domingo, 29 de setembro de 2019

CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA e CONDIÇÕES AMBIENTAIS do GENGIBRE


INTRODUÇÃO
O gengibre (Zingiber officinale Roscoe) é uma planta herbácea perene, pertencente a família botânica Zingiberaceae. O rizoma é muito utilizado pelo emprego alimentar e industrial, especialmente como matéria-prima para fabricação de bebidas, perfumes e produtos de confeitaria como pães, bolos, biscoitos e geléias. Além disso, é muito conhecido popularmente pelo uso medicinal, como excitante, carminativo e estomacal. (ELPO et al, 2004; MENDES, 2005).
É originário do Oriente, sendo conhecido na Europa desde a época das grandes navegações, quando foi trazido das Índias juntamente com outras especiarias. No Brasil, o gengibre chegou após menos de um século do descobrimento, naturalistas que visitavam o país acreditavam que se tratava de uma planta nativa, pois era comum encontrá-la em estado silvestre. Era conhecida entre os indígenas como mangaratiá ou magarataia (MENDES, 2005)
O cultivo do gengibre é executado principalmente nos estados do sul do Brasil, destacando-se por destinar grande parte de sua produção ao mercado exterior (DEBIASI et al, 2004).
É muito apreciada pelos poderes medicinais. Como especiaria é preferida por algumas culturas, como é o caso dos japoneses e chineses. Torna-se mais procurada nas épocas de comemorações das festas juninas como um dos ingredientes da famosa bebida, o quentão.



CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA

Zingiber officinale foi primeiramente descrito, em 1807, pelo botânico inglês William Roscoe (1753-1813). Está inserido na família Zingiberaceae, grupo tropical especialmente abundante na região Indo-Malasia que engloba mais de 1200 espécies de plantas incluídas em 53 gêneros. O gênero Zingiber inclui aproximadamente 85 espécies (ELPO et al, 2004). Pela USDA – United States Department of Agriculture o gengibre é assim classificado:

Reino - Plantae - Plantas
Sub Reino - Tracheobionta – Plantas Vasculares
Super Divisão - Spermatophyta – Plantas com sementes
Divisão - Magnoliophyta – Plantas com flores
Classe - Liliopsida – Monocotiledôneas
Subclasse – Zingiberidae
Ordem – Zingiberales
Família - Zingiberaceae
Gênero - Zingiber P. Mill.
Espécie - Zingiber officinale Roscoe



É uma planta herbácea perene, que pode atingir 1,50m de altura, de caule articulado, reptante, anguloso e muito ramoso, rizoma horizontal, comprido lateralmente, com ramificações situadas num mesmo plano, digitiformes (mão de gengibre), no vértice das quais se encontram cicatrizes do caule foliáceo, revestido de epiderme rugosa e de cor pardacenta; de 14 a 16 cm de comprimento por 4 a 20 mm de espessura. Folhas ordenadas em duas séries (dísticas), com bainha amplexicaule, com presença de uma lígula bífida e flores amarelo esverdeadas, hermafroditas, zigomorfas, dispostas em espigas fusiformes. O fruto é uma cápsula trilocular que se fende em três valvas; as sementes são azuladas e contém um albúmem carnoso. O rizoma é geralmente articulado formado por tubérculos ovóides, rugosos e prensados uns contra os outros (PIO CORRÊA, 1984; EMBRAPA, 2001; ELPO et al, 2004).

O gengibre (Zingiber officinalle Roscoe) pertence à família Zingiberaceae e é também conhecido como: gengibre-dourado, mangarataia, gengivre, gingibre e mangaratiá (MATOS, 2002). O rizoma dessa espécie é muito utilizado no emprego alimentar e industrial, especialmente como matéria-prima para fabricação de bebidas, perfumes e produtos de confeitaria como pães, bolos, biscoitos e geleias. Além disso, é conhecido popularmente pelo uso medicinal, como excitante, carminativo e estomacal (MATOS, 2007).
Planta de origem asiática, é cultivada praticamente em todos os países do mundo. No Brasil, é encontrada nas regiões quentes e úmidas desde o Amazonas até o Paraná (CORREA JUNIOR, 1994).
É uma erva rizomatosa, sendo sua parte aérea formada por um caule herbáceo, ereto, com cerca de 50 cm de altura, apresentando folhas lanceoladas, invaginantes e alternadas (Figura 1A). As flores são hermafroditas, de cor branca amarelada, organizadas em inflorescências com espigas ovoides, que se formam no ápice dos escapos ou pedúnculos saídos do rizoma e possuem as metades laterais simétricas; o fruto consiste numa cápsula que se abre em três lóculos, e as sementes são azuladas com albúmen carnoso (FERRI et al., 1981; CORREA JUNIOR, 1994). Os rizomas têm aspecto de mãos disformes (Figura 1B), cobertos de casca tênue e parda, compactos, ricos em água, exalam cheiro ativo característico e sabor picante agradável (MATOS, 2004).
Os rizomas contêm óleo essencial (1% a 2,5%) cuja composição varia em função da época de colheita, origem geográfica e armazenamento dos mesmos. Os constituintes majoritários são: citral, cineol, borneol e os sesquiterpenos, zingibereleno e bisaboleno, além de um óleo resina rico em gingeróis, substâncias que são responsáveis pelo sabor forte, aromático e picante (MATOS, 2002). Açúcares, proteínas, vitaminas do complexo B e vitamina C destacam-se como outros componentes do rizoma (MATOS, 2004)
O Município de Paraipaba apresenta tipo climático Aw, clima tropical chuvoso, com temperatura média do mês mais frio maior ou igual a 18 ºC e precipitação do mês mais seco menor que 30 mm. A época mais seca ocorre no inverno e o máximo de chuvas ocorre no outono. Caracteriza-se por ser um clima semiárido, com pequeno ou nenhum excesso hídrico, megatérmico (AGUIAR et al., 2002).
Os materiais de propagação (rizomas-sementes de gengibre) foram provenientes da Embrapa Transferência de Tecnologia (Campinas, SP), assim denominados: CPQBA/Unicamp; Espírito Santo e Local. Como forma de multiplicar os rizomas e facilitar o brotamento das gemas, antes do plantio no campo, os rizomas foram fracionados em média de tamanho de 10 cm (Figura 2).
Estudos sobre o cultivo de plantas medicinais são escassos, sendo necessárias informações agronômicas para essas espécies. A Embrapa Agroindústria Tropical iniciou atividades nessa área, visando à produção de algumas espécies medicinais. Com o objetivo de introduzir o cultivo de gengibre no Ceará, foi realizado um ensaio com três variedades de gengibre no Campo Experimental da Embrapa Agroindústria Tropical, em Paraipaba, Ceará, no período de outubro de 2010 a junho de 2011.



ORIGEM E DISTRIBUIÇÃO

A planta é originária do Oriente, Ásia Tropical e do Arquipélago Malaio. Foi difundida pelo mundo, como especiaria, com a descoberta do caminho marítimo que levava ao Oriente. Além de ser amplamente utilizado pela população indígena local possui uma grande importância por ser exportada para países ocidentais que consomem-o em grandes quantidades. (ELPO et al., 2004)
Sendo utilizada à mais de 2000 anos no oriente, existem relatos que nos séculos XII a XIV era tão popular na Europa quanto a pimenta-do-reino. Foi introduzido na América logo após o descobrimento, inicialmente foi cultivado no México, sendo levado às Antilhas, principalmente à Jamaica, que em 1547, chegou a exportar cerca de 1.100 t para a Europa (LISSA, 1996 apud NEGRELLE et al, 2005).
A introdução do gengibre no Brasil é atribuída por muitos autores as invasões holandesas que ocorreram por volta de 1625 no Estado de Pernambuco. Contudo, há relatos que citam a presença desta planta no ano de 1587. Visconde de Nassau quando veio para o Brasil trouxe o famoso botânico Pison que relatou o gengibre como planta indígena e de fácil encontro no estrado silvestre, tanto que a condiserou simultaneamente brasileira e asiática, convicção esta que afirmou até longa data, após, porquanto publicou-a em 1648. (PIO CORREA, 1984)



CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Exige clima tipicamente tropical, quente e úmido, com períodos bem definidos de calor e umidade para um rápido e excelente desenvolvimento da cultura (ELPO et al, 2004). Médias de temperatura entre 25 a 30ºC (média anual acima de 21ºC) e precipitação (chuvas)de, no mínimo, 1500mm/ano (SOUZA et al, 2003). As regiões produtoras dos Estados de São Paulo e Paraná foram constatadas em solos areno-argilosos, friáveis, bem drenados. Regiões estas, que devido às suas peculiaridades climáticas de litoral não exigem irrigações nos períodos críticos de crescimento (TAVEIRA MAGALHÃES et al., 1997).
ELPO et al, 2004 comenta que a altitude aparentemente pouco influi na produção, pois tanto em regiões altas, como na Índia a 1500 m acima do mar, e em regiões baixas, como no litoral do Brasil, quase ao nível do mar, sem grandes diferenças em seu desenvolvimento.




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