quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Colheita do Brócolis



Colheita do Brócolis

A colheita é realizada manualmente, e as condições do produto nesse período determinam seu comportamento subsequente e sua qualidade final. Nesse contexto, no momento da colheita são necessários certos cuidados para que se obtenham características de boa qualidade no momento do consumo. Hortaliças como os brócolis, que são colhidos imaturos ou ainda em fase de crescimento, deterioram-se rapidamente porque têm atividade metabólica elevada e poucos nutrientes de reserva.
A forma e a compacidade dos brócolis são um importante critério para determinar o momento certo para a colheita. Os brócolis devem ser colhidos no estádio de desenvolvimento adequado e nos horários mais frescos do dia. A determinação do ponto de colheita dos brócolis não é tão simples e depende do tipo (ramoso ou de inflorescência única). Normalmente devem ser colhidos quando as inflorescências atingirem seu crescimento pleno, observando a uniformidade de formação dos botões florais.
A colheita requer bom padrão de higiene no campo, com uso de embalagens adequadas, normalmente contentores plásticos, limpos, desinfetados e que permitam empilhamento, a fim de reduzir o contato com o solo e facilitar o transporte.
No tipo ramoso, o início da colheita ocorre cerca de 90 dias após a semeadura e produz colheitas sucessivas, de 3 a 4 meses, com intervalos de 7 a 10 dias, juntando os ramos colhidos em maço(Figura 28A).
Contudo, a depender das condições ambientais, é possível que se tenha ciclos mais curtos ou longos. Como exemplo, na Amazônia Central, os produtores que dão preferência à cultivar Ramoso Piracicaba realizaram cinco colheitas, com no máximo 2 meses de produção, obtendo média de 700 g por planta.
Apesar de o rendimento produtivo médio estar abaixo da média nacional, em torno de 45% a menos, o ganho monetário de forma geral pode ser bem compensatório, desde que analisadas as vantagens e desvantagens do mercado na região. A confirmação da possibilidade de exploração dessa olerícola em escala comercial na Amazônia supera-se a cada ciclo, o que reforça a necessidade de novas pesquisas que possam incrementar a produtividade.

Para o tipo inflorescência única, o ciclo de produção pode variar de 90 a 130 dias.

A colheita é realizada com um corte na base da primeira folha, no momento em que as inflorescências atingem o crescimento
máximo, apresentando-se compactas e com os grânulos bem fechados (Figuras 28B e 29). Inicialmente, colhe-se a inflorescência principal; em seguida, em alguns casos, colhem-se também as laterais para o mercado in natura. Estas últimas são de menor diâmetro e são embaladas juntas em bandejas cobertas por filme plástico. A homogeneidade das colheitas é influenciada pelo clima e, principalmente, pela cultivar utilizada.
O mercado para consumo in natura tem dado preferência às inflorescências do tipo única, de coloração verde-escura, compactas, de boa granulometria, com tamanho médio, de 300 g a 400 g de peso e diâmetros entre 12 cm e 15 cm.

As indústrias processadoras preferem essas características, porém também utilizam inflorescências de maior peso e diâmetro. Para congelamento, os floretes de comprimento (da base ao topo) possuem tamanho padrão entre 4 cm e 10 cm e são cortados em campo pelos produtores fornecedores localizados em menor distância ou na própria indústria, em condições higienizadas.
A produtividade normal do tipo ramoso varia de 10 mil a 18 mil maços de 1 kg/ha.
Com relação ao tipo inflorescência única, podem ser colhidos mais de 20 mil plantas por hectare, dependendo do espaçamento utilizado, com produtividades que variam de 7 t/ha a 22 t/ha.


Figura 28. Inflorescências recém-colhidas: maços do tipo ramoso (A) e inflorescência única (B).