google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Cultivo do Cará



Aspectos Gerais: 
O cará é planta do grupo das olerícolas, muito rústica, que produz tubérculos comestíveis; é amplamente cultivada em regiões tropicais e serve de alimento nas América Central e Sul, na Ásia e nas ilhas do Pacífico. No Nordeste brasileiro é ainda conhecido como "inhame", confusão feita com o nome do cará em espanhol - ñame - e, em italiano - iguame.

Botânica/Descrição / Variedades: 
O cara pertence a família Dioscoriaceae, Dicotyledonea e ao gênero Dioscorea, que tem mais de 600 espécies, quatorze das quais tem seus tubérculos utilizados como alimento.

É uma planta herbácea trepadeira (em geral) com tubérculos subterrâneos (aéreos em algumas espécies), caule volúvel, folhas estreitas em forma de ponta-de-faca. Os tubérculos são feculentos e contém vitaminas de complexo B.

As principais espécies são Discorea cayenensis, lam. Africana, com vários tipos (Cará-da-Costa, Cará Tabica, Cará Negro) e a D. alatah., com os tipos (Cará S. Tomé, Cará Mandioca, Cará Flórida). O Cará-da-Costa é rico em carboidratos, proteínas, Vit. C, riboflavina e ácido nicotinico.

Em Pernambuco e Paraíba a variedade mais plantada é o Cará-da-Costa, bastante produtiva (até 40t/ha), tubérculos com película escura, polpa branca e enxuta, formato cilíndrico e alongado, caule com 2-4m. de comprimento, com boa aceitação comercial. Não dispensa tutoramento.

No sudeste cultiva-se o tipo Flórida - resistente ao mal-da-requeima - tem tubérculos com casca marrom - clara, forma alongada, polpa granulosa, bom aspecto comercial. O Maranhão começa a cultivar esse tipo.

A composição por 100g. de polpa do tubérculo é: calorias (135), proteína (2,3g.), cálcio (28mg.), fósforo (52mg.), ferro (2,9g.), Vit. A (30mg.), Vit. B1 (0,04mg.), Vit. B2 (0,02mg.) e Vit. C (35mg.)

Utilidade do Cará: 
O cará é um alimento rico em carboidratos (feculento) muito consumido por habitantes de países tropicais; na culinária pode ser utilizado como substituto da batata inglesa, da batata doce e da macaxeira. É alimento de fácil digestibilidade, indicado para dietas.

Algumas espécies tem valor farmacológico.

Por o tubérculo não se deteriorar após a colheita, pode conservar-se à sombra em estado natural por até 90 dias, por sua rusticidade e valor alimentício seu cultivo merece atenção no Nordeste brasileiro.

Necessidades da Planta: 
Clima - Planta de clima tropical o cará desenvolve-se bem em regiões quentes e úmidas em faixa de latitude N e S de 30º (linha equatorial). Temperatura entre 25-30ºC, chuvas em torno de 1.500mm./ano com estação seca definida de 2 a 5 meses. A planta não tolera frio e geadas.

Solos - Devem ser leves de textura pouco arenosa, profundos, com boa drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade. O solo deve estar úmido no período de crescimento da planta. Deve-se evitar solos ácidos, solos com textura argilosa e os declivosos sujeitos à erosão. No Nordeste o cará também medra em solos de aluvião.

Propagação do Cará: 
É feita através de tubérculos - semente inteiros ou por tubérculos - semente cortados transversalmente; em cada tubérculo há várias gemas latentes que brotam quando as condições ambientes são favoráveis (originam plantinhas). Podem ser utilizados com peso entre 50g. e 250g., com bom aspecto sanitário. Só tubérculos com peso de 150g. ou acima devem ser eleitos para divisão em 2-3 pedaços a servirem de material de plantio; o corte pode ser feito por ocasião do plantio ou com uma pequena antecedência (corte 3 dias antes ou até 1 dia antes colocando pedaços à sombra). Os pedaços devem ser armazenados em local ventilado e estarem protegidos da umidade , do calor e da insolação. Há correlação positiva entre o peso do tubérculo utilizado no plantio e a produtividade (tubérculos com 100, 150, 200 ,250g. de peso produziram, respectivamente, 23,4t. 28,1, 32,1 e 35,5t./ha de cará).

Plantio: 
Antes do início do período chuvoso, mesmo com a terra seca; meses de novembro e dezembro no Nordeste brasileiro.

O plantio pode ser feito em covas altas (matumbos) ou em camalhões; isso evita o apodrecimento dos tubérculos e facilita o arejamento e a drenagem do solo.

As covas altas são feitas com enxada ou cavadeira articulada abre-se covas com 0,35 x 0,35 x 0,30m. (de profundidade). Mistura-se adubo + terra retirada da cova, coloca-se a mistura na cova formando cova alta. Os camalhões (leirões) podem ser feitos com dois operários com enxadas movimentando o solo de lados opostos levantam camalhões com 30-35cm. de altura; o trator de pneu tracionando sulcador ou arado de aiveca ou arado de disco levanta leirões com 30-35cm. de altura sem dificuldades.

Espaçamento: para sistema em cova alta 1,2m. entre fileiras por 0,8m., entre plantas; para sistema em camalhões de 0,4m. gasta-se 2.100Kg./ha de tubérculo - semente e com o espaçamento de 0,6m. gasta-se 1.400Kg./ha, no plantio em montículo ou cova funda (1,25x0,8m.) gasta-se 500Kg./ha.

O preparo do solo exige aração a 30cm. de profundidade (para enterrar o mato) seguida de gradagem.

De ordinário o cará aproveita bem resíduos de adubos de outras lavouras. Caso deseje-se adubar aplicar 10-12t./ha de esterco de curral bem curtido 30 dias antes do plantio incorporando bem ao solo ou aplicar 3t./ha de esterco de galinha.

No cume dos camalhões são colocados manualmente, os tubérculos em covas com 5-8cm. de profundidade e cobertos com terra; deve-se cobrir o camalhão com camada de capim ou outro material.

Tratos Culturais: 
Após o brotamento do tubérculo deve-se proceder ao tutoramento fincando-se varas (tutor) de madeira roliça com 2m. de comprimento com 2,5cm. de diâmetro ao lado da planta, para ajudar o caule volúvel a subir. Com espaçamento 0,4-0,6m., usar 1 vara para 2 plantas. A variedade Flórida dispensa tutoramento.

Capinas e amontoas ao longo do ciclo da cultura e cobertura morta em torno da planta.

Para rotação de culturas, usa-se milho, vagens, adubos verdes, outras hortaliças.

Pragas e Doenças: 
Formiga cortadeira (Atta sp) e nematoides (apodrecem tubérculos) atacam o cará; usar formicidas e tubérculos sadios.

As doenças são requeima, mosaico e antracnose.

Colheita/Rendimento: 
O ponto de colheita é indicado quando as plantas apresentam muitas folhas amarelas e os ramos começam a secar. A colheita é manual (enxadões) ou com arado de aiveca.

Pós colheita os tubérculos devem ser lavados, selecionados, embalados e postos a sombra. Não devem ser feridos.

O rendimento geral e de 20t./ha; pode chegar a 40t./ha.





terça-feira, 16 de abril de 2019

Custos de Produção para a Cultura do Brócolis



Custos de Produção

Para o planejamento adequado da implantação e manutenção de uma área cultivada com brócolis, como em qualquer cultura, deve-se analisar previamente a composição de seus custos de produção. Essa análise é variável, tanto no que se refere à localização (propriedades em regiões diversas, com variados preços de insumos e custos logísticos diferentes), quanto no que diz respeito aos padrões tecnológicos empregados pelo agricultor (se utiliza alta ou baixa tecnologia, qual é o sistema de irrigação escolhido, se o manejo é convencional ou orgânico, entre outros). Inicialmente, levantam-se os gastos durante todo o período de produção, reunindo-os conforme o tipo de gasto e o cronograma das atividades. 
A quantidade de insumos, serviços e máquinas, atreladas a uma unidade de área (geralmente o hectare), denomina-se coeficiente técnico de produção. 
As unidades mais empregadas são: horas – para maquinário, trabalho humano ou animal – e quilograma, litro ou tonelada – para corretivos, fertilizantes, agrotóxicos e sementes. Para a obtenção do custo final, é necessário multiplicar os valores dos coeficientes técnicos pelos preços
unitários de cada fator. Para calcular os custos de produção de brócolis, pode-se utilizar como exemplo os coeficientes técnicos de produção de brócolis no Distrito Federal (Tabela 6), referente ao tipo inflorescência única, de acordo com a Emater-DF (2012).
Cada produtor ou técnico pode fazer a inserção de valores unitários ou de novos coeficientes técnicos de acordo com seu sistema de produção e preços regionais, visando à geração de custos de produção específicos








domingo, 10 de março de 2019

Cultura da Quinoa (Chenopodium quinoa)



Chenopodium quinoa

A quinoa ou quinua é uma planta originária dos Andes, onde é cultivada há milhares de anos. Fácil de cultivar, esta planta pode atingir de 1 a 2 m de altura, e tanto as sementes quanto as folhas são comestíveis. As sementes são muito nutritivas, e podem ser preparadas das mesmas maneiras que o arroz, embora devam ser processadas antes para a retirada de sua camada superficial de saponinas. Graças a esta camada amarga de saponinas, as aves evitam comer as sementes no campo, assim havendo pouca necessidade de medidas de proteção. As folhas e as pontas dos ramos podem ser consumidas cozidas ou mesmo cruas, desde que não em quantidade excessiva, pois contêm uma alta concentração de ácido oxálico.

Planta de quinoa
A quinoa é uma planta fácil de cultivar

Clima
A quinoa pode crescer em uma ampla faixa de temperaturas, dependendo da cultivar. Nos Andes, não é incomum suportarem temperaturas próximas a zero graus centigrados a noite e temperaturas próximas de 30°C durante o dia. Contudo, temperaturas acima de 32°C durante a floração podem prejudicar a polinização e inviabilizar a produção de sementes. Chuvas fortes podem prejudicar muito a produtividade se ocorrerem na época da colheita.

A maioria das cultivares cresce melhor em altas altitudes, com dias moderadamente quentes e noites frias, mas há cultivares que crescem e produzem bem mesmo em regiões costeiras e em diversos tipos de clima.

Luminosidade
Precisa de luz solar direta, não crescendo bem se sombreada.

Flores roxas de quinoa
Existe um grande número de cultivares de quinoa, e suas inflorescências podem ser de diversas cores

Solo
Cultive preferencialmente em solo profundo, fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica, com pH do solo entre 6 e 8,5. Contudo, pode ser cultivada mesmo em solos ácidos ou pouco férteis.

Irrigação
No início do cultivo, irrigue de forma a manter o solo úmido, mas sem que fique encharcado. Quando bem desenvolvida, esta planta é resistente a períodos de seca, e assim as irrigações podem ser mais esparsas.

Mudas de quinoa
Mudas de quinoa 
As sementes são normalmente semeadas no local definitivo, em fileiras separadas de 25 a 50 cm, deixando as sementes de 0,5 a 1 cm de profundidade no solo. O espaçamento entre as plantas pode ser de 10 a 30 cm. Um menor espaçamento leva a plantas menores e mais uniformes, facilitando a colheita (especialmente em plantações mecanizadas). Maiores espaçamentos geram plantas maiores e menos uniformes. As sementes germinam rápido, normalmente em 3 a 5 dias.

Tratos culturais
Retire as plantas invasoras que estejam concorrendo por recursos e nutrientes, principalmente no primeiro mês de cultivo, quando a quinoa cresce mais lentamente.

Inflorescência da quinoa
A floração da quinoa se dá em panículas, semelhantes as do amaranto

Colheita
As folhas jovens podem ser colhidas para consumo como verdura, mas a colheita excessiva de folhas pode reduzir a produção de sementes.

O período até a colheita varia bastante com a cultivar e as condições de cultivo, podendo ir de 90 a 180 dias. As panículas devem ser colhidas quando começarem a mudar de cor e as sementes começarem a se desprender. Esfregue algumas panículas entre as mãos, se algumas sementes se desprenderem, é hora de colher. Na colheita manual, as panículas são deixadas em local seco e arejado para terminarem de secar por alguns dias, sendo depois batidas para desprender todas as sementes.

As sementes devem ser lavadas antes de serem consumidas para a retirada da camada de saponinas. Para isso, as sementes podem ser deixadas imersas na água por várias horas, realizando trocas até que a água não esteja mais espumando. A água onde as sementes estiveram imersas pode ser aproveitada como repelente de insetos, podendo ser pulverizada sobre as hortaliças em uma horta.



Na região dos Andes, local onde surgiu há milhares de anos, é chamado de quinua. Aqui, esse grão, dotado de muitas características benéficas à saúde humana, ganhou popularidade com o nome de quinoa. A planta foi introduzida no país na década de 1990, mas só recentemente tornou-se mais conhecido entre os brasileiros. 

Espécie de granífera, a quinoa (Chenopodium quinoa) pertence à mesma família do espinafre e da beterraba, a Chenopodiacea. Por muito tempo, seu cultivo ficou restrito à agricultura de subsistência. Porém, com as descobertas de suas inúmeras propriedades nutricionais, o alimento indígena ganhou visibilidade. Fácil de plantar e com o apelo de produto saudável, essa cultura nova no cenário nacional pode se tornar uma alternativa rentável para o agricultor. 

Rica em proteína, a quinoa tem boa distribuição de aminoácidos essenciais, que se assemelham à caseína – fração protéica do leite –, podendo, assim, incrementar a composição de mingaus para crianças. O cereal ainda adequa-se muito bem à dieta de pessoas interessadas em alimentos com alto valor nutritivo e baixo colesterol. Inclusive é indicado para pacientes celíacos – pessoas que são alérgicas ao glúten. 

Semelhante ao espinafre, quando pequena, e ao sorgo, no período de maturação, a planta é anual, mas com ciclo variável. Tolerante à seca, à acidez do solo e a baixas temperaturas, seu crescimento acelera-se após os primeiros 30 dias de plantio, podendo chegar a dois metros de altura. Entre verde e rósea no início, a coloração passa para o amarelo na inflorescência. O plantio vai bem em locais com temperaturas elevadas. 

O produto colhido são pequenas sementes achatadas e sem dormência. Elas são boas fontes de vitamina B e E, e possuem amido, além de conter alta dose de ferro – o dobro da encontrada na cevada e no trigo, e três vezes mais do que no arroz. 

A quinoa vai bem cozida, em saladas, sopas e molhos. Derivada do grão, a farinha pode ser usada na alimentação infantil e como ingrediente para pudins, pães, panquecas, biscoitos e até bebidas. Os botões florais, parecidos com brócolis, podem ser consumidos cozidos. 

As folhas também são comestíveis, mas sempre misturadas com outras plantas ou em cozidos, para diluir a quantidade de nitrato, prejudicial ao organismo quando em alta dosagem. Para os animais, as folhas da quinoa são muito boas para compor a dieta com forragens, pois carregam bastante proteína, fibras, minerais e vitaminas.

COMO CULTIVAR

SOLO: evite solos rasos, com possibilidade de encharcamento e elevado índice de acidez 

CLIMA: adaptou-se bem sob temperaturas entre 20 e 28 graus, na região do cerrado 

ÁREA MÍNIMA: pode começar por um canteiro 

COLHEITA: quando as sementes apresentarem nível de umidade de 20% 

SEMENTES: a Embrapa fornece amostra grátis para multiplicação

Mãos à obra

INÍCIO – como é uma cultura nova, recomenda- se começar com poucas sementes, para depois multiplicar. A Embrapa fornece via correio amostras grátis da BRS piabiru, cultivar adaptada às condições de solo e clima brasileiro. Ela tem ciclo longo e pode ser semeada em qualquer época do ano. Variedades de ciclos entre precoce e médio estão em fase de desenvolvimento. No varejo, podem ser encontrados materiais importados dos Andes, portanto, adequados a regiões de altitude elevada. 

PLANTIO – as semeaduras de safrinha e de entressafra (inverno, sob irrigação) são melhores para a produção de grãos, enquanto para forragem pode chegar até a estação das chuvas. O plantio pode ser feito tanto na superfície quanto, no máximo, com dois centímetros de profundidade, numa densidade de 40 a 50 sementes por metro. 

ADUBAÇÃO – na semeadura, a indicação por hectare é de 100 quilos de fósforo, 100 de potássio e mais 30 quilos de nitrogênio. Quarenta e cinco dias após a brotação, adicione outros 30 quilos de nitrogênio. A quinoa pode também aproveitar o resíduo de nutrientes de cultivos de soja ou de milho. 

ESPAÇAMENTO – entre fileiras, recomenda- se distâncias de 20 a 40 centímetros. Quanto menor a distância entre linhas, mais rápida a cobertura do terreno e maior o rendimento. Plantada no final de novembro, o desenvolvimento ocorrerá entre o fim de março e abril, período de menor incidência de chuva. Do início da brotação, até a maturação dos grãos, levam-se 145 dias. 

CUIDADOS – plantas daninhas de folha estreita e gramíneas são as principais pragas que atacam a plantação. Para combatê-las, recomendam-se herbicidas com princípios ativos alachlor, na dose de 1,14 quilo por hectare; ou setoxydin, a 0,43 litro por hectare. Formigas saúva e desfolhadores podem prejudicar o cultivo do grão, assim como as doenças de míldio e cercosporiose. 

UMIDADE – perto do período de colheita, acompanhe as condições das sementes. Elas estarão prontas se apresentarem 20% ou menos de umidade, nível permitido para armazenagem de longo prazo. Debulhe as sementes manualmente para avaliar. Se, ao friccioná-las, não se desprenderem facilmente, é preciso mais tempo de cultivo. Caso contrário, espere algumas horas depois do sol nascer para iniciar a colheita. 


PRODUÇÃO – há várias finalidades ao seu cultivo, como uso de matéria-prima à produção de alimentos enriquecidos e livres de colesterol para consumo próprio, ao processamento industrial em pequena escala pela comunidade, ou fornecimento de grandes volumes para empresas de alimentos.



sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Cultivo da Pastinaca



Pastinaca sativa

A pastinaca, também conhecida como pastinaga, cherovia ou cherivia, é uma planta cujas raízes são consumidas geralmente cozidas, fritas ou assadas, embora também possam ser consumidas cruas. Na maioria das cultivares as raízes se parecem com cenouras brancas, embora existam algumas cultivares cujas raízes têm uma forma mais arredondada.

Muito cultivada na Europa em tempos antigos, seu cultivo perdeu importância com a introdução do cultivo da batata. Também foi utilizada como fonte de açúcar na Europa antes do cultivo da beterraba e da cana-de-açúcar.

Plantas de pastinaca
A pastinaca é cultivada principalmente em regiões de clima temperado, pois baixas temperaturas aumentam o teor de açúcar das raízes 

Clima
A pastinaca é apropriada para cultivo em regiões onde faz frio no inverno, pois baixas temperaturas podem aprimorar o sabor das raízes, deixando-as mais doces. No entanto, pode ser cultivada em regiões de clima subtropical nos meses de clima ameno.

Luminosidade
A pastinaca é melhor cultivada em lugares ensolarados, mas pode tolerar sombra parcial com boa luminosidade.

Solo
Cultive em solo bem drenado, leve, profundo, sem pedras e outros detritos, fértil e rico em matéria orgânica. Não é necessário que o solo seja rico em nitrogênio.

Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, sem que fique encharcado.

Muda de pastinaca ou cherovia
Muda de pastinaca

Plantio
O plantio da pastinaca em regiões de clima temperado é feito na primavera, tão cedo quanto as condições climáticas permitam. Em regiões mais quentes que têm um inverno ameno, o plantio pode ser feito no início do outono.

O plantio é feito por sementes, que preferencialmente devem ser semeadas no local definitivo, pois as mudas não toleram bem o transplante. Se semeadas em sementeiras, o transplante deve ser feito tão cedo quando possível, com cuidado para não prejudicar a raiz da muda. As sementes devem ficar a aproximadamente 1,5 cm de profundidade.

O espaçamento recomendado é de 30 cm entre as linhas de plantio, com 15 cm entre as plantas para obter raízes de maior tamanho, ou 7 cm para obter raízes de tamanho menor.

Tratos culturais
Retire plantas invasoras que estejam concorrendo por recursos e nutrientes.

A seiva da pastinaca pode provocar fitofotodermatite na pele, assim as pessoas que vão manusear as plantas devem usar proteção adequada para evitar o contato da pele com a seiva da planta.

Pastinacas ou cherovias
A folhagem da pastinaca deve ser manuseada com luvas e outras vestimentas de proteção, pois a seiva pode provocar graves lesões na pele, especialmente em dias ensolarados 

Colheita
A colheita da pastinaca em regiões de clima frio é geralmente realizada no outono ou inverno, preferencialmente após um período de baixas temperaturas e da ocorrência de geadas (baixas temperaturas promovem a conversão de amido em açúcar). Em outras regiões, a colheita pode ser feita de 120 a 180 dias após o plantio, dependendo da cultivar.

As raízes podem ser deixadas no solo e colhidas conforme a necessidade até o início da primavera. Em regiões onde o inverno é muito rigoroso, uma camada de palha ou serragem pode ser colocada sobre o solo para evitar que este congele, o que dificultaria a retirada das raízes do solo.

A pastinaca é uma planta bianual, produzindo flores e sementes no segundo ano. As raízes, entretanto, tornam-se lenhosas no segundo ano, e assim devem ser colhidas antes que a planta volte a brotar.


domingo, 14 de outubro de 2018

Cultivo da Couve Pak Choi



Brassica rapa var. chinensis

A pak choi, também chamada de bok choi ou bok choy, couve pak choi e acelga chinesa, é uma hortaliça muito cultivada na China e outros países do sudeste da Ásia, e seu cultivo também está crescendo no ocidente. É uma hortaliça da mesma espécie do nabo e da couve chinesa, e suas folhas são muito apreciadas em pratos cozidos ou refogados. As folhas mais jovens podem ser consumidas cruas em saladas.

Pak choi ou bok choi
A pak choi ou bok choi é uma hortaliça da mesma espécie do nabo e da couve-chinesa

Clima
A couve pak choi é uma hortaliça de clima ameno, crescendo melhor entre 15°C e 20°C. A maioria das cultivares tolera baixas temperaturas e geadas leves. Poucas cultivares toleram altas temperaturas.

Luminosidade
A couve pak choi pode ser cultivada com iluminação solar direta ou em sombra parcial.

Couve pak choi
A maioria das cultivares de pak choi ou bok choi suportam bem baixas temperaturas e geadas leves

Solo
Cultive em solo bem drenado, fértil e rico em matéria orgânica.

Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, sem que fique encharcado. Esta hortaliça é sensível à falta de água.

Mudas de pak choi
Pak choi recém germinada

Plantio
As sementes podem ser semeadas no local definitivo da horta ou em sementeiras, vasos pequenos ou copinhos de plástico ou de jornal, e transplantadas quando as mudas tiverem 5 cm de altura.

O espaçamento recomendado entre as plantas varia com o tamanho da cultivar e as condições de cultivo, indo de 10 cm para as menores cultivares a 45 cm para as maiores. Uma opção é plantar com o menor espaçamento e, conforme as plantas vão crescendo, ir colhendo algumas de forma a atingir um espaçamento maior quando as plantas estiverem bem desenvolvidas.

Plantação de couve Pak Choi
A couve pak choi não é muito conhecida no ocidente, mas é muito popular no leste e no sudeste da Ásia

Tratos culturais
Retire plantas invasoras que estiverem concorrendo por recursos e nutrientes.

Pak choi ou bok choi
A pak choi pode ser colhida em qualquer estágio de  desenvolvimento, mas idealmente são colhidas apenas quando as plantas estão bem desenvolvidas 

Colheita
A colheita das folhas de pak choi pode ser feita em qualquer momento durante o ciclo de vida das plantas, mas o ideal é que a colheita ocorra somente a partir de 6 a 10 semanas após o plantio, retirando as folhas individualmente quando necessário ou colhendo todas as folhas. Cortar a planta a pelo menos 2,5 cm do solo permite que a planta rebrote e produza uma nova colheita.

A planta pode florescer precocemente se as condições de cultivo não forem as ideais. Neste caso, faça a colheita de todas as folhas.



quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Pós-Colheita do Brócolis


Classificação
Subsequente à colheita, os produtos são levados para o galpão de embalagem, onde é feita a seleção quanto ao aspecto visual e à uniformidade das inflorescências, eliminando as com podridões ou danos fisiológicos.
A classificação de hortaliças por tamanho e qualidade tem como objetivo a separação do produto em lotes homogêneos, trazendo transparência na comercialização, melhores preços para produtores e consumidores, menores perdas e melhor qualidade, o que é primordial para essa cultura.
Ainda não há classificação de qualidade estabelecida para comercialização de brócolis no Brasil. Nas Centrais de Abastecimento, são comercializados brócolis em caixas de plásticos ou de madeira, comumente com 8 ou 12 “cabeças” do tipo inflorescência única. As caixas de madeira, embora ainda utilizadas, apresentam desvantagens, tais como contaminação microbiológica e danos mecânicos provocados por abrasão ou farpas.
Em alguns locais são utilizadas caixas plásticas maiores, com capacidade para um número elevado de inflorescências, visando ao mercado atacadista. 
Esses engradados, porém, causam danos pelo atrito no transporte (Figura 30A). A longa distância de transporte requer que se mantenham folhas para proteção (Figura 30B), o que gera gastos ao comprador ou revendedor, sendo necessária mão de obra para sua posterior retirada. Pode-se, ainda, fazer a utilização de bandejas de poliestireno cobertas com filme plástico (Figuras 30C e 30D). 
O tipo ramoso é comercializado comumente nas categorias extra ou especial, em embalagens com 12 maços. Para a indústria, são utilizadas as mesmas caixas plásticas, em alguns casos, com floretes já cortados (Figuras 31A e 31B).

Figura 30. Caixas de plástico e madeira utilizadas para transporte de inflorescências de brócolis com ou sembandeja e embalagem plástica.

Figura 31. Floretes cortados para a indústria de congelamento – transporte.

Armazenamento
De forma geral, a vida útil das hortaliças é inversamente proporcional à taxa respiratória do produto. Os brócolis apresentam uma das taxas respiratórias mais altas entre as hortaliças, e exigem maiores cuidados para manter a sua qualidade. 
A temperatura é o fator que mais influencia na deterioração dos produtos vegetais.
A exposição dos brócolis a temperaturas inadequadas causa rápido amarelecimento dos botões florais e deterioração do produto.
Com isso, a começar pela colheita, o produto deve ser colhido nas horas mais frescas do dia, sem exposição ao sol, e colocado em locais sombreados. Se o produto for transportado por longas distâncias para comercialização ou para processamento, deve ser resfriado rapidamente após a colheita e, posteriormente, armazenado sob temperaturas de 0 oC a 5 oC.
A umidade relativa deve ser mantida em torno de 95%. De forma geral, para manter a boa qualidade dos brócolis, eles devem ser protegidos contra variações de temperatura, perda de água, gases prejudiciais ou voláteis e injúrias físicas durante o transporte e comercialização. 
A temperatura ótima para o armazenamento dos brócolis é de 0 oC a 5 oC.
Os brócolis perdem água após a colheita por meio da transpiração e o produto pode murchar, tornando-se fibroso, murcho e sem sabor, o que compromete a aparência e o peso comercial. O vapor d’água dos tecidos vegetais tende a escapar, pois a umidade relativa do ambiente é usualmente menor do que 100%.
Sem a refrigeração, os brócolis apresentam curto tempo de comercialização – cerca de 2 dias. Em temperatura ambiente, as inflorescências perdem peso e coloração rapidamente, com degradação da clorofila (pigmento verde), alta taxa de respiração e ação de enzimas de oxidação.
Em temperatura ambiente, as inflorescências do tipo única comercializadas para consumo in natura têm vida útil pouco maior que as do tipo ramoso. Em geladeira doméstica, podem ser mantidas por até 4 dias, dentro de embalagens plásticas perfuradas.
Com a refrigeração, esse tempo pode ser estendido, o que propicia impacto favorável na distribuição e comercialização do produto.
É muito importante que a cadeia de frio não seja quebrada, caso contrário, pode-se propiciar uma camada de água na superfície do produto, criando ambiente favorável ao desenvolvimento de microrganismos e também ao amarelecimento dos floretes (Figuras 32A e 32B).
Nos Estados Unidos, os produtos altamente perecíveis como os brócolis são resfriados com gelo e transportados em caixas de papelão ou poliestireno (isopor), em caminhões do tipo baú. O uso de gelo é feito durante a colheita, no processo de embalagem realizado no campo ou em centrais deseleção. O gelo é picado ou injetado seco, colocado nas embalagens, preenchendo os espaços vazios, e tem contato direto com o produto recém-colhido. Além disso, ressalta-se que os brócolis, que normalmente perdem sua turgidez (água), recuperam-se aos poucos a partir da água resultante do derretimento do gelo, mantendo seu aspecto viçoso por maior tempo.

Figura 32. Inflorescências com sintomas de crescimento de fungos (circuladas em vermelho) e amarelecimento emdiferentes condições de temperatura e armazenagem.

Processamento mínimo
Frutas e hortaliças minimamente processadas são vegetais que passaram por processos, mas foram mantidos em seu estado fresco e metabolicamente ativos.
Esse processo propicia maior praticidade para o consumo. Os brócolis do tipo inflorescência única são tenros e permitem o processamento, por isso vêm ganhando mercado nos últimos anos. 
As etapas do processamento mínimo de brócolis são as seguintes: 
a) recepção e seleção da matéria-prima; 
b) primeira lavagem e resfriamento rápido, corte dos floretes; 
c) segunda lavagem, sanitização e enxague; d) centrifugação e secagem; 
e) embalagem, selagem
e etiquetagem; 
f) armazenamento e distribuição.


O fluxograma que apresenta essas etapas encontra-se na Figura 33.
Recepção, seleção e pesagem da matéria-prima - a matéria-prima, ao ser recebida, deve ser selecionada quanto à qualidade visual e uniformidade das cabeças de brócolis, características que facilitam todas as etapas de processamento, aumentando a produtividade e a qualidade do produto.
A pesagem da matéria-prima é necessária para controle do processo, formulação do produto e controle de qualidade.

Primeira lavagem e resfriamento rápido - a primeira lavagem da matéria-prima é feita em caixas plásticas ou tanques inoxidáveis, com água clorada ou detergente apropriado para lavagem de vegetais. A temperatura da água deve ser de 5 °C a 10 °C, para reduzir a sujidade dos floretes e o calor recebido no campo.

Corte e seleção dos floretes – os floretes devem ser cortados na base, com facas de aço inoxidáveis, bem afiadas e periodicamente desinfetadas.

Segunda lavagem e sanitização e enxágue – os floretes devem ser submetidos a uma nova lavagem, com água de boa qualidade em temperatura de 5 °C, a fim de retirar os possíveis resíduos que ainda restem, além de reduzir eventuais contaminações microbiológicas decorrentes da manipulação.
Para a sanitização, deve-se preparar uma solução de 100 mg a 150 mg de cloro para 1 L de água. Os brócolis devem ficar em contato com a solução por, no mínimo, 10 minutos. O produto deve ser enxaguado após o tratamento com cloro.

Centrifugação e secagem – os floretes devem ser submetidos à centrifugação para retirada do excesso de água, visando melhorar a apresentação e aumentar a vida útil do produto.

Embalagem, selagem e etiquetagem – o acondicionamento depende do mercado alvo, podendo variar de 1 kg a 5 kg para o mercado institucional, e de 200 g a 300 g para o mercado varejista. Após a pesagem do produto e seu acondicionamento, a embalagem de plástico é fechada e selada longitudinalmente com o auxílio de seladora elétrica.

Armazenamento e distribuição – produto deve ser armazenado em câmaras frias entre 1 °C e 5 °C. Na distribuição e comercialização, o produto deve ser mantido em cerca de 5 °C, para que não ocorra perda da qualidade e para que todo o esforço dispensado nas etapas anteriores, desde o cultivo até processamento do produto, não seja perdido. 
Depois do processamento, o produto deve ser distribuído o mais rápido possível em caminhões refrigerados à temperatura de 5 °C. Mantendo-se a cadeia de frio na comercialização, o produto pode ser conservado por até 15 dias.



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Colheita do Brócolis



Colheita do Brócolis

A colheita é realizada manualmente, e as condições do produto nesse período determinam seu comportamento subsequente e sua qualidade final. Nesse contexto, no momento da colheita são necessários certos cuidados para que se obtenham características de boa qualidade no momento do consumo. Hortaliças como os brócolis, que são colhidos imaturos ou ainda em fase de crescimento, deterioram-se rapidamente porque têm atividade metabólica elevada e poucos nutrientes de reserva.
A forma e a compacidade dos brócolis são um importante critério para determinar o momento certo para a colheita. Os brócolis devem ser colhidos no estádio de desenvolvimento adequado e nos horários mais frescos do dia. A determinação do ponto de colheita dos brócolis não é tão simples e depende do tipo (ramoso ou de inflorescência única). Normalmente devem ser colhidos quando as inflorescências atingirem seu crescimento pleno, observando a uniformidade de formação dos botões florais.
A colheita requer bom padrão de higiene no campo, com uso de embalagens adequadas, normalmente contentores plásticos, limpos, desinfetados e que permitam empilhamento, a fim de reduzir o contato com o solo e facilitar o transporte.
No tipo ramoso, o início da colheita ocorre cerca de 90 dias após a semeadura e produz colheitas sucessivas, de 3 a 4 meses, com intervalos de 7 a 10 dias, juntando os ramos colhidos em maço(Figura 28A).
Contudo, a depender das condições ambientais, é possível que se tenha ciclos mais curtos ou longos. Como exemplo, na Amazônia Central, os produtores que dão preferência à cultivar Ramoso Piracicaba realizaram cinco colheitas, com no máximo 2 meses de produção, obtendo média de 700 g por planta.
Apesar de o rendimento produtivo médio estar abaixo da média nacional, em torno de 45% a menos, o ganho monetário de forma geral pode ser bem compensatório, desde que analisadas as vantagens e desvantagens do mercado na região. A confirmação da possibilidade de exploração dessa olerícola em escala comercial na Amazônia supera-se a cada ciclo, o que reforça a necessidade de novas pesquisas que possam incrementar a produtividade.

Para o tipo inflorescência única, o ciclo de produção pode variar de 90 a 130 dias.

A colheita é realizada com um corte na base da primeira folha, no momento em que as inflorescências atingem o crescimento
máximo, apresentando-se compactas e com os grânulos bem fechados (Figuras 28B e 29). Inicialmente, colhe-se a inflorescência principal; em seguida, em alguns casos, colhem-se também as laterais para o mercado in natura. Estas últimas são de menor diâmetro e são embaladas juntas em bandejas cobertas por filme plástico. A homogeneidade das colheitas é influenciada pelo clima e, principalmente, pela cultivar utilizada.
O mercado para consumo in natura tem dado preferência às inflorescências do tipo única, de coloração verde-escura, compactas, de boa granulometria, com tamanho médio, de 300 g a 400 g de peso e diâmetros entre 12 cm e 15 cm.

As indústrias processadoras preferem essas características, porém também utilizam inflorescências de maior peso e diâmetro. Para congelamento, os floretes de comprimento (da base ao topo) possuem tamanho padrão entre 4 cm e 10 cm e são cortados em campo pelos produtores fornecedores localizados em menor distância ou na própria indústria, em condições higienizadas.
A produtividade normal do tipo ramoso varia de 10 mil a 18 mil maços de 1 kg/ha.
Com relação ao tipo inflorescência única, podem ser colhidos mais de 20 mil plantas por hectare, dependendo do espaçamento utilizado, com produtividades que variam de 7 t/ha a 22 t/ha.


Figura 28. Inflorescências recém-colhidas: maços do tipo ramoso (A) e inflorescência única (B).





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