google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

terça-feira, 9 de maio de 2017

Clima, Solos e Adubação para Berinjela



Clima

Originária de clima tropical e subtropical, a berinjela desenvolve-se preferencialmente em regiões de clima quente (temperatura média diurna de 25-350C e noturna de 20-270C) e com umidade relativa do ar de 80%. Nessas condições, pode ser cultivada durante todo o ano. Em locais de temperatura média inferior a 180C no inverno, o plantio deve ser realizado na primavera ou verão. As temperaturas elevadas são favoráveis na germinação, emergência e estádio inicial de formação de mudas. Temperatura média abaixo de 140C inibe o crescimento, floração e frutificação; acima de 320C acelera a maturação dos frutos e, acima de 350C por período prolongado, inviabiliza o pólen, impede a plena fertilização e resulta em frutos defeituosos. Temperatura noturna abaixo de 160C resulta em crescimento retardado das plântulas. Entretanto, uma vez estabelecida, a cultura tem certa resistência ao frio.
Como a maioria das solanáceas, responde favoravelmente à termoperiodicidade, com diferença de 6 a 80C entre as temperaturas noturna e diurna. Aparentemente, não é sensível a variações no comprimento do dia, podendo crescer e florescer durante todo o ano. É boa sua tolerância à seca e umidade excessiva. Embora não seja considerada cultura de hábito perene, quando submetida à poda após o primeiro ano de produção, a planta rebrota permitindo novo ciclo de produção.

SOLOS

Preparo do solo e calagem

A berinjela pode ser cultivada em diversos tipos de solos, desde os arenosos até os muito argilosos. Entretanto, desenvolve-se melhor em solos de textura média, profundos, ricos em matéria orgânica, com boa retenção de umidade e bem drenados, uma vez que a cultura não tolera encharcamento.

Antes do preparo do terreno, deve-se retirar amostras de solo da camada de 0-20 cm e, quando possível, da camada subsuperficial (20-40 cm), para realização de análises químicas, imprescindíveis à adequada recomendação de corretivos e fertilizantes. O procedimento para amostragem do solo pode ser encontrado nos Manuais de Recomendação de Adubação ou por meio de consulta a um técnico.

O preparo do solo geralmente consiste de uma a duas arações e duas gradagens. A aração deve atingir a profundidade de 30 cm, sendo seguida por uma gradagem de nivelamento. Em seguida aplica-se o calcário à lanço, distribuído de maneira uniforme no terreno, incorporando-o na camada de 0 a 20 cm de forma homogênea por meio de uma segunda gradagem. A calagem deve ser realizada com antecedência em relação ao plantio, com tempo suficiente para que o calcário reaja no solo, o que leva em torno de 60 a 90 dias e só ocorre na presença de umidade. Deve-se utilizar preferencialmente o calcário dolomítico. O calcário calcinado, de maior custo, pode ser uma boa opção para casos em que se tenha urgência para o plantio, visto que reage em cerca de 15 dias.

Para maior eficiência dos fertilizantes aplicados e melhor desenvolvimento das plantas de berinjela recomenda-se correção do pH a valores 5,5 a 6,5 e saturação por bases em torno de 70%. A quantidade de calcário a ser aplicada dependerá do resultado da análise de solo e pode ser calculada utilizando-se de um dos critérios descritos a seguir:
1. Método da elevação da porcentagem de saturação por bases:
t ha-1 de calcário = (V2–V1)T/PRNT, em que:
V2 = 70% (saturação por bases desejada)
V1 = saturação por bases atual (análise de solo) = [(Ca2+ + Mg2+ + K+) x 100]/T
T= capacidade de troca catiônica a pH 7,0 [Ca2+ + Mg2+ + K+ + (H + Al)] em cmolc dm-3
PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário a ser aplicado.

2. Método da neutralização do Al3+ e fornecimento de Ca2+ + Mg2+:

t ha-1 de calcário = Y [Al3+ - (5,0 x t/100)] + [3,0 – (Ca2+ + Mg2+)] x 100/PRNT
em que:
Y = fator que varia com a capacidade tampão de acidez do solo, a ser definido de acordo com a textura. Para solos arenosos (0-15% de argila), de textura média (15-35), argilosos (35-60) e muito argilosos (60-100% de argila) utiliza-se valores Y de 0,5; 1,5; 2,5 e 3,5, respectivamente.
t = capacidade de troca catiônica efetiva (Ca2+ + Mg2+ + K+ + Al3+) em cmolc dm-3
PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário a ser aplicado.

O plantio da berinjela pode ser realizado em sulcos ou covas. O sulco deve ter aproximadamente 20 cm de profundidade. O espaçamento é de 1,2 a 1,5 m entre fileiras e de 0,7 a 1,0 m dentro da fileira. Para as cultivares híbridas atuais, que apresentam plantas extremamente vigorosas, ou quando se pretende prolongar o período de colheita deve-se optar pelos maiores espaçamentos. A muda deve ser transplantada na mesma profundidade da sementeira, sem enterrar o coleto para evitar a podridão-do-colo.

Adubação

A recomendação de adubação para a berinjela deve ser feita com base nos resultados da análise de solo e seguir orientação técnica. Para Latossolos do Distrito Federal, a Embrapa Hortaliças adota a recomendação de adubação apresentada na Tabela 1. A adubação de plantio deve ser aplicada cerca de 10 dias antes do transplante das mudas, no sulco de plantio, juntamente com 30 t ha-1 (60 m3 ha-1) de esterco de curral curtido ou 10 t ha-1 (20 m3 ha-1) de esterco de galinha. Considerando que a berinjela é muito exigente em magnésio, caso o teor deste elemento no solo esteja abaixo de 1,5 cmolc dm-3, deve-se adicionar 150 kg ha-1 de sulfato de magnésio, atentando para a relação Ca:Mg do solo, que deve ficar em torno de 3-6:1. As adubações em cobertura deverão ser realizadas aos 45 e 90 dias após o transplante com 25 kg ha-1 de N e 25 kg ha-1 de K2O por aplicação. Entretanto, caso tenha sido aplicado esterco de galinha puro no plantio e dependendo do desenvolvimento da planta não há necessidade de adubação nitrogenada em cobertura.

Os estados da região Sudeste, principais produtores de berinjela no Brasil, possuem recomendações de adubação adequadas e calibradas às suas condições de solo e clima. Para São Paulo, as recomendações encontram-se na Tabela 2. Deve-se aplicar 10 a 20 t ha-1 de esterco de curral curtido ou 1/4 dessas quantidades de esterco de galinha, juntamente com a adubação de plantio, cerca de 10 dias antes do transplante das mudas. É recomendável que se aplique também 30 kg ha-1 de S no plantio caso não se utilize adubos contendo enxofre em sua formulação, como o sulfato de amônio, por exemplo. A adubação em cobertura com N e K deve ser parcelada de 4 a 6 vezes, a partir de 30 dias após o transplantio.

As recomendações de adubação para Minas Gerais, visando uma produtividade de 25 a 70 t ha-1, estão apresentadas na Tabela 3. Todo o P (100%) e parte do N e do K (40%) devem ser aplicados antes do plantio, enquanto o restante do potássio e do nitrogênio (60%) deverão ser parcelados ao longo do ciclo, em cobertura, sendo seis aplicações de 10% a cada 15 dias. Deve-se adicionar 20 a 40 t ha-1 de esterco de curral curtido ou 5 a 10 t ha-1 de esterco de galinha, aplicados 10 a 15 dias antes do transplantio, incorporados e bem misturados ao solo, nos sulcos ou nas covas de plantio. As maiores doses deverão ser utilizadas nos solos arenosos.

Na Tabela 4 estão descritas as quantidades de adubos para o cultivo da berinjela no estado do Rio de Janeiro visando obter uma produtividade de 20 a 30 t ha-1. A adubação orgânica, 20 a 30 t ha-1 de esterco de curral ou composto orgânico ou 10 a 15 t ha-1 de cama de aves ou 5 a 8 t ha-1 de esterco de aves, deve ser aplicada 20 a 30 dias antes do transplantio juntamente com 2/3 da dose de P e 1/3 da dose de K. O restante do P (1/3) deve ser aplicado no transplantio das mudas. O resto do K (2/3) será adicionado em duas coberturas junto com o N, a primeira após o transplantio e a segunda 30 dias depois, sendo 1/3 da dose de K e 30 kg ha-1 de N por vez. Se houver sintoma de deficiência de N, aplicar mais uma dose de 30 kg ha-1 de N.

Tabela 1. Recomendação de adubação para berinjela na região do Distrito Federal.

Nutriente
teor de P no solo (Mehlich-1) (mg dm-3)
< 10
10-30
30,1-60
> 60

cobertura
(kg ha-1)
plantio (kg ha-1)
P2O5
300-400
200-300
100-200
50








Nutriente
teor de K no solo (mg dm-3)


cobertura1/(kg ha-1)
< 6060 -120120,1-240> 240
plantio (kg ha-1)
K2O
100-150
50-100
0-50
-
50






Nutriente
N
plantio (kg ha-1)
cobertura1/(kg ha-1)
100
50






Nutriente
plantio (kg ha-1)
cobertura
(kg ha-1)
B
2
--
Zn
4
--

1/adubação em cobertura deve ser parcelada em 2 vezes, aos 45 e 90 dias após o transplante.

Fonte: EMATER-DF (1987).
Tabela 2. Recomendação de adubação para a cultura da berinjela no estado de São Paulo.

Nutriente
teor de P no solo (resina) (mg dm-3)
< 25
25-60
> 60

plantio (kg ha-1)
cobertura
(kg ha-1)
P2O5
600
320
160
-- 







Nutriente
teor de K no solo (mg dm-3)

< 60
60 -120
> 120

plantio (kg ha-1)
cobertura1/ (kg ha-1)
K2O
180
120
60
80-120






Nutriente
N
plantio (kg ha-1)
cobertura1/ (kg ha-1)
40
80-120

Nutriente
Zn no solo (mg dm-3)

< 0,6

> 0,6

plantio (kg ha-1)
cobertura1/ (kg ha-1)
Zn
3,0
0,0
Nutriente
N
plantio (kg ha-1)
cobertura1/ (kg ha-1)
40
80-120

Nutriente

plantio (kg ha-1)

cobertura1/ (kg ha-1)
B
1
80-120

1/adubação em cobertura deve ser parcelada de 4 a 6 vezes, a partir de 30 dias após o transplantio. 

Fonte: Raij et al. (1997).
Tabela 3. Recomendação de adubação para a cultura da berinjela no estado de Minas Gerais.
Fósforo
Potássio
Nitrogênio
P no solo (Mehlich-1) (mg dm-3)
Dose de P2O
(kg ha-1)
K no solo (mg dm-3)
Dose de K2O1/ (kg ha-1)
Dose de N1/  (kg ha-1)

Baixo



200


< 50


160


100
Argiloso2/
Text. média
Arenoso
< 32
< 48
< 80
Médio


160


51-90


120


100
Argiloso
Text. média
Arenoso
32 – 47
48 – 79
80 – 119
Bom


120


91-140


80


100
Argiloso
Text. média
Arenoso
48 – 72
80 – 120
120 – 180
Muito bom


80


>140


50


100
Argiloso
Text. média
Arenoso
> 72
> 120
> 180

1/aplicar 60% do K e do N em seis coberturas a cada 15 dias após o transplante. 2/ Considera-se como argilosos, de textura média e arenosos aqueles solos com teores maiores que 35, de 15 a 35, e menores que 15% de argila, respectivamente.

Fonte: Ribeiro et al. (1999).
Tabela 4. Recomendação de adubação para a cultura da berinjela no estado do Rio de Janeiro.

Nutriente
teor de P no solo (Mehlich-1) (mg dm-3)
< 10
10-30
20,1-30
> 30
plantio (kg ha-1)
P2O5
120
90
60
--






Nutriente
teor de K no solo (mg dm-3)
< 45
45-90
90,1-135
> 135
plantio + cobertura1/ (kg ha-1)
K2O
90
60
30
--





Nutriente
N
cobertura1/(kg ha-1)
60
1/Realizar duas adubações de cobertura com 1/3 da dose de K e 30 kg ha-1 de N por aplicação, a primeira após o transplantio e a segunda 30 dias depois. Se houver sintoma de deficiência de N, aplicar mais uma dose de 30 kg ha-1de N.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Botânica da Berinjela (Solanum melongena L.)



A berinjela (Solanum melongena L.) é originária da Índia e foi introduzida no Brasil no século XVI pelos portugueses. Os árabes, os orientais (principalmente os japoneses) e seus descendentes são os maiores consumidores desta hortaliça. É cultivada em maior escala nos estados de São Paulo, seguido de Minas Gerais e da região Sul do País. A pesquisa científica com esta espécie teve início em 1937 no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), com a introdução de sementes de alguns materiais comerciais. Em 1940, foram instalados os primeiros ensaios para avaliação das variedades de berinjela recém-introduzidas.
Há disparidade entre os dados de produção e área cultivada com berinjela no Brasil. A partir de 2001, houve um “boom” da cultura em função da divulgação dos benefícios pelos quais ela responde na prevenção e tratamento do diabetes. De acordo com informações fornecidas por entidades estaduais de extensão rural, a área cultivada em 2005 foi de 700 ha, em MG, PR e DF com produção de 18.500 t e produtividade média de 27,4 t/ha. Entretanto, somente no estado de São Paulo, segundo o Instituto de Economia Agrícola, a área plantada em 2004 foi de 1,3 mil ha, com produção de 46,0 mil t, perfazendo a produtividade média de 35,4 t/ha. 

A berinjela, botanicamente classificada como Solanum melongena L., pertence à família Solanaceae, assim como o tomate, pimenta, pimentão, batata e jiló. Foi introduzida à dieta brasileira por emigrantes árabes, sendo consumida principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Os frutos cozidos são usados como verdura ou hortaliça nos trópicos. Podem, também, ser fervidos, fritos, recheados, grelhados ou refogados. As variedades que apresentam frutos pequenos baby são utilizadas para produção de conservas/picles.

Os frutos imaturos são, algumas vezes, utilizados em molhos (PURSEGLOVE, 1968). O gênero Solanum é predominantemente originário das Américas Central e do Sul (cerca de 2.000 espécies), porém existem apenas cerca de 40 espécies nativas da Ásia, e entre elas, 27 na Índia englobando a berinjela (S. melongena) e seus parentes silvestres.

Embora não tenha sido completamente elucidada ainda, a maior parte das evidências indica que a berinjela (S. melongena) teve origem na Ásia. Regiões como o Oriente Médio, a região Indo-Burma, Japão e China têm sido indicadas como prováveis centros de origem por diversos autores. Entretanto, mesmo tendo-se registros de cultivo há mais de 1500 anos, em determinadas regiões da China, Khan (1979) e Kalloo (1993) consideram a Índia como provável lugar de origem da berinjela devido às inúmeras referências encontradas em documentos escritos em sânscrito, linguagem ancestral desse país. Autores como Martin e Pollack (1979) consideram a China e África como centros secundários de dispersão.

Quanto às características botânicas, a planta apresenta porte arbustivo, com caule do tipo semi-lenhoso, ereto ou prostrado, podendo atingir 0,5 a 1,8 m de altura. Trata-se de uma planta perene que, muitas vezes, comporta-se como anual, pois a morte dos indivíduos ainda no primeiro ano é freqüente, devido a doenças. Quando podadas no primeiro ano de produção geralmente rebrotam e produzem novamente no segundo. A intensa formação de ramos laterais confere à planta o aspecto de arbusto bem copado. O sistema radicular pode atingir profundidades superiores a 1,0 m. As folhas são alternas, simples; pecíolos de 2-10 cm de comprimento; limbo foliar de formato ovado ou oblongo-ovado, com densa pilosidade acinzentada; margens sinuosamente lobadas, ápice agudo ou obtuso, base arredondada ou cordada, geralmente desiguais. Dependendo da cultivar, podem apresentar espinhos nos ramos, pecíolos, folhas, pedicelos e cálices. As flores são solitárias ou distribuídas em inflorescência do tipo cimeira com 2-7 flores, de tamanho que varia de 3 a 5 cm de diâmetro, em posição oposta ou sub-oposta às folhas. Pedicelos de 1-3 cm de comprimento. O cálice, com 2 cm de comprimento, é persistente, com 5 a 7 sépalas. A corola é do tipo gamopétala, com 5 a 6 pétalas fundidas na base formando tubo, de coloração lilás a violeta. Os 5 a 6 estames são livres, eretos, amarelos e com filamentos bem curtos; as anteras alongadas, apresentam 2 poros apicais; estilete simples com estigma lobado, capitado, levemente acima dos estames. Os frutos são grandes, pendentes, do tipo baga, de formato variável (oval, oblongo, redondo, oblongo-alongado, alongado etc.), normalmente brilhantes, de coloração branca, rosada, zebrina, amarela, púrpura ou preta.

No Brasil, o tipo mais comum é a berinjela de formato oblongo, de coloração roxo-escuro, brilhante e pedúnculo (cabinho) verde.

A berinjela propaga-se geralmente por sementes, entretanto ramos axilares podem apresentar enraizamento se forem enterrados. Segundo Purseglove (1969), em regiões onde existem doenças bacterianas relacionadas, como em Porto Rico por exemplo, as plantas de berinjela são enxertadas em plantas de Solanum torvum, que apresentam resistência à murcha bacteriana.

A berinjela reproduz-se preferencialmente por autofecundação. O percentual de polinização cruzada natural varia com a cultivar e com outros fatores ambientais, com média estimada em 6 a 7%, podendo, no entanto, chegar próximo a 50%. A taxa de polinização cruzada aumenta em locais onde ocorrem populações de insetos polinizadores, como a mamangava.

O fruto de berinjela é uma boa fonte de sais minerais e vitaminas e seu valor nutricional total pode ser comparado ao do tomate. Análises têm mostrado que o peso fresco dos frutos apresenta a seguinte composição: 96,3% de água, 1,9% de fibras e 19% de calorias. Em 100 g de berinjela crua encontram-se os minerais: 1,1 mg de cobre, 100 mg de enxofre, 90 mg de magnésio, 3,8 mg de manganês, 2,7 mg de zinco, 112,7 mg de potássio, 38,2 mg de sódio, 17 mg de cálcio, 0,4 mg de ferro e 29 mg de fósforo. As vitaminas são encontradas nas seguintes proporções: 5 µg de vitamina A (retinol), 60 µg de vitamina B1 (tiamina), 45 µg de vitamina B2 (riboflavina), 0,6 µg de vitamina B3 (niacina) e 1,2 mg de vitamina C (ácido ascórbico).

Há relatos do uso de berinjela em tratamentos de asma, diabetes, cólera e bronquite. Porém, entre as propriedades medicinais, destaca-se o controle de colesterol no sangue. Khan (1979) relata que, na medicina ayurvédica, as variedades que apresentam frutos brancos são utilizadas para o combate a diabetes e que as raízes são consideradas como antiasmáticas. O mesmo autor relata ainda que, na Guiana o suco das raízes serve para o combate à otite e dor de dente. As folhas são tidas também como narcóticas. Extratos das plantas inibem vários tipos de bactérias sendo que a polpa dos frutos é mais efetiva que o suco das folhas.

A berinjela é suscetível a várias doenças e pragas que causam perdas econômicas significativas. Entretanto, esses problemas têm sido contornados pela utilização de técnicas convencionais de melhoramento utilizando-se espécies silvestres resistentes de Solanum.

Materiais selvagens, incluindo cultivares e espécies primitivas, são de interesse para trabalhos de melhoramento por possuírem genes de resistência a muitas doenças e pragas importantes. Algumas tentativas de hibridação entre berinjela e espécies de Solanum spp. já foram registradas, entretanto resultaram em progênie estéril ou parcialmente férteis. Já foram reportados cruzamentos interespecíficos entre S. melongena e S. incanum, S. xanthocarpum, S. zuccagnianum, S. integrifolium, S. anomalum, S. sodomaeum, S. macrocarpon, S. gilo, S. indicum e S. hispidum. Segundo Khan (1979), essas dez espécies mostram algum tipo de relacionamento genético com a berinjela, pois apresentam híbridos com diferentes valores de fertilidade.




quinta-feira, 4 de maio de 2017

Cactus a Beleza Que Machuca (como cultivar)








Cactos - do vaso à jardineira
Os cactos são mais adaptados a ambientes secos, em geral, em solos formados por cascalho e areia, onde a água escoa rapidamente. Além disso, preferem ambientes abertos e com muita insolação, em regiões também de clima seco.
No Brasil existem em torno de 400 espécies de cactus, cerca de 50% das espécies conhecidas até o momento. Você pode organizar uma coleção de cactáceas em um jardim, balcão, terraço ou mesmo junto a uma janela.



Os cactos necessitam de sol, ventilação e não suportam excesso de umidade. Isso é o básico para quem deseja cultivar cactos. A exceção fica por conta dos mini-cactos (aqueles que encontramos até em supermercados, em pequenos vasinhos) que, em geral, têm menos de três anos. Como ainda são bem jovens, os mini-cactos apresentam menor resistência à exposição direta dos raios solares. Neste caso, é melhor colocá-los em áreas claras e arejadas, mas longe da luz solar direta.
Como algumas espécies menores podem não se adaptar ao solo para onde forem transplantadas, é melhor plantá-las no jardim mantendo-as dentro dos vasinhos em que estiverem, especialmente se forem cactos enxertados.



No verão as espécies com mais de três anos devem ser regadas a cada 5 ou 6 dias, e os mini-cactos a cada 4 dias. No inverno, os cactos mais velhos devem receber água a cada 12 dias e os jovens a cada 8 dias. Toda a terra ao redor deverá ser molhada, mas não encharcada. Deixe que a água seja absorvida antes de colocar mais água. Água em excesso pode fazer apodrecer as raízes e a base da planta. Se isto acontecer, corte a parte afetada e trate com pó de enxofre. As pragas mais comuns associadas ás cactáceas são as cochonilhas, ácaros e pulgões.
Para cultivar os cactos em jardins, escolha um canto com pequeno declive. Se não houver, amontoe algumas pedras ou forme montinhos de terra, para drenar bem a água. O solo ideal é obtido com a mistura de partes iguais de areia, terra local e adubo orgânico (humus de minhoca, torta de mamona ou esterco animal). Revolva bem o solo tratado. Observe que a camada tratada tenha pelo menos 50cm de profundidade.
Para fertilizar, recomenda-se, uma vez por mês, substituir a água da rega por um fertilizante líquido básico para plantas verdes diluído na proporção indicada pelo fabricante.
Para transplantar ou enraizar o melhor período é a primavera ou verão. Deve-se sempre deixar cicatrizar a parte cortada, seja nas raízes ou no corpo da planta por no mínimo 8 dias.


domingo, 30 de abril de 2017

CULTIVO DE ABÓBORA HÍBRIDA



PLANTIO


» Época: ano todo, evitando-se regiões ou épocas frias. 

» Espaçamentos: 2x2m; 3x1,5m ou 2,5x2,5m. 

» Semeadura direta: uma a duas sementes por cova, a 2 cm de profundidade e cobrir. 
» Transplante: mudas com 12 a 15 dias de idade, produzidas em bandejas de isopor com 128 células e no mínimo 6 cm de altura.




  • ADUBAÇÃO

  • » Adubação química: de acordo com a análise de solo. Na falta desta, aplicar, 1000 kg/ha da fórmula 4-30-16 ou 2000 kg/ha da fórmula 4-14-8. 
    » Adubação orgânica: 5 kg de esterco de curral ou 2 kg de esterco de galinha curtidos por cova de plantio. 
    » Esquema: no plantio, aplicar toda a matéria orgânica e o adubo formulado. Em cobertura, aplicar entre as ramas 50 kg de N/ha, na forma de sulfato de amônio ou uréia, distribuídos em duas vezes, aos 30 e aos 50 dias após o plantio.




  • IRRIGAÇÃO

  • » Em média, 5 mm de água por dia. Irrigar até quatro vezes por semana, dependendo do solo, das condições climáticas e do estádio de crescimento das plantas. Solo argiloso permite irrigações mais espaçadas. Utilizando-se mudas, fazer uma irrigação prévia para atingir o nível de umidade do solo apropriado ao transplante. Evitar irrigações por aspersão pela manhã, para não prejudicar a polinização.




  • FRUTIFICAÇÃO

  • » Pode ser natural (por polinização) ou através do uso de hormônio (por partenocarpia).

    Frutificação natural ou sexuada
    Plantio de uma fileira de abóbora ou moranga como polinizadora, intercalada a cada quatro fileiras do híbrido. Semeio da polinizadora de 15 a 21 dias antes do semeio do híbrido. É indispensável a presença de agentes polinizadores, como abelhas.
    Frutificação assexuada com o uso de hormônio

    » Modo de uso: pulverizar um jato rápido de uma solução de 2,4-D comercial ou alfa-naftalenoacetato de sódio, no interior da flor feminina. 

    » Dose: 1,5 a 2,0 ml por 10 litros de água. 

    » Época de aplicação: diariamente das 6 às 10 horas da manhã, durante todo o período de floração. 
    » Vantagens: dispensa o plantio da abóbora ou moranga polinizadora e a presença de abelhas, garantindo maior produtividade.




  • CONTROLE FITOSSANITÁRIO

  • » Práticas culturais, como escolha, preparo e adubação do solo; plantio de semente de boa qualidade; manejo da água de irrigação e controle de plantas daninhas reduzem as chances do aparecimento de doenças e pragas e, consequentemente, a necessidade do uso de agrotóxicos. Em caso do ocorrência de pragas e doenças, procurar o Serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural. Evitar pulverizações no período da manhã para não prejudicar a polinização.




  • COLHEITA, TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO DOS FRUTOS

  • » Colheita: manual, quando os frutos estiverem maduros, em geral, de 90 a 110 dias após o plantio. O fruto maduro apresenta a parte apoiada no solo com cor amarelada e o pedúnculo com a cor palha, parecendo estar seco. 
    » Transporte: do campo ao local de armazenamento, à granel em caminhões ou carretas. Evitar danos mecânicas. 
    » Armazenamento: após a colheita, os frutos devem ficar em local seco, sombreado e bem ventilado. Fazer inspeções periódicas eliminando os frutos podres.




  • CLASSIFICAÇÃO E EMBALAGEM DOS FRUTOS

  • » Classificação: por peso dos frutos, eliminando-se aqueles danificados, podres, queimados pelo sol e os inferiores a um quilo. As classes comerciais podem ser de 1,0 a 1,7 kg; 1,8 a 2 ,5 kg e maiores do que 2,5 kg, 
    » Embalagem: em sacos de ráfia com capacidade para 30 kg de frutos.











    terça-feira, 25 de abril de 2017

    Caracteristicas da Berinjela e História




    Originária das zonas tropicais e subtropicais asiáticas, a berinjela é cultivada há muito tempo na Índia, Birmânia e China. Por volta do ano 1200, já era cultivada no Egito, de onde foi levada na Idade Média para a Península Ibérica e a Turquia, para posteriormente se estender pelo Mediterrâneo e resto da Europa.
    O vocábulo "berinjela" é de origem persa e vem do árabe "badingana". Era consumida na Espanha de maneira freqüente no século XVI; no século seguinte, foi introduzida na França, transformando-se em uma das verduras prediletas de Luis XIV e alcançou grande reputação nas cozinhas do Oriente Médio, da Turquia e dos Bálcãs. Atualmente, é cultivada em praticamente todo o mundo, sendo a base de alguns pratos tradicionais.

    Tipos 
    A berinjela é um fruto carnudo da família das solanáceas que pode apresentar duas formas: alongada ou arredondada. Sua casca é arroxeada. Tem uma polpa branca e carnuda, dentro da qual se encontram algumas sementes suaves - não é preciso eliminá-las.

    Existem mais de 30 variedades, mas as mais conhecidas são: 
    - Long Purple: sua forma é alongada e a casca é de cor arroxeada; 
    - Easter Egg: sua casca é branca e a forma é oval; 
    - Black Enorma: é uma das maiores variedades; 
    - Serpentinum: sua forma é alongada e com uma casca verde clara.


    Berinjela
    Ainda que a berinjela seja pouco nutritiva, é vegetal muito versátil e compõe muitos pratos de diferentes etnias, como o curry da Índia, omoussaka grego, o baba ghanoush do Oriente médio e o ratatoiulle francês, entre outros. A berinjela tem pouquíssimas calorias, apesar de proporcionar uma sensação de saciedade - uma xícara de berinjela crua contém menos de 40 calorias.
    As berinjelas mais gostosas são tenras e firmes, de pele fina e sabor leve. As maiores costumam ter mais sementes, além de serem duras e amargas. Tem sabor e consistência de carne, sendo ideais para pratos vegetarianos.
    Elas podem ser recheadas e cozidas, grelhadas, assadas ou ensopadas. Algumas desenvolvem um sabor amargo que pode ser eliminado salgando-se a berinjela antes de cozinhá-la. Corte o vegetal, salgue-o e deixe-o descansar por meia hora. Lave e seque. O sal elimina um pouco da umidade e reduz o sabor amargo.

    Nutrição e saúde 
    É aconselhável consumir as berinjelas com sua casca, onde se encontra boa parte de seus nutrientes - que não são poucos. Ela é rica em potássio, cálcio e fósforo, e seu conteúdo tem vitaminas A, B e C, betacarotenos e ácido fólico.

    Ela tem apenas 21 calorias por 100 gramas e é rica em fibras, por isso sacia e ajuda a combater a preguiça intestinal. Exerce um considerável efeito depurativo sobre o sangue: limpa, previne as hemorragias e protege as artérias lesionadas pelo colesterol.

    Na cozinha 
    Quando se prepara berinjelas, é conveniente utilizar uma faca de aço inoxidável para cortá-las, para evitar que a polpa se oxide e escureça. Antes de cozinhá-las, é aconselhável deixar as rodelas em molho de água com sal durante 30 minutos, para que soltem os sucos amargos, e secá-las com papel absorvente. Se vai demorar a utilizá-las, salpique com um pouco de suco de limão; isto evita a oxidação.

    A berinjela é um dos ingredientes básicos da cozinha mediterrânea. Não costumam ser consumidas nem cruas nem cozidas pois adquirem um sabor muito amargo, mas seu repertório de pratos é ilimitado. São preparadas de diferentes formas: recheadas ao forno, fritas ao natural ou refogadas, em molho, gratinadas etc.



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