Para o planejamento adequado da implantação e manutenção de uma área cultivada com brócolis, como em qualquer cultura, deve-se analisar previamente a composição de seus custos de produção. Essa análise é variável, tanto no que se refere à localização (propriedades em regiões diversas, com variados preços de insumos e custos logísticos diferentes), quanto no que diz respeito aos padrões tecnológicos empregados pelo agricultor (se utiliza alta ou baixa tecnologia, qual é o sistema de irrigação escolhido, se o manejo é convencional ou orgânico, entre outros). Inicialmente, levantam-se os gastos durante todo o período de produção, reunindo-os conforme o tipo de gasto e o cronograma das atividades.
A quantidade de insumos, serviços e máquinas, atreladas a uma unidade de área (geralmente o hectare), denomina-se coeficiente técnico de produção.
As unidades mais empregadas são: horas – para maquinário, trabalho humano ou animal – e quilograma, litro ou tonelada – para corretivos, fertilizantes, agrotóxicos e sementes. Para a obtenção do custo final, é necessário multiplicar os valores dos coeficientes técnicos pelos preços
unitários de cada fator. Para calcular os custos de produção de brócolis, pode-se utilizar como exemplo os coeficientes técnicos de produção de brócolis no Distrito Federal (Tabela 6), referente ao tipo inflorescência única, de acordo com a Emater-DF (2012).
Cada produtor ou técnico pode fazer a inserção de valores unitários ou de novos coeficientes técnicos de acordo com seu sistema de produção e preços regionais, visando à geração de custos de produção específicos
Subsequente à colheita, os produtos são levados para o galpão de embalagem, onde é feita a seleção quanto ao aspecto visual e à uniformidade das inflorescências, eliminando as com podridões ou danos fisiológicos.
A classificação de hortaliças por tamanho e qualidade tem como objetivo a separação do produto em lotes homogêneos, trazendo transparência na comercialização, melhores preços para produtores e consumidores, menores perdas e melhor qualidade, o que é primordial para essa cultura.
Ainda não há classificação de qualidade estabelecida para comercialização de brócolis no Brasil. Nas Centrais de Abastecimento, são comercializados brócolis em caixas de plásticos ou de madeira, comumente com 8 ou 12 “cabeças” do tipo inflorescência única. As caixas de madeira, embora ainda utilizadas, apresentam desvantagens, tais como contaminação microbiológica e danos mecânicos provocados por abrasão ou farpas.
Em alguns locais são utilizadas caixas plásticas maiores, com capacidade para um número elevado de inflorescências, visando ao mercado atacadista.
Esses engradados, porém, causam danos pelo atrito no transporte (Figura 30A). A longa distância de transporte requer que se mantenham folhas para proteção (Figura 30B), o que gera gastos ao comprador ou revendedor, sendo necessária mão de obra para sua posterior retirada. Pode-se, ainda, fazer a utilização de bandejas de poliestireno cobertas com filme plástico (Figuras 30C e 30D).
O tipo ramoso é comercializado comumente nas categorias extra ou especial, em embalagens com 12 maços. Para a indústria, são utilizadas as mesmas caixas plásticas, em alguns casos, com floretes já cortados (Figuras 31A e 31B).
Figura 30. Caixas de plástico e madeira utilizadas para transporte de inflorescências de brócolis com ou sembandeja e embalagem plástica.
Figura 31. Floretes cortados para a indústria de congelamento – transporte.
Armazenamento
De forma geral, a vida útil das hortaliças é inversamente proporcional à taxa respiratória do produto. Os brócolis apresentam uma das taxas respiratórias mais altas entre as hortaliças, e exigem maiores cuidados para manter a sua qualidade.
A temperatura é o fator que mais influencia na deterioração dos produtos vegetais.
A exposição dos brócolis a temperaturas inadequadas causa rápido amarelecimento dos botões florais e deterioração do produto.
Com isso, a começar pela colheita, o produto deve ser colhido nas horas mais frescas do dia, sem exposição ao sol, e colocado em locais sombreados. Se o produto for transportado por longas distâncias para comercialização ou para processamento, deve ser resfriado rapidamente após a colheita e, posteriormente, armazenado sob temperaturas de 0 oC a 5 oC.
A umidade relativa deve ser mantida em torno de 95%. De forma geral, para manter a boa qualidade dos brócolis, eles devem ser protegidos contra variações de temperatura, perda de água, gases prejudiciais ou voláteis e injúrias físicas durante o transporte e comercialização.
A temperatura ótima para o armazenamento dos brócolis é de 0 oC a 5 oC.
Os brócolis perdem água após a colheita por meio da transpiração e o produto pode murchar, tornando-se fibroso, murcho e sem sabor, o que compromete a aparência e o peso comercial. O vapor d’água dos tecidos vegetais tende a escapar, pois a umidade relativa do ambiente é usualmente menor do que 100%.
Sem a refrigeração, os brócolis apresentam curto tempo de comercialização – cerca de 2 dias. Em temperatura ambiente, as inflorescências perdem peso e coloração rapidamente, com degradação da clorofila (pigmento verde), alta taxa de respiração e ação de enzimas de oxidação.
Em temperatura ambiente, as inflorescências do tipo única comercializadas para consumo in natura têm vida útil pouco maior que as do tipo ramoso. Em geladeira doméstica, podem ser mantidas por até 4 dias, dentro de embalagens plásticas perfuradas.
Com a refrigeração, esse tempo pode ser estendido, o que propicia impacto favorável na distribuição e comercialização do produto.
É muito importante que a cadeia de frio não seja quebrada, caso contrário, pode-se propiciar uma camada de água na superfície do produto, criando ambiente favorável ao desenvolvimento de microrganismos e também ao amarelecimento dos floretes (Figuras 32A e 32B).
Nos Estados Unidos, os produtos altamente perecíveis como os brócolis são resfriados com gelo e transportados em caixas de papelão ou poliestireno (isopor), em caminhões do tipo baú. O uso de gelo é feito durante a colheita, no processo de embalagem realizado no campo ou em centrais deseleção. O gelo é picado ou injetado seco, colocado nas embalagens, preenchendo os espaços vazios, e tem contato direto com o produto recém-colhido. Além disso, ressalta-se que os brócolis, que normalmente perdem sua turgidez (água), recuperam-se aos poucos a partir da água resultante do derretimento do gelo, mantendo seu aspecto viçoso por maior tempo.
Figura 32. Inflorescências com sintomas de crescimento de fungos (circuladas em vermelho) e amarelecimento emdiferentes condições de temperatura e armazenagem.
Processamento mínimo
Frutas e hortaliças minimamente processadas são vegetais que passaram por processos, mas foram mantidos em seu estado fresco e metabolicamente ativos.
Esse processo propicia maior praticidade para o consumo. Os brócolis do tipo inflorescência única são tenros e permitem o processamento, por isso vêm ganhando mercado nos últimos anos.
As etapas do processamento mínimo de brócolis são as seguintes:
a) recepção e seleção da matéria-prima;
b) primeira lavagem e resfriamento rápido, corte dos floretes;
c) segunda lavagem, sanitização e enxague; d) centrifugação e secagem;
e) embalagem, selagem
e etiquetagem;
f) armazenamento e distribuição.
O fluxograma que apresenta essas etapas encontra-se na Figura 33.
Recepção, seleção e pesagem da matéria-prima - a matéria-prima, ao ser recebida, deve ser selecionada quanto à qualidade visual e uniformidade das cabeças de brócolis, características que facilitam todas as etapas de processamento, aumentando a produtividade e a qualidade do produto.
A pesagem da matéria-prima é necessária para controle do processo, formulação do produto e controle de qualidade.
Primeira lavagem e resfriamento rápido - a primeira lavagem da matéria-prima é feita em caixas plásticas ou tanques inoxidáveis, com água clorada ou detergente apropriado para lavagem de vegetais. A temperatura da água deve ser de 5 °C a 10 °C, para reduzir a sujidade dos floretes e o calor recebido no campo.
Corte e seleção dos floretes – os floretes devem ser cortados na base, com facas de aço inoxidáveis, bem afiadas e periodicamente desinfetadas.
Segunda lavagem e sanitização e enxágue– os floretes devem ser submetidos a uma nova lavagem, com água de boa qualidade em temperatura de 5 °C, a fim de retirar os possíveis resíduos que ainda restem, além de reduzir eventuais contaminações microbiológicas decorrentes da manipulação.
Para a sanitização, deve-se preparar uma solução de 100 mg a 150 mg de cloro para 1 L de água. Os brócolis devem ficar em contato com a solução por, no mínimo, 10 minutos. O produto deve ser enxaguado após o tratamento com cloro.
Centrifugação e secagem – os floretes devem ser submetidos à centrifugação para retirada do excesso de água, visando melhorar a apresentação e aumentar a vida útil do produto.
Embalagem, selagem e etiquetagem –o acondicionamento depende do mercado alvo, podendo variar de 1 kg a 5 kg para o mercado institucional, e de 200 g a 300 g para o mercado varejista. Após a pesagem do produto e seu acondicionamento, a embalagem de plástico é fechada e selada longitudinalmente com o auxílio de seladora elétrica.
Armazenamento e distribuição – o produto deve ser armazenado em câmaras frias entre 1 °C e 5 °C. Na distribuição e comercialização, o produto deve ser mantido em cerca de 5 °C, para que não ocorra perda da qualidade e para que todo o esforço dispensado nas etapas anteriores, desde o cultivo até processamento do produto, não seja perdido.
Depois do processamento, o produto deve ser distribuído o mais rápido possível em caminhões refrigerados à temperatura de 5 °C. Mantendo-se a cadeia de frio na comercialização, o produto pode ser conservado por até 15 dias.
A colheita é realizada manualmente, e as condições do produto nesse período determinam seu comportamento subsequente e sua qualidade final. Nesse contexto, no momento da colheita são necessários certos cuidados para que se obtenham características de boa qualidade no momento do consumo. Hortaliças como os brócolis, que são colhidos imaturos ou ainda em fase de crescimento, deterioram-se rapidamente porque têm atividade metabólica elevada e poucos nutrientes de reserva.
A forma e a compacidade dos brócolis são um importante critério para determinar o momento certo para a colheita. Os brócolis devem ser colhidos no estádio de desenvolvimento adequado e nos horários mais frescos do dia. A determinação do ponto de colheita dos brócolis não é tão simples e depende do tipo (ramoso ou de inflorescência única). Normalmente devem ser colhidos quando as inflorescências atingirem seu crescimento pleno, observando a uniformidade de formação dos botões florais.
A colheita requer bom padrão de higiene no campo, com uso de embalagens adequadas, normalmente contentores plásticos, limpos, desinfetados e que permitam empilhamento, a fim de reduzir o contato com o solo e facilitar o transporte.
No tipo ramoso, o início da colheita ocorre cerca de 90 dias após a semeadura e produz colheitas sucessivas, de 3 a 4 meses, com intervalos de 7 a 10 dias, juntando os ramos colhidos em maço(Figura 28A).
Contudo, a depender das condições ambientais, é possível que se tenha ciclos mais curtos ou longos. Como exemplo, na Amazônia Central, os produtores que dão preferência à cultivar Ramoso Piracicaba realizaram cinco colheitas, com no máximo 2 meses de produção, obtendo média de 700 g por planta.
Apesar de o rendimento produtivo médio estar abaixo da média nacional, em torno de 45% a menos, o ganho monetário de forma geral pode ser bem compensatório, desde que analisadas as vantagens e desvantagens do mercado na região. A confirmação da possibilidade de exploração dessa olerícola em escala comercial na Amazônia supera-se a cada ciclo, o que reforça a necessidade de novas pesquisas que possam incrementar a produtividade.
Para o tipo inflorescência única, o ciclo de produção pode variar de 90 a 130 dias.
A colheita é realizada com um corte na base da primeira folha, no momento em que as inflorescências atingem o crescimento
máximo, apresentando-se compactas e com os grânulos bem fechados (Figuras 28B e 29). Inicialmente, colhe-se a inflorescência principal; em seguida, em alguns casos, colhem-se também as laterais para o mercado in natura. Estas últimas são de menor diâmetro e são embaladas juntas em bandejas cobertas por filme plástico. A homogeneidade das colheitas é influenciada pelo clima e, principalmente, pela cultivar utilizada.
O mercado para consumo in natura tem dado preferência às inflorescências do tipo única, de coloração verde-escura, compactas, de boa granulometria, com tamanho médio, de 300 g a 400 g de peso e diâmetros entre 12 cm e 15 cm.
As indústrias processadoras preferem essas características, porém também utilizam inflorescências de maior peso e diâmetro. Para congelamento, os floretes de comprimento (da base ao topo) possuem tamanho padrão entre 4 cm e 10 cm e são cortados em campo pelos produtores fornecedores localizados em menor distância ou na própria indústria, em condições higienizadas.
A produtividade normal do tipo ramoso varia de 10 mil a 18 mil maços de 1 kg/ha.
Com relação ao tipo inflorescência única, podem ser colhidos mais de 20 mil plantas por hectare, dependendo do espaçamento utilizado, com produtividades que variam de 7 t/ha a 22 t/ha.
Figura 28. Inflorescências recém-colhidas: maços do tipo ramoso (A) e inflorescência única (B).
Desordens fisiológicas devem ser levadas em conta como um fator de importância crescente no cultivo de brócolis. Com a expansão da área de cultivo nas diferentes regiões, alguns problemas têm sido relatados com frequência. As cultivares apresentam diferenças no que se refere às desordens fisiológicas.
Algumas apresentam boa adaptação às diversas condições ambientais. Uma ampla avaliação experimental nas principais regiões de cultivo permite selecionar, com eficiência, cultivares com boa estabilidade.
Desse modo, a avaliação de cultivares quanto às desordens é fundamental para selecionar as mais adequadas às condições de cultivo.
Inflorescências (cabeças) e brotações laterais
É uma desordem causada por estresse decorrente da exposição a temperaturas elevadas, acima de 25 °C. Caso uma cultivar indicada para plantio no inverno ou meia-estação seja cultivada em condições de altas temperaturas, o meristema da planta se diferencia e, em vez de formar flores ou folhas, forma pequenas inflorescências (cabeças) ou brotações laterais (Figura 24), que competem com a inflorescência principal por água e nutrientes. Porém, para alguns mercados menos exigentes quanto ao aspecto visual e ao tamanho, especialmente para comercialização in natura, a formação de pequenas inflorescências laterais é aproveitada pelo produtor, colhidas após as centrais e vendidas agrupadas em bandejas cobertas por filme plástico.
Olho-de-gato
O olho-de-gato é uma desordem que se caracteriza pela abertura prematura das pétalas dos botões florais, que formam pontuações de cor amarela na inflorescência, em formato de roseta (Figura 25). A ocorrência dessa desordem depende da cultivar, mas normalmente ocorre no verão e é associada a altas temperaturas. Nesse caso, as inflorências estão fora do padrão para a
comercialização, portanto são descartadas.
Folhas e brácteas na inflorescência
Essa desordem normalmente torna a planta rígida e inapta à comercialização.
É causada pelo cultivo em condições adversas, tais como: deficit hídrico e altas temperaturas.
As plantas revertem a indução da fase reprodutiva, com a formação de inflorescências, para crescimento vegetativo.
Isso causa diminuição da “cabeça” e desenvolvimento de folhas ou brácteas em meio aos pedúnculos florais, tornando-as impróprias para a comercialização (Figura 26).
Caule oco ou talo oco
Caracteriza-se pelo aparecimento de uma cavidade nas partes internas do caule.
Esse distúrbio não é causado por um único fator, mas pela combinação de um ou mais fatores que intensificam o seu efeito, entre os quais estão altas temperaturas (acima de 25 °C), baixa precipitação, baixa umidade relativa do ar, irrigação deficitária, espaçamentos muito amplos e adubação deficiente de B. Havendo indisponibilidade de B, as células terão menor elasticidade e se romperão, causando a formação de um orifício no caule (talo) (Figura 27). Pesquisas mostram que, além do B, o N afeta diretamente seu aparecimento em brócolis, por atuar no crescimento das plantas, fazendo-as se desenvolver rapidamente, o que pode levar à deficiência de B. Além disso, observa-se também a suscetibilidade diferencial das cultivares a essa desordem.
A hérnia das crucíferas é um dos principais problemas nas áreas produtoras de brássicas em todo o mundo. A doença é causada pelo patógeno de solo Plasmodiophora brassicae (Woron), que completa parte de seu ciclo de vida dentro das raízes da planta hospedeira – as brássicas.
Os sintomas característicos dessa doença são a murcha da planta e a formação de galhas nas raízes, por causa do crescimento anormal do tecido, que engrossa e encurta as raízes, adquirindo forma semelhante a uma hérnia, o que deu o nome à doença.
As plantas apresentam um aspecto normal de sanidade, mas murcham nos períodos mais quentes e secos do dia, recuperando-se durante a noite. Nas raízes, visualizam-se as galhas que se estendem quanto maior seja a infecção e a formação das raízes laterais (Figuras 15A e 15B). Quando as plantas não são capazes de absorver água e nutrientes em quantidade suficiente, ocorre a diminuição da produção por causa do comprometimento do sistema radicular.
Se a infecção é muito severa nos primeiros dias, pode levar à morte da planta.
A infestação do solo pode ocorrer pelos seguintes fatores: introdução de mudas infectadas na área, movimentação de pessoas, de máquinas e implementos agrícolas contaminados, solo e água contaminados.
P. brassicae possui estruturas de resistência extremamente eficientes com relação a sua forma de dispersão e sobrevivência no solo na forma de esporos de resistência. Por causa dessas particularidades, o controle da doença é ainda um desafio para os agricultores, pois não existe uma forma única capaz de eliminar completamente o patógeno do solo. No País, não há nenhum agrotóxico registrado no Mapa para o controle dessa doença em brócolis. Uma vez infestada a área, a solução é buscar estratégias de convivência com a doença. A hérnia das crucíferas é uma doença de difícil controle.
Desse modo, recomenda-se a utilização de várias estratégias de manejo que sejam adequadas à região e a forma de produção do agricultor, buscando o controle eficiente da doença.
Tradicionalmente, seu controle é realizado pela rotação de cultivos com espécies não suscetíveis ao patógeno durante longos períodos de tempo para reduzir o inóculo do solo, que possui meia-vida de 4 anos.
Assim, após esse período de rotação, restarão 50% de esporos viáveis em uma área e, após 8 anos de rotação, a tendência é haver apenas 25% de esporos viáveis na área.
Plantas como o manjericão e a hortelã, quando em cultivo prévio ao de brássicas, apresentam efeito antagônico contra P. brassicae, porém são de pouca viabilidade econômica em consórcio com brócolis, quando cultivados em escala e em sistemas convencionais. Algumas plantas estimulam a germinação prévia de esporos de P. brassicae, por isso são denominadas plantas-armadilhas. Essas plantas fazem que parte dos esporos de P. brassicae germinem antes da implantação da cultura de interesse, no caso as brássicas, tornando-os incapazes de invadir o pelo da raiz, reduzindo assim os sintomas nas plantas.
Compostos orgânicos à base de tortas e farelos vegetais têm se mostrado uma estratégia viável no manejo da hérnia das crucíferas. Porém, em áreas com alta concentração de inóculo, o uso desses produtos deve ser combinado com outras práticas para supressão da doença. O uso de substratos desinfetados para produzir as mudas é outro método preventivo para o controle de hérnia das crucíferas. A limpeza de bandejas pode ser realizada com o uso de hipoclorito de sódio e outros produtos comerciais sanitizantes à base de ácidos e peróxidos, que são diluídos em diferentes concentrações que variam de 0,5% a 1% do volume de água.
Outra prática importante é o ajuste do pH do solo. O aumento da alcalinidade do solo é a forma mais antiga praticada para controle da hérnia das crucíferas. A doença é mais severa em solos ácidos (com pH abaixo de 5,5), diminuindo em pH superiores e é inexistente em pH acima de 7,8.
A calagem do solo é o método mais utilizado para aumentar o pH e consiste na aplicação de Ca e Mg, os quais, quando incorporados, alteram favoravelmente suas propriedades físicas e químicas.
O uso de cultivares resistentes é uma das formas mais estáveis de controlar essa doença, porém ainda não há nenhuma cultivar de brócolis disponível no mercado com resistência ao patógeno. A dificuldade de introgressão da resistência em brássicas, bem como a dificuldade de manutenção, deve-se ao fato de P. brassicae ser um patógeno que apresenta grande variabilidade genética, com nove raças conhecidas, dificultando a seleção de cultivares resistentes às diversas raças.
A utilização de áreas com solos bem drenados, com água de boa qualidade, entre outras medidas, são recomendadas para o controle dessa doença.
Figura 15. Galhas severas de hérnia das crucíferas causada por Plasmodiophora brassicae.
Podridão-negra
Os brócolis têm sua produção limitada pela ocorrência de doenças bacterianas, entre as quais está a podridão-negra, causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. campestris (Pammel). Essa bactéria apresenta distribuição mundial e pode promover considerável redução na produtividade e na qualidade do produto, e, em casos extremos, pode levar à perda total na colheita em cultivares extremamente suscetíveis.
A sua disseminação se dá por meio de sementes ou mudas, restos culturais infectados e/ou estruturas de sobrevivência, além de apresentar grande efeito da disseminação secundária a curta distância. Os sintomas da podridão-negra podem aparecer em qualquer estádio de desenvolvimento desde a fase cotiledonar, lesionando as folhas, causando manchas e posterior queda da planta. Nas folhas definitivas, a bactéria penetra pelos hidatódios e provoca lesões amareladas, as quais progridem, em forma de V, em direção ao centro da folha e ficam limitadas pelas nervuras. Com o decorrer do desenvolvimento, essas lesões avançam para a nervura principal e adquirem uma tonalidade marrom-clara. Posteriormente, secam a folha e provocam sua queda (Figuras 16A e 16B).
Uma das medidas mais efetivas para o controle da doença é o uso de cultivares resistentes. Em brócolis, esta doença tem sido observada em várias regiões produtoras e não há cultivares comerciais consideradas resistentes.
No Mapa, não há nenhum agrotóxico registrado para o controle dessa doença em brócolis no País. Cultivares do tipo inflorescência única que possuem folhas imbricadas (mais eretas) permitem menor acúmulo de água na planta e podem auxiliar no manejo dessa doença.
As seguintes medidas de controle da podridão-negra devem ser adotadas em caráter preventivo:
• Utilizar sementes sadias.
• Evitar o excesso de adubação nitrogenada (orgânica ou mineral).
• Evitar plantios muito adensados.
• Utilizar preferencialmente a irrigação por sistema de gotejamento, evitando o molhamento foliar.
• Fazer rotação de culturas com hortaliças de famílias botânicas diferentes das brássicas.
• Queimar ou enterrar os restos de cultura, principalmente de cultivos contaminados.
• Controlar insetos mastigadores que ocasionam lesões e que servem de porta de entrada para a bactéria.
• Eliminar plantas daninhas próximas ao plantio.
Figura 16. Lesão em formato de V e avanço para a nervura.
Podridão-mole
A doença é causada por Pectobacterium carotovorum (Jones), com predominância da subespécie P. carotovorum subsp. carotovorum em brócolis. Os sintomas da podridão-mole se caracterizam, inicialmente, pela maceração dos tecidos da base das folhas em contato com o solo infestado, progridem rapidamente para o caule principal e resultam no colapso de toda a planta (Figura 17). Inflorescências com menor granulometria (botões florais menores e mais compactos) permitem menor acúmulo de água e podem auxiliar no manejo dessa doença.
Figura 17. Apodrecimento do caule causado por P. carotovorum.
Nas regiões produtoras, esta bactéria ocasiona um mau odor típico e é bastante frequente em plantios no verão. Tem sua ocorrência associada a ferimentos advindos
de capinas e/ou da colheita.
As principais medidas preconizadas para o controle de podridões-mole incluem:
• Evitar plantio em solos de baixada, mal drenados.
• Retirar da área plantas doentes.
• Destruir restos culturais.
• Realizar a rotação de culturas por 3 a 4 anos.
• Não armazenar inflorescências e maços de plantas doentes e sadias conjuntamente.
• Armazenar as inflorescências em local ventilado, seco e preferencialmente em baixas temperaturas.
• Evitar ferimentos durante os tratos culturais, como capina e durante a colheita.
• Controlar insetos mastigadores, que ocasionam lesões que servirão de porta de entrada para a bactéria.
• Usar água de irrigação livre de contaminação.
• Evitar o excesso de umidade com
espaçamentos maiores entre plantas.
• Fazer adubação e calagem equilibradas.
• Utilizar cloro na água de lavagem do produto.
Pratinho
O pratinho, também conhecido como doença do anel e enfezamento dos brócolis, é uma doença da cultura dos brócolis que apenas recentemente se tornou importante no Brasil. Ela tem causado perdas relevantes no Estado de São Paulo, até mesmo quando a incidência da doença é baixa, pelo fato de as plantas infectadas serem impróprias para a comercialização.
A doença é causada por fitoplasmas, um grupo de bactérias que habitam exclusivamente o floema das plantas. A colonização desse tecido está relacionada com o principal sintoma da doença em plantas de brócolis, que é o escurecimento dos vasos do floema (Figura 18A), que nada mais é do que a resposta da planta à infecção pela bactéria. Além desse sintoma típico, as plantas também apresentam redução do crescimento, alteração da coloração das folhas e má formação da inflorescência (Figura 18B). A bactéria demora algum tempo para se multiplicar e induzir a expressão dos sintomas e, por esse motivo, os sintomas são mais acentuados quando a
infecção ocorre no início do cultivo.
A disseminação do fitoplasma associado ao pratinho não ocorre da mesma forma que comumente acontece com várias bacterioses, ou seja, por meio de sementes, pela transmissão da bactéria de uma planta para a outra, por ferramentas de corte ou pela água de irrigação/chuva. Os fitoplasmas infectam as plantas de brócolis por meio de cigarrinhas que se alimentam no floema de plantas. Essas cigarrinhas adquirem a bactéria de uma planta contaminada e, posteriormente, transmitem-na para as plantas nas quais vai se alimentar. O processo de transmissão de fitoplasmas não é ocasional, por isso somente algumas cigarrinhas que se alimentam do floema de plantas poderão transmiti-los. No Brasil, as seguintes espécies foram identificadas como capazes de transmitir a bactéria: Atanus nitidus (Linnavuori), Balclutha hebe (Kirkaldi), Agallia albidula (Uhler) e Agalliana sticticollis (Stål).
Considerando-se que as mudas que formam o campo de cultivo sejam sadias, quando produzidas em ambiente telado (livre de insetos) há questionamentos quanto à origem da doença.
Figura 18. Escurecimento dos vasos do floema (A); redução do crescimento, alteração da coloração das folhas e má formação da inflorescência (B).
Estudos recentes revelaram que plantas daninhas presentes nas áreas de cultivo de brócolis (ou na proximidade dos campos) servem de hospedeiras tanto para fitoplasmas quanto para cigarrinhas. Plantas daninhas de diversas espécies abrigam fitoplasmas similares àqueles encontrados em plantas dessa brássica. Logo, acredita-se que as cigarrinhas adquirem as bactérias a partir dessas plantas daninhas e as disseminam para a cultura. Essa hipótese é reforçada pelo fato de a maior incidência da doença sempre ser maior nas bordas do cultivo, especialmente nas proximidades de áreas com grande ocorrência de plantas daninhas.
Após a infecção das plantas de brócolis pela bactéria, não é mais possível eliminá-la, portanto todas as medidas de controle da doença visam evitar a infecção da planta.
As medidas de controle devem ser realizadas mesmo antes da implantação da cultura, pela produção de mudas em ambiente protegido de insetos e pelo controle das cigarrinhas e das plantas daninhas na área de cultivo de brócolis, visando à redução da população do vetor e da fonte de inóculo do patógeno, respectivamente.
Alternariose
A alternariose, causada por Alternaria brassicicola (Schwn.) Wilt. ou Alternaria brassicae (Berk.) Sacc. é uma doença limitante na produção de brócolis, podendo reduzir sua produtividade em até 50%. Esse patógeno causa danos maiores quando ocorre na fase de sementeira, provocando necrose dos cotilédones, do hipocótilo e tombamento, o que acarreta a destruição das mudas e inviabiliza o transplantio.
Em plantas adultas, os sintomas ocorrem inicialmente nas folhas mais velhas, e são caracterizados por lesões pequenas e necróticas. Posteriormente, todas as folhas passam a apresentar lesões circulares, concêntricas e com halo clorótico (Figura 19).
Essas lesões podem coalescer e, em ataques mais severos, as folhas amarelecem e secam.
Figura 19. Lesão causada por alternariose.
As sementes infectadas, quando jovens, são destruídas ou ficam chochas, enquanto as sementes maduras podem ser infestadas e infectadas e contêm o micélio dormente do fungo.
Nos restos culturais comumente deixados na área nas diversas regiões produtoras,
A. brassicicola sobrevive dentro dos locais de plantio e entre eles, tendo em vista que suas estruturas de reprodução são facilmente disseminadas pelo vento. Em longos períodos com condições favoráveis à doença, tais como temperaturas amenas, umidade relativa do ar elevada e pouco molhamento foliar, seja por irrigação seja por baixas precipitações, as estruturas de reprodução originadas de poucas lesões produzem grande número de novas infecções e podem causar danos severos à cultura dentro de um tempo relativamente curto.
O manejo da alternariose em brócolis pode ser realizado pelo uso de agrotóxicos (Tabela 5) e pela incorporação dos restos foliares infectados no solo, à profundidade mínima de 10 cm, combinados com rotação de culturas que envolvam outras espécies, visando a um intervalo mínimo de 2 meses entre o plantio de brássicas na área.
Outra medida de manejo associada ao controle é o uso de quebra-ventos para isolamento das áreas de cultivo. O quebra-vento atua como barreira para a dispersão do fungo, sendo opção para essa finalidade o capim-elefante, entre outras plantas (Figura 20).
Figura 20. Barreira do tipo quebra-vento de capim-elefante.
Porém, é de extrema importância a aplicação desse manejo regionalmente, evitando- se cultivos sucessivos de brássicas e áreas com diferentes estágios de desenvolvimento em propriedades vizinhas, o que pode inviabilizar essa prática caso não seja efetuado corretamente.
Nematoides
Muitos gêneros de nematoides parasitas de plantas podem ocorrer em áreas de produção de brócolis, porém as informações são escassas.
No Brasil, os problemas em brócolis geralmente ocorrem por causa da infestação pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.), em especial as espécies Meloidogyne incognita (Kofoid & White) e Meloidogyne javanica (Treub), que são as espécies com maior distribuição nas regiões produtoras. Também vale destacar a presença de Meloidogyne hapla (Chitwood) e Meloidogyne arenaria (Neal) em áreas isoladas no País.
A alta incidência dessas espécies é atribuída à capacidade de reprodução em regiões com ampla variabilidade de temperatura.
Outra espécie de nematoide-das-galhas que vem causando problemas em hortaliças no Brasil é Meloidogyne enterolobii (Yang & Eisenback). Essa espécie apresenta forte ameaça às hortaliças
cultivadas, incluindo a cultura dos brócolis. Vale ressaltar que outras espécies de nematoides como Ditylenchus dipsaci (Khiin), Pratylenchus penetrans (Cobb) e Rotylenchulus reniformis (Linford & Oliveira) são relatados na cultura, porém sem prejuízos estimáveis.
O sintoma mais visível da infecção por nematoides é a presença de galhas e inchaços nas raízes com formato arredondado (Figura 21). A observação da presença de galhas e de massa de ovos no sistema radicular de plantas infectadas é a melhor forma de detectar a presença do nematoide-das-galhas em áreas de cultivo.
Figura 21. Galhas e massa de ovos (setas bancas) presentes em raízes de brócolis por infestação causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.).
Sintomas adicionais na parte aérea, tais como nanismo das plantas, amarelecimento e folhas murchas podem ocorrer. Normalmente são observadas falhas no estande das plantas que não conseguem cobrir toda área dos canteiros. Os danos estão diretamente relacionados ao tamanho da população inicial do nematoide no solo. Pode haver também a intensificação dos danos causados pelo rápido apodrecimento das raízes em razão da invasão de patógenos secundários, tais como Sclerotium rolfsii (Saccardo), Fusarium sp., Verticillium sp. e Ralstonia sp. (Figura 22).
Massas de ovos como pontos mais escuros na superfície das raízes galhadas também podem ser observadas (Figura 23).
Vale lembrar que se deve ter o cuidado para não haver confusões em relação à diagnose visual, pois, em cultivos de brássicas como os brócolis, pode ocorrer a presença da hérnia cujo agente etiológico é um fungo denominado de P. brassicae (mais detalhes em hérnia das crucíferas). Com a penetração do patógeno e o progresso da doença, também ocorre à formação de galhas, no entanto, geralmente, elas são maiores, quebradiças quando esmagadas com os dedos e não existe a presença de massa de ovos.
As galhas do nematoide são mais discretas e não são quebradiças quando esmagadas.
Figura 22. Sintomas em raízes de brócolis por infestação causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.). Observação de galhas e apodrecimento das raízes por causa da invasão por outros patógenos.
Figura 23. Sintomas em raízes de brócolis por infestação causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.).
É importante lembrar que tanto Meloidogyne spp., quanto P. brassicae podem ocorrer na mesma área de cultivo com intensificação dos danos à cultura.
Para o controle de nematoides na cultura dos brócolis é importante a integração de várias práticas, que vão desde a produção das mudas sadias até a escolha da área de plantio. Entre as principais medidas de controle, destacam-se:
• A prevenção e a rotação de culturas com culturas não hospedeiras (cultivares de milho e milheto resistentes e outras hortaliças que apresentem resistência).
• O alqueive.
• Uso de plantas antagonistas, como as crotalárias, e uso de matéria orgânica (torta de mamona, bagaço de cana, palha de café, entre outros).
• A utilização de cultivares resistentes quando disponíveis.
A maioria dos cultivos de hortaliças folhosas, como, por exemplo, os brócolis, geralmente situa-se na região urbana ou periurbana de cidades ou metrópoles, e isso aumenta a movimentação de pessoas, maquinários e animais, o que contribui para potencializar a disseminação desses
patógenos.
Além disso, o uso de condicionadores de solo não esterilizados, como tortas vegetais e outros, e de água de irrigação com risco de contaminação por nematoides contribuem para alta disseminação desses organismos.
Assim, antes de adotar o manejo integrado de nematoides, é necessário conhecer a espécie ou espécies que estão presentes na área e se o nível populacional de nematoides é alto o suficiente para causar prejuízos econômicos à cultura a ser cultivada. Com base nessas informações, o produtor vai determinar se a opção de manejo é eficiente e viável economicamente.
Os insetos sugadores de seiva (pulgões e a mosca-branca)
e as lagartas constituem os principais grupos de pragas dos brócolis.
São de infestação frequente nas condições de cultivo
brasileiras.
Os pulgões – Brevicoryne
brassicae (Linnaeus), Myzus persicae (Sulzer) e
Lipaphis erysimi (Kaltenbach) (Hemiptera:Aphididae)
– são insetos de 1 mm a 3 mm de comprimento, com corpo periforme e mole e
antenas desenvolvidas. A formaáptera (sem asas) de B. brassicae apresentacoloração verde-acinzentada, coberta poruma
camada cerosa branca (Figura 9); aforma alada é de coloração verde, cabeça etórax
pretos, além de abdome com manchasescuras na parte dorsal. A forma áptera de L. erysimi possui coloração verde-escura
Figura
9. Folha de brócolis com colônia do pulgão B. brassicae.
ou acinzentada, com antenas e pernas pretas, podendo ser
identificada equivocadamente como B.
brassicae; a forma alada tem cabeça
e abdome verde-escuro, enquanto o tórax é verde-claro. Já a espécie M. persicae possui coloração verde-clara, rosada ou avermelhada
(Figura 10).
Figura
10. Folha de brócolis infestada pelo pulgão Myzus persicae.
Esses pulgões podem atacar o cultivo de brócolis durante
todo o seu ciclo e ocorrem em grandes colônias na face inferior das folhas, nas
brotações e nas flores. A sucção contínua de seiva e a injeção de toxinas provocam
o definhamento de mudas e plantas jovens, bem como o encarquilhamento das
folhas, brotos e ramos. Além disso, a excreção de líquido açucarado durante a alimentação
dos insetos favorece o desenvolvimento do fungo Capnodium
sp., causador da fumagina (lâmina preta), que
ocorre sobre as folhas e as estruturas reprodutivas da planta e afeta,
consequentemente, a fotossíntese e a respiração das plantas, prejudicando a
aparência das inflorescências.
A mosca-branca [Bemisia
tabaci (Genn.) biótipo B (=
espécie críptica Middle East-Asia Minor 1)] também é um inseto muito pequeno
(Figura 11).
O adulto possui dorso amarelo-palha, antenas curtas e
quatro asas membranosas recobertas com pulverulência branca. Quando o inseto
está pousado na planta
Figura
11. Mosca-branca – Bemisia tabaci biótipo B (adulto).
suas asas não se sobrepõem. A ninfa (forma jovem) é translúcida
de coloração amarelo a amarelo-pálido (Figura 12). Esse inseto causa danos aos
brócolis pela sucção da seiva e ação toxicogênica, provocando alterações no
desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das plantas.
Em alta infestação, as plantas apresentam coloração
branco-acinzentada ou verde-opaca, cujo sintoma é conhecido como “talo branco”,
que favorece o surgimento de fumagina sobre as folhas, talos e inflorescências
dos brócolis, depreciando o produto comercializado.
Figura
12. Mosca-branca – Bemisia tabaci biótipo B (ninfas).
Existem várias medidas de controle para os pulgões e a
mosca-branca. O primeiro passo para o manejo integrado dessas pragas consiste
no monitoramento de suas populações com armadilhas amarelas adesivas instaladas
estrategicamente nas bordaduras e no centro da lavoura. A inspeção periódica
das armadilhas (duas vezes por semana) permite identificar quando os insetos sugadores
estão colonizando o cultivo, bem como os maiores focos de infestação e a eficiência
dos métodos de controle.
O controle cultural consiste na adoção de práticas que
visam deixar o ambiente menos favorável ao desenvolvimento desse grupo de
pragas.
Dessa forma, recomenda-se:
• O uso de sementes sadias e com alto poder germinativo.
• O uso de cultivares de ciclo curto e o planejamento da
época de plantio para a região, visando à evasão no período/época de maiores
picos populacionais das pragas.
• A produção de mudas em cultivo protejido com telado que
dificulte a entrada das pragas.
• O uso de armadilhas amarelas adesivas para captura de
pulgões alados e adultos de mosca-branca durante a fase de mudas em telado;
• A seleção de mudas sadias e vigorosas para o
transplantio.
• O isolamento dos cultivos por data e área, a fim de
evitar o escalonamento de plantio; a instalação dos cultivos no sentido contrário
ao vento, do mais velho para o mais novo, para desfavorecer o deslocamento de
insetos sugadores das lavouras mais velhas para as novas.
• A implantação prévia de barreiras vivas ou faixas de
cultivos (sorgo, capim-elefante, milheto ou cana-de-açúcar) ao redor da
lavoura; o plantio de espécies vegetais (coentro, artemísia, erva-doce) no
entorno e dentro da área do cultivo (consórcio) que atraiam os inimigos
naturais.
• A manutenção de vegetação nativa entre talhões e a
cobertura do solo com superfície refletora (casca de arroz, palha de gramíneas
ou plástico prateado), para dificultar a colonização de pulgões alados e
adultos de mosca-branca.
• A adubação química conforme análise de solo ou foliar e
requerimentos da cultura, a fim de evitar excesso de N.
• O manejo adequado da irrigação para evitar o estresse
hídrico e favorecer o estabelecimento rápido das plantas, podendo também ser
utilizada para controle mecânico pela remoção dos insetos sugadores das folhas
e inflorescências.
• A manutenção de cultivos livres de plantas infestantes,
a destruição de restos culturais logo após a colheita e a rotação de culturas
com plantas não hospedeiras de pulgões e da mosca-branca.
O uso de inseticidas biológicos que contenham os fungos
entomopatogênicos Brevicoryne
bassiana e Lecanicillium spp. pode controlar os pulgões e a mosca-branca,
principalmente quando os produtos forem utilizados com umidade relativa do ar
acima de 60%.
O controle químico é a principal medida de controle de
pulgões e mosca-branca e existem vários inseticidas registrados no Mapa para a
cultura dos brócolis (Tabela 4).
Entretanto, o uso indiscriminado de agrotóxicos tem
elevado substancialmente o custo de produção de brócolis e pode acarretar
sérios danos ambientais e a contaminação da produção com resíduos tóxicos.
Para o controle dos pulgões e da mosca-branca, antes do
florescimento dos brócolis também podem ser utilizados produtos alternativos,
como óleo mineral ou óleo vegetal emulsionável e inseticida botânico à base de
óleo de nim (Azadirachta
indica), nunca ultrapassando a
concentração de 0,5% (volume/volume) na calda pulverizada, ou seja, para o
preparo da calda deve-se misturar 50 mL do produto comercial em 10 L de água. Doses
mais altas poderão ocasionar fitointoxicação, e o uso frequente de produtos à
base de nim pode ter efeito nocivo sobre os inimigos naturais.
As principais lagartas da ordem Lepidoptera que infestam
os brócolis pertencem às seguintes espécies: Plutellaxylostella
(Linnaeus) (traça-das-crucíferas); Trichoplusia ni (Hübner) (lagarta falsa-medideira) e Ascia monuste orseis (Latreille) (curuquerê-da-couve). Plutella xylostella (família Plutellidae) – os adultos são mariposas de 8 mm
a 10 mm de comprimento, com coloração parda e mancha branca na margem posterior
das asas formando uma faixa em formato de diamante quando em repouso. Os ovos
são muito pequenos, arredondados e esverdeados, depositados na face inferior
das folhas e nas inflorescências. As lagartas atingem até 10 mm de comprimento,
são de coloração verde-clara (Figura 13A), cabeça de cor parda e corpo com
pelos escuros, curtos e esparsos. As lagartas causam desfolha e podem destruir
completamente a lavoura.
Figura
13. Folha de brócolis com lagarta (A) e pupas de traça-das-crucíferas
da espécie Plutella
xylostella (B).
A traça pode ainda favorecer a entrada de bactérias
oportunistas, como Pectobacterium spp., nos tecidos lesionados, aumentando a incidência de
podridão-mole nas plantas.
A pupa é protegida por um casulo de seda branca (Figura
13B), facilmente reconhecida na face inferior das folhas. Trichoplusia ni – a mariposa é marrom e possui uma mancha branco-prateada
no centro da asa anterior. Os ovos são arredondados e esverdeados. A sua
postura é feita em camadas sobre a face inferior das folhas. A lagarta é
verde-clara, com até 40 mm de comprimento, e apresenta a parte posterior do
corpo mais robusta. Quando se locomove, apresenta movimento semelhante ao de
medir com a palma da mão.
As lagartas atacam as folhas de brócolis e produzem
grandes orifícios. No ápice da planta (região meristemática), as folhas são comidas
dos bordos para o centro, entre as nervuras. A pupa é de coloração marrom e protegida
por casulo fino de seda branca, sendo encontrada na face inferior da folha. Ascia monuste orseis – os adultos são borboletas com cerca de 50 mm de
envergadura, corpo preto e asas branco-amareladas, com bordas marrom-escuras.
Os ovos são amarelados, depositados em grupos não muito próximos na face
inferior da folha, talos e inflorescências (Figura 14A).
As lagartas chegam a medir 40 mm de comprimento, possuem
cabeça escura, corpo de coloração cinza-esverdeado, com faixas longitudinais
amarelas e verdes e pontuações pretas (Figura 14B).
As lagartas ocasionam desfolha parcial ou total da planta
e consomem as inflorescências e sementes produzidas. As pupas são de coloração
marrom-esverdeada e não são protegidas por casulo de seda, sendo encontradas na
própria planta ou no solo.
Figuras
14. Folhas de brócolis com ovos (A) e lagarta do curuquerê-da-couve
(A. monuste orseis) (B).
Para o manejo integrado das lagartas em brócolis, deve-se
monitorar a lavoura pelo menos duas vezes por semana. Para a traça-das-crucíferas,
recomenda-se o emprego de armadilhas iscadas com feromônio sexual sintético
para captura de mariposas e a inspeção das plantas (folhas, ramos e inflorescências)
na busca de sintomas de infestação, de lagartas e pupas. Para os demais lepidópteros,
devem-se inspecionar diretamente as plantas.
Além das medidas culturais para o controle de insetos
sugadores, o manejo das lagartas na cultura dos brócolis deverá incluir:
• A adoção de cultivos intercalares (consórcio) com
plantas não hospedeiras, que tenham porte ereto.
• A sucessão e rotação de culturas com plantas não
hospedeiras, evitando-se plantios sucessivos de brássicas na mesma área de
cultivo; a remoção de folhas com ovos/posturas e lagartas.
• A destruição e incorporação dos restos culturais e de
cultivos abandonados; a eliminação de plantas espontâneas de cultivos anteriores
antes do novo plantio de brócolis no mesmo local.
• A adoção de vazio fitossanitário, de modo que a área de
cultivo e todas as outras áreas que lhe são próximas fiquem simultaneamente
livres da cultura e de plantas hospedeiras das lagartas por, pelo menos, quatro
semanas.
O uso de inseticidas químicos é a principal medida de
controle de lagartas, com diversos produtos registrados para brócolis (Tabela
5). Alternativamente, podem-se utilizar inseticidas botânicos à base de óleo de
nim (A.
indica), com até 0,5% de
concentração, na calda a ser pulverizada.
O uso de inseticidas biológicos que contenham a bactéria
entomopatogênica Bacillus
thuringiensis (Berliner) (subespécies kurstaki e aizawai)
também pode controlar eficientemente esse grupo de pragas.
Esses inseticidas biológicos devem ser utilizados em fases
iniciais do ataque, ou seja, quando as lagartas ainda são pequenas (menores que
1 cm de comprimento), principalmente durante o período de floração.
As pulverizações devem ser dirigidas às folhas, ramos e
inflorescências, e realizadas sempre com vento fraco e no final da tarde, quando
as temperaturas estão mais amenas.
Outra possibilidade de controle biológico é a liberação
do parasitoide de ovos Trichogramma
pretiosum (Riley) (Hymenoptera: Trichogrammatidae)
para controle de P.
xylostella (traça-das-crucíferas) e de
T. ni (falsa-medideira), podendo ser utilizado conjuntamente
com inseticidas à base de B.
thuringiensis e inseticidas reguladores
de crescimento para controle de lagartas, os quais são seletivos em favor desse
inimigo natural.