terça-feira, 14 de maio de 2019

Aspectos socioeconômicos da Cultura da Melancia



O Sistema de produção de melancia é uma publicação que resultou de parcerias da Embrapa com outras instituições. Traz muitas informações sobre esta importante oleácea, que tem boa parte de sua produção direcionada ao mercado externo.
Nesta publicação, são abordados aspectos como: produção de mudas, plantio, normas técnicas para o controle de pragas, manejo de plantas daninhas, coeficientes técnicos, custos, rentabilidade, mercado e comercialização e muitos outros.
Os resultados apresentados derivam de estudos de pesquisadores de diversas áreas como: melhoramento vegetal, irrigação, fisiologia pós-colheita, entomologia, socioeconomia, olericultura, produção de biomassa e outras. Portanto, trata-se de um trabalho multidisciplinar cujo principal objetivo é oferecer importantes informações nos diversos segmentos da cadeia produtiva da melancia, por isso, esperamos que seja bem aceito pelo público não só pelos esforços empreendidos para a sua consolidação, mas por entendermos que se trata de um instrumento que pode contribuir sobremaneira para uma produção respaldada na sustentabilidade, refletindo uma preocupação atual da sociedade e o compromisso com uma atividade agrícola de longo prazo.
A melancia Citrullus lanatus (Thunb.) Matsum & Nakai] pertence à família Cucurbitaceae, é cultivada em todo o mundo, sendo considerada cosmopolita. Tem uma expressiva importância no agronegócio brasileiro, sendo cultivada sob irrigação e em condições de sequeiro. Diferentemente do cultivo irrigado, que pode ocorrer durante o ano todo e se utiliza cultivares comercias, a produção em regime de sequeiro, aonde se utiliza os tipos locais apenas uma vez por ano, durante o período chuvoso, apresentam grande variabilidade quanto às características de aparência externa, cor da polpa, teor de açúcar, conservação pós-colheita, entre outras. 
O valor bruto da produção de melancia no Brasil, em 2006, foi em torno de R$ 533 milhões, considerando uma safra de 1.946.912 toneladas, em aproximadamente 93.000 hectares cultivados, bem como se subtraindo em 30% com perdas que ocorrem por diversas causas em produtos hortifrutícolas, e um preço médio nacional de R$ 0,27 por quilograma; sendo R$ 15,67 milhões obtidos com as exportações.
A atividade produtiva de melancia no Brasil apresenta um perfil predominante pela produção familiar por sua rusticidade, pelo menor investimento de capital e retorno em torno de 85 dias em relação às outras oleráceas.

Taxonomia, características botânicas e morfológicas

A cultura da melancia era conhecida dos egípcios há cerca de 2.000 anos a.C., e por causa da diversidade de formas silvestres, atualmente, é mais aceito que o gênero Citrullus tenha origem na África. Foi introduzida no continente americano pelos escravos e colonizadores europeus no século 16. A espécie se difundiu pelo mundo inteiro e é cultivada nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. A variabilidade genética trazida do continente africano aliado ao processo de manejo da cultura na agricultura tradicional da região, tornou o Nordeste brasileiro um centro secundário de diversificação da melancia. 
O gênero Citrullus é classificado como parte da divisão Magnoliophyta, da classe Magnoliopsida, da subclasse Dilleniidae, da ordem Violales e da família Cucurbitaceae. No gênero Citrullus estão incluídas quatro espécies: Citrullus lanatus, C. colocynthis, C. ecirrhosus e C. rehmii.
A espécie Citrullus lanatus (Thunb.) Matsum e Nakai, inclui a melancia cultivada para consumo humano Citrullus lanatus, de ampla distribuição mundial, e Citrullus lanatus var. citroides, uma forma silvestre encontrada no sul da África e cultivada em outras partes do mundo, principalmente para a alimentação animal.

Aspectos morfológicos

A melancia é uma planta anual, herbácea, de hábito de crescimento rasteiro, com ramificações sarmentosas e pubescentes (Figura 1). O caule é constituído de ramos primários e secundários, que podem assumir disposição radial — ramos de tamanho similar, partindo da base da planta — ou axial — um ramo mais longo com derivações opostas e alternadas a cada nó. Os ramos primários são vigorosos e longos, podendo superar a 10 m nas raças crioulas. No entanto, em variedades comerciais, geralmente, o comprimento do ramo principal é menor que 4 m. As folhas têm disposição alternada e, geralmente, apresentam limbo com contorno triangular, recortado em três ou quatro pares de lóbulos, de 15-20 cm de comprimento e de margens arredondadas. Possuem gavinhas — folhas modificadas — que auxiliam na fixação da planta ao solo. A partir de cada nó se origina uma folha e uma gavinha, sendo que a partir do terceiro, cada nó também dá origem a flores. O sistema radicular é pivotante e mais desenvolvido no sentido horizontal, concentrando-se até 30 cm abaixo da superfície do solo. Sob condições de umidade excessiva do solo ou morte de parte do sistema radicular, os nós também podem originar raízes adventícias.

Foto: Rita de C. S. Dias.
Figura 1.Ramificações sarmentosas e pubescentes em uma variedade crioula de melancia.
Quanto à biologia reprodutiva, a melancia é monoica — flores masculinas e femininas separadas —, mas também ocorrem plantas andromonoicas (flores masculinas e hermafroditas) ou ginandromonoicas — flores masculinas, femininas e hermafroditas (Figura 2). No ápice da floração, normalmente, na segunda semana após o início da abertura das flores, há cerca de três a cinco flores masculinas para cada flor feminina. Estas e as hermafroditas possuem ovário súpero em formato similar a forma final do fruto.

Foto: Rita de C. S. Dias.
Figura 2. Flores de melancia masculinas (A), feminina (B) e hermafrodita (C). Aspectos gerais de folhas e flores de melancia: disposição alternada e limbo com contorno triangular, recortado em três ou quatro pares de lóbulos, com margens arredondadas: a) flores masculinas; b) femininas; c) hermafroditas.

  Durante a floração, as flores abrem entre 1 e 2 horas após o aparecimento do sol e se fecham no mesmo dia à tarde, para não mais abrirem, tendo ou não ocorrido a polinização. O pólen da melancia é pegajoso e as abelhas são os principais polinizadores. Elas são atraídas pelo néctar e pólen, e, ao visitarem as flores realizam polinização. O vento não é suficiente para transportar o pólen entre as flores. Sem o estímulo propiciado pela polinização, o fruto não se desenvolve. É necessário que pelo menos 1.000 grãos de pólen sejam depositados sobre o estigma para que se desenvolva um fruto perfeito. 
O fruto é uma baga indeiscente que varia quanto ao formato, ao tamanho, cor, espessura da casca, cor da polpa, cor e tamanho de sementes. As variedades de melancia cultivadas possuem frutos de diversos tamanhos — 1 kg a mais de 30 kg —, formas — circular, elíptica - larga e alongada —, cores da superfície externa — verde cana, verde-claro, verde-escuro, amarelo, com ou sem listras — e interna —vermelho, rosa, amarelo e branco — e inúmeros sabores.
A polpa é formada de tecido placental, que é a principal parte comestível do fruto. Este tecido tem a coloração vermelha por causa da presença de licopeno ou amarelada em consequência da presença de carotenos e xantofilas. Frutos de materiais silvestres possuem amargor acentuado da polpa — “flesh bitterness” — que é atribuído à presença de cucurbitacina, um triterpenoide tetracíclico oxigenado, que é raro nas atuais variedades cultivadas. A polpa da melancia quanto à textura é classificada em macia ou firme — ou crocante. As cultivares de polpa macia são muito apreciadas no mercado nacional. Entretanto, para o mercado de exportação, a preferência é por cultivares de polpa firme — muito observado nas cultivares triploides ou sem sementes.
As sementes são variadas na cor do tegumento — branca, creme, verde, vermelha, marrom-avermelhada, marrom e preta —, com presença ou ausência de manchas — cor secundária do tegumento —, tamanho variando de muito pequeno a muito grande. As cultivares Charleston Gray e Fairfax apresentam sementes que medem cerca de 1,3 cm de comprimento, enquanto que cv. Kodama apresenta sementes com cerca de 0,4 cm. A melancia, de forma geral, apresenta cerca de 200 a 800 sementes por fruto, que ficam embebidas na polpa. As cultivares triploides não apresentam sementes perfeitas ou apresentam um número reduzido, variando de 1 a 10, mas apenas rudimentos de sementes — “sementes brancas” —, que são comestíveis.

Composição nutricional e usos

Apesar de o uso predominante da melancia é o consumo do fruto in natura, na China e em outras regiões do Meio Oriente também se cultiva para consumir as sementes. A melancia, além de conter quantidades abundantes de antioxidante licopeno, é uma Foto excelente do aminoácido citrulina que estão facilmente disponíveis. O corpo humano usa a citrulina para produzir outro aminoácido importante, arginina, que tem um papel importante na divisão das células, para cicatrizar ferimentos e na eliminação de amônia do corpo.

A melancia é Foto de pró-vitamina A e das vitaminas C e do complexo B, além de sais minerais como cálcio, fósforo e ferro. Por ser muito hidratante — 90% de seu volume é água — e diurética, elimina resíduos do aparelho digestivo e funciona como laxante. Nas melancias de polpa vermelha, assumem importância o potássio, o magnésio, o fósforo e o cálcio, estando os demais elementos como sódio, manganês, zinco, cobre e ferro presentes em menor quantidade. Vale ressaltar que, por ter baixo valor calórico, a melancia pode ser especialmente recomendada para dietas de baixo valor energético.

As cucurbitáceas, principalmente a melancia, desempenham um importante papel na alimentação humana, especialmente nas regiões tropicais, onde o consumo é elevado. Ela é consumida quase exclusivamente in natura, mas, também, na forma de sucos, geleias, doces, molhos e em saladas. Em alguns países, se preparam picles com a casca dos frutos e, na China e em diversas regiões da Ásia e no Oriente Médio, se consomem também as sementes. As sementes das cucurbitáceas são consumidas em diversos países — C. pepo, no México e melancia, na China — e são ricas em gordura, proteína, tiamina, niacina, cálcio, fósforo, ferro e magnésio. Na Índia, faz-se pão de farinha de semente de melancia. Nas regiões áridas da África, são utilizadas como Foto de água desde tempos imemoriais. Na Rússia Meridional, uma cerveja tem suco de melancia como ingrediente. Outro uso é fazer doce com a parte branca, preparado da mesma forma que o doce de mamão verde.

Como uso medicinal, o consumo habitual ou periódico da melancia é muito importante para a saúde, em vários aspectos:

Seu suco, feito da polpa, ajuda a eliminar o ácido úrico, substância química que se acumula no organismo e que causa a gota, mais conhecida como reumatismo gotoso, responsável pela formação de cálculos renais — calcificação em forma de pedras nos rins. Atua, também, na limpeza do estômago e dos intestinos; é benéfico no controle da pressão alta. O uso do chá das sementes da melancia, secas e trituradas, também auxilia no tratamento da pressão alta.
É eficaz nos tratamentos de acidez estomacal, mais conhecida como queima ou azia; da inflamação das vias urinárias; dos gases e dores intestinais e da bronquite crônica.
É recomendada no tratamento da erisipela — inflamação aguda da pele —, quando o suco da casca e da polpa da melancia for aplicado sobre a parte afetada, em forma de cataplasma.
A melancia possui atividade antioxidante e anticancerígena — protege contra câncer de útero, próstata, seio, cólon, reto e pulmão.
A melancia, além de saciar a sede e hidratar, é pobre em calorias e pode auxiliar no emagrecimento. Segundo os naturopatas, deve ser consumida isoladamente. As suas fibras agem na regulação do trânsito intestinal, além de auxiliar o organismo a eliminar toxinas — desintoxicante —, colaborando para a redução do colesterol.

Geografia da produção

A melancia é uma cucurbitácea cultivada em quase todas as regiões tropicais, subtropicais e temperadas do mundo. A produção e a área cultivada, em termos mundiais, desta olerácea têm seguido uma tendência crescente no período de 1997 a 2004, com um incremento de 38,5% na área plantada e em 61,6% na produção. Aproximadamente 80% da produção mundial de melancia está concentrada em dez países. A China ocupa a liderança, seguida pela Turquia, Rússia, Irã e Brasil.
Os maiores rendimentos no cultivo de melancia foram obtidos pela Espanha, Coreia do Sul, Marrocos e Estados Unidos, variando de 44 t/ha a 31 t/ha. A produtividade do Brasil, mesmo considerando os dados do IBGE (2006), aproximadamente 21 t/ha, corresponde ao menor rendimento do grupo de países que lideram a produção de melancia. No entanto, em 2006, já apresentou a quarta maior área colhida (Tabela 1), o que reflete no volume total de hortaliças produzidas no Brasil.

Tabela 1. Área colhida (ha), rendimento (kg/ha) e produção (t) nos principais
Países
Área colhida
(ha)
Rendimento
kg/ha
Produção
(t)
China
2.314.000
30.777,9
71.220.000
Turquia
137.000

27.776,0
3.805.306 
Irã
131.455
24.794,9
3.259.411
Estados Unidos
55.200
31.139,9
1.718.920
*Brasil
180.641
218.664,6
31.505.133
Egito
62.000
24.193,5
1.500.000
México
42.867
22.612,5
969.332
Coréia do Sul
20.553
37.871,5
778.374
Espanha
16.200
44.290,1
717.500
Marrocos
18.835
37.811,8
712.185
Outros
906.724
-
14.416.232
Total
3.785.475
26.575,9
100.602.393
1 92.996 ha; 2 20.935 kg/ha; 3 1.946.912 t.
Fonte: FAOSTAT (2007) e IBGE (2006).


Distribuição geográfica da produção de melancia no Brasil

A melancia está entre as cinco mais importantes olerícolas cultivadas no Brasil. Sua área plantada em 2006 foi em torno de 93.000 ha e sua produção correspondeu a 1.946.912 toneladas. Ela está entre as principais cucurbitáceas cultivadas no Brasil apresentando, no período de 1996 a 2006, produtividades médias de 32 t/ha a 6 t/ha (Figura 3). Em 2006, destacaram-se com as mais elevadas produções os seguintes estados: Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, São Paulo, Tocantins, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Pará, sendo as regiões Sul e Nordeste, responsáveis por 34,8% e 28,8%, respectivamente, da produção nacional. O Nordeste brasileiro, historicamente, foi o maior produtor de melancia, mas a partir de 2001, a produção do Sul do Brasil obtém a dianteira (Figura 3). Um aspecto que contribuiu para isso, provavelmente foi o contínuo incremento na produtividade observado nesta região (Figura 4).

Figura 3. Produção (t) de melancia nas cinco regiões do Brasil de acordo com dados do IBGE, no período de 1996 a 2006.

 As regiões produtoras de melancia no Brasil guardam relação direta com a forma de cultivo: irrigado ou de sequeiro. Diferentemente do cultivo irrigado, a produção em regime de sequeiro, não utiliza insumos agrícolas, como adubos e defensivos químicos. O cultivo irrigado, apesar do diferencial positivo de ter disponibilidade de água todo o ano e ser possível a escolha da época do plantio e o controle da irrigação em função do ciclo da cultura, muitas vezes, apresentam áreas vizinhas cultivadas em diferentes fases — área plantadas recentemente a outra que já foi efetuada a colheita —, o que representa condições favoráveis para o desenvolvimento de pragas e doenças; isso também repercute no rendimento da melancia. Deve-se considerar, também, que as cultivares e os híbridos de melancia disponíveis no mercado brasileiro são, na sua maioria, de origem americana e suscetíveis às principais doenças e pragas. Entre as cultivares a mais plantada é a ‘Crimson Sweet’ e tipos parecidos, respondendo praticamente por todo o fornecimento ao mercado consumidor.

Figura 4 - Rendimento (kg/ha) da melancia obtido nas cinco regiões brasileiras de acordo com dados do IBGE, no período de 1996 a 2006.




segunda-feira, 13 de maio de 2019

Cultivo do Cará



Aspectos Gerais: 
O cará é planta do grupo das olerícolas, muito rústica, que produz tubérculos comestíveis; é amplamente cultivada em regiões tropicais e serve de alimento nas América Central e Sul, na Ásia e nas ilhas do Pacífico. No Nordeste brasileiro é ainda conhecido como "inhame", confusão feita com o nome do cará em espanhol - ñame - e, em italiano - iguame.

Botânica/Descrição / Variedades: 
O cara pertence a família Dioscoriaceae, Dicotyledonea e ao gênero Dioscorea, que tem mais de 600 espécies, quatorze das quais tem seus tubérculos utilizados como alimento.

É uma planta herbácea trepadeira (em geral) com tubérculos subterrâneos (aéreos em algumas espécies), caule volúvel, folhas estreitas em forma de ponta-de-faca. Os tubérculos são feculentos e contém vitaminas de complexo B.

As principais espécies são Discorea cayenensis, lam. Africana, com vários tipos (Cará-da-Costa, Cará Tabica, Cará Negro) e a D. alatah., com os tipos (Cará S. Tomé, Cará Mandioca, Cará Flórida). O Cará-da-Costa é rico em carboidratos, proteínas, Vit. C, riboflavina e ácido nicotinico.

Em Pernambuco e Paraíba a variedade mais plantada é o Cará-da-Costa, bastante produtiva (até 40t/ha), tubérculos com película escura, polpa branca e enxuta, formato cilíndrico e alongado, caule com 2-4m. de comprimento, com boa aceitação comercial. Não dispensa tutoramento.

No sudeste cultiva-se o tipo Flórida - resistente ao mal-da-requeima - tem tubérculos com casca marrom - clara, forma alongada, polpa granulosa, bom aspecto comercial. O Maranhão começa a cultivar esse tipo.

A composição por 100g. de polpa do tubérculo é: calorias (135), proteína (2,3g.), cálcio (28mg.), fósforo (52mg.), ferro (2,9g.), Vit. A (30mg.), Vit. B1 (0,04mg.), Vit. B2 (0,02mg.) e Vit. C (35mg.)

Utilidade do Cará: 
O cará é um alimento rico em carboidratos (feculento) muito consumido por habitantes de países tropicais; na culinária pode ser utilizado como substituto da batata inglesa, da batata doce e da macaxeira. É alimento de fácil digestibilidade, indicado para dietas.

Algumas espécies tem valor farmacológico.

Por o tubérculo não se deteriorar após a colheita, pode conservar-se à sombra em estado natural por até 90 dias, por sua rusticidade e valor alimentício seu cultivo merece atenção no Nordeste brasileiro.

Necessidades da Planta: 
Clima - Planta de clima tropical o cará desenvolve-se bem em regiões quentes e úmidas em faixa de latitude N e S de 30º (linha equatorial). Temperatura entre 25-30ºC, chuvas em torno de 1.500mm./ano com estação seca definida de 2 a 5 meses. A planta não tolera frio e geadas.

Solos - Devem ser leves de textura pouco arenosa, profundos, com boa drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade. O solo deve estar úmido no período de crescimento da planta. Deve-se evitar solos ácidos, solos com textura argilosa e os declivosos sujeitos à erosão. No Nordeste o cará também medra em solos de aluvião.

Propagação do Cará: 
É feita através de tubérculos - semente inteiros ou por tubérculos - semente cortados transversalmente; em cada tubérculo há várias gemas latentes que brotam quando as condições ambientes são favoráveis (originam plantinhas). Podem ser utilizados com peso entre 50g. e 250g., com bom aspecto sanitário. Só tubérculos com peso de 150g. ou acima devem ser eleitos para divisão em 2-3 pedaços a servirem de material de plantio; o corte pode ser feito por ocasião do plantio ou com uma pequena antecedência (corte 3 dias antes ou até 1 dia antes colocando pedaços à sombra). Os pedaços devem ser armazenados em local ventilado e estarem protegidos da umidade , do calor e da insolação. Há correlação positiva entre o peso do tubérculo utilizado no plantio e a produtividade (tubérculos com 100, 150, 200 ,250g. de peso produziram, respectivamente, 23,4t. 28,1, 32,1 e 35,5t./ha de cará).

Plantio: 
Antes do início do período chuvoso, mesmo com a terra seca; meses de novembro e dezembro no Nordeste brasileiro.

O plantio pode ser feito em covas altas (matumbos) ou em camalhões; isso evita o apodrecimento dos tubérculos e facilita o arejamento e a drenagem do solo.

As covas altas são feitas com enxada ou cavadeira articulada abre-se covas com 0,35 x 0,35 x 0,30m. (de profundidade). Mistura-se adubo + terra retirada da cova, coloca-se a mistura na cova formando cova alta. Os camalhões (leirões) podem ser feitos com dois operários com enxadas movimentando o solo de lados opostos levantam camalhões com 30-35cm. de altura; o trator de pneu tracionando sulcador ou arado de aiveca ou arado de disco levanta leirões com 30-35cm. de altura sem dificuldades.

Espaçamento: para sistema em cova alta 1,2m. entre fileiras por 0,8m., entre plantas; para sistema em camalhões de 0,4m. gasta-se 2.100Kg./ha de tubérculo - semente e com o espaçamento de 0,6m. gasta-se 1.400Kg./ha, no plantio em montículo ou cova funda (1,25x0,8m.) gasta-se 500Kg./ha.

O preparo do solo exige aração a 30cm. de profundidade (para enterrar o mato) seguida de gradagem.

De ordinário o cará aproveita bem resíduos de adubos de outras lavouras. Caso deseje-se adubar aplicar 10-12t./ha de esterco de curral bem curtido 30 dias antes do plantio incorporando bem ao solo ou aplicar 3t./ha de esterco de galinha.

No cume dos camalhões são colocados manualmente, os tubérculos em covas com 5-8cm. de profundidade e cobertos com terra; deve-se cobrir o camalhão com camada de capim ou outro material.

Tratos Culturais: 
Após o brotamento do tubérculo deve-se proceder ao tutoramento fincando-se varas (tutor) de madeira roliça com 2m. de comprimento com 2,5cm. de diâmetro ao lado da planta, para ajudar o caule volúvel a subir. Com espaçamento 0,4-0,6m., usar 1 vara para 2 plantas. A variedade Flórida dispensa tutoramento.

Capinas e amontoas ao longo do ciclo da cultura e cobertura morta em torno da planta.

Para rotação de culturas, usa-se milho, vagens, adubos verdes, outras hortaliças.

Pragas e Doenças: 
Formiga cortadeira (Atta sp) e nematoides (apodrecem tubérculos) atacam o cará; usar formicidas e tubérculos sadios.

As doenças são requeima, mosaico e antracnose.

Colheita/Rendimento: 
O ponto de colheita é indicado quando as plantas apresentam muitas folhas amarelas e os ramos começam a secar. A colheita é manual (enxadões) ou com arado de aiveca.

Pós colheita os tubérculos devem ser lavados, selecionados, embalados e postos a sombra. Não devem ser feridos.

O rendimento geral e de 20t./ha; pode chegar a 40t./ha.



terça-feira, 16 de abril de 2019

Custos de Produção para a Cultura do Brócolis



Custos de Produção

Para o planejamento adequado da implantação e manutenção de uma área cultivada com brócolis, como em qualquer cultura, deve-se analisar previamente a composição de seus custos de produção. Essa análise é variável, tanto no que se refere à localização (propriedades em regiões diversas, com variados preços de insumos e custos logísticos diferentes), quanto no que diz respeito aos padrões tecnológicos empregados pelo agricultor (se utiliza alta ou baixa tecnologia, qual é o sistema de irrigação escolhido, se o manejo é convencional ou orgânico, entre outros). Inicialmente, levantam-se os gastos durante todo o período de produção, reunindo-os conforme o tipo de gasto e o cronograma das atividades. 
A quantidade de insumos, serviços e máquinas, atreladas a uma unidade de área (geralmente o hectare), denomina-se coeficiente técnico de produção. 
As unidades mais empregadas são: horas – para maquinário, trabalho humano ou animal – e quilograma, litro ou tonelada – para corretivos, fertilizantes, agrotóxicos e sementes. Para a obtenção do custo final, é necessário multiplicar os valores dos coeficientes técnicos pelos preços
unitários de cada fator. Para calcular os custos de produção de brócolis, pode-se utilizar como exemplo os coeficientes técnicos de produção de brócolis no Distrito Federal (Tabela 6), referente ao tipo inflorescência única, de acordo com a Emater-DF (2012).
Cada produtor ou técnico pode fazer a inserção de valores unitários ou de novos coeficientes técnicos de acordo com seu sistema de produção e preços regionais, visando à geração de custos de produção específicos









domingo, 10 de março de 2019

Cultura da Quinoa (Chenopodium quinoa)



Chenopodium quinoa

A quinoa ou quinua é uma planta originária dos Andes, onde é cultivada há milhares de anos. Fácil de cultivar, esta planta pode atingir de 1 a 2 m de altura, e tanto as sementes quanto as folhas são comestíveis. As sementes são muito nutritivas, e podem ser preparadas das mesmas maneiras que o arroz, embora devam ser processadas antes para a retirada de sua camada superficial de saponinas. Graças a esta camada amarga de saponinas, as aves evitam comer as sementes no campo, assim havendo pouca necessidade de medidas de proteção. As folhas e as pontas dos ramos podem ser consumidas cozidas ou mesmo cruas, desde que não em quantidade excessiva, pois contêm uma alta concentração de ácido oxálico.

Planta de quinoa
A quinoa é uma planta fácil de cultivar

Clima
A quinoa pode crescer em uma ampla faixa de temperaturas, dependendo da cultivar. Nos Andes, não é incomum suportarem temperaturas próximas a zero graus centigrados a noite e temperaturas próximas de 30°C durante o dia. Contudo, temperaturas acima de 32°C durante a floração podem prejudicar a polinização e inviabilizar a produção de sementes. Chuvas fortes podem prejudicar muito a produtividade se ocorrerem na época da colheita.

A maioria das cultivares cresce melhor em altas altitudes, com dias moderadamente quentes e noites frias, mas há cultivares que crescem e produzem bem mesmo em regiões costeiras e em diversos tipos de clima.

Luminosidade
Precisa de luz solar direta, não crescendo bem se sombreada.

Flores roxas de quinoa
Existe um grande número de cultivares de quinoa, e suas inflorescências podem ser de diversas cores

Solo
Cultive preferencialmente em solo profundo, fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica, com pH do solo entre 6 e 8,5. Contudo, pode ser cultivada mesmo em solos ácidos ou pouco férteis.

Irrigação
No início do cultivo, irrigue de forma a manter o solo úmido, mas sem que fique encharcado. Quando bem desenvolvida, esta planta é resistente a períodos de seca, e assim as irrigações podem ser mais esparsas.

Mudas de quinoa
Mudas de quinoa 
As sementes são normalmente semeadas no local definitivo, em fileiras separadas de 25 a 50 cm, deixando as sementes de 0,5 a 1 cm de profundidade no solo. O espaçamento entre as plantas pode ser de 10 a 30 cm. Um menor espaçamento leva a plantas menores e mais uniformes, facilitando a colheita (especialmente em plantações mecanizadas). Maiores espaçamentos geram plantas maiores e menos uniformes. As sementes germinam rápido, normalmente em 3 a 5 dias.

Tratos culturais
Retire as plantas invasoras que estejam concorrendo por recursos e nutrientes, principalmente no primeiro mês de cultivo, quando a quinoa cresce mais lentamente.

Inflorescência da quinoa
A floração da quinoa se dá em panículas, semelhantes as do amaranto

Colheita
As folhas jovens podem ser colhidas para consumo como verdura, mas a colheita excessiva de folhas pode reduzir a produção de sementes.

O período até a colheita varia bastante com a cultivar e as condições de cultivo, podendo ir de 90 a 180 dias. As panículas devem ser colhidas quando começarem a mudar de cor e as sementes começarem a se desprender. Esfregue algumas panículas entre as mãos, se algumas sementes se desprenderem, é hora de colher. Na colheita manual, as panículas são deixadas em local seco e arejado para terminarem de secar por alguns dias, sendo depois batidas para desprender todas as sementes.

As sementes devem ser lavadas antes de serem consumidas para a retirada da camada de saponinas. Para isso, as sementes podem ser deixadas imersas na água por várias horas, realizando trocas até que a água não esteja mais espumando. A água onde as sementes estiveram imersas pode ser aproveitada como repelente de insetos, podendo ser pulverizada sobre as hortaliças em uma horta.



Na região dos Andes, local onde surgiu há milhares de anos, é chamado de quinua. Aqui, esse grão, dotado de muitas características benéficas à saúde humana, ganhou popularidade com o nome de quinoa. A planta foi introduzida no país na década de 1990, mas só recentemente tornou-se mais conhecido entre os brasileiros. 

Espécie de granífera, a quinoa (Chenopodium quinoa) pertence à mesma família do espinafre e da beterraba, a Chenopodiacea. Por muito tempo, seu cultivo ficou restrito à agricultura de subsistência. Porém, com as descobertas de suas inúmeras propriedades nutricionais, o alimento indígena ganhou visibilidade. Fácil de plantar e com o apelo de produto saudável, essa cultura nova no cenário nacional pode se tornar uma alternativa rentável para o agricultor. 

Rica em proteína, a quinoa tem boa distribuição de aminoácidos essenciais, que se assemelham à caseína – fração protéica do leite –, podendo, assim, incrementar a composição de mingaus para crianças. O cereal ainda adequa-se muito bem à dieta de pessoas interessadas em alimentos com alto valor nutritivo e baixo colesterol. Inclusive é indicado para pacientes celíacos – pessoas que são alérgicas ao glúten. 

Semelhante ao espinafre, quando pequena, e ao sorgo, no período de maturação, a planta é anual, mas com ciclo variável. Tolerante à seca, à acidez do solo e a baixas temperaturas, seu crescimento acelera-se após os primeiros 30 dias de plantio, podendo chegar a dois metros de altura. Entre verde e rósea no início, a coloração passa para o amarelo na inflorescência. O plantio vai bem em locais com temperaturas elevadas. 

O produto colhido são pequenas sementes achatadas e sem dormência. Elas são boas fontes de vitamina B e E, e possuem amido, além de conter alta dose de ferro – o dobro da encontrada na cevada e no trigo, e três vezes mais do que no arroz. 

A quinoa vai bem cozida, em saladas, sopas e molhos. Derivada do grão, a farinha pode ser usada na alimentação infantil e como ingrediente para pudins, pães, panquecas, biscoitos e até bebidas. Os botões florais, parecidos com brócolis, podem ser consumidos cozidos. 

As folhas também são comestíveis, mas sempre misturadas com outras plantas ou em cozidos, para diluir a quantidade de nitrato, prejudicial ao organismo quando em alta dosagem. Para os animais, as folhas da quinoa são muito boas para compor a dieta com forragens, pois carregam bastante proteína, fibras, minerais e vitaminas.

COMO CULTIVAR

SOLO: evite solos rasos, com possibilidade de encharcamento e elevado índice de acidez 

CLIMA: adaptou-se bem sob temperaturas entre 20 e 28 graus, na região do cerrado 

ÁREA MÍNIMA: pode começar por um canteiro 

COLHEITA: quando as sementes apresentarem nível de umidade de 20% 

SEMENTES: a Embrapa fornece amostra grátis para multiplicação

Mãos à obra

INÍCIO – como é uma cultura nova, recomenda- se começar com poucas sementes, para depois multiplicar. A Embrapa fornece via correio amostras grátis da BRS piabiru, cultivar adaptada às condições de solo e clima brasileiro. Ela tem ciclo longo e pode ser semeada em qualquer época do ano. Variedades de ciclos entre precoce e médio estão em fase de desenvolvimento. No varejo, podem ser encontrados materiais importados dos Andes, portanto, adequados a regiões de altitude elevada. 

PLANTIO – as semeaduras de safrinha e de entressafra (inverno, sob irrigação) são melhores para a produção de grãos, enquanto para forragem pode chegar até a estação das chuvas. O plantio pode ser feito tanto na superfície quanto, no máximo, com dois centímetros de profundidade, numa densidade de 40 a 50 sementes por metro. 

ADUBAÇÃO – na semeadura, a indicação por hectare é de 100 quilos de fósforo, 100 de potássio e mais 30 quilos de nitrogênio. Quarenta e cinco dias após a brotação, adicione outros 30 quilos de nitrogênio. A quinoa pode também aproveitar o resíduo de nutrientes de cultivos de soja ou de milho. 

ESPAÇAMENTO – entre fileiras, recomenda- se distâncias de 20 a 40 centímetros. Quanto menor a distância entre linhas, mais rápida a cobertura do terreno e maior o rendimento. Plantada no final de novembro, o desenvolvimento ocorrerá entre o fim de março e abril, período de menor incidência de chuva. Do início da brotação, até a maturação dos grãos, levam-se 145 dias. 

CUIDADOS – plantas daninhas de folha estreita e gramíneas são as principais pragas que atacam a plantação. Para combatê-las, recomendam-se herbicidas com princípios ativos alachlor, na dose de 1,14 quilo por hectare; ou setoxydin, a 0,43 litro por hectare. Formigas saúva e desfolhadores podem prejudicar o cultivo do grão, assim como as doenças de míldio e cercosporiose. 

UMIDADE – perto do período de colheita, acompanhe as condições das sementes. Elas estarão prontas se apresentarem 20% ou menos de umidade, nível permitido para armazenagem de longo prazo. Debulhe as sementes manualmente para avaliar. Se, ao friccioná-las, não se desprenderem facilmente, é preciso mais tempo de cultivo. Caso contrário, espere algumas horas depois do sol nascer para iniciar a colheita. 


PRODUÇÃO – há várias finalidades ao seu cultivo, como uso de matéria-prima à produção de alimentos enriquecidos e livres de colesterol para consumo próprio, ao processamento industrial em pequena escala pela comunidade, ou fornecimento de grandes volumes para empresas de alimentos.