google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

PANCS: Peixinho (Stachys lanata)

 

Peixinho (Stachys lanata)

Planta perene e herbácea, atinge cerca de 20 cm de altura e forma touceiras com dezenas de propágulos. É comum seu cultivo como ornamental, muitas vezes sem o conhecimento do seu uso culinário em países como Portugal, Equador, Argentina e Uruguai.

Nomes comuns – Peixinho, lambarizinho, lambari-de-folha, orelha-de-lebre ou orelha-de-coelho.

Família botânica – Lamiaceae.

Origem – Não se sabe ao certo sua origem, mas é encontrada em estado silvestre em regiões de clima ameno da Europa e da Ásia.

Variedades – No Brasil, encontra-se praticamente um só morfotipo, não se observando variabilidade, sendo esse mantido pelos agricultores.

Clima e solo – Desenvolve-se melhor em regiões de clima ameno, com temperaturas entre 5ºC e 30ºC. No Brasil, é cultivado em locais de altitude (superior a 500m) das regiões Sudeste e Centro-Oeste e na Região Sul. Não tolera o calor excessivo, tendo seu crescimento prejudicado em temperaturas acima de 35ºC. Possui boa tolerância ao frio, inclusive geadas, mas abaixo de 5ºC por longos períodos, o crescimento das folhas é sensivelmente reduzido. Os solos devem ser bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica. Aparentemente, não floresce nas condições climáticas brasileiras.

Preparo do solo – Deve-se realizar as práticas de aração e gradagem, seguindo-se o encanteiramento. Entretanto, como é geralmente cultivada em áreas pequenas, as operações são, em geral, feitas manualmente com auxílio de enxadas. Os canteiros devem ser semelhantes aos utilizados para alface.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo com antecedência de pelo menos 60 dias do plantio e aplicar a quantidade e o tipo de calcário recomendados com base na análise de solo, buscando pH entre 5,8 e 6,3. Como não há recomendação específica para peixinho e considerando sua maior rusticidade, sugere-se metade da recomendação de adubação para alface, isto é, conforme o teor de nutrientes no solo, de até 200 kg/ha de P2O5 e 60 kg/ha de K2O, além de 25 ton/ha de composto orgânico no plantio (COMISSÃO, 1999). Deve-se aplicar 20% do K e do N no plantio e o restante parcelado mensalmente a partir da primeira colheita.

Plantio – A propagação é feita pelo desmembramento de propágulos das touceiras, plantando-se as mudas diretamente no local definitivo quando os dias são frescos. Em épocas quentes ou no período mais chuvoso do ano, deve-se fazer o enraizamento das mudas em recipientes à sombra e depois efetuar o transplantio. O espaçamento deve ser de 20 a 25 cm entre plantas.

O peixinho pode ser cultivado o ano inteiro em regiões de clima ameno, desde que haja umidade para seu desenvolvimento. Em regiões muito quentes, com temperatura média superior a 25ºC, o cultivo é dificultado no verão.

Tratos culturais – Sugere-se capinar e irrigar conforme a necessidade, não havendo recomendações específicas, lembrando que se trata de planta perene, exigindo regas no período seco do ano. É recomendada a cobertura morta, por exemplo com grama cortada, para propiciar melhor microclima e evitar respingos que sujam as folhas demasiadamente quando há chuvas fortes e solo descoberto, chegando mesmo a causar apodrecimento das mesmas.

A cultura é bastante tolerante ao ataque de pragas e doenças, possivelmente pela espessura e pilosidade das folhas. Todavia, Os nematoides do gênero Meloidogyne (nematoides das galhas) atacam as raízes das plantas causando alguma redução no seu crescimento. Periodicamente, devem-se renovar os canteiros por uma questão de adensamento excessivo que chega a causar algum apodrecimento de folhas e até mesmo a morte das touceiras, além de permitir uma redução na população de nematoides na área.

Colheita e pós-colheita – A colheita de folhas é feita a partir de 60 a 70 dias após o plantio, à medida que elas atingem um bom tamanho, superior a 8 cm, podendo atingir facilmente 15 cm. Pode produzir durante quatro a seis meses, até a necessidade de se renovar os canteiros, algo como 2 a 4 maços/m2 por semana, cada maço contendo cerca de 20 a 25 folhas ou aproximadamente 100 g, o que proporciona produção em torno de 2,5 a 5,0 kg/m2.

As folhas são consumidas fritas, empanadas ou à milanesa, devendo-se dar atenção especial à higienização. Por serem muito pilosas, as folhas devem ser muito bem lavadas para tirar as impurezas do campo, deixadas de molho por 5 a 10 minutos, e depois secas para posterior preparo ou conservação. Podem ser conservadas em geladeira, previamente embaladas em sacos plásticos.


Figuras 87, 88 e 89: Peixinho; canteiro, detalhe das folhas, folhas empanadas fritas



domingo, 5 de setembro de 2021

PANCS: Ora-pro-nóbis sem espinho (Anredera cordifolia)

 

Ora-pro-nóbis sem espinho (Anredera cordifolia)

Planta perene e trepadeira, com folhas arredondadas e suculentas. Produz tubérculos aéreos (estruturas de reserva) a cada axila das folhas e, em maior concentração, na base das plantas. Esses tubérculos são utilizados como propágulos para o plantio. É cultivada nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Nomes comuns – Ora-pro-nóbis sem espinho, espinafre-gaúcho, anredera e, no sul do Brasil, bertalha, apesar da confusão com a bertalha verdadeira, gênero Basella, de origem asiática.

Família botânica – Basellaceae.

Origem – Sul do Brasil e Uruguai.

Variedades – Não se observa ampla variabilidade morfológica.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas mais amenas, entre 15º e 25ºC nas regiões Sul e Sudeste. Por apresentar desenvolvimento inicial lento, deve ser cultivada em solos ricos em matéria orgânica e de fertilidade mediana a alta.

Preparo do solo – No caso de variedades de hábito de crescimento indeterminado, o plantio é feito em covas orientadas em linhas para tutoramento em espaldeira. O revolvimento de solo deve ser restrito às covas de plantio, deixando-se o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivos anteriores, geralmente gramíneas e leguminosas). No caso de cultivo de variedades de hábito de crescimento determinado ou mesmo as de hábito indeterminado, porém colhidas frequentemente para a comercialização, pode-se fazer o plantio em canteiros.

Calagem e adubação – A calagem deve ser feita em função da análise de solo, visando atingir pH entre 5,5 e 6,0. Para que haja elevada produção de folhas, é interessante que seja mantido bom nível de matéria orgânica no solo. A adubação orgânica pode ser feita com composto orgânico, com até 3,0 kg/m2, conforme os teores de matéria orgânica no solo. Durante o período de colheita, a cada dois meses, refazer a adubação de cobertura com até 1,0 kg/m2 de composto orgânico.

Plantio – A propagação é realizada por meio de propágulos (tubérculos aéreos), diretamente no local definitivo, podendo-se utilizar propágulos já brotados. O espaçamento sugerido é de 3,0 m entre linhas por 1,0 m entre plantas nas linhas. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste desenvolve-se melhor quando plantada de setembro a março.

Tratos culturais – Recomenda-se manter as plantas infestantes sob controle, por meio de capinas manuais; irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos; e efetuar tutoramento em espaldeira semelhante ao usado para tomate vertical, em linha simples. Devido à sua rusticidade, raramente as plantas são afetadas por pragas ou doenças, a não ser esporadicamente por pragas desfolhadoras (formigas, gafanhotos ou coleópteros).

Colheita e pós-colheita – A colheita das folhas é feita, geralmente, a partir dos quatro ou cinco meses após o plantio, assim que as plantas atingem cerca de 1,5 a 2,0 m. Recomenda-se, quando necessário, a conservação em sacos plásticos em geladeira, o que preserva as folhas em ótimas condições por até cinco dias. A produtividade pode variar em torno de 100 a 200 g/planta mensalmente, perdurando por seis meses ou mais.

As folhas macias e suculentas podem ser consumidas em saladas, refogadas e em combinação com outras hortaliças, carnes e aves. Relatos indicam que os tubérculos aéreos, inclusive auqeles formados no colo da planta, podem ser consumidos de modo similar à batata (Solanum tuberosum).

Figuras 84, 85 e 86: Ora-pro-nóbis sem espinho ou anredeira, planta, tubérculos aéreos e colo da planta com propágulos




domingo, 8 de agosto de 2021

PANCS: Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

 

Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

Do latim ‘‘ora pro nobis’’, “rogai por nós”, é uma das poucas cactáceas com folhas desenvolvidas. É planta perene, com características de trepadeira semiereta, mas pode crescer sem a presença de anteparo, com folhas suculentas lanceoladas. As flores são pequenas e brancas. Há espécies com flores rosadas. Os frutos são pequenas bagas espinhosas amarelas. No caule há a presença de acúleos (falsos espinhos), que, nos ramos mais velhos, crescem aglomerados. Existe uma variedade, na verdade outra espécie, a Pereskia grandifolia, comumente chamada de ora-pro-nóbis de árvore, que cresce como árvore de tronco lenhoso e robusto. Também é cultivada para fins de produção de mel por apicultores, pois apresenta floração rica em pólen e néctar.

Nomes comuns – Ora-pro-nóbis, lobrobro, lobrobó e pereskia.

Família botânica – Cactaceae.

Origem – É originária das Américas, onde se relata a presença nativa de plantas desde a Flórida até o Brasil.

Variedades – Não existe uma sistematização ou registro de variedades, havendo, porém, grande variabilidade, observando-se folhas mais ou menos coreáceas, arredondadas ou alongadas, mais ou menos pigmentadas, e plantas mais ou menos espinhosas, ocorrendo a seleção empírica de variedades locais.

FLORAÇÃO

Clima e solo – É planta rústica, muito resistente à seca, própria de clima tropical e subtropical. Devido à sua rusticidade, a planta adapta-se a diversos tipos de solo, sendo pouco exigente em fertilidade. Não tolera encharcamento, com senescência ou paralisação no desenvolvimento, devendo ser cultivada em solos bem drenados.

Preparo de solo – Recomenda-se o preparo localizado, manual, restrito às covas ou sulcos, mais comum quando se faz o plantio para cercas. Entretanto, pode-se efetuar o preparo em área total, no caso de lavouras maiores.

Calagem e adubação – É relativamente pouco exigente em fertilidade, mas produz melhor quando adubada. A calagem deve ser feita em função da análise de solo, aplicando calcário visando atingir pH entre 5,5 e 6,0. Para que haja elevada produção de folhas, é interessante que seja mantido bom nível de matéria orgânica no solo. A adubação orgânica pode ser feita com composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro no plantio e, a cada corte, realiza-se uma adubação de cobertura com um terço desta dose. No caso de plantios maiores, visando colheita comercial, sugere-se seguir a recomendação para roseira, ou seja, de 100 a 300 kg/ha de P2O5 e de 80 a 240 kg/ha de K2O, devendo-se fornecer 40% do K e todo o fósforo no plantio. Em cobertura, recomenda-se a aplicação 60 dias após o transplantio de 40 kg/ha de N e, após cada corte, que costuma ser a cada 2 meses em períodos de pleno crescimento, 30 kg/ha de N e 20 a 40 kg/ha de K2O.

Plantio – A propagação da planta é vegetativa, feita pelo enraizamento de estacas de caule. O material proveniente da região intermediária do caule é o que apresenta melhor pegamento. As estacas devem ter de 20 a 30 cm de comprimento, dos quais cerca de 15 cm (parte basal) são enterrados em substrato. Para o preparo das mudas, pode-se usar composto orgânico ou substrato comercial, misturado a solo desinfestado na mesma proporção. As mudas serão transplantadas com cerca de 30 a 45 dias, após seu enraizamento. O espaçamento é variável dependendo da utilização, seja para produção de folhas ou para cerca viva. No caso de produção de folhas, pode-se utilizar o espaçamento de 1,0 a 1,3 m entre fileiras e 0,4 a 0,6 m entre plantas. Também se pode plantar em linhas duplas distantes 0,6 a 0,8 m entre si com 1,2 m entre as linhas duplas. No caso de cerca viva, trata-se de uma única linha, devendo-se dispor as plantas espaçadas de 1,0 a 1,5 m entre si.

É interessante que o plantio seja planejado para o início do período chuvoso, pois apesar da planta apresentar tolerância à seca, é importante que se tenha um aporte hídrico na fase inicial de desenvolvimento para o seu estabelecimento que, depois de plenamente enraizada, torna-se tolerante à seca.

Tratos culturais – Em períodos de seca, para que a planta continue produzindo é necessário irrigar, pelo menos, uma vez por semana. Mas cabe citar que já foi observada produção exuberante mesmo em regiões semiáridas do norte de Minas Gerais, sem irrigação por até 2 meses após o término das chuvas. Deve-se manter a cultura no limpo por meio de capinas. Outra prática recomendada, para manter a planta bem conduzida e para que tenha maior produção de folhas vistosas, é realizar podas periódicas (colheitas, na verdade), a intervalos de dois a três meses, mantendo-se a altura das plantas entre 1,0 m a 1,2 m. Durante o desenvolvimento da cultura pode ser verificada alguma desfolha causada por besouros (vaquinhas e idiamins). Em locais encharcados, pode haver podridão, que parece estar associada à falta de oxigênio para as raízes e não exatamente a patógenos, apesar de se observar posteriormente bactérias decompositoras

Colheita e pós-colheita – A colheita pode ser iniciada três meses após o plantio. A coleta das folhas é feita quando estas apresentam de 7 a 9 cm de comprimento. Pode-se fazer a colheita de duas formas, das folhas individualmente ou das hastes, efetuando-se a retirada das folhas à sombra. A colheita deve ser feita com o auxílio de luvas para evitar ferimentos nas mãos. Quando se colhem hastes, efetua-se o rebaixamento das plantas, deixando-as com cerca de 1,0 a 1,2m de altura, prática recomendada em alguns casos como o de plantios para produção comercial. A conservação das folhas da ora-pro -nóbis é relativamente boa, principalmente se forem embaladas em sacos plásticos e colocadas na geladeira, o que amplia em pelo menos cinco dias seu período de conservação. O rendimento da cultura varia de 2,5 a 5,0 ton/ha a cada corte, sendo comum três a quatro cortes por ano.

As folhas são utilizadas na colinária mineira, refogadas, em substituição a outras hortaliças folhosas, ou combinando o ora-pro-nóbis com aves, como o tradicional prato “frango com ora-pro-nóbis” servido pela gastronomia em cidades históricas mineiras como Tiradentes e Sabará, havendo nesta última o festival anual do ora-pro-nóbis. Destaca-se pelo paladar peculiar e único e por suas propriedades funcionais, particularmente rica em proteína, sendo conhecida como a “carne vegetal”.

FLOR

FRUTO

Ora-pro-nóbis, plantas em cerca viva e folhas

Ora-pro-nóbis comum e Ora-pro-nóbis de árvore



sábado, 31 de julho de 2021

PANCS: Cultivo do Muricato (Solanum muricato)

 

Muricato (Solanum muricato)

Planta perene, herbácea, semi-prostrada que produz frutos ovóides. Encontrada esporadicamente em quintais de casas nas regiões Sul e Sudeste, mas é nos países andinos como Peru, Equador e Colômbia que assume importância econômica, sendo comum em feiras, mesmo nas grandes cidades.

Nomes comuns – Melão andino, melão peruano, meloncito, pepino (Peru).

Família botânica – Solanaceae, a mesma da batata e tomate. Origem – Países andinos (Peru, Equador e outros).

Variedades – No Brasil, não se encontra atualmente variedades sistematizadas. Observa-se em campo alguma variabilidade com relação aos frutos, referente ao paladar (mais ou menos doces) e à presença de listras mais ou menos marcadas em sua casca.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas amenas, adaptando-se bem às regiões Sul e Sudeste e locais com altitude superior a 1000m no Centro-Oeste. Exige solos com boa fertilidade e bem drenados.

Preparo do solo – O plantio é feito em leiras, após a realização da aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. As leiras deverão ter 1,0 a 1,2 m entrelinhas por 20 a 25 cm de altura.

Calagem e adubação – Recomenda-se a correção do pH com calcário, em função da análise de solo, para uma faixa de 5,8 a 6,3. Como não há recomendação específica para muricato, sugere-se adubação similar à realizada para tomate rasteiro, reduzindo, no entanto, os níveis à metade do recomendado, em função de sua maior rusticidade. Assim, recomenda-se até 300 kg/ha de P2O5, 100 kg/ha de K2O e 60 k/ha de N (COMISSÃO, 1999). Adicionalmente, recomenda-se a adubação orgânica com até 20 ton/ha de composto orgânico, a depender dos teores de matéria orgânica no solo. Pelo maior ciclo cultural do muricato, sugere-se aplicar 40% do K e 20% do N no plantio e o restante parcelado em duas adubações de cobertura aos 40-45 dias e aos 75-90 dias após o transplantio.

Plantio – A propagação é feita pelo enraizamento de estacas (ramos). Para garantir pleno pegamento, sugere-se o enraizamento em recipientes individuais e o transplantio aproximadamente 30 dias após, quando as mudas estão plenamente enraizadas e brotadas. Nas leiras, o transplantio deve ser feito no espaçamento de 0,3-0,5 m entre plantas.

O muricato pode ser plantado durante o ano todo em regiões de clima ameno, e de março a junho, sob irrigação quando necessário, em regiões muito quentes, com temperatura média acima de 25ºC. De forma geral, recomenda-se o cultivo em períodos que apresentem temperaturas menos elevadas.

Tratos culturais – Recomenda-se manter a cultura livre de plantas infestantes, em geral por meio de capinas manuais e irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos. Deve-se também monitorar a incidência de insetos desfolhadores como vaquinhas e gafanhotos e realizar a catação manual destes, ou a aplicação de caldas repelentes, se necessário. Em regiões ou épocas quentes é comum a ocorrência de podridões.

Colheita e pós-colheita – A colheita é feita a partir de 4 a 5 meses após o plantio e deve ser feita somente quando os frutos maduros mudam de tonalidade para um tom amarelado. Quando verdes, podem ser usados em saladas, assemelhando-se a pepino, sendo inclusive assim denominado no Peru e Equador. A produtividade pode atingir 20 a 40 ton/ha. Os frutos são consumidos como melão, em sobremesa. Também se pode fazer sucos e doces.

Figuras 78 e 79: Muricato, planta e fruto




terça-feira, 20 de julho de 2021

Cultivo do Tamarilho (tamarillo)


Ficha técnica do tamarilho

Origem: Bolívia e Peru.

Altura: Arbusto entre dois e quatro metros.

Propagação: Geralmente por sementes, menos comum por estaquia.

Plantio: Primavera e verão.

Solo: Solos profundos e férteis, bem drenados.

Clima: Prefere clima subtropical, também tolera clima temperado.

Exposição: Sol pleno.

Colheita: Geralmente no outono e parte do inverno.

Manutenção: Regas, mondas, controlo de pragas.

Cultivo e colheita

O tamarilho é um fruto que cresce bem em climas subtropicais, mas também nalgumas zonas temperadas.

Em Portugal, as zonas mais propícias para o seu crescimento são a Madeira, os Açores e o Algarve.

Ao redor do mundo, além da sua zona de origem, o tamarilho é cultivado em países como Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, Índia (nalgumas regiões), Nepal, Butão e Estados Unidos.

A forma mais fácil de o propagar é através de sementes visto que a taxa de germinação é bastante elevada e conseguem obter-se muitas plantas.

Também pode ser feita a partir de estacas, mas é menos comum.

Em Portugal, onde devem ser cultivados em zonas de pleno sol, abrigadas dos ventos e sem geadas, tendem a perder as folhas no inverno, voltando a ter rebentos na primavera.

É uma planta de crescimento rápido, cuja longevidade costuma rondar os 12 anos, não dura muito. Os tamarilhos só devem ser transplantados para o seu local definitivo com cerca de um metro de altura.

Existem tamarilhos de diversas cores. Os mais comuns nos mercados europeus são os vermelhos e púrpura, que, apesar de serem mais ácidos, são preferidos. Os amarelos e os cor de laranja têm níveis de acidez um pouco mais baixos.

A colheita costuma efetuar-se em Portugal no outono e parte do inverno. Após a colheita, os frutos aguentam-se cerca de dez semanas, ou seja, é uma fruta com potencial para comercialização.



Manutenção

Antes da plantação, convém considerar que é uma planta que necessita de estar protegida dos ventos, pois o seu sistema de raízes é frágil e não permite que a planta aguente ventos fortes.

Este sistema de raízes superficial faz com que não se possa sachar em profundidade, logo a monda deve ser manual e feita cuidadosamente.

Pode ainda usar cobertura de aparas de madeira ou de palha, entre outras, poderá evitar o aparecimento de ervas indesejáveis e ajudar a manter a humidade.

Isto também é importante porque os tamarilhos são pouco resistentes à seca, necessitam de ser regados com frequência nos meses de menor precipitação. A falta de rega poderá levar à morte da planta ou à infestação de pragas.

A fertilização da planta deverá distribuir-se ao longo do ano, com foco na primavera e no verão. As podas estimulam a produção, a limpar os ramos mortos e a controlar a forma e a altura do arbusto.

Pragas e doenças

Tal como outras plantas do género Solanum, esta espécie é sensível a pragas, especialmente a mosca-branca e os afídeos. Devemos estar atentos, para podermos combatê-las logo desde o início e evitarmos grandes infestações descontroladas.

É uma planta que apanha com facilidade doenças que afetam o tomateiro, como o míldio, nemátodos ou vírus. Não se deve por isso plantá-lo junto de tomateiros, mas numa zona do jardim ou quintal mais afastada.

Existem vários métodos biológicos para controlo de pragas e vírus, que poderão ser utilizados no caso do tamarilho.

Propriedades e usos

Este é um fruto que apresenta boas características nutritivas aliadas a um baixo nível de calorias. É muito rico em vitaminas A e C e também em cálcio, magnésio e ferro.

O seu sabor inclina-se para o ácido, lembrando uma mistura entre o tomate e o maracujá-roxo.

Pode ser consumido cortado ao meio e retirando a polpa com uma colher ou adicionado a saladas. Também podem ser cozinhado, grelhado ou assado. Pode igualmente ser consumido sob a forma de sumo, compotas, doces e molhos.

Assim, o seu consumo ajuda a prevenir doenças cancerígenas, a controlar a tensão arterial, os níveis de colesterol, e outros benefícios para a saúde.

Tamarilho: já plantou esta árvore de fruto na sua horta?

O tamarilho, como vulgarmente é conhecido, teve origem na América do Sul, é também conhecido  como tomate-de-árvore ou tomate-maracujá.  Independentemente do nome que se dá a este fruto, é certo que a sua popularidade tem vindo a aumentar. Baixo em calorias e riquíssimo nutricionalmente, o tamarilho pode facilmente ocupar um espaço muito especial na sua horta.


Tamarilho: tudo o que deve saber sobre esta árvore de fruto

Os tamarilhos cujo nome científico é  Solanum betaceum,  consistem em pequenas árvores de fruto que não atingem mais de 5 metros de altura e que pertendem à família das solanáceas (tomateiros, batateiras, beringelas, physalis, entre outras). No que diz respeito às variedades destas árvores de fruto, existem variedades de  de fruto amarelo e de fruto vermelho, que são as mais populares.

Esteticamente,  frutos são parecidos com o tomate, caracterizando-se por terem forma oval e pontiaguda. O sabor dos tamarilhos também é marcante: agridoce. Pode consumi-los de diversas formas: em fresco, em sobremesas, sumos e compotas. Na ilha da Madeira, por exemplo, são utilizados na preparação da tão famosa bebida, a poncha.

Como obter esta planta?

Pode adquirir esta árvore de fruto num viveiro (já pronta a plantar) ou pode propagar este fruto por semente ou por estaca.

Caso opte pela sementeira, deve fazer o seguinte:

Remova as sementes do fruto, lave-as e colocando-as em vasos.

Misture um pouco de areia na sua terra ou compre um substrato adequado para este tipo de árvores. Caso opte pelo substrato, garanta que este esteja sempre húmido.

Depois de proceder à sementeira, coloque os vasos num local abrigado e com temperaturas amenas.

Caso opte pela multiplicação por estaca, deve fazê-la pela Primavera, enraizando os rebentos jovens, com cerca de 20-30cm de comprimento. Estes rebentos devem ser tratados de forma especial. Para induzir o seu enraizamento, coloque um pó ou gel de enraizamento, que pode ser comprado em qualquer  loja da especialidade.  Depois desta procedimento, deve manter as  estacas em vasos com o mesmo tipo de substrato que escolher na operação anterior e colocá-las em local abrigado.

Como plantar tamarilho na sua horta ou pomar

Antes de plantar esta árvore de fruto na sua horta ou pomar, deve ter em atenção que estas plantas têm um crescimento muito rápido.

No entanto, estas árvores de fruto, devem apenas ser transferidas para o local definitivo quanto atingem cerca de 1 metro de altura, e por altura da Primavera.

Antes de plantar esta árvore de fruto, faça uma cova com cerca de 40-50cm de profundidade, podendo nesta altura incorporar o composto proveniente da compostagem, caso esta situação se aplique.

Depois de colocar a planta na cova, tape-a, regando o solo  logo de seguida.  Um boa ideia que pode adotar será colocar folhas secas em redor da planta, auxiliando desta forma a proteger a planta, mantendo o solo húmido (que é essencial).

Cuidados essenciais que deve ter com esta árvore de fruto

Rega

Tente regar de forma frequente para garantir que o solo fica sempre húmido, mas evite que este encharque! Por altura da Primavera,  faça uma poda para eliminar ramos secos e doentes e promover o crescimento de ramos laterais ( evitando que a árvore cresça em demasia).

Colheita

A altura ótima para colher estes frutos na sua horta ou pomar é  entre os meses de Novembro e Março. Quantos estes frutos apresentam uma cor uniforme e um pouco moles ao toque, estão no ponto!



Os  benefícios do tamarillo

  O Tamarillo possui possui propriedades que ajudam no tratamento e no combate de várias doenças no corpo. O Tamarillo também contém uma variedade de benefícios que ajudam em diversos problemas de saúde. Consuma essa fruta regularmente para aproveitar seus benefícios.

 O Tamarillo cresce em arbustos ou árvores pequenas. Tamarillo é normalmente conhecido como tomates de árvore, devido à sua cor Laranja, Amarelo e Vermelho. São cerca de 2 a 4 polegadas de comprimento e têm um sabor acetoso. O Tamarillo é rico em ferro e vitaminas e tem pouca quantidade de calorias. Tamarillo contém vitamina A que é essencial para uma visão saudável, pele, ossos e outros tecidos no corpo. A vitamina A também funciona como antioxidante que resiste ao dano celular e tem vários outros benefícios também. Tamarillo contém Beta-Caroteno, que também é conhecido como pró-Vitamina A.

Então, confira os  benefícios do tamarillo :

  Para Melhorar o Sistema Imunológico: Tamarillo contém grandes quantidades de vitamina C. A vitamina C pode prevenir deficiências do sistema imunológico, doenças cardiovasculares e doenças oculares. A vitamina C também é recomendada para prevenção de problemas de saúde pré-natal e para uma pele saudável.

  Antioxidantes: A vitamina E é importante por suas propriedades antioxidantes. Os antioxidantes removem os compostos instáveis, evitando danos celulares. A vitamina E também reduz o colesterol e previne o câncer.

  Auxilio do Metabolismo: Tamarillo é uma fonte média de vitamina B e complexo B. Essas vitaminas regem o metabolismo corporal que converte os alimentos em nutrientes requeridos pelos tecidos e órgãos. Com a quantidade adequada de alimentos e vitaminas B, você permanecerá energizado.

  Para Reduzir o Peso: Para aqueles conscientes sobre seu peso, ou aqueles que querem perder algum peso, o Tamarillo serve de grande ajuda para reduzir o peso de modo eficiente e saudável.


domingo, 18 de julho de 2021

PANCS: Mostarda (Brassica juncea)

 

Mostarda (Brassica juncea)

Planta herbácea anual de caule ereto, folhas longas e estreitas com bordas serrilhadas, que atinge entre 1,0 e 1,5 m de altura. As flores são pequenas, amarelas, em inflorescência terminal, seguidas de frutos redondos, a mostarda em grão. A mostarda usada no Brasil para o preparo do molho de mostarda, produzido a partir dos grãos da mostarda branca, é importada. Em outros países, utilizam-se outras espécies como a mostarda marrom (Brassica juncea), a Oriental ou amarela (Brassica hirta) e a mostarda escura ou preta (Brassica nigra), mais forte. No caso, abordaremos a utilização da mostarda enquanto hortaliça folhosa.

Nomes comuns – Mostarda, mostarda ardida, mostarda-folha.

Família botânica – Brassicaceae, a mesma do repolho e da couve.

Origem – Europa.

Variedades – Observa-se variabilidade com relação a porte e formato das folhas, além de precocidade no florescimento. Existem variedades de mostarda disponibilizadas por empresas de sementes, basicamente a mostarda de folhas lisas e a de folhas crespas.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas mais amenas nas regiões Sul e Sudeste. É bem rústica, adaptando-se a vários tipos de solo.

Preparo do solo – O plantio é feito em canteiros, após as práticas de aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. Os canteiros deverão ter 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura. A adubação deve ser feita após o encanteiramento.

Calagem e adubação – A correção do solo deve ser feita em função de análise para uma faixa de 5,5 a 6,0. Como não há recomendação específica para mostarda, sugere-se metade da recomendação de adubação para alface, ou seja, até 200 kg/ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O, 20 k/ha de N e 25 ton/ha de esterco de curral no plantio (Comissão, 1999), aplicando-se 20% do potássio (K) e do nitrogênio (N) no plantio e o restante parcelado em duas adubações de cobertura aos 20-25 dias e aos 40-45 dias após o transplantio.

Plantio – A propagação é feita por sementes. Realiza-se a produção de mudas para transplantio, geralmente em bandejas à semelhança do método utilizado para outras brássicas. O espaçamento deve ser de 0,3 a 0,4 x 0,3 a 0,4 m. É comum, entretanto, em hortas caseiras o simples manejo de plantas espontâneas, originadas a partir de sementes que caem ao solo. Neste caso, é recomendado selecionar as plantas mais vigorosas para florescimento e produção local de sementes.

Pode ser plantada durante o ano todo em regiões de clima ameno, e de março a outubro em regiões muito quentes, com temperatura média acima de 25ºC. De forma geral, recomenda-se o cultivo em períodos com temperaturas menos elevadas.

Tratos culturais – Manter a cultura livre de plantas infestantes, em geral por meio de capinas manuais. Irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos. Apesar da rusticidade da cultura, observa-se a ocorrência de alguns insetos desfolhadores como vaquinhas e gafanhotos, os quais não tendem a causar danos severos as plantas.

Colheita e pós-colheita – A colheita é feita a partir de 50 a 75 dias após o transplantio, quando as folhas atingem 20 a 25 cm de comprimento, estando ainda tenras. É feita a catação das folhas, deixando-se as plantas e formando maços, ou também se pode colher a planta inteira. Quando embalada em sacos plásticos ou recipientes fechados e armazenada sob refrigeração, a mostarda pode ser conservada por até sete dias. A produtividade pode variar de 20 a 40 ton/ha.

As folhas, que possuem paladar ardido característico, podem ser consumidas cruas em saladas, cozidas em sopas ou refogadas, pura ou associada a outros ingredientes. As sementes também podem ser utilizadas na alimentação como tempero, desidratadas ou em pó. Além disso, a mostarda também pode ser utilizada como adubo verde, melífera e ornamental.

Figuras 76 e 77: Mostarda, na fase vegetativa e na fase de florescimento



quinta-feira, 15 de julho de 2021

PANCS: Cultivo do Mangarito (Xanthosoma riedelianum)

 

Mangarito (Xanthosoma riedelianum)

O mangarito fazia parte da dieta dos índios e, claro, fez sucesso quando chegou ao prato dos colonizadores a ponto de ser mencionado por cronistas épicos como Gabriel Soares de Sousa, autor do “Tratado Descritivo do Brasil”, de 1587, e do padre jesuíta Fernão Cardim, que escreveu o “Tratado da Terra e Gente do Brasil”, de 1625. No clássico “O Cozinheiro Nacional” (reeditado pela Editora Senac São Paulo em 2008), segundo livro de culinária publicado no Brasil, o mangarito é citado numa receita de ensopado (FRAGATA, 2012). Muito apreciado no passado, nos dias de hoje é praticamente desconhecido. Ainda é encontrado esporadicamente em feiras nas cidades do interior de Minas Gerais como Uberlândia, Patrocínio e Montes Claros. Tem aumentado a produção na região de Joinville, estado de Santa Catarina. Acredita-se que, apesar de ser iguaria culinária por seu paladar único, seu desuso é decorrente da baixa produtividade e do aspecto visual. Entretanto, esforços para preservar este material realizados por entusiastas como o Sr. João Lino no interior de São Paulo, e instituições de pesquisa e Universidades (UFMG, campus de Montes Claros, UFV, Epamig, Emater-MG, Embrapa Hortaliças, entre outras) tem contribuído para preservação e difusão desta espécie. Alguns autores referem-se ao mangarito pelo nome científico de X. mafaffa, mas Gonçalves (2011) e Cavalcanti (2011) apresentam evidências morfológicas de que se trata de X. riedelianum.

Nomes comuns – Mangarito, mangareto, mangará, tayaó (guarani), malangay, tannia.

Família botânica – Araceae, a mesma família das taiobas e do taro.

Origem – Regiões tropicais das Américas Central e do Sul, podendo ser encontrado no México, Venezuela, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Porto Rico, Peru e Brasil.

Variedades – Não há variedades sistematizadas, mas observa-se variabilidade em clones apresentando rizomas de coloração interna branca, amarela e arroxeada. O que ocorre, na prática, é a manutenção de variedades locais e, muitas vezes, o plantio em quintais com a mistura de diferentes clones.

Clima e solo – Desenvolve-se plenamente em regiões tropicais úmidas, porém necessita de estação seca para produção satisfatória de rizomas. Adapta-se bem a cultivos de verão em outras regiões do Brasil de clima mais ameno. Os solos devem ser profundos, bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – Consiste em aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. Em seguida, efetuam-se o enleiramento ou encanteiramento e a adubação.

Calagem e Adubação – É planta muito rústica, mas em solos empobrecidos responde à correção e à adubação. Quando necessário, aconselha-se efetuar a correção da acidez do solo com dois meses de antecedência e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, de modo a obter pH entre 5,5 e 6,0. A adubação deve ser baseada nos níveis de nutrientes observados na análise de solo. Como não há recomendação específica para mangarito, sugere-se utilizar a recomendação para taro (ex-inhame), o que representa até 180 kg/ha de P2O5 e 90 kg/ha de K2O, fornecendo 30% do N e 50% do K no plantio (COMISSÃO, 1999). O restante do N e K são fornecidos em cobertura aos 40-45 e 75-90 dias após o plantio.

Plantio – A propagação é feita por pequenos rizomas, diretamente no local definitivo. Propágulos com 1 a 1,5 cm aumentam a produção comparativamente a propágulos muito diminutos, menores que 0,5 cm. Ainda assim, esses podem ser utilizados para multiplicar o material. O espaçamento deve ser de 0,4 a 0,5 m entre as leiras e de 0,2 a 0,3 m entre plantas nas leiras. É também comum o plantio em canteiros no espaçamento de 0,25 0,30 x 0,25-0,30 m e no caso de plantios tardios, pode-se usar até 20 x 20 cm.

Em regiões tropicais e equatoriais com chuvas durante todo o ano o cultivo pode ser realizado o ano inteiro, enquanto em regiões subtropicais ou tropicais de altitude, o cultivo é restrito à época mais quente do ano (setembro-outubro a março-abril), permanecendo a cultura em dormência durante o período frio e/ ou seco do ano. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o mangarito é plantado normalmente em setembro-outubro, no início do período chuvoso, e no Nordeste, pode ser plantado a partir de dezembro. Ensaios no Planalto Central tem demonstrado que o plantio tardio (final de novembro a início de dezembro) reduz o excessivo perfilhamento proporcionando o desejado efeito de menor número de rizomas por plantas que ficam então com maior tamanho. Como a parte aérea das plantas fica menor, é possível adensar o plantio.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida no limpo, por meio de capinas manuais. Deve-se irrigar conforme a necessidade, não havendo recomendações específicas para mangarito, lembrando que, em geral, é cultivado no período chuvoso, dispensando irrigação. A cultura é bastante tolerante a pragas e doenças. Contudo, Leite, et al. (2000) relatam a ocorrência de pulgões do gênero Aphis, ácaros do gênero Tetranichus, tripes do gênero Frankliniella e nematoides do gênero Meloidogyne, os quais podem causar alguns danos aos rizomas.

Colheita e pós-colheita – A colheita tem inicio 6 a 8 meses após o plantio, quando as folhas entram em senescência. São separados os rizomas com tamanho superior a 2 cm para o consumo, deixando-se os menores para propagação, onde é feita a limpeza, eliminando-se o solo aderido. A produtividade pode atingir até 15 ton/ha em cultivos mais adensados.

As folhas do mangarito são comestíveis, mas são os rizomas, que apesar de relativamente pequenos, representam verdadeira iguaria culinária de paladar particularmente especial, sejam cozidos, fritos, salteados (“sauté”) ou em cremes. Em tempos passados, era muito apreciado no meio rural no café da manhã ou lanche da tarde, quando cozido ou assado no forno a lenha e depois recoberto de melado.

Figuras 72 e 73: Mangarito com muitos perfilhos e touceiras com rizomas pequenos

Figuras 74 e 75: Mangarito com plantas pequenas e rizomas maiores



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