segunda-feira, 7 de junho de 2021

PANCS: Jurubeba (Solanum scuticum)

 

Jurubeba (Solanum scuticum)

Planta semi-perene, de porte médio, com altura variando de 1,5 a 3,0 m. O nome vulgar deriva do tupi “yú”, espinho, e “peba”, achatado. É alógama e dependente de abelhas e melíponas para polinização.

Nomes comuns – Jurubeba, jubeba e jurubeba de conserva.

Família botânica – Solanaceae, a mesma do tomate, batata e berinjela.

Origem – América tropical, incluindo grande parte do território brasileiro.

Variedades – Há dois tipos que apresentam diferenças anatômicas bem nítidas: o de folhas em forma de coração com brotações em cor ferrugem e o de folhas dentadas sem esta coloração. Os frutos de ambas variedades são usados na alimentação humana, principalmente em Goiás e Minas Gerais, na região do Triângulo Mineiro.

Clima e solo – É muito rústica, tolerante à seca, própria de clima tropical e subtropical, adaptando-se a diversos tipos de solo.

Preparo do solo - Pode ser realizado pelo sistema convencional, adotando-se práticas conservacionistas, por meio de aração e gradagem, seguidos de coveamento e adubação, ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo), no qual o revolvimento é restrito às covas de plantio, deixando-se o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivos antecessores).

Calagem e adubação – É planta pouco exigente em fertilidade. Para que haja crescimento mais rápido, é interessante que seja mantido bom nível de matéria orgânica no solo. Como ocorre em solos de matas de galeria e de “mata seca”, é recomendada a calagem seguindo as recomendações da análise do solo. Na adubação pode se usar 200 g de fosfato natural por cova e 300 g de composto orgânico parcelado em três vezes durante o ciclo da cultura.

Plantio – Recomenda-se o plantio em recipientes individuais, semeando-se três ou quatro sementes por recipiente, as quais germinam 15 dias após a semeadura. O desbaste deve ser realizado 30 dias após a semeadura, deixando somente uma planta por recipiente, a mais vigorosa e aos 60 dias pode ser feito o transplantio para o campo. O espaçamento sugerido é de 2,5 m entre linhas e 1,0 m entre plantas na linha, para variedades de porte mais baixo, e 3,0 x 1,0 m para as de porte mais alto. A época ideal para o plantio é o início do período chuvoso.

Tratos culturais – Deve-se proceder capinas periodicamente, quando necessário, para evitar a concorrência com plantas infestantes. A planta deve ser mantida com a altura máxima de 2,0 m para facilitar o manejo e a colheita. Quando a altura ultrapassar esse limite, recomenda-se a poda do ponteiro na altura de 1,70 m. Não existem atualmente no Brasil estudos que identifiquem as principais pragas e doenças da cultura

Colheita e pós-colheita – A colheita é iniciada aos seis meses após o plantio, podendo ser estendida por seis meses; colhe-se do primeiro ao terceiro ano de cultivo. Os cachos com os frutos são colhidos ainda verdes em razão das sementes de frutos maduros serem muito duras e fibrosas. Recomendam-se o uso de tesoura de poda para cortar os cachos e luvas de couro para proteção contra os espinhos. O rendimento da cultura pode variar de 10 a 15 ton/ha.

Os cachos com frutos imaturos devem ser embalados em bandejas forradas com filme de PVC ou caixinhas de acrílico, com peso líquido de cerca de 300 g. A comercialização é feita em feiras livres e em frutarias “sacolões”, em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e outros Estados.

A forma mais comum de consumo da jurubeba é através do processamento sob a forma de conserva dos frutos verdes, o que lhe confere vida de prateleira de até um ano ou mais. Também é muito utilizada cozida com outros ingredientes, como arroz.

Além de seu uso como alimento, a jurubeba recebe destaque por sua resistência como potencial porta-enxerto de tomateiros visando controle de patógenos do solo, tais como nematoides

Figuras 66 e 67: Jurubeba, planta e frutos

Figuras 68 e 69: Jurubeba em bandeja e em conserva



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