quinta-feira, 20 de maio de 2021

pancs: Jacatupé (Pachirhyzus tuberosus)

 

Jacatupé (Pachirhyzus tuberosus)

O jacatupé, também chamado de feijão-macuco ou feijão-batata, é mais consumido na Amazônia Ocidental, especialmente por populações indígenas, mas há relatos de seu cultivo e consumo em Minas Gerais e Goiás, entre outros estados. Herbácea trepadora, pode atingir até 3 m de altura quando tutorada. As folhas são alternadas, compostas e trifolioladas, e a inflorescência é racemosa. Produz raízes tuberosas, em geral, em pequeno número, com casca marrom e polpa branca, podendo chegar a quatro ou cinco quando em boas condições de fertilidade e manejo.

Nomes comuns – Jacatupé, feijão-macuco, feijão-batata.

Família botânica – Fabaceae.

Origem – América tropical.

Variedades – Existe grande variabilidade genética, ocorrendo seleção e manutenção de variedades locais, normalmente sem nome ou registro sistematizado e de difícil identificação. Existe relato de duas outras espécies do mesmo gênero cultivadas: Pachyrrhizus erosus, muito usada no México e conhecida popularmente como jicama; e P. ahipa, nativa do Peru/Bolívia, chamada popularmente de ahipa e bastante consumida pelas populações locais.

Clima e solo – Desenvolve-se plenamente em regiões tropicais úmidas, mas se adapta a cultivos de verão em outras regiões do Brasil. Os solos devem ser profundos, bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica. Desenvolve-se melhor em solos arenosos.

Preparo do solo – As atividades de preparo do solo Consistem na realização de aração e gradagem, atentando-se para a adoção de práticas conservacionistas. Seguida do enleiramento e da adubação. No Brasil Central, em Goiás e em Minas Gerais, há relatos de seu plantio em meio à plantação de milho, usando este como tutor.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo com antecedência e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,8 e 6,3. A adubação deve ser baseada nos níveis de nutrientes observados na análise de solo. Como não há recomendações específicas para jacatupé, sugere-se utilizar as recomendações para batata-doce, isto é, até 180 kg/ha de P2O5, 90 kg/ha de K2O e 60 kg/ha de N, além de 10 ton/ha de esterco de curral curtido ou composto orgânico (COMISSÃO, 1999), fornecendo 50% do K e 25% do N no plantio e o restante em cobertura, 30-40 e 75-90 dias após o transplantio.

Plantio – A propagação é feita por sementes, com o semeio diretamente no local definitivo, dispondo-se duas a três sementes por cova, devendo-se desbastar posteriormente. A emergência ocorre normalmente em três a quatro dias, sendo a germinação bastante fácil, sem a necessidade de tratamento específico. O espaçamento deve ser de 0,8 a 1,0 m entre as leiras, e de 0,4 a 0,5 m entre plantas nas leiras.

Na Amazônia, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, durante o início do período chuvoso.

Tratos culturais – Deve-se reduzir a competição por plantas infestantes por meio de capinas manuais. Caso seja necessário, deve-se irrigar, apesar da cultura ser bastante tolerante à seca, lembrando-se que o cultivo é normalmente realizado em época chuvosa sem irrigação. Apesar de ser planta trepadora, o tutoramento parece não influir significativamente na produção de raízes, portanto, apesar de facilitar a realização dos tratos culturais, pode ser dispensado. Para aumentar a produção de raízes, é interessante podar as inflorescências em seu estágio inicial, visto que estas representam forte dreno de nutrientes, reduzindo drasticamente a produção de raízes. Para obter sementes, deve-se selecionar as plantas mais vigorosas para serem as matrizes, deixando que floresçam plenamente e produzam os frutos (vagens) e as sementes.

A escolha da área de plantio e o uso de sementes de plantas sadias são as práticas mais importantes para uma boa produção, sendo o cultivo bastante rústico e adaptado. O ataque de insetos desfolhadores, como vaquinhas, usualmente, não causa danos que levem à redução na produção de raízes. Entretanto, em relação a doenças, a podridão causada por Fusarium spp. é importante, assim como a incidência de nematoides dos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus , os quais podem afetar severamente a cultura.

Colheita e pós colheita – Pode ser feita a partir de cinco meses após o plantio em algumas regiões, porém com mais frequência aos seis ou sete meses, não sendo recomendado armazenar o produto no solo pela perda da sua qualidade, ficando muito fibroso. É comum uma única planta produzir mais que 5 kg, mas observa-se, em geral, elevada desuniformidade de produção. Após a colheita, as raízes devem ser lavadas e secas à sombra. A produtividade pode superar 30 ton/ha. O consumo das raízes tuberosas é feito, normalmente, na forma de saladas cruas, raladas ou em pedaços. Pode-se ainda produzir farinha ou extrair o polvilho para fabricação de pães e biscoitos, bolos e pudins. Destaca-se por ser fonte de amido de boa qualidade o pelo teor de proteínas das raízes, superior a 9% da matéria seca. Embora as vagens imaturas possam ser consumidas depois de cozidas; vagens maduras, folhas e sementes são tóxicas. O jacatupé também pode ser utilizado como matéria-prima na indústria de alimentos, incluindo a produção de xarope de glicose.



Figuras 58, 59 e 60: Jacatupé, planta, raízes, raiz cartada



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