sexta-feira, 29 de junho de 2018

O que é agricultura orgânica



O que é agricultura orgânica

Sistema de produção que tem por objetivo preservar a saúde do meio ambiente, a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo.
Uma das questões que a distingue da agricultura tradicional é a não utilização de agrotóxicos
A agricultura orgânica enfatiza o uso e a prática de manejo em oposição ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Exclui, portanto, o uso de fertilizantes sintéticos de alta solubilidade e agrotóxicos, além de reguladores de crescimento e aditivos sintéticos para a alimentação animal. 
Nesta prática agrícola está contemplada a preocupação com a saúde dos seres humanos, dos animais e das plantas. Entende-se que seres humanos saudáveis são frutos de solos equilibrados e biologicamente ativos, implicando adoção de técnicas integradoras e apostando na diversidade de culturas.  
No Brasil 
O Brasil está se consolidando a cada vez mais como um grande produtor e exportador de alimentos orgânicos. Como fornecedor é o sétimo colocado no Mercado Comum Europeu. Atualmente são produzidas 300 mil toneladas de orgânicos por ano, movimentando um mercado de aproximadamente US$ 70 milhões. Já existem no país cerca de 15 mil propriedades certificadas e em processo de transição - setenta por cento delas pertencem a agricultores familiares. 
O Brasil responde por 3,77% do consumo mundial, com cerca de US$ 100 milhões por ano, e vem experimentando um bom crescimento médio anual de mercado em torno de 30%, acima dos índices europeus que está na ordem de 15 a 20%. 
O apoio à produção orgânica está presente em diversas ações do governo brasileiro, que oferece linhas de financiamento especiais para o setor e incentiva projetos de transição de lavouras tradicionais para a produção orgânica. 
Produção 
A consolidação da agricultura orgânica no Brasil representa um aumento na oferta de produtos reconhecidos por instituições certificadoras e outros segmentos aptos a disputarem os competitivos mercados internacionais. 
A importância que a produção orgânica vem assumindo no mercado de alimentos exige que procedimentos regulamentares sejam estabelecidos de forma a assegurar aos componentes da cadeia produtiva a transparência nas trocas. 
Nos últimos dez anos, governos e sociedades de diversos países, inclusive o Brasil, tem discutido o papel do Estado na produção, distribuição e consumo dos produtos orgânicos. O assunto envolve questões de políticas publicas particularmente àquelas ligadas aos procedimentos de regulamentação.  
A legislação brasileira para produtos alimentícios, dispõe da Lei 10.831, assinada pelo Presidente da República em 23/12/2003 que dispõe sobre a agricultura orgânica, Lei que já se encontra em fase final de regulamentação. 
Este procedimento é importante porque é o que vai oferecer elementos para que o mercado, de maneira geral possa ter a garantia de que está adquirindo um item que obedece às normas legais  estabelecidas para o produto orgânico. 
Condições da economia e tendências do setor 
O Brasil está se consolidando a cada vez mais como um grande produtor e exportador de alimentos orgânicos. como fornecedor é o  sétimo colocado no mercado comum europeu. atualmente são produzidas 300 mil toneladas de orgânicos por ano, movimentando um mercado de aproximadamente us$ 70 milhões. ja existem no país cerca de 15 mil propriedades certificadas e em processo de transição - setenta por cento delas pertencem a agricultores familiares. 
O Brasil responde por 3,77% do consumo mundial, com cerca de us$ 100 milhões por ano, e vem experimentando um bom crescimento médio anual de mercado em torno de 30%, acima dos índices europeus que está na ordem de 15 a 20%. 
O apoio à produção orgânica está presente em ações do governo brasileiro, que oferece linhas de financiamento especiais para o setor e incentiva projetos de transição de lavouras tradicionais para a produção orgânica. 
No entanto, se considerarmos o cenário mundial de aumento da demanda de alimentos, notadamente proteínas animais e insumos para a sua produção, as perspectivas serão altamente  favoráveis para o aumento da participação brasileira sobretudo nos mercados de frutas tropicais, carnes em geral e outros produtos básicos. 
Entre os atributos de qualidade, cada vez mais os produtos  relacionados à preservação da saúde ganham força. Emergem também atributos de qualidade ambiental dos processos produtivos, em especial aqueles relacionados à proteção dos mananciais e da biodiversidade.  Como decorrência, crescem as demandas por processos de certificação de qualidade e sócio ambiental para atender a rastreabilidade do produto e dos respectivos sistemas produtivos a partir de movimentos induzidos pelos consumidores. 
Baseados na preferência do consumidor começa a existir grandes oportunidade para novos produtos não tradicionais, principalmente aqueles voltados para exportação e para nichos de consumo emergentes no mercado interno. 
Os números são expressivos, mas mesmo considerando o rápido crescimento dos últimos anos, o segmento de alimentos orgânicos ainda pode ser considerado como um nicho de mercado. As vendas de orgânicos representam apenas uma pequena parcela do total de alimentos vendidos, não mais que 3 a 4%. Os dados indicam que existe um potencial enorme de crescimento para este setor em todo o mundo.Os desafios da produção orgânica estão na ampliação do que ainda é considerado "nicho", não passando de 1% a 2% do mercado de alimentos. Os recentes estudos concluem que o crescimento de produtos ocorre principalmente em países industrializados. Neste sentido, o desafio é desenvolver mercados locais, sobretudo em países considerados "em desenvolvimento".


Agricultura Orgânica é um processo produtivo comprometido com a organicidade e sanidade da produção de alimentos vivos para garantir a saúde dos seres humanos, razão pela qual usa e desenvolve tecnologias apropriadas à realidade local de solo, topografia, clima, água, radiações e biodiversidade própria de cada contexto, mantendo a harmonia de todos esses elementos entre si e com os seres humanos.

Esse modo de produção assegura o fornecimento de alimentos orgânicos saudáveis, mais saborosos e de maior durabilidade; não utilizando agrotóxicos preserva a qualidade da água usada na irrigação e não polui o solo nem o lençol freático com substâncias químicas tóxicas; por utilizar sistema de manejo mínimo do solo assegura a estrutura e fertilidade dos solos evitando erosões e degradação, contribuindo para promover e restaurar a rica biodiversidade local; por esse conjunto de fatores a agricultura orgânica viabiliza a sustentabilidade da agricultura familiar e amplia a capacidade dos ecossistemas locais em prestar serviços ambientais a toda a comunidade do entorno, contribuindo para reduzir o aquecimento global.

As práticas da agricultura orgânica, assim como as demais sob a denominação de biológica, ecológica, biodinâmica, agroecológica e natural, comprometidas com a sustentabilidade local da espécie humana na terra, implicam em:

Uso da adubação verde com uso de leguminosas fixadoras de nitrogênio atmosférico;
Adubação orgânica com uso de compostagem da matéria orgânica, que pela fermentação elimina microorganismos como fungos e bactérias, eventualmente existentes em estercos de origem animal, desde que provenientes da própria região;
Minhocultura, geradora de húmus com diferentes graus de fertilidade; manejo mínimo e adequado do solo com plantio direto, curvas de níveis e outras para assegurar sua estrutura, fertilidade e porosidade;
Manejo da vegetação nativa, como cobertura morta, rotação de culturas e cultivos protegidos para controle da luminosidade, temperatura, umidade, pluviosidade e intempéries;
uso racional da água de irrigação seja por gotejamento ou demais técnicas econômicas de água contextualizadas na realidade local de topografia, clima, variação climática e hábitos culturais de sua população.









domingo, 17 de junho de 2018

COMPOSIÇÃO DE MATERIAIS PARA COMPOSTO ORGÂNICO



ORIENTAÇÕES BÁSICAS PARA AVALIAR A QUANTIDADE DE N DE UM MATERIAL:
Composição da Matéria Prima
MATERIAIS MAIOR QUANTIDADE DE NITROGÊNIO
MATERIAIS MENOR QUANTIDADE DE NITROGÊNIO
plantas cultivadasplantas nativas, de mata, campo ou cerrado
plantas verdesplantas secas
plantas herbáceasplantas arbustivas e arbóreas
folha, broto, flor e fruto (sementes)haste, caule, ramo, galho, tronco e cascas
leguminosas e plantas aquáticasdemais famílias

Obs.: quando só se tem material com menor quantidade de N pode-se compensar essa falta plantando bancos de leguminosas para servir de fonte de N. Desde que os animais aceitem o material com menor quantidade de N, ele também pode ser usado como cama do gado, cavalo ou ovelhas para absorver a urina, rica em N.

COMPOSIÇÃO DE ALGUNS MATERIAIS EMPREGADOS NO PREPARO DO COMPOSTO


Material
M.O.
C/N
N%
P2O5
K2O
Amoreira/folhas
86,08
13/1
3,77
1,07
-
Arroz/palha
54,34
39/1
0,78
0,58
0,41
Bagaço de cana
58,50
22/1
1,49
0,28
0,99
Bagaço de laranja
22,51
18/1
0,71
0,18
0,41
Banana/folhas
88,99
19/1
2,58
0,19
-
Banana/talos de cacho
85,28
61/1
0,77
0,15
7,36
Barbatimão/cascas esgotadas
91,32
35/1
1,54
0,17
0,30
Café/palha
93,13
38/1
1,37
0,26
1,96
Cana-de-açucar/bagaço
71,44
37/1
1,07
0,25
0,94
Capim colonião
91,03
27/1
1,87
0,53
-
Capim gordura - catingueiro
92,38
81/1
0,63
0,17
-
Capim limão (cidreira)
91,52
62/1
0,82
0,27
-
Cápsulas de mamona
94,33
44/1
1,18
0,29
1,81
Casca de arroz
54,55
39/1
0,78
0,58
0,49
Casca de semente de algodão
95,98
78/1
0,68
0,06
1,20
Crotalária juncea
91,42
26/1
1,95
0,40
1,81
Esterco de carneiro/ovelhas
65,22
32/1
2,13
1,28
3,67
Esterco de cavalo
46,00
18/1
1,44
0,53
1,75
Esterco de gado
62,11
20/1
1,27
1,04
1,37
Eucalipto/resíduos
77,60
15/1
2,83
0,35
1,52
Feijão guandu
95,90
29/1
1,81
0,59
1,14
Feijão-de-porco
88,54
19/1
2,55
0,50
2,41
Feijoeiro/palhas
94,68
32/1
1,63
0,29
1,94
Goiaba/sementes
98,69
48/1
1,13
0,36
0,40
Grama batatais
90,80
36/1
1,39
0,36
-
Grama seda
90,55
31/1
1,62
0,67
-
Inga/folhas
90,69
24/1
2,11
0,19
0,33
Lab-lab
88,46
11/1
4,56
2,08
-
Laranja/bagaço
22,58
18/1
0,71
0,18
0,41
Lenheiros/resíduos
39,92
30/1
0,75
0,60
0,42
Mamona/capsulas
94,60
53/1
1,18
0,30
1,81
Mandioca (folhas)
91,64
12/1
4,35
0,72
-
Mandioca (ramas)
95,26
40/1
1,31
0,35
-
Mandioca/cascas das raízes
58,94
96/1
0,34
0,30
0,44
Mandioca/raspas
96,07
107/1
0,50
0,26
1,27
Milho/palhas
96,75
112/1
0,48
0,38
1,64
Milho/sabugos
45,20
101/1
0,52
0,19
0,90
Mucuna preta
90,68
22/1
2,24
0,58
2,97
Palha de café
93,99
31/1
1,65
0,18
1,89
Palha de feijão
94,68
32/1
1,63
0,29
1,94
Palha de milho
96,75
112/1
0,48
0,38
1,64
Rami/residuo
60,64
11/1
3,20
3,68
4,02
Samambaia
95,90
109/1
0,49
0,04
0,19
Serragem de madeira
93,45
865/1
0,06
0,01
0,01
Torta de mamona
92,20
10/1
5,44
1,91
1,54
Torta de soja
78,40
7/ 1
6,56
0,54
1,54
Trigo/palhas
92,40
70/1
0,73
0,07
1,28










sábado, 9 de junho de 2018

Cuidados no Preparo do Composto Orgânico



1 – Introdução 
Trata-se de uma prática milenar que visa uma fertilidade orgânica duradoura tendo sido praticada por diversos povos, permitindo a produção sustentada de diversos cultivos ao longo de séculos, como por exemplo o arroz irrigado do extremo oriente. Nela aproveita-se tudo que é resíduo orgânico na fazenda para produzir o húmus de composto. Se observarmos a natureza podemos identificar nas grandes florestas, pequenas matas em formação ou mesmo um jardim em equilíbrio, a integração dos reinos, e observar o exemplo vivo do processo de compostagem que acontece diariamente. Todos os elementos que a compõe  se integram a cada ciclo, e que imitamos quando fazemos o processo de compostagem.  É também um grande exemplo de equilíbrio entre os elementos básicos que provêem a vida no planeta Terra: água, terra, ar e fogo ; se em algum momento algum destes elementos não estiverem em equilíbrio,  o todo fica comprometido de forma desestruturadora.  
O composto faz parte dos ciclos da vida do planeta : alimento colhido é processado – usado na alimentação – os resíduos são separados – estes resíduos são reprocessados nas pilhas do composto – o processo de compostagem os transforma e os estabiliza – o composto pronto é usado como adubo orgânico na produção de alimentos e novamente o alimento é colhido. 


2 –  Porque  fazer compostagem? 
Permite o melhor aproveitamento de restos orgânicos com relação C / N desbalanceada, que juntos aproximam-se de uma C/N desejada (de 25/1 )  
Ø Desinfeta os materiais orgânicos de doenças, pragas e ervas daninhas.  
Ø Afugenta ratos e camundongos, cobras.  
Ø Permite acumular e multiplicar Matéria Orgânica para uma aplicação posterior  e estratégica.  
Ø Reduzem as perdas de nutrientes, disponíveis em resíduos subaproveitados. 


3 - Qualidades do composto  
Ø Fonte de lenta liberação de macro e micronutrientes como também de nutrientes orgânicos;  
Ø  Excelente estruturador do solo, favorecendo um rápido enraizamento, formando grumozidade;   
Ø Aumento da capacidade de infiltração de água, reduzindo a erosão;   
Ø  Grande ativador da vida do solo, responsável por todos itens de um solo fértil;   
Ø Permite o aumento do teor de Matéria Orgânica, aumentando também a capacidade de retenção de água no solo;   
Ø Aumenta a saúde e a resistência das plantas, que são enfraquecidas por adubos minerais. 


4 - Princípios da compostagem 
A compostagem é uma seqüência de ações de microorganismos sobre a matéria orgânica, que a “digerem”. Este processo, desde o inicio até a maturação do composto,  acontece em fases que podemos observar:   
Ø Primeira fase (termófila e mesófila): atuam principalmente fungos, bactérias , actinomicetos, protozoários e miriápodes; nela se destaca o "cozimento" e a decomposição da celulose e hemicelulose; a lignina continua sendo decomposta e será modificada mais lentamente.  
Ø Segunda fase (transformação): atuam principalmente, protozoários e minhocas; termina a decomposição de celulose, continua a de lignina e principia a síntese de ácidos húmicos.  
Ø Terceira fase (amadurecimento): besouros, lacraias e formigas; a síntese e ressíntese de húmus é concluída e estabilizada. Para uma boa atuação, deve-se ter equilíbrio, de ar e umidade, suficiente calor e um PH propício.
 

5 - Matéria Prima  
A principio todos os restos vegetais e animais podem ser aproveitados; deve-se evitar apenas dejetos humanos e de animais carnívoros. Todo material orgânico é fonte de energia e de nutrientes para os organismos decompositores, sendo necessário, portanto, sabermos avaliar cada qual nas suas características.  
1- materiais de rápida oxidação : rápido aumento da temperatura da pilha - amido. açúcar, vitaminas e aminoácidos (materiais mais úmidos, mais ricos em nitrogênio).   
2- materiais de lenta oxidação: hemicelulose, celulose, e principalmente lignina (materiais muito secos, ricos em carbono). 


6-A relação C/N 
Além do carbono, o principal elemento que caracteriza a matéria prima é o nitrogênio; sua presença em certo grau é uma garantia de que os outros elementos importantes, como enxofre(S), fósforo (P), cálcio (Ca) e magnésio (Mg), potássio (K) e micro nutrientes (Fe, Zn, Cu, Mo, B, Mn e Cl), também estão presentes num grau proporcional. Por isso, ao invés de fazermos uma análise dos teores de todos esses elementos, só nos interessa, na prática, o teor de nitrogênio em relação ao teor de carbono (relação C / N ).  Materiais ricos em N terão C / N baixa; Materiais pobres em N terão C / N alta) 

a) C / N ideal/média (25 a 30:1 ) nesta proporção os organismos decompositores tem o alimento balanceado não tendo que se desfazer de nenhum elemento para criar um equilíbrio. 
b) C / N baixa (< 20:1) nesta proporção a decomposição equivale à podridão de um cadáver animal. O mau cheiro da podridão nada mais é do que a perda do excesso de N e S (cheiro amoniacal e sulfúreo).   Para reduzir perdas pode se adicionar folhas e galhos secos, palhas ou serragem. 
c) C / N muito alta (> 35:1 ) esta proporção constitui uma trava à franca atividade dos decompositores pela falta de N.  O processo será lento e frio enquanto o excesso de C for dissipado. Para acelerar o processo basta acrescentar uma fonte rica em N( Esterco, cascas de frutas, folhas verdes). 

7 - Estrutura do material  
Material muito lenhoso (galhos, ramos, etc. ) não devem passar de 10% em volume. Caso contrário resultará numa pilha hiper-arejada e por isso muito seca. No caso ideal deixar os galhos de molho ou ainda usa-los para compor a cama  de animais. Este material deve ser quebrado em pedaços com 5 a 12 cm de comprimento ( 1/2 palmo).  
Material muito fino (borra de açude ou plantas aquáticas) devem ser pré-secas para não empastar a pilha, que ficará muito úmida.  

8 - Umidade 
Umidade ideal: 50 a 60%;   
teste prático: o composto deve soltar água como uma esponja que já foi espremida antes  
Umidade processual mínima : 40 a 45%;   
Umidade para conservação: 12 a 15% 

Obs.: Para manter a umidade ideal, deve-se cobrir a pilha com folhas ou qualquer tipo de palha, ou até plantar uma abóbora em volta dela. Na questão da umidade torna-se importantíssima a escolha de um bom local. 

9 - Local apropriado:  
Este deve ser protegido do vento, do sol e da chuva. Na sombra de uma árvore temos estas condições e ainda deixamos o resíduo da pilha para esta árvore. Por isso o pomar,  é um ótimo local para se fazer uma rotação com as pilhas.  
Num local coberto e com piso firme, temos as condições ideais que minimizam as perdas. Quando exposto a sol e chuva diretamente, o composto pode perder até metade de sua qualidade, devido à perda de nutrientes. Em regiões muito úmidas fazer a pilha ao nível do chão protegendo o local com um sulco escoador e escolhendo leve inclinação. Em regiões muito secas a pilha pode ser enterrada a um terço (50 a70 cm)


10 - Aeração  
Ela é antagônica à umidade e deve ser bem dosada. Garante o bom suprimento de todo os seres decompositores com oxigênio, eliminando ainda o gás carbônico produzido. A maior ou menor aeração se consegue através do tamanho da matéria prima.  
pedaços > 5cm = macroporosidade = aeróbia ()  
pedaços < 5cm = microporosidade = anaeróbia ( condições de redução = silagem) 

Para obter a macroporosidade - suficiente circulação de ar deve-se:  
Ø iniciar a pilha sobre um colchão de galhos e palha;  
Ø pequeno composto doméstico pode ser feito em caixas: furar todas as paredes;  
Ø ao montar a pilha, é ideal misturar bem ou intercalar em camadas as partículas grossas e finas;  
Ø nunca pisar ou socar a pilha;  
Ø pode-se improvisar canais de aeração montando a pilha com bambu ou galhos de atravessado que são mexidos num certo intervalo de tempo; 


11 - Temperatura  
Ao longo do processo de compostagem, o corpo da pilha, ou melhor seu centro, passa pela seguintes etapas Caracterizadas pela variação da temperatura: 

FASE l: médias e altas temperaturas, decomposição de celulose de amido e açúcares. 
FASE  2:       altas Temperaturas, decrescendo, decomposição de celulose. 
FASE 3: temperaturas baixas, estabilização, ressíntese. 
Num dimensionamento errado da pilha do composto, a temperatura pode ficar aquém ou além do desejável:  
- largura da pilha < l m x altura < l m = pilha não se aquece e precisa de cobertura especial para acumular o calor.  
- largura da pilha > 2,5m x altura > 1,5m = pilha aquece muito e predominam Microorganismos termofílicos, resultando num produto inferior.  


12 - Prática da compostagem. 
Coleta do material 
Na coleta de material leve e seco deve-se maximizar o volume transportado, pois o peso pouco importa. Para tal, deve-se aumentar a capacidade de carga através de redes ou lonas. É sempre bom estocar matéria prima 
Montagem da pilha ( inspirada no método indiano Indore)  

A - Havendo pouco material a pilha  é erguida somente numa ponta, para que sempre possa se atingir a altura ideal. ( que é igual à largura) 

B - A mistura ideal contém restos de vegetais e esterco, adicionando-se algum pó de rocha (fosfato de rocha ou pó de basalto).  
C - Havendo material mais grosso e palhoso, este deve passar alguns dias no estábulo antes de ir para a pilha. 

D - Um pequeno bastão serve para se arejar a pilha entre as reviradas. Tal arejamento torna-se necessário quando há carência de material estrutural (galhos, palhadas grosseiras).  
E - Em menos de uma semana a temperatura (60 a 70º C) chega ao máximo o que "cozinha", por assim dizer, os materiais estruturais (fibras, celulose) fazendo a pilha desmontar e cair a 1/3 do tamanho inicial. 

É sempre interessante identificar as pilhas de composto com plaquetas que indiquem as pilhas que estão prontas e em processo e as plaquetas que indiquem as que estão sendo formadas, de forma que aquelas que já atingiram o tamanho ideal fiquem em processamento  sem mais incorporação de nenhum material, e o material do dia disponível seja usado para formar uma nova pilha. Podemos também identificar nestas plaquetas a provável época de maturação e estabilização do composto que estará  pronto para uso.  
No produto final ocorre um equilíbrio entre tudo que foi usado, resultando num  material sem moscas, levemente úmido e com cheiro de terra. A qualidade do composto depende da forma como ele é tratado, e se tivermos em mente que ele é um dinamizado natural, podemos ver formas de potencializá-lo. Podemos citar aqui, como exemplo, uma questão de aprofundamento sobre a atuação  do composto quando aplicado no solo:  podemos ampliar esta atuação para o tratamento dos males que acometem as plantas, principalmente os  citros e bananeiras. Sabe-se que as doenças causadas pelos fungos e bactérias – os parasitas ocorrem mais facilmente em monoculturas e solos pobres em matéria orgânica, onde se encontram difundidos pela terra e pelo ar. No entanto, é possível fazer com que as culturas criem uma resistência a eles. Pode-se dizer que numa compostagem bem feita, os restos de frutos doentes não chegariam a contaminar o meio e a propagar-se como a princípio poderia se pensar; ao contrário, se converteria numa “informação dinamizada” para os tratamentos dos (males), desequilíbrios.