google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES: outubro 2017

sábado, 28 de outubro de 2017

Produção de Sementes de Cebola



Cerca de 75% do consumo de sementes de cebola no Brasil são de cultivares de polinização livre. Tanto para as cultivares de polinização livre como para as híbridas, podem ser utilizados dois diferentes métodos na produção de sementes:

Semente-bulbo-semente: consiste em uma primeira fase de produção de bulbos, e uma segunda fase de produção de sementes. A primeira fase (vegetativa) não difere da produção comercial de bulbos, embora alguns cuidados especiais devam ser tomados (os quais serão discutidos posteriormente). Os bulbos-mãe, após colheita e cura, são selecionados de acordo com o padrão da cultivar (observando o tamanho, forma e cor), eliminando aqueles mal formados, com defeitos graves, brotados, “charutos”, e com sintomas de doenças. Geralmente são armazenados sobre estrados, em galpões secos, ventilados, à temperatura ambiente. Durante o armazenamento, inspeções periódicas são recomendadas, eliminando-se os bulbos doentes e brotados. A vernalização (indução ao florescimento) dos bulbos pode ser natural (regiões frias, como nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul) ou artificial (regiões mais quentes, como nos estados das regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste), utilizando câmaras frigoríficas. O binômio tempo-temperatura para vernalização irá depender da cultivar. Geralmente, o armazenamento dos bulbos a temperaturas mais baixas (próximas de 2ºC) durante 60-90 dias antes do plantio, e após, elevando-se a 8ºC durante 20-40 dias antes do plantio,  permite respectivamente, adequada conservação e adequado florescimento dos bulbos. Os bulbos são plantados no campo para a segunda fase, de produção de sementes (fase reprodutiva).



Semente-semente: é utilizado em regiões onde ocorrem temperaturas baixas suficientes para ocorrer a vernalização natural das plantas. As sementes (sistema de semeadura direta) ou as mudas (sistema de transplante) são dispostas na própria área onde se fará a colheita das sementes, em um único campo de produção. Tem como vantagens a maior facilidade, o menor custo e a maior rapidez (menos de um ano) na produção de sementes.
O método semente-bulbo-semente é padrão para produção de sementes genéticas e/ou básicas, pois permite seleção de bulbos. É também o método utilizado no Brasil para a produção de sementes fiscalizadas e certificadas. O método semente-semente é utilizado apenas para a produção de sementes fiscalizadas ou certificadas, pois não permite a seleção dos bulbos.
Para a produção de sementes híbridas, utiliza-se da macho-esterilidade genética citoplasmática. É utilizada uma linha masculina (parental polinizador) para quatro linhas femininas (parental macho-estéril). A coincidência na floração das duas linhas parentais é de extrema importância para se alcançar adequada produção de sementes. Deve-se tomar cuidado, durante o roguing, de eliminar eventuais plantas férteis no parental feminino.
Na produção de sementes, alguns aspectos devem ser observados:

Origem da semente
Utilizar sementes básicas ou certificadas provenientes de empresas idôneas, com qualidades genética, física, fisiológica e sanitária comprovadas. Neste último aspecto, vale a pena ressaltar que importantes doenças causadas por bactérias e fungos podem ser transmitidas pelas sementes (ver seção correspondente). O tratamento de sementes antes do plantio é recomendado.

Escolha da área
Escolher regiões com temperaturas amenas e de baixa umidade relativa do ar. A área destinada a produção de sementes não deve ser a mesma que foi cultivada com cebola ou outra aliácea em anos anteriores. A produção de sementes de espécies que requerem a polinização por insetos, como é o caso da cebola, exige atenção especial com relação a presença destes, principalmente abelhas, que são os principais polinizadores dessa espécie. Neste sentido, cuidados com as pulverizações e utilização de defensivos inócuos às abelhas devem ser observados durante a fase do florescimento. A distância mínima para isolamento de cultivares de cebola é de 1.000 m, embora sejam recomendadas distâncias superiores em razão do raio de vôo das abelhas, que pode chegar a 3.000 m.

Espaçamento de plantio
Espaçamentos menores diminuem a aeração das plantas, além de dificultar as inspeções de campo. Espaçamentos maiores podem permitir aumento no número de hastes florais por bulbo, aumentando a produção de sementes por planta. Deve-se considerar ainda a parte econômica, relacionada principalmente com o maior ou menor gasto com bulbos. No método semente-bulbo-semente, o espaçamento pode ser de 0,8-1,0 m entre linhas e 0,10-0,20 m entre bulbos. Neste espaçamento, 2,5-3,0 t de bulbos são suficientes para o plantio de 1 (um) hectare. No método semente-semente, a semeadura ou transplante das mudas pode ser feita no espaçamento de 0,70-1,0 m entre linhas, com cerca de 10 plantas/m linear. Cerca de 1,5-2,5 kg/ha de sementes são necessários para a semeadura.

Inspeções de campo e roquing
As inspeções de campo e o roguing são importantes para se obter sementes de alta qualidade genética e varietal. No método semente-semente realizar, no mínimo, duas inspeções: durante o estádio vegetativo, removendo plantas fora do tipo; e antes do florescimento, removendo aquelas plantas florescidas prematuramente. No método semente-bulbo-semente realizar, no mínimo, quatro inspeções: antes da maturação dos bulbos, após a cura dos bulbos, no plantio dos bulbos, e finalmente no início do florescimento. Observar as características das plantas, o formato, o tamanho, a coloração e a sanidade dos bulbos, e características das flores. Na seleção dos bulbos para plantio, os de tamanho médio devem ser preferidos. Bulbos pequenos produzem menores quantidades de sementes, enquanto bulbos grandes apresentam menor conservação pós-colheita e maior brotamento durante o armazenamento. Durante o roguing, devem ser eliminadas as plantas atípicas (fora do padrão da cultivar) e as plantas com sintomas de doenças, principalmente aquelas que podem ser transmitidas pelas sementes. 

Colheita das sementes
A determinação do melhor período de colheita das sementes irá influenciar tanto a produtividade como a qualidade das mesmas. O ponto de maturidade fisiológica das sementes deve ser determinado para cada cultivar, em cada região, por meio de estudos envolvendo o número de dias após a antese (abertura das flores). Teor de água nas sementes ao redor de 40% é bom indicador para iniciar a colheita. Em termos práticos, geralmente inicia-se a colheita quando cerca de 10% das inflorescências (umbelas) apresentam sementes expostas, isto é, quando as cápsulas começam a abrir. As umbelas de cebola não amadurecem simultaneamente, necessitando de mais de uma colheita. O retardamento na colheita pode, dependendo das condições climáticas, propiciar a queda das sementes no solo, reduzindo a produtividade. A colheita pode ser manual ou mecânica. Na colheita manual, as umbelas são colhidas, com auxílio de uma tesoura de poda, cortando-se cerca de 20-30 cm da haste floral e colocando-se em sacos para serem transportados aos galpões para posterior secagem.

Secagem e trilha das sementes
As umbelas são secas sobre lonas ao sol por alguns dias, tomando-se o cuidado de revolvê-las periodicamente. A secagem das umbelas permite melhoria na maturação das sementes, além de facilitar a trilhagem. As umbelas estão aptas para serem trilhadas quando estas apresentarem-se quebradiças.
Se colhidas manualmente, as umbelas são trilhadas em máquinas estacionárias, tendo-se o cuidado na regulagem da mesma (principalmente na velocidade que deve estar entre 450 e 550 rpm), evitando assim a ocorrência de danos mecânicos nas sementes. Após a trilhagem, é recomendável uma nova secagem do material antes do beneficiamento.
A secagem das  sementes poderá ser realizada naturalmente, ao sol, em local ventilado,  espalhando as sementes sobre telas ou tecidos finos, sobre estrados. Pode ser utilizado também estufas de circulação forçada de ar, à temperatura de 32ºC no início da secagem e a 42ºC no final da secagem, até que as sementes atinjam a umidade de 6%, que é a umidade adequada apara o acondicionamento em embalagens impermeáveis.

Beneficiamento das sementes
As sementes, após a trilhagem, devem ser passadas por máquinas de ar e peneiras e em seguida pela mesa de gravidade. Pode-se ainda utilizar um soprador pneumático, para eliminar impurezas, como restos de umbelas, e sementes chochas (imaturas ou mal formadas). A utilização de água para separação, embora utilizada, não é recomendada uma vez que pode prejudicar a qualidade das sementes. Neste processo, coloca-se as sementes em baldes com água por dois a três minutos (em um maior período, as sementes podem iniciar o processo de embebição), separando assim os materiais mais leves (os quais bóiam) das sementes (descem para o fundo). Quando se utiliza este método, as sementes devem ser secas imediatamente.

Tratamento das sementes
Diferentes tratamentos podem ser empregados, objetivando melhorar a germinação das sementes e a emergência das plântulas em campo. O tratamento das sementes visa reduzir uma possível infecção e/ou infestação de fungos nas sementes, além de maior controle de microrganismos na fase inicial de estabelecimento da cultura. Geralmente, as sementes têm sido tratadas com produtos de amplo espectro de ação, a base de captan ou thiram. A aplicação de película (film coating) nas sementes pode ser realizada para se obter uma melhor uniformidade e eficiência no tratamento fungicida das sementes, permitindo ainda uma melhor visualização das mesmas no solo.
Uma vez que as sementes de cebola são pequenas e apresentam forma irregular, a peletização das sementes é outra técnica que pode ser empregada para melhorar a distribuição das sementes durante a semeadura.

Embalagem e armazenamento das sementes
As sementes devem ser acondicionadas em embalagens à prova de umidade, como pouches (sacos aluminizados) ou em latas. O grau de umidade das sementes deve situar em torno de 6%. A semente de cebola apresenta longevidade curta, relacionada principalmente com a oxidação de lipídeos das membranas celulares, necessitando de condições de armazenamento bastante adequadas para manter a qualidade fisiológica. De comportamento ortodoxo, a semente de cebola necessita de baixa umidade relativa e baixa temperatura para sua conservação.

Rendimento de sementes
O rendimento de sementes é bastante variável, pois irá depender da cultivar, época e local de produção, condições edafoclimáticas, espaçamento de plantio, dentre outros. Rendimentos variando de 150-450 kg/ha de sementes têm sido os mais comumentes obtidos em nossas condições, com potencial para mais de 1.000 kg/ha em cultivares de polinização aberta, conforme se observa em outros países. Os rendimentos em sementes híbridas são baixos, geralmente entre 50 e 100 kg/ha.

Avaliação da qualidade das sementes
Cada lote de sementes deve ser amostrado e submetido aos testes de germinação e pureza, exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A Portaria Ministerial, no. 457, de 18 de dezembro de 1986, estabelece os padrões para distribuição, transporte e comercialização de sementes fiscalizadas de cebola. O teste de emergência das plântulas em campo, velocidade de germinação ou o teste de envelhecimento acelerado podem determinar o vigor das sementes.
A análise sanitária avalia a incidência de microrganismos associados às sementes. O teste de papel de filtro é muito utilizado para a detecção de vários fungos associados às sementes.



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Características Nutricionais e Funcionais da Cebola



O papel da nutrição hoje vai além da ênfase sobre a importância de uma dieta balanceada. Ela deve almejar a otimização das funções fisiológicas, garantir o aumento da saúde e bem-estar e a redução do risco de doenças. Neste novo contexto, os alimentos funcionais tem papel fundamental. Eles podem ser definidos como alimentos que, consumidos numa dieta padrão, fornecem benefícios além da nutrição básica. Alguns dos seus componentes, que podem ser nutrientes ou não, auxiliam na prevenção e recuperação de doenças e nas funções relativas ao mecanismo de defesa e controle do ritmo corporal.
Há muito tempo acredita-se que o consumo de cebola auxilia na prevenção de certas doenças, o que a caracteriza como um alimento funcional. De modo geral, todas as partes da planta da cebola podem ser consumidas na dieta humana. Embora apresentem reconhecidas propriedades funcionais, as cebolas são consumidas, principalmente, pela sua capacidade de adicionar sabor a outros alimentos.
Os açúcares e os ácidos orgânicos contribuem substancialmente para o sabor da cebola. No entanto, o sabor, o odor e a pungência característicos desta hortaliça são formados quando os tecidos da planta são rompidos ou cortados, resultando na decomposição enzimática de substâncias que contém enxofre na sua estrutura, conjuntamente denominadas de sulfóxidos de cisteína. A recente caracterização da enzima responsável pelo efeito lacrimatório da cebola em seres humanos abriu a possibilidade de estabelecer processos mais eficientes de desenvolvimento e seleção de cultivares isentas desta característica, as chamadas cebolas doces/suaves (“cebolas sem choro”).
Características nutricionais
A composição de cebola é influenciada pelas condições de cultivo (sistema de produção, tipo de solo, clima) e por fatores genéticos. Bulbos de cebola para consumo fresco são pouco calóricos (em torno de 40-50 calorias) e contém de 89 a 95% de água, além de mono e dissacarídeos (açúcares totais em torno de 6%), proteínas (1,6%), gordura (0,3%) e sais minerais (0,65%). Possuem também alguns compostos fenólicos, bem como ácidos málico, cítrico, succínico, fumárico, quínico, biotínicos, nicotínicos, fólicos, pantotênicos e ascórbico. A cebola possui diferentes minerais, como cálcio, ferro, fósforo, magnésio potássio, sódio e selênio. Destes, a contribuição da cebola em uma dieta padrão é significativa para o selênio, que é um mineral-traço essencial, ou seja, o organismo necessita dele em quantidades mínimas, tornando-se tóxico em altas doses. Deficiências de selênio geram catarata, distrofia muscular, depressão, necrose do fígado, infertilidade, doenças cardíacas e câncer. Este mineral oferece proteção contra doenças crônicas associadas ao envelhecimento, como aterosclerose (doenças das artérias coronarianas, cerebrovascular e vascular periférica), câncer, artrite, cirrose e efisema.
Embora não seja considerada uma boa fonte nutritiva devido a seus baixos teores de proteínas e açúcares, a cebola é rica em vitaminas do complexo B, principalmente B1 e B2, e vitamina C. Estes nutrientes são importantes para o bom funcionamento do organismo. As principais funções e as conseqüências do baixo consumo destas vitaminas estão na Tabela 1.

Características funcionais
O consumo da cebola tem aumentado, especialmente em países mais desenvolvidos, devido à sua associação com características funcionais. Pesquisas recentes têm procurado comprovar os benefícios da cebola para a saúde, além de identificar os compostos responsáveis por eles. A cebola é particularmente rica em dois grupos de compostos com comprovado beneficio à saúde humana: flavonóides e sulfóxidos de cisteína (compostos organosulfurados). Dois sub-grupos de compostos do tipo flavonóide predominam em cebolas: as antocianinas (que conferem a coloração avermelhada ou roxa aos bulbos) e as quercetinas e seus derivados (que conferem coloração amarelada ou cor de pinhão aos bulbos). As antocianinas, quercetinas e seus derivados são de grande interesse pelas suas propriedades anticarcinogênicas.
Muitos dos benefícios à saúde proporcionados pela cebola e espécies relacionadas são atribuídos aos compostos organosulfurados, os quais chegam a compor de 1-5% do peso seco total de bulbos maduros. A ação da enzima alinase sobre os sulfóxidos de cisteína forma substâncias voláteis como tiosulfinatos, tiosulfonatos e mono-, di- e tri-sulfideos. A gama de propriedades funcionais atribuídas aos sulfóxidos de cisteína e seus derivados incluem: propriedades anticarcinogênicas, atividade antiplaquetária, atividade inibidora de tromboses, ação antiasmática e efeitos antibióticos. Na Tabela 2 estão algumas propriedades da cebola comprovadas cientificamente.
Embora remonte às origens da civilização, a relação entre alimentação e saúde nunca foi tão estreita quanto nos dias de hoje. Uma receita de alimentação ideal deve ser equilibrada em proteínas, açúcares, gorduras, fibras, minerais, vitaminas e água, em doses balanceadas. Dessa forma, nenhum alimento isolado deve ser ingerido em detrimento de outros para prevenir uma doença específica, uma vez que diferentes alimentos fornecem diferentes substâncias vitais para a saúde.

Tabela 1. Principais funções das vitaminas presentes na cebola.
Vitamina
Efeitos sobre o organismo
Deficiência
B1
(Tiamina)
Melhor crescimento; maior resistência a infecções; funções normais do sistema nervoso; aumento do apetite; melhor digestão e absorção dos alimentos
Beribéri (confusão mental, perda muscular)
B2
(Riboflavina)
Saúde da pele; bom funcionamento do trato digestivo; formação de anticorpos e hemáceas
Lesões na mucosa bucal; vermelhidão da língua
B3
(Niacina)
Equilíbrio do sistema nervoso e do metabolismo; redução dos índices de colesterol; normalidade da respiração e circulação; produção de hormônios sexuais
Fraqueza muscular; falta de apetite e erupções cutâneas; pelagra (dermatite, demência e diarréia)
B5
(Ácido pantotênico)
Regulação dos índices de açúcar no sangue; melhor utilização das proteínas e vitaminas; formação de anticorpos
Distúrbios intestinais, renais e nervosos
B6
(Piridoxina)
Assimilação das proteínas; transmissão de impulsos nervosos; formação de anticorpos
Distúrbios nervosos (irritabilidade, convulsões)
B8
(Biotina)
Auxilio no crescimento; formação e utilização de gordura; produção de anticorpos
Dermatite; palidez; náusea; queda de cabelo; falta de apetite
B9
(Ácido fólico)
Manutenção da integridade do sangue e do sistema nervoso; formação do feto
Baixo crescimento; anemia e outras doenças sangüíneas; distúrbios no trato gastrointestinal
C
(Ácido ascórbico)
Absorção de ferro; síntese de colágeno; cicatrização; resistência a infecções; antioxidante
Escorbuto (baixa cicatrização, pele seca, queda de dentes e problemas de gengivas)

Tabela 2. Propriedades cientificamente comprovadas da cebola.

Efeito
Ação
Antibacteriano
Inibe bactérias causadoras de cáries e de distúrbios gástricos
Antifúngico
Contra fungos causadores de micose
Cardiovascular
Reduz o teor de gordura do sangue e o risco de trombose e de aterosclerose; estimula o coração
Antiasmática
Ameniza os sintomas da asma
Hipoglicêmico
Auxilia no controle da diabetes
Anticancerígeno
Reduz o risco de desenvolver câncer de esôfago, estômago e mama
Antiinflamatório
Auxilia no combate a inflamações
Outros
Antioxidante; desintoxicante de metais pesados




domingo, 22 de outubro de 2017

Colheita e pós-colheita da Cebola



A manutenção da qualidade dos bulbos da cebola e a adequada conservação pós-colheita dependem inicialmente do correto reconhecimento do ponto de colheita. Algumas mudanças fisiológicas que resultam na máxima qualidade dos bulbos para consumo são visualmente expressas no campo e subsidiam a definição do momento ideal de colheita. A observação criteriosa destes sinais, associada ao manuseio cuidadoso por ocasião da realização dos tratos culturais e dos procedimentos pós-colheita, pode garantir a integridade dos bulbos, reduzindo, a nível mínimo, os danos mecânicos e o estresse sofrido pelos tecidos. Esses cuidados também são válidos durante o armazenamento, que deve oferecer as condições ideais para que o produto seja acondicionado, pelo maior espaço de tempo possível, sem perda apreciável de seus atributos de qualidade, como sabor, aroma, textura, cor, teor de umidade e valor nutricional.
Para que a proposição de técnicas de manejo e conservação pós-colheita para a cebola seja bem sucedida, é necessário que sejam reconhecidos os eventos biológicos durante o desenvolvimento do bulbo e os fatores que influenciam suas respostas. Após a colheita, a manutenção da qualidade é possível a partir da utilização de meios que reduzam a velocidade com que esses eventos acontecem ou previnam a ação degradativa de agentes externos.

Ponto de colheita

Alguns elementos auxiliam a decisão do momento da colheita. Os mais importantes e de uso prático são:
  • o estado de umidade das duas ou três folhas externas (catáfilas) do bulbo: elas devem estar secas no momento da colheita;
  • a condição de umidade da folhagem: pelo menos 2/3 da folhagem deve estar seca por ocasião da colheita;
  • amolecimento dos tecidos do “pescoço” (pseudocaule) do bulbo: o ponto de colheita é reconhecido pela curvatura da folhagem, principalmente nas cultivares de “pescoço” fino.
A partir da observação dessas mudanças no final do ciclo da cultura, recomenda-se que a colheita seja realizada quando a maioria das plantas tenha sofrido tombamento (ou “estalo”), como resultado do murchamento da folhagem, acompanhado de amarelecimento. Nesse momento, o bulbo pode ser arrancado com facilidade e armazenado por um período de tempo maior.
Não há um consenso a respeito da proporção exata de plantas que deve ter sofrido tombamento para que se reconheça o ponto ideal de colheita. Alguns autores recomendam 50-60%, enquanto outros indicam que aproximadamente 70% das plantas devem estar tombadas no momento da colheita. Porém, vale destacar que a observação visual, o manejo dado à cultura e as condições climáticas no período de colheita podem ser definitivos no ajuste desta proporção.
Para reduzir perdas durante o armazenamento e/ou transporte, é importante que a irrigação seja gradualmente diminuída a partir do início da maturação dos bulbos, podendo ser interrompida duas a três semanas antes da colheita. A definição exata do período de interrupção da irrigação dependerá das características físicas do solo e das condições climáticas predominantes no período. O objetivo dessa prática é reduzir o conteúdo de água dos bulbos, uma vez que o alto conteúdo de umidade favorece o crescimento de microrganismos, comprometendo a qualidade e a comercialização.
Se, contudo, a colheita for realizada antes do momento ideal, o alto conteúdo de umidade na folhagem e no “pescoço”, a maior largura do “pescoço” e a presença de substâncias reguladoras de crescimento podem estimular a brotação após a colheita. A cebola colhida imatura ou “verde”, como se denomina popularmente, apresenta, ainda, a desvantagem de perder muito peso com a evaporação da água e ter má conservação uma vez que não há uma adequada cicatrização no local de corte das folhas, prejudicando o produtor e o consumidor.
De um modo geral, no Brasil, é mais comum a realização da colheita manual dos bulbos, apesar da possibilidade de uso da colheita mecanizada. Para a colheita manual, são utilizadas facas para facilitar o corte das raízes de cebola.
Os dias secos e ensolarados são os melhores para a colheita da cebola.

Cura

Depois de colhida, a folhagem da cebola precisa ser seca para que posteriormente seja feito o corte do “pescoço”. Esse procedimento de secagem é denominado cura e consiste na exposição do material colhido a temperaturas altas durante um determinado período. Além da redução do conteúdo de água, a cura tem como objetivo promover o desenvolvimento da coloração externa do bulbo.
A temperatura adequada para a cura da cebola é de, aproximadamente, 30ºC, sendo o processo concluído quando as películas externas do bulbo adquirem cor intensa, apresentam-se secas e quebradiças, desprendendo-se facilmente quando esfregadas com os dedos. Neste momento, o pescoço se mostra firme e seco. Isso geralmente ocorre aos 10 a 15 dias após a colheita, na maioria das regiões produtoras. Porém, nas condições do Nordeste, a cura é concluída em 3-5 dias. Após finalizado o processo, é feito o corte das ramas.
Em geral, a cura resulta numa perda de peso dos bulbos que varia de 3 a 5%, quando a colheita é realizada no momento certo. Porém, se os bulbos foram colhidos precocemente, ainda úmidos ou com os tecidos externos verdes, ou se a umidade do solo durante a colheita foi mantida alta ou, ainda, se a temperatura de cura foi muito elevada, a perda de peso pode ser superior a 10%.

Tipos de cura

A cura pode ser natural ou artificial. A cura natural é realizada no campo ou em galpões. Quando realizada no campo, os bulbos geralmente são arrumados em fileiras sobre o solo e protegidos da radiação solar direta pelas próprias folhas. A distribuição dos bulbos pode ser feita na própria linha de plantio, dispondo as ramas no sentido de declive do terreno.
No caso de chuvas durante a colheita, a cebola deve ser recolhida imediatamente para galpões. Nestes galpões, que devem ser secos e ventilados, as plantas permanecerão até que as folhas sequem e a cura seja completada.
A cura artificial é realizada nas regiões onde as condições climáticas, principalmente a ocorrência de chuvas e períodos de temperaturas baixas associadas à nebulosidade, não permitem que o processo seja realizado ao natural. Neste caso, são utilizados ventiladores com ar natural ou aquecido (secadores) ou até mesmo processos mais sofisticados como cura a vácuo e com radiação infravermelha.
A cura com a utilização de ar aquecido pode ser feita em um processo dinâmico, através do fluxo do ar sobre o produto deslocado por uma esteira, ou em um processo estático, no qual o ar é forçado entre os bulbos através de dutos perfurados. A cura estacionária é a mais comum no Brasil, sendo praticada em Santa Catarina, em estufas de fumo ou em câmaras construídas especialmente para esse fim. A temperatura utilizada para secagem é de 46 a 48 °C, por um período de tempo que varia de 16 a 32 horas. Nessas estufas, a cebola é colocada em caixas para facilitar o movimento do ar quente. As câmaras especiais são construídas de alvenaria, dotadas de um sistema de aquecimento por fornalhas e dutos de aquecimento.
Independente do sistema adotado, a cura permite que os tecidos se tornem menos permeáveis ao fluxo de umidade e mais resistentes a infecções. Portanto, podem ser armazenados por períodos maiores.

Principais alterações químicas nos bulbos durante a cura e o armazenamento

Durante a cura e o armazenamento, ocorrem várias modificações na composição do bulbo, que interferem na sua qualidade final. A perda de água é a mudança mais evidente, sendo mais intensa no processo de cura. Mudanças em compostos relacionados ao sabor do bulbo também são importantes. A quantidade total de açúcares, por exemplo, tende a diminuir quando o armazenamento é prolongado. Já o conteúdo de ácido pirúvico, responsável pelo sabor picante (pungência), pode aumentar ou diminuir durante o armazenamento, dependendo da cultivar.
Também pode ocorrer a emissão de brotos e raízes durante o armazenamento. Essa é uma das principais causas de perdas pós-colheita em bulbos de cebola, que pode ser evitada se as condições de armazenamento forem adequadas. Em geral, a brotação é favorecida por condições de temperaturas amenas, desde 5 a 20ºC, dependendo da cultivar, e por umidade relativa alta.

Operações pós-colheita

As principais etapas ou procedimentos pós-colheita aos quais os bulbos podem ser submetidos são:
  • Limpeza ou retirada de pedras e torrões: deve ser realizada antes do armazenamento dos bulbos, para evitar contaminação e facilitar a aeração;
  • Corte do “pescoço”: deve ser feito imediatamente após a cura, exceto quando os bulbos forem comercializados em réstias (tranças), com o objetivo de evitar que a folhagem sirva de foco de contaminação. A altura do corte não deve ser superior a 4 cm. Em geral, deixa-se 1 cm de pseudocaule;
  • Corte das raízes: deve ser realizado rente à base, tendo-se o cuidado de não ferir o bulbo;
  • Seleção: visa eliminar os bulbos que não apresentam características comerciais ou que não atendem aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado. São selecionados, para classificação e embalagem, os bulbos:
    - inteiros
    - sadios
    - limpos
    - praticamente isentos de parasitos
    - livres de umidade externa
    - livres de odor ou sabor desagradável
    - em condições de serem manuseados ou transportados, atingindo o mercado de - destino.
  • Classificação: os bulbos selecionados devem ser classificados conforme normas ou regulamentos vigentes no mercado de destino. O critério inicial de classificação baseia-se no diâmetro transversal dos bulbos (calibre). Para cada faixa de calibre, os bulbos podem ser agrupados em quatro categorias: extra, categoria I, categoria II e categoria III, diferenciadas entre si pela presença ou ausência de defeitos e pelo grau de tolerância (limites máximos) admitido para esses defeitos.
    Os defeitos mais comuns em bulbos de cebola são: cortes, cicatrizes de ferimentos, manchas, deformações, bulbo duplo, caule fibroso, sinais de podridões, brotamento e danos causados por insetos.
  • Embalagem: após classificados, os bulbos podem ser comercializados das seguintes formas:
    - soltos em caixas, sacos ou sacolas;
    - embalados em cartelas ou redes de malhas perfuradas, acondicionados ou não em embalagens secundárias;
    - em réstias, com as últimas folhas atadas.
Para o mercado interno, a cebola poderá ser comercializada em réstia, sendo, neste caso, classificada apenas em relação à categoria. Não é permitida, entretanto, a comercialização de cebolas em réstia entre países membros do Mercosul.
O emprego de sacos pequenos de ráfia ou de embalagens de papelão ou de madeira laminada é considerado mais adequado, uma vez que fornece maior proteção a danos mecânicos, como pancadas, abrasão (atrito), compressão e cortes, que ocorrem durante a movimentação, armazenamento e transporte dos bulbos e levam à deterioração.
Qualquer que seja a embalagem usada, a mesma deve ser nova, limpa e seca, além de conter um rótulo com as especificações: nome do produto, cultivar, calibre, categoria, peso líquido, origem do produto e data de embalagem.

Conservação pós-colheita

Alguns fatores, como doenças pós-colheita, brotação, enraizamento, perda de peso e respiração, determinam o período de conservação pós-colheita dos bulbos de cebola. Estes fatores estão diretamente associados à infra-estrutura do ambiente de armazenamento. Como regra geral, a cebola deverá ser embalada em locais cobertos, secos, limpos, ventilados, com dimensões de acordo com os volumes a serem acondicionados e de fácil higienização, a fim de evitar efeitos prejudiciais à qualidade e conservação do mesmo. Da mesma forma, o transporte deve assegurar uma conservação adequada ao produto.
Para que seja possível armazenar os bulbos por um período de tempo compatível com a distribuição no mercado final, a temperatura e a umidade relativa devem ser os principais elementos controlados durante o armazenamento e transporte. Geralmente, as cultivares que têm alto teor de matéria seca, alta pungência, boa dormência e que tenham sido colhidas no ponto de colheita ideal, bem como submetidas à cura podem ser armazenadas por até cinco meses sob temperatura ambiente e umidade relativa (UR) entre 60 e 80%. Condições de UR maiores não são recomendadas porque favorecem a brotação e o desenvolvimento de podridões, como a causada por Aspergillus niger. Para regiões produtoras que necessitam armazenar os bulbos por períodos extensos, pode-se fazer uso da refrigeração, recomendando-se temperaturas de 4-6ºC e UR de 70-80%. Contudo, o armazenamento de cebola em câmaras frias ainda não é comum no Brasil.
Por sua vez, a armazenagem convencional é utilizada principalmente no Sul, em Santa Catarina, onde os bulbos são acondicionados em sacarias, em caixotes, ou a granel com as ramas. Neste caso, as cebolas dispostas umas sobre as outras não devem superar a altura de empilhamento de 40 cm. Neste sistema, o bulbo fica somente exposto à ventilação natural, o que pode ser responsável em alguns anos pela alta taxa de doenças. Para reduzir o problema, recomenda-se usar barracões arejados, que permitam uma ventilação regular e adequada, onde os bulbos podem ser mantidos por 2 a 3 meses.
No Semi-Árido brasileiro, a cebola é acondicionada em galpões abertos sob temperatura ambiente, até o momento de transporte para o mercado de destino. Nestas condições, a duração do período de armazenamento, transporte e distribuição, geralmente, é compatível com os requisitos dos mercados atendidos. No entanto, é importante que sejam observados manejo nutricional, fitossanitário, de irrigação e solo adequados à cultura, bem como os procedimentos de colheita, cura, manuseio e operações pós-colheita, coerentes com a obtenção e a oferta de um produto de qualidade superior.

Pós-colheita

Vários fungos e bactérias patogênicos são capazes de infectar os bulbos de cebola durante a fase de cultivo e após a colheita, e ocasionar desde perdas cosméticas e superficiais nas escamas externas até a deterioração completa dos bulbos. Embora a maior parte destas doenças apareçam somente no período de pós-colheita, a infecção pode ocorrer em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura.
Em relação às doenças causadas por fungos, em regiões tropicais é comum a incidência do mofo-preto (Aspergillus) e mofo-verde (Penicillium) como causadores de perdas pós-colheita em cebola, enquanto a podridão-aquosa (Botrytis allii) é mais importante em regiões de clima mais ameno.
Outras doenças de pós-colheita em cebola causadas por fungos são antracnose (Colletotrichum circinans), podridão-basal (Fusarium oxysporum f. sp. cepae) e podridão-branca (Sclerotium cepivorum).
Entre as bactérias, as mais importantes são as podridões do bulbo ou das escamas causadas por Pectobacterium spp. e Dickeya spp. (Erwinia spp.), Burkholderia cepacia (Pseudomonas), Pseudomonas viridiflava e P. gladioli pv. alliicola. Também existem registros do envolvimento de uma levedura (Kluyveromyces marxianus) como causadora de podridão.
Em muitos casos, podem ocorrer doenças pós-colheita causadas por mais de um patógeno, envolvendo inclusive fungos e bactérias. A bactéria Burkholderia cepacia pode iniciar a infecção das escamas e Pectobacterium afetar o restante do bulbo a partir destas escamas. Situação semelhante pode ocorrer com fungos, com Pyrenochaeta causando a podridão-rosada das raízes e posteriormente Fusarium colonizando toda a região basal dos bulbos.

Controle de doenças de pós-colheita
Além do efeito direto das condições ambientais e dos tratos culturais durante o período vegetativo, a incidência de doenças de pós-colheita em bulbos de cebola está relacionada ao sistema de cura, armazenamento e comercialização. O processo de cura é muito eficiente como medida preventiva de controle de doenças pós-colheita, porque a desidratação das camadas externas impede a penetração de fungos e bactérias e ao mesmo tempo evita a perda de água dos bulbos.
Quando mantida em condição ideal, em temperatura em torno de 0ºC e 65-75% de umidade relativa, a cebola pode ser conservada por até nove meses. Nesta condição, além de minimizar a perda de água e retardar os processos metabólicos, o crescimento e o desenvolvimento de patógenos também são drasticamente reduzidos.
Os patógenos podem estar presentes nos bulbos, nas embalagens ou no ambiente de armazenamento, mas não chegam a causar danos significativos porque a condição ambiental é desfavorável às doenças de pós-colheita. Portanto, é muito importante fazer limpeza periódica do local de armazenamento, com jatos de água e detergente, e também eliminar bulbos doentes e restos de escamas.
Na comercialização, devem ser executadas inspeções periódicas e a eliminação dos bulbos doentes, com sintomas e sinais evidentes. A condição de armazenamento temporária também deve ser observada com cuidado, evitando-se ambientes muito quentes e úmidos que favorecem a proliferação de fungos e bactérias.

Cura
A cura é um processo extremamente importante na manutenção da qualidade pós-colheita das cebolas. Tem como principal função remover o excesso de umidade das camadas mais externas dos bulbos e das raízes antes do armazenamento.
A formação de uma camada de catáfilos secos (escamas) ao redor do bulbo em decorrência da cura bem feita promove uma barreira eficiente contra a perda de água e infecção microbiana e reduz a ocorrência de brotação.
Para cura, após a colheita, os bulbos são dispostos lateralmente sobre os canteiros e ficam nestas condições por 3 a 4 dias considerando-se uma região com clima quente e seco (Figura 1). É importante reduzir a incidência direta de luz solar sobre os bulbos, o que pode ocasionar o aparecimento de manchas esbranquiçadas nos bulbos, típicas de queimadura por sol.


Figura 1. Cura da cebola a campo
Recomenda-se que os bulbos sejam protegidos pela parte aérea da planta vizinha e assim por diante.
Em regiões úmidas, a cura das cebolas pode demorar um pouco mais e, em algumas situações, maior incidência de podridões pode ocorrer durante o armazenamento prolongado.
Quando feita no campo, a cura ocorre de maneira mais satisfatória quando prevalecem temperaturas o redor de 24ºC e umidade relativa variando de 75 a 80%, o que garante o desenvolvimento satisfatório da coloração da casca.
Terminada a cura a campo, o bulbos devem ser transferidos para um local sombreado, sem incidência de luz solar direta, com temperatura entre 25 e 30ºC e umidade relativa variando entre 70 e 75%. Nestas condições, a cura é finalizada após 10 a 15 dias.
Quando se optar por realizar a cura em locais cobertos como galpões, as cebolas podem ser agrupadas em réstias que serão penduradas em ganchos. Nestas condições, a cura ocorrerá em intervalo de tempo similar ao do campo. Ainda neste caso, os bulbos podem ser curados com a aplicação de ar aquecido, que é insuflado através das réstias de cebola, contribuindo para uma secagem mais rápida das camadas mais externas.
A temperatura recomendada do ar é de 30 a 40ºC e a umidade relativa deve ficar ao redor dos 30%, o que possibilita a cura entre 7 e 10 dias, que é considerada completa quando o pescoço do bulbo estiver seco. O controle de umidade durante esta etapa é crucial, pois em locais onde a umidade é elevada existe risco de maior ocorrência de doenças fúngicas.
Por outro lado, em locais onde a umidade relativa é baixa (abaixo de 60%), perda excessiva de água e rachadura das camadas mais externas do bulbo podem ocorrer. O processo de cura reduz a massa do bulbo e uma vez que a cebola é vendida por peso, atingir o ponto ideal de cura é um processo crítico.
Perdas de peso da ordem de 3 a 5% são normais sob condições ambiente, enquanto que perdas de até 10% podem ocorrer no caso da cura ser feita artificialmente. A parte do bulbo que ficou em contato direto com o solo pode desenvolver manchas amarronzadas, as quais diminuem a qualidade final do bulbo.
Obviamente, o processo de cura a campo depende das condições climáticas da região e, portanto, não se aconselha que seja o método escolhido no caso de grandes quantidades de cebola.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Doenças da Cebola



Doenças

A cebola (Allium cepa L.), está sujeita a uma série de doenças que podem atacar as mais diversas partes da planta. Algumas destas doenças podem causar grandes perdas, tornando-se fatores limitantes ao cultivo se medidas de controle adequadas não forem adotadas.
Dentre as doenças fúngicas destacam-se a mancha-púrpura (Alternaria porri), o míldio (Peronospora destructor), mal-de-sete voltas ou antracnose da folha (Colletotrichum gloeosporioides f. sp. cepae), raiz rosada (Pyrenochaeta terrestris) e queima-das-pontas (Botrytis spp). Além das doenças fúngicas, a podridão bacteriana (Burkholderia cepacia) pode causar sérios prejuízos aos cebolicultores.
No entanto, uma série de práticas culturais, algumas delas rotineiras, pode reduzir ou aumentar a importância das doenças. Por exemplo, a nutrição das plantas deve ser equilibrada, de forma a garantir o fornecimento de nutrientes em quantidade e no momento adequado. Excesso ou deficiências de nutrientes irão predispor as plantas à invasão e proliferação de patógenos. O sistema de irrigação, bem como o seu manejo, podem interferir significativamente na predisposição das plantas ao patógeno, como também aumentar sua dispersão na área.
Desde o momento do planejamento do plantio algumas considerações devem ser feitas, como a adequação da época e da variedade. A densidade das plantas na área pode sofrer influencia da época de plantio e do sistema de irrigação. Por exemplo, é preciso considerar que densidades elevadas de plantio no período mais úmido do ano, aumentarão a predisposição a doenças e vai requerer o ajuste na quantidade de água e nutrientes aplicados. Práticas como preparo adequado do solo e a rotação de culturas poderão reduzir o potencial de inóculo de um patógeno ou, se realizados de forma inadequada, aumentar a incidência e severidade dos ataques.
Em resumo, embora os produtos químicos representem uma alternativa de controle de patógenos, é necessário considerar que sua aplicação é apenas uma das estratégias possíveis dentro do sistema de produção. A aplicação adequada da combinação de práticas que compõem este sistema reduzirá a importância das doenças, permitindo um nível de controle adequado dos defensivos. Por outro lado, a confiança apenas nas pulverizações pode causar problemas já que, quando há um ataque muito elevado, até mesmo os produtos reconhecidamente eficientes podem ter seu efeito limitado.
As principais medidas preventivas e de manejo para a redução de doenças e alternativas de controle, assim como os agroquímicos para o controle de doenças são apresentados na Tabela 1.

Doenças Fúngicas

Mancha-púrpura - Alternaria porri
Esta doença também é conhecida também como queima das pontas, crestamento ou pinta. No Vale do São Francisco, é de grande importância econômica, com ocorrência durante todo o ano, causando prejuízos e aumento do custo de produção. As condições favoráveis para o seu desenvolvimento são Umidade Relativa de média a alta (70%) e temperaturas altas. Na região, a irrigação e as temperaturas predominantes favorecem o surgimento da doença.
Os sintomas podem ser observados em folhas, hastes e bulbos. Inicialmente, observam-se manchas esbranquiçadas circulares, alongadas ou irregulares que aumentam de tamanho, com zonas concêntricas escuras e bordas púrpuras, com halo amarelado. As lesões podem coalescer e cincundar a folha, causando sua morte a partir das lesões em direção ao ápice. Na haste floral, sintomas semelhantes causando quebra e/ou secamento podem comprometer a produção de sementes. Os bulbos podem ser afetados no período de armazenamento.
O patógeno sobrevive nos restos de cultura e ervas invasoras nativas e é disseminado principalmente através do transporte de bulbos infectados ou através da chuva e ventos. Em condições extremas poderá haver infecções das sementes que servirão causando severas perdas na fase de produção de mudas.
Controle
O uso de variedades resistentes é a medida mais eficiente no controle da doença, sendo indicadas aquelas com maior espessura da cutícula e depósito de cera nas folhas e hastes florais. Até o momento apenas a vriedade IAC Solaris foi lançada pelo IAC apresentando alguma resistência ao patógeno as condições de São Paulo.
Em campos com histórico de incidência de A. porri, recomenda-se fazer rotação de cultura com espécies não-hospedeiras. Retirar os restos culturais do campo e queimá-los, ou fazer aração profunda para enterrá-los. Irrigar apenas quando necessário e evitar a irrigação por aspersão. Aplicar fungicidas preventivos periodicamente (Tabela 1).

Míldio - Peronospora destructor
A maioria das espécies do gênero Allium (cebolinha, alho-porró e outras) são afetadas pelo fungo. Esta doença causa grandes prejuízos e os maiores riscos de epidemias ocorrem quando há períodos com temperaturas amenas (ao redor de 20 ºC) e elevada umidade relativa (superior a 80%). Propágulos do patógeno pode ser transportado em tecido vegetativo a longas distâncias. No Nordeste, causa danos consideráveis nos períodos úmidos do ano, em condições de irrigação por aspersão e densidades de plantio elevada, nos períodos de temperatura amena. A intensidade de ataque de míldio tem sido associada a desequilíbrios nutricionais na cultura, principalmente no que se refere ao equilíbrio no fornecimento de fósforo e potássio.
Inicialmente observam-se lesões elípticas alongadas, de início pequenas, depois grandes ao longo da folha, apresentando-se como zonas concêntricas de tecido clorótico, podendo estar recobertas por uma massa de esporângios esbranquiçada ou bege e, às vezes, violeta. As hastes florais apresentam lesões semelhantes às das folhas, podendo resultar na sua quebra no ponto afetado. Plantas provenientes de bulbos infectados estão sujeitas à invasão sistêmica do fungo, apresentando subdesenvolvimento em relação às demais e exibindo, nas folhas, manchas brancas pequenas, muito semelhantes às causadas por Botrytis. Como resultado a planta apresenta reduzida produção de sementes ou bulbos.
O patógeno sobrevive nos restos culturais, nos bulbos utilizados no plantio e nas sementes. A disseminação é feita por meio de bulbos infectados, sementes, água e vento, por onde os esporângios do fungo vão a longas distâncias. As condições climáticas favoráveis são temperaturas amenas e umidade relativa elevada, com presença de água de orvalho, de chuva ou de irrigação, na superfície das folhas.
Controle
Como medidas preventivas a escolha de solos bem drenados, evitar áreas de baixadas onde se tem alta umidade do ar; utilizar bulbos e sementes sadios para plantio; eliminar os restos culturais; ajustar densidade de plantio; contribuem no controle da doença, assim como pulverizações com fungicidas registrados (Tabela 1).
Queima das pontas - Botrytis squamosa
È uma doença de grande importância para a cultura da cebola. No Nordeste, Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, é também conhecida como "sapeca". A doença é difícil de ser diagnosticada no campo, pois a seca das pontas das folhas da cebola pode ter diversas causas. O patógeno possui, como agravante a capacidade de ser disseminado a longas distâncias.
O sintoma típico é a queima das pontas, que pode apresentar diversas outras causas. Em lesões no limbo foliar Inicialmente aparecem pequenas manchas, ocorrendo, posteriormente, a morte progressiva dos ponteiros. Quando a doença ocorre na fase inicial de desenvolvimento da cultura, provoca redução no tamanho dos bulbos. Na inflorescência, afeta a produção de sementes. Os bulbos infectados ficam mais vulneráveis a outros patógenos.
A doença incide principalmente na pós-colheita, provocando uma podridão aquosa que se inicia no colo e avança gradualmente para a base até apodrecer o bulbo completamente.
O fungo sobrevive nos restos de colheita na forma de micélio e escleródios no solo e em bulbos. Cultivos mais velhos próximos aos novos são grandes fontes de inóculo. Sua disseminação ocorre por meio de respingos de chuvas, ventos e bulbos infectados. As condições climáticas favoráveis são temperaturas amenas e umidade relativa do ar elevada.
Controle
O uso de fungicidas no campo tem se mostrado pouco eficiente e apenas as cultivares de bulbo roxo (presença de a antocianina, flavonas, catecol e ácido protocatecóico) apresentam certo grau de resistência a B. cinérea (ÖZER e KÖYCÜ, 2004). Portanto deve ser adotado um conjunto de medidas para o controle da doença como o uso de sementes limpas e devidamente tratadas com fungicidas sistêmicos; evitar plantio em épocas propícias (chuvas e UR do ar elevada); ajustar densidade de plantio para períodos úmidos; limitar o manuseio da plantação ao mínimo, visando evitar a ocorrência de danos mecânicos, que se constituem na entrada para o fungo. Os restos de cultura devem ser retirados do campo e queimados ou enterrados com aração profunda, e finalmente pulverizações com produtos registrados para a doença (Tabela 1). Entre as variedades registradas, apenas a variedade Jubileu apresentou resistência a queima das pontas.
Raiz rosada - Pyrenochaeta terrestris
O fungo possui distribuição mundial, ocorrendo com maior freqüência nas regiões subtropicais e tropicais do globo, estando bastante disseminado no Brasil. Além da cebola e alho, as plantas de pimenta, tomate, soja, trigo, melancia, pepino e berinjela, entre outras, também são hospedeiras de Pyrenochaeta terrestris. Além de hospedeiras alternativas, também sobrevive no solo em restos de culturas ou na forma de picnídio e clamidósporo.
Nas variedades susceptíveis pode ocorrer uma seca a partir das extremidades apicais da folha. A doença pode ser observada em qualquer fase de desenvolvimento da planta, sendo mais comum no período próximo à maturação. Os sintomas podem ser confundidos com seca das ponteiras, deficiência nutricional ou de água, já que nas plantas severamente atacadas, geralmente, todo o sistema radicular já está afetado pelo fungo, sendo facilmente arrancadas.
As raízes das plantas infectadas apresentam coloração rosa, que posteriormente evolui para vermelha, púrpura, parda e finalmente torna-se preta. A evolução das cores depende da severidade da doença e, geralmente, durante esse processo também ocorre o enrugamento dos tecidos, resultando em morte de toda a raiz.
Temperaturas em torno de 24-28 °C e alta umidade do solo aumentam a incidência e severidade do ataque. Sua disseminação se dá através do solo aderido a implementos agrícolas e aos pés de trabalhadores e animais e em mudas e bulbilhos infectados. Desequilíbrios nutricionais podem potencializar a severidade da doença.
Controle
Entre as práticas culturais que podem reduzir a ocorrência da doença a escolha de solos bem drenados, manejo adequado da irrigação, evitando excesso de água; rotação de culturas com gramíneas; destruição dos restos de cultivo antes do preparo do solo e revolver a terra para expor ao sol algumas partículas do fungo, tem mostrado efeitos positivos.
As cultivares do grupo Barreiro e Cojumatlan apresentam boa resistência ao fungo. Em teste realizado no Vale do São Francisco a variedade Franciscana IPA10 apresentou a menor incidência da doença.
Antracnose ou mal-de-sete voltas - Colletotrichum gloeosporioides
A antracnose é uma doença de distribuição mundial, e ocorre em todas as regiões produtoras de cebola do Brasil. C. gloeosporioides é um fungo polífago, atacando plantas de mais de 50 famílias, mas C. gloeosporioides f. sp. cepae é patógeno apenas na cebola. O fungo pode atacar as plantas durante todas as fases do cultivo, a partir das sementeiras, e durante o armazenamento.
Lesões marrons alongadas, deprimidas e em círculos concêntricos no centro das manchas ocorrem nas folhas. Como conseqüência da formação de grandes áreas necrosadas, as folhas tornam-se cloróticas, retorcidas e enroladas, e terminam secas e quebradiças, daí a origem de seu nome. Nas bainhas das folhas e lâmina foliar podem observar-se, em algumas ocasiões, lesões deprimidas, ovais e brancas. O sintoma típico da doença é a formação de manchas escuras nas escamas externas dos bulbos com estromas verde-escuros a negros embaixo da cutícula das escamas. Excepcionalmente ocorrem manchas foliares elípticas, marrons com um halo amarelo. O fungo pode causar perdas também no estádio de plântulas nas sementeiras. Neste caso pode causar morte ou estiolamento, mela ou tombamento das mudas, seguindo de apodrecimento e formação de massa rosada de esporos do fungo.
O fungo sobrevive no solo nos restos de cultura deixados no campo e também nas sementes, nos cultivos adjacentes e/ou em ervas nativas hospedeira. Os conídios são disseminados dentro do campo pelo vento, respingos da água da chuva ou da irrigação por aspersão e pelos implementos agrícolas. A longa distância, a disseminação ocorre através de bulbos e sementes infectadas ou contaminadas com os conídios do fungo.
Temperaturas entre 23 °C e 30 °C e umidade relativa alta por um período prolongado são condições que favorecem o desenvolvimento da doença, sob tais condições, o ciclo da doença pode completar-se em poucos dias.
Controle
Recomendam-se pulverizações com fungicidas sistêmicos registrados para a cultura na fase de sementeira e no campo, quando existirem plantas com sintomas (Tabela 1).
Evitar o plantio sucessivo em áreas com histórico de ocorrência de antracnose, realizando rotações com culturas não suscetíveis. A irrigação por aspersão e solos com impedimentos na drenagem devem ser evitados. As mudas devem proceder de sementeiras conduzidas sob estrito controle da doença. Os bulbos devem ser coletados em dias sem chuva e imediatamente submetidos a secagem rápida em locais com circulação forçada de ar a temperatura de até 48°C até que as escamas externas estejam completamente secas, e logo serem armazenados acima de 0°C e 65% de umidade relativa.
As variedades Pêra IPA-4, Composto IPA-6, Vale Ouro IPA-11, Roxinha de Belém e Alfa Tropical mostraram-se as mais resistentes ao ataque de C. gloeosporioides em testes realizados no Vale do São Francisco.
Podridão basal - Fusarium oxysporum f. sp. cepae
Também conhecida como ‘bico branco’ ou ‘fusariose’, é de ocorrência generalizada em todas as áreas de produção de cebola ao redor do mundo. A infecção pode ocorrer em qualquer fase do cultivo, podendo provocar tombamentos durante os estágios de sementeira e início do cultivo em campo. Nas folhas os sintomas começam com amarelecimento a partir do ápice, progredindo até a base e seguindo-se de morte. Em plantas afetadas o bulbo mostra coloração marrom no interior. Por ocasião da colheita, ou posteriormente, ocorre uma podridão basal que avança podendo tomar todo o bulbo.
O fungo é encontrado no solo, sobrevivendo por longos período na forma de estruturas de resistência (clamidósporos). A infecção se dá por feridas naturais ou causadas por implementos e outros patógenos. Assim, a incidência será maior em áreas nas quais se pratique o transplantio de mudas do que no plantio direto a partir de sementes. As raízes afetadas tornam-se escuras e achatadas, com descoloração do disco basal do bulbo. Sua disseminação pode ocorrer por ocorre pela água de chuva ou irrigação, vento e mudas oriundas de sementeira contaminadas. Durante o armazenamento ocorre pelo contato de bulbos sadios e afetados. Temperaturas em torno de 26-28 °C favorecem o desenvolvimento do patógeno e a infecção é facilitada por umidade elevada.
Controle
Evitar, se possível, o plantio de áreas com histórico de elevada incidência de podridão basal da cebola. Nestas áreas promover uma rotação de culturas por período de 3 ou 4 anos sem cultivo de cebola, cebolinha ou alho. Reduzir danos radiculares adotando plantio direto a partir de sementes, evitar capinas e controlar insetos que causem danos ao bulbo ou raízes. Após a colheita fazer a cura apropriada, secando as escamas externas do bulbo e armazenar a baixas temperaturas.
Tombamento
O tombamento de mudas na cultura da cebola (Allium cepa L.) pode ser causado por diversos fungos, entre eles Rhizoctonia solani, Phytophthora spp., Fusarium spp. e Pythium spp. Essa doença reduz o número de mudas das sementeiras que irão para o campo. Quando a semeadura é realizada no campo, o tombamento também prejudica o desenvolvimento da cultura.
Os sintomas iniciais são amarelecimento foliar (clorose), que pode ser confundida com deficiência de nutrientes, principalmente nitrogênio, murcha evoluindo para necrose dos tecidos do coleto e das raízes das plântulas, provocando o tombamento e o apodrecimento. Em plantas mais desenvolvidas ocorre amarelecimento e murcha, podendo ocorrer morte. O tombamento ocorre preferencialmente em reboleiras. Os patógenos possuem um grande número de hospedeiros e grande variabilidade genética. Sua disseminação é feita por meio de sementes contaminadas, solo infestado, água de chuva ou de irrigação, vento e implementos agrícolas.
Os fungos causadores de tombamentos formam um grupo de saprófitos capazes de sobreviver no solo na forma de estruturas de resistência e em restos de cultivo. No Nordeste, ambientes úmidos favorecem a disseminação e a severidade da doença.
Controle
Para o plantio é recomendada a utilização de sementes sadias, de boa qualidade e tratadas com fungicidas, evitando-se locais úmidos e solos mal drenados para a instalação da sementeira. O preparo dos canteiros deve ser realizado com antecedência para destruir toda matéria orgânica não decomposta e haver melhor aeração do solo. A realização do semeio deve ser mais raso e em linha para que a semente germine mais rapidamente. As sementes devem ser distribuídas em fileiras, aumentando a aeração e perda de umidade superficial no solo. Colocar uma camada de 03 cm de areia lavada na superfície do solo entre as linhas de plantio na sementeira. Após o semeio, caso haja ocorrência da doença, deve-se reduzir a irrigação ao mínimo e regar o canteiro com fungicida (Tabela 1).
Nas áreas de plantio realizar manejo adequado da irrigação, evitar terrenos alagadiços e mal drenados, realizar rotação de cultura com plantas não hospedeiras.
Controle
Para o caso da doença causada por fungos a utilização de fungicidas para o controle de míldio e queima-da-ponteira deverão apresentar bom nível de controle. Por outro lado, quando causada por vírus a doença não tem controle após sua instalação. Neste caso recomenda-se quebrar o ciclo da virose fazendo rotação de cultura e eliminar plantas hospedeiras nos campos de produção como a cebolinha. É necessário fazer o controle do vetor, neste caso, realizar controle eficiente do tripes ou piolho da cebola. A eliminação de plantas doentes removerá a fonte de inóculo, reduzindo o risco de aumento da incidência.

Doenças Bacterianas

Podridão bacteriana – Erwinia (Pectobacterium) spp
As espécies de Erwinia têm um amplo círculo de hospedeiros, principalmente solanáceas cultivadas e invasoras e causar podridões do bulbo ou a ‘canela-preta’ em cebola. O sintoma típico da doença é o apodrecimento aquoso dos bulbos, os quais exalam um odor desagradável e permite a proliferação de outros microorganismos oportunistas. Com o apodrecimento do bulbo, observa-se murcha e embranquecimento das folhas.
Solos mal drenados ou suscetíveis de sofrer encharcamento, excesso de umidade, seja causada pela chuva ou por irrigação, temperaturas altas e adubação nitrogenada em excesso, são condições que favorecem o aparecimento da doença. A dispersão no campo é causada por escorrimento da água, de irrigação ou da chuva, respingos de água e manuseio das plantas. Implementos com solo oriundo de áreas afetadas aderido também são uma importante forma de dispersão. Em áreas afetadas recomenda-se fazer rotações de cultura, de preferência com gramíneas durante no mínimo um ano; controlar as plantas daninhas, principalmente as solanáceas e crucíferas voluntárias; evitar ferimentos nas raízes e folhas. Não cortar as folhas muito próximas ao bulbo e evitar ferimento durante a colheita; secar bem os bulbos antes de serem armazenados em local fresco e ventilado.
Embora o controle químico de doenças de plantas causados por bactérias seja difícil, os melhores resultados no controle da podridão-de-Erwinia têm sido alcançados com a utilização de Kazugamicina + oxicloreto de cobre nas proporções 100:100 g/L ou 150:100 g/L.
Podridão bacteriana das escamas- Burkholderia cepacea
Esta bactéria causa a doença também conhecida por “mela” e “podridão- mole”, inicia-se no campo durante a maturação e pode ser severa durante o armazenamento dos bulbos. Seu ataque produz uma podridão que exala um forte odor a vinagre. Provoca prejuízos significativos pela rápida disseminação que se verifica na área de cultivo e pelo dano irreversível de destruição total do bulbo.
Inicialmente o ataque se dá nos tecidos foliares mais velhos mortos ou quase mortos, atingindo a haste ou colo da planta, progredindo através deste até atingir as escamas externas das quais progride para o interior dos bulbos, culminando em seu apodrecimento. Os sintomas típicos da doença no pseudocaule e nas escamas externas são uma podridão amarelada, aquosa, viscosa e escorregadia ao tato.
A bactéria é considerada como parte da flora microbiana normal do solo, daí que a sua sobrevivência nos restos de cultura e outros restos vegetais seja a principal forma de sobrevivência no solo. Também pode sobreviver nos bulbos infectados armazenados. A disseminação ocorre por meio da irrigação, do solo aderido aos implementos agrícolas e pelos pés dos trabalhadores rurais.
As condições climáticas favoráveis são, principalmente, alta umidade do solo e temperaturas altas.
Controle
Não se dispõe de variedades com resistência comprovada a B. cepacia. Portanto é necessário um cuidadoso planejamento do cultivo. A escolha de solos bem drenados e planos a fim de evitar encharcamentos, irrigação sem excesso e adubação adequada, conforme análise de solo, são práticas que reduzem a probabilidade de ocorrência de doenças.
A irrigação por aspersão deve ser evitada; a reutilização da água na lavagem dos bulbos deve ser evitada; uma vez colhidos, os bulbos devem ser mantidos em local fresco e arejados e submetidos à secagem rapidamente para evitar a proliferação do possível inóculo presente na região do colo e o posterior desenvolvimento da doença durante o armazenamento.

Nematóides da Cebola

Pseudocaule e bulbo: Ditylenchus dipsaci
Galhas: Meloidogyne javanica, M. incognita, M. hapla e M. chitwoodi
Raízes: Helicotylenchus dihystera

Nematóides parasitas de plantas são vermes microscópicos que vivem no solo e se alimentam no tecido vegetal através da introdução de seu estilete (aparelho bucal). Os nematóides inserem o estilete nas células radiculares e passam a sugar o conteúdo celular. Os nematóides do gênero Meloydogine causam a formação de galhas radiculares, enquanto Pratylenchus penetrans pode causar galerias ou necroses, resultado da morte das células. Ditylenchus dipsaci, alimenta-se do caule, bulbo e folhas e é capaz de sobreviver sem água por período prolongado, reduzindo sua atividade metabólica.
No Vale do São Francisco os nematóides causadores de galhas são os que apresentam a maior incidência. Seu ataque pode ser confundido com sintomas de deficiência generalizada de nutrientes por reduzir drasticamente a capacidade de absorção de nutrientes. Como resultado as plantas apresentam redução de crescimento e não formação de bulbos ou redução da produção.
Como não há produto registrado para nematóides na cultura da cebola, recomenda-se a adoção de práticas culturais que impeçam sua disseminação como a limpeza das ferramentas e máquinas agrícolas antes de executar trabalhos nas áreas ainda não infestadas. Solos com histórico de ocorrência de nematóides devem, se possível, ser evitados. Caso haja dúvida a respeito da ocorrência e do nível de infestação, análises laboratoriais podem ser realizadas.

Doenças Causadas por Vírus

Sapeca
A doença é causada por um ‘tospovirus’ (IYSV - iris yellow spot vírus) e os sintomas iniciam-se com manchas necróticas em forma de olho nas folhas e hastes florais. Com o tempo, ocorre formação de anéis e a seca das folhas. Algumas vezes, de forma bastante simétrica, metade da folha apresenta coloração branca e a outra metade, coloração verde normal. Resultados de pesquisa demonstraram que a intensidade da ocorrência de ‘sapeca’ está associada a ataques de trips (Thrips tabaci), seu principal vetor.Em levantamentos realizados no Vale do São Francisco, detectou-se a presença desses vírus em 83,6% das 55 amostras analisadas.
As variedades Franciscana IPA-10, Vale Ouro IPA-11, Roxa IPA-3 e Ensino demonstraram resistência a ocorrência de sapeca nas condições de produção do Vale do São Francisco.
Mosaico em faixas ou nanismo amarelo (OYDV)
O mosaico em faixas ou nanismo amarelo (OYDV) tem ocorrência registrada no Vale do São Francisco, sendo comum em todo o Brasil. É causada pelo vírus do nanismo amarelo da cebola (OYDV – onion yellow dwarf virus), um vírus que também é capaz de infectar o alho e a cebolinha e pode ser transmitido por várias espécies de pulgões. Os sintomas iniciam-se com estrias cloróticas e amareladas na base das folhas mais velhas. Em seguida, todas as folhas que surgem apresentam desde os sintomas de estrias isoladas até o completo amarelecimento, às vezes associados com enrolamento, enrugamento e queda das mesmas.
O ataque do OYDV causa redução do tamanho dos bulbos, fazendo baixar a produtividade. A principal forma de controle é a utilização de cultivares tolerantes. A Embrapa recomenda as cultivares do tipo Granex, Roxa IPA-3, Roxa do Barreiro, Mutuali IPA-8 e Texas Grano 502 PRR, no caso de OYDV. O combate aos vetores (pulgão e tripes), a rotação de culturas e não cultivar cebolinha são práticas capazes de reduzir a manutenção de inóculo no campo.
Medidas de controle de viroses
O controle de viroses é complexo devido ao fato de existir um grande número de espécies de hospedeiros secundários e a existência de vetores. As medidas de controle de viroses são, basicamente, preventivas. A adoção de práticas culturais como eliminação de invasoras, controle do vetor e uso de variedades com resistência genética podem reduzir as perdas devido à doença.
Como medidas recomendam-se: estabelecer as sementeiras em lugares isolados, protegidos e distantes de plantios mais velhos; fazer a aplicação sistemática de inseticidas em mudas na sementeira e após o transplante para o campo, visando controlar o tripes; eliminar plantas hospedeiras do vírus e/ou do inseto vetor dentro e próximo às áreas cultivadas; fazer rotação de culturas com espécies de outras famílias botânicas, para quebrar o ciclo da virose; estabelecer barreiras em volta do plantio (milho ou crotalária) como quebra-ventos para dificultar a migração do inseto-vetor.

Outras Doenças

Outras doenças importantes também podem afetar a cebola como, por exemplo, espécies do fungo Penicillium e o Aspergillus niger podem causar problemas durante a fase de armazenamento, causando mofo e apodrecimento dos bulbos reduzindo período de armazenamento e perdas consideráveis. A coloração azul-esverdeada, resultante da esporulação do fungo, pode ser observada próxima ao sistema radicular ou na região do pseudocaule ("pescoço") dá o nome da doença, mofo azulado. No entanto, no campo pode causar apodrecimento do sistema radicular. A principal prática de controle refere-se à rápida retirada da umidade da superfície dos bulbos colhidos por secagem ao ar livre ou em secadores.
As podridões-de-escleródio podem causar grandes perdas no armazenamento e no campo. Sclerotium rolfsii e S. cepivorum são os agentes causais e promovem podridões encharcadas em bulbos afetados. Com a evolução da doença há a formação de um micélio branco sobre e ao redor da lesão com a produção de pequenos escleródios, semelhantes a pequenas sementes. Quando no armazenamento em condições favoráveis há o apodrecimento completo do bulbo. A sobrevivência no campo é garantida pela produção dos escleródios. A utilização de material propagativo sadio é uma das medidas mais eficientes de controle e redução de perdas no campo e no armazenamento. Em áreas com histórico da ocorrência da doença realizar rotação de cultura com espécies não hospedeiras, como cereais e outras gramíneas. Para o armazenamento deve ser realizada uma boa cura e secagem do material vegetal, o qual deve ser mantido em boas condições de temperatura, umidade e aeração.
Tabela 1. Produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o controle das principais doenças da cultura da Cebola.
Doença
Ingrediente ativo
Formulado
Dose
Intervalo (dias)
Mancha púrpura (Alternaria porri)
Sulfato de Cobre (inorgânico) + Oxitetraciclina (antibiótico)
Agrimaicin 500
2 Kg/ha
7 - 7
Oxicloreto de Cobre (inorgânico)
Agrinose
400 g/100 L água
7
Cupravit Azul BR
300 g/100 L água
15 - 7
Cuprogarb 500
200 g/100 L água
14 - 7
Fungitol Azul
250 g/100 L água
7
Hokko Cupra 500
250 g/100 L água
15 - 7
Azoxistrobina (estrobilurina)
Amistar
1296 - 16 g/100 L água
2
Propinebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Antracol 700 PM
3 Kg/ha
15 - 7
Acetato de Fentina (organoestânico)
Brestan WP
0,56 - 0,7 Kg/ha
21
Hokko Suzu 200
60 g/100 L água
15 - 21
Hidróxido de Fentina (organoestânico)
Brestanid SC
50 ml/100 L água
15 - 21
Mertin 400
25 ml/100 L água
21
Metiram (alquilenobis) + Piraclostrobina (estrobilurina)
Cabrio Top
2 Kg/ha
7
Boscalida (anilida)
Cantus
0,15 L/há
7
Metconazol (triazol)
Caramba 90
0,5 - 1 L/há
14
Piraclostrobina (estrobilurina)
Comet
0,4 L/há
7
Bromuconazol (triazol)
Condor 200 SC
750 ml/há
14 - 15
Tebuconazol (triazol)
Constant
1 L/há
15 - 14
Elite
1 L/há
15 - 14
Folicur PM
1 Kg/há
12 - 14
Folicur 200 EC
1 Kg/há
14
Orius 250 EC
0,8 L/há
15 - 14
Tebuconazole Nortox
1 Kg/há
14
Triade
1 L/há
14
Mancozebe (alquilenobis (ditiocarbamato)) + Oxicloreto de Cobre (inorgânico)
Cuprozeb
200 g/100 L água
10 - 7
Mancozebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Dithane NT
2,5 - 3 Kg/ha
7
Manzate GrDa
2,5 - 3 Kg/ha
10 - 7
Manzate 800
2,5 - 3 Kg/ha
10 - 7
Folpete (dicarboximida)
Folpet Fersol 500 WP
2,1 - 2,4 Kg/ha
7 - 7
Manebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Maneb 800
200 g/100 L água
10 - 7
Captana (dicarboximida)
Merpan 500 WP
240 - 280 g/100 L água
7
Famoxadona (oxazolidinadiona) + Mancozebe (alquilenobis(ditiocarbamato))
Midas BR
120 g/100 L água
7 - 7
Pirimetanil (anilinopirimidina)
Mythos
200 ml/100 L água
15 - 3
Tebuconazol (triazol) + Trifloxistrobina (estrobilurina)
Nativo
0,75 L/há
14
Iprodiona (dicarboximida)
Rovral
150 g/100 L água
10 - 14
Rovral SC
150 g/100 L água
10 - 14
Difenoconazol (triazol)
Score
0,6 L/há
7 - 7
Procimidona (dicarboximida)
Sialex 500
1 - 1,5 Kg/ha
1
Sumiguard 500 PM
100 - 150 g/100 L água
7 - 1
Sumilex 500 WP
1 - 1,5 Kg/ha
7 - 1
Ciprodinil (anilinopirimidina)
Unix 750 WG
375 g/há
7 - 7
Mofo-cinzento (Botrytis cinerea)
Captana (dicarboximida)
Captan 500 PM
240 g/100 L água
10 - 7
Procimidona (dicarboximida)
Sialex 500
1 - 1,5 Kg/ha
1
Sumiguard 500 PM
100 - 150 g/100 L água
7 - 1
Sumilex 500 WP
1 - 1,5 Kg/ha
7 - 1
Míldio (Peronospora destructor)
Oxicloreto de Cobre (inorgânico)
Agrinose
400 g/100 L água
 
Fungitol Azul
250 g/100 L água
7
Fungitol Verde
220 g/100 L água
7
Hokko Cupra 500
250 g/100 L água
15 - 7
Metiram (ditiocarbamato) + Piraclostrobina (estrobilurina)
Cabrio Top
2,5 Kg/ha
7
Captana (dicarboximida)
Captan SC
400 ml/100 L água
15 - 7
Orthocide 500
240 g/100 L água
15 - 7
Fenamidona (imidazolinona)
Censor
300 ml/há
7 - 7
Piraclostrobina (estrobilurina)
Comet
0,4 L/há
7
Mancozebe (alquilenobis (ditiocarbamato)) + Oxicloreto de Cobre (inorgânico)
Cuprozeb
200 g/100 L água
10 - 7
Cimoxanil (acetamida) +Mancozebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Curathane
2 - 2,5 Kg/ha
7
Curzate BR
200 - 250 g/100 L água
7
Mancozebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Dithane NT
2,5 - 3 Kg/ha
7
Manzate GrDa
2,5 - 3 Kg/ha
10 - 7
Manzate 800
200 g/100 L água
10 - 7
Clorotalonil (isoftalonitrila) + Metalaxil-M (acilalaninato)
Folio Gold
1,5 Kg/ha
10 - 7
Folpete (dicarboximida)
Folpan Agricur 500 WP
270 g/100 L água
7
Manebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Maneb 800
200 g/100 L água
10 - 7
Iprovalicarbe (carbamato) + Propinebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Positron Duo
2 - 2,5 Kg/ha
7
Mancozebe (alquilenobis (ditiocarbamato)) +Metalaxil-M (acilalaninato)
Ridomil Gold MZ
2,5 Kg/ha
7
Queima-das-pontas (Botrytis squamosa)
Captana (dicarboximida)
Captan SC
400 ml/100 L água
15 - 7
Orthocide 500
240 g/100 L água
15 - 7
Mancozebe + Oxicloreto de Cobre
Cuprozeb
200 g/100 L água
10 - 7
Mancozebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Manzate GrDa
2,5 - 3 Kg/ha
10 - 7
Manzate 800
2,5 - 3 Kg/ha
10 - 7
Ferrugem (Puccinia allii)
Oxicloreto de Cobre (inorgânico)
Agrinose
400 g/100 L água
 
Cupravit Azul BR
300 g/100 L água
15 - 7
Fungitol Azul
250 g/100 L água
7
Fungitol Verde
220 g/100 L água
7
Hokko Cupra 500
250 g/100 L água
15 - 7
Acetato de Fentina (organoestânico)
Brestan WP
0,56 - 0,7 Kg/ha
21
Hidróxido de Fentina (organoestânico)
Brestanid SC
50 ml/100 L água
15 - 21
Mertin 400
50 ml/100 L água
15 - 21
Mancozebe (alquilenobis(ditiocarabamato)) + Oxicloreto de cobre (inorgânico)
Cuprozeb
200 g/100 L água
10 - 7
Manebe (alquilenobis (ditiocarbamato))
Maneb 800
200 g/100 L água
10 - 7
Manzate GrDa
2,5 - 3 Kg/ha
10 - 7
Manzate 800
2,5 - 3 Kg/ha
10 - 7
Enxofre (inorgânico)
Sulficamp
500 g/ 100 L água
 
Tombamento (Rhizoctonia solani)
Quintozeno (cloroaromático)
Kobutol 750
30 Kg/ha
 
Podridão-branca (Sclerotium cepivorum)
Quintozeno (cloroaromático)
Plantacol
500
 
Murcha-de-Sclerotium (Sclerotium rolfsii)
Quintozeno (cloroaromático)
Kobutol 750
30 Kg/ha
 
Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides cepae, Colletotrichum circinans)      
Tiofanato-metílico (benzimidazol (precursor de ))
Cercobin 700 WP
100 g/100 L água
10 - 7
Folpete (dicarboximida)
Folpan Agricur 500 WP
210 g/100 L água
7
Oxicloreto de cobre (inorgânico)
Fungitol Verde
220 g/100 L água
7
Hokko Cupra 500
250 g/100 L água
15 - 7
Agrinose
400 g/100 L água
Fungitol Azul
250 g/100 L água
7
Quintozeno (cloroaromático)
Kobutol 750
30 Kg/ha
 
Fonte: Embrapa Semi-Árido



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