S
2.5-5.3
Micronutrientes
(mg kg-1)***
B
29-53
Zn
20-75
Cu
9-25
Mn
25-350
Fe
20-400
Mo
0.3-1.2
Fonte: Laboratório de Nutrição Vegetal/Embrapa Hortaliças. Brasília-DF, 2002.
*Parte aérea (folha e pecíolo).
**g kg-1 = ppm
***mg kg-1 = % x 10

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Curiosidades sobre a Cenoura



A cenoura, proveniente do Afeganistão, é nossa fonte mais abundante de beta-caroteno. Também possui grande quantidade de vitamina A, um nutriente essencial para a saúde dos cabelos, pele, olhos e ossos.

As cenouras constituem um alimento ideal, com alto teor de fibras e poucas calorias. O seu cozimento, no entanto, aumenta o valor nutritivo da cenoura porque quebra as membranas que envolvem o beta-caroteno.

Para converter o beta-caroteno em vitamina A, o corpo necessita de, pelo menos, uma pequena quantidade de gordura, porque a vitamina A é solúvel em gordura, e não em água.

Servir cenouras cozidas com uma pequena porção de manteiga ou margarina assegura que o corpo será capaz de utilizar completamente esse nutriente. Cenouras cozidas ou em purê são excelentes alimentos para bebês já que são naturalmente doces e possuem alto teor nutritivo.

Enxergando no escuro
As cenouras não previnirão nem corrigirão os problemas de visão mais comuns, como a miopia e hipermetropia. Mas uma deficiência de vitamina A causa a chamada cegueira noturna - inabilidade dos olhos de se ajustar à luz fraca ou no escuro. A vitamina A combina-se com outra proteína a opsina nas células da retina para formar a substância necessária pelos olhos para ter uma boa visão à noite.




CENOURA
Tabela 1 - Principais cultivares de cenoura disponíveis atualmente no mercado e suas características
Cultivar
Formato das raízes
Ciclo
(dias)
Comprimento das raízes
(cm)
Resistência(R) ou Tolerância (T) à doenças
Clima mais favorável para cultivo
Brasília
Cilíndrica
90-100
15-22
R - queima das folhas
T - nematoide
ameno para quente
Kuronan
Ligeiramente cônica
100-120
15-25
R - queima das folhas
ameno para quente
Nova Kuroda
Ligeiramente cônica
100
15-18
R- alternária
ameno para quente
Prima
Cilíndrica
90-100
16-18
R - queima das folhas
ameno para quente
Nova Carandaí
Cilíndrica
80-90
18-20
R - alternária
ameno para quente
Nantes
Cilíndrica
90-110
13-15
-
frio
Harumaki Kinko Gossum
Ligeiramente cônica
85-110
16-18
T- queima das folhas
ameno
Tropical
Ligeiramente Cônica
80-90
20-25
R - queima das folhas
ameno para quente
Alvorada
Cilíndrica
100-105
15-20
R - queima das folhas
R - nematóides
ameno para quente
Fonte: Embrapa-Hortaliças e Catálogos de Companhias Produtoras de Sementes