google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

sábado, 15 de outubro de 2016

Cultivo da Jicama (Pachyrhizus erosus)



Originaria do Mexico, pertence à familia das leguminosas. É um tubérculo pouco conhecido, sendo cultivado em climas quentes da América Central, nas regiões dos Andes, Sul da Ásia.
Pode ser consumida  aos cubos, cortada em palitos finos, crus ou cozidos, em frituras, saladas, salada de repolho, sopa, e com outros vegetais e frutas como laranjas, maçãs, cenouras e cebolas, bem como carnes e frutos do mar. A receita mexicana mais comum  é fatia-las e polvilha-las com pimenta em pó, sal e suco de limão.
O Jicama  promove a saúde óssea, aumentando a absorção de cálcio de outros alimentos, protegendo contra a osteoporose. A inulina tem um papel prebiótico no intestino - que promove o "bom"  crescimento de bactérias que mantém tanto um cólon saudável e imunidade equilibrada. É um ótimo alimento para os diabéticos, sendo baixa em calorias para aqueles interessados ​​na redução de peso. Jicama é também uma excelente fonte de fibras e vitamina C - 44% do valor diário por porção. É um poderoso antioxidante que atua na proteção  contra o câncer, inflamação, tosse viral  e infecções. Além  ​​de potássio, a jicama pode ajudar a promover a saúde do coração, uma vez que os vegetais e frutas com  alto índice de potássio estão ligadas a menores riscos de doenças do coração. Jicama contém vitaminas importantes, como folatos, riboflavina, piridoxina, ácido pantotênico, e tiamina, e os minerais magnésio, cobre, ferro e manganês.
Um estudo publicado no British Journal of Nutrition em 2005 mostrou que os alimentos que contêm inulina, como jicama, reduzem  os riscos de câncer de cólon em vários aspectos, que incluem a redução da exposição, bem como o impacto tóxico de substâncias cancerígenas no intestino, e inibindo o crescimento e propagação do cancro do cólon para outras áreas do corpo. Os cientistas concluíram que a  inulina pode reduzir a incidência de câncer colorretal, quando administrado durante as fases iniciais de desenvolvimento do câncer. 
As sementes maduras da Jicama contêm altos níveis de rotenona, um produto químico usado como inseticida e pesticida.  O restante da planta jícama é muito tóxico . 


A jicama (Pachyrhizus erosus) é uma espécie de feijão originária do México e da américa central, e que produz raízes tuberosas que podem ser consumidas cruas ou cozidas. Ricas em inulina, um polissacarídeo do açúcar frutose, suas raízes têm um sabor adocicado e são uma rica fonte de fibras dietéticas. As raízes mais velhas ou maiores podem ser processadas para obtenção de amido.
A jicama é uma trepadeira perene de vida curta que pode atingir 4 ou 5 metros de altura, mas seus ramos, folhas, flores, vagens e feijões não devem ser consumidos, pois contêm retenona, uma substância que é moderadamente tóxica para mamíferos e altamente tóxica para peixes e invertebrados. As vagens colhidas muito jovens, antes dos feijões começarem a crescer, também podem ser consumidas cozidas, mas seu uso é menos comum.
O nome popular jicama vem do espanhol jícama, que por sua vez deriva da palavra náuatle xicamatl, que é o nome desta planta na língua asteca. Esta espécie também pode ser conhecida por vários outros nomes populares, como batata-mexicana, feijão-batata e jacatupé, embora outras espécies de feijão também possam ser conhecidas por estes dois últimos nomes.

Folhas e flores da jicama. A jicama é uma espécie de feijão trepador que produz raízes tuberosas comestíveis. As folhas, flores, vagens desenvolvidas e feijões são tóxicos e não devem ser consumidos

Clima
Cresce melhor em clima quente, não suportando baixas temperaturas. Pode ser cultivada em climas mais amenos se houver pelo menos 5 meses para cultivo sem baixas temperaturas, ou protegidas em estufas, mas as raízes produzidas normalmente serão menores do que as cultivadas em locais de clima mais quente. Clima quente e dias curtos favorecem o crescimento das raízes tuberosas.

Luminosidade
Cultive sob luz solar direta.
Solo
O ideal é que o solo seja leve, profundo, bem drenado, fértil e rico em matéria orgânica.

Irrigação
Irrigue com frequência para que o solo seja mantido sempre úmido, porém sem que permaneça encharcado.

Plantio
A jicama normalmente é propagada por sementes, mas as raízes tuberosas também podem ser usadas para este fim. As sementes podem ser semeadas diretamente no local definitivo, a uma profundidade de aproximadamente 1,5 cm. Também podem ser semeadas em sementeiras ou em sacos plásticos para mudas, fazendo o transplante quando as mudas estiverem bem desenvolvidas.
As raízes tuberosas podem ser usadas no plantio quando estão disponíveis mas não se encontram sementes, ou quando se procura selecionar as melhores raízes das melhores plantas para serem utilizadas em plantios destinados a produção de sementes que serão utilizadas em futuros plantios.
O espaçamento pode ser de 60 a 120 cm entre as linhas de plantio, sendo menor em clima mais ameno onde a colheita será realizada o mais cedo possível e maior em clima mais quente, dependendo também do espaço necessário em cada caso para a realização dos tratos culturais e do uso ou não de tutoramento para as plantas. O espaçamento entre as plantas pode ser de 20 a 25 cm.

Tratos culturais
Embora seja opcional, o ideal é que existam cercas ou treliças com 1 a 3 metros de altura (ou mais) para conduzirem o crescimento das plantas.
Retirar as flores pode favorecer o crescimento das raízes.

Retire as ervas invasoras que estiverem concorrendo por recursos e nutrientes.

As raízes jovens da jicama parecem com nabos. Raízes mais velhas apresentam uma forma mais irregular

Colheita
A colheita geralmente pode ser feita de 5 a 9 meses após o plantio, quando as raízes estão com pelo menos 8 cm de diâmetro. Em clima mais ameno, a colheita deve ser feita antes que a temperatura comece a cair muito (colha se as plantas aparentarem estar debilitadas por conta de temperaturas mais baixas). Em locais de clima quente a colheita é feita mais tarde, quando as raízes estão maiores. As raízes tuberosas continuam a crescer, podendo chegar a pesar 20 kg em alguns anos, mas as raízes mais velhas, com mais de um ano, são menos doces e mais amiláceas do que as mais jovens.
As raízes devem ser desenterradas com cuidado para que não que não sofram cortes ou se quebrem, o que apressa sua deterioração. As raízes intactas podem ser armazenadas por algumas semanas em temperatura ambiente e por alguns meses se mantidas refrigeradas.



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Adubação na Batata


Adubação

As quantidades de corretivos e fertilizantes a serem aplicadas devem ser adequadas a fim de permitir o bom crescimento e desenvolvimento da batata. Doses abaixo do necessário limitam o desenvolvimento da planta. Por outro lado, o excesso pode ocasionar o desenvolvimento anormal da planta, seja devido à toxidez, salinidade, inibição da absorção de determinado nutriente pela presença excessiva de outro, ou mesmo crescimento excessivo das hastes, quando se aplica muito N, por exemplo.
Exigências nutricionais
O conhecimento das quantidades de nutrientes extraídos do solo pela cultura da batata é de suma importância para o manejo adequado da adubação.
A batateira é uma planta de crescimento/desenvolvimento rápido e bastante exigente em nutrientes. Dependendo do nível de produtividade, as quantidades de nutrientes extraídas e exportadas podem variar, embora não haja, necessariamente, uma relação direta entre esses fatores, pois podem existir diferenças na eficiência de utilização dos nutrientes por influência de outros fatores tais como cultivar, teor de água no solo, solo, clima, espaçamento e sanidade. As quantidades aproximadas de nutrientes necessárias para a batata encontram-se na Tabela 1.
Aproximadamente 78% do fósforo (P), 68% do potássio (K), 65% do nitrogênio (N), 65% do enxofre (S), 33% do magnésio (Mg) e 9% do cálcio (Ca) absorvidos pela batateira são acumulados nos tubérculos. Quanto aos micronutrientes, cerca de 49% do cobre (Cu), 45% do boro (B) e 41% do zinco (Zn) absorvidos pela cultura ao longo do ciclo são acumulados nos tubérculos, enquanto a absorção de ferro (Fe) e manganês (Mn) representa 20% e 11%, respectivamente, do total absorvido pela planta de batata.
O momento adequado da aplicação, bem como a época e dose de cada nutriente também é importante para o equilíbrio nutricional da planta para a obtenção de elevada produtividade. Considerando um ciclo de 90 a 110 dias, a absorção máxima de N, P, Ca, Mg e S ocorre na fase inicial de enchimento dos tubérculos (45 a 70 dias após o plantio - DAP). Já o K tem sua absorção mais concentrada entre 40 e 60 DAP. A fase de maior demanda por B ocorre logo após o início da formação de tubérculos, entre 35 e 50 DAP, enquanto a maior exigência por Fe e Mn inicia-se a partir dos 45 DAP e vai até 65 DAP. O Cu e o Zn são absorvidos em maiores proporções na segunda metade do ciclo da cultura.
Existe uma época crítica em que a cultura da batata necessita de praticamente todos os nutrientes disponíveis em quantidades relativamente altas, que vai desde o início da formação dos tubérculos, três a quatro semanas após a emergência, até próximo ao final do ciclo. A fase de enchimento de tubérculos é uma fase crítica em que a disponibilidade de nutrientes e de água no solo deve ser elevada, pois, nesse período, a acumulação de matéria seca e a absorção de nutrientes são muito rápidas. A análise de tecidos vegetais, realizada em laboratório, é um meio eficiente de monitorar o estado nutricional das plantas e, também, ajuda a calibrar as necessidades de fertilizantes na cultura da batata. Por meio dela, deficiências potenciais podem ser detectadas cedo o suficiente para o tratamento dos distúrbios nutricionais durante a estação de crescimento.
Quase todas as partes da planta de batata têm sido utilizadas para avaliar o estado nutricional, tais como: folíolos, pecíolos, folhas, caules, raízes e tubérculos. O pecíolo tem sido um dos órgãos mais utilizado, embora ele não seja o mais adequado para todos os nutrientes e em todas as situações. Pecíolos são, muitas vezes, mais sensíveis a mudanças na concentração de macronutrientes do solo, enquanto lâminas foliares são mais sensíveis às diferenças nos níveis de micronutrientes. Verifica-se que, de modo geral, o estado nutricional das plantas é melhor refletido pela quantificação dos teores dos nutrientes nas folhas do que em outras partes ou órgãos.
Para interpretação dos resultados das análises das partes da planta, podem-se utilizar diversos critérios, como: nível crítico, faixa de suficiência, etc. Porém, no Brasil, a interpretação pelo critério da faixa de suficiência dos nutrientes nas folhas, utilizando tabelas, ainda é o método mais difundido. Como a concentração dos nutrientes varia de acordo com o órgão da planta amostrado e a época de amostragem, estes aspectos devem ser considerados por ocasião da definição da referência para fins de comparação (Tabela 2).
No Estado de São Paulo, para monitoramento do estado nutricional da batata, recomenda-se amostrar a terceira folha a partir do tufo apical de 30 plantas aos 30 dias após a emergência (DAE). Já em Minas Gerais, tem-se utilizado a quarta folha a partir do ápice, coletada próxima à época de realização da amontoa.
Sintomas de deficiência
A deficiência de nutrientes provoca alterações que podem ser visíveis em vários órgãos das plantas, conforme se segue:
Nitrogênio: clorose principalmente das folhas mais velhas, plantas pouco vigorosas, com crescimento lento, hastes finas, internódios curtos e folhas eretas, além de produzirem tubérculos pequenos e em menor quantidade; quando a deficiência de N é severa, pode haver manchas necróticas e abscisão de folhas. Em solos arenosos e pobres em matéria orgânica, que não receberam adubação nitrogenada, a deficiência de N é mais marcante.
Fósforo: os folíolos não se expandem, enrugam-se, ficam verde-escuros, sem brilho e curvam-se para cima; as folhas inferiores podem apresentar cor púrpura na parte abaxial; as raízes e os estolões são reduzidos em número e em comprimento, e a produção de tubérculos é reduzida.
Potássio: plantas deficientes são pequenas e compactas; a folhagem tem aparência murcha em razão de as folhas se arquearem para baixo; sob condições de deficiência severa, as margens e os ápices das folhas mais velhas tornam-se inicialmente amareladas, adquirem coloração amarronzada e, posteriormente, tornam-se necrosadas, sendo comum o aparecimento de inúmeras manchas pretas pequenas entre as nervuras nas margens dos folíolos.
Cálcio: os sintomas aparecem primeiramente nas folhas mais jovens, que ficam menores e enrugadas, o crescimento da planta é reduzido, com caules e folíolos finos, e, em condições severas, pode haver morte da gema apical e necrose nos ápices dos brotos dos tubérculos; quando a deficiência ocorre em estádio mais avançado, há o desenvolvimento de pontos mortos (coração negro), devido à baixa mobilização de Ca para os tubérculos.
Magnésio: há amarelecimento entre as nervuras foliares, seguido de necroses de coloração marrom, principalmente nas folhas mais velhas, que permanecem com as margens verdes; as folhas tornam-se ainda enroladas para cima, além de ficarem grossas e quebradiças. 
Enxofre: as folhas mais novas ficam cloróticas e com lento crescimento, mas geralmente não secam, como acontece na deficiência de N.
Boro: os sintomas são primeiramente visualizados nas partes mais novas da planta; pode haver morte dos brotos principais, maior brotação lateral e desenvolvimento de muitas hastes, o que leva à produção de tubérculos menores; os folíolos se enrolam a semelhança ao sintoma de viroses. As folhas são mais grossas e os internódios mais curtos. Nos tubérculos, pode haver atraso na brotação, baixa conservação, rachaduras internas e coração oco.
Cobre: os sintomas de carência ocorrem inicialmente nas folhas mais novas, que se tornam pouco túrgidas, podendo até mesmo, em casos graves, secar.
Ferro: clorose internerval nas folhas jovens, enquanto as nervuras permanecem verdes. Posteriormente, podem aparecer lesões necróticas nas folhas.
Manganês: os sintomas são observados em folhas jovens, que apresentam clorose internerval e com aparecimento de pontuações pequenas e redondas de cor marrom ou preta. Essas pontuações ocorrem em grupos perto da nervura central em direção à área basal dos folíolos, sendo que os pecíolos, geralmente, permanecem verdes e sem sintomas; entretanto, o excesso de Mn é mais comum, causando lesões necróticas irregulares nas folhas e no caule.
Molibdênio: as plantas ficam cloróticas, raquíticas e, com o passar do tempo, podem ficar com folhas pardacentas e ocorrer morte dos bordos.
Zinco: as margens dos folíolos ficam voltadas para cima, as folhas ficam menores, os internódios mais curtos e, por consequência, a planta tem seu crescimento reduzido.
Adubação mineral
A dose de adubação nitrogenada depende da época de plantio, devendo-se aplicar menores doses sob temperatura mais elevada. A resposta à adubação também é influenciada por outros fatores, sobretudo, cultivar e tubérculo-semente, de modo que cultivares de ciclo curto, menos vigorosas e tubérculos-semente menores exigem maiores doses de N. O N tende a alongar o ciclo e aumentar o vigor vegetativo das plantas, podendo, quando em excesso, reduzir a produtividade e a qualidade dos tubérculos. O histórico cultural e a cultura precedente à da batata também influenciam a necessidade de N. No Brasil, encontram-se recomendações de adubação nitrogenada para a cultura da batata variando de 60 a 250 kg/ha de N.
Nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a estimativa da necessidade de aplicação de N é determinada em função do teor de matéria orgânica do solo (Tabela 3). No Estado de São Paulo, a recomendação varia de 80 a 160 kg/ha, dependendo da época de cultivo. Considerando que, em média, a percentagem de aproveitamento do N proveniente dos fertilizantes nitrogenados pelas plantas está em torno de 60% e as necessidades das principais cultivares de batata utilizadas atualmente, seria necessária a aplicação de aproximadamente 150 a 200 kg/ha de N para satisfazer as necessidades da cultura, na safra de inverno em sucessão a gramíneas.
Recomenda-se aplicar metade da dose total recomendada no sulco de plantio e metade em cobertura, antes da operação de amontoa. Entretanto, na ausência de informações científicas, recomenda-se, como orientação geral, que não é aconselhável aplicar menos que 40 kg/ha e nem mais que 100 kg/ha de N no sulco de plantio. Quando o agricultor optar pelo parcelamento da adubação nitrogenada, o que é recomendável, sobretudo, na época das águas e em solos arenosos, o adubo nitrogenado deve ser aplicado de tal forma que um filete contínuo seja distribuído alguns centímetros ao lado da fileira de plantas, sobre o solo. A incorporação deve ser feita em seguida, promovida pela operação de amontoa. Em cultivares utilizadas para a industrialização e com ciclo mais longo, a aplicação de N em períodos após a amontoa pode ser benéfica, já que favorece a manutenção de área foliar fotossintetizante e o enchimento dos tubérculos por um maior tempo.
A disponibilidade de P no solo interfere fortemente na resposta da batateira à adubação fosfatada. Assim, no Estado de São Paulo (Tabela 4) e Cerrado brasileiro (Tabela 5) a recomendação varia de acordo com o teor de P disponível no solo.
A batata responde bem à aplicação de P, desde pequenas doses (50 kg/ha) em solos com elevada disponibilidade deste nutriente. Porém, destaca-se que, em solo com teores baixos de P disponível pode haver resposta até as doses maiores (450-500 kg/ha). 
Devido a sua alta taxa de fixação no solo e sua baixa difusão, toda a dose recomendada, geralmente, é aplicada no sulco de plantio. Porém, em solos muito pobres em P, a fosfatagem em área total com termofosfato e a posterior aplicação localizada de P solúvel no sulco de plantio pode gerar maiores produtividades.
O K é o nutriente exigido em maiores quantidades pela cultura da batata (Tabela 1). Assim, quando o teor de K trocável no solo é baixo altas doses são necessárias para se obter elevadas produtividades, podendo chegar a 350 kg/ha, como pode ser observado nas Tabelas 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Por outro lado, em solo com elevada disponibilidade de K, pode não haver resposta da cultura da batata a adubação potássica, podendo ser feita apenas a aplicação de uma dose de reposição.
A aplicação do K é, geralmente, feita por ocasião do plantio. Deve-se misturar bem o adubo com o solo para evitar problemas com injúrias devido à salinização, especialmente porque na cultura da batata podem ser utilizadas elevadas doses de fertilizantes. Quando se utiliza doses muito elevadas, entretanto, a retirada de parte do fertilizante potássico do sulco de plantio é interessante, seja aplicando-se a lanço imediatamente antes ou após o plantio, ou por ocasião da amontoa, junto com o N. Quando o plantio for efetuado em época chuvosa, o parcelamento da adubação potássica no plantio e em cobertura pode proporcionar menores perdas e favorecer o desenvolvimento das plantas e a produção de tubérculos.
Quanto ao S, dificilmente ocorrerá carência enquanto forem aplicadas fórmulas NPK que incluam superfosfato simples. Também o uso de sulfato de amônio em cobertura é outra garantia de fornecimento adequado de S para a batateira, pois as quantidades de S extraídas pela cultura variam de 0,2 a 1,5 kg de S para cada tonelada de tubérculos produzidos (Tabela 1). Na impossibilidade de utilização de adubos contendo S, o nutriente pode ser fornecido pela utilização de gesso agrícola.
Para os micronutrientes Fe, Mn e Cu, não há relatos de deficiência na batateira, o que é resultado da alta disponibilidade, especialmente de Fe e Mn nos solos brasileiros. Além disso, como a batata, é normalmente cultivada em solos ligeiramente ácidos, situação em que a disponibilidade de micronutrientes catiônicos aumenta, não é comum ocorrer limitação à absorção desses micronutrientes. Defensivos utilizados na cultura da batata também podem minimizar o aparecimento de deficiência de micronutrientes, como Cu, Mn e Zn. Recomenda-se, para solos com baixos teores de B e Zn, principalmente naqueles com menor teor de matéria orgânica e mais arenosos, a adição de 1 a 2 kg/ha de B e 3 a 4 kg/ha de Zn.
Adubação orgânica
O principal benefício da adubação orgânica é a melhoria das propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, auxiliando na ciclagem e disponibilização de nutrientes e no controle de doenças de solo. Além disso, a adição de compostos orgânicos ou o plantio de espécies de plantas em pré-cultivo de batata, sejam elas comerciais ou apenas como adubo verde, é recomendado, podendo com isso diminuir a quantidade de adubo mineral aplicado. Assim, sempre que disponível o uso de adubação orgânica em substituição à mineral, total ou parcialmente, é desejável, desde que economicamente viável.
São vários os produtos que podem ser utilizados, sendo que as quantidades a serem aplicadas devem ser compensadas, considerando-se os teores de nutrientes (Tabela 10) e os respectivos índices de conversão, ou seja, a disponibilização de nutrientes em função do tempo (decomposição e mineralização). Todo o K aplicado comporta-se como mineral, pois não participa de compostos orgânicos estáveis. Com relação ao P, 60% fica disponível no primeiro cultivo e 20% para o segundo. Para o N esta relação é de 50% e 20% para os dois primeiros cultivos, respectivamente. No terceiro cultivo a totalidade do N, P e K já se encontra mineralizada.
No caso do composto e estercos, deve-se ter cuidado para que estes estejam bem curtidos e sejam incorporados uniformemente no solo, evitando-se contato direto com os tubérculos-semente e para se obter maior aproveitamento do P e redução nas perdas de N por volatilização.
Quanto à adubação verde em pré-plantio de batata, deve-se selecionar as espécies a serem utilizadas de acordo com o ciclo vegetativo, quantidade de biomassa acumulada, facilidade de incorporação, tempo para decomposição e mineralização, suscetibilidade a doenças e relação C/N. Outro fator importante é o sincronismo entre a liberação do N do adubo verde e a demanda da cultura. As gramíneas apresentam maior relação C/N e podem ocasionar imobilização de parte do N do solo e/ou aplicado durante sua decomposição. Por outro lado, podem ser hospedeiras de doenças bacterianas e fúngicas que afetam a batata, mas podem ser hospedeiras de nematoides, especialmente do gênero Pratylenchus.




sábado, 1 de outubro de 2016

Clima para a Batata

As melhores produções de batata têm sido observadas em regiões de fotoperíodos longos e temperaturas amenas (15 °C a 20 °C), durante a estação de crescimento. Em condições de fotoperíodos curtos, as cultivares tardias são mais afetadas que as de maturação precoce, enquanto em temperaturas moderadas há maior efeito do fotoperíodo em cultivares de ciclo longo.
Temperatura
A cultura da batata requer temperaturas amenas para que ocorra tuberização abundante, que garanta boa produtividade aliada à qualidade de tubérculos. A temperatura ideal para o cultivo da batata já foi bastante estudada. Embora haja divergência de valores, a faixa de 10 ºC a 22 ºC representa a maioria dos resultados obtidos em várias partes do mundo. A maioria das cultivares comerciais tuberiza melhor em temperaturas médias pouco acima de 15 ºC. Dados mais precisos apontam esta faixa entre 15 °C e 18 °C, e que temperaturas noturnas acima de 22 °C reduzem significativamente a produção de tubérculos.
Embora a faixa ótima de temperatura para o cultivo de batata esteja entre 15 ºC e 22 ºC, em ambientes com maior intensidade luminosa, essas temperaturas podem ser mais elevadas. Deve-se levar em consideração ainda que a alta amplitude térmica, associando temperaturas diurnas elevadas com temperaturas noturnas amenas, podem ser favoráveis à produção.
A temperatura acima da faixa ideal afeta diretamente o metabolismo das plantas e interage com outros fatores ambientais, tendo, assim, efeito significativo no seu desenvolvimento. No caso específico da batata, temperaturas elevadas não só reduzem a síntese de fotoassimilados essenciais ao desenvolvimento da planta como também a partição aos tubérculos. Como consequência, ocorre queda de rendimento e redução da matéria seca dos tubérculos.
Estudos indicam que em regiões tropicais, sob altas temperaturas em pós-emergência inicial, as folhas da batateira são menores e mais numerosas, com formação de área foliar mais rápida que em regiões mais frias. Entretanto, a longevidade das folhas é menor, as hastes são mais reduzidas e com formação de folhagem abaixo do suficiente para aproveitar a energia luminosa disponível para a produção de matéria seca. O crescimento das raízes também é reduzido, o que é uma desvantagem pela necessidade de absorção de água e nutrientes. Fisiologicamente, a redução da produtividade a partir de um limite máximo de temperatura pode ser explicada pela inibição da fotossíntese à medida que a temperatura aumenta.
Além de provocar redução de produtividade, altas temperaturas ainda afetam negativamente a aparência do tubérculo devido à ocorrência de doenças e distúrbios fisiológicos, tais como lenticeloses, rachaduras, embonecamento e manchas internas. Também são esperados maiores problemas fitossanitários devido ao aumento do número de ciclos de multiplicação da maioria dos patógenos e insetos
No Brasil, significativo volume de batata é cultivado na estação quente, de setembro a janeiro. Embora o cultivo neste período ocorra em regiões mais frias, no Sul do país ou em locais de alta altitude no Sudeste, nos últimos anos, têm ocorrido com frequência temperaturas acima de 25 ºC nestas regiões, prejudicando o cultivo de primavera/verão. No cultivo de outono/inverno vem ocorrendo uma migração das áreas de produção de batata da região de clima subtropical para a região  tropical de altitude, onde, embora as temperaturas durante o dia sejam mais elevadas que nas regiões de clima temperado, no trimestre mais frio as mínimas noturnas ficam abaixo de 20 ºC.
Caso o aumento da temperatura anunciado pela maioria dos estudos de mudanças climáticas se concretize, haverá necessidade de adequar as cultivares de batata e/ou os locais e épocas de plantio para se manter produtividades que atendam as demandas do mercado.
Fotoperíodo
O fotoperíodo altera consideravelmente o comportamento das cultivares comerciais de batata. Em fotoperíodos curtos, as plantas, geralmente, apresentam tuberização mais precoce, estolões curtos, hastes menores e produção antecipada. Ao contrário, em fotoperíodos longos, as plantas iniciam a tuberização mais tarde, os estolões são mais compridos, a folhagem é mais abundante, com maior número de hastes laterais, maior florescimento, maior ciclo de desenvolvimento e produção mais tardia. Algumas cultivares não tuberizam em dias muito longos.
De modo geral, pode-se afirmar que a produção diária da batata é maior em fotoperíodos longos do que em fotoperíodos curtos, pela maior quantidade de energia interceptada. Entretanto, como cada genótipo tem o próprio fotoperíodo crítico, é essencial que o produtor conheça o comportamento da cultivar na região e na época específica de plantio.


Botãnica, Valor Nutricional e Propiedades da Batata





A Batata como Alimento

A batata é um dos alimentos mais nutritivos para o homem (figuras 1, 2, e 3). Tem proteína de boa qualidade e índice de valor biológico alto. A relação entre proteínas e calorias disponíveis indica que ela poderá ser uma das melhores alternativas alimentares para os povos dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. É uma das culturas que apresenta maior produção de energia e proteína por hectare por dia.

A batata apresenta em média 2,1% de proteína total, que significa cerca de 10,4% do peso seco do tubérculo. Isto pode ser considerado excelente se levarmos em conta que o trigo e o arroz apresentam valores na ordem de 13 e 7,5%, respectivamente. Considerando-se as produções e teores de proteínas de cada cultura, as batatas podem render cerca de 300 kg de proteínas por hectare, o trigo 200 kg e o arroz 168 kg.
As Proteínas da batata compreendem duas frações, uma globulina e outra glutelina. 

Durante a maturação do tubérculo, ausenta o teor de globulinas e decresce o de glutelinas. A composição aminoacídica de ambas as frações são diferentes. A fração glutelina apresenta teores mais elevados de cistina, ácido aspártico, prolina e triptofano. O teor de aminoácidos livres representa 50% do total do nitrogênio não protéico. Durante a maturação diminui o total de aminoácidos livres, aumenta o teor de asparagina e glutamina.
A principal fração protéica da batata, uma globulina, é denominada de tuberina e corresponde a 70% da proteína total. A outra fração encontrada no suco é denominada tuberinina e corresponde a 30 % da proteína total. A tuberina contém todos aminoácidos assenciais em níveis adequados, com exceção da metionina.
Quando comparada à proteína padrão da FAO / OMS (Tabela 2), a proteína da batata apresenta como primeiro limitante os sulfurados totais (metionina + cistina) e leucina e lisina como segundo e terceiro limitantes.

A proteína da batata apresenta um valor biológico (VB) igual a 73,0 que corresponde a cerca de 77 % do valor biológico da proteína do ovo. 

Tabela 4. 

Teores aproximados das principais vitaminas presentes na batata (tubérculos frescos).
Vitamina 

Mg / 100g
Retinol 

3,6 - 7,1
Ac. Ascórbico 

22,6 - 36,1
Tiamina, B1 

60,0 - 99,3
Riboflavina, B2 

31,1 - 78,0
Niacina 

1180,0 - 2133,3
Piridoxina, B6 

123,3 - 241,3
Ac. Fólico 

9,1 - 21,7


Os compostos inorgânicos ou minerais presentes na batata variam muito de acordo a variedade, tratos culturais, clima, local de plantio, maturação e armazenamento, sendo apresentados na tabela 5.
Tabela 5. 

Teores aproximados dos principais minerais na batata (peso seco)
Componentes 

(Mg / 100g) 
Componentes 
(P. P. .M.)


43 - 605 
Br 
4,8 - 8,5

Ca 

10 - 120 
4,5 - 8,6

Mg 

46 - 216 
0,5 - 3,87

Na 

0 - 332 
Li 
traços


1394 - 2825 
As 
0,35

Fe 

3 - 18,5 
Co 
0,07


43 - 423 
Ni 
0,26

Cl 

45 - 805 
Mo 
0,26

Zn 

1,7 - 2,2
Cu 

0,6 - 2,8
Si 

5,1 - 17,3
Mn 

0,18 - 8,5
Al 

0,2 - 3,54
Fonte: SMITH, O. Potatoes: producing, storing, processing.
Composição 

Uma batata de 150 g contém:
Energia 

150 cal
Proteínas 

3,7 g
Lipídios (gordura) 

0 g
Carboidratos 

23 g
Fibras 

27 g
Sódio 

5 mg
Potássio 

729 mg
Valor Nutritivo
  1. A Batata é rica em K - nutriente que torna a artéria mais elástica e portanto auxilia na prevenção de acidentes vasculares e previne câimbras
  2. Tomar suco do caldo da batata crua alivia dor no estômago
  3. O tipo de cozimento que melhor conserva os nutrientes da batata é o à vapor e a batata com pele.
  4. Batata não engorda. O que engorda é o óleo ou os alimentos que a acompanham.
Propiedades da Batata


valor nutritivo
As batatas são surpreendentemente nutritivas e possuem poucas calorias. Quando consumidas com casca são rica fonte de carboidratos complexos e fibras. São, ainda, boa fonte de vitaminas C e B6, potássio e outros minerais e amido. Seu sabor completa a maioria dos alimentos, e os inconvinientes dizem respeito ao seu preparo, geralmente com sal e óleo, o que aumenta significantemente o teor de gordura e o valor calórico.
O sabor e conteúdo nutricional de uma batata variam de acordo com o seu preparo. Muitos dizem que as batatas engordam, mas isto só acontece quando são fritas ou servidas com manteiga ou molhos gordurosos. Uma batata de tamanho médio assada ou cozida tem entre 450 a 500 calorias e até 35 g de gordura. Uma xícara de purê de batata com leite fornece cerca de 130 calorias, comparadas às 355 calorias encontradas em uma xícara de batatas gratinadas.
Ao prepará-las, convém conservar a casca, porque a maioria dos nutrientes fica junto à superfície. Uma vez descascadas, as batatas cruas perderão a cor quando expostas ao oxigênio. Por isso, cozinhe-as imediatamente ou coloque-as em água com vinagre ou suco de limão. Assadas, cozidas no vapor ou preparadas no microondas, preservam o máximo de nutrientes.

Origem e Botânica

A batata (Solanum tuberosum L.) é nativa da América do Sul, da Cordilheira dos Andes, e foi consumida por populações nativas em tempos remontos há mais de 8.000 anos, estando adaptada aos dias curtos da região. Sua introdução na Europa, por volta de 1570, fez com que a espécie fosse selecionada para tuberização em dias longos. Por volta de 1620, foi levada da Europa para a América do Norte, onde se tornou alimento popular. A partir de então, espalhou-se para muitos outros países.
Existem controvérsias sobre a origem da batata. Entretanto, há fortes evidências que seja nativa de duas áreas da América do Sul, onde biótipos silvestres ainda existem: uma que envolve as terras altas da Cordilheira dos Andes, que vão do Peru ao Norte da Argentina, e outra que envolve as terras baixas do Centro-sul do Chile.
A hipótese de que a batata “europeia” tivesse origem de diferentes espécies silvestres andinas ou do “complexo”Solanum brevicaule, um grupo de genótipos tuberíferos morfologicamente similares distribuídos desde a região Central do Peru ao Norte da Argentina, perdurou por muitos anos. Entretanto, estudos recentes envolvendo marcadores moleculares em centenas de espécies silvestres e cultivares indicaram que todas as cultivares antigas se originaram de um único ancestral do componente “Norte” do complexo de S. brevicaule proveniente do Peru. Por outro lado, os mesmos estudos, feitos com amostras herbarizadas, indicaram que todas as cultivares modernas de batata se originaram de “landraces” chilenas, e não de genótipos peruanos. A princípio, a hipótese prevalecente indicava que os genótipos andinos predominaram nos anos 1700 e 1800 até que fossem eliminados pela epidemia da doença requeima (Phytophthora infestans), na Europa, na metade do século XIX. Estes mesmos estudos moleculares indicaram, porém, que a batata andina predominou nos anos 1700 até 1892, muitos anos após a epidemia de requeima, enquanto a batata chilena apareceu inicialmente em 1822 e passou a predominar antes mesmo da referida epidemia.
A batata é uma dicotiledônea da família Solanaceae pertencente ao gênero Solanum, que contém mais de 2000 espécies. Destas, cerca de 160 produzem tubérculos. Entretanto, apenas cerca de 20 espécies de batata são cultivadas. Existem muitas espécies que são silvestres e de grande importância nos programas de melhoramento.
A posição sistemática da batateira cultivada é a seguinte:
Divisão: Angiospermae;
Classe: Dicotyledonae;
Ordem: Gentianalis; Família: Solanaceae;
Gênero: Solanum Lineais;
Subgênero: Solanum;
Seção: Petota;
Série: tuberosa.

Trata-se de uma espécie herbácea, anual. Os tubérculos são porções de caules subterrâneos transformados.
A espécie S. tuberosum ssp. tuberosum é uma espécie autotetraploide (2n = 4x = 48 cromossomos), com herança tetrassômica multialélica.
A flor da batata possui aproximadamente de 3 a 4 cm de diâmetro e cinco pétalas em forma de estrela e a corola gamopétala. A coloração varia de branca a rosa, vermelha, azul e roxa. Normalmente, ocorrem cinco anteras com 7mm a 9 mm de comprimento circundando o pistilo. As inflorescências apresentam geralmente mais de 10 flores. O gineceu é formado por dois carpelos fechados. O androceu e o gineceu amadurecem ao mesmo tempo, facilitando a autofecundação, que ocorre na maioria das cultivares. Em algumas cultivares, os botões florais caem antes da polinização; em outras, há florescimento; porém, o seu pólen estéril não permite a autofecundação.
Os frutos são biloculares do tipo baga, de cor verde, normalmente medindo de 2 cm a 3 cm de diâmetro, contendo de 40 a 240 sementes por fruto.
Muito embora algumas cultivares floresçam e produzam sementes, a batata cultivada é propagada vegetativamente por meio de tubérculos (clones). A propagação clonal possibilita que o vigor híbrido (heterose) obtido a partir de cruzamentos seja mantido em sucessivas gerações.
O caule aéreo da batata é normalmente oco na sua parte superior. Tem secção circular, quadrangular ou triangular, podendo apresentar asas, que são lisas ou onduladas. Quando o caule cresce diretamente do tubérculo-mãe ou próximo dele, é chamado de "rama", que pode ou não se ramificar.
As folhas são compostas, sendo formadas por um pecíolo com folíolo terminal, por folíolos laterais e, às vezes, por folíolos secundários e terciários. Dependendo da cultivar, as folhas têm tamanho, pilosidade e tonalidade de verde diferentes.
O sistema radicular da planta é relativamente superficial, com a quase totalidade das raízes permanecendo a uma profundidade não superior a 40-50 cm. Entretanto, em solos argilosos férteis e sem camadas de obstrução, podem alcançar até 1,0 m de profundidade. Quando o plantio é feito com batata-semente, as plantas desenvolvem raízes adventícias nos nós do caule subterrâneo, facilmente visíveis nas brotações dos tubérculos. Quando a semente verdadeira (semente-botânica) é semeada, ocorre emissão de uma raiz pivotante com raízes laterais.
Os tubérculos são caules adaptados para reserva de alimentos e também para reprodução, formando, como resultado, o engrossamento da extremidade dos estolões, que são caules modificados, subterrâneos, semelhantes a raízes. Na superfície dos tubérculos, as estruturas mais evidentes são os olhos, cada um contendo mais de uma gema, e as lenticelas.
Quando o tubérculo é cortado longitudinalmente, podem ser observados a periderme (película), o córtex, o anel vascular, a medula externa e a medula interna; esta mais clara, que tem comunicação com os olhos (gemas). A pele ou película da batata, formada de cinco a 15 camadas de células, é praticamente impermeável a líquidos e gases, protegendo o tecido contra o ataque de pragas e doenças. Quando a colheita é precoce e o tubérculo ainda não está maduro, a película se solta com facilidade, favorecendo a deterioração do tubérculo pela entrada de patógenos e perda de umidade.
As lenticelas, que são pequenos sistemas de comunicação entre a parte interna do tubérculo e o exterior, são estruturas importantes para a respiração. Tubérculos produzidos em solos muito úmidos apresentam a lenticelose, que consiste em lenticelas abertas e de tamanho aumentado, provocado por uma reação dos tecidos para compensar a baixa disponibilidade de oxigênio. A lenticelose favorece a entrada de micro-organismos fitopatogênicos nos tubérculos.
O ciclo fenológico da batateira pode ser dividido em cinco fases:
I - Brotação à pré-emergência: quando as condições ambientais são ideais a esta fase, e se estende por três a seis dias. Nesta fase, os brotos se desenvolvem a partir do tubérculo-semente e começam a emergir do solo, enquanto as raízes começam a se desenvolver.
II - Crescimento vegetativo: esta fase se estende por 15 a 30 dias, dependendo da cultivar e das condições ambientais. A parte aérea é formada, enquanto as raízes e estolões se desenvolvem a partir das gemas subterrâneas.
III - Início da tuberização: esta fase se estende por 10 a 15 dias. Inicia-se a formação dos tubérculos nas extremidades dos estolões, como resultado do armazenamento dos fotoassimilados na forma de amido.
IV - Crescimento dos tubérculos: o desenvolvimento da folhagem é finalizado enquanto grande quantidade de amido é armazenado rapidamente, aumentando o tamanho dos tubérculos.
V - Maturação: neste momento, todos os fotoassimilados são direcionados aos tubérculos, e a matéria seca acumulada atinge o nível máximo, as hastes tendem a prostrar, e as folhas se tornam amareladas, até o secamento total da parte aérea, enquanto a película dos tubérculos se torna mais firme.


domingo, 21 de agosto de 2016

Cultivo de Batata Orgânica

Alguns produtos agrícolas são severamente castigados pela mídia como sendo a fonte de toda contaminação por agrotóxicos ingeridos pela população. Talvez este seja um dos fatores que impedem um consumo maior de frutas, legumes e verduras. Certamente os cultivos feitos por produtores conscientes, assessorado por técnicos responsáveis, os produtos que são colocados no mercado estão dentro dos padrões exigidos mundialmente. Para comprovar este fato, pesquisas recentes têm mostrado um grande passo na redução dos resíduos de agrotóxicos contidos nos produtos amostrados nos grandes mercados do país. Entre os produtos de destaque, a batata.
Admitindo que os produtos agrícolas do nosso mercado estejam dentro das especificações exigidas em níveis de contaminação por agroquímicos, existe o consumidor de produto orgânico que não abre mão de consumir produtos certificados que não tiveram nenhum tipo de aplicação de fertilizantes, inseticidas, herbicidas ou qualquer outro produto químico no processo de produção. Não são tão exigentes quanto ao padrão e reconhecem que em determinadas épocas do ano a qualidade diminui, mesmo assim continuam a consumir. Mesmo com o preço bem mais alto que os produtos convencionais este tipo de consumidor é fiel.
Quando falamos de cultivo de batata sem fertilizantes químicos, sem inseticidas e fungicidas que são utilizados para a cultura, há sempre a questão, é possível?
É bem claro que ainda não temos um “pacote” pronto para a produção de batata orgânica, mas é possível produzir de maneira satisfatória com que temos disponível no mercado. Além dos insumos, adubos orgânicos e sementes o conhecimento da cultura é indispensável para ter sucesso nesta atividade. A agricultura orgânica exige muito mais cuidados e aplicação do conhecimento que os cultivos convencionais. Conhecer a fisiologia da cultura, bem como saber as diferentes características de cada variedade a ser plantada é fundamental para uma boa produção.
Antes de iniciar nesta atividade é preciso entrar em contato com órgãos certificadores de orgânicos, pois, para obtenção de um certificado é preciso cumprir uma série de exigências, que vão desde o histórico da área até uma lista de produtos que possuem selo ou aprovação para seu uso nesta atividade. Outro ponto importante, ou melhor, imprescindível é contatar empresas que possam comprar o produto, estipular o padrão de classificação e se possível estabelecer um preço, mesmo antes da colheita. Não podemos esquecer que todo mercado funciona da mesma maneira, lei da oferta e procura. Certamente no mercado de orgânicos a batata juntamente com outros produtos tem sempre uma procura maior que a oferta.
Depois de resolvido o grande dilema da comercialização e certificação, é o momento de organizar e planejar a produção.
Como já mencionado, conhecer a variedade que vamos trabalhar é vital para o sucesso do nosso empreendimento. Mesmo no cultivo convencional é comum ter lavouras com grandes frustrações por manejar erradamente a variedade. Sempre digo que mudar de variedade de batata é como mudar de espécie botânica.
Variedades para cultivo orgânico deve ter certas características como segue, ser precoce na tuberização, ter um sistema radicular bem desenvolvido, maior tolerância possível a requeima (P. infestans) e alternaria. Estes são itens básicos, mas outras características também são sempre bem-vindas. Não ser tão atrativa a insetos, ter resistência a viroses, boa aparência dos tubérculos e boas qualidades culinárias. Certamente estas características todo bom produtor procura, entretanto no cultivo orgânico não temos a possibilidade de recorrer aos inúmeros fungicidas e inseticidas que existe no mercado para literalmente “salvar a lavoura”.
As variedades brasileiras oriundas de vários programas de melhoramento genético nacional são as mais indicadas. Mas é possível encontrar produtores orgânicos plantando variedades importadas (Monalisa, Baraka, Caesar, Cupido, Ágata) com diferentes resultados, mas certamente sem ter muita idéia do que vai produzir. Se o plantio é feito em época que há chances da ocorrência de requeima, certamente as chances de perder toda a lavoura são grandes, e isto ás vezes ocorre.
As variedades que tem se mostrado bons resultados no cultivo orgânicos são: BRS Ana, Cristal, Camila, Eliza da EMBRAPA, Itararé, Aracy do Instituto Agronômico de Campinas. Todos estes materiais tive a oportunidade de acompanhar em cultivo orgânico, muitas com testemunha de variedades importadas. Todas estas variedades possuem um potencial para atingir acima de 27.000 kg/há.

Originária da América do Sul, a batata (Solanum tuberosum L.) está disseminada na maioria dos países do mundo; pertence à família das solanáceas, assim como o tomate, pimentão, berinjela e fumo e, caracteriza-se pela formação de caule subterrâneo intumescido, onde se acumulam reservas, denominado tubérculo (parte comestível). A batata, denominada erroneamente de "batata-inglesa", é um dos poucos alimentos capazes de nutrir a crescente população mundial, não apenas como energético, mas também como fonte de proteínas, vitaminas e sais minerais. É boa fonte de vitamina C e do complexo B, além de ser rica em potássio, com bons teores de fósforo e magnésio e razoável fonte de ferro. O baixo conteúdo de sódio a credencia para dietas que exigem baixo teor de sal. As diversas formas de apresentação tornam a batata um dos produtos mais utilizados na cozinha em todo o mundo, como fritas, saladas, purê, cozidas e assadas. A praticidade e a versatilidade culinária da batata evidenciam também a potencialidade para o investimento e desenvolvimento de produtos industrializados, com níveis de produção e consumo ainda muito baixos no Brasil, mas com boas perspectivas de mercado. A cultura apresenta maior destaque no Sudeste e Sul do país, em função das condições de clima mais favoráveis e do hábito alimentar dos habitantes, em sua maioria descendentes de europeus.
   O cultivo orgânico é uma boa opção de renda aos produtores, pois além de agregar maior valor aos produtos através do sistema de produção, reduz o custo de produção com insumos que podem ser preparados na propriedade, proporcionando maior autonomia do produtor que, por sua vez, não fica dependente de insumos importados cada vez mais caros. É importante destacar que no período de 12 meses (junho/2007 a maio/2008), os fertilizantes e os agrotóxicos que o Brasil importa em sua grande maioria (cerca de 70%), tiveram um aumento de 120 e 70%, respectivamente. Por ser uma das hortaliças que mais utiliza agrotóxicos, o cultivo orgânico é essencial para garantir a saúde do produtor, consumidor e meio ambiente.

Recomendações técnicas

Escolha correta da área e análise do solo: sempre que possível escolher áreas não cultivadas nos últimos três anos com batata e outras espécies da mesma família botânica. Solos contaminados com murchadeira e fusariose, doenças causadas por bactéria e fungo, respectivamente, não devem ser utilizados. Solos mal drenados, argilosos, pouco ensolarados e locais sujeitos a neblinas devem ser evitados. A análise do solo com antecedência é essencial para se fazer a recomendação adequada de adubação e correção da acidez. O excesso de calcário eleva o pH do solo que favorece a sarna comum, doença que contamina os tubérculos e o solo. O excesso ou a deficiência nutricional favorecem as doenças foliares e afeta a qualidade dos tubérculos.

.Uso de batata-semente de boa qualidade: 
o emprego de "semente" contaminada por viroses (doenças que causam a degeneração), sem brotação ou com brotação excessiva e/ou esgotada, leva ao fracasso da lavoura. O plantio de batata-semente em dormência, origina lavoura desuniformes e de fraco desenvolvimento. A aquisição da "semente" com antecedência, caso não esteja brotada, guardando-a em local protegido de pulgões para que a brotação ocorra naturalmente, é o ideal. A aquisição de algumas caixas de batata-semente de boa qualidade (certificada, registrada ou básica), multiplicando-a em área isolada sem problemas de doenças, no plantio de inverno/primavera, visando a produção de "semente" própria para o plantio de batata consumo no outono, no Litoral Catarinense, é uma boa alternativa para reduzir o alto custo deste insumo.

.Uso de cultivares adaptadas: 
no cultivo de batata orgânica é fundamental o uso de cultivar resistente às doenças foliares. Dentre as cultivares, a Epagri 361Catucha e SCS 365 Cota são as que mais se destacam pela alta resistência à requeima e pinta-preta, principais doenças foliares da batata . Além da maior adaptação ao cultivo orgânico, estas cultivares possibilitam maior renda ao produtor, pois os tubérculos produzidos possuem alto teor de matéria seca, um dos principais requisitos para a industrialização na forma de "chips" batata palha e pré-fritas (palitos). A Epagri, através da Estação Experimental de São Joaquim, está multiplicando batata-semente de boa qualidade, das cultivares Catucha e SCS 365 Cota.

Preparo adequado do solo:
 recomenda-se uma lavração profunda, com antecedência mínima de 30 dias e outra próximo ao plantio, quando houver condições adequadas de umidade do solo. Por ocasião do plantio da "semente", gradear o solo uma a duas vezes. O solo bem preparado, associado a amontoa (chegamento de terra) bem feita (cerca de 20 cm), sem torrões, reduz as pragas de solo como a larva-alfinete e larva-arame que ao perfurarem os tubérculos depreciam comercialmente os tubérculos colhidos

Adubação equilibrada: 
para uma adubação equilibrada, recomenda-se a análise do solo e dos teores de nutrientes do adubo orgânico, com antecedência. Plantas bem nutridas são mais resistentes às doenças e pragas, produzindo tubérculos de melhor qualidade. O desequilíbrio nutricional aumenta a suscetibilidade às doenças da folhagem e à sarna dos tubérculos e, pode afetar a qualidade culinária e industrial da batata. 

Plantio na época recomendada: 
a batateira não tolera geadas e excesso de umidade. Temperaturas noturnas elevadas, na época de tuberização, prejudicam e até impedem a formação de tubérculos. Plantio de outono e de inverno (março/abril) – em regiões onde não ocorrem geadas (Litoral). Plantio de primavera (setembro/outubro) – em regiões onde ocorrem geadas. Plantio de verão (dez./janeiro) - onde as temperaturas são amenas no verão (Planalto). 

Irrigação: 
a batata, embora seja uma das hortaliças mais exigentes em água (consome de 300 a 500 mm de água durante todo o ciclo), é também prejudicada pelo excesso, pois reduz a aeração do solo, aumenta a lixiviação de nutrientes e, ainda, favorece às doenças. O sistema de irrigação por aspersão, embora seja o mais utilizado, favorece a ocorrência de doenças foliares (requeima e pinta-preta). Para diminuir este problema, recomenda-se sempre que possível, a irrigação pela manhã para evitar que a folhagem permaneça com umidade durante a noite. A fase do início da tuberização ao início da senescência (maturação)que vai de 45 a 55 dias após a emergência, é a mais crítica quanto à deficiência hídrica, podendo haver decréscimo da produtividade e o aparecimento da sarna-comum. Irrigações excessivas neste período podem favorecer o aparecimento das doenças de solo e da folhagem. A alternância de excesso e falta de água pode causar defeitos morfo-fisiológicos tais como embonecamento, rachaduras e outras deformações nos tubérculos. 

Amontoa: 
consiste em chegar terra junto às plantas, para melhorar sua fixação ao solo e, ainda para evitar que os tubérculos se desenvolvam fora da terra, favorecendo o esverdeamento. Uma boa amontoa em ambos os lados da fileira formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura, quando as plantas estão com 25 a 30 cm de altura, reduz os danos de insetos que perfuram e depreciam comercialmente os tubérculos.

Manejo de doenças e pragas:
 é possível prevenir o aparecimento e o desenvolvimento de grande parte delas com as seguintes medidas preventivas: a) escolha correta da área; b) uso de tubérculos-sementes sadios e protegidos dos pulgões; c) utilizar cultivares resistentes; d) arar o solo com três meses de antecedência para expor as pragas de solo e os patógenos ao dessecamento; e) plantio na época recomendada; f) evitar escalonamentos de plantios e o uso de "semente" de tamanhos diferentes na mesma área pois as plantas mais velhas são mais suscetíveis à pinta-preta, disseminando-a para as mais jovens; g) nutrição e correção da acidez conforme análise do solo; h) um bom preparo de solo (sem torrões) e a amontoa adequada (em torno de 20 cm) reduz os danos (perfurações nos tubérculos) causados pela larva-alfinete; i) destruição dos restos de culturas, refugos de tubérculos, plantas hospedeiras e plantas voluntárias das proximidades da lavoura; j) pulverização preventiva com calda bordalesa ( 0,5%), a cada 7 a 10 dias, a partir da emergência das plantas, visando o manejo de doenças e pragas da parte aérea; k) pulverização com urina de vaca a 1%, visando o manejo da pinta-preta após a amontoa e l) rotação de culturas com gramíneas. 

Colheita, classificação e armazenamento: 
a batata consumo deve ser colhida em dias secos, amenos e com baixa umidade no solo para evitar a contaminação dos tubérculos por doenças. As hastes devem estarem secas e os tubérculos com a película firme. A colheita deve ser feita 10 a 15 dias mais tarde para que a película dos tubérculos não se solte. Iniciar a seleção dos tubérculos durante a colheita, após a secagem externa deles, eliminando-se os podres e com defeitos. A classificação deve ser feita por tamanho. Após a embalagem em sacos, deve-se guardar as batatas em locais limpos, ventilados e escuros para evitar o esverdeamento. Recomenda-se apenas a escovação dos tubérculos, evitando-se a lavagem dos mesmos.



CANAL DE VÍDEOS AGRÍCOLAS

CANAL DE VÍDEOS AGRÍCOLAS
CLIQUE NA IMAGEM ACIMA E VISITE NOSSO BLOG COM MAIS DE 300 VÍDEOS AGRÍCOLAS DO NOSSO CANAL DO YOUTUBE