sexta-feira, 5 de junho de 2020

PANCS: Azedinha (Rumex acetosa)



Azedinha (Rumex acetosa)

Hortaliça folhosa cultivada em regiões de clima ameno do Rio Grande do Sul a Minas Gerais, podendo ser esporadicamente encontrada em regiões de altitude (acima de 1000m) da Região Centro-Oeste. É uma herbácea perene, que atinge até 20 cm de altura e forma touceiras com dezenas de propágulos. Raramente floresce nas condições climáticas brasileiras. Na verdade, observa-se esporadicamente o pendoamento com a emissão de propágulos aéreos.

Nomes comuns – Azedinha, salada-pronta, devido a seu característico sabor ácido (avinagrado).

Família botânica – Polygonaceae.

Origem – Não se sabe ao certo sua origem, mas é encontrada em estado silvestre em regiões de clima ameno da Europa e da Ásia.

Variedades – Existe alguma variabilidade, com folhas mais ou menos largas e eretas e de diferentes tons de verde-claro, além de variação no paldar quanto à acidez. Na prática, o que ocorre é a seleção e a manutenção de variedades locais.

Clima e solo – Exige clima ameno, com extremos de temperatura entre 5ºC e 30ºC. Não tolera o calor excessivo, tendo seu crescimento prejudicado acima de 30ºC. Possui boa tolerância ao frio, inclusive geadas, mas abaixo de 5ºC por longo período, o tamanho das folhas é sensivelmente reduzido. Os solos devem ser bem drenados, não compactados e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – O plantio deve ser feito em canteiros semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura. Como é geralmente cultivada em áreas pequenas, as operações são feitas manualmente, com auxílio de ferramentas manuais.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo, com antecedência de pelo menos 60 dias do plantio, e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,8 e 6,3. Como não há recomendação específica para azedinha, sugere-se a adubação para alface reduzindo, no entanto, os níveis à metade do recomendado devido à sua rusticidade. Assim, recomenda-se até 200 kg/ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O, 20 kg/ha de N e 25 ton/ ha de esterco de curral no plantio (Comissão, 1999). Deve-se aplicar 20% do potássio (K)e do nitrogênio (N) no plantio e o restante parcelado mensalmente a partir da primeira colheita.

Plantio – A propagação é feita através de propágulos desmembrados das touceiras. Estes podem ser plantados em recipientes para posterior transplantio ou direto no local definitivo com espaçamento de 20 cm a 25 cm entre plantas.

Em regiões de clima ameno, o cultivo pode ser realizado o ano inteiro, desde que haja umidade para seu desenvolvimento. Em regiões tropicais com verão quente e inverno ameno, o plantio pode ser realizado de março a julho.

Tratos culturais – A azedinha é uma planta rústica, com baixas exigências. Deve-se capinar e irrigar conforme a necessidade, dando-se maior atenção ao período seco quando se faz necessário um maior aporte de água, por se tratar de planta perene. Outras atividades necessárias a boa condução da lavoura são o desmembramento dos propágulos das touceiras, quando as plantas estiverem muito adensadas, e o monitoramento quanto a infestação de formigas cortadeiras, cupins e besouros desfolhadores (vaquinhas e idiamim). Caso haja infestação dessas pragas, deve-se efetuar o controle manualmente (catação) ou pela aplicação de caldas repelentes ou inseticidas (à base de fumo, pimenta, alho, nim indiano etc.) quando do início da ocorrência. Se a infestação for muito alta, recomenda-se podar as partes mais atacadas e renovar os canteiros. Atenção também deve ser dada a incidência de nematoides do gênero Meloidogyne, os quais podem causar redução no crescimento das plantas.

Colheita e pós-colheita – A colheita tem inicio 50 - 60 dias após o plantio, retirando-se as folhas à medida que elas atingem um bom tamanho (entre 10 e 20 cm) e prolonga-se até seis meses, quando normalmente os canteiros são renovados. A produção varia de dois a três maços (com aproximadamente 100g) por semana por metro. Assim, obtém-se produtividade de 4 kg/m2 ou o equivalente a 40 ton/ha, lembrando-se que normalmente a azedinha é plantada em pequenas hortas.

As folhas da azedinha são consumidas in natura em saladas ou cozidas em sopas e molhos, conferindo um agradável sabor ácido. Após colhida, assim como todas as folhosas, possui vida útil curta em torno de um dia. Entretanto, se colocadas em bandejas de isopor com filme plástico, sacos plástico ou recipiente fechado, pode ser mantida na gaveta da geladeira por 2 ou 3 dias.

Figuras 16 e 17: Azedinha, canteiro e detalhes



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