quarta-feira, 8 de abril de 2020

Adubação na Cultura da Cenoura


Adubação Orgânica

A cenoura responde à adubação orgânica especialmente em solos de baixa fertilidade e/ou compactados. É fundamental que o adubo orgânico esteja bem curtido. Tratando-se de esterco de gado, em geral aplicam-se 30 toneladas ou 60 metros cúbicos por hectare, antes do plantio. No caso de esterco de galinha, aplica-se um terço desta quantidade. A distribuição é feita a lanço sobre os canteiros, seguida de incorporação, que é feita utilizando-se enxada rotativa.

Adubação Química

A quantidade de fertilizantes a ser utilizada é calculada com base na análise química do solo, principalmente de acordo com seus níveis de fósforo e potássio, tendo como referência os valores indicados na Tabela 1.


Tabela 1.
 Recomendação de adubação para produção de cenoura em latossolos da região Centro–Oeste, com base na análise do solo .
Fósforo
Potássio 
Teor no solo
(mg dm³)
Dose recomendada de
P2O5 (Kg ha-1)
Teor no solo
(mg dm³)
Dose recomendada de
K2O (Kg ha-1)
< 10
400-600
< 60
200-300
10-30
200-400
60-120
100-200
30–60
100-200
120–240
50-100
> 60
50
< 240
0
Fonte: Adaptada de Emater-DF (1987)
















Além do fósforo e do potássio, devem ser aplicados no plantio mais 40 kg/ha de nitrogênio, 12 kg/ha de bórax (17,5% B) e 12 kg/ha de sulfato de zinco monohidratado (35% Zn). A adubação em cobertura deve ser feita com 40 kg/ha de nitrogênio (N). Nos plantios em épocas chuvosas, recomenda-se a aplicação de 60 kg/ha de N e 60 kg/ha de K2O, aos 30 e 60 dias após a emergência.

Normalmente, quando se incorpora o esterco de galinha na dosagem recomendada, a adubação de cobertura com nitrogênio pode ser dispensada, se o desenvolvimento das plantas for normal.

Adubação Foliar

A adubação foliar é uma alternativa raramente utilizada na cultura da cenoura. Visa prevenir ou controlar alguma deficiência mineral e/ou doença na planta, suplementando à aplicada ao solo. É realizada por meio de pulverizadores (costais ou motorizados) e equipamentos maiores tracionados por trator, ou ainda empregando-se avião agrícola.

Recomenda-se que sua aplicação seja prescrita por um engenheiro agrônomo, uma vez que a aplicação indiscriminada poderá causar plasmólise (desidratação) ou queima das folhas, compromentendo assim a produção, além da contaminação ambiental por metais pesados.

Análise foliar

A análise foliar permite observar se a planta está ou não bem nutrida. Ela consiste na determinação dos níveis dos diferentes nutrientes em tecidos vegetais, principalmente na parte aérea (folha + pecíolo) recém-formada, pois estes órgãos refletem melhor o estado nutricional da planta em determinada condição de solo, clima e manejo para a cultura, identificando casos de deficiência e toxicidade.

Permite ainda, distinguir sintomas provocados por agentes patogênicos, daqueles decorrentes por nutrição inadequada. Em outras palavras, ela corrobora a análise química do solo.

Entretanto, em regiões de difícil acesso a um laboratório, utiliza-se a diagnose visual da planta, que consiste em comparar o aspecto da planta problema com o padrão. Em havendo falta ou excesso de algum nutriente, isto será traduzido em anormalidades visíveis.

Para a análise foliar, recomenda-se fazer amostragem entre 50 e 60 dias após o semeio. Deve-se coletar pelo menos 50 folhas por hectare, escolhidas de forma aleatória.

É importante ressaltar que não se deve retirar amostras quando nos dias antecedentes ocorreu qualquer tipo de adubação no solo ou pulverização na planta. As amostras devem estar livres de danos ocasionados por insetos, doenças, fenômenos climáticos, ou tratos culturais.

As amostras assim coletadas devem ser acondicionadas em sacos de papel limpos, contendo orifícios médios de 0,5 cm de diâmetro (que podem ser feitos com a ponta de um lápis) e envia-las para o laboratório para análise devidamente identificadas. As amostras também poderão ser acondicionadas em sacos plásticos limpos e postos em caixa de isopor contendo gelo, ou em uma geladeira. Nestes dois últimos casos, o horticultor poderá envia-las ao laboratório em até 48 horas.

Em uma primeira aproximação, as faixas consideradas adequadas às concentrações de macro e micronutrientes em folhas cenoura, provenientes de experimentos de campo realizados em Brasília-DF e área do Entorno do Distrito Federal, são apresentadas na Tabela 2. Estas poderão serem utilizadas como referência para a identificação de problemas nutricionais da cultura.





Tabela 2. Teores médios adequados de nutrientes na massa seca da parte aérea* de cenoura cultivada em solos de cerrado do Distrito Federal e da região do Entorno. Embrapa Hortaliças, Brasília, DF, 2002.
Nutrientes
Teores Adequados
Macronutrientes
(g kg-1)**
N
20-33
P
2-65
K
20-50
Ca
8-26
Mg
2-35
S
2.5-5.3
Micronutrientes
(mg kg-1)***
B
29-53
Zn
20-75
Cu
9-25
Mn
25-350
Fe
20-400
Mo
0.3-1.2
Fonte: Laboratório de Nutrição Vegetal/Embrapa Hortaliças. Brasília-DF, 2002.
*Parte aérea (folha e pecíolo).
**g kg-1 = ppm
***mg kg-1 = % x 10

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Curiosidades sobre a Cenoura



A cenoura, proveniente do Afeganistão, é nossa fonte mais abundante de beta-caroteno. Também possui grande quantidade de vitamina A, um nutriente essencial para a saúde dos cabelos, pele, olhos e ossos.

As cenouras constituem um alimento ideal, com alto teor de fibras e poucas calorias. O seu cozimento, no entanto, aumenta o valor nutritivo da cenoura porque quebra as membranas que envolvem o beta-caroteno.

Para converter o beta-caroteno em vitamina A, o corpo necessita de, pelo menos, uma pequena quantidade de gordura, porque a vitamina A é solúvel em gordura, e não em água.

Servir cenouras cozidas com uma pequena porção de manteiga ou margarina assegura que o corpo será capaz de utilizar completamente esse nutriente. Cenouras cozidas ou em purê são excelentes alimentos para bebês já que são naturalmente doces e possuem alto teor nutritivo.

Enxergando no escuro
As cenouras não previnirão nem corrigirão os problemas de visão mais comuns, como a miopia e hipermetropia. Mas uma deficiência de vitamina A causa a chamada cegueira noturna - inabilidade dos olhos de se ajustar à luz fraca ou no escuro. A vitamina A combina-se com outra proteína a opsina nas células da retina para formar a substância necessária pelos olhos para ter uma boa visão à noite.




CENOURA
Tabela 1 - Principais cultivares de cenoura disponíveis atualmente no mercado e suas características
Cultivar
Formato das raízes
Ciclo
(dias)
Comprimento das raízes
(cm)
Resistência(R) ou Tolerância (T) à doenças
Clima mais favorável para cultivo
Brasília
Cilíndrica
90-100
15-22
R - queima das folhas
T - nematoide
ameno para quente
Kuronan
Ligeiramente cônica
100-120
15-25
R - queima das folhas
ameno para quente
Nova Kuroda
Ligeiramente cônica
100
15-18
R- alternária
ameno para quente
Prima
Cilíndrica
90-100
16-18
R - queima das folhas
ameno para quente
Nova Carandaí
Cilíndrica
80-90
18-20
R - alternária
ameno para quente
Nantes
Cilíndrica
90-110
13-15
-
frio
Harumaki Kinko Gossum
Ligeiramente cônica
85-110
16-18
T- queima das folhas
ameno
Tropical
Ligeiramente Cônica
80-90
20-25
R - queima das folhas
ameno para quente
Alvorada
Cilíndrica
100-105
15-20
R - queima das folhas
R - nematóides
ameno para quente
Fonte: Embrapa-Hortaliças e Catálogos de Companhias Produtoras de Sementes





sábado, 28 de março de 2020

Clima e Solos para a Cenoura



Clima
A temperatura é o fator climático mais importante para a produção de raízes. Temperaturas de 10 a 15 ºC favorecem o alongamento e o desenvolvimento de coloração característica, enquanto temperaturas superiores a 21ºC estimulam a formação de raízes curtas e de coloração deficiente.

Existem cultivares que formam boas raízes sob temperaturas de 18 a 25ºC. Em temperaturas acima de 30ºC, a planta tem o ciclo vegetativo reduzido, o que afeta o desenvolvimento das raízes e a produtividade. Temperaturas baixas associadas a dias longos induzem o florescimento precoce, principalmente daquelas cultivares que foram desenvolvidas para plantio em épocas quentes do ano.

A germinação das sementes ocorre sob temperaturas de 8 a 35 ºC, sendo que a velocidade e a uniformidade de germinação variam com a temperatura dentro destes limites. A faixa ideal para uma germinação rápida e uniforme é de 20 a 30ºC, dando-se a emergência de 7 a 10 dias após a semeadura.

A alta umidade relativa do ar associada à temperaturas elevadas favorece o desenvolvimento de doenças nas folhas durante a fase vegetativa da cultura.



Solos
As propriedades físicas, principalmente textura, estrutura e permeabilidade, e as propriedades químicas e biológicas do solo afetam sensivelmente a produtividade e a qualidade das raízes de cenoura. Deve ser dada preferência aos solos de textura média, com adequados níveis de nutrientes e matéria orgânica e pH em torno de 6,0.

O preparo do solo consta de aração, gradagem e levantamento dos canteiros. Deve ser evitado o uso excessivo do encanteirador, por causar a destruição da estrutura do solo e facilitar a formação de crosta e a compactação do subsolo, que deformam e prejudicam o crescimento das raízes. Estes problemas podem ser reduzidos pela diminuição do tráfego de máquinas na área, pelo uso do arado de aiveca de dois em dois anos e, principalmente, pela adoção da rotação de culturas com leguminosas.

Os canteiros devem ter 0,80 m a 1,40 m de largura, 15 a 30 cm de altura dependendo do equipamento utilizado, e devem estar distanciados uns dos outros em aproximadamente 30 cm (Figura 1). Em solos argilosos, no período das chuvas, a altura deve ser maior, para facilitar a drenagem. Na semeadura manual, os sulcos nos canteiros, para a distribuição das sementes, pode ser feito transversal ou longitudinalmente. Sulcos transversais permitem maior número de plantas por unidade de área em comparação ao uso de sulcos longitudinais.

Foto: Antonio F. Souza
Fig. 1. Preparo do solo


Correção do Solo

O pH do solo para o cultivo da cenoura deve estar em torno de 6,0 a 6,5. A elevação exagerada do pH pode causar reduções na produção, por diminuir a disponibilidade de micronutrientes, tais como: Boro (B), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn) e Zinco (Zn).

Com base na análise de solo, a necessidade de calcário pode ser calculada por um dos métodos abaixo:

a - Pelo método que considera teor de Alumínio (Al) e [Cálcio (Ca) + Magnésio (Mg)] trocável, aplicando-se a fórmula

t/ha de calcário = 2 x meq Al/100 cm3 + 4 - [meq(Ca+Mg)/100 cm3 ] x PRNT

b - Pelo método da saturação de bases

t/ha de calcário = [ T(V2-V1)/PRNT ] , onde


T = capacidade de troca de cátions: [Ca + Mg + K + (H + Al)] em meq/100 cm3
V2 = saturação de base desejada (60%)
V1 = saturação de base atual do solo: [(S x 100)/ T], sendo
      S = K + Ca + Mg em meq/100 cm3
     PRNT= Poder Relativo de Neutralização Total do Calcário.


A aplicação do corretivo deve ser feito com antecedência de dois a tres meses do plantio. Metade da quantidade calculada do calcário deve ser aplicada antes da aração e a outra metade antes da gradagem.



domingo, 22 de março de 2020

Importância da Cultura da Cenoura


A cultura da cenoura é um ótimo exemplo da importância da pesquisa agrícola e de seus impactos positivos na economia, no desenvolvimento de várias regiões e também de benefícios para os consumidores. Até a década de 1980, as cenouras cultivadas no Brasil eram importadas e melhor adaptadas para climas amenos, mais comuns no período de inverno das regiões centro-sul. No período de verão, os preços da cenoura subiam significativamente, inviabilizando seu consumo por parte significativa da população brasileira.

A Embrapa Hortaliças é a única instituição pública de pesquisa no país, e umas das poucas do mundo,  que desenvolve atividades de melhoramento com cenoura visando a criação de cultivares de verão adaptadas às condições edafoclimáticas brasileiras e/ou para outras regiões tropicais. Em 1981, foi liberada a cultivar Brasília, desenvolvida para plantio durante o período de verão, atualmente cultivada em 75% da área de cenoura do Brasil.

Os principais benefícios decorrentes destas cultivares são traduzidos pelo aumento da produtividade em determinadas regiões e épocas de cultivo, redução do custo de produção pelo menor uso de agroquímicos, aumento das áreas plantadas nos anos após a liberação das cultivares, aumento da renda líquida dos produtores, ampliação da oferta de trabalho no campo e substituição das importações por sementes nacionais, graças à geração da cultivar Brasília.

A partir da década de 1980, face à deficiência de vitamina A em algumas áreas do país, deu-se início a uma nova fase no programa de melhoramento da Embrapa Hortaliças, com o objetivo de incorporar à cultivar Brasília algumas características como melhor qualidade nutricional e visual das raízes e maior nível de resistência a nematóides. Esta fase culminou com a liberação da cultivar Alvorada em 2000 que, dentre outras características, apresenta conteúdo de carotenóides totais 35% superior em relação às demais cultivares comerciais em uso no Brasil e alta resistência aos nematóides formadores de galhas nas raízes. 

O lançamento da cv. Alvorada tem ajudado a conscientizar o  consumidor brasileiro sobre a importância da qualidade nutricional das raízes de cenoura e também tem propiciado condições mínimas para alavancar o desenvolvimento da incipiente indústria de derivados de cenoura minimamente processados existente no Brasil, particularmente nas regiões próximas aos grandes centros urbanos.

Importância econômica

A cenoura (Figura 1) é uma hortaliça da família Apiaceae, do grupo das raízes tuberosas, cultivada em larga escala nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul do Brasil. A estimativa de área plantada no Brasil em 2001 foi de 28 mil hectares com produção de 800 mil toneladas de raízes. Os principais municípios produtores são: Carandaí, Santa Juliana e São Gotardo (Minas Gerais); Piedade, Ibiúna e Mogi das Cruzes (São Paulo); Marilândia (Paraná); Lapão e Irecê (Bahia).
Embora produza melhor em áreas de clima ameno, nos últimos anos, face ao desenvolvimento de cultivares tolerantes ao calor e com resistência às principais doenças de folhagem, o plantio de cenoura vem-se expandindo também nos Estados da Bahia e de Goiás.

 Fig. 1. Cultivar Brasília

Esta olerícola apresenta alto conteúdo de vitamina A (Tabela 1), textura macia e paladar agradável. Além do consumo in natura, é utilizada como matéria prima para indústrias processadoras de alimentos, que a comercializam na forma de minimamente processada (minicenouras, cubos, ralada, em rodelas) ou processada na forma de seleta de legumes, alimentos infantis e sopas instantâneas.

Tabela 1. Composição nutricional de 100 gramas de raízes de cenoura crua
Componente
Unidade
Quantidade
Calorias
Kcal
43,00
Gorduras
g
0,19
Carboidratos
g
10,14
Fibras
g
3,00
Proteínas
g
1,03
Sódio
mg
35,00
Potássio
mg
323,00
Cálcio
mg
27,00
Ferro
mg
0,50
Zinco
mg
0,20
Vitamina A
UI
12.000
Vitamina C
mg
9,00
Vitamina E
mg
0,46
Fonte: Adaptado de USDA, 2000.