domingo, 29 de dezembro de 2019

Pragas na Cultura da Melancia



O cultivo de melancia no Nordeste brasileiro representa uma importante Foto de renda para os agricultores, principalmente para produtores de menor poder aquisitivo, seja em cultivo irrigado ou dependente de chuva. Todavia, são vários os fatores que limitam a produtividade dessa cucurbitácea, dentre os quais se destaca os danos ocasionados pelas pragas.

A seguir, serão apresentadas as principais pragas que ocorrem na cultura da melancia no Brasil e as sugestões de alternativas de controle.

Tratando-se de controle de pragas, em especial considerando-se este dentro do contexto de manejo integrado de pragas (MIP), tem-se como um dos primeiros passos a ser adotado o processo de amostragem das espécies de artrópodes em questão. No entanto, para o cultivo da melancia as informações não existem ou são muito escassas quanto a esse processo. Considerando-se que a planta de melancia pertence à mesma família do melão; apresenta grande similaridade na forma de cultivo e, principalmente, por apresentar praticamente as mesmas espécies de pragas que ocorrem na cultura do meloeiro, sugere-se um planejamento de amostragem tomando-se como referência essa última cultura, haja vista que já existe um programa de manejo integrado definido.

A frequência de amostragem na cultura deve ser planejada de forma sistemática, proporcionando ao agricultor detectar a presença da praga logo no início da sua ocorrência, facilitando assim o controle da mesma com a aplicação das táticas de controle recomendadas.

A amostragem deve ser efetuada com intervalo máximo de uma semana, tomando-se 20 pontos para uma área de até 2,5 hectare. O caminhamento deve ser em ziguezague, percorrendo-se uniformemente toda área a ser amostrada.

Mosca-branca Bemisia tabaci, biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae)

Este inseto apresenta alto potencial biótico, elevada capacidade de adaptar-se a novos hospedeiros e a diferentes condições climáticas, além de possuir grande capacidade para desenvolver resistência aos inseticidas. Estes fatores fazem com que seu controle se torne muito difícil.

Os fatores climáticos são condicionantes para o desenvolvimento da mosca-branca. Altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar favorecem seu desenvolvimento. Estas condições são muito peculiares ao Semiárido do Nordeste brasileiro.

A disseminação da praga ocorre mais frequentemente pelo transporte de partes vegetais de plantas infestadas de um local para outro. Na fase jovem, a mosca-branca apresenta quatro estágios ninfais, sendo o primeiro com reduzida mobilidade e os demais estágios imóveis, permanecendo fixos na superfície da folha .

O adulto da mosca-branca apresenta elevada mobilidade, sendo capaz de dispersar-se para longas distâncias através do voo.

Danos

A mosca-branca pode ocasionar danos diretos e indiretos na cultura da melancia. Os danos diretos são causados pela sucção da seiva da planta e inoculação de toxinas pelo inseto, provocando alterações no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta, comprometendo dessa forma a produtividade da cultura. Em ataques severos, pode ser observado o amarelecimento das folhas mais velhas enquanto em plantas jovens ocorre o secamento das folhas e, dependendo da intensidade da infestação, até mesmo morte da plantas. O dano indireto dar-se-á pela excreção de parte do alimento ingerido pelo inseto e excretado na forma de um líquido açucarado, que serve como meio de crescimento para o fungo saprófita de coloração escura — fumagina —, que recobre as partes vegetais interferindo no processo fotossintético da planta.

Controle

O manejo deve ser baseado em medidas preventivas e curativas. As medidas preventivas visam dificultar ou retardar a entrada do inseto na área, bem como eliminar as suas Fotos de abrigo, de alimento e de reprodução. Medidas que favoreçam o equilíbrio biológico no agrecossistema, também, devem ser consideradas antes e após a implantação da cultura.

As principais medidas preventivas para o controle ou convivência com a mosca-branca são: a) fazer plantios isolados; b) eliminar Fotos de inóculo como maxixe, abóbora ou ervas daninhas hospedeiras da praga que estejam ao redor da área a ser plantada; c) iniciar o preparo do solo, mantendo a área limpa, pelo menos 30 dias antes do plantio; d) rotação de culturas com plantas não hospedeiras; e) após o plantio, manter a área isenta de plantas hospedeiras da praga, no interior e ao redor da cultura; f) não permitir cultivos abandonados nas proximidades da área cultivada; g) eliminar os restos culturais imediatamente após a colheita.

Como medida curativa, pode-se adotar o controle químico, porém considerando-se o uso das substâncias químicas dentro de um programa de manejo integrado de pragas (MIP), pois, o uso exclusivo, não criterioso e contínuo de inseticidas não é a solução permanente para o controle da mosca-branca. Os produtos a serem utilizados no controle químico devem ser aqueles registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a cultura do melancia (Tabela 1), respeitando-se as doses indicadas e o período de carência de cada produto.

Amostragem

O processo de amostragem deve ser realizado de preferência em horário com temperatura do dia mais amena, geralmente de 6h às 9h. A amostragem deve ser realizada tomando-se 20 pontos por talhão de até 2,5 hectares. Para o adulto, amostrar uma folha do quarto nó, a partir do ápice do ramo, observando-se, a parte inferior da folha.

Nível de controle

Sugere-se que seja de oito insetos adultos, em média.


Brocas-das-cucurbitáceas – Diaphania nitidalis e Diaphania hyalinata (Lepidoptera: Pyralidae)

As lagartas podem atingir até 20 mm de comprimento. Contudo, essas duas espécies diferem quanto à coloração dos adultos. D. nitidalis tem coloração marrom-violácea, com as asas apresentando uma área central amarelada semitransparente e as bordas marrons-violáceos (Figura 1), enquanto D. hyalinata tem asas com áreas semitransparentes, brancas e a faixa escura das bordas retilínea (Figura 2).

Foto: Diniz da C. Alves.
Figura 1. Diaphania nitidalis.


Foto: Diniz da C. Alves.
Figura 2. Diaphania hyalinata.

A postura é feita nas folhas, ramos, flores e frutos. O período larval é de aproximadamente 10 dias. O ciclo evolutivo completo é de 25 a 30 dias.

Danos

As lagartas atacam folhas, brotos, ramos, flores e frutos. Quando o ataque é severo observa-se, na polpa dos frutos, abertura de galerias tornando-os inviáveis à comercialização. A espécie D. nitidalis ataca os frutos em qualquer idade, enquanto D. hyalinata ataca preferencialmente as folhas, causando desfolha total da planta, quando em altas populações.

Controle

O controle das brocas-das-cucurbitáceas é efetuado, basicamente, com uso de inseticidas. A ação desses agroquímicos no controle de D. nitidalis é dificultada, pela preferência das lagartas pelas flores e frutos, onde penetram rapidamente. As lagartas de D. hyalinata são controladas mais facilmente, pelo fato de terem preferência pelas folhas. Vários princípios ativos são registrados pelo MAPA (Tabela 1).

Na presença de lagartas nos primeiros estágios de desenvolvimento, a pulverização com Bacillus thuringiensis pode apresentar elevada eficiência sem acarretar impacto negativo sobre os inimigos naturais sem deixar resíduos nos frutos.

Amostragem

Avaliar 20 pontos em ziguezague, em uma área de até 2,5 hectares, com cada ponto correspondendo a uma planta.

Nível de controle

Sugere-se que seja de 3 lagartas por planta, em média.

Pulgão – Aphis gossypii (Hemiptera: Aphididae)

Este inseto apresenta um potencial biótico muito elevado, formando colônias em brotações e folhas novas da planta (Figura 3). Porém, na escassez de alimento, há o aparecimento de formas aladas que migram para outras plantas em busca de alimento e formação de novas colônias.

Foto: Rita de Cássia S. Dias.
Figura 3. Colônia de adultos e ninfas de pulgão.

Danos

O pulgão ataca a planta de melancia durante todo o ciclo de desenvolvimento sugando uma grande quantidade de seiva das brotações e folhas novas da planta, causando o encarquilhamento e enrolamento das folhas e gemas apicais, e ainda reduzindo a capacidade fotossintética da planta. Em elevadas infestações, os danos diretos dessa praga podem levar a planta a morte (Figura 4). Como dano indireto, relata-se como de muita importância a transmissão, pelo pulgão, do vírus do mosaico-das-cucurbitáceas, pois para contaminação da planta é relatado que apenas a picada de um inseto contaminado pelo vírus é o suficiente para que a planta seja infectada e passe a apresentar os sintomas de virose .

Foto: Rita de Cássia S. Dias.
Figura 4. Encarquilhamento de folhas da melancia pelo ataque severo de pulgão.

Amostragem

Avaliar em cada ponto, no total de 20, em uma área de até 2,5 hectares uma folha do terceiro nó a partir do ápice do ramo.

Nível de controle

Sugere-se que seja de 10 insetos, em média. Todavia, quando são encontradas plantas com sintomas de virose ou presença da praga na área, deve-se fazer o controle.

Controle

A aplicação de inseticidas para o controle do pulgão requer alguns cuidados e precauções, pois, esse inseto é presa, ou hospedeiro preferencial para alguns inimigos naturais. Além disso, deve-se tomar cuidado com o horário de aplicação, que não deve coincidir com o horário de visita dos insetos polinizadores. Dentro do controle químico, recomenda-se efetuar o tratamento preventivo das sementes com princípio ativo específico. Os produtos registrados pelo MAPA para o controle de pulgão encontram-se na Tabela 1.

A eliminação de ervas daninhas hospedeiras do pulgão é uma importante medida de controle cultural. No polo Petrolina, PE/Juazeiro, BA, constatou-se como ervas daninhas hospedeiras de A. gossypii: beldroega (Portulaca oleracea L.), bredo (Amaranthus spinosus L.), pega pinto (Boerhaavia diffusa L.) e malva branca (Sida cordifolia L.).

Outras medidas alternativas de controle são citadas como auxiliares na redução populacional da praga, tais como: a) culturas atrativas aos inimigos naturais, como o sorgo, que é uma das Fotos de desenvolvimento para a fauna benéfica; b) manutenção da vegetação nativa entre os talhões para preservar a fauna e a flora benéfica e, c) eliminação de plantas atacadas pelo vírus-do-mosaico a fim de reduzir as Fotos de inóculo dentro do cultivo.

Moscas minadoras – Liriomyza sativae e Liriomyza huidobrensis (Diptera: Agromyzidae)

Os adultos da mosca-minadora são insetos pequenos, com aproximadamente 2 mm de comprimento, coloração preta, com manchas amarelo-claras na cabeça e na região entre as asas. A larva da espécie L. sativae tem coloração amarelo-intensa, ao passo que a de L. huidobrensis tem coloração branco-creme e é mais robusta.

O período chuvoso é o mais favorável a essa praga. Todavia, tem-se verificado nos últimos anos, elevados surtos populacionais da mosca minadora, L. sativae, em cucurbitáceas em períodos secos e de temperaturas elevadas em regiões semiáridas do Nordeste brasileiro.

Danos

A fase larval é a que causa prejuízos, pois, o inseto abre galerias em formato de ziguezague nas folhas, formando lesões esbranquiçadas. As galerias aumentam de tamanho à medida que as larvas crescem. Um número elevado de minas nas folhas pode causar a seca das mesmas e resultar na queima dos frutos pela exposição aos raios solares.

Controle cultural

Recomenda-se a destruição dos restos culturais e a não implantação do cultivo de melancia próximo de espécies hospedeiras da mosca-minadora, tais como, feijão, ervilha, fava, batatinha, tomateiro, berinjela, pimentão, entre outras.

Amostragem

Avaliar a folha mais desenvolvida do ramo em 20 pontos amostrados em uma área de até 2,5 hectares.

Nível de controle

Sugere-se que seja de cinco larvas vivas, em média.

Tripes Thrips tabaci (Thysanoptera: Thripidae)

Os tripes são insetos com 0,5 mm a 5,0 mm de comprimento, podendo apresentar formas aladas ou ápteras. Os adultos são de coloração escura e as ninfas — formas jovens — são inicialmente de cor branca e, posteriormente, amareladas.

Este inseto tem o hábito de se localizar nas partes mais tenras da planta, sendo comumente encontrado na face inferior das folhas, em flores, nas hastes e gemas apicais. Alta temperatura e baixa umidade do ar são condições climáticas muito favoráveis à ocorrência de altas infestações da praga.

Danos

Com a sucção contínua de seiva, a planta de melancia sob alta infestação de tripes apresenta áreas totalmente necrosadas e prateadas, tendo a sua capacidade fotossintética reduzida e a presença de brotos retorcidos e folhas encarquilhadas, as quais tornam-se coriácias e quebradiças, caindo logo em seguida.

Controle

Como medida preventiva recomenda-se o tratamento de sementes através de inseticidas sistêmicos, recomendados para a cultura da melancia (Tabela 1). Pesquisas demonstraram que o tratamento de sementes conferiu proteção à planta de melancia contra insetos sugadores como tripes e pulgão por um período de 20 a 30 dias, sem haver necessidade de aplicação de outro inseticida.

Como controle cultural, recomenda-se a eliminação de plantas hospedeiras da praga dentro e nas proximidades do plantio, tais como bredo, maxixe, entre outras. A destruição dos restos culturais após a colheita é uma tática de controle que evita a presença de focos do tripes em novos plantios.

Pragas secundárias

Além das pragas anteriormente citadas, outras espécies de artrópodes são encontradas associadas à cultura da melancia, porém, proporcionando danos em menor escala, isto é, espécies que podem ser consideradas como de importância secundária. Dentre estas, destaca-se a ocorrência da lagarta-rosca, Agrotis ipsilon (Lepidoptera: Noctuidae), que efetua o corte das plantas jovens na altura do colo, tendo como consequência a redução do estande; a vaquinha, Diabrotica speciosa (Coleoptera: Chrysomelidae), cujas larvas se alimentam das raízes e os adultos das folhas e flores, principalmente de folhas novas, reduzindo a capacidade fotossintética e o desenvolvimento das plantas, e o ácaro-rajado, Tetranychus urticae (Acari:Tetranychidae), cujos sintomas do ataque são observados pela torção nas folhas novas e pontuações cloróticas nas folhas desenvolvidas, que posteriormente caem.

O tratamento de sementes antes do plantio é uma tática de controle que apresenta boa resposta contra o ataque de lagarta-rosca e vaquinha na cultura da melancia.

Tabela1. Lista de inseticidas e acaricidas registrados pelo MAPA para pragas da melancia.
Praga alvo
Grupos químico /
Princípio ativo
Dose
Carência
(dias)
Mosca-branca
Neonicotinoide / Imidacloprido
200-300g/ha
40
Neonicotinoide / Tiametoxan
60-120g/ha
14
Neonicotinoide / Triacloprido
200ml/ha
21
Neonicotinoide / Acetamiprido
250-300g/ha
3
Éter piridiloxipropílico / Piriproxifem
75-100ml/100 L água
3
Feniltioureia / Diafentiurom
800g/ha
7
Mosca-minadora
Biológico / Bacillus thurigiensis
100g/100 L água
1
Avermectina / Abamectina
50 -100ml/100 L água
7
Triazinamina / Ciromazina
120g/ha
7
Espinosinas / Espinosade
150-200ml/ha
1
Piretróide / Deltametrina
30ml/100 L água
2
Bis (tiocarbamato) /
Cloridrato de cartap
1-1,5kg/ha
3
Organofosforado / Triclorfom
300ml/100 L água
7
Organofosforado / Malationa
200-400ml/100 L água
3
Organofosforado / Fentiona
100ml/100 L água
21
Broca-das-cucurbitáceas
Biológico / Bacillus thurigiensis
100g/100 L água
1
Tripes
Metil carbanato de fenila / Cloridrato de formetanato
125g/100 L água
7
Neonicotinoide / Imidacloprido
200-300g/ha
40
Pulgão
Neonicotinoide / Acetamiprido
250-300g/ha
3
Neonicotinoide / Imidacloprido
200-300g/ha
40
Neonicotinoide / Tiametoxan
60-120g/ha
14
Bis (tiocarbamato) /
Cloridrato de cartap
1-1,5kg/ha
3
Piretróide e organofosforado / Cipermetrina e profenofós
100ml/100 L água
4
Organofosforado / Fentiona
100ml/100 L água
21
Organofosforado / Malationa
200-400ml/100 L água
3
Feniltioureia / Diafentiurom
800g/ha
7
Vaquinhas
Organofosforado / Malationa
200-400ml/100 L água
3
Organofosforado / Fentiona
100ml/100 L água
21
Ácaro
Avermectina / Abamectina
50 -100ml/100 L água
7
Feniltioureia / Diafentiurom
800g/ha
7





sábado, 21 de dezembro de 2019

Controle de Plantas Daninhas na Melancia



As plantas daninhas interferem negativamente na cultura da melancia, pois reduzem severamente a produtividade e a qualidade dos frutos. A competição é o principal efeito direto da presença das plantas invasoras em áreas de cultivo de melancia, uma vez que as invasoras competem com a cultura por água, nutrientes, luz e espaço. As plantas daninhas podem apresentar efeito alelopático, ou seja, podem liberar no ambiente substâncias que inibem a germinação ou o desenvolvimento das plantas de melancia. Além da competição e alelopatia, as plantas invasoras causam prejuízos indiretos, pois hospedam pragas e doenças que atacam a cultura.

Recomenda-se manter a área de cultivo livre das plantas daninhas desde o início do desenvolvimento da cultura até o fechamento das ramas. O manejo preventivo constitui-se na principal forma de se evitar que plantas daninhas infestem as áreas com plantio de melancia. As sementes e propágulos de invasoras podem ficar aderidos a equipamentos, veículos e roupas e assim se deslocarem de uma área infestada para outra não infestada, por isso, faz-se necessário uma prévia limpeza antes da entrada na área.

Outro manejo que pode ser adotado é o cultural, dando condições à cultura de vencer a competição com as plantas daninhas. Assim, devem-se adotar técnicas recomendadas para o plantio e condução da cultura, principalmente a adoção de espaçamento, densidade de plantio, adubação e irrigação adequados e controle eficiente de pragas e doenças.

Por se tratar de uma cultura muito sensível, cuidados devem ser tomados durante a capina para não danificar o sistema radicular e os ramos. O controle de plantas invasoras entre as linhas de cultivo pode ser feito utilizando-se tratores ou tração animal. Entre as plantas, este controle deve ser manual, com o uso de enxada. Estas formas de controle são favorecidas pelo amplo espaçamento entre fileiras. O controle manual de plantas daninhas no cultivo da melancia é recomendado até, aproximadamente, 50 dias após a germinação. Após este período crítico de interferência, a cultura já formada tem maior capacidade de competição e o desenvolvimento dos ramos impede o estabelecimento das plantas daninhas.

A utilização do controle químico não é recomenda, posto que não há herbicidas registrados para a cultura. Porém, em áreas altamente infestadas por plantas daninhas pode-se integrar o controle manual com a aplicação de herbicidas seletivos em pré ou pós-emergência, para tanto o agricultor deve procurar técnico especializado para fazer a recomendação, pois a seleção do herbicida é feita de acordo com as plantas daninhas presentes na área e o seu nível de infestação.

A cobertura morta com palha de arroz, bagaço de coco ou palha seca é uma alternativa no manejo de plantas daninhas.


domingo, 24 de novembro de 2019

Tratos Culturais na Cultura da Melancia



Para um bom desenvolvimento das plantas, é necessária a execução de diversas práticas culturais, independentemente de qual seja o cultivo, convencional de melancia com polinização aberta, de melancia sem sementes, ou o cultivo de melancia orgânica. Deve ser observada a época adequada de cada trato cultural do plantio até a colheita, principalmente do desbaste de plantas, controle de plantas invasoras, adubações, condução das ramas ou penteamento, desbaste de frutos, polinização, proteção dos frutos e rotação de cultura. Todas as operações devem ser executadas cuidadosamente, sendo necessária uma visita diária ao campo para o efetivo controle das necessidades do cultivo.

Tratos culturais comuns a todos os sistemas de cultivo de melancia

Desbaste de plantas

O desbaste é feito no sistema de plantio com sementes, quando as plantas apresentarem três a quatro folhas definitivas - entre 10 e 15 dias após o plantio -, de acordo com desenvolvimento das mesmas. É realizado eliminando-se as plantas mais raquíticas e mantendo-se o número de plantas por cova pré-estabelecido, de acordo com o espaçamento e a finalidade da produção de frutos. A eliminação das plantas excedentes deve ser feita, preferencialmente, por meio de corte com facas, tesouras ou canivetes. Caso se deseje fazer arranque manual, é preferível fazê-lo logo após a irrigação, para não danificar as demais plantas, ou após uma chuva, se o cultivo for de sequeiro.

Controle de plantas invasoras

O controle de plantas invasoras entre as linhas de cultivo pode ser feito utilizando-se tratores ou tração animal. Entre as plantas, este controle deve ser manual, com o uso de enxada, tantas vezes quanto for necessário para manter a cultura sem a competição das mesmas.

Adubação de cobertura

No plantio convencional, a adubação de cobertura deve ser feita aos 25 e aos 45 dias após a semeadura, utilizando-se nitrogênio (N) e potássio (K), conforme recomendação do laboratório, quando da análise de solo.

Quando se adota o sistema de fertirrigação, a aplicação do N deve ser iniciada após a germinação das plântulas, até 45 dias, e o K até 55 dias após a germinação.

Condução das ramas ou penteamento

Essa prática consiste no afastamento das ramas para fora dos sulcos de irrigação e das faixas do terreno reservados ao trânsito. Esta operação deve ser feita até três vezes antes da frutificação. Além de facilitar as capinas, as pulverizações e a colheita, evita o apodrecimento dos frutos causado pelo contato com água ou por danos mecânicos. O penteamento, após a frutificação, deve ser evitado, pois pode causar o seu desprendimento. É importante planejar o plantio de maneira que a direção dos ventos facilite o posicionamento das ramas de melancia, evitando-se, assim, o desgaste das plantas por sucessivas operações de penteamento ou movimentação pelos ventos.

Polinização

As flores masculinas e femininas de melancia localizam-se separadamente na mesma planta. Cada flor permanece aberta por apenas 1 dia. A abertura ocorre 1 a 2 horas após o aparecimento do sol, e o fechamento, à tarde.

As abelhas são os principais agentes polinizadores em melancia, que é uma espécie alógama. A polinização das flores no dia da antese normalmente ocorre pela manhã (Figura 1). A presença de abelhas durante a fase de florescimento é fundamental para aumentar a frutificação e a produtividade, melhorando a qualidade dos mesmos e reduzindo o número de frutos defeituosos. Recomenda-se evitar pulverizações com inseticidas durante a fase de florescimento, principalmente pela manhã, e instalar de duas a três colmeias/ha próximas à cultura, quando houver escassez de abelhas no local. A polinização é mais efetiva quando as colmeias forem distribuídas em toda a área, contudo, a distribuição destas pelo perímetro é uma alternativa aceitável, podendo ser levadas ao campo quando as plantas começarem a florescer.

Foto: Rita de Cássia Souza Dias.
Figura 1. Visita de abelha às flores de melancia em busca de néctar, quando ocorre o
processo de polinização e frutificação.
Desbaste de frutos

Devem ser eliminados todos os frutos defeituosos e com podridão estilar —fundo preto —, pois, além de as plantas direcionarem energia para frutos que não serão comercializados, a presença dos mesmos inibirá o pegamento de outros frutos de qualidade na planta.

Proteção da parte inferior e posicionamento na vertical dos frutos

Recomenda-se evitar o contato direto dos frutos com o solo, principalmente em épocas chuvosas. Os frutos devem ser calçados com palha de arroz, capim seco ou similar evitando-se o apodrecimento de frutos e a mancha de encosto, o que melhora a cotação do produto no mercado. Outra prática utilizada para melhorar o formato e a qualidade do fruto é colocá-lo na posição vertical — a região apical do fruto voltada para o solo — (Figura 2), quando estiver com aproximadamente 20 dias após a polinização das flores. Com esta prática, a mancha de encosto ficará mais discreta, dando uma melhor aparência ao fruto.

Foto: Rita de Cássia Souza Dias.
Figura 2. Posicionamento na vertical de fruto de melancia ´ BRS Opara´ (a região apical do
fruto voltada para o solo), a partir dos 20 dias após a polinização.

Rotação de cultura

Depois da colheita, deve-se plantar outra cultura de espécie e família diferentes da melancia, não sendo indicados plantios de melão, abóbora, maxixe ou pepino na mesma área. Podem ser plantados feijão, cebola, milho, tomate, etc. O plantio sucessivo de plantas da mesma família na mesma área favorece o ataque de pragas e doenças e, consequentemente, diminui a produção e a qualidade dos frutos.

Praticas culturais peculiares ao cultivo orgânico

A sustentabilidade dos ecossistemas pode ser promovida por práticas como rotação de culturas e aumento da biodiversidade, consideradas essenciais para se evitar a degradação do solo nas regiões tropicais e subtropicais. O cultivo de espécies para formação de cobertura morta - coquetel -, a aplicação de compostos orgânicos em sulco de plantio e a aplicação via fertirrigação e foliar de biofertilizantes, permitirão que a cultura da melancia tenha chances de um bom equilíbrio nutricional e atenda às exigências do cultivo orgânico. Os ajustes de doses e épocas de aplicação dos diferentes produtos poderão ser efetuados de acordo com cada local e tipo de solo ou sistema de cultivo utilizado, e com a análise dos materiais orgânicos disponíveis, como estercos, folhagens, etc.

Muitas alternativas são apresentadas para o cultivo sustentável da melancia. Porém, deve partir do agricultor o desejo de produzir alimentos com um mínimo de impacto ao meio ambiente e um máximo de cuidado com a saúde das pessoas. Sem este objetivo, as atividades diárias do campo ou qualquer prática agrícola orgânica ou agroecológica tornar-se-ão trabalhosas, complicadas e onerosas, pois as adaptações constantes das técnicas e práticas aqui apresentadas são fundamentais para o sucesso do cultivo. A seguir, são detalhadas algumas práticas permitidas pela agricultura orgânica.

Coquetéis vegetais

O coquetel vegetal é a mistura de diferentes espécies, normalmente leguminosas e gramíneas, cultivadas antes da espécie a ser plantada ou entre as linhas da cultura principal (Figura 3). Sua utilização tem importância por melhorar a diversidade de espécies na área reduzindo as pressões dos patógenos oportunistas que se encontram no local. Além disso, o uso do coquetel vegetal, principalmente com leguminosas, permite a fixação de nitrogênio no solo e transporte de elementos químicos de camadas inferiores para camadas superiores, pela ação dos diferentes sistemas radiculares presentes, melhorando química, física e biologicamente o solo da área onde é instalado.

Foto: Alineaurea Florentino Silva.

Figura 3. Coquetel de vegetais, leguminosas e gramíneas (ao fundo) cultivado em um Argissolo Acinzentado no Perímetro de irrigação Senador Nilo Coelho. Petrolina, PE. 2005.

Podem ser utilizadas várias espécies no coquetel vegetal. Porém, a escolha das mesmas depende da disponibilidade de sementes no local e do interesse do produtor. Espécies leguminosas como feijão caupi (Vigna unguiculata), feijão guandu (Cajanus cajan L.), crotalária juncea (Crotalaria juncea L.), crotalária spectabilis (Crotalaria spectabilis L.) lab-lab (Dolichos lablab L.), cunhã (Clitoria ternatea L.), dentre outras, possuem rápida decomposição e liberam nutrientes, principalmente nitrogênio mais rapidamente para o solo.

A proporção entre as diferentes espécies a serem incluídas no coquetel vai depender do objetivo do produtor: caso o solo esteja precisando de um aporte maior de nutrientes, é recomendada a utilização das leguminosas; caso o interesse seja em formação de cobertura morta, recomenda-se maior proporção de gramíneas, de preferência cortadas e depositadas sobre o solo.

Para se obter uma boa eficiência no uso do coquetel é preciso saber, previamente, a época agendada para o plantio da melancia, evitando-se assim os efeitos deletérios advindos da fermentação que ocorre na superfície ou no interior do solo.

Se o produtor optar por incorporar o coquetel visando à fertilização adicional do solo - leguminosas -, é importante fazê-lo com um mínimo de antecedência de 50 dias da data prevista para o plantio da melancia. Caso seja para formar uma densa camada de cobertura morta - gramíneas -, o corte das plantas poderá ser feito próximo ao plantio da melancia, tomando-se o cuidado de fornecer nitrogênio suficiente nas covas, na forma de compostos orgânicos, torta de mamona, biofertilizantes, etc., evitando-se uma competição com as bactérias decompositoras, que atuarão sobre a palhada.

Cobertura morta

Espécies de gramíneas possuem baixa velocidade de decomposição da parte aérea e, apesar de suas raízes ocuparem o espaço mais superficial do solo, a parte aérea se mantém por mais tempo sobre o mesmo, formando cobertura morta - mulch -, muito recomendado em regiões quentes e secas como no Semiárido nordestino. Também contribuirá no controle de ervas daninhas e evitará a formação da mancha de encosto dos frutos (Figura 4).

Foto: Rita de Cássia Souza Dias.
Figura 4. Cultivo de melancia - BRS Soleil - com cobertura morta à base de palha de arroz.


Aspectos relacionados ao uso das leguminosas

Além de excelentes Fotos de nutrientes, as leguminosas possuem mecanismos que podem favorecer o equilíbrio biológico do solo com a liberação de substâncias protetoras e inibidoras de crescimento. Um aspecto importante sobre o uso destas plantas é a repressão de agentes fitopatogênicos encontrados no solo. Algumas leguminosas, como a crotalária, apresentaram supressão na população de nematoides quando plantadas em áreas infestadas pelo patógeno. Este fato aumenta a importância do uso das leguminosas, não somente como adubação verde ou cobertura morta, mas, também, como agente promotor de equilíbrio nos ecossistemas.

Compostos orgânicos

O coquetel vegetal, aplicado sobre o solo ou incorporado, dificilmente irá suprir totalmente a demanda por nutrientes de qualquer espécie, mesmo os exigidos na cultura da melancia. Além de liberação lenta de nutrientes, a quantidade de elementos liberados não é suficiente para suprir a necessidade da maioria das culturas, principalmente quando se tratar de solos de baixa fertilidade.

Para a produção de melancia orgânica, um dos insumos mais importantes é o composto orgânico, resultante da decomposição microbiana de diferentes resíduos de plantas e animais. Para se ter um bom composto é necessário reunir resíduos com alta e baixa relação C:N de maneira que a pilha inicial tenha esta relação em torno de 30:1, favorecendo a multiplicação microbiana e, consequentemente, um processo adequado de compostagem. A relação C:N da pilha pronta pode ser calculada com o conhecimento prévio da constituição química dos materiais que serão empregados no preparo da mesma, como pode-se observar na Tabela 1 e utilizando-se a fórmula:



O preparo do composto orgânico pode ser feito na propriedade com restos de culturas existentes, favorecendo a reciclagem de elementos que poderiam ser perdidos ou descartados.

Tabela 1. Composição de diferentes resíduos que podem ser utilizados no preparo de compostos orgânicos.
Matéria orgânica (%)
N (%)
C/N (%)
P2O5 (%)
K2O
90,51
0,79
64/1
0,27
-
96,00
1,40
40/1
0,33
0,76
86,99
1,17
41/1
0,51
-
91,42
1,95
26/1
0,40
1,81
88,54
2,55
19/1
0,50
2,41
95,90
1,81
29/1
0,59
1,14
94,68
1,63
32/1
0,29
1,94
96,75
0,48
112/1
0,38
1,64
90,68
2,24
22/1
0,58
2,97
93,45
0,06
865/1
0,01
0,01

O uso do composto orgânico é de fundamental importância na região semiárida, principalmente para solos de textura arenosa e com baixos teores de matéria orgânica (MO). Apresenta as seguintes vantagens:

a) Aumenta o teor de MO em solos normalmente arenosos e/ou pobres como a maioria do Semiárido.

b) Reduz a temperatura do solo, mesmo que seja irrigado ou quando se apresenta descoberto.

c) Favorece a estrutura física e o ambiente do solo.

d) Permite liberação lenta de nutrientes ao longo do ciclo da cultura.

e) Possui baixa quantidade de sementes viáveis de ervas espontâneas — plantas invasoras.

O composto orgânico pode ser usado nas covas ou sulcos de plantio da melancia, na proporção de 0,5 L a 1,5 L por cova ou por metro linear, dependendo do nível de matéria orgânica que o solo apresente.

Em solos com baixa disponibilidade de cálcio, recomenda-se de maneira alternativa, e quando disponível, aplicação de 3.000 kg.ha-1 de cinza de caieira - 42,8% de CaO e 5,1% de MgO - ao solo, juntamente com o composto orgânico, visando à redução da podridão apical ou podridão estilar, também conhecida como fundo preto. O calcário também é um insumo permitido na agricultura orgânica e pode ser utilizado para sanar este problema. Este distúrbio fisiológico é causado por deficiência de cálcio na planta que se acentua em condições de altas temperaturas da atmosfera, baixos teores de cálcio e baixa umidade no solo, principalmente quando se utilizam cultivares de formato cilíndrico a comprido como, por exemplo, cv. Charleston Gray e cv. Fairfax.

Biofertilizantes

A melancia é uma cultura de ciclo curto e, portanto, exige uma boa disponibilidade de nutrientes para seu crescimento e produção satisfatória. Os materiais orgânicos adicionados pelos coquetéis vegetais e compostos orgânicos apresentam liberação lenta de nutrientes para as plantas, apesar das vantagens enumeradas anteriormente. Ao analisar quimicamente o solo a ser utilizado no cultivo da melancia, se forem constatados baixos teores dos nutrientes essenciais - nitrogênio, fósforo e potássio -, será necessário o aporte destes elementos em formas mais prontamente disponíveis à planta. Uma das formas de fertilização possível e permitida em agricultura orgânica é o biofertilizante líquido.

Biofertilizantes líquidos são produtos naturais obtidos da fermentação de materiais orgânicos com água, na presença ou ausência de ar. Possuem uma composição altamente complexa e variável, dependendo do material empregado, contendo quase todos os micro e macro elementos necessários à nutrição vegetal. Quanto mais rica em nutrientes for a matéria-prima para o preparo do biofertilizante, maior será o teor dos elementos químicos presentes na composição final.

Existem vários tipos de biofertilizantes que podem ser utilizados e muitos são formulados, diariamente, nas propriedades de acordo com as opções de materiais existentes e com a criatividade do produtor. No caso do cultivo da melancia, aconselha-se adicionar alguns micronutrientes, principalmente em solos onde tenham sido utilizados fertilizantes orgânicos nos últimos cultivos. Como sugestão geral, adicionar aos biofertilizantes sulfato de zinco, sulfato de cobre e molibdato de amônio.

Um dos biofertilizantes que apresentam grande facilidade de preparo e resultados satisfatórios em uso é o Vairo. A Tabela 2 mostra a composição de alguns biofertilizantes utilizados em plantios experimentais de melão na Embrapa Semiárido.

Tabela 2. Composição química de alguns dos biofertilizantes elaborados na Embrapa Semiárido.
N total
P
K
Ca
Mg
B
Cu
Fe
Mn
Zn
Na
pH
CE
----------- g/L------------
-------------- mg/L ------------
H2O–1:2,5
dS/m
Agrobom
7,61
0,06
7,6
0,24
0,10
7,5
0,16
0,6
0,02
0,15
215
7,9
24,3
Vairo
9,64
0,05
7,1
0,33
0,21
18
0,06
4,5
0,10
0,33
135
7,6
24,5
Fonte: Silva et al. (2007).

Em melancia, a aplicação de aproximadamente 5.300 L/ha de Vairo durante o ciclo, em cobertura, iniciando a partir dos 15 dias após o plantio, corresponderá aproximadamente, o aporte de 50 kg/ha de nitrogênio. Portanto, pode-se realizar quatro aplicações, fracionando-se a quantidade acima citada e diluindo em água, em intervalos de 10 dias, sendo a última aplicação, aos 45 dias após o plantio.

Os biofertilizantes também podem ser aplicados sobre a folha - adubo foliar -, pois a absorção pelos tecidos foliares se efetua com muita rapidez, de modo que é muito útil para as culturas de ciclo curto ou no tratamento rápido de deficiências nutricionais das plantas. É importante alertar que esta forma de aplicação é indicada apenas quando se pretende suprir deficiências de microelementos que normalmente são exigidos em pequenas quantidades pelas plantas. Na aplicação via foliar, o biofertilizante também atua como um protetor natural das plantas cultivadas contra doenças e pragas. Neste caso, para melancia, as aplicações poderão ser semanais, utilizando-se uma calda com biofertilizante a 5%.

O ideal para o aporte nutricional de macroelementos - N, P, K - é que se efetue a aplicação via solo, pois a quantidade de nutrientes adicionada pelo biofertilizante será maior, permitindo a absorção da quantidade necessária para o equilíbrio nutricional das plantas. As aplicações deverão ter uma frequência semanal, porém em uma maior concentração do produto, de preferência com adição de suplementos permitidos como sulfato de potássio e de zinco ou cobre, de acordo com a análise do solo apresentada.

Neem

O neem (Azadiractha indica Just.) é uma planta de origem asiática que tem revelado boa adaptação ao Semiárido. Sua propagação pode ser realizada através de sementes ou estacas e as mudas crescem rapidamente em áreas irrigadas, bem como nas dependentes de chuva. Além de um excelente quebra-vento, também pode ser usado no controle de insetos.

Diversos relatos mostram eficiência do neem no controle de diferentes insetos, como a mosca-branca, uma praga de efeitos deletérios às cucurbitáceas. O extrato aquoso de suas sementes tem efeito sobre esta praga atuando nas vias translaminar, sistêmica e de contato, nas dosagens 1%, 0,5% e 0,3% respectivamente, bem como sobre os ovos, independente da idade dos mesmos.

Deve-se utilizar o óleo de neem, na formulação comercial ou preparar o extrato das folhas ou das sementes. Para o preparo caseiro, pode-se utilizar 2 kg de sementes ou folhas trituradas em 15 L de água. Deixar em repouso por 48 horas e aplicar, diluindo-se 200 mL do extrato em 20 L de água. Esta aplicação deve ser repetida semanalmente, até que se observe a redução do nível de dano da praga a ser controlada.

Leite

O leite cru é uma Foto de nutrientes para crescimento microbiano e muitas vezes é utilizado como ativador de processos biológicos no solo e em materiais orgânicos em decomposição como caldas biofertilizantes e compostos orgânicos. Atualmente, esta característica do leite ainda é pouco explorada. Porém, sob ponto de vista de controle biológico, o leite tem apresentado resultados relevantes em diversas culturas.

As cucurbitáceas como melancia, abóbora, jerimum, melão e abobrinha normalmente são culturas bastante atrativas para fungos, como o oídio. O leite surge como uma alternativa para o controle desta doença e tem mostrado eficiência em cultivos de abobrinha e abóbora. Deste modo, acredita-se na eficiência do leite no controle desta doença fúngica em melancia, quando aplicado semanalmente na concentração de 20%.

Manipueira

A manipueira é o líquido extraído do processo de trituração e prensagem das raízes da mandioca (Manihot esculenta Cranz) para a fabricação de farinha. Além da presença de amido, glicose, linamarina e derivados cianogênicos, a manipueira possui em sua composição vários elementos químicos cuja concentração pode variar bastante: nitrogênio de 11,60 mg. L-3 a 1421,0 mg. L-3; fósforo, de 7,18 mg. L-3 a 293 mg. L-3; potássio, de 90,12 mg. L-3 a 2650 mg. L-3 e cálcio de 18,08 mg. L-3 a 220 mg. L-3.

Pode ser utilizada como fertilizante orgânico e na supressão de algumas pragas e doenças. Em pepino, o uso da manipueira, antes do plantio, nos canteiros contaminados com Meloidogyne spp. e Helicotylenclus permitiu aumento no faturamento em torno de 30%, associando-se à diminuição no uso de defensivos agrícolas com consequente aumento da produção. Além do uso como nematicida, a manipueira pura ou diluída proporção de 1:1 também se mostrou eficiente no controle de formigas cortadeiras do gênero Atta spp. e Acromyrmex spp.

Praticas culturais inerentes ao cultivo de melancia sem sementes

O cultivo de híbridos triploides não difere muito em relação às práticas culturais realizadas no cultivos convencionais. No entanto, alguns cuidados especiais são necessários, a exemplo da produção de mudas e no uso de linhas polinizadoras.


Uso de linha polinizadora

Alguns dos hormônios que estimulam o desenvolvimento do ovário e, consequentemente, a formação dos frutos, estão presentes nos grãos de pólen. No entanto, em triploides, o pólen é inviável e não se presta a essa função, sendo necessário que se faça a utilização de plantas diploides como fonte de pólen para as flores triploides femininas.

A polinização cruzada é facilmente conseguida alternando-se uma rua da cultivar polinizadora com três ruas de híbridos triploides (Figura 5a), ou colocando-se na mesma fila três plantas triploides para duas polinizadoras (Figura 5 b). É fundamental que a cultivar polinizadora tenha frutos comerciais de padrão distinto dos frutos do híbrido sem sementes para não haver equívocos no momento da colheita.

As plantas da cultivar polinizadora devem produzir flores masculinas durante todo o período em que a melancia sem sementes estiver produzindo flores femininas. Podem-se utilizar dois polinizadores, um precoce, por exemplo, a cv.Sugar Baby e outro mais tardio, cv. Crimson Sweet, a fim de assegurar uma adequada quantidade de pólen por um maior período de tempo. Outra possibilidade, é a eliminação dos primeiros frutos das linhas polinizadoras, que induzirá as plantas a imitirem mais flores.

Fonte: Embrapa Semiárido

Figura 5. Esquemas (A e B) do plantio de híbrido de melancia triploide (T) (sem sementes), com utilização de linha polinizadora (P).