sexta-feira, 3 de julho de 2020

PANCS: Bertalha (Basella alba)


Bertalha (Basella alba)

Planta trepadeira, vigorosa, de folhas espessas. Existem variedades de crescimento determinado e indeterminado, exigindo tutoramento semelhante ao realizado para vagem, em torno de 2m de altura.

Nomes comuns – Bertalha, bertália, espinafre indiano, espinafre tropical, folha tartaruga.

Família botânica – Basellaceae.

Origem – Subcontinente Indiano e Sudeste Asiático.

Variedades – Inpa 80, Inpa 81, Calcutá e Tatá são algumas variedades, mas na prática o que ocorre é a manutenção empírica de variedades locais pelos agricultores, muitas vezes sem conhecimento de seu nome. Há variedades de crescimento determinado e de crescimento indeterminado.

Clima e solo – Desenvolve-se melhor em regiões de clima quente, com temperaturas ideais para o crescimento entre 26ºC e 28ºC. Entretanto, é comum o cultivo em regiões serranas, de clima ameno, durante o verão. O solo deve ser leve, fértil e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – Pode ser feito pelo método convencional ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo). No caso do preparo convencional, realiza-se a aração e gradagem, atentando para a adoção de práticas conservacionistas. Em seguida, efetuam-se o coveamento e a adubação. No sistema de plantio direto, o revolvimento é restrito às covas ou linhas de plantio, deixando-se o solo protegido pela cobertura morta (palhada de gramíneas ou leguminosas) nas entrelinhas.

Calagem e adubação – As atividades devem ser feitas com base na análise de solo. Quando necessário, deve-se efetuar a correção da acidez do solo com antecedência e aplicar a quantidade e o tipo de calcário indicados, corrigindo-se o pH para 6,0 - 6,5. Não havendo recomendação específica, sugere-se seguir a adubação de plantio similar à recomendada para alface, reduzindo, no entanto, os níveis de nutrientes à metade, pela reconhecida rusticidade da bertalha. Assim, considerando a 5ª Aproximação para o estado de Minas Gerais, tem-se até 200 kg/ ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O, 75 kg/ha de N e 25 toneladas de esterco de curral curtido no plantio, fornecendo no plantio todo o adubo fosfatado e parte do adubo nitrogenado e potássico, além da adubação orgânica. A adubação de cobertura aos 15 e 20 dias deve ser feita com fontes nitrogenadas e, conforme o manejo, potássicas e com matéria orgânica. Após cada corte, deve-se realizar adubação nitrogenada, na dosagem de 30 kg de N/ha.

Plantio – A semeadura pode ser feita diretamente no local definitivo, no espaçamento de 0,8 m entre linhas por 0,5 m entre plantas nas linhas, para as plantas de crescimento indeterminado. Para as plantas de crescimento determinado, normalmente plantadas em canteiros, o espaçamento é 0,4 x 0,4 m. Também se pode produzir mudas em bandejas ou em recipientes individuais (copinhos de jornal ou plástico etc.). A profundidade de semeio deve ser de 0,5 cm. A temperatura ideal para germinação das sementes está entre 15 e 30ºC, levando de oito a dez dias para germinar. As mudas são transplantadas com 10 cm de altura, cerca de 20 dias após a germinação, quando apresentarem quatro a seis folhas definitivas.

Em regiões que apresentam clima mais quente, pode ser cultivada durante o ano todo. Em locais de temperaturas mais baixas, deve ser programado o cultivo na primavera ou início de verão.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição com plantas infestantes, no limpo, por meio de capinas manuais e/ou mecânicas. Quando se tratar de plantas de crescimento indeterminado, recomenda-se a utilização de tutores individuais ou de espaldeira semelhante à usada para tomate vertical ou feijão-vagem. A irrigação deve ser feita de acordo com as condições climáticas e de solo e as necessidades da planta. Entretanto, normalmente a irrigação é dispensada, pois o cultivo realiza-se no período das águas. Quanto aos problemas fitossanitários, é comum o ataque por insetos desfolhadores, especialmente vaquinhas, e por nematoides do gênero Meloidogyne que causam redução no desenvolvimento e na produção de plantas.

Colheita e pós-colheita – A colheita tem início 60 a 90 dias após o plantio. As folhas devem apresentar cor verde escuro, aspecto tenro e sem manchas, o usual é que os ramos sejam cortados com 30 a 40 cm de comprimento e posteriormente amarrados em maços. Todo manuseio da bertalha deve ser feito à sombra. A produtividade varia entre 15 e 30 ton/ha. A bertalha deve ser consumida logo após a colheita, pois se deteriora com relativa facilidade. Em temperatura ambiente conserva-se por um dia, desde que os ramos sejam mantidos imersos em uma vasilha com água. Para armazenamento em geladeira, deve-se embalar os maços em sacos plásticos, e coloca-lós na parte debaixo da mesma. Seu consumo ocorre na forma de refogados, na confecção de pratos com carnes, ovos e, quando ainda tenras, como salada crua. Os talos grossos também podem ser picados e refogados para enriquecer o arroz e o feijão.






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