sábado, 15 de junho de 2019

Adubação na Cultura da Melancia


Efeitos, funções dos nutrientes e principais sintomas de deficiência na cultura da melancia

Nitrogênio (N)
O nitrogênio é o elemento formador da estrutura da planta, sendo constituinte da estrutura de aminoácidos, proteínas, vitaminas, clorofila, enzimas e coenzimas. É ativador enzimático, atua nos processos de absorção iônica, fotossíntese, respiração, sínteses, crescimento vegetativo e herança. 
Os sintomas de deficiência surgem nas folhas mais velhas (folhas basais), produzindo um amarelecimento generalizado, que progride para toda a planta; há restrição na taxa de crescimento e pegamento de frutos, que apresentam menor desenvolvimento.

Fósforo (P)
O fósforo é um componente da estrutura dos ésteres de carboidratos, fosfolipídeos, coenzimas e ácidos nucleicos. Atua nos processos de armazenamento e transferência de energia e fixação simbiótica de nitrogênio. É o elemento que mais influencia no tamanho dos frutos e sua deficiência inicia-se com um menor desenvolvimento das plantas, seguido de clorose nas folhas mais velhas que posteriormente necrosam nas margens. As folhas mais novas enrolam-se e encurvam-se.

Potássio (K)
O potássio atua em processos osmóticos, síntese de proteínas e na manutenção de sua estabilidade, abertura e fechamento de estômatos, na permeabilidade da membrana e no controle do pH. Auxilia na formação de frutos com altos teores de sólidos solúveis, adocicados, e resistentes a rachaduras na casca. 
A sua deficiência inicia-se com um murchamento das folhas, seguida de surgimento de clorose nas pontas das folhas mais velhas que evoluem para necrose. Nas folhas mais velhas, a necrose marginal é uma indicação universal da deficiência de K. O desenvolvimento do fruto torna-se irregular ou pelo menos com pequeno teor de sólidos solúveis, apresentando menor coloração interna, aroma e sabor. De maneira geral, plantas deficientes em potássio são mais suscetíveis às doenças e pragas.

Cálcio (Ca)
Até 90% do total do Ca da planta está localizado na parede celular, sendo o “cimento” que une as células, constituindo uma barreira física contra o ataque de patógenos. É indispensável para a germinação do grão de pólen e para o crescimento do tubo polínico, o que se deve ao fato de estar presente na síntese da parede celular ou no funcionamento da plasmalema.
É um dos mais importantes nutrientes para as cucurbitáceas, estando o mesmo associado com a formação de flores perfeitas, qualidade do fruto, firmeza da polpa, melhorando a condição para armazenamento, e a produtividade. 
O sintoma de deficiência nas folhas novas é a clorose marginal que evolui para toda a folha, com morte nos pontos de crescimento. As raízes apresentam crescimento restrito, ocorrendo prejuízos à absorção dos demais nutrientes pela planta.
A podridão apical (fundo preto ou podridão estilar) em melancia é um distúrbio fisiológico atribuído à deficiência desse nutriente, sendo mais diagnosticada sob condições de estresse hídrico, alta salinidade e desequilíbrio por excesso de amônio na solução.

Magnésio (Mg)
É o átomo central da molécula da clorofila, por isso, está envolvido no processo de fotossíntese e, consequentemente, na síntese de amido, proteínas, gorduras e vitaminas. É responsável pela regulação do pH e do ajuste da turgescência nas células das plantas. Além disso, 5% a 10% do Mg está ligado à pectina e serve como elemento estrutural das paredes celulares. A nutrição com Mg confere qualidade ao fruto, como por exemplo, doçura, cor, sabor e maciez. Na deficiência de Mg, há dificuldade de translocação de carboidratos para a raiz, prejudicando o desenvolvimento do sistema radicular, que por sua vez reduzirá a absorção de outros nutrientes. Por ser um nutriente bastante móvel na planta, os sintomas de deficiência aparecem inicialmente nas folhas mais velhas que se apresentam com tamanho reduzido e clorose internerval. Apenas em condições severas de deficiência, o desenvolvimento dos frutos e a produção são prejudicados.

Enxofre (S)
O enxofre é componente importante dos aminoácidos, como a metionina e a cisteína, essenciais para a nutrição humana. O suprimento de S pode ser considerado favorável ou desfavorável às plantas, do ponto de vista qualitativo. Em alguns alimentos, ocasiona um sabor mais acentuado e, em outros, diminui sua palatabilidade. 
Sua deficiência, em geral, causa um amarelecimento dourado nas folhas mais novas. A clorose inicia-se com um tom verde-claro, progredindo para verde-amarelado e posteriormente para um amarelo intenso. Com a evolução da carência, a planta torna-se completamente clorótica. Há também a restrição do desenvolvimento da planta.

Boro (B)
É ativador enzimático e atua nos processos de absorção iônica, transporte de carboidratos, síntese de lignina, celulose, ácidos nucleicos e proteínas. Tem importante função na translocação de açúcares e no metabolismo de carboidratos, no florescimento, no crescimento do tubo polínico, nos processos de frutificação, no metabolismo do N e na atividade de hormônios. Intervém na absorção e no metabolismo dos cátions, principalmente do Ca. A translocação de boro na planta é muito baixa, por isso os sintomas de deficiência manifestam-se nos pontos de crescimento, áreas de diferenciação e órgãos com maior expansão celular. O sistema radicular é a primeira parte da planta a ser afetada pela carência deste micronutriente. Observa-se uma grande redução do desenvolvimento da planta, que apresenta folhas pequenas, superbrotamento e clorose internerval nas folhas mais novas. Com o agravamento da deficiência, as folhas ficam encarquilhadas e com as margens necrosadas. Ocorre também a morte da gema apical. Os frutos tornam-se mais suscetíveis às rachaduras e com manchas internas na casca.

Zinco (Zn)
É constituinte de diversas enzimas que atuam nos processos de respiração, controle hormonal e síntese de proteínas. Afeta a síntese e conservação de auxinas, hormônios vegetais envolvidos no crescimento. 
Plantas com deficiência de Zn apresentam as folhas mais novas pequenas e cloróticas, ocorrendo também superbrotamento e descoloração entre as nervuras.

Cobre (Cu)
Faz parte da estrutura de proteínas, sendo constituinte de diversas enzimas que atuam nos processos de fotossíntese, respiração, regulação hormonal, fixação de N e metabolismo de compostos secundários. É essencial no balanço de nutrientes que regulam a transpiração na planta. 
Quando deficientes em Cu, as folhas mais novas ficam maiores que as mais velhas, ocorrendo também, encurvamento das margens da folha e posterior necrose. Em condições de deficiência severa, a planta apresenta-se com entrenós mais curtos e folhas onduladas, que se tornam cloróticas e necróticas. As ramificações laterais têm crescimento limitado.

Solos
Para o cultivo de cucurbitáceas, de modo geral, recomenda-se solos profundos, friáveis e bem estruturados. As áreas de solos aluviais, com fertilidade alta, boa drenagem interna e não sujeitas à inundação, são muito recomendadas. Os solos de baixadas úmidas podem, também, ser utilizados, desde que convenientemente drenados e corrigidos seus desvios de fertilidade. Fazem-se restrições aos solos rasos e aos arenosos. Quanto à textura, recomenda-se como ideal, solos de textura média, com 30% a 35% de argila. Para o caso específico da melancia, em solos ricos em matéria orgânica, a cultura suporta melhor as deficiências hídricas que possam ocorrer. Os solos leves ou de textura média são preferíveis aos argilosos, desde que exista a possibilidade de irrigação.

Amostragem de solo para fins de avaliação de fertilidade

A avaliação da disponibilidade de nutrientes no solo é feita, em geral, com base na análise de sua fertilidade. Para se avaliar a fertilidade do solo, deve-se, inicialmente, fazer a análise química em laboratório, onde é determinado o valor do pH, os teores dos principais nutrientes exigidos pelas plantas e os dos elementos que são tóxicos (alumínio e sódio). Essas informações são importantes a fim de que se possa fazer uma adubação adequada, verificar a necessidade de calagem e detectar problemas de salinidade. 
As áreas a serem amostradas possuem, muitas vezes, grandes extensões e, somando-se a isso, a heterogeneidade horizontal e vertical, naturais do solo, faz com que critérios científicos necessitem ser seguidos com o maior rigor possível. Desta forma, apesar de parecer simples, a coleta de amostras de solo exige conhecimento e deve ser realizada por técnico devidamente orientado. Por esta razão, para que a análise do solo represente fielmente as suas condições reais no campo, é necessário que se faça uma amostragem muito bem feita da área, procedendo-se da seguinte forma:
1) Inicialmente, divide-se a área da propriedade em subáreas homogêneas de, no máximo, 10 ha, levando-se em consideração a topografia (baixada, plana, encosta ou topo), a vegetação ou cultura, o tipo de solo quanto à cor (amarelo, vermelho, cinza ou preto), textura (argilosa, média ou arenosa), drenagem, ao grau de erosão e, finalmente, ao uso (virgem ou cultivado, adubado ou não).

2) Para cada subárea homogênea coletar, em forma de ziguezague, no mínimo, 20 amostras simples a uma profundidade de 0-20 cm, colocando a terra numa vasilha (balde plástico) limpa. Misturar toda a terra coletada e, da mistura, retirar uma amostra composta com aproximadamente 0,5 kg de solo e colocá-la num saco plástico limpo ou numa caixinha de papelão. Identificar essa amostra e enviá-la para um laboratório.

3) Recomenda-se fazer a amostragem do solo 3 meses antes do plantio e repetí-la uma vez a cada 3 anos, no mínimo.

4) Não coletar amostras em locais de formigueiro, monturo, coivara ou próximos a curral, estrada e veredas. Antes da coleta, limpar a superfície do terreno, caso haja mato ou resto vegetal. A amostragem é facilitada quando o solo está um pouco úmido.

As amostras podem ser coletadas com trado, com cano galvanizado de 3/4 ou de 1 polegada.

Análise foliar

Do mesmo modo que a amostragem do solo para fins de avaliação da fertilidade, a amostragem do tecido vegetal é uma das etapas mais importantes para aumentar a probabilidade de sucesso no uso da análise foliar. No entanto, em culturas temporárias, como a melancia, por causa da demora no retorno dos resultados da análise da amostra de tecido vegetal enviada ao laboratório, dificilmente será possível intervir na mesma safra em tempo hábil. Nesse caso, a análise foliar servirá para fazer um ajuste no programa de adubação, complementando as informações obtidas na análise de solo e no histórico da área cultivada.
A composição das folhas é afetada por diversos fatores; assim, para que a interpretação dos resultados não seja prejudicada é essencial a padronização do processo de amostragem. Na Tabela 1 são apresentadas os teores de macro e micronutrientes adequados nas folhas, para a cultura da melancia, encontrados na literatura, o período de coleta mais indicado, a parte da planta e a quantidade de amostra a ser coletada.
Após a coleta, deve-se acondicionar as amostras em sacos de papel, identificando-as e enviando-as, imediatamente, para um laboratório.

Tabela. 1.Parte da planta a ser coletada, época de coleta e teores de nutrientes adequados na cultura da melancia.
Parte da planta
Estádio de crescimento
Quantidade de amostra
Fonte¹
Macronutrientes (g kg-1)
N
P
K
Ca
Mg
S
Folha recém-amadurecida
Início do florescimento
40 folhas/gleba homogênea
1
36
4,8
27
13
5
1
5folha a partir da ponta
Início do florescimento ao início da frutificação pequenos
40 folhas/gleba homogênea
2
40-55
3-8
40-50
17-30
5-8
-
Frutos pequenos até a colheita
40 folhas/gleba homogênea
2
40-50
2,5-7,0
35-45
20-32
3-8
-
5a.folha a partir da ponta, excluindo a gema apical
da metade até 2/3 do ciclo da planta
15 plantas
3
25-50
3-7
25-40
25-50
2-12
2-3
4
25-50
2-6
20-60
10-20
3-6
3-5
Micronutrientes (mg kg-1)
Cu
Fe
Zn
Mn
B
Folha recém-amadurecida
Início do florescimento
40 folhas/gleba homogênea
1
4
33
15
30
15
5folha a partir da ponta
Início do florescimento ao início da frutificação
40 folhas/gleba homogênea
2
6-20
50-300
20-50
50-250
25-60
Frutos pequenos até a colheita
2
5-20
50-300
20-250
40-250
25-60
5a.folha a partir da ponta, excluindo a gema apical
da metade até 2/3 do ciclo da planta
15 plantas
3
10-15
50-300
20-60
50-200
30-80
4
5-10
30-150
50-100
100-200
80-100
¹Fonte: 1= International Fertilizer Association (2007); 2= Jones et al. (1991); 3= Trani e Raij (1996); 4= Locascio (1996).


Curva de absorção de nutrientes

O conhecimento da quantidade de nutrientes acumulada na planta (Tabela 2), em cada estádio de desenvolvimento, fornece informações importantes que podem auxiliar no programa de adubação das culturas. Deve-se ter consciência, no entanto, que as curvas de absorção refletem o que a planta necessita, e não o que deve ser aplicado, uma vez que se tem que considerar a eficiência de aproveitamento dos nutrientes, que é variável segundo as condições climáticas, o tipo de solo, o sistema de irrigação, o manejo cultural, entre outros fatores. De modo mais efetivo, essas curvas auxiliam no programa de adubação, principalmente na quantidade dos diferentes nutrientes que devem ser aplicados nos distintos estádios fisiológicos da cultura.
Segundo Grangeiro et al. (2005), a absorção e acúmulo de nutrientes na melancia é muito pequena nos primeiros 30 dias após o transplantio, intensificando-se depois e alcançando a máxima taxa de acumulação diária entre os 40 e 50 dias. A acumulação de nutrientes no fruto tende a ser linear entre seu surgimento e a maturação fisiológica (45 a 65 dias). Isso determina que os nutrientes móveis no solo e facilmente lixiviáveis, como o nitrogênio e o potássio, devem ser aplicados em cobertura para estarem disponíveis após os primeiros 30 dias. A eficiência de absorção dos nutrientes pela planta diminui a partir dos 50 dias, sendo inadequado a aplicação de coberturas após esse período.

Tabela 2. Extração, exportação e percentagem de exportação de macronutrientes por melancia da cultivar Micklee em ambiente semiárido.
Prod.
(t ha-1)
N
P
K
Ca
Mg
----------------- kg ha-1 -------------------
20
Quantidade total de nutrientes extraída
43,9
5,2
49,3
5,3
8,2
Quantidade de nutrientes exportada pelo fruto
29,4
4,3
36,0
1,9
4,0
% do total exportada
67
82
73
36
49
Fonte: Grangeiro et al. (2005).

A melancia é uma das cucurbitáceas mais exigentes nutricionalmente e também se destaca por exportar grandes quantidades dos nutrientes acumulados ao longo do ciclo.
Os nutrientes N, P e K, acumulam-se preferencialmente nos frutos, enquanto Ca e Mg na parte vegetativa. As quantidades de nutrientes exportadas pelos frutos, portanto, representam importante componente de perdas de nutrientes do solo, que deverão ser restituídos, enquanto os nutrientes contidos na parte aérea podem ser incorporados ao solo dentro de um programa de reaproveitamento de restos culturais.

Calagem

Embora haja um comportamento diferente entre as cultivares de melancia em relação ao pH, considerando o desenvolvimento da parte aérea e radicular, o cultivo desta olerácea se desenvolve satisfatoriamente em solos com pH na faixa de 5,5 a 6,8 e saturação por bases de 70%. Em solos ácidos, a utilização da calagem é essencial para promover a neutralização do alumínio trocável, que é um elemento tóxico às plantas, e aumentar a disponibilidade de fósforo, cálcio, magnésio e molibdênio. Mesmo em solos que não apresentem problemas de acidez, mas que contenham teores baixos de cálcio e magnésio, há necessidade de aplicação de calcário ou de outra Foto destes elementos, principalmente cálcio, cuja deficiência pode causar a podridão apical nos frutos ou “fundo preto”, como é conhecido popularmente esse distúrbio fisiológico.
O calcário deve ser aplicado a lanço e incorporado ao solo por meio de gradagem, com antecedência mínima de 30 dias do plantio. Deve-se lembrar que a reação do calcário no solo, neutralizando sua acidez, só se processa na presença de umidade, e será mais lenta quanto mais grosseira for a granulometria de suas partículas. Na escolha do calcário, deve-se dar preferência ao calcário dolomítico, porque, além do cálcio, possui, também, teores elevados de magnésio. 
É importante, ainda, que o calcário tenha um poder relativo de neutralização total (PRNT) elevado, igual ou acima de 80%. A quantidade de calcário, assim como a de fertilizante a ser aplicada, deve basear-se nos resultados da análise química do solo.
Com base no resultado da análise química do solo, o cálculo da quantidade de calcário a ser aplicada poderá ser feito para a elevação da porcentagem de saturação por bases para 70% ou 80%, conforme a equação a seguir:

NC= (V2 – V1)T 
100
Sendo:
NC= necessidade de calagem (t/ha);
V2= valor da saturação por bases desejada (%);
V1= valor da saturação por bases inicial do solo (%); (100*SB/T);
T= CTC a pH 7,0= SB + (H+Al) em cmolc/dm3.

A necessidade de calcário também poderá ser calculada pelo método da neutralização do Al3+ e da elevação dos teores de Ca2+ + Mg2+:

NC = {[2 x Al + [3 – (Ca + Mg)]x f}

Sendo:

NC= necessidade de calagem (t/ha);
Al= teor de alumínio trocável do solo (cmolc/dm3);
Ca= teor de cálcio trocável do solo (cmolc/dm3);
Mg= teor de magnésio trocável do solo (cmolc/dm3);
f= 100/PRNT;
PRNT= Poder Relativo de Neutralização Total do calcário.

A escolha do método deverá ser baseada em critérios técnicos, como textura e capacidade tampão do solo.
A aplicação de calcário no solo sem considerar os resultados da análise de solo, muito comum entre os agricultores, não é recomendada porque o pH poderá atingir valores acima de 7 e, consequentemente, ocasionar perda de N por volatilização, desequilíbrio entre os nutrientes Ca, Mg e K, reduzindo a absorção do último, e menor disponibilidade de Cu, Fe, Mn e Zn.

Adubação

Adubação orgânica: recomenda-se a aplicação de 10 m3/ha a 20 m3/ha de esterco de curral curtido ou quantidade equivalente de outros resíduos animais ou vegetais, de acordo com a disponibilidade desses insumos na propriedade.

Adubação química (ou mineral): as quantidades de nitrogênio, fósforo e potássio recomendadas para o cultivo da melancia são apresentadas na Tabela 3.

Obs.: A aplicação de nitrogênio e potássio em cobertura deve ser realizada aos 25 dias ápos o plantio. Se o solo for arenoso, parcelar esta aplicação em duas vezes, aos 20 e 40 dias após o plantio.
Fonte: Cavalcanti (2008)

Tabela 3. Adubação com P2O5 (fósforo) e K2O (potássio) e N (nitrogênio) baseada na análise de solo para o Estado de Pernambuco.
Teores no solo
Plantio
Cobertura
------------------- kg ha-1.--------------------
Nitrogênio (N)
(não analisado)
30
90
Fósforo (P2O5)
..........mg dm-3 de P..............
<6 span="">
120
-
6 – 12
90
-
13 – 25
60
-
>25
30
-
Potássio (K2O)
........cmolc dm-3 de K........
<0 span="">
30
90
0,08 – 0,15
30
60
0,16 – 0,30
30
30
>30
-
30


Obs.: A aplicação de nitrogênio e potássio em cobertura deve ser realizada aos 25 dias ápos o plantio. Se o solo for arenoso, parcelar esta aplicação em duas vezes, aos 20 e 40 dias após o plantio.
Fonte: Cavalcanti (2008)

Quantidade de adubo aplicada

Conforme a concentração de nutrientes nos fertilizantes (Tabela 4) calcula-se as quantidades de adubos necessárias para atender às doses dos nutrientes que foram recomendadas para suprir as exigências da planta.
Tabela 4. Garantias mínimas de nutrientes nos principais fertilizantes utilizados no cultivo da melancia.

Tabela 4. Adubação com P2O5 (fósforo) e K2O (potássio) e N (nitrogênio) baseada na análise de solo para o Estado de Pernambuco..
Fertilizantes nitrogenados
N
total
N
NO3-
N
NH4+
N
amídico
K2O
CaO
MgO
P2O5Solúvel CNA+H2O
S
Ureia
44
44
-
44
-
-
-
-
-
Sulfato de amônio
20
-
20
-
-
-
-
-
22-24
Nitrato de cálcio
14
14
1,5
-
-
18-19
0,5-1,5
-
-
Nitrato de potássio
13
13
-
-
14
-
-
-
-
Fertilizantes Fosfatados
Total
Solúvel Água
Solúvel Citrato
Amônio + H2O
Solúvel
Ácido
Cítrico
CaO
MgO
N
NH4+
S
Fosfato monoamônico (MAP)
48
48
48
-
-
-
9
-
Fosfato diamônio (DAP)
45
38
45
-
-
-
16
-
Superfosfato simples
18
16
18
-
18-20
-
-
10-12
Superfosfato triplo
41
37
41
-
12-14
-
-
-
Ácido fosfórico
Fertilizantes Potássicos
Total
Solúvel Água
Cloro
S
N
NO3-
MgO Solúvel Água
Cloreto de potássio
58
58
45-48
-
-
-
-
Sulfato de potássio
48
48
-
17-18
-
0-1,2
-
Fonte: Instituto da Potassa & Fosfato (1998).

Exemplo: Aplicar 30 kg ha-1 de N, 30 kg ha-1 de P2O5 e 30 kg ha-1 de K2O antes do plantio (adubação de plantio) e 90 kg ha-1 de N e 30 kg ha-1 de K2O na adubação de cobertura.

Cálculo:
100 kg da fórmula 10-10-10 -------------------------------- 10 kg de P2O5
X kg da fórmula 10-10-10 ----------------------------------- 30 kg de P2O5
X= 30 x 100 / 10 ? 300 kg ha-1 da fórmula 10-10-10.

Torna-se evidente que os 300 kg dessa fórmula na adubação de fundação também vão fornecer as quantidades de N e K2O exigidas da recomendação. Para adubação de cobertura, utiliza-se um fertilizante nitrogenado, como a ureia, e outro potássico, como o cloreto de potássio, para fazer os cálculos:

100 kg de ureia ----------------------------------------------------- 45 kg de N
X kg de ureia -------------------------------------------------------- 90 kg de N
X= 90 x 100 / 45 ? 200 kg ha-1 de ureia.
100 kg de cloreto de potássio ----------------------------------- 60 kg de K2O
X de cloreto de potássio ------------------------------------------ 30 kg de K2O
X= 30 x 100 / 60 ? 50 kg ha-1 de cloreto de potássio.

Às vezes, o uso de uma mesma quantidade de uma fórmula “X” não atende por igual às doses de todos nutrientes recomendados. Neste caso, procura-se a fórmula que, usada em determinada quantidade, vai fornecer as quantidades de nutrientes mais aproximadas daquelas requeridas ou então, se utiliza os fertilizantes para formular a mistura na própria fazenda. Dependendo das condições, pode-se lançar mão de uma Foto dupla de nutrientes, como o DAP (fosfato diamônio) na adubação de fundação, ou o nitrato de potássio na adubação de cobertura.

Forma e época de aplicação do adubo

A aplicação dos fertilizantes na adubação de fundação deve ser feita em sulco, de tal modo que a semente ou as raízes da muda usada no plantio fiquem localizadas um pouco acima do adubo. Recomenda-se que os fertilizantes sejam incorporados ao solo com auxílio de uma enxada, na operação do fechamento do sulco, antes do plantio. Na adubação de cobertura, os fertilizantes devem ser aplicados na época recomendada, em pequenos sulcos, ao lado das plantas e cobertos com terra para evitar perdas de nitrogênio por volatilização. Assim como a semente e o sistema radicular da planta, todos os fertilizantes devem ser distribuídos onde há umidade no solo para facilitar sua solubilização.