segunda-feira, 2 de novembro de 2020

PANCS: Chuchu-de-vento (Cyclanthera pedata)

 


Chuchu-de-vento (Cyclanthera pedata)

Essa hortaliça é cultivada localmente em diversos países da América do Sul, mas é no Peru que apresenta significativo valor econômico, destacando-se pelo grande cultivo e consumo. Há registros de seu cultivo ainda na Itália, na Inglaterra e no México, sendo que, neste último, além dos frutos, os brotos são utilizados como alimento. No Brasil, é bastante popular no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas Gerais.

Nomes comuns – Chuchu de vento, maxixe-do-reino, maxixe-peruano, boga-boga, cayo, taiuá-de-comer.

Família botânica – Cucurbitaceae, a mesma das abóboras e do chuchu.

Origem – Regiões tropicais e subtropicais da América do Sul.

Variedades – Na prática, os agricultores mantêm suas variedades empiricamente, sendo comum a condução de plantas germinadas espontaneamente.

Clima e solo – O chuchu-de-vento é tipicamente de clima tropical, não suportando temperaturas muito baixas ou geadas. Mas há relatos de sua ocorrência em condições de clima subtropical e tropical de altitude, no verão com temperatura média anual de 20ºC a 25ºC. Com relação a solos, apresenta boa adaptação a diferentes tipos, mas aparentemente desenvolve-se melhor em solos arenosos.

Preparo do solo – Varia conforme o sistema de cultivo adotado pelo produtor, podendo ser feito pelo método convencional ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo). No caso do preparo convencional, com aração e gradagem, deve-se atentar para a adoção de práticas conservacionistas. Em seguida, efetuam-se o coveamento e a adubação. No sistema de plantio direto, o revolvimento é restrito às linhas ou covas de plantio, deixando-se o solo entre as linhas ou covas protegido por cobertura morta (palhada) formada a partir do manejo (corte e/ou dessecação) de plantas de cobertura estabelecidas previamente ao plantio.

Calagem e Adubação – Recomenda-se proceder à correção da acidez do solo com calcário de acordo com o resultado de análise de solo, elevando a saturação de bases para o nível de 65%. Como não há estudos recomendando adubação dessa cultura, pode-se utilizar a recomendação para a cultura do pepino da 5ª Aproximação para o estado de Minas Gerais (COMISSÃO, 1999), isto é, até 180 kg/ha de P2O5, 50 kg/ha de K2O e 30 kg/ha de N, além de 20 ton/ha de esterco de curral curtido. Na adubação de cobertura, até 90 kg/ha de N e 70 kg/ha de K2O, os quais podem ser aplicados aos 20, 40 e 60 dias após o transplantio.

Plantio – As mudas podem ser produzidas em bandejas, em recipientes individuais (copinhos de jornal ou plástico, por exemplo) e, posteriormente, transplantadas para o local definitivo quando tiverem quatro a cinco folhas. Geralmente, são plantadas 14 a 20 mil mudas por hectare. Utiliza-se o espaçamento de 1,0 x 0,5 a 0,7 m. Também se pode fazer o plantio no local definitivo, semeando três a quatro sementes por cova com posterior desbaste 15 a 20 dias após o semeio, deixando-se as duas plantas mais vigorosas. O plantio deve ser concentrado nos períodos mais quentes nas regiões em que ocorrem temperaturas mais baixas. Em regiões onde as temperaturas médias se mantêm entre 25ºC e 30ºC, o cultivo pode ser feito durante o ano todo. Normalmente, é cultivado no início do período chuvoso.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida livre da competição com plantas infestantes por meio da capina manual ou mecânica e irrigada de acordo com as necessidades da cultura e o tipo de solo. Como a planta apresenta crescimento prostrado, é recomendado que se faça o tutoramento e a condução, podendo ser utilizado o mesmo sistema empregado para o tomate envarado. Há relatos de maior produtividade com o tutoramento vertical, em relação ao tutoramento cruzado. De uma forma ou de outra, a planta não deve ser muito manuseada para o tutoramento, observando-se redução no vigor e aumento na incidência de viroses. A irrigação é realizada de acordo com as necessidades da cultura e o tipo de solo.

Merece atenção à incidência de algumas pragas, como mosca branca, ácaros, vaquinhas, brocas dos frutos e formigas que podem atacar as plantas e causar danos à produção, caso seja necessário, deve-se realizar o controle destas pragas através de catação manual ou pela aplicação de caldas repelentes ou inseticidas, quando do início da ocorrência. Também se observa plantas atacadas por nematoides-das-galhas, Meloydogine.

Colheita e pós colheita – Em plantios realizados em setembro-outubro, no início das chuvas, a colheita é feita após 120 a 150 dias de plantio. Os frutos, ainda imaturos, devem ser colhidos quando atingirem de 10 a 15 cm de comprimento. A colheita pode se prorrogar por dois meses ou até mais, dependendo do estado vegetativo e fitossanitário da cultura. Pose-se obter produtividades médias de até 50 ton/ha.

Os frutos tem sabor levemente amargo e adocicado, semelhante ao maxixe, e seu consumo pode ocorrer em saladas cruas (frutos mais novos), cozidos, recheados, em sopas e molhos e combinado com carnes e aves.







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