sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Aboboras: Como comprar, conservar, consumir



A abóbora é uma cultura muito difundida no Brasil. Originária na América, era parte da base de alimentação das civilizações Asteca, Inca e Maia. 
Pertence à família Cucurbitácea, a mesma da melancia, do melão, do chuchu e do pepino. A abóbora é um fruto rico em vitamina A. Também fornece vitaminas do complexo B, cálcio e fósforo. Tem poucas calorias e é de fácil digestão.

Como comprar

Existem vários formatos, tamanhos e cores de frutos, todos com casca bem grossa e dura. 
As abóboras mais facilmente encontradas são a abóbora seca (frutos grandes de até 15kg), o tipo Baianinha (frutos pequenos de pescoço e casca rajada) e abóbora japonesa ou Kabotiá (fruto com gomos, como a moranga, mas de casca verde-escura).
Os frutos devem apresentar-se com a casca sem brilho. Casca com brilho indica que estes foram colhidos muito novos ou não amadureceram totalmente e são de menor qualidade quando comparados aos frutos totalmente maduros. Prefira frutos sem machucados e ferimentos e sem sinais de mofo ou podridão.
Manuseie os frutos com cuidado. Apesar de parecerem resistentes ao manuseio, os frutos apodrecem mais rapidamente a partir dos pontos onde foram machucados, mesmo que estes não sejam aparentes.

Como conservar

A abóbora é uma hortaliça muito versátil, podendo ser consumida em diferentes formas como saladas, cozidos, refogados, sopas, curau, purê, pães, bolos, pudins e doces. 
As sementes podem ser torradas e consumidas como aperitivo, sendo além de saborosas, muito ricas em nutrientes, especialmente ferro. Lave bem as sementes, seque-as em um pano limpo ou papel absorvente, tempere com sal e leve ao forno quente por cerca de 40 minutos.
Mexa de vez em quando para que fiquem torradas por igual.
Para fazer doces em pasta, em calda ou cristalizado, dê preferência à abóbora seca (de frutos grandes). Para pudins e curau os três tipos podem ser utilizados. 
Para pratos salgados, a abóbora japonesa é a mais indicada por ter a polpa mais enxuta.
O descongelamento pode ser feito em condição ambiente, na parte baixa da geladeira ou durante o preparo do prato.
Os frutos podem ser mantidos por cerca de 3 meses após a colheita, em condição ambiente, em local fresco e seco. Mantenha os frutos com cabinho, pois assim se conservarão por mais tempo.

Como consumir

A abóbora seca comprada em picada em pedaços grandes e com casca tem menor durabilidade que a abóbora inteira, e deve ser conservada em geladeira, envolvida com plástico, por até uma semana.
Para congelar, corte a abóbora em cubos ou fatias. Faça o pré-cozimento em água fervente por 3 minutos ou em microondas por 4 minutos. Acondicione em saco plástico, retire o ar com uma bombinha de vácuo e leve ao congelador. 
A abóbora também pode ser congelada na forma de purê.

Pudim de abóbora


Ingredientes:

1. Reserve a clara, bata no liquidificador os demais
ingredientes, até formar uma
mistura homogênea.
.1 lata de leite condensado
.A mesma medida de leite
.1 xícara (chá) de abóbora cozida
.2 colheres rasas (sopa) de amido de milho
.3 gemas
.3 claras batidas em neve

Modo de fazer:

1. Reserve a clara, bata no liquidificador os demais ingredientes, até formar uma mistura homogênea.
2. Coloque a massa em uma vasilha e junte as claras, misturando levemente.
3. Caramelize a forma com açúcar, coloque a mistura nesta forma. Asse em banho-maria, em temperatura média, ou cozinhe em forma própria para pudim.

Tempo de preparo: 45 minutos
Rendimento: 10 porções
Sugestão: o pudim pode ser enriquecido com duas colheres de coco ralado.

Macarrão ao molho de abóbora


Ingredientes:

.1 colher (sopa) de óleo
.1 cebola média, picada em pedacinhos
.1 dente de alho amassado
.1 xícara (chá) de requeijão cremoso
.3 xícaras (chá) de abóbora cozida e amassada
.250 g de macarrão tipo parafuso cozido al dente
.1 xícara (chá) de água
.1 xícara (chá) de cheiro verde picado
.Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de fazer:

1. Coloque na panela o óleo e refogue a cebola, o alho e em seguida acrescente a abóbora
amassada e a água e mexa bem.
2. Junte o requeijão, o sal e a pimenta, misture bem e deixe ferver até formar um creme homogêneo.
3. Junte o cheiro verde, misture bem e desligue o fogo.
4. Numa travessa coloque o macarrão e jogue por cima o molho. Sirva quente.

Tempo de preparo: 30 minutos
Rendimento: 5 porções
Sugestão: o requeijão pode ser substituído por creme de leite.



quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Cultivo do Almeirão-de-árvore (Lactuca canadensis )


Almeirão-de-árvore (Lactuca canadensis )

NOMES POPULARES: Almeirão-roxo, almeirão-do-mato, Língua de vaca.

Hortaliça folhosa da família Asteraceae, a planta é anual, ereta e vigorosa, podendo atingir 2,0 m de altura. 
O almeirão-de-árvore é nativo da América do Norte, sendo porém encontrado de norte a sul do Brasil. Apresenta folhas lanceoladas, por vezes lobadas ou repicadas, verde-claras lisas ou com nervuras roxas (variegadas). 
Tem inflorescências em capítulos, flores amarelas e sementes pretas.

A almeirão-de-árvore está sendo estudada no âmbito do projeto “Avaliação agronômica, caracterização nutricional e estudo da vida útil de hortaliças não convencionais”, da Embrapa Hortaliças, que busca tornar acessíveis informações sobre essas espécies com o intuito de fomentar a produção, o consumo e a comercialização. Outras espécies estudadas são: amaranto, anredera, azedinha, beldroega, bertalha, capuchinha, cará-do-ar, caruru, fisális, jambu, major-gomes, mangarito, maxixe-do-reino, muricato, ora-pro-nóbis, peixinho, serralha, taioba e vinagreira.



Plantio

Adapta-se a vários tipos de solo, desde que bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica. 
O plantio é feito em canteiros com 1,0 m a 1,2 m de largura por 10 cm a 15 cm de altura. 
A propagação é feita por sementes, produzindo mudas em sementeiras no solo, em copinhos de jornal ou em bandejas, nos quais as mudas se desenvolvem até alcançarem as características necessárias para o transplante. 
O plantio definitivo ocorre em canteiros, utilizando-se o espaçamento de 30 cm a 40 cm x 30 cm a 40 cm. Também é comum em hortas caseiras o cultivo de plantas espontâneas de almeirão-de-árvore originadas a partir de sementes que caem ao solo. Nesse caso, é recomendado selecionar as plantas mais vigorosas, com boa produção de folhas, para florescimento e coleta de sementes.
O plantio pode ocorrer durante o ano todo em regiões de clima ameno e, de março a outubro, em regiões mais quentes, com temperatura média acima de 25 °C. No geral, recomenda-se o cultivo em períodos com temperaturas menos elevadas. 
A colheita é feita a partir de 60 a 70 dias após o transplante, quando as folhas atingem de 20 cm a 30 cm de comprimento. 
Elas devem estar tenras, firmes e sem sinais de murchamento ou pontos escuros. 
É feita a retirada das folhas, mantendo-se pelo menos 3 ou 4 folhas por planta para que ocorra uma melhor recuperação da planta. 
A colheita deve ser realizada de baixo para cima, estendendo-se por semanas, ou até meses, dependendo das condições climáticas e do estado vegetativo e fitossanitário da cultura. 
A produtividade varia de 20 a 40 toneladas por hectare.

Conservação e usos

As folhas macias são ricas em minerais, especialmente potássio e cálcio. Elas também apresentam boa fonte de proteína e fibras, 18 e 30% em base seca, respectivamente.
Em condição ambiente, as folhas devem ser mantidas depois da colheita com a parte basal em uma vasilha com água e em lugar fresco e arejado. O almeirão-de-árvore pode ser armazenado por cerca de três dias na geladeira, embalados em sacos plásticos ou em um recipiente fechado. As folhas de plantas novas são mais
suaves e saborosas, podendo ser consumidas cruas. No entanto, a forma de consumo mais comum são folhas refogadas ou cozidas.
Também pode ser preparado com feijão e arroz ou como recheio de bolinhos.

Receita:

Farofa de almeirão-de-árvore

Ingredientes

5 folhas de almeirão-roxo
2 ovos
Farinha de milho
Óleo, alho e sal a gosto

Modo de preparo

1. Lave as folhas do almeirão-de-árvore e corte-as em tiras médias.
2. Em uma panela, refogue o alho no óleo, acrescente as folhas e deixe cozinhar por até três minutos.
3. Em seguida, adicione os ovos e o sal e cozinhe por mais dois minutos.
4. Adicione a farinha de milho e misture os ingredientes.


quarta-feira, 9 de outubro de 2019

RECEITAS TERAPÊUTICAS COM GENGIBRE



Neste ponto, ressalta-se o valor popular que e dado ao gengibre como um importante produto muito utilizado na fitoterapia.
Assim, busca-se, a seguir, organizar um pouco desse conhecimento popular de grande aplicação com os rizomas do gengibre, disponibilizando informações acerca de seu uso fitoterápico.

Composto para pressão baixa

Ingredientes:
• 1 litro de vinho licoroso ou tinto seco
• 1 colher (sopa) de noz-moscada ralada
• 3 colheres (sopa) de rizoma de gengibre ralado
• 2 colheres (sopa) de cravo-da-índia
• 6 paus de canela

Preparo: Adicionar ao litro de vinho o cravo, a canela, a noz-moscada e o gengibre. Deixar em infusão por dez dias, agitando o conteúdo do litro duas vezes ao dia. Em seguida, coar e acondicionar em vidro âmbar (escuro).

Dose recomendada: Um cálice pequeno duas vezes ao dia, ou quando necessário.

Composto estimulante sexual (afrodisíaco)

Ingredientes:
• 20g de raiz de fafia* ralada
• 20g de rizoma de gengibre ralado
• 20g de semente de sucupira
• 20g de casca de oleo-vermelho
• 20g de “no-de-cachorro” (arvore de mangue) ou 20g de cipo-cravo
• 1 litro de cachaça
*Fafia: Pfaffia glomerata, familia Amaranthaceae. Nomes comuns na regiao: novalgina e ginseng-brasileiro.

Preparo: Colocar cada ingrediente (20g) em 200 ml de cachaça. Deixar em infusao durante oito a dez dias. Coar em filtro de papel, misturar e acondicionar em vidro âmbar (escuro).

Dose recomendada: Uma colher de sobremesa ao deitar.

Observação: Em casos de alteração na pressão, suspender o uso.

Cristais de gengibre (para enjoo e pressão baixa)

Ingredientes:
• 2 rizomas médios de gengibre
• 2 colheres (sopa) de sal
• . litro de água
• Caldo de um limao (opcional)

Preparo: Descascar o gengibre e cortar em cubinhos. Colocar de molho na solução com agua, sal e limão e deixar por 30 minutos. Escorrer a agua, colocar em uma peneira e cobrir com um véu (tule). Mexer de vez em quando ate que o gengibre fique bem seco. Armazenar em pequenos frascos tampados e em locais frescos.

Recomendação: Mascar os cristais quando necessario.

Chá por decoção (para resfriados, gripes, rouquidão e dor de garganta)

Ingredientes:
• 2 colheres (sopa) medias de rizoma de gengibre
• 800 ml de agua
• Mel a gosto (opcional)

Preparo: Ralar o rizoma do gengibre, acrescentar a agua e ferver por cinco a dez minutos, em fogo baixo, com a panela tampada. Retirar do fogo e deixar por dez minutos em repouso. Em seguida, coar em coador de pano.

Recomendação: Para resfriados, gripes e rouquidão, beber o cha durante o dia, puro ou adoçado com mel. Para dor de garganta, utilizar o cha em gargarejo, quatro vezes ao dia.

Observação: O rizoma do gengibre também pode ser utilizado no cafe quente ou mascado aos pedacinhos in natura, durante o dia.

Xaropes (para resfriados, gripes e rouquidão)

• Xarope A

Ingredientes:

• 10 folhas de hortelã-pimenta (Coleus amboinicus)
• 2 colheres (sopa) de rizoma de gengibre ralado
• 1 cebola pequena
• 10 colheres (sopa) de mel
• 300 ml de água

Preparo: Colocar os ingredientes em uma panela esmaltada e deixar ferver durante 15 minutos. Em seguida, coar e acondicionar em vidro âmbar com tampa.

Recomendação: Beber meio copo três vezes ao dia.

• Xarope B

Ingredientes:

• 1 pedaço (± 5 cm) de rizoma de gengibre
• 3 limões-galego
• . kg açúcar mascavo
• 1 litro de água

Preparo: Amassar bem o rizoma de gengibre e colocar em uma panela esmaltada com a água os limões cortados “em cruz” e o acucar mascavo.
Deixar ferver ate formar o ber uma colher de sopa, quatro vezes ao dia. Para crianças, mini xarope e coar em filtro de papel.

Recomendação: Betrar a metade da dose.

• Xarope C

Ingredientes:

• 200 ml de tintura de gengibre (EA 10%)
• 800 gramas de açúcar mascavo
• 400 ml de água

Preparo: Fazer uma calda com o acucar e a agua e ferver (de preferencia em panela de barro, esmaltada, vidro ou de inox) ate dissolver o açúcar.
Deixar esfriar e misturar, vigorosamente, a tintura de gengibre ate que o xarope fique homogêneo.

Recomendação: Beber uma colher de sopa, quatro vezes ao dia. Para crianças, ministrar a metade da dose.
 : A calda pode ser substituída por um litro de mel.

Bala medicinal de gengibre

Ingredientes:

• 2 colheres (sopa) de rizoma de gengibre ralado
• 2 colheres (sopa) de mel
• 1 colher (sopa) de manteiga
• 1 . xicara de acucar mascavo
• 1 colher (cafe) de bicarbonato de sodio
• 1 copo americano de agua ou leite

Preparo: Misturar os ingredientes e levar ao fogo, em panela (de preferencia em panela de barro, esmaltada, vidro ou de inox) mexendo sempre com colher de pau. Tirar o ponto em agua (formação de bolinha dura). Retirar do fogo e mexer ate que esfrie. Despejar em tabua ou pedra de mármore, untada com manteiga. Formar rolinhos, cortar as balas e embrulhar em papel manteiga.

Cataplasma de gengibre e argila

Indicações: Uso externo para inflamações, nódulos, dores de garganta e dores nas articulações.

Ingredientes:

• 2 colheres (sopa) de rizoma de gengibre ralado
• 1/2 xícara de água
• Argila
A quantidade de chá de gengibre e argila dependem do tamanho da area afetada.

Preparo: Fazer um cha por infusao com o gengibre ralado. Quando amornar, coar e misturar o chá a argila ate a consistência cremosa.
Aplicar sobre o local afetado, deixar por uma hora e meia e lavar. Fazer o procedimento duas vezes ao dia.

Observação: Esta receita e utilizada pelo Grupo de Fitoterapia da Pastoral da Saude do Município de Venda Nova do Imigrante/ES desde 1989.









SOLO E PREPARO PARA A CULTURA DO GENGIBRE



SOLO E PREPARO 

Desenvolve-se bem em terrenos arenosos, leves, bem drenados e férteis. Contudo não deve ser cultivado seguidamente no mesmo lugar, pois sofre queda acentuada de produção (EMBRAPA, 2001). 
O cultivo gengibre requer ainda solos ricos em matéria orgânica. As maiores produtividades obtidas nas regiões produtoras dos Estados de São Paulo e Paraná foram constatadas em solos areno-argilosos, friáveis, bem drenados. 
A cultura prefere solos que apresentam pH entre 5,5 até 6,5. A correção utilizando-se calcário é feita no mínimo três meses antes do plantio, devendo ser realizada caso o pH estiver abaixo do valor recomendado. A acidez do solo deve ser corrigida elevando-se o índice de saturação por bases a 50%. No plantio, deve-se aplicar 20 Kg/ha de N e, de acordo com a análise de solo, 60 a 240 Kg/ha de P2O5 e 40 a 120 Kg/ha de K2O. Em cada três amontoas, incorporar 30 Kg/ha de N e 70 Kg/ha de K2O.  
Em caso de cultivo orgânico recomenda-se a utilização de 15t de composto/ha, sendo que a adubação deve ser parcelada da seguinte maneira: 
- 5t/ha no plantio, 5t/ha na primeira cobertura, antes da primeira amontoa (90 dias) e 5t/ha na segunda cobertura, antes da terceira amontoa (150 dias). 
No plantio o composto deve ser espalhado no fundo do sulco sendo necessários 600g por metro de sulco, quando o espaçamento entre linhas for de 1,20m e 700g por metro de sulco, no espaçamento de 1,40m. 
O preparo do solo tem grande importância na qualidade e produtividade do gengibre. O terreno deve ser bem preparado, de forma a eliminar os torrões muito grandes no solo. O plantio deve ser feito em sulcos e sua profundidade deve ser de 10 a 15cm, dependendo do tamanho dos rizomas-sementes 
O preparo do solo tem grande importância na qualidade e produtividade do gengibre. O terreno deve ser preparado, de forma a eliminar os torrões muito grandes no solo. 
A cultura do gengibre é melhor em terrenos arenosos, leves, drenados e ricos em matéria orgânica, e solos que apresentam pH entre 5,5 e 6,5. A correção, utilizando-se calcário, é feita três meses antes do plantio, devendo ser realizada caso o pH esteja abaixo do valor recomendado de acordo com a análise do solo. A acidez do solo deve ser corrigida elevando-se o índice de saturação por bases a 50% (GONZAGA; RODRIGUES, 2001). 
No plantio, deve-se aplicar 30 kg/ha de N parcelados em 30, 60 e 90 dias; e, de acordo com a análise de solo, 60 kg/ha a 240 kg/ha de P2O5 e 40 kg/ha a 120 kg/ha de K2O. Em caso de cultivo orgânico, recomenda-se a utilização de 15 t de composto/ha (esterco de gado + húmus de minhoca + terra na proporção 1:1:1) sendo que a adubação deve ser parcelada da seguinte maneira: 5 t/ha no plantio, 5 t/ha na primeira cobertura aos 90 dias e 5 t/ha na segunda cobertura aos 150 dias.


terça-feira, 1 de outubro de 2019

CLIMA E SOLO PARA O GENGIBRE



CLIMA E SOLO PARA O GENGIBRE

Clima

A planta do gengibre e adaptada a climas quentes e umidos, do tropical ao subtropical, com temperaturas variando de 25 a 30°C, com media acima de 21°C e precipitacao anual em torno de 1.500mm. 
Os rizomas se desenvolvem melhor em solos de textura argilo-arenosa, bem drenados, de elevada fertilidade e ricos em materia organica, solos argilosos e compactados podem deformar os rizomas.

O gengibre é uma planta de climas subtropicais e tropicais, podendo ser cultivado na faixa de temperatura indo de 17°C a 35°C. A planta prefere alta umidade relativa do ar. Em climas um pouco mais frios, o gengibre pode ser cultivado nos meses quentes do ano, precisando de proteção nos meses em que há temperaturas mais baixas.
Gengibre é uma planta tropical que não sobrevive a geadas. Inicie o cultivo da planta na última geada da primavera ou no início da estação de chuvas, caso você viva nos trópicos.  
Caso você viva em um clima com curta estação de crescimento, pode cultivar a planta em espaços fechados.

Luminosidade

Esta planta quando cultivada em área com reduzida insolação, desenvolve bem a parte aérea, mas seu rizoma fica reduzido. 

Solos:

Os solos preferidos são os de textura leve, bem drenados, para que não haja o apodrecimento dos rizomas pelo acúmulo de água.
Os rizomas se desenvolvem melhor em solos de textura argilo-arenosa, bem drenados, de elevada fertilidade e ricos em materia organica. 
Segundo citacoes de Elpo solos argilosos e compactados podem deformar os rizomas.



segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Irrigação na Cultura da Melancia



A irrigação é uma técnica milenar que tem como finalidade disponibilizar água às plantas para que estas possam produzir de forma adequada. A técnica, ao longo dos séculos, vem sendo aprimorada, chegando aos dias de hoje a sistemas pontuais, onde a água é gotejada no momento, local e quantidade correta ao desenvolvimento das plantas.
Os diversos sistemas de irrigação disponíveis atualmente no mercado dão aos produtores uma moderna tecnologia de produção agrícola que, juntamente com manejo equilibrado da adubação e tratos culturais, reúnem todas as condições para que as plantas possam expressar todo o seu potencial genético de produção. Entretanto, a escolha do sistema de irrigação deve basear-se em análise técnico-econômica, levando em consideração o tipo de solo, topografia, clima, cultura, custo do equipamento e energia, qualidade de água disponível e mão-de-obra.
Quando se trabalha com agricultura irrigada é importante estabelecer o momento certo de iniciar as irrigações e quanto de água aplicar a uma cultura. Estes são os princípios básicos do manejo “racional” da irrigação. Do mesmo modo, o conhecimento de solos, fisiologia da cultura, períodos críticos de consumo de água e seus reflexos na produtividade são essenciais para o bom manejo de aplicação de água.
No cultivo da melancia no Semiárido brasileiro é essencial o uso da irrigação, para a obtenção de altas produtividades e frutos de boa qualidade e tamanho. A cultura da melancia se adapta a vários sistemas de irrigação, sendo mais utilizado, no vale do São Francisco, o por aspersão convencional e os por superfície — sulco — que, embora tenha uma baixa eficiência de aplicação de água, é ainda usado por pequenos produtores. Porém, com a diminuição do custo dos equipamentos usados na irrigação localizada — gotejamento —, principalmente das mangueiras, esse sistema vem aumentando sua área consideravelmente na região, com a vantagem de permitir produção elevada, com baixa incidência de doenças, além de possibilitar uma maior eficiência na aplicação de fertilizantes via água de irrigação — fertirrigação —. Esse sistema, de modo geral, trabalha com turno de rega ou frequência de irrigação menor ou igual a 3 dias, pois se caracteriza por possuir emissores de baixas vazões e por isso necessitam de mais tempo para aplicar uma determinada quantidade de água.
A maioria dos sistemas de irrigação por gotejamento trabalha na faixa de pressão de 0,5 kgf/cm2 a 2 kgf/cm2 com vazões variando de 0,5 L.h-1 a 5 L.h-1. Como regra geral, o espaçamento entre gotejadores mais usados são 0,2 m a 0,3 m para solos de textura grossa e 0,5 m a 1 m para solos de textura média e fina. Para esta cultura, existe a possibilidade de se trabalhar com um ou mais gotejadores por planta. A frequência de irrigação — turno de rega — pode variar de acordo com as condições de solo, clima, variedade e estádio de desenvolvimento da cultura. No entanto, em condições de alta demanda evaporativa e solos de texturas arenosas, comuns na região semiárida do Brasil, encontram-se frequências de irrigação de mais de uma vez por dia, ou seja, aplica-se o volume de água requerido pela cultura em duas vezes ou mais, no mesmo dia.
A cultura da melancia é bastante exigente no manejo da aplicação de água, pois uma escassez por um período curto de tempo pode afetar sobremaneira a qualidade dos frutos e a produtividade. A demanda hídrica da melancia varia de acordo com a variedade usada e a condição edafoclimática da região, podendo consumir de 300 mm a 550 mm por ciclo de produção. A demanda hídrica diária, por fase de desenvolvimento da cultura, pode ser estimada de várias maneiras. Entretanto, a estimativa da evapotranspiração da cultura (ETc), durante o ciclo de desenvolvimento da cultura é atualmente o mais usado, por ser mais prático e propiciar uma boa estimativa da demanda hídrica das culturas irrigadas. A estimativa da lâmina de irrigação pode ser feita usando-se dados agroclimáticos que propicia a determinação da quantidade de água a ser aplicada a uma dada cultura. Que pode ser estimada pelo cálculo da evapotranspiração diária ou em intervalos de dias — turno de rega — entre duas irrigações.
O tanque Classe “A” (TCA) é um instrumento simples e bastante usado na estimativa da evapotranspiração. Recomenda-se adotar certos cuidados na escolha do local e na instalação do tanque, tais como: evitar a instalação próxima a construções, açudes e ou plantações de porte alto; pois estes podem influenciar na evaporação da água que por sua vez é depende da velocidade do vento, teor da umidade relativa do ar, temperatura do ar e da insolação. O TCA deve ser colocado em um local de fácil acesso e que seja representativo da área a ser irrigada. Juntamente com o tanque devem ser instalados anemômetro e pluviômetro, aparelhos usados para medir a velocidade do vento e a precipitação, respectivamente. O TCA foi desenvolvido para simular a evaporação da superfície de um lago, porém foi adaptado para estimar a evaporação na superfície do solo, para tanto foram ajustados coeficientes do tanque (Kp). Existe valor de Kp para duas condições de cobertura do solo, onde se considera a umidade relativa do ar, bordadura da área de instalação e velocidade do vento local (Tabela 1).
A maioria dos irrigantes usa somente um valor médio de Kp para todo o ano, o que pode acarretar em erros por excesso ou escassez do volume de água a ser aplicada via irrigação e causar danos ao desenvolvimento e produção das culturas. Recomenda-se determinar, se possível, valores de Kp diário e ajustar valores médios para cada mês do ano. Normalmente, obtido pela análise de dados históricos, para o polo irrigado Petrolina, PE/Juazeiro, BA, usa-se valor médio de Kp = 0,75 para todo o ano.
De posse dos valores de Kp, para o cálculo da evapotranspiração de referência (ETo), basta usar a expressão:

ETo = Ev x Kp (1)

Onde: ETo é a evapotranspiração de referência (mm/dia) e Ev é a evaporação da água no tanque Classe “A” (mm/dia).

Tabela 1. Valores do coeficiente do tanque Classe “A” (Kp), em função dos dados meteorológicos da região e do meio em que está instalado.
Exposição A.
(Tanque circundado por grama)
Exposição B.
(Tanque circundado por solo nu)
UR %
Média
Baixa
< 40
Média
40-70
Alta
> 70
Baixa
< 40
Média
40-70
Alta
> 70
Vento
(km/dia)
*R (m)
*R (m)
1
0,55
0,65
0,75
1
0,70
0,80
0,85
Leve
10
0,65
0,75
0,85
10
0,60
0,70
0,80
<175 span="">
100
0,70
0,80
0,85
100
0,55
0,65
0,75
1000
0,75
0,85
0,85
1000
0,50
0,60
0,70
1
0,50
0,60
0,65
1
0,65
0,75
0,80
Moderado
10
0,60
0,70
0,75
10
0,55
0,65
0,70
175-425
100
0,65
0,75
0,80
100
0,50
0,60
0,65
1000
0,70
0,80
0,80
1000
0,45
0,55
0,60
1
0,45
0,50
0,60
1
0,60
0,65
0,70
Forte
10
0,55
0,60
0,65
10
0,50
0,55
0,75
425-700
100
0,60
0,65
0,75
100
0,45
0,50
0,60
1000
0,65
0,70
0,75
1000
0,40
0,45
0,55
1
0,40
0,45
0,50
1
0,50
0,60
0,65
Muito Forte
10
0,45
0,55
0,60
10
0,45
0,50
0,55
>700
100
0,50
0,60
0,65
100
0,40
0,45
0,50
1000
0,55
0,60
0,65
1000
0,35
0,40
0,45
Obs: R= menor distância do centro do tanque Classe A até a bordadura onde não mais existirá grama ou solo nu.


Obs: R= menor distância do centro do tanque Classe A até a bordadura onde não mais existirá grama ou solo nu.
Fonte: Adaptado de Doorenbos e Pruitt (1977).
Com advento das estações agrometeorológicas e de programas computacional o ETo pode ser obtido diretamente das estações, dispensando-se o uso do TCA.
Para a estimativa da evapotranspiração da cultura (ETc) ou lâmina líquida a ser aplicada (LL), utiliza-se a relação:

ETc = LL = Kc x ETo (2)

Onde: ETc ou LL é dada em mm/dia e Kc é o coeficiente de cultura (decimal), que é usado para ajustar os valores de ETo às condições de desenvolvimento da cultura.
A base técnico-científica para o uso do Kc é a que as plantas necessitam de uma quantidade de água maior ou menor de acordo com os seus estádios de desenvolvimento, ou seja, uma planta de melancia na fase inicial de desenvolvimento possui menor exigência hídrica que na frutificação.
Trabalho desenvolvido no Estado do Piauí com a cultura da melancia determinou os coeficientes de cultura (Kc) de: 0,50 para as duas primeiras semanas após a germinação; 0,80 quando se encontra em pleno desenvolvimento vegetativo; 1,10 na floração até o desenvolvimento dos frutos e 0,70 a partir do período anterior. Trabalhando com variedade Crimson Sweet, em Canindé, CE, foram encontrados valores de Kc de 0,52; 0,98 e 0,95 para os estádios: vegetativo, floração e desenvolvimento dos frutos, respectivamente. Como ainda não se dispõe, na literatura, de valores do Kc da melancia para a região do vale do São Francisco, é mais recomendado o uso dos valores de Kc, citados anteriormente, do que os propostos na 
Tabela 2.

Tabela 2. Valores médios de coeficiente de cultua (Kc) da melancia.
Cultura
Estádio I
Estádio II
Estádio III
Estádio IV
Melancia
0,40 - 0,50
0,70 - 0,80
0,95 - 1,05
0,65 - 0,75
Primeiro número corresponde à condição de alta umidade relativa (UR > 70%) e vento fraco (V < 432 km/dia); e o segundo sob baixa UR (UR < 50%) e vento forte (V > 432 km/dia).
Estádio I = da emergência até 10% do desenvolvimento vegetativo (DV).
Estádio II = de 10% do DV até 80% do DV (início do florescimento).
Estádio III = desde final do estádio II até início da maturação dos frutos.
Estádio IV = Desde final do estádio III até a colheita.



Assim, a quantidade de água necessária para irrigação localizada (evapotranspiração) poderá ser calculada por:

ETg = ETc x P / 100 (3)

Onde: ETg é a evapotranspiração na área irrigada por gotejamento (mm/dia) e P a porcentagem de área molhada ou área coberta pela planta (%) em relação à área total (irrigação em faixa molhada). O P também pode ser estimado usando a razão entre a área sombreada ou coberta (As), ao meio dia, e a área ocupada pela cultura. Normalmente, o uso deste conceito se dá quando a As for maior que a Am.

O cálculo da percentagem de área molhada (P) é dado por:

P = Área molhada pelos emissores/Área ocupada por planta (4)

Na literatura há orientações para que se deve adotar porcentagem mínima (Pmin) molhada para cada região: regiões úmidas: 20%; regiões áridas: 33%. Entretanto, muitos pesquisadores recomendam uma porcentagem mínima de molhamento de cerca de 40%, nas condições do Semiárido.
A lâmina bruta (Lb) ou irrigação total necessária, para irrigação localizada, é dada por:

 (5)

A eficiência de irrigação (Ei) que para o sistemas de irrigação localizado devem ser maiores ou igual a 90% (Ei = 90%), dado em decimal. O S significa o somatório da evapotranspiração do período considerado entre as irrigações, ou seja, caso o manejo da irrigação aconteça em turno de rega fixo de 2 dias, deve-se somar a evapotranspiração para gotejamento (ETg) desses 2 dias, e aplicar na equação 5.
A determinação do tempo de funcionamento do sistema de irrigação varia de acordo com a lâmina de água a ser aplicada e vazão dos emissores. Para se efetuar os cálculos deve-se considerar a disposição da mancha de molhamento da superfície do solo, ou seja, se forma em faixa contínua ou por planta (Figura 1). Podendo ser calculadas da seguinte fórmula:

a)Tempo de funcionamento por posição para Irrigação em faixa contínua:


(6)

Onde: Ti é o tempo de irrigação (h); Lb é a lâmina bruta (mm), Eg é o espaçamento entre gotejadores ao longo da linha lateral (m); EL é o espaçamento entre linhas de gotejadores ou linhas laterais (m) e q é a vazão do gotejador (L/h).

Fonte: Embrapa Semiárido
Figura 1.Área da faixa molhada.


b) Tempo de funcionamento por posição para irrigação por planta (cova):
(7)
Onde: Ap é a área representada por cada planta ou cova (Ap = Ep x ELp) em m2, ou seja, Ep é o espaçamento entre plantas e ELp é o espaçamento entre linhas de plantas (m); e n é o número de gotejadores por planta (Figura 2).

Fonte: Embrapa Semiárido
Figura 2.Área representada por cada planta.

É importante observar a seguinte regra básica: quando a porcentagem de área molhada for maior que a percentagem de área coberta (sombreada), recomenda-se usar no cálculo da lâmina de irrigação a porcentagem de área molhada, caso contrário, usa-se a porcentagem de área coberta ou sombreada. Em outras palavras, uma vez que a área sombreada fique maior que a molhada deve-se passar a adotar a porcentagem de área sombreada.
Para facilitar o manejo da irrigação pode ser construída uma tabela contendo os valores de ETo, e através do uso das equações de 2 a 6, calcular os respectivos Ti, conforme o exemplo na Tabela 3.

Tabela 3. Valores de ETo e os respectivos tempos de irrigação (Ti).
ETo (mm)
Ti (min)
ETo (mm)
Ti (min)
4
70
7
119
5
85
-
-
5,6
98
-
-
6
105
15
260
Obs: Para cada estádio fenológico da cultura, que possui diferentes Kc e P, deve ser feita outra tabela.


Obs: Para cada estádio fenológico da cultura, que possui diferentes Kc e P, deve ser feita outra tabela.
Fonte: Dados da Embrapa Semiárido 
O intervalo entre as irrigações — frequência de irrigação ou turno de rega — é uma decisão técnica tendo com base as características de operação do sistema de irrigação da área, características físico-hídricas do solo e do estádio fenológico da cultura, desde que essa planta não sofra déficit hídrico capaz de afetar sua produção.