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domingo, 8 de outubro de 2017

Controle de plantas daninhas na cultura da Cebola



Dentre os vários fatores que ocasionam perdas na produção da cultura da cebola, destacam-se os efeitos da interferência das plantas daninhas. A interferência na cultura da cebola decorre do porte baixo e desenvolvimento inicial relativamente lento da cultura. Em função da sua arquitetura, com folhas eretas e cilíndricas, a cebola apresenta baixa cobertura da superfície do solo, permitindo a emergência das plantas daninhas em qualquer fase de seu desenvolvimento.
A época e a duração do período em que as plantas daninhas e a cultura da cebola convivem, influenciam na intensidade da matointerferência. As plantas daninhas que emergem antes ou concomitantemente com a cebola causam maiores perdas na produção do que aquelas que emergem tardiamente.
A interferência exercida pelas plantas daninhas reduz significativamente o crescimento das plantas de cebola, cujas folhas ficam pequenas, delgadas e com pouca área foliar. Além de reduções na produção de bulbos da cultura, as plantas daninhas podem interferir na qualidade dos mesmos.
Trabalhos de pesquisa mostraram que a convivência da cultura com as plantas daninhas durante os primeiros 98 dias reduziu a produtividade da cebola em 95% e a massa média de bulbos em 91%. Portanto, o controle das plantas daninhas nessa cultura é de extrema importância para assegurar a produtividade.
Geralmente, a interferência das plantas daninhas provoca a bulbificação antecipada e a parada precoce da emissão de folhas, o que resulta na produção de bulbos pequenos. Essas também podem reduzir a produção de cebola por serem hospedeiras de pragas e patógenos da cultura.
O cultivo de cebola é dependente da capacidade operacional em manter as áreas livres da interferência das plantas daninhas, pelo menos durante o período crítico, ou seja, até que a cultura desenvolva e cubra suficientemente a superfície do solo e não sofra mais interferência significativa.
O período crítico de prevenção da interferência é aquele em que a cultura deve permanecer livre da interferência imposta pelas plantas daninhas para não comprometer sua produção. Corresponde ao intervalo de tempo durante o qual as plantas daninhas têm que ser controladas para prevenir perdas inaceitáveis de produção. Entretanto, o período crítico é variável conforme a localidade, condição de cultivo e manejo, e o conhecimento da amplitude dos seus valores permitem estimar as épocas mais adequadas para o controle das plantas daninhas.
A cebola é uma das hortaliças mais sensíveis à interferência das plantas daninhas, podendo ocorrer reduções de 30%, 68% e 94% na produção de bulbos, quando o período da interferência após a emergência for de quatro, cinco e seis semanas, respectivamente.
Resultados de pesquisa sobre a interferência na cultura indicam, em média, períodos críticos do 21° ao 63° dia e do 27° ao 56° dia do ciclo cultural da cebola para os sistemas de semeadura direta e transplante de mudas, respectivamente.
Em lavouras formadas a partir de mudas, o período crítico normalmente é menor devido a vantagem competitiva da cultura em relação às plantas daninhas, uma vez que as mudas são levadas ao campo com 40 a 70 dias de idade, sendo essa considerada como uma tática de controle cultural. No entanto, dependendo da agressividade das plantas daninhas presentes na área de cultivo e das condições da lavoura de cebola, o período crítico de controle pode durar todo o ciclo.
Controle
Dentre os métodos de controle de plantas daninhas utilizados na cultura da cebola, destacam-se o cultural (o mais importante), o mecânico e o químico. Entretanto, o ideal é que esses métodos sejam utilizados de forma integrada, complementando um ao outro, caracterizando, assim, o que corriqueiramente chamamos de manejo integrado. Contudo, para se obter sucesso no controle das infestantes, devem-se observar aspectos importantes quando da implementação dos métodos de controle, entre eles a espécie invasora predominante, a época de emergência dessas e seu estádio de desenvolvimento.
Os métodos culturais englobam práticas que tornam a cultura mais competitiva em relação às plantas daninhas. Dentro desse contexto, a escolha adequada de cultivares para cada situação é uma das práticas mais importantes, devendo ser somada à rotação de culturas, ao emprego de plantas de cobertura e adubos verdes nos cultivos intercalares, ao manejo adequado da água do solo, a correção do pH do solo e uso de fertilizantes apropriados, ao espaçamento entre linhas adotado, ao plantio em épocas mais adequadas, dentre outras. Uma das práticas deliberadamente ignoradas, em geral, é o estabelecimento de um bom estande no qual as plantas emergem, crescem e rapidamente cobrem o solo.
A completa eliminação manual (cultivos e capinas manuais) das plantas daninhas é difícil e onoresa, sobretudo devido ao espaçamento estreito da cebola quando em densidade alta, o que torna obrigatória a utilização de outros métodos mais eficientes para controlá-las. O método de cultivo mecânico apresenta o inconveniente de não eliminar as plantas daninhas nas fileiras e, muitas vezes, danifica o sistema radicular e as folhas da cebola.
Diante disso, o controle químico, por meio do uso de herbicidas, apresenta-se como o método mais eficiente no manejo de plantas daninhas em cultivos de cebola, principalmente em áreas bastante infestadas, por proporcionar melhores resultados nas linhas da cultura, não danificar o sistema radicular e pela economia de mão de obra. Os herbicidas devem ser escolhidos em função da eficácia, da segurança, economia e recomendações técnicas, levando-se em conta o programa de rotação de culturas e outras recomendações específicas para o sistema de cultivo
Comprovadamente, a tolerância da cebola ao herbicida oxyfluorfen aumenta com a emissão de novas folhas. De maneira análoga, há menor intoxicação das plantas de cebola pelo herbicida bentazon em cultivares com alta cerosidade nas folhas.
A quantidade de ceras na cutícula foliar varia de acordo com a genética e a idade das plantas de cebola. Podem-se classificar as cultivares, basicamente, em dois grupos: mais e menos cerosas. Entre as mais cerosas estão todas as cultivares brasileiras: Alfa Tropical, BRS Alfa São Francisco, Vale Ouro IPA 11, Franciscana IPA 10, Aurora, Crioula Mercosul, Bola Precoce, Madrugada, Primavera, etc. Entre as menos cerosas estão as cultivares com sementes importadas, especialmente as dos tipos Grano e Granex.
As plantas de cebola no sistema de semeadura direta são muito sensíveis aos herbicidas nas primeiras semanas do seu ciclo. Entre as técnicas de manejo mais eficientes e seguras, o fracionamento e escalonamento das doses dos herbicidas têm contribuído para aumentar a seletividade à cebola, principalmente nos estádios iniciais de crescimento das plantas originadas de semeadura direta.
No sistema de cultivo com transplante de mudas, as plantas de cebola são mais tolerantes aos herbicidas devido à aplicação ser feita em estádio avançado de desenvolvimento das plantas. Nessas condições, as plantas apresentam-se com maior quantidade de ceras nas folhas e com as bainhas imbricadas e relativamente protegidas do contato dos herbicidas. O período de estabelecimento das plantas transplantadas é o momento adequado para a aplicação dos herbicidas, uma vez que as plantas apresentam-se com déficit hídrico, reduzida atividade metabólica, havendo, consequentemente, menor absorção e translocação dos herbicidas pelas mesmas.
O controle químico implica, em geral, no uso de um tratamento inicial em pré-emergência seguido de um ou dois em pós-emergência, mesmo que algum ingrediente ativo possa causar, temporariamente, intoxicação à cebola. Em casos de escapes de plantas daninhas, o controle mecânico pode complementar o controle químico.
Finalmente, antes dos herbicidas serem utilizados em maior escala, o agricultor deve se familiarizar com os produtos e a tecnologia de aplicação. É necessária a realização de pequenos testes, em uma ou mais épocas do ano; usar os bons resultados de outros usuários, ou ter orientação técnica mais especializada. Nunca se esquecer de verificar e anotar os resultados alcançados nas áreas tratadas e melhorar o programa de manejo para o próximo ano. O benefício obtido com os métodos usados em cada situação é muito importante para aprimoramento das relações do sistema.

As plantas oportunistas constituem um sério problema para a cultura da cebola, uma vez que a planta apresenta porte baixo e desenvolvimento inicial relativamente lento. Também, em razão da própria arquitetura, com folhas eretas e cilíndricas, essa cultura cobre irregularmente o solo, permitindo a germinação e a emergência das plantas em qualquer fase de seu desenvolvimento.
Dentre os vários fatores que interferem na competição, o período de tempo em que a comunidade infestante interfere na cultura assume grande importância para o estabelecimento de um programa de controle de plantas oportunistas, de modo a minimizar os prejuízos. Assim, de modo geral, quanto maior for o tempo de convivência entre a cultura e a comunidade infestante, maior será o grau de interferência. A densidade e a distribuição das plantas oportunistas também são importantes fatores na determinação do grau de competição, uma vez que a comunidade infestante é composta por espécies diferentes.
A biomassa acumulada pela comunidade infestante durante o ciclo pode ser correlacionada negativamente com a produção de bulbos de cebola. Existem dois tipos de comportamento de convivência das plantas oportunistas com a cultura: um onde primeiramente, à medida que cresce o acúmulo de massa seca, há efeito negativo proporcional na produtividade da cebola, e outro no qual há menos tolerância da cebola à interferência da comunidade infestante, ocorrendo rápidas perdas, em baixas taxas de acúmulo de massa seca pelas plantas infestantes.
Quando se trata de semeadura direta, a competição das plantas oportunistas é mais prejudicial, reduzindo 30, 68 e 94% da produção de cebola, quando a competição após emergência for de quatro, cinco e seis semanas, respectivamente. As primeiras quatro semanas de crescimento são críticas para a produção e a máxima produção de bulbos é obtida quando a cultura fica isenta de plantas oportunistas por sete a oito semanas após o transplante. Outros trabalhos relatam que a máxima produtividade em semeadura direta ocorreu quando houve um período de 91 dias sem competição (maior número de folhas por planta). A convivência com as plantas oportunistas durante os primeiros 98 dias reduziu a produtividade da cebola em 95% e o peso médio de bulbos em 91%, sendo o período anterior à interferência (PAI) de 42 dias. Também tem sido observado que a infestação de plantas oportunistas reduziu a produtividade em 62% e o estande em 71%. Em condições de cultivo da cebola, a competição de plantas oportunistas a partir de mudas transplantadas, na fase inicial foi menos prejudicial à qualidade do produto quando comparada com aquela que se deu dos 46 dias até o final do ciclo. Destaca-se, ainda, a pequena profundidade do sistema radicular das plantas de cebola como uma das causas de sua suscetibilidade à interferência da plantas oportunistas.

Controle manual/mecânico

As capinas, feitas com o auxílio de sachos e enxadas estreitas, somente se justificam em sementeiras e em pequenos plantios e as capinas mecânicas são usadas apenas nos carreadores e nos sulcos de irrigação. Como as raízes se desenvolvem paralelamente e inicialmente à superfície, por cerca de 10 cm e somente após esta fase inicial é que elas crescem verticalmente à profundidade de 5 cm, é difícil evitar danos às raízes, a não ser com o uso de herbicidas.
Tanto na semeadura direta como no cultivo com transplante, o espaçamento entre plantas é pequeno, o que dificulta e encarece a capina manual e praticamente inviabiliza a mecanizada. O ciclo relativamente longo exige que sejam feitas várias capinas para se evitar que as plantas sofram concorrência com as plantas oportunistas.

Controle químico

Embora o controle da comunidade infestante possa ser efetuado com o auxílio de cultivadores, cujo trabalho pode ser complementado pela limpeza com enxada, a utilização de herbicidas nessa cultura torna-se uma opção altamente vantajosa. O controle de plantas oportunistas em cebola é muito importante, principalmente, durante o primeiro mês após o transplante, pois as plantas têm baixo porte, crescimento lento e requerem boa luminosidade para o seu perfeito desenvolvimento. Das práticas disponíveis para o controle, o químico é o mais eficiente. Isso se deve, principalmente, ao pequeno espaçamento nas entrelinhas, aliado ao ciclo relativamente longo, que exige a realização de várias capinas, além da facilidade com que as raízes da cultura são danificadas. Contudo, no que se refere aos herbicidas, diversas causas têm impedido a obtenção de resultados positivos de controle, tais como: escolha errada do produto em função da situação local; não utilização da quantidade preconizada; falha no ajuste do equipamento de aplicação ou emprego em épocas inoportunas. Acrescenta-se ainda o fato de que todos os herbicidas possuem limitações inerentes às suas próprias características, devendo-se, portanto, conhecê-las a fim de procurar sempre tirar o máximo proveito da potencialidade dos mesmos.
As áreas cultivadas com cebola, geralmente, apresentam população infestante muito diversificada, necessitando-se de dois ou mais herbicidas, combinados ou não, para controle eficiente das plantas oportunistas.
Grande parte do êxito da cultura de cebola deve-se ao uso correto dos herbicidas. Algumas recomendações são necessárias para um bom e eficiente controle: regular corretamente os equipamentos para obtenção da vazão recomendada do produto; utilizar o bico tipo leque; evitar aplicação de herbicidas quando há ventos fortes para não ocorrer deriva; na aplicação em pré-emergência, o solo não deve conter torrões grandes, nem estar muito seco ou encharcado; em pós-emergência, deve-se evitar aplicação em plantas molhadas de orvalho ou após a irrigação.
Na escolha de um determinado herbicida, deve-se sempre levar em consideração alguns fatores, como tipo de plantas oportunistas, grau de infestação e estádio de desenvolvimento das mesmas, tipo de solo em termos de textura e porcentagem de matéria orgânica, cultivar utilizada, estádio de desenvolvimento da cultura, presença de culturas vizinhas suscetíveis, rotação de culturas, além do custo do referido tratamento.
Quanto à época de aplicação, os herbicidas são classificados em: herbicidas de pré-plantio incorporado (PPI), quando a aplicação é realizada antes do plantio, porém, em função das características particulares do herbicida, devem ser incorporados ao solo de acordo com as especificações técnicas do produto; herbicidas de pré - emergência (PRÉ), também denominados de residuais, a aplicação é realizada sobre o solo, antes da emergência das plantas oportunistas, de acordo com as especificações técnicas do produto. Nesse caso, a aplicação deve ser efetuada em solo bem preparado, livre de torrões ou restos vegetais e com boas condições de umidade; herbicidas de pós-emergência (PÓS), nos quais a aplicação é realizada após emergência da cultura e das plantas oportunistas. No caso de herbicidas seletivos, a aplicação é efetuada em cobertura total sobre a cultura e as plantas oportunistas emergidas. No caso de herbicidas de ação total ou não seletivos, a aplicação deve ser realizada na pré-semeadura ou antes do transplante das mudas. Em ambos os casos, devem ser rigorosamente seguidas as especificações técnicas de uso de cada produto.
De modo geral, as cultivares de cebola apresentam-se com folhagem verde-opaco, devido à maior quantidade de ceras (grupo ceroso) Baia Periforme, Barreiro SMP-lV, Red Creole, Roxa chata, Pira Couto, Pira Dura, Pira Ouro, tendem a proporcionar maior resistência à ação de herbicidas do que aquelas com folhagem verde-brilhante, portadoras de menor quantidade de cerosidade foliar (grupo não ceroso) - Granex, Texas Grano, Excel e Bermudas.
Alguns estudos têm sido realizados no Brasil com a aplicação de herbicidas na cultura da cebola em semeadura direta. O fracionamento das doses de oxyfluorfen, ioxynil-octanoato, sethoxydim e fluazifop-p-butil foi avaliado isoladamente ou em misturas com paraquat no controle de plantas oportunistas e seus efeitos na produtividade da cultura. O fracionamento da dose, aplicando-se menores quantidades de herbicida no estádio de duas folhas, aumentou a tolerância das plantas ao oxyfluorfen e ao ioxynil-octanoato. O parcelamento das doses e a combinação de herbicidas, quando se tem baixa capacidade de reinfestação de plantas oportunistas, reduzem o consumo de herbicidas e, caso haja alta capacidade de reinfestação, permitem manter a cultura livre da interferência das plantas oportunistas até a colheita, sem causar toxidez às plantas de cebola. Além disso, a mistura no tanque do graminicida fluazifop-p-butil (0,100 kg/ha) com os latifolicidas oxyfluorfen (0,048 kg/ha) ou com ioxynil-octanoato (0,200 kg/ha) proporcionou produção de bulbos semelhantes aos da testemunha capinada, com excelente controle de várias espécies de plantas oportunistas. A aplicação de paraquat aos cinco dias após a semeadura, sobre as plantas oportunistas que emergiram antes da cebola, permitiu retardar de uma a duas semanas a aplicação dos herbicidas em pós-emergência, obtendo-se maior tolerância da cultura.
A cebola ganha tolerância ao oxyfluorfen com a emissão de novas folhas, em razão, principalmente, do decréscimo na retenção do herbicida, como resultado do aumento na deposição de cera. Na cebola propagada por mudas (transplantio), as plantas têm maior tolerância aos herbicidas, em virtude de a aplicação ser realizada em estádio mais avançado de desenvolvimento da cultura. Além disso, as folhas lanceoladas lipófilas e as bainhas imbricadas protegem a parte aérea do contato dos herbicidas. Não é apenas a espessura da cutícula que protege a planta, mas, também, a maior quantidade de constituintes com características de hidro-repelência que ela tem (cutina e ceras). Em geral, as cutículas espessas dificultam mais a penetração de herbicidas que as finas.
O período de estabelecimento das plantas transplantadas é o momento adequado para a aplicação dos herbicidas, uma vez que as plantas apresentam-se com déficit hídrico, reduzida atividade metabólica e, conseqüentemente, menor absorção e translocação dos herbicidas.
O controle químico implica, em geral, no uso de um tratamento inicial em pré-emergência, seguido de um ou dois em pós-emergência, mesmo que algum ingrediente ativo (ioxynil-octanoato, oxyfluorfen) possa causar, temporariamente, fitotoxicidade à cebola. Em casos de escapes de plantas oportunistas, o controle mecânico complementa o controle químico.
Os herbicidas inibidores da ACCase, como elethodim, sethoxydim, fluazifop-p-butil e diclofop-methyl, entre outros do mesmo grupo, controlam exclusivamente gramíneas anuais e algumas perenes, quando aplicados em pós-emergência, em plantas com até três folhas. São totalmente seletivos para a cultura da cebola, podendo ser aplicados a partir da emergência das plantas.
Os herbicidas, quando utilizados corretamente na cultura, têm poupado duas a três capinas, que gastam, em média, cada uma, 55 dias/homem por hectare, tanto na cultura por mudas como por bulbinhos, e 85 dias/homem nas sementeiras.
Alguns herbicidas para a cultura da cebola transplantada e por semeadura direta podem ser observados na Quadro 1 e Quadro 2.
Quadro 1. Herbicidas recomendadas para a cultura da cebola transplantada.
NOME TÉCNICO
NOME COMERCIAL
DOSE P.C./HA (KG OU L)
PLANTAS OPORTUNISTAS CONTROLADAS
ÉPOCA DE APLICAÇÃO
Fluazifo-p-butil
Fusilade
0,75 a 2,0
Gramíneas
Pós-emergência das plantas oportunistas. Aplicar com até dois perfilhos.
Trifluralin
Treflan
1,5 a 2,0
Gramíneas e algumas dicotiledôneas
Pré-plantio incorporado.
Linuron
Afalon
1,6 a 3,3
Dicotiledôneas e algumas gramíneas
Pós-emergência. Aplicar 2 a 3 semanas após o transplante.
Oxadiazon
Ronstar
3,0 a 4,0
Dicotiledôneas, trevo e algumas gramíneas
Aplicar após o transplante em pré-emergência das plantas oportunistas.
Pendimethalin
Herbadox
2,0 a 3,5
Dicotiledôneas e algumas gramíneas
Aplicar após o transplante em pré-emergência das plantas oportunistas. Evitar contato com sistema radicular da cebola.
Ioxynil-octonoato
Totril
2,0 a 3,0
Dicotiledôneas
Aplicar no transplante após o enraizamento.
Prometryne
Gesagard
1,2 a 2,0
Dicotiledôneas e algumas gramíneas
Aplicar após o transplante 2 a 3 semanas ou em pós-emergência com a cultura com 20-30 cm de altura e as plantas oportunistas com 2 a 4 folhas.
Clethodim
Select
0,35 a 0,45
Gramíneas
Aplicar sobre gramíneas com até dois perfilhos e cebola.
Fenoxaprop-p-ethyl + Clethodim
Podium
1,0
Gramíneas
Aplicar em pós-emergência da cultura e com as gramíneas no estágio de 2 a 4 perfilhos.
Quizalofop-t-ethyl
Targa
1,5 a 2,0
Gramíneas
Aplicar em pós-emergência das plantas oportunistas, quando estas estiverem em pleno desenvolvimento vegetativo e no máximo com 4 perfilhos.
Fonte: Mascarenhas et al. (1985); Gelmini (1996); Andrei (1999); Ferreira (2000), Ferreira et al. (2002), Anvisa/SIA (2006).
Quadro 2. Herbicidas com potencial de uso para a cultura da cebola em semeadura direta.
NOME TÉCNICO
NOME COMERCIAL
DOSE P.C./HA (KG OU L)
PLANTAS OPORTUNISTAS CONTROLADAS
ÉPOCA DE APLICAÇÃO
Fluazifo-p-butil
Fusilade
1,0
Gramíneas
Aplicar sobre gramíneas com até dois perfilhos.
Oxyfluorfen
Goal
0,2+0,4+0,6
Dicotiledôneas e algumas gramíneas
Dividir a dose em três aplicações, sendo a primeira até 20 dias após a semeadura.
Linuron
Afalon
1,0
Dicotiledôneas e algumas gramíneas
Aplicar após a sexta folha.
Oxadiazon
Ronstar
1,0 + 1,0
Dicotiledôneas, trevo e algumas gramíneas
Primeira aplicação no estádio de três folhas.
Clethodim
Select
0,3
Gramíneas
Aplicar sobre gramíneas com até dois perfilhos.
Ioxynil-octonoato
Totril
0,5 + 0,5
Dicotiledôneas
Primeira aplicação no estádio de três folhas.
Sethoxydim
Poast
1,0
Gramíneas
Aplicar sobre gramíneas com até dois perfilhos.
Diuron
Karmex
1,0
Dicotiledôneas
Aplicar após a sexta folha.
Fonte: Ferreira et al. (2002), Anvisa/SIA (2006).
As combinações de sethoxydim (0,125 a 0,250 kg/ha) e de fluazifop-p-butil (0,18 e 0,148 kg/ha) com o oxyfluorfen (0,048 e 0,072 kg/ha) e com o linuron (0,750 kg/ha) proporcionaram controle acima de 75% para Portulaca oleracea (beldroega), Galinsoga parviflora (picão branco), Amaranthus viridis (caruru-de-mancha), Apium leptophyllum (falso-mentruz), Eleusine indica (capim pé-de-galinha) e Digitaria sanguinalis (capim colchão, milhã). À exceção dos tratamentos com linuron, que foram tóxicos, todos os demais foram seletivos para as plantas de cebola.
Controles eficientes de espécies gramíneas como Eragrostis pilosa (capim barbicha-de-alemão), Echinocloa crusgalli (capim arroz), Digitaria horizontalis (capim colchão), Eleusine indica e Brachiaria plantaginea (capim marmelada) e de algumas dicotiledôneas como Portulaca oleracea e Amaranthus lividus (caruru) foram observados usando-se no tanque uma mistura de oxyfluorfen a 0,048 kg/ha e fluazifop-p-butil a 0,1 kg/ha.
O herbicida fenoxaprop-p-ethyl nas doses 0,082 e 0,096 kg/ha e fluazifop-p-butil na dose de 0,187 kg/ha, apresentaram controle igual ou superior a 90% para as espécies Brachiaria plantaginea, Digitaria horizontalis e Eleusine indica, quando aplicados no estádio de 1 a 2 perfilhos.
Para o controle de mentruz (Lepidium virginicum), destacou-se o flumioxazin, com índices de 100%, até 80 dias após a aplicação, em todas as dosagens, desde 0,080 até 0,240 kg/ha. O herbicida flumioxazin foi seletivo para a cultura em todas as dosagens testadas e o oxadiazon a 0,750 kg/ha provocou sintomas iniciais de fitotoxicidade nas plantas, dos quais recuperaram-se. A mistura de oxadiazon + linuron (0,500 + 0,900 kg/ha) e linuron isolado (1,350 kg/ha) promoveu toxicidade, variando de moderada a média.
MODO IA
O manejo de plantas daninhas na cebola é crucial, pois seu crescimento inicial lento e raízes superficiais a tornam pouco competitiva, podendo causar perdas de até 100% na produtividade. O período crítico de controle é geralmente entre o 21° e 63° dia após a semeadura. O manejo integrado com herbicidas pré e pós-emergentes, junto a métodos culturais, é essencial como destaca o portal da Embrapa
Principais Plantas Daninhas
As dicotiledôneas (folhas largas) são as mais problemáticas na região do Cerrado. Espécies comuns incluem:
  • Folhas largas: Caruru (Amaranthus lividus), beldroega (Portulaca oleracea), mentruz (Lepidium virginicum).
  • Gramíneas: Capim-arroz (Echinochloa crusgalli), capim-colchão (Digitaria horizontalis), capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), capim-barbicha-de-alémão (Eragrostis pilosa).
  • Manejo e Controle
    • Manejo Cultural: Rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e correto espaçamento ajudam a aumentar a competitividade da cebola.
    • Uso de Palhada: Cobertura morta (ex: Brachiaria) reduz a emergência de plantas daninhas.
    • Controle Químico (Herbicidas):
      • Pré-emergentes: Pendimethalin é recomendado para controle inicial, prolongando o período de proteção conforme indica o Instituto Federal Catarinense.
      • Pós-emergentes: Oxyfluorfen (misturas) e Flumioxazin (para mentruz) são opções, mas deve-se monitorar a fitotoxidez.
      • Graminicidas: Quizalofop-p-ethyl (Targa 50 EC) é seletivo e eficiente, aplicado quando o capim está com 1 a 2 perfilhos como sugerido no portal da Embrapa.
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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Irrigação na Cebola


A cebola é constituída por mais de 90% de água e é considerada medianamente exigente em água. A irrigação bem manejada possibilita obtenção de bulbos uniformes e de melhor qualidade e, ainda, possibilita mais de um cultivo por ano.
O cultivo da cebola no Brasil, com exceção da região Sul, é realizado sob irrigação. Entretanto, a área irrigada com o cultivo de cebola vem aumentando na região Sul, visando favorecer a produção e o maior rendimento. Embora a cultura seja sensível ao déficit hídrico, o excesso é também prejudicial, favorecendo a incidência de doenças e prejudicando a produção e qualidade de bulbos.
No Brasil, irrigação por sulco, aspersão e irrigação localizada são os sistemas de irrigação utilizados para irrigar a cultura da cebola, cada qual com características próprias, com custos variáveis, vantagens e desvantagens.
Na região Nordeste, a irrigação por aspersão vem substituindo a irrigação por superfície, tradicionalmente utilizada. A irrigação por aspersão convencional é a mais utilizada nas regiões Sul e Sudeste. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o pivô central vem sendo adotado com sucesso em médias e em grandes áreas de produção.

Irrigação por superfície

Os sistemas de irrigação por superfície mais utilizados para a cebola são por inundação temporária em bacias (misto) (Figura 2a e 2b) e por sulcos (Figura 1), espaçados de um metro, principalmente por pequenos produtores da região Nordeste, devido ao baixo custo dos sistemas. A irrigação por superfície não molha a parte aérea das plantas, pouco interfere na aplicação de agrotóxicos e minimiza doenças da parte aérea. Pode, por outro lado, favorecer a ocorrência de doenças de solo.
Na irrigação por inundação, a água é aplicada por meio de pequenas bacias ou quadras, com tamanho variável conforme o tipo de solo, as condições topográficas e a disponibilidade de água.
O sistema por inundação em bacias com camalhões, uma variação do sistema tradicional, objetiva reduzir os problemas de aeração e doenças de solo. O uso de camalhões possibilita um incremento de produtividade entre 100 e 150% em relação ao sistema tradicional. A desvantagem do sistema é a alta demanda de mão-de-obra, dada a impossibilidade de mecanização para a construção dos camalhões dentro das bacias.
Figura 1. Irrigação por sulco na cultura da cebola.
Foto: Embrapa Semi-Árido
Figura 2a. Sistema de irrigação misto na cultura da cebola.
Foto: Embrapa Semi-Árido
Figura 2b. Sistema de irrigação misto na cultura da cebola.
Na irrigação por sulco, a água é conduzida em canais situados paralelamente às fileiras das plantas, por um período de tempo suficiente para infiltrar água necessária para o desenvolvimento da cultura. Necessita-se de sistematização do terreno para se obter maior eficiência de irrigação. A irrigação por sulco não molha toda a superfície do solo; normalmente, molha de 30 a 80 % a superfície total, reduzindo a perda de água por evaporação. É o método de irrigação que exige, em geral, mais mão-de-obra, aumentando a interferência do operador na eficiência do sistema.

Irrigação por aspersão

Irrigação por aspersão é o mais utilizado para a cultura da cebola no Brasil. Mesmo em regiões que tradicionalmente utilizam sistemas por superfície, a aspersão vem sendo adotada como uma opção viável para garantir maior produtividade e qualidade de bulbo, facilitar o manejo da irrigação, aumentar a eficiência do uso de água e reduzir o uso de mão-de-obra.
Os aspersores mais freqüentemente empregados são os de impacto com raio de alcance de até 20 m. Nos últimos anos, alguns produtores têm optado por sistemas convencionais fixos de microaspersão (Figura 3). Em grandes áreas, especialmente no estado de Minas Gerais, o sistema pivô central vem sendo utilizado com sucesso.
A eficiência do uso de água pela cultura depende da uniformidade de aplicação de água pelo sistema de irrigação, do sistema de cultivo e da cultivar. Nos sistemas de irrigação por aspersão podem-se auferir maiores eficiências de irrigação que na irrigação por sulco e na irrigação por inundação.

Irrigação por gotejamento

Por não molhar as folhas das plantas, no sistema por gotejamento há menor ocorrência de doenças da parte aérea, além de pouco interferir nas práticas culturais.
Para o cultivo da cebola, os gotejadores devem ser espaçados de modo que se forme uma faixa molhada ao longo da linha de plantio. Como regra geral, pode-se adotar um espaçamento entre gotejadores de 0,30 a 0,60 m para solos de textura grossa, de 0,40 a 0,80 m para textura média e de 0,50 a 1 m para textura fina. Para sistema de cultivo em canteiros, com largura de 1 a 1,2 m, são necessárias de 1 a 3 linhas de gotejadores por canteiro.
Foto: Embrapa Semi-Árido
Figura 3. Irrigação por microaspersão na cultura da cebola.
O sistema de irrigação por gotejamento (Figura 4), apesar das vantagens que oferece, não tem sido utilizado na cultura da cebola no Brasil. A principal limitação é o alto custo do sistema, que pode chegar a quatro vezes o da aspersão.
Foto: Embrapa Semi-Árido
Figura 4. Irrigação por gotejamento na cultura da cebola.

Necessidade de água das plantas

A necessidade total de água da cultura, dependendo das condições climáticas, do ciclo da cultivar e do sistema de irrigação, varia de 350 a 650 mm. A necessidade aumenta de forma proporcional ao crescimento vegetativo das plantas, atingindo o máximo no estádio de bulbificação sendo, reduzida nos estádios de maturação e colheita.
Muito embora a cebola seja altamente sensível ao déficit hídrico, necessitando de boa disponibilidade de água no solo e irrigações freqüentes para seu bom rendimento, o excesso de água pode ser igualmente prejudicial, favorecendo a incidência de doenças, reduzindo o crescimento e, conseqüentemente, a produção e a qualidade de bulbos.
A cebola é, também, uma hortaliça muito sensível à salinidade da água de irrigação. O máximo rendimento esperado está associado a uma condutividade elétrica do extrato de saturação do solo, que não deve ultrapassar 1,2 dS/m. Para condutividade de 1,8 dS/m a redução esperada de rendimento é da ordem de 10%; para 4,3 dS/m, de 50% e para 7,5 dS/m, de 100%.
A duração do ciclo fenológico da cultura, que depende principalmente da cultivar, do clima e do sistema de plantio, varia de 100 a 170 dias, podendo, em algumas cultivares tardias, plantadas na região Sul, atingir 210 dias. Em termos de necessidade de água, o período de crescimento pode ser dividido em quatro estádios: inicial, vegetativo, bulbificação e maturação.
Existem no Brasil quatro sistemas de produção de cebola: transplante de mudas, semeadura direta, bulbinho e soqueira. O transplante de mudas é o sistema mais utilizado, principalmente pelos produtores do sul do país. Neste caso, as mudas são produzidas em sementeiras, onde se deve ter especial cuidado com a irrigação. A semeadura direta está em expansão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Já os métodos do bulbinho e da soqueira são utilizados, principalmente, para a produção de cebola na entressafra, em algumas regiões de São Paulo, como em Piedade.

Produção de mudas

A irrigação, quando adequadamente combinada com os demais tratos culturais, possibilita a obtenção de mudas de qualidade (tamanho e vigor). Tanto quanto a falta, o excesso de água pode ser prejudicial para a obtenção de mudas de boa qualidade. Assim, a sementeira deve apresentar solo com boa drenagem natural e a irrigação deve ser realizada adequadamente com água de boa qualidade, pois fontes contaminadas podem transmitir doenças às mudas ainda em formação.
Muito embora a produção de mudas seja tradicionalmente realizada em canteiros em campo, alguns produtores vêm produzindo mudas em bandejas com 288 células (10 cm3 por célula). Neste caso, deve-se ter atenção especial com a freqüência de irrigação e a lâmina de água a ser aplicada, pois o volume de solo para retenção de água é limitado, podendo ser necessária mais de uma irrigação por dia.
O transplante de mudas é realizado entre 30 e 60 dias após a semeadura, quando as mudas apresentam de 0,5 a 0,7 cm de diâmetro e de 18 a 20 cm de altura. Para minimizar o risco de déficit hídrico às mudas, alguns produtores fazem o corte das folhas antes do transplante.

Estádio inicial

Após a semeadura, brotação dos bulbinhos ou, especialmente, durante o período de pegamento de mudas, no sistema de transplante, é importante o fornecimento de quantidade suficiente de água por meio de irrigações leves e freqüentes, procurando manter a umidade da camada superficial do solo (0 a 20 cm) na faixa entre 70 e 100% da água disponível.
Independentemente do sistema de plantio utilizado, o solo deve ser previamente irrigado. A semeadura em solo seco e subseqüente irrigação proporciona, quase sempre, problemas de estande e crescimento desigual das plantas. Imediatamente após o transplante deve-se realizar uma irrigação para disponibilizar água às mudas.
Após a emergência das plântulas ou pegamento das mudas deve-se reduzir ligeiramente a freqüência de irrigação e aumentar a profundidade de molhamento do solo, para estimular o crescimento radicular em profundidade e lateralmente.

Estádio vegetativo

O estádio vegetativo compreende o período entre o estabelecimento inicial das plantas e o início da bulbificação. Neste estádio, mesmo sendo as plantas menos sensíveis à falta de água que nos estádios inicial e de bulbificação, irrigações deficitárias podem acarretar reduções significativas de produtividade, mesmo que o suprimento de água no estádio seguinte seja adequado.

Estádio de formação de bulbos

O estádio de formação da produção, que vai do início da formação de bulbo até o início da maturação, é o estádio mais sensível ao déficit hídrico. Neste período, a necessidade hídrica da cultura atinge a máxima demanda.
A deficiência de água, particularmente durante o período de rápido crescimento de bulbo, reduz drasticamente o rendimento e o tamanho do mesmo. Já a manutenção do solo úmido, sem excessos, minimiza o crescimento das raízes e favorece maior crescimento de bulbo. Por outro lado, irrigações e adubações nitrogenadas em excesso podem favorecer o engrossamento demasiado do pseudocaule (“pescoço-grosso”), prejudicando a conservação dos bulbos e provocando maior susceptibilidade às doenças foliares.

Estádio de maturação

Nesse estádio, compreendido entre o início da maturação dos bulbos e a colheita, há uma sensível redução da necessidade de água pelas plantas (20 a 30% menor que no estádio de bulbificação), devendo a irrigação ser gradualmente reduzida até sua completa paralisação. O primeiro sinal de amadurecimento é o tombamento do pseudocaule (“estalo”), seguindo-se o secamento da planta.

Manejo da irrigação

Para a obtenção de alta produtividade e bulbos de qualidade, a cultura necessita de um suprimento controlado e freqüente de água durante todo o período de crescimento; particularmente durante o estádio de bulbificação. Todavia, o manejo da irrigação é importante para se evitar excesso ou falta de água, que podem acarretar redução da produção e da qualidade, principalmente devido à maior incidência de doenças.
O uso eficiente da água de irrigação tem grande importância na obtenção de alta produtividade, na redução dos custos de produção, certamente, na manutenção da fertilidade dos solos e na conservação do meio ambiente, pela diminuição dos riscos de erosão, lixiviação de nutrientes e manutenção do nível baixo do lençol freático.
O sistema radicular da cultura da cebola é bastante superficial, estando concentrado nos primeiros 30 cm do perfil do solo.
A freqüência de irrigação na cultura da cebola depende do clima, da textura do solo e da fase vegetativa da mesma. De um modo geral, em solos com elevados teores de argila, o intervalo de irrigação é maior, devido a uma maior retenção de água. Por outro lado, em solos arenosos, as irrigações são mais freqüentes devido à sua baixa capacidade de retenção de água.
Em estudo realizado na Embrapa Semi-Árido, aplicou-se lâminas de água de 542 mm, 754 mm, 923 mm e 1.954 mm pelos sistemas de irrigação por gotejamento, microaspersão, sulco e bacia. O manejo de irrigação foi feito com base na evaporação do tanque classe A. As produtividades obtidas foram: gotejamento - 57,8 t.ha-1, microaspersão - 53,2 t.ha-1, sulco - 40,7 t.ha-1 e bacia - 39,6 t.ha-1.

Estádio inicial

A lâmina de água a ser aplicada antes do plantio deve ser suficiente para que a umidade do solo atinja valores de 80 a 100% da água disponível para as plantas na camada até 30 cm. Dependendo do tipo de textura e da umidade atual do solo, a lâmina líquida varia entre 10 e 15 mm para solos de textura grossa e entre 20 e 40 mm para os de texturas média e fina. No caso de irrigação por gotejamento, a lâmina deve ser fracionada durante 2 a 3 dias para a melhor formação da faixa molhada.
Em termos gerais, as irrigações devem ser realizadas com turno de rega de 1 a 2 dias, para condições de evapotranspiração de referência (ETo) acima de 6 mm/dia. Em solos com baixa capacidade de retenção de água (textura grossa), pode ser necessário irrigar duas a três vezes ao dia.

Estádio vegetativo, formação de bulbos e maturação

Existem, na literatura nacional e internacional, informações disponíveis que permitem utilizar diferentes critérios para a determinação do momento correto de se irrigar e da quantidade de água necessária a ser aplicada por irrigação na cultura da cebola.
Para maximizar o rendimento de bulbos, as irrigações devem ser realizadas quando a tensão de água no solo atingir entre 7 e 15 kPa para solos arenosos e entre 20 e 40 kPa para solos de texturas média e fina. Os menores valores devem ser utilizados como limite durante o estádio de bulbificação. Em irrigação por gotejamento, considerar a faixa de tensão entre 7 e 15 kPa. O fator de disponibilidade de água no solo (f), recomendado para a cultura da cebola irrigada por aspersão ou por sulco, varia entre 0,30 e 0,4,.dependendo, todavia, da evapotranspiração da cultura e do tipo de solo. Para solos de textura fina e ETo acima de 6 mm dia-1, usar valores entre 0,25 e 0,30 e, para solos de textura grossa e ETo abaixo de 4 mm dia-1, usar valores entre 0,45 e 0,50. Em irrigação por gotejamento, considerar um fator de disponibilidade entre 0,15 e 0,25.
A determinação do momento de se irrigar com base em observações visuais de sintomas de deficiência de água na planta, além de ser difícil de ser determinado no campo, pode reduzir significativamente a produtividade de bulbos.
Irrigações realizadas somente após a identificação visual da ocorrência de déficit hídrico moderado, caracterizado pela perda de turgidez e por tonalidades de verde mais escuro das folhas, podem acarretar redução de produtividade da ordem de 25%. Já quando as irrigações são realizadas apenas quando as plantas apresentam sintomas visuais de déficit hídrico severo, ou seja, murchamento das extremidades foliares e predominância de coloração verde-acinzentado, a queda de produtividade pode chegar a 60%, além de comprometer a qualidade dos bulbos.
Os valores de coeficiente de cultura (Kc), necessários para o cálculo da evapotranspiração, nos diferentes estádios fenológicos da cebola são apresentados na Tabela 1. Nota-se que o valor de Kc é dependente do sistema de irrigação, das condições de umidade e velocidade do vento e da freqüência de irrigação nos estádios inicial e vegetativo, não requerendo multiplicação por coeficientes visando seu ajuste para condições de restrições de umidade do solo. Isso não impede, todavia, a necessidade de ajustes em função de condições específicas de cultivo.

Paralisação da irrigação

As irrigações devem ser suspensas quando os bulbos apresentarem máximo desenvolvimento, o que ocorre entre duas e três semanas antes da colheita, dependendo da cultivar, do tipo de solo e do clima. Essa prática evita a entrada de água no pseudocaule da cebola e acelera a dessecação da parte aérea e a maturação dos bulbos, melhorando suas condições de cura e de conservação.
Alguns produtores determinam o momento de paralisar as irrigações apertando-se o pseudocaule (“pescoço”) da planta entre os dedos, estabelecendo o critério de 50% das plantas com “pescoço” macio como limite.
No caso de irrigação por gotejamento, as irrigações devem ser realizadas até mais próximo à colheita, pois o volume de água armazenado no solo é menor que nos demais sistemas de irrigação.
Os coeficientes de cultura (Kc), para a determinação da ETc, apresentados na Tabela 1, são valores médios, podendo requerer ajustes para condições específicas de cultivo. No caso de cultivo mínimo, por exemplo, devem ser reduzidos de 10% a 40%, dependendo do tipo de palhada e do estádio da cultura.

Associação da irrigação com doenças

Embora a água tenha grande influência na incidência e severidade de doenças fúngicas e bacterianas em uma lavoura, a maioria dos agricultores irriga de forma inadequada, geralmente em excesso.
Algumas das principais doenças de solo em áreas de cebola irrigada em excesso e/ou de drenagem inadequada são: tombamento de muda (Rhizoctonia solani; Pythium spp.; Fusarium spp.), antracnose foliar (Colletotrichum gloeosporioides), podridão basal (Fusarium oxysporum) e podridão mole (Erwinia carotovora). A antracnose foliar, ou mal-de-sete voltas, é o principal problema fitossanitário da cebola no Brasil, ocorrendo desde a sementeira ou viveiro até o armazenamento. A podridão mole e a basal (fusariose) também pode causar grandes perdas tanto no campo como durante o armazenamento do bulbo. Já o tombamento de muda (damping off) pode ocasionar baixa densidade de plantas no sistema de semeadura direta ou baixo rendimento de mudas.
Dentre os sistemas de irrigação por superfície, o sisemta por inundação temporária em bacias ou quadras simples é o que mais favorece a incidência de doenças de solo na cultura da cebola, como a antracnose foliar, considerada um dos principais problemas da cebola em áreas que utilizam esse sistema de irrigação.
Mesmo nos sistemas de irrigação por aspersão, o agricultor deve evitar a formação de pontos de encharcamento, os quais, freqüentemente, se transformam em focos de disseminação e multiplicação de doenças de solo. Dentre as principais causas de encharcamento tem-se: vazamentos e desuniformidade de distribuição de água, drenagem deficiente, depressões no solo e áreas compactadas por máquinas e implementos. A água de irrigação também pode servir de veículo na disseminação de várias doenças. Assim, o conhecimento da origem e da qualidade da água é importante, pois o escorrimento superficial da água de chuva ou de irrigação por um campo infectado pode contaminar fontes de água superfícial ou subterrânea.
A irrigação por aspersão, especialmente quando em regime de alta freqüência, favorece condições de elevada umidade na folhagem, podendo aumentar a incidência de doenças da parte aérea, como: mancha púrpura (Alternaria porri), queima das pontas ou mofo cinzento (Botrytis ssp.), podridão aquosa (Burkholderia gladioli pv. allicola) e míldio (Peronospora destructor). As doenças da parte aérea são favorecidas por injúrias nas folhas, sejam mecânicas ou causadas por tripes (Thrips tabaci), que, na presença de umidade, funcionam como “porta de entrada” para fungos e bactérias.

A produtividade média de cebola (Allium cepa) nos estados de São Paulo e Minas Gerais tem estado entre 40 e 60t/ha, e com a utilização de irrigação por pivô central esta pode chegar até 90 t/ha. Essa melhora na produtividade provém da melhor formação do bulbo, que aumenta devido ao melhor manejo da irrigação.Tal como a maioria das hortaliças, a cebola contém grande quantidade de água (90% do peso), sendo fundamental a irrigação desta cultura. Há uma grande diferença entre cultivos de sequeiro e irrigado, com até 25 t/ha  a mais nas áreas irrigadas.
Diversos métodos têm sido utilizados para a irrigação da cebola (irrigação por sulcos, aspersão convencional, pivô central e localizada), de acordo com o tipo de solo, clima e a variedade cultivada, mas os sistemas que têm apresentado melhores resultados são o gotejamento e a microaspersão.

A irrigação por gotejamento é mais eficiente devido à menor quantidade de água utilizada e pela aplicação próximo ao solo. Dessa forma, a água aplicada é utilizada de forma mais eficiente, sendo o método em que se obtém as maiores produtividades. A utilização da microaspersão também tem alta eficiência, mas como ocorre molhamento foliar, há maior incidência de doenças foliares que nas áreas irrigadas por gotejamento. Nas áreas com irrigação localizada (gotejamento e microaspersão) há menor uso de água e mão de obra, maior produtividade, alta eficiência e possibilidade de fazer a fertirrigação, misturando fertilizantes solúveis na água de irrigação.
 Apesar de necessitar de maior quantidade de água que na irrigação localizada, a irrigação por sulcos não tem um dos maiores consumos de água, tendo média de 500 mm por ciclo produtivo, que deve ser restrito na maturação e aumentado no período de formação do bulbo da cebola. Desde a semeadura em viveiro até o transplante no campo, a umidade deve estar próxima da capacidade de campo. Ao ser transplantada, a irrigação deve ser feita para retirar bolsões de ar que se formam próximo às raízes e obter melhor pegamento de mas O menor uso de água, mão de obra, maior produtividade, alta eficiência e possibilidade de fertirrigação. Já no método de sulcos a fácil manutenção do nível de umidade do solo e aplicação de fertilizantes solúveis em água, alto controle da lâmina aplicada reduz perdas por evaporação, percolação profunda e intercepção.Nas áreas com irrigação por sulcos é fácil manter níveis adequados de umidade do solo, e o custo de aquisição e implantação é menor que nos demais sistemas de irrigação. Se houver pessoas com alto conhecimento sobre o manejo do sistema, pode-se ter alta eficiência na irrigação e na fertirrigação. O controle adequado da lâmina d’água aplicada reduz as perdas por evaporação, percolação profunda e intercepção.
No manejo da irrigação, o controle da umidade deve ser feito de modo a manter o solo úmido até a profundidade de 50 cm, mantendo a umidade a 80% do máximo armazenamento, até o completo desenvolvimento dos bulbos. Ao final do ciclo, em algumas variedades é observado o tombamento das folhas, ou mesmo o murchamento, que indica a hora de suspender a irrigação para entrar na fase de maturação, que dura cerca de  1,5 a 2 semanas antes da colheita.
Em áreas que utiliza o plantio direto, sem preparo do solo, há um melhor aproveitamento de nutrientes e menor intensidade de radiação incidente sobre o solo, e consequentemente, um menor aquecimento da superfície. Portanto, há uma menor evapotranspiração e menor necessidade de irrigação. Sendo assim, nessas áreas há uma maior eficiência de irrigação.





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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Cultivo da Oca (Oxalis tuberosa)



A oca é uma planta que tem folhas semelhantes as folhas do trevo e que produz tubérculos comestíveis que variam bastante na coloração externa, no tamanho, no sabor e na textura, conforme a variedade.
As numerosas variedades cultivadas são divididas essencialmente em dois tipos de tubérculos, os ácidos e os doces. As ocas ácidas contêm uma grande concentração de ácido oxálico, e embora possam ser consumidas cruas ou cozidas em quantidades moderadas, são normalmente processadas até que os tubérculos se tornam completamente desidratados. Já as ocas do tipo doce contêm uma baixa concentração de ácido oxálico e são normalmente consumidas cozidas, fritos ou até mesmo cruas, podendo ser utilizados em diversos tipos de receitas culinárias.
Planta cultivada nos Andes por muitos séculos, a oca geralmente atinge de 20 a 30 cm de altura e os tubérculos podem ser brancos, amarelos, alaranjados, rosados, vermelhos ou roxos. Suas folhas e flores, tal como as folhas de outras plantas do gênero Oxalis, também podem ser consumidas cruas ou cozidas, desde que em quantidades moderadas.

A oca tem folhas parecidas com as folhas do trevo 

Clima

Esta é uma planta que cresce melhor em clima ameno. Embora possa sobreviver a baixas temperaturas e geadas, estas condições geralmente matam a parte aérea da planta, que rebrota dos rizomas ou tubérculos quando a temperatura volta a subir. Por outro lado, normalmente não cresce bem com temperaturas acima de 28°C, especialmente se as noites também são quentes.

Luminosidade

Cultive com luz solar direta ou, em regiões mais quentes, em sombra parcial com boa luminosidade.
A variedade de oca deve ser escolhida de acordo com a latitude da região, pois muitas variedades tradicionalmente cultivadas nos Andes são sensíveis ao fotoperíodo da região, ou seja, ao número de horas de luz do dia, requerendo dias com menos de 12 horas de luz para iniciar a formação dos tubérculos. No entanto, há variedades cultivadas que são neutras com relação ao fotoperíodo.

Solo

A oca é bastante tolerante quanto ao solo, mas produz melhor em solos leves, bem drenados, férteis e ricos em matéria orgânica.

Irrigação

Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, mas sem que permaneça encharcado.

A oca precisa de clima ameno para crescer bem

Plantio

A oca é geralmente propagada através dos tubérculos, mas algumas vezes também são utilizados os estolões ou estolhos da planta. É incomum a utilização de sementes, pois são difíceis de obter e têm uma baixa taxa de germinação.
Os tubérculos grandes podem ser cortados em pedaços que contenham pelo menos duas ou três gemas (“olhos”). Os pedaços devem ficar ao sol por alguns dias para que os cortes sequem antes do plantio. Contudo, normalmente são plantados os tubérculos menores inteiros, que são menos adequados para o consumo.
Os tubérculos que serão plantados devem ser escolhidos entre as plantas mais produtivas e saudáveis de uma plantação, e no plantio podem ser enterrados horizontalmente a uma profundidade de aproximadamente 5 cm no solo. O espaçamento entre as linhas de plantio pode ser de 60 a 90 cm, com 40 a 50 cm entre plantas. Com o menor espaçamento, as plantas podem fechar completamente a área do solo, não permitindo a movimentação de pessoas entre as linhas de plantio.

Tratos culturais

Retire as plantas invasoras que estiverem concorrendo por recursos e nutrientes, especialmente no início do cultivo.
Amontoe terra sobre os estolões ou estolhos (“caules rastejantes”) frequentemente. Quanto mais estolões forem enterrados, maior será a produção de tubérculos.

Os cultivares de oca têm tubérculos que variam bastante na coloração 

Colheita

A colheita dos tubérculos ocorre de 6 a 9 meses após o plantio, dependendo da variedade cultivada e das condições de cultivo, sendo feita quando a folhagem amarelar e secar. Os tubérculos precisam ser retirados da terra com certo cuidado, pois podem ser danificados com facilidade. Nos Andes, os tubérculos das variedades doces ficam expostos ao sol durante o dia e a baixas temperaturas durante a noite por vários dias, adquirindo assim um sabor mais adocicado. As variedades ácidas passam por um processo de secagem antes de serem utilizadas.
As folhas e flores podem ser colhidas para consumo quando necessário, desde que as plantas estejam bem desenvolvidas. Pessoas com problemas renais ou artrite devem evitar o consumo das folhas de oca.

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