google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Taioba (Xanthosoma taioba) hortaliças não convencionais

 

Nem toda planta que se diz que é taioba é comestível.

Existem algumas que não devem ser ingeridas devido ao elevado teor de oxalato de cálcio que causa coceira nas mucosas e sensação de asfixia. Vai aí uma dica: o primeiro passo é ter um histórico de procedência da planta ou da muda, ou seja, deve-se preferir mudas de variedades consideradas comestíveis. Em seguida, devem-se observar as seguintes características: se houver uma nervura perimetral, dando volta completa na borda da folha, e quando a reentrância da folha ou o “v” na forma de coração atinge o pecíolo, com folhas e talos de cor verde-clara, geralmente trata-se de taioba comestível. Mas, se houver um ponto arroxeado onde o pecíolo encontra a folha, a tendência é ser selvagem e não deve ser consumida.

Planta herbácea tuberosa perene, a taioba pertence à família Araceae, assim como o inhame. É nativa da América Tropical e Equatorial, incluindo o Brasil, sendo tradicionalmente cultivada no Sudeste brasileiro. Produz um rizoma central grande e outros laterais mais estreitos e alongados, com até 20 cm de comprimento. Possui um pseudocaule formado pela bainha das folhas membranáceas, que são largas e grandes, podendo atingir mais de 1 m de altura. As folhas são a principal parte comestível, mas os rizomas também podem ser consumidos se bem cozidos ou quando processados na forma de farinha. Nem todas as espécies podem ser consumidas, a taioba brava (Colocasia antiquorum Schott) é tóxica e merece atenção. Ela possui talo e folhas verdearroxeadas, e a taioba comestível apresenta folhas e talos verde claros.


Taioba (Xanthosoma taioba)

NOMES POPULARES: taiá, mangará

Plantio

O cultivo pode ser realizado o ano inteiro em regiões tropicais e equatoriais, desde que haja plena disponibilidade de água, mas em regiões subtropicais ou tropicais de altitude, o cultivo é restrito à época mais quente do ano (setembro a abril), já que a cultura permanece em dormência durante o período frio e/ou seco. O plantio pode ser feito em covas, canteiros ou leiras.

A propagação é feita por rizomas diretamente no local definitivo.

O espaçamento deve ser de 0,8 m a 1,0 m entre as leiras e de 40 cm a 50 cm entre plantas ou duas linhas por canteiro com 50 cm entre plantas. Os solos devem ser ricos em matéria orgânica.

Adapta-se muito bem a solos de baixada. A taioba também se adapta a consórcios com plantas de maior porte, uma vez que suportam bem o sombreamento, compondo muito bem sistemas agroflorestais.

A colheita inicia-se entre 60 e 75 dias após o plantio, quando as folhas apresentam tamanho de 30 cm a 40 cm de comprimento, com colheitas sucessivas após o crescimento de novas folhas. O rendimento, dependendo da variedade, pode chegar a 1,5 kg de folhas por planta durante o ciclo de seis a oito meses, o que equivale a 30 toneladas por hectare. No caso de rizomas, a colheita é feita a partir de sete a oito meses e, para aumentar a produção de rizomas, deve-se reduzir a colheita de folhas. A produtividade pode atingir mais de 20 toneladas por hectare.

As folhas devem ser colhidas sempre novas, visto que as folhas mais velhas podem concentrar teores elevados de oxalato de cálcio. Para comercialização, as folhas são enroladas e amarradas em maços de cinco a sete folhas.

Conservação e usos

A taioba apresenta vida útil relativamente curta, de 1 a 2 dias em temperatura ambiente, e até uma semana em condições de refrigeração, desde que embalada em saco plástico. As folhas são usualmente consumidas como a couve, refogadas ou cozidas, e como acompanhamento de pratos à base de carnes ou farinhas de milho ou de mandioca. É rica em proteína, com um teor de até 3 % em folhas frescas, e também em minerais (potássio, cálcio, fósforo, ferro e zinco). Seus rizomas, às vezes, são consumidos como pequenos inhames, cozidos, fritos ou processados na forma de farinha, como fonte alternativa de carboidratos.

A Taioba esta sendo estudada no âmbito do projeto “Avaliação agronômica, caracterização nutricional e estudo da vida útil de hortaliças não convencionais”, da Embrapa Hortaliças, que busca tornar acessíveis as informações sobre essas espécies com o intuito de fomentar a produção, o consumo e a comercialização. Outras hortaliças estudadas são: almeirão-deárvore, amaranto, anredera, azedinha, beldroega, bertalha, capuchinha, cará-do-ar, caruru, fisális, jambu, major-gomes, mangarito, maxixe-do-reino, muricato, ora-pro-nóbis, peixinho, serralha, e vinagreira.


Receita

Taioba refogada

Ingredientes

5 folhas de taioba

Óleo, alho e sal a gosto

Modo de preparo

1. Lave as folhas da taioba.

2. Retire o pecíolo e a nervura principal das folhas e corte-as em tiras finas.

3. Aqueça o óleo e refogue a taioba até murchar totalmente, deixando que se inicie um leve cozimento.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

PANCS: Taro (ex-inhame) (Colocasia esculenta)

 

Taro (ex-inhame) (Colocasia esculenta)

O taro é de grande importância econômica e social em diversas regiões tropicais do mundo, alimento básico no Sudeste asiático e nas ilhas do Pacífico. No Brasil, é cultivado principalmente nos estados da região Sudeste. Caracteriza-se por suas enormes folhas em tom verde-escuro em forma de coração, pecíolo verde ou arroxeado, longo e inserido no meio da folha (folha peltada), com altura variando de 0,3 a 1,8 m, de acordo com a variedade. Possui elevados teores de amido e proteínas, quantidades razoáveis de vitaminas do complexo B e açúcares, além de alta digestibilidade. Produz rizomas, que são revestidos por uma túnica fibrosa, apresentando numerosas radículas, que devem ser retiradas para a comercialização.

Nomes comuns – O termo inhame é empregado no centro-sul do Brasil, enquanto no Nordeste inhame se refere ao cará, planta completamente distinta, pertencente à outra família, Dioscorea. Cabe lembrar que no I Congresso de Inhame e Taro, realizado em 2002, foi debatido e normatizado que, a partir de então, o termo “taro” seria relacionado a plantas do gênero Colocasia e “inhame” seria restrito ao cará, plantas do gênero Dioscorea, de modo a padronizar a terminologia no Brasil e no Mundo (CARMO, 2002). Certamente, é difícil inserir um novo termo no dia a dia das pessoas, o que pode até mesmo não acontecer.

Família botânica – Araceae.

Origem – Regiões tropicais úmidas da Ásia, Índia, Bangladesh e Myanmar (antiga Birmânia).

Variedades – Utilizam-se variedades locais que são, na verdade, clones. São classificadas em “mansas” e “bravas”. As “bravas” podem irritar as mucosas em função dos elevados teores de cristais de oxalato de cálcio nos rizomas. As variedades “mansas”, com menores teores, mais conhecidas são: japonês, chinês e macaquinho. As cultivares branco e rosa, do grupo denominado de “bravo” ou “coçador”, são utilizadas na alimentação de suínos. A coloração da polpa depende da cultivar, sendo mais comuns as cores branca e ligeiramente cinza.

Clima e solo – Exige temperatura e pluviosidade elevadas, adaptando-se bem ao plantio sem irrigação na primavera-verão no Sudeste. Adapta-se melhor aos solos argilo-arenosos (textura média), devendo-se evitar solos excessivamente argilosos, que dificultam o crescimento dos rizomas e a colheita. Apesar de sua rusticidade, o taro produz melhor em solos férteis e com elevado teor de matéria orgânica. É resistente a estresses ambientais, tais como baixa luminosidade ou insolação e encharcamento, sendo comum seu cultivo em várzeas.

Preparo do solo – Deve-se efetuar uma ou duas arações, a depender do estado da área, e duas gradagens, seguido de sulcamento (enleiramento) e adubação uma semana antes do plantio.

Calagem e adubação – A calagem e a adubação devem ser feitas com base nos resultados da análise de solo, ressaltando a importância do cálcio para evitar a ocorrência de “metsubure” ou olho cego, distúrbio fisiológico caracterizado pela perda da gema apical dos rizomas-filho devido à deficiência de cálcio. Recomenda-se até 180 kg/ha de P2O5 e 90 kg/ha de K2O, conforme a disponibilidade desses nutrientes no solo, além de 60 kg/ha de N em duas aplicações, aos 40-45 e 70-80 dias após o plantio (COMISSÃO, 1999).

Plantio – O taro é propagado vegetativamente por meio de rizomas. Pode-se utilizar tanto o grande rizoma central quanto os laterais (pequenos). Rizomas laterais maiores possuem maior capacidade produtiva, mas, por serem mais valorizados no mercado, elevam o custo de produção. Assim, a utilização do rizoma central, de menor valor comercial no mercado, pode ser uma opção. Os rizomas podem ser plantados inteiros. No caso do rizoma central, quando for muito grande, pode-se plantar apenas a sua porção superior com 200 a 300 g. Deve-se colocar os rizomas com o broto terminal bem desenvolvido em sulcos de 10 cm de profundidade, no espaçamento de 1,0 x 0,3 m (33.333 plantas/ha).

O taro é uma hortaliça de clima tropical, quente e úmido, sendo intolerante ao frio. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul é plantado de setembro a novembro. No Nordeste, onde é pouco conhecido, deve-se plantar no início das chuvas, entre novembro e janeiro em baixadas úmidas. Na região Norte, em locais com clima quente e úmido, pode ser plantado durante o ano todo, havendo porém menor translocação de nutrientes para os rizomas em função do contínuo desenvolvimento da parte aérea por não haver um período seco e frio bem definido.

Tratos culturais – A cultura é exigente quanto à umidade do solo, sendo normalmente plantada sem irrigação em períodos chuvosos e áreas de várzeas, especialmente em regiões montanhosas, com bons níveis de produtividade. Entretanto, quando necessário, deve-se irrigar por sulco ou aspersão. Quando a planta entra na fase de maturação, as irrigações devem ser reduzidas e, aos 20- 25 dias antes da colheita, totalmente suspensas. Devem ser realizadas capinas, com auxílio de enxada e/ou cultivadores, mantendo as plantas infestantes sob controle durante o desenvolvimento da cultura.

O taro é uma hortaliça pouco atacada por pragas. Em períodos secos, podem ocorrer pulgões nas folhas. Danos à cultura são causados pelos coleópteros (besouros, brocas) Stenocrates cultor e Tarophagus proserpina, que abrem galerias nos rizomas, inviabilizando-os para comercialização e plantio. Também pode ocorrer o fungo Cladosporium spp., em folhas mais velhas, porém com pouca interferência na produção. Em áreas com histórico de ocorrência de nematoides-das-galhas, Meloidogyne spp., fazer rotação com gramíneas.

Colheita e pós-colheita – Realiza-se a colheita sete a nove meses após o plantio, quando as folhas começam a amarelar, murcham e secam. Pode permanecer no campo por até três meses sem ser colhido desde que o solo seja bem drenado e no período seco do ano. Deve sempre ser colhido antes das chuvas. Quando colhidos após o retorno das chuvas, os rizomas ficam aguados e insossos devido à rebrota e translocação de nutrientes dos rizomas para parte aérea. A colheita pode ser realizada feita manualmente ou semimecanizada. Efetua-se, então, a limpeza dos rizomas, que consiste no corte da parte aérea e na retirada do excesso de raízes e de túnicas (“cabelos”). Comercialmente, os rizomas-filho são separados da cabeça central e classificados por tamanho. Os rizomas laterais (rizomas-filho), que podem apresentar peso variando de 20 g a 200 g, e têm valor de mercado cinco a dez vezes maior que o rizoma central. Quanto maiores, mais valorizados são os rizomas-filho. Pode produzir até 40 ton/ha de rizomas-filho

Os rizomas devem estar firmes, sem sinais de brotação, sem áreas amolecidas ou enrugadas. Quando colocados em geladeira, devem ser acondicionados na parte inferior, dentro de sacos plásticos. Os rizomas são consumidos após cozimento. Muito usado em sopas, cremes, refogados, saladas (cozido), fritos (após rápido cozimento), pães, bolos e sobremesas. Também pode ser industrializado na forma de farinha. Há variedades usadas especificamente para a alimentação animal. O rizoma central é um pouco mais duro. O armazenamento pode ser feito em galpões bem ventilados, espalhando os rizomas em camadas finas, facilitando a circulação de ar entre eles.

Figuras 98 e 99: Taro, plantas e rizomas


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Ardume, picância, pungência das Pimentas

 

Ardume, picância, pungência

“Que me perdoem os apreciadores das pimentas ‘de-cheiro’, mas pimenta para ser boa tem de arder” – ou queimar, assim costumam dizer os amantes das pimentas e dos molhos picantes.

E quem nunca ouviu a história das baianas vendendo acarajés mais ou menos “quentes”?

Mas por que as pimentas ardem e por que umas ardem mais que outras?

A resposta é que as pimentas ardem porque contêm capsaicinóides, que são alcalóides com estruturas químicas ligeiramente distintas entre si, mas curiosamente similares à da vanilina, substância que dá sabor à baunilha.

Dentre os capsaicinóides, o componente mais importante é a capsaicina (cerca de 70%), seguida da dihidrocapsaicina (cerca de 20%) e de outros componentes menores: nordihidrocapsaicina, homocapsaiciana e homodihidrocapsaicina.

A capsaicina (Figura 1), além de ser o mais abundante dos capsaicinóides, é o componente mais picante. Como os outros membros do grupo, ela se acumula na placenta, ou seja, a parte do fruto onde as sementes se inserem (Figura 2).

Figura 1 – Fórmula química da capsaicina.

Figura 2. A capsaicina se concentra na placenta do fruto.

cérebro então reage, fazendo com que sejam produzidas endorfinas (compostos similares à morfina), que têm a função de eliminar a dor e, também, provocar sensação de euforia. Daí dizer-se que as pessoas se viciam em comer pimenta.

Outras respostas do organismo humano a doses maiores de pimentas ardidas são: aceleração dos batimentos cardíacos para aumentar o metabolismo, aumento da sudorese para reduzir a temperatura corporal e aumento da salivação para refrescar a boca. Ainda são observados escorrimento nasal e aumento da velocidade do trato intestinal em decorrência do consumo de pimenta picante.

Para aplacar o ardor da pimenta ingerida, é comum a pessoa querer beber água. Essa não é uma boa idéia, pois a capsaicina é pouco solúvel em água.

Mas é muito solúvel em óleo e álcool, daí o fato de pimentas em molho de azeite e de álcool (ou cachaça) serem bem mais picantes. Em vez de água, recomenda se beber leite ou tomar sorvete, que contêm, além de óleo, alto teor de caseína, substância que envolve a molécula de capsaicina, facilitando a sua eliminação, da mesma maneira que os detergentes envolvem moléculas de gordura.

Mas é paradoxal que a capacidade de a capsaicina provocar a dor seja usada para a cura de artrite e de algumas outras dores crônicas. Vários medicamentos à base de capsaicina podem ser encontrados em farmácias. Isso se deve ao fato de que a sua exposição a tecidos menos sensíveis diminui a sensibilidade à dor.

Outro uso comercial da capsaicina é na fabricação de “pepper sprays”, que são preparados com composto concentrado desse alcalóide e usados pela polícia ou para defesa pessoal em alguns países. Embora jatos de “sprays” de pimentas causem bastante desconforto, chegando a ser até paralisantes por vários minutos, não deixam seqüelas.

É interessante lembrar que a capsaicina só é produzida por pimentas do gênero Capsicum. A substância picante da pimenta-do-reino, por exemplo, é bem diferente e age de forma distinta no organismo; é chamada de piperina, nome advindo do gênero Piper, ao qual pertence a pimenta-do-reino.

A concentração de capsaicina nos frutos de pimenta é que determina a sua pungência (ou ardência ou ardume).

Esta concentração é medida por um teste chamado Teste Organoléptico Scoville (Scoville Organoleptic Test), em homenagem ao farmacêutico americano Wilbur Scoville (Figura 3), que o desenvolveu em 1912. Originalmente, este teste se baseou em macerar os frutos de pimenta e misturar em água com açúcar.

Diluições eram então ministradas a degustadores que indicavam a maior diluição em que o ardume era percebido, dando a esta diluição valor em unidades ou em Unidades de Calor Scoville (SHU – do inglês Scoville Heat Unit).

Assim, quanto mais diluída a amostra em que o ardume era percebido, maior a pungência do material. Atualmente esse teste degustativo já não é usado e foi substituído por técnicas mais modernas e simples, como pelo uso de HPLC (cromatografia líquida de alta precisão). Em homenagem ao seu idealizador, entretanto, o nome do teste foi mantido.

Figura 3. Wilbur Scoville. (Reprodução autorizada pelo Scoville Food Institute.)

Figura 4. “Termômetro” do ardume de pímentas brasileiras.


Existem publicadas várias tabelas em que valores de Unidades Scoville são relacionados com diferentes tipos de pimentas.

Entretanto, esses valores devem ser analisados com cautela, pois podem variar em função: 1) de linhagem varietal, clima e solo; 2) de os testes organolépticos, como o SHU, serem pouco precisos, com variações de 50% na mesma amostra; 3) de o teste de HPLC não gerar resultados em Unidades Scoville, mas em unidades de pungência ASTA (American Spice Trade Association), e 4) de a conversão do HLPC em SHU ser imprecisa.

Embora nem tão precisas, as tabelas são interessantes, pois permitem perceber a grande variação de pungência entre as pimentas. Por exemplo, os pimentões e a pimenta-biquinho não apresentam nenhuma pungência, e, por isso, têm valor 0 (zero) SHU. Por outro lado, as pimentas do grupo habanero podem atingir valores acima de 300.000 SHU, e a brasileira malagueta, acima de 200.000 SHU (Figura 4).

No livro dos recordes Guinness consta que a pimenta mais picante do mundo é uma do grupo habanero, a ‘Red Savina Habanero’, com 577.000 SHU, encontrada nos EUA em 1994. Mais recentemente, entretanto, foram relatadas, na Índia, as pimentas ‘Naga Jolokia’,com 855.000 SHU, e a ‘Dorset Naga’, com 923.000 SHU. Esses altos valores, entretanto, necessitam de confirmação.

Gera curiosidade o fato de alguns pássaros se alimentarem de pimentas bastante picantes, como a cumariverdadeira, também conhecida como pimenta-passarinho. De fato isso ocorre porque os pássaros não possuem as células receptoras de capsaicina, sendo, portanto, insensíveis a ela; esta é uma das grandes diferenças entre organismos de aves e mamíferos. A insensibilidade dos pássaros à capsaicina, mais um dos segredos da natureza, faz deles importantes dispersores das sementes das pimentas.

Usos pouco ortodoxos e também curiosos da capsaicina, a serem acrescentados aos usos mais nobres da pimenta, são: pó de pimenta adicionado a sementes para alimentação de aves, para prevenir que esquilos delas se alimentem; gel de pimenta nos fios de sutura veterinária, para evitar que animais submetidosa cirurgias removam os pontos cirúrgicos com os dentes; e gel de pimenta nos fios de telefone, para evitar que sejam roídos por cães, gatos e ratos.


sábado, 4 de dezembro de 2021

Agrião: Como comprar, conservar, consumir


 

Como comprar

Escolha maços com folhas frescas, de cor verde-escuro, sem áreas amareladas ou pontos escurecidos. Os talos devem estar firmes e quebradiços. 

Escolha os maços com cuidado, pois as folhas rasgam-se com facilidade e os talos escurecem e apodrecem rapidamente quando danificados. 

A presença de flores e pequenos frutos verdes não prejudica a qualidade do agrião para consumo.

O agrião pode ser encontrado já lavado, higienizado e embalado em filmes ou vasilhas de plástico, acompanhado ou não de outras hortaliças folhosas. Antes de comprar, verifique a data de validade e compre somente o produto refrigerado. Descarte aqueles com líquido amarelado no fundo da embalagem ou com as folhas sem brilho ou com bordas escuras.

Como conservar

O agrião é uma hortaliça de curta duração; por isso, compre somente o necessário para consumo imediato.

Em condição ambiente, pode ser mantido por no máximo um dia, se colocado em local fresco, com os talos imersos em uma vasilha com água.

Em geladeira, pode ser conservado por até três dias, se embalado em saco de plástico para alimento ou em vasilha tampada. Os talos inteiros, lavados e secos com pano limpo ou papel absorvente, duram por mais tempo que as folhas.

Como consumir

O agrião pode ser usado cru em saladas, sozinho ou misturado com outras hortaliças, como alface, rúcula e chicória, e em sucos com diversas frutas. Também pode ser usado para incrementar sanduíches, panquecas, rabadas, rocambole, pães, molhos, sopas e purês.

Os talos podem ser usados em sopas, misturados ao arroz, refogados com temperos e ovos batidos e como recheio de suflês e bolinhos.

As folhas temperadas com limão, sal e azeite são um excelente acompanhamento para churrascos de todos os tipos de carne. Experimente!

Antes de consumir as folhas cruas, lave-as com bastante cuidado em água corrente, removendo os talos grossos e as folhas amareladas ou escuras. Coloque as folhas verdes e talos finos em solução de hipoclorito de sódio por 30 minutos ou use produtos próprios para higienização de saladas, disponíveis nos supermercados e quitandas. Em seguida, enxágue as folhas com água filtrada.

Dicas

Faça saladas sofisticadas misturando agrião, nozes, maçãs fatiadas bem finas ou cubinhos de queijos finos.

Temperos usados com agrião: cebola, alho, azeite, limão, pimenta, salsa, cebolinha-verde.

Salada enriquecida com agrião


Ingredientes

• ½ xícara de agrião picado para o molho da salada

• ½ maço de agrião lavado e com as folhas inteiras separadas para compor a salada

• 1 colher (sopa) de suco de limão

• 1 xícara (chá) de maionese

• 1 colher (chá) de sal

• ½ xícara (chá) de cheiro-verde

• 1 batata grande cozida e cortada em cubinhos

• ½ xícara de maçã cortada em cubinhos

• 2 cenouras médias cortadas em cubinhos

• 1 xícara (chá) de vagem cozida cortada fininha

• ¼ xícara (chá) de cebola picada

• 2 colheres (sopa) de passas

Modo de fazer

1. Bata rapidamente no liquidificador o agrião picado, o limão, o sal, a cebola e a maionese. Misture o cheiro-verde e reserve.

2. Numa vasilha, misture as batatas, as cenouras, as passas, a vagem e a maçã, acrescente o molho e misture.

3. Forre uma tigela com as folhas de agrião, acrescente a mistura com o molho.

Tempo de preparo e cozimento: 30 minutos

Rendimento: 6 porções

Sugestões

v Substitua metade da quantidade de maionese por iogurte natural.

v Sirva gelado.

Sanduíche de agrião e ricota


Ingredientes

• 10 fatias de pão de forma

• 2 xícaras (chá) de ricota amassada

• 2 xícaras (chá) de agrião picado

• 3 colheres (sopa) de suco de limão

• 1 colher (chá) de sal

• ½ xícara (chá) de cheiro-verde

• 2 colheres (sopa) de maionese

• 1 colher (sopa) de creme de leite

• 2 colheres (sopa) de passas sem sementes

Modo de fazer

1. Reserve as fatias de pão.

2. Junte os demais ingredientes em uma vasilha e misture até formar uma pasta homogênea.

3. Passe a pasta em uma fatia de pão, cubra-a com outra fatia e sirva..

Tempo de preparo: 10 minutos

Rendimento: 5 sanduíches

Sugestão

v Use queijo tipo minas no lugar da ricota.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

PANCS: Tamarilho (Solanum betacea)

 

Tamarilho (Solanum betacea)

Planta perene com até 3 m de altura, folhas simples, alternas, frutos carnosos com polpa suculenta de coloração variando de laranja a vinho, com pequenas sementes. No passado foi muito plantada em quintais de regiões de clima ameno nas regiões Sudeste e Sul, sendo encontrada ainda hoje esporadicamente no Sul de Minas Gerais, na Região Serrana do Rio de Janeiro e em Santa Catarina, entre outros Estados. Entretanto, é em países andinos como Equador e Peru que a cultura assume grande importância econômica, sendo lavoura comercial cultivada em grande escala.

Nomes comuns – Tamarilho, tomate-de-árvore, jiló-de-árvore e tamaril.

Família botânica – Solanaceae, a mesma do tomate. Origem – América andina.

Variedades – Observa-se variabilidade com relação a porte da planta, formato e coloração dos frutos, externa e internamente, mas sem a sistematização de variedades no Brasil. Nos países andinos há trabalhos de melhoramento genético.

Clima e solo – Produz melhor sob temperaturas amenas nas regiões Sul e Sudeste e em solos profundos de fertilidade mediana a alta, com elevados teores de matéria orgânica.

Preparo do solo – Recomenda-se o preparo localizado, restrito às covas de plantio, sem revolvimento do solo em área total e mantendo a cobertura morta entre as covas. As covas devem ter 30 x 30 x 40 cm, respectivamente em largura, comprimento e profundidade.

Calagem e adubação – A calagem deve ser feita em função da análise de solo, visando atingir pH entre 5,8 e 6,5. Sugere-se, considerando a inexistência no Brasil de recomendações específicas, seguir a recomendação de adubação para berinjela, ou seja, até 200 kg/ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O e 40 kg/ha de N, e de 20 a 40 ton/ha de esterco de curral curtido (COMISSÃO, 1999). Na adubação de cobertura, 60 kg/ha de N e até 100 kg/ ha de K2O, parcelados a partir dos 45 dias após o transplantio a cada 30 a 60 dias.

Plantio – O tomate-de-árvore é propagado por sementes. Deve-se fazer a produção de mudas em recipientes individuais como copos ou saquinhos plásticos, semeando três a quatro sementes e efetuando-se o desbaste, deixando somente uma planta por recipiente, a mais vigorosa. O plantio definitivo pode ser feito entre 45 e 60 dias após a semeadura, quando as plantas atingem quatro a cinco folhas definitivas. É viável o enraizamento de brotos laterais, o que acelera o processo de produção de mudas, atentando para a seleção de plantas matrizes vigorosas. O transplantio é feito no espaçamento de 3,0 x 2,0 m. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste o plantio deve ser realizado de março a junho e na Região Sul entre setembro a dezembro.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição por plantas invasoras infestantes, por meio de capinas manuais nas covas e roçada entre plantas. Na época seca, recomenda-se irrigar e utilizar cobertura morta entre plantas. Em alguns casos, quando ocorrem muitas brotações, pode-se efetuar a desbrota visando melhor arejamento nas copas das plantas e a produção de frutos maiores. As pragas que ocorrem com maior frequência são vaquinhas, ácaros, pulgões e a broca-pequena-do-tomate. A doença mais comum é a mela, causada pelos fungos de solo Pythium sp. e Rhizoctonia solani.

Colheita e pós-colheita – A colheita começa aproximadamente cinco a sete meses após o transplantio. Os frutos são considerados maduros quando ocorre mudança na coloração da casca de verde para vermelho. Pode produzir mais de 10 kg/planta ou 60 ton/ha anuais por dois a três anos. Os frutos são utilizados no preparo de sucos, doces e geleias.

Figuras 96 e 97: Tamarilho, planta e frutos



sábado, 27 de novembro de 2021

Acelga: como comprar, conservar e consumir

 

Hortaliça como comprar, conservar e consumir

Como comprar

Na maioria das feiras e mercados, a couve-chinesa é comercializada erroneamente com o nome de acelga. 

Entretanto, as duas são hortaliças bem diferentes. A couve-chinesa possui folhas verde-claras, enrugadas, ovais e compridas, sobrepostas umas às outras, formando uma cabeça.

A acelga, por sua vez, possui grandes folhas verde-escuras e brilhantes, que podem ser mais lisas ou mais enrugadas, a depender da variedade.

A nervura ou talo da acelga, bem proeminente, é de cor branca nas variedades mais comuns, mas também pode ser vermelha, amarela, laranja ou com listras rosas e brancas. Em alguns países, folhas com talos de diversas cores são reunidas em um maço ao qual se dá o nome de acelga arco-íris.

Manuseie os maços com cuidado para não danificar as folhas e talos.

Escolha aqueles com folhas verdes, sem sinais de amarelecimento, que indicam que a planta está velha. A presença de talos moles e de folhas com manchas escuras é sinal que a hortaliça já está “passada”, e, portanto, o sabor, o aroma e a textura não serão satisfatórios.


Como conservar

Consuma em até 5 dias

A acelga estraga-se rapidamente quando mantida em condição ambiente. Na geladeira, pode ser conservada por cinco dias a dez dias, dependendo do cuidado que se tenha após a colheita. Preferencialmente, refrigere sem lavar; se precisar fazê-lo, lave as folhas em água corrente, escorra o excesso de água e coloque as folhas em saco de plástico ou vasilha com tampa. Também pode envolver as folhas em papel-toalha ou pano de prato limpo e em seguida embalar.

No congelador

Para congelar, deixe em água fervente por dois minutos, escorra a água e depois ponha em água gelada por mais dois minutos. Drene bem a água, embale e congele. Pode ser mantida por até três meses.


Como consumir

Crua, cozida ou refogada

A acelga pode ser consumida crua, misturada em pequena quantidade a folhas mais tenras e de sabor mais delicado. Entretanto, a forma tradicional de consumo é refogada. Use-a em sopas, cozida com batata, no recheio de tortas, omeletes e charutos, adicionada a pratos com arroz e com macarrão. Quando refogada, pode substituir o espinafre, a couve e o almeirão.

Seu sabor é semelhante à folha de beterraba e de espinafre verdadeiro, mas mais pungente e mais amargo.

Também é mais consistente e, por isso, preferida em pratos que requeiram folhas com mais consistência.

Talos grossos são apetitosos e podem ser consumidos, porém exigem mais tempo de cozimento do que as folhas. Nesse caso, separe os talos das folhas e cozinhe-os separadamente, ou acrescente as folhas após cozinhar os talos por alguns minutos.

A acelga é uma hortaliça cujas folhas são semelhantes às folhas da beterraba. Originária da Ásia Menor e do Mediterrâneo, pertence à família Quenopodiácea, a mesma da beterraba e do espinafre verdadeiro.


A acelga possui alto teor de fibras (necessárias para o bom funcionamento do intestino), alto teor de vitamina A e razoável teor de vitamina C, fornece potássio e magnésio e é naturalmente rica em sódio


Receitas

Torta recheada com acelga.



Ingredientes

Para a massa

• 3 xícaras (chá) de farinha de trigo

• 3 ovos grandes

• 2 xícaras (chá) de leite

• 1 xícara (chá) de óleo

• 1 xícara (chá) de queijo ralado meia-cura

• 1 colher (chá) de sal

• 1 colher (chá) de orégano

• 1 colher (sopa) de fermento em pó

Para o recheio

• 1 maço de acelga picada e escaldada em água fervente

• 4 colheres (sopa) de óleo

• ½ xícara (chá) de cebola picada

• 1 xícara (chá) de cheiro-verde

• 2 dentes de alho picado

• 2 tomates grandes sem sementes, picados

• Sal e pimenta a gosto

Modo de fazer

Recheio

1. Coloque o óleo numa panela, doure a cebola e o alho.

2. Em seguida, acrescente a acelga, o tomate, o cheiro-verde e refogue. Tempere

com sal e pimenta. Reserve.

Massa

1. Coloque no liquidificador todos os ingredientes líquidos e o ovo, bata até obter uma mistura homogênea.

2. Em uma bacia, coloque a farinha de trigo e o queijo ralado, acrescente a mistura do liquidificador e misture bem. Adicione o fermento e misture-o à massa delicadamente.

3. Unte com óleo uma forma de 19 cm x 31 cm, coloque um pouco da massa, distribua o recheio sobre essa massa e cubra com o restante da massa. Polvilhe orégano na massa e leve para assar em forno preaquecido em temperatura média (180 oC) por 40 minutos ou até dourar.

Tempo de preparo e cozimento: 1h10 minutos

Rendimento: 8 porções

Sugestão

Se desejar, acrescente carne moída ao recheio.


Lasanha com acelga



Ingredientes

• 1 maço de acelga lavada e sem os talos

• ½ xícara (chá) de cebola picadinha

• 1 dente de alho picadinho

• 2 ½ xícaras (chá) de leite

• 1 xícara (chá) de creme de leite

• 400 g de carne moída

• 2 xícaras (chá) de tomate bem maduro, sem sementes, picado

• 4 colheres de ketchup

• 150 g de macarrão para lasanha pré-cozido

• ½ xícara (chá) de farinha de trigo

• 200 g de queijo muçarela fatiado

• Sal e pimenta a gosto

• 2 colheres (café) de noz-moscada

• 6 colheres (sopa) de margarina ou manteiga

Modo de fazer

1. Escalde a acelga em água fervente ou coloque-a no vapor por temposuficiente para murchá-la e reserve.

2. Doure a cebola e o alho em metade da manteiga. Junte a farinha e mexa bem até dourar. Abaixe o fogo. Junte o leite e o creme de leite sem parar de mexer e deixe cozinhar até ferver. Acrescente o sal, a pimenta e a noz-moscada, misture bem e reserve o creme.

3. Refogue a carne no restante da margarina ou manteiga, tempere com sal, pimenta e noz-moscada e acrescente o tomate. Quando a carne estiver cozida, acrescente o ketchup, misturando bem.

4. Unte uma forma refratária e coloque sucessivamente uma camada de creme, uma de macarrão, uma de acelga e uma de carne. Repita o processo e, por último, cubra com uma camada de muçarela.

5. Leve ao forno moderado preaquecido (180 oC) por 60 minutos ou até dourar.

Tempo de preparo e cozimento: 1h30

Rendimento: 8 porções

Sugestões

v A carne moída pode ser substituída por frango desfiado.

v Sirva quente.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Tutoramento do Tomateiro

 

Tutoramento

O tutoramento do tomate consiste em fornecer suporte às plantas durante o seu crescimento. Além de evitar o contato das plantas com o solo, ele aumenta a ventilação e a iluminação ao longo do dossel, facilita os tratos culturais e diminui as curvas em “S” nos caules próximos do solo. Assim, a planta se desenvolve em melhores condições fitossanitárias, o que corrobora para o prolongamento do período de produção, aumentando a quantidade e a qualidade dos frutos.

Métodos de tutoramento vertical

No método de tutoramento vertical do tomate, preconizado no Sistema de Produção Integrada de Tomate, as plantas são conduzidas perpendicularmente ao solo em tutores de essências florestais, usualmente o bambu, ou em fitilhos plásticos. Os principais métodos de tutoramento vertical são: a) o vertical com bambu ou outras essências florestais (Figura 4A); b) o vertical com fitilho (Figura 4B) e; c) o método denominado “mexicano” (Figura 4C).

Figura 4. Métodos de tutoramento de plantas vertical com (A) bambu, (B) vertical com fitilho, (C)vertical “mexicano” e (D) cruzado ou “V” invertido

No “mexicano” as plantas são conduzidas verticalmente entre fitilhos dispostos horizontalmente nos dois lados das plantas à medida que as hastes crescem (Figura 5A) e que são amarrados em essências florestais ou bambus dispostos ao longo da fila de plantio a cada seis plantas (Figura 5B). Neste caso, dispensa-se o uso de palanques/mourões. No vertical com bambu e no vertical com fitilho as plantas são amarradas nos tutores dispostos verticalmente (Figuras 5C e 5D, respectivamente).

Figura 5. Detalhe do amarrio de plantas nos sistemas de (A-B) tutoramento vertical “mexicano”, (C) com bambu e (D) com fitilho

No método de tutoramento vertical a aplicação dos defensivos é mais eficiente nos dois lados das plantas ao longo das filas e há uma melhor distribuição da radiação solar e maior ventilação ao longo do dossel das plantas, contribuindo para a menor incidência de insetospraga e doenças em relação ao tutoramento cruzado (Figura 4D).

Implantações do método de tutoramento de plantas

A implantação do tutoramento de plantas, principalmente a fixação dos mourões, deve preferencialmente ser realizada antes do plantio para evitar danos às mudas por pisoteio ou pelo manuseio dos materiais (mourões, arame, varas de bambu etc.), mas depois de feito o sulco de adubação e a adubação de base.

No tutoramento vertical com bambu recomenda-se o uso de varas com aproximadamente 2,2m de comprimento dispostas ao lado de cada planta. As varas, levemente enterradas no solo, são amarradas em um fio de arame galvanizado no 14 ou no 16, que fica a 1,8m acima do nível do solo, atado aos mourões de 2,0m de altura situados nas extremidades e aos mourões ou às cruzetas de bambu grosso ao longo das fileiras.

No tutoramento vertical com fitilho, o fio de arame no 14 ou no 16 deve ficar na altura à qual se pretende conduzir as plantas. Os fitilhos, um para cada haste, são presos no arame e na base da planta. O espaçamento entre mourões para o método de tutoramento vertical com fitilho deve ser menor que o com bambu, para evitar que o arame se curve com o peso das plantas. Os mourões de cada extremidade das fileiras, no método de tutoramento vertical com fitilho, devem ser enterrados numa maior profundidade, visto que a maior parte do peso das plantas das fileiras está concentrada neles.

O uso de fitilho em substituição ao bambu reduz tempo e mão de obra na instalação e na condução das plantas. O sistema de tutoramento também é bem mais barato do que o tutoramento com bambu. A seguir estão detalhados alguns cuidados na instalação deste sistema de tutoramento: 1) Fixar os mourões mestres (2 m do solo), nas duas extremidades das filas de plantas, com firmeza a pelo menos 60 cm no solo; 2) O arame de sustentação dos fitilhos, preso aos palanques, deve ser liso de no 14 e fortemente tensionados para manter os fitilhos esticados; 3) Nas linhas de plantas, deve ser colocado um palanque ou cruzeta a cada 8,0m e, entre eles, algumas varas de bambu grossas, dispostas em cada lado das fileiras, para auxiliar na sustentação do arame e consequentemente das plantas; 4) O tutoramento das plantas, propriamente dito, deve ser iniciado quando elas alcançam cerca de 30cm de altura; 5) Os fitilhos devem ter aproximadamente 5,0m para a condução das duas hastes de cada planta; 6) A amarração deve ser feita na base da planta abraçando as primeiras folhas de forma a não causar estrangulamento do caule. Amarra-se na base de cada planta o centro do fitilho, de modo que metade de seu comprimento fique disponível para cada haste, fixando as extremidades do fitilho no arame com nó tipo laço, deixando-os levemente esticados; 7) O fitilho deve ser enrolado nas hastes, uma a duas vezes por semana, acompanhando o crescimento da planta juntamente com a operação da desbrota.

Caso sejam reutilizados os tutores de essências florestais do ano anterior, deve ser realizada a desinfestação por imersão dos tutores numa solução com 5% de cobre ou 1% de hipoclorito de sódio. Os tutores devem ficar imersos nessa solução por alguns minutos. Para o tratamento de arames utilizados no ano anterior, devem ser evitados produtos cúpricos. 

Um método prático é mergulhar os arames em água fervente durante 10 minutos.

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