google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Valor Nutricional das Pimentas

 

As pimentas são amplamente valorizadas na culinária mundial para temperar alimentos. Na indústria, são largamente utilizados os seus pigmentos, aromas e substâncias pungentes. Elas são ricas em vitaminas, flavonóides, carotenos e outros metabólitos secundários com propriedades antioxidantes, que reduzem o risco de desenvolvimento de câncer e de outras doenças crônico-degenerativas.

Mas a pungência ou ardume (sabor picante) é o seu atributo mais atrativo.

No Brasil são conhecidas mais de duas dezenas de espécies de pimenta do gênero Capsicum, mas pouco se conhece ainda sobre a composição das pimentas brasileiras, embora grande avanço tenha sido obtido nos últimos anos.

Apesar de apreciadas por boa parte da população mundial, são pequenas as quantidades consumidas de pimentas na dieta alimentar. No entanto, o aumento do consumo de pimentas do gênero Capsicum poderia contribuir para a alimentação humana como fontes importantes de vitaminas, fibras, sais minerais e antioxidantes. Altas concentrações desses componentes são encontradas em vários tipos de pimentas e de pimentão, hortaliça pertencente ao mesmo gênero Capsicum (Tabelas 1 e 2).

Muitas variedades de pimenta produzidas no Brasil possuem alto valor nutricional e poucas calorias (Tabela 2).

Apenas 100 gramas de pimenta levemente picante ou doce – a pimenta-biquinho é um excelente exemplo – contêm 99 miligramas de vitamina C, mais que a necessidade diária de um indivíduo. E cerca de meia colher de sopa de pimenta vermelha desidratada em pó poderia suprir a necessidade humana diária de vitamina A, que é de 600 microgramas.

Composição

Os componentes químicos das pimentas e do pimentão podem ser divididos em dois grupos. O primeiro determina o seu uso como condimento, por conferir sabor específico, cor e aroma.

Este grupo compreende a capsaicina e seus análogos estruturais (capsaicinóides), os carotenóides, os polifenóis e vários componentes voláteis (especialmente as pirazinas) e ácidos orgânicos. O segundo grupo engloba componentes de valor nutricional, como carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas, fibras e sais minerais.

Tabela 1. Vitaminas e carotenos presentes em 100 gramas de pimenta e de pimentão frescos.


Os nutrientes, proteínas, carboidratos, lipídios, sais minerais, vitaminas, fibras e água, quando em proporções adequadas na dieta, asseguram a manutenção das funções vitais do organismo humano, suprindo as suas necessidades de produção de energia, de elaboração e manutenção tecidual e de equilíbrio biológico. Todos esses componentes são encontrados nos frutos de Capsicum em quantidades variáveis, em função da espécie, da cultivar, das condições de cultivo e da maturação dos frutos (Tabela 2). Variações também podem ocorrer com o manuseio pós-colheita e o armazenamento.

Os carboidratos são componentes predominantes nos frutos de Capsicum, sendo a frutose o principal açúcar.Frutose e glicose perfazem juntas cerca de 70% dos açúcares redutores. Os açúcares totais e redutores estão em níveis máximos em pimentas suculentas e vermelhas.

À semelhança de outras hortaliças, são reduzidos os teores de proteínas e lipídios em polpas de pimenta. Todas as variedades contêm pouca caloria; as pimentas maduras possuem entre 22 kcal e 105 kcal por 100 gramas de parte comestível.


– Vitaminas

As vitaminas C e E possuem propriedades antioxidantes e estão presentes em altas concentrações em vários tipos de pimentas.

O conteúdo de ácido ascórbico (Vitamina C) encontrado em pimentas brasileiras varia de 52 mg/100g a 134 mg/100g de fruto fresco (Tabela 2). A quantidade aumenta durante o amadurecimento dos frutos. O ácido ascórbico é um composto solúvel na água, que desaparece em frutos desidratados; no cozimento, a perda é de cerca de 60%.

Existem pimentas brasileiras suaves e doces com altos teores de vitamina C, ou seja, com alta qualidade do ponto de vista nutricional (Tabela 2).

A ingestão recomendada de vitamina C para suprir as necessidades diárias de um indivíduo é de 60 mg ao dia, quantidade que pode ser obtida com o consumo de 100 gramas de pimentas suaves ou doces.

Pimentas e pimentões também são frutos ricos em tocoferóis, fonte de vitamina E. O pó dos frutos vermelhos e secos de pimentas ou pimentões contém níveis de alfatocoferol comparáveis aos encontrados em espinafre e aspargo e quatro vezes maiores do que os do tomate. O conteúdo do alfatocoferol varia de acordo com a cultivar e o estádio de maturação.

Um fruto fresco de pimenta vermelha de 100 gramas poderá suprir 5% da necessidade diária de vitamina E de um indivíduo adulto, que é de 8 mg a 10 mg.

– Carotenóides e provitamina A

As cores diversas e brilhantes dos frutos de pimentas, variando do amareloclaro ao vermelho-intenso, originam-se de pigmentos carotenóides, que, pelo seu valor nutricional, estão entre os mais

importantes pigmentos vegetais. Em frutos de pimenta foram identificados mais de trinta pigmentos diferentes, e a atividade antioxidante desses pigmentos tem sido intensivamente investigada nos últimos anos. (O colorido das pimentas atrai pássaros, que delas se alimentam e dispersam as sementes.)

Porque concentram altas quantidades de carotenóides, as pimentas e os pimentões são amplamente usados como corantes naturais, na forma de extratos concentrados (oleorresinas) e de pó (colorau ou páprica). A cor vermelha é atribuída aos carotenóides capsantina e capsorubina. A capsantina, principal carotenóide em frutos maduros, contribui com 60% dos carotenóides totais. A quantidade de carotenóides nos tecidos dosfrutos depende de fatores como cultivar, estádio de maturação e cultivo.

As pimentas contêm as provitaminas alfacaroteno, betacaroteno, gama-caroteno e a betacriptoxantina, que são transformadas no fígado humano em vitamina A. Betacaroteno é a forma mais abundante de provitamina A; a sua molécula pode ser dividida para formar duas moléculas de retinol, que é a forma fisiologicamente ativa de vitamina A.

Depois da deficiência de energia total e de proteínas, a deficiência de vitamina A é um dos principais problemas da alimentação mundial. Estudos epidemiológicos indicam que maiores ingestões de carotenos ou provitamina A podem reduzir o risco de desenvolvimento de câncer e de cegueira noturna (redução da acuidade visual).

– Capsaicinóides

A principal característica dos frutos de pimenta é a pungência, conferida por alcalóides denominados capsaicinóides, análogos à capsaicina, exclusividade do gênero Capsicum. A palavra “pungência” geralmente é empregada para designar sabor picante, quente, ardente ou condimentado.

Os princípios pungentes são produzidos em glândulas que se localizam (aproximadamente 90%) na placenta dos frutos (ver capítulo 3).

As sementes não são fonte da pungência, mas ocasionalmente absorvem capsaicina por causa da proximidade da placenta. Dos catorze estimados capsaicinóides identificados, os que ocorrem em maior quantidade são: a capsaicina, a dihidrocapsaicina e a nordihidrocapsaicina. Seus teores variam com a época do ano, com a maturidade dos frutos e com o ambiente da região de cultivo. No entanto, os maiores determinantes do nível de pungência são as espécies e as cultivares, que existem em grande número e que têm sido mantidas em coleções de germoplasma.

O nível de pungência é expresso por uma escala de análise sensorial conhecida como SHU (de Scoville Heat Units ou Unidades de Calor Scoville, em homenagem ao seu idealizador, Wilbur Scoville – ver capítulo 3), cujos valores variam de zero (pimentão e pimentas doces) a mais de 300 mil SHU (pimentas muito picantes). Essa escala é mais empregada por fabricantes de molhos de pimentas comerciais e de pápricapicante.

De acordo com os níveis de pungência, as pimentas são destinadas à produção de diferentes produtos, tais como: molhos, conservas, pimenta desidratada em pó e oleorresinas. Diferentes nichos de produtos e tipos de pimenta são encontrados no Brasil: pimenta malagueta (CE, MG), pimenta-de-cheiro,pimenta-de-bode e pimenta cumarido- Pará (GO, PA, RR, RO, AM), para conservas e molhos líquidos; pimenta doce (MG, BA e PE), para páprica; pimenta jalapeño (SP, MG e GO), para molhos líquidos; pimenta dedo-de-moça e pimenta chifre-de-veado (RS, SP), para a produção de pimenta desidratada tipo calabresa.

Na tabela 3 são apresentados os níveis de pungência de alguns tipos de pimenta da coleção da Embrapa Hortaliças, conhecidos por grande parte dos consumidores brasileiros.

A espécie C. chinense destaca-se por abranger pimentas suaves e doces, como a pimenta-de-cheiro e a biquinho, e também as recordistas brasileiras em pungência, a pimenta-murupi e a pimenta cumari-do-Pará.

Embora condimentos mais picantes como as pimentas sejam popularmente considerados agressivos ao trato gastrointestinal e a outras funções orgânicas, não há registros de alta incidência de úlceras e disfunções hepáticas entre consumidores de pimentas de países como a Tailândia e a Coréia, onde é tradicional o consumo de pimentas com altosteores de capsaicinóides.


– Fibras

Os frutos de Capsicum são fontes importantes de fibra alimentar (4 g/100g a 16 g/100g), elemento essencial no processo de digestão, que previne problemas intestinais e reduz o risco de desenvolvimento de divertículos e de câncer do intestino grosso. A tabela 4 exibe valores de fibra alimentar e de calorias para frutas e cereais comumente consumidos, comparativamente a pimentas. A pele ou a casca de pimentas e de pimentões contém cerca de 77% de fibras solúveis e 80% das fibras totais do fruto. Essa quantidade de fibra é maiordo que a do arroz e da aveia.

– Sais minerais

A maior parte do conteúdo de cinzas totais de pimentas e pimentões é solúvel em água, o que indica ser uma fonte de minerais. Os minerais são nutrientes indispensáveis ao organismo humano, onde desempenham funções as mais variadas em diferentes formas e concentrações, o que contribui para o equilíbrio dos processos bioquímicos do organismo.

O consumo de 100 gramas de pimenta levemente picante ou doce pode fornecer quantidades substanciais de potássio (7%), magnésio (6%), ferro (3%), cálcio e fósforo (2%), quando comparadas às doses diárias recomendadas para consumo.




domingo, 10 de abril de 2022

Aipo: como comprar, conservar e consumir

 

O aipo, também conhecido como salsão, é originário da Região Mediterrânea e pertence à família Apiácea. Destaca-se como fonte de ferro, de cobre, de vitaminas A e B6 e, em menor quantidade, de vitamina C.

O aipo foi cultivado na Antiguidade como planta medicinal. Somente a partir do final do século XVI foi plantado como hortaliça. Os gregos e romanos associavam-no a seus mitos e festas. Atualmente seu uso é muito comum nos EUA e na Europa. No Brasil, o consumo de aipo é baixo, provavelmente em razão do desconhecimento de suas qualidades e do modo de preparo pela maioria dos consumidores.



Como comprar

O aipo é vendido em dois formatos: o maço inteiro com folhas e talos e os talos já cortados e embalados. Os talos são largos, com formato de canoa, e as folhas são parecidas com as da salsa, só que bem maiores.

Os talos podem ser esbranquiçados ou verde-claros, mas de tonalidade uniforme. Devem ser firmes, porém tenros. As folhas são verdes, mais claras ou escuras dependendo da variedade. Apesar de o talo ser a parte mais consumida, as folhas também são comestíveis.

Em OUTROS países também se consomem as raízes, que são vendidas separadamente. Elas são redondas, de casca castanho-claro, de aspecto retorcido e com protuberâncias e interior branco com reflexos castanhos.

O aipo deve estar crocante e suculento. O caule não deve estar murcho ou com pontos escuros. As folhas devem estar com aspecto de produto fresco, de cor verde brilhante, sem áreas amareladas. O aipo fica com sabor ruim, às vezes amargo, quando a planta passa do ponto de colheita e torna-se fibrosa.

O aipo é quebradiço, devendo ser manuseado com cuidado.

Como conservar

Consuma em até 2 semanas

No congelador

O aipo deteriora-se com facilidade. Mantenha-o em geladeira em sacos de plástico por até duas semanas.

Somente armazene depois de eliminar as folhas e talos murchos ou escuros. Embale separadamente as folhas e os talos, pois os talos conservam-se por mais tempo.

Acondicione-os em vasilhas ou sacos fechados, porque o aipo absorve cheiro de outros produtos.

Antes de congelar, separe as folha e talos. Lave bem os talos em água corrente e pique-os no tamanho desejado. Mergulhe-os em água fervente por dois minutos e em seguida em água gelada por dois minutos.

Pique as folhas bem pequenas e coloque-as em forminha de gelo ou em copinho de café descartável.

Leve ambos ao congelador em vasilha aberta e deixe-os pelo tempo necessário para que endureçam. Retire-os do congelador, coloque-os em saco de plástico ou vasilha tampada e coloque-os novamente no congelador.

Como consumir

Consumir cru ou cozido

O aipo tem sabor levemente adocicado quando combinado com outras hortaliças em pratos diversos e traz frescor a pratos à base de carne ou de frango.

Também é apreciado em recheio de tortas e quiches, como tempero em sopas, molhos para macarrão e adicionado ao arroz durante o cozimento.

Pode ser servido cru em saladas e sucos ou como aperitivo, acompanhado de pastas à base de queijo, creme de leite, iogurte ou maionese. A combinação de aipo com queijo gorgonzola ou roquefort é particularmente apreciada.

Use as folhas e talos mais grossos preferencialmente cozidos; e os talos internos mais finos, quando os servir crus.

As raízes são consumidas sem a casca, raladas e cruas, em saladas ou cozidas em purês, gratinados, recheios e sopas.

Dicas

Prepare a famosa salada “Waldorf” misturando aipo e maçã picados em igual quantidade com maionese, acrescida de nozes picadas.

Para usar talos mais grossos, quebre-os e remova as fibras externas puxando-as com os dedos ou com faca.

Temperos que combinam com aipo: sal, azeite, limão, cebola, pimenta-do-reino.


Espaguete com aipo



Ingredientes

• 8 talos de aipo sem folhas e cortados em tirinhas, cozidos no vapor ou com pouca água

• 1 cebola média cortada em tiras

• 2 colheres (sopa) de cheiro-verde

• 4 colheres (sopa) de azeite

• Sal e pimenta a gosto

• ½ xícara (chá) de requeijão cremoso

• 1 colher (sopa) de limão

• 5 colheres (sopa) de margarina

• 1 pacote de macarrão tipo espaguete ou talharim cozido al dente


Modo de fazer

1. Doure a cebola no azeite.

2. Adicione o aipo, tempere com o sal e pimenta, mexa bem e deixe refogar bem. Por último, junte o macarrão, cheiro-verde e o requeijão, misture bem, tire do fogo e sirva quente.

Tempo de preparo e cozimento: 50 minutos

Rendimento: 4 porções

Sugestões

v Adicione dois talos de alho-porró fatiados quando refogar o aipo.

v O requeijão cremoso pode ser substituído por creme de leite ou ricota.


Suco de aipo com laranja



Ingredientes

• 1 maço de aipo

• 1 litro de água gelada

• Suco de 4 laranjas

• Açúcar e gelo a gosto

Modo de fazer

1. Bata o aipo com a água em liquidificador e coe.

2. Em seguida, misture o suco de aipo com o de laranja, acrescente gelo e açúcar a gosto.

Tempo de preparo: 20 minutos

Rendimento: 1,5 litro

Sugestão

v Pode-se trocar o suco de laranja por suco de cenoura ou usar os dois misturados.


sábado, 9 de abril de 2022

Irrigação na Cenoura

 

Irrigação

A cenoura é uma cultura exigente em água e a maioria dos produtores possui sistema complementar de irrigação em suas lavouras. Logo após o plantio, caso não chova, o produtor deve irrigar a cultura de forma a umedecer o solo a uma profundidade de 20 cm. A partir desse momento até a completa germinação,deve-se evitar o ressecamento superficial do solo a fim de evitar o encrostamento que prejudica a germinação.

Nesse período, deve-se fazer irrigação com turnos diários ou, se possível, a cada doze horasa fim de manter o solo úmido

Após a germinação a cenoura pode ser irrigada em intervalos maiores, mas sem que, no entanto, ocorra estresse na cultura durante o ciclo. Os turnos de rega são calculados em função das condições climáticas, fase da cultura e tipo de solo. Não se deve encharcar o solo a fim de reduzir a incidencia de doenças foliares e de solo. Nas condições de cerrado, nos meses mais secos, estima-se que a evapotranspiração seja na ordem de 6 mm por dia. Assim, o produtor deve calcular a quantidade de água a ser irrigada em função dessa perda.

Portanto, lâminas de 20 mm - 25 mm a cada dia, tem sido um turno rega bastante comum nas regiões de cenoura. Estima-se que o consumo de água em uma lavoura de cenoura durante todo seu ciclo de 100 a 130 dias seja de 400 mm - 600 mm, sendo uma cultura bastante exigente em

água com respostas lineares em incremento de produtividade com irrigações bem feitas na quantidade e momento correto.

Existem regiões como o sul de Minas Gerais, em que no período das águas, alguns produtores cultivam cenoura sem irrigação complementar.

No entanto, o nível tecnológico dessas lavouras é baixo, bem como a expectativa de baixa de produtividade, além de imprevisibilidade na colheita.

O sistema mais comum de irrigação nas principais regiões de produção é a de pivô central (Figura 6). Contudo outros sistemas como aspersão convencional, autopropelido, microaspersão (Figura 7A) e microjatos (Figura 7B) (Santeno®) são usados em algumas regiões com sucesso.

Não existe um sistema ideal. Existe o sistema mais adequado para cada ocasião e circunstância. Assim, até o autopropelido tem sua utilização, seja para fechar áreas não alcançadas pelo pivô, seja para irrigar regiões com escassez de mão de obra.

Figura 6. Sistema de irrigação tipo pivô central em cenoura.



Figura 7. Sistemas de irrigação empregados em cenoura: microjatos (A); microaspersão (B) e Pivô central (C).

A aspersão convencional também é bastante utilizada por pequenos, médio e até grandes produtores na irrigação de áreas fora do alcance do raio do pivô. Esse sistema é empregado com distância entre aspersores entre 12 x 12 m - 12 x 18 m, com pressão entre 30 mca - 40 mca e volume de água de 6 mm - 9 mm por hora. A microaspersão e o sistema de microjatos são utilizados principalmente por pequenos produtores, ou em regiões em que a água e um recurso escasso, como a região de Irecê-BA.

Dos sistemas mais comuns, o menos recomendado é o gotejamento.

Contudo, a adequação do espaçamento entre fileiras, bem como melhoria nas técnicas desse sistema poderão viabilizar a produção econômica desse tipo de irrigação em cenoura.



sábado, 12 de fevereiro de 2022

Plantio da Cenoura

 

O plantio da cenoura é feito com a semeação direta no solo. As sementes são distribuídas uniformemente, e em linha contínua nos sulcos com 1,0 a 2,0 cm de profundidade e distanciados de 20 cm entre si. A distribuição das sementes pode ser feita manualmente ou com o emprego de semeadeira manual ou mecânica.

A semeadura manual é mais trabalhosa, menos eficiente e implica em maior gasto de sementes (6 kg/ha). Ela pode ser feita com o auxílio de uma pequena lata com um furo de 4 a 5 mm de diâmetro no fundo, ou com um vidro de boca larga e com a tampa igualmente furada.

Sacudindo-se a lata ou o vidro cheio de sementes e com furo na linha do sulco, as sementes cairão no sulco de semeadura.

Uma variação da lata furada pode ser feita de uma lata cilíndrica com 15 a 20 cm de diâmetro (tipo lata de leite em pó) na qual se adapta um cabo preso no fundo e na tampa para rolar com um brinquedo. Faz-se uma linha de furos de 4 a 5 mm de diâmetro distanciados 2 a 3 cm uns dos outros circundando a lata.

A linha de furos deverá ser no meio da distância entre o fundo e a tampa da lata. Fazendo-se a lata rolar com a linha dos furos sobre a linha do sulco no canteiro, as sementes cairão através dos furos. Para evitar que a lata role em contato com o solo, coloca-se um aro com 2 a 3 cm de altura nas bordas, formando uma espécie de carretel.

Para semear mais de um sulco por vez, pode-se acoplar três a quatro latas, uma ao lado da outra, de modo que as linhas de furos fiquem distanciadas de 20 cm. As latas podem se substituídas por um cilindro feito com folha de flandres ou um tubo de PVC, fazendo-se as linhas de furos distanciadas no espaçamento que se vai usar no campo.

Com a lata furada ou semeadeira manual tem-se uma distribuição mais uniforme das sementes, o trabalho é mais rápido, e, se gasta de 3 a 5 Kg de sementes por hectare. Após a distribuição das sementes nos sulcos, estas devem ser cobertas com uma camada de 1 a 2 cm de altura de terra

Outra opção é a utilização de semeadeiras mecânicas (Figura 1) que têm a vantagem de, simultaneamente, abrir os sulcos, distribuir as sementes e cobrir os sulcos com grande eficiência. Gasta-se de 2 a 3 kg de sementes por hectare.

Entretanto, a semeadura mecânica de precisão (máquinas pneumáticas) tem sido mais utilizada pelos grandes produtores da região de São Gotardo e Santa Juliana (MG) e durante o período de inverno. Isto em decorrência do aumento da incidência de tombamento das plântulas durante o verão (devido a alta temperatura e alta umidade do ar) e do alto custo do equipamento, o que tem levado os agricultores a preferirem a utilização de semeadeiras mecânicas não pneumáticas para obter um bom estande.

Fig. 1. Semeadura mecanica.

As atuais semeadeiras mecânicas distribuem as sementes sobre os canteiros em faixas espaçadas de 20 cm entre si, sendo que cada faixa é constituída de 2 ou 3 fileiras simples distanciadas 8 cm umas das outras. As semeadeiras convencionais distribuem as sementes em fileiras únicas contínuas espaçadas de 20 cm uma das outras.(Figura 2)

Fig. 2. Semeadura mecanizada.

Qualquer que seja o método ou equipamento utilizado, atenção especial deve ser dada a profundidade de semeadura. As sementes de cenoura são pequenas (840 sementes/grama), possuem pouca reserva e as plântulas que emergem são tenras e delicadas.

Se a profundidade de semeadura for muito maior que 2,0 cm, as plântulas podem ter dificuldades em emergir ou até mesmo não emergirem. Se for muito superficial, menos de 1,0 cm, poderá haver falhas de germinação devido ao secamento da camada superficial do solo, arranquio ou arraste das sementes pela água de irrigação ou chuva forte.




quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

PANCS: Vinagreira (Hibiscus sabdariffa)

 

Vinagreira (Hibiscus sabdariffa)

Está distribuída pelo mundo, mas é na África e no Brasil, mais especificamente no Estado do Maranhão, que assume maior importância como hortaliça folhosa. Na América Central e México, na Ásia (Japão e Índia, entre outros) e Europa o uso mais destacado da vinagreira é como matéria-prima para chá – o reconhecido chá de hibisco. Pode ainda ser usado como planta ornamental. É um arbusto vigoroso, podendo atingir até 3 m de altura, com caule verde, vermelho ou arroxeado. Entretanto, enquanto hortaliça, efetua-se o manejo com corte, mantendo as plantas com 1,0 a 2,0 m de altura. Suas folhas são alternadas, lobadas e dentadas, com coloração verde ou púrpura. As flores são branco-amareladas, rosas ou púrpuras, com cálices carnosos vermelhos ou brancos que irão formar os frutos, pequenas cápsulas.

Nomes comuns – Groselha, rosela, quiabo azedo, quiabinho e quiabo-de-angola.

Família botânica – Malvaceae, a mesma do quiabo e do algodão.

Origem – Há dúvidas quanto a seu centro de origem. Há controvérsias entre a África Tropical e a Índia. Sua introdução no Brasil deu-se, provavelmente, no período colonial por escravizados africanos.

Variedades – Há diferentes variedades, mas no Brasil o que ocorre é a seleção e manutenção de variedades locais, havendo basicamente dois tipos: as de folhagem verde e as de folhagem avermelhada (púrpura), além de esporadicamente plantas verde-claras, praticamente sem pigmentação, e de plantas com flores diferenciadas em cor e textura. Nos Estados Unidos, visando o aumento do tamanho dos cálices, objetivando a produção de fermentados, e maior rendimento em fibras para a indústria têxtil, foram lançadas as variedades Pokeo e THS 22.

Clima e solo – Desenvolve-se melhor em regiões de clima quente, com temperaturas entre 21ºC e 35ºC. Abaixo de 17ºC, o desenvolvimento é interrompido. Na região Sul, é cultivada a partir de setembro-outubro. Os solos devem ser profundos, bem drenados, sem problemas de compactação e com bom teor de matéria orgânica. Não tolera encharcamento, havendo apodrecimento de plantas.

Preparo do solo – Varia conforme o sistema, podendo ser feito pelo método convencional ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo), atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. No caso do preparo convencional, efetua-se aração e gradagem e, em seguida, coveamento ou sulcamento e adubação. No sistema de plantio direto, o revolvimento é restrito às covas ou sulcos de plantio, deixando-se o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivo anterior, geralmente gramíneas ou leguminosas) entre as covas ou linhas de plantio.

Calagem e adubação – Com base na análise de solo, efetuar a correção da acidez do solo buscando pH entre 5,8 e 6,3. Como não há recomendação específica para vinagreira, sugere-se a adubação para quiabo. Assim, conforme a textura do solo e seu teor de nutrientes, a recomendação de 40 a 240 kg/ha de P2O5 e de 60 a 240 kg/ha de K2O, fornecendo 50% do K e todo o P no plantio. Recomenda-se também até 50 toneladas de composto orgânico no plantio. Em cobertura, 50 kg de N/ha 30 dias após o plantio. Após cada corte realizado, deve-se realizar adubação nitrogenada, na dosagem de 40 kg de N/ha (COMISSÃO, 1999).

Plantio – A propagação é feita, geralmente, por sementes, mas o enraizamento de estacas é plenamente viável. O plantio pode ser feito diretamente no local definitivo, dispondo-se duas a três sementes por cova (desbastando-se para deixar uma planta por cova somente), ou em bandejas, com transplantio quando as plantas atingem 15 a 20 cm de altura. A emergência ocorre a partir de quatro dias. A propagação por estacas é muito comum, pela facilidade de enraizamento, o que antecipa o ciclo da cultura. As estacas, porém, devem ser tiradas ainda na fase vegetativa de desenvolvimento, antes do florescimento, e devem ser enraizadas em recipientes ou em bandejas com substrato preparado ou comercial. O espaçamento final deve ser de 1,0 x 1,0 m quando se deseja o desenvolvimento das plantas até a frutificação e de 1,0 m x 0,5 m quando se deseja fazer cortes sucessivos de ramos para uso como hortaliça.

Em regiões tropicais e equatoriais, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro, desde que haja disponibilidade de água, enquanto em regiões subtropicais ou tropicais de altitude, o cultivo é restrito à época mais quente do ano (setembro-outubro a março-abril).

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição com plantas infestantes por meio de capinas manuais e/ou mecânicas. Deve-se irrigar conforme a necessidade, não havendo recomendações específicas para vinagreira, mas sim o conhecimento empírico de que umidade excessiva pode provocar seu apodrecimento. É bastante tolerante a pragas. Entretanto, há relatos de ataque por formigas cortadeiras (saúvas), cochonilhas, e coleópteros (vaquinhas). Em relação a doenças, ocorre podridão causada por Phytophthora sp. Em regiões com umidade relativa mais baixa, como o Cerrado brasileiro, pode-se verificar a incidência de Oidium sp. (oídio), fungo que ataca a parte aérea.

Colheita e pós-colheita – No caso de uso como hortaliça, a colheita inicia-se entre 60 e 90 dias após o plantio, quando os ramos são cortados com 30 a 50 cm de comprimento. Efetuam-se cortes sucessivos sempre que as plantas atingem porte suficiente para novo corte. No caso de saladas cruas, colhe-se apenas os ápices (extremidades) dos ramos. Produz, aproximadamente, 5 a 10 ton/ha de ramos para uso com hortaliça a cada corte, sendo comum três cortes ou mais. No caso de uso de pétalas ou frutos imaturos (capuchos), deixa-se a planta se desenvolver plenamente até a fase reprodutiva, florescimento, a partir de 150 a 180 dias. As pétalas devem ser colhidas diariamente pela manhã; os frutos imaturos (capuchos) para produção de doces, sucos ou geleias a cada dois dias. A produção de frutos imaturos para doces, sucos e geleias rende cerca de 1,0 a 1,5 kg por planta, portanto, 10 a 15 ton/ha; e a de sépalas para chá, algo como 100 a 150 g por planta ou 1,0 a 1,5 ton/ha que, quando secos, renderão de 50 a 75 kg/ha de chá seco.

Após o corte dos ramos, faz-se uma seleção e eliminam-se partes com defeitos. Em seguida, lavam-se os ramos em água corrente e de boa qualidade e formam-se os maços, com peso médio de 300 gramas. O manuseio deve ser feito em local sombreado e a vida útil é curta assim como todas as folhosas. Na alimentação, destaca-se no Maranhão como base de pratos da culinária local, sendo o mais significativo o “arroz de cuxá”, feito com arroz, camarão seco, vinagreira e condimentos, refelxo de hábitos culinários portugueses e africanos. Os frutos e cálices são matéria-prima para a fabricação de sucos, doces e geleias. Nos Estados Unidos, é comum o preparo de um fermentado a partir do suco extraído dos cálices e das folhas. As sépalas são desidratadas e utilizadas para o preparo de chás, preparados puro (chá de hibisco) ou em mistura ao tradicional chá preto, feito com as folhas de Camellia sinensis. Na Ásia (Japão e Índia, especialmente) e Rússia, é forte a demanda por flores secas de vinagreira para o preparo de chá. Há variedades que são empregadas na produção de fibras para a indústria têxtil.

Figuras 100 e 101: Vinagreira comum, na fase vegetativa e na reprodutiva com colheita de frutos

Figuras 102 e 103: Vinagreira, variedades roxa e de flores aveludadas


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Taioba (Xanthosoma taioba) hortaliças não convencionais

 

Nem toda planta que se diz que é taioba é comestível.

Existem algumas que não devem ser ingeridas devido ao elevado teor de oxalato de cálcio que causa coceira nas mucosas e sensação de asfixia. Vai aí uma dica: o primeiro passo é ter um histórico de procedência da planta ou da muda, ou seja, deve-se preferir mudas de variedades consideradas comestíveis. Em seguida, devem-se observar as seguintes características: se houver uma nervura perimetral, dando volta completa na borda da folha, e quando a reentrância da folha ou o “v” na forma de coração atinge o pecíolo, com folhas e talos de cor verde-clara, geralmente trata-se de taioba comestível. Mas, se houver um ponto arroxeado onde o pecíolo encontra a folha, a tendência é ser selvagem e não deve ser consumida.

Planta herbácea tuberosa perene, a taioba pertence à família Araceae, assim como o inhame. É nativa da América Tropical e Equatorial, incluindo o Brasil, sendo tradicionalmente cultivada no Sudeste brasileiro. Produz um rizoma central grande e outros laterais mais estreitos e alongados, com até 20 cm de comprimento. Possui um pseudocaule formado pela bainha das folhas membranáceas, que são largas e grandes, podendo atingir mais de 1 m de altura. As folhas são a principal parte comestível, mas os rizomas também podem ser consumidos se bem cozidos ou quando processados na forma de farinha. Nem todas as espécies podem ser consumidas, a taioba brava (Colocasia antiquorum Schott) é tóxica e merece atenção. Ela possui talo e folhas verdearroxeadas, e a taioba comestível apresenta folhas e talos verde claros.


Taioba (Xanthosoma taioba)

NOMES POPULARES: taiá, mangará

Plantio

O cultivo pode ser realizado o ano inteiro em regiões tropicais e equatoriais, desde que haja plena disponibilidade de água, mas em regiões subtropicais ou tropicais de altitude, o cultivo é restrito à época mais quente do ano (setembro a abril), já que a cultura permanece em dormência durante o período frio e/ou seco. O plantio pode ser feito em covas, canteiros ou leiras.

A propagação é feita por rizomas diretamente no local definitivo.

O espaçamento deve ser de 0,8 m a 1,0 m entre as leiras e de 40 cm a 50 cm entre plantas ou duas linhas por canteiro com 50 cm entre plantas. Os solos devem ser ricos em matéria orgânica.

Adapta-se muito bem a solos de baixada. A taioba também se adapta a consórcios com plantas de maior porte, uma vez que suportam bem o sombreamento, compondo muito bem sistemas agroflorestais.

A colheita inicia-se entre 60 e 75 dias após o plantio, quando as folhas apresentam tamanho de 30 cm a 40 cm de comprimento, com colheitas sucessivas após o crescimento de novas folhas. O rendimento, dependendo da variedade, pode chegar a 1,5 kg de folhas por planta durante o ciclo de seis a oito meses, o que equivale a 30 toneladas por hectare. No caso de rizomas, a colheita é feita a partir de sete a oito meses e, para aumentar a produção de rizomas, deve-se reduzir a colheita de folhas. A produtividade pode atingir mais de 20 toneladas por hectare.

As folhas devem ser colhidas sempre novas, visto que as folhas mais velhas podem concentrar teores elevados de oxalato de cálcio. Para comercialização, as folhas são enroladas e amarradas em maços de cinco a sete folhas.

Conservação e usos

A taioba apresenta vida útil relativamente curta, de 1 a 2 dias em temperatura ambiente, e até uma semana em condições de refrigeração, desde que embalada em saco plástico. As folhas são usualmente consumidas como a couve, refogadas ou cozidas, e como acompanhamento de pratos à base de carnes ou farinhas de milho ou de mandioca. É rica em proteína, com um teor de até 3 % em folhas frescas, e também em minerais (potássio, cálcio, fósforo, ferro e zinco). Seus rizomas, às vezes, são consumidos como pequenos inhames, cozidos, fritos ou processados na forma de farinha, como fonte alternativa de carboidratos.

A Taioba esta sendo estudada no âmbito do projeto “Avaliação agronômica, caracterização nutricional e estudo da vida útil de hortaliças não convencionais”, da Embrapa Hortaliças, que busca tornar acessíveis as informações sobre essas espécies com o intuito de fomentar a produção, o consumo e a comercialização. Outras hortaliças estudadas são: almeirão-deárvore, amaranto, anredera, azedinha, beldroega, bertalha, capuchinha, cará-do-ar, caruru, fisális, jambu, major-gomes, mangarito, maxixe-do-reino, muricato, ora-pro-nóbis, peixinho, serralha, e vinagreira.


Receita

Taioba refogada

Ingredientes

5 folhas de taioba

Óleo, alho e sal a gosto

Modo de preparo

1. Lave as folhas da taioba.

2. Retire o pecíolo e a nervura principal das folhas e corte-as em tiras finas.

3. Aqueça o óleo e refogue a taioba até murchar totalmente, deixando que se inicie um leve cozimento.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

PANCS: Taro (ex-inhame) (Colocasia esculenta)

 

Taro (ex-inhame) (Colocasia esculenta)

O taro é de grande importância econômica e social em diversas regiões tropicais do mundo, alimento básico no Sudeste asiático e nas ilhas do Pacífico. No Brasil, é cultivado principalmente nos estados da região Sudeste. Caracteriza-se por suas enormes folhas em tom verde-escuro em forma de coração, pecíolo verde ou arroxeado, longo e inserido no meio da folha (folha peltada), com altura variando de 0,3 a 1,8 m, de acordo com a variedade. Possui elevados teores de amido e proteínas, quantidades razoáveis de vitaminas do complexo B e açúcares, além de alta digestibilidade. Produz rizomas, que são revestidos por uma túnica fibrosa, apresentando numerosas radículas, que devem ser retiradas para a comercialização.

Nomes comuns – O termo inhame é empregado no centro-sul do Brasil, enquanto no Nordeste inhame se refere ao cará, planta completamente distinta, pertencente à outra família, Dioscorea. Cabe lembrar que no I Congresso de Inhame e Taro, realizado em 2002, foi debatido e normatizado que, a partir de então, o termo “taro” seria relacionado a plantas do gênero Colocasia e “inhame” seria restrito ao cará, plantas do gênero Dioscorea, de modo a padronizar a terminologia no Brasil e no Mundo (CARMO, 2002). Certamente, é difícil inserir um novo termo no dia a dia das pessoas, o que pode até mesmo não acontecer.

Família botânica – Araceae.

Origem – Regiões tropicais úmidas da Ásia, Índia, Bangladesh e Myanmar (antiga Birmânia).

Variedades – Utilizam-se variedades locais que são, na verdade, clones. São classificadas em “mansas” e “bravas”. As “bravas” podem irritar as mucosas em função dos elevados teores de cristais de oxalato de cálcio nos rizomas. As variedades “mansas”, com menores teores, mais conhecidas são: japonês, chinês e macaquinho. As cultivares branco e rosa, do grupo denominado de “bravo” ou “coçador”, são utilizadas na alimentação de suínos. A coloração da polpa depende da cultivar, sendo mais comuns as cores branca e ligeiramente cinza.

Clima e solo – Exige temperatura e pluviosidade elevadas, adaptando-se bem ao plantio sem irrigação na primavera-verão no Sudeste. Adapta-se melhor aos solos argilo-arenosos (textura média), devendo-se evitar solos excessivamente argilosos, que dificultam o crescimento dos rizomas e a colheita. Apesar de sua rusticidade, o taro produz melhor em solos férteis e com elevado teor de matéria orgânica. É resistente a estresses ambientais, tais como baixa luminosidade ou insolação e encharcamento, sendo comum seu cultivo em várzeas.

Preparo do solo – Deve-se efetuar uma ou duas arações, a depender do estado da área, e duas gradagens, seguido de sulcamento (enleiramento) e adubação uma semana antes do plantio.

Calagem e adubação – A calagem e a adubação devem ser feitas com base nos resultados da análise de solo, ressaltando a importância do cálcio para evitar a ocorrência de “metsubure” ou olho cego, distúrbio fisiológico caracterizado pela perda da gema apical dos rizomas-filho devido à deficiência de cálcio. Recomenda-se até 180 kg/ha de P2O5 e 90 kg/ha de K2O, conforme a disponibilidade desses nutrientes no solo, além de 60 kg/ha de N em duas aplicações, aos 40-45 e 70-80 dias após o plantio (COMISSÃO, 1999).

Plantio – O taro é propagado vegetativamente por meio de rizomas. Pode-se utilizar tanto o grande rizoma central quanto os laterais (pequenos). Rizomas laterais maiores possuem maior capacidade produtiva, mas, por serem mais valorizados no mercado, elevam o custo de produção. Assim, a utilização do rizoma central, de menor valor comercial no mercado, pode ser uma opção. Os rizomas podem ser plantados inteiros. No caso do rizoma central, quando for muito grande, pode-se plantar apenas a sua porção superior com 200 a 300 g. Deve-se colocar os rizomas com o broto terminal bem desenvolvido em sulcos de 10 cm de profundidade, no espaçamento de 1,0 x 0,3 m (33.333 plantas/ha).

O taro é uma hortaliça de clima tropical, quente e úmido, sendo intolerante ao frio. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul é plantado de setembro a novembro. No Nordeste, onde é pouco conhecido, deve-se plantar no início das chuvas, entre novembro e janeiro em baixadas úmidas. Na região Norte, em locais com clima quente e úmido, pode ser plantado durante o ano todo, havendo porém menor translocação de nutrientes para os rizomas em função do contínuo desenvolvimento da parte aérea por não haver um período seco e frio bem definido.

Tratos culturais – A cultura é exigente quanto à umidade do solo, sendo normalmente plantada sem irrigação em períodos chuvosos e áreas de várzeas, especialmente em regiões montanhosas, com bons níveis de produtividade. Entretanto, quando necessário, deve-se irrigar por sulco ou aspersão. Quando a planta entra na fase de maturação, as irrigações devem ser reduzidas e, aos 20- 25 dias antes da colheita, totalmente suspensas. Devem ser realizadas capinas, com auxílio de enxada e/ou cultivadores, mantendo as plantas infestantes sob controle durante o desenvolvimento da cultura.

O taro é uma hortaliça pouco atacada por pragas. Em períodos secos, podem ocorrer pulgões nas folhas. Danos à cultura são causados pelos coleópteros (besouros, brocas) Stenocrates cultor e Tarophagus proserpina, que abrem galerias nos rizomas, inviabilizando-os para comercialização e plantio. Também pode ocorrer o fungo Cladosporium spp., em folhas mais velhas, porém com pouca interferência na produção. Em áreas com histórico de ocorrência de nematoides-das-galhas, Meloidogyne spp., fazer rotação com gramíneas.

Colheita e pós-colheita – Realiza-se a colheita sete a nove meses após o plantio, quando as folhas começam a amarelar, murcham e secam. Pode permanecer no campo por até três meses sem ser colhido desde que o solo seja bem drenado e no período seco do ano. Deve sempre ser colhido antes das chuvas. Quando colhidos após o retorno das chuvas, os rizomas ficam aguados e insossos devido à rebrota e translocação de nutrientes dos rizomas para parte aérea. A colheita pode ser realizada feita manualmente ou semimecanizada. Efetua-se, então, a limpeza dos rizomas, que consiste no corte da parte aérea e na retirada do excesso de raízes e de túnicas (“cabelos”). Comercialmente, os rizomas-filho são separados da cabeça central e classificados por tamanho. Os rizomas laterais (rizomas-filho), que podem apresentar peso variando de 20 g a 200 g, e têm valor de mercado cinco a dez vezes maior que o rizoma central. Quanto maiores, mais valorizados são os rizomas-filho. Pode produzir até 40 ton/ha de rizomas-filho

Os rizomas devem estar firmes, sem sinais de brotação, sem áreas amolecidas ou enrugadas. Quando colocados em geladeira, devem ser acondicionados na parte inferior, dentro de sacos plásticos. Os rizomas são consumidos após cozimento. Muito usado em sopas, cremes, refogados, saladas (cozido), fritos (após rápido cozimento), pães, bolos e sobremesas. Também pode ser industrializado na forma de farinha. Há variedades usadas especificamente para a alimentação animal. O rizoma central é um pouco mais duro. O armazenamento pode ser feito em galpões bem ventilados, espalhando os rizomas em camadas finas, facilitando a circulação de ar entre eles.

Figuras 98 e 99: Taro, plantas e rizomas


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