google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

sábado, 1 de outubro de 2016

Clima para a Batata

As melhores produções de batata têm sido observadas em regiões de fotoperíodos longos e temperaturas amenas (15 °C a 20 °C), durante a estação de crescimento. Em condições de fotoperíodos curtos, as cultivares tardias são mais afetadas que as de maturação precoce, enquanto em temperaturas moderadas há maior efeito do fotoperíodo em cultivares de ciclo longo.
Temperatura
A cultura da batata requer temperaturas amenas para que ocorra tuberização abundante, que garanta boa produtividade aliada à qualidade de tubérculos. A temperatura ideal para o cultivo da batata já foi bastante estudada. Embora haja divergência de valores, a faixa de 10 ºC a 22 ºC representa a maioria dos resultados obtidos em várias partes do mundo. A maioria das cultivares comerciais tuberiza melhor em temperaturas médias pouco acima de 15 ºC. Dados mais precisos apontam esta faixa entre 15 °C e 18 °C, e que temperaturas noturnas acima de 22 °C reduzem significativamente a produção de tubérculos.
Embora a faixa ótima de temperatura para o cultivo de batata esteja entre 15 ºC e 22 ºC, em ambientes com maior intensidade luminosa, essas temperaturas podem ser mais elevadas. Deve-se levar em consideração ainda que a alta amplitude térmica, associando temperaturas diurnas elevadas com temperaturas noturnas amenas, podem ser favoráveis à produção.
A temperatura acima da faixa ideal afeta diretamente o metabolismo das plantas e interage com outros fatores ambientais, tendo, assim, efeito significativo no seu desenvolvimento. No caso específico da batata, temperaturas elevadas não só reduzem a síntese de fotoassimilados essenciais ao desenvolvimento da planta como também a partição aos tubérculos. Como consequência, ocorre queda de rendimento e redução da matéria seca dos tubérculos.
Estudos indicam que em regiões tropicais, sob altas temperaturas em pós-emergência inicial, as folhas da batateira são menores e mais numerosas, com formação de área foliar mais rápida que em regiões mais frias. Entretanto, a longevidade das folhas é menor, as hastes são mais reduzidas e com formação de folhagem abaixo do suficiente para aproveitar a energia luminosa disponível para a produção de matéria seca. O crescimento das raízes também é reduzido, o que é uma desvantagem pela necessidade de absorção de água e nutrientes. Fisiologicamente, a redução da produtividade a partir de um limite máximo de temperatura pode ser explicada pela inibição da fotossíntese à medida que a temperatura aumenta.
Além de provocar redução de produtividade, altas temperaturas ainda afetam negativamente a aparência do tubérculo devido à ocorrência de doenças e distúrbios fisiológicos, tais como lenticeloses, rachaduras, embonecamento e manchas internas. Também são esperados maiores problemas fitossanitários devido ao aumento do número de ciclos de multiplicação da maioria dos patógenos e insetos
No Brasil, significativo volume de batata é cultivado na estação quente, de setembro a janeiro. Embora o cultivo neste período ocorra em regiões mais frias, no Sul do país ou em locais de alta altitude no Sudeste, nos últimos anos, têm ocorrido com frequência temperaturas acima de 25 ºC nestas regiões, prejudicando o cultivo de primavera/verão. No cultivo de outono/inverno vem ocorrendo uma migração das áreas de produção de batata da região de clima subtropical para a região  tropical de altitude, onde, embora as temperaturas durante o dia sejam mais elevadas que nas regiões de clima temperado, no trimestre mais frio as mínimas noturnas ficam abaixo de 20 ºC.
Caso o aumento da temperatura anunciado pela maioria dos estudos de mudanças climáticas se concretize, haverá necessidade de adequar as cultivares de batata e/ou os locais e épocas de plantio para se manter produtividades que atendam as demandas do mercado.
Fotoperíodo
O fotoperíodo altera consideravelmente o comportamento das cultivares comerciais de batata. Em fotoperíodos curtos, as plantas, geralmente, apresentam tuberização mais precoce, estolões curtos, hastes menores e produção antecipada. Ao contrário, em fotoperíodos longos, as plantas iniciam a tuberização mais tarde, os estolões são mais compridos, a folhagem é mais abundante, com maior número de hastes laterais, maior florescimento, maior ciclo de desenvolvimento e produção mais tardia. Algumas cultivares não tuberizam em dias muito longos.
De modo geral, pode-se afirmar que a produção diária da batata é maior em fotoperíodos longos do que em fotoperíodos curtos, pela maior quantidade de energia interceptada. Entretanto, como cada genótipo tem o próprio fotoperíodo crítico, é essencial que o produtor conheça o comportamento da cultivar na região e na época específica de plantio.


Botãnica, Valor Nutricional e Propiedades da Batata





A Batata como Alimento

A batata é um dos alimentos mais nutritivos para o homem (figuras 1, 2, e 3). Tem proteína de boa qualidade e índice de valor biológico alto. A relação entre proteínas e calorias disponíveis indica que ela poderá ser uma das melhores alternativas alimentares para os povos dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. É uma das culturas que apresenta maior produção de energia e proteína por hectare por dia.

A batata apresenta em média 2,1% de proteína total, que significa cerca de 10,4% do peso seco do tubérculo. Isto pode ser considerado excelente se levarmos em conta que o trigo e o arroz apresentam valores na ordem de 13 e 7,5%, respectivamente. Considerando-se as produções e teores de proteínas de cada cultura, as batatas podem render cerca de 300 kg de proteínas por hectare, o trigo 200 kg e o arroz 168 kg.
As Proteínas da batata compreendem duas frações, uma globulina e outra glutelina. 

Durante a maturação do tubérculo, ausenta o teor de globulinas e decresce o de glutelinas. A composição aminoacídica de ambas as frações são diferentes. A fração glutelina apresenta teores mais elevados de cistina, ácido aspártico, prolina e triptofano. O teor de aminoácidos livres representa 50% do total do nitrogênio não protéico. Durante a maturação diminui o total de aminoácidos livres, aumenta o teor de asparagina e glutamina.
A principal fração protéica da batata, uma globulina, é denominada de tuberina e corresponde a 70% da proteína total. A outra fração encontrada no suco é denominada tuberinina e corresponde a 30 % da proteína total. A tuberina contém todos aminoácidos assenciais em níveis adequados, com exceção da metionina.
Quando comparada à proteína padrão da FAO / OMS (Tabela 2), a proteína da batata apresenta como primeiro limitante os sulfurados totais (metionina + cistina) e leucina e lisina como segundo e terceiro limitantes.

A proteína da batata apresenta um valor biológico (VB) igual a 73,0 que corresponde a cerca de 77 % do valor biológico da proteína do ovo. 

Tabela 4. 

Teores aproximados das principais vitaminas presentes na batata (tubérculos frescos).
Vitamina 

Mg / 100g
Retinol 

3,6 - 7,1
Ac. Ascórbico 

22,6 - 36,1
Tiamina, B1 

60,0 - 99,3
Riboflavina, B2 

31,1 - 78,0
Niacina 

1180,0 - 2133,3
Piridoxina, B6 

123,3 - 241,3
Ac. Fólico 

9,1 - 21,7


Os compostos inorgânicos ou minerais presentes na batata variam muito de acordo a variedade, tratos culturais, clima, local de plantio, maturação e armazenamento, sendo apresentados na tabela 5.
Tabela 5. 

Teores aproximados dos principais minerais na batata (peso seco)
Componentes 

(Mg / 100g) 
Componentes 
(P. P. .M.)


43 - 605 
Br 
4,8 - 8,5

Ca 

10 - 120 
4,5 - 8,6

Mg 

46 - 216 
0,5 - 3,87

Na 

0 - 332 
Li 
traços


1394 - 2825 
As 
0,35

Fe 

3 - 18,5 
Co 
0,07


43 - 423 
Ni 
0,26

Cl 

45 - 805 
Mo 
0,26

Zn 

1,7 - 2,2
Cu 

0,6 - 2,8
Si 

5,1 - 17,3
Mn 

0,18 - 8,5
Al 

0,2 - 3,54
Fonte: SMITH, O. Potatoes: producing, storing, processing.
Composição 

Uma batata de 150 g contém:
Energia 

150 cal
Proteínas 

3,7 g
Lipídios (gordura) 

0 g
Carboidratos 

23 g
Fibras 

27 g
Sódio 

5 mg
Potássio 

729 mg
Valor Nutritivo
  1. A Batata é rica em K - nutriente que torna a artéria mais elástica e portanto auxilia na prevenção de acidentes vasculares e previne câimbras
  2. Tomar suco do caldo da batata crua alivia dor no estômago
  3. O tipo de cozimento que melhor conserva os nutrientes da batata é o à vapor e a batata com pele.
  4. Batata não engorda. O que engorda é o óleo ou os alimentos que a acompanham.
Propiedades da Batata


valor nutritivo
As batatas são surpreendentemente nutritivas e possuem poucas calorias. Quando consumidas com casca são rica fonte de carboidratos complexos e fibras. São, ainda, boa fonte de vitaminas C e B6, potássio e outros minerais e amido. Seu sabor completa a maioria dos alimentos, e os inconvinientes dizem respeito ao seu preparo, geralmente com sal e óleo, o que aumenta significantemente o teor de gordura e o valor calórico.
O sabor e conteúdo nutricional de uma batata variam de acordo com o seu preparo. Muitos dizem que as batatas engordam, mas isto só acontece quando são fritas ou servidas com manteiga ou molhos gordurosos. Uma batata de tamanho médio assada ou cozida tem entre 450 a 500 calorias e até 35 g de gordura. Uma xícara de purê de batata com leite fornece cerca de 130 calorias, comparadas às 355 calorias encontradas em uma xícara de batatas gratinadas.
Ao prepará-las, convém conservar a casca, porque a maioria dos nutrientes fica junto à superfície. Uma vez descascadas, as batatas cruas perderão a cor quando expostas ao oxigênio. Por isso, cozinhe-as imediatamente ou coloque-as em água com vinagre ou suco de limão. Assadas, cozidas no vapor ou preparadas no microondas, preservam o máximo de nutrientes.

Origem e Botânica

A batata (Solanum tuberosum L.) é nativa da América do Sul, da Cordilheira dos Andes, e foi consumida por populações nativas em tempos remontos há mais de 8.000 anos, estando adaptada aos dias curtos da região. Sua introdução na Europa, por volta de 1570, fez com que a espécie fosse selecionada para tuberização em dias longos. Por volta de 1620, foi levada da Europa para a América do Norte, onde se tornou alimento popular. A partir de então, espalhou-se para muitos outros países.
Existem controvérsias sobre a origem da batata. Entretanto, há fortes evidências que seja nativa de duas áreas da América do Sul, onde biótipos silvestres ainda existem: uma que envolve as terras altas da Cordilheira dos Andes, que vão do Peru ao Norte da Argentina, e outra que envolve as terras baixas do Centro-sul do Chile.
A hipótese de que a batata “europeia” tivesse origem de diferentes espécies silvestres andinas ou do “complexo”Solanum brevicaule, um grupo de genótipos tuberíferos morfologicamente similares distribuídos desde a região Central do Peru ao Norte da Argentina, perdurou por muitos anos. Entretanto, estudos recentes envolvendo marcadores moleculares em centenas de espécies silvestres e cultivares indicaram que todas as cultivares antigas se originaram de um único ancestral do componente “Norte” do complexo de S. brevicaule proveniente do Peru. Por outro lado, os mesmos estudos, feitos com amostras herbarizadas, indicaram que todas as cultivares modernas de batata se originaram de “landraces” chilenas, e não de genótipos peruanos. A princípio, a hipótese prevalecente indicava que os genótipos andinos predominaram nos anos 1700 e 1800 até que fossem eliminados pela epidemia da doença requeima (Phytophthora infestans), na Europa, na metade do século XIX. Estes mesmos estudos moleculares indicaram, porém, que a batata andina predominou nos anos 1700 até 1892, muitos anos após a epidemia de requeima, enquanto a batata chilena apareceu inicialmente em 1822 e passou a predominar antes mesmo da referida epidemia.
A batata é uma dicotiledônea da família Solanaceae pertencente ao gênero Solanum, que contém mais de 2000 espécies. Destas, cerca de 160 produzem tubérculos. Entretanto, apenas cerca de 20 espécies de batata são cultivadas. Existem muitas espécies que são silvestres e de grande importância nos programas de melhoramento.
A posição sistemática da batateira cultivada é a seguinte:
Divisão: Angiospermae;
Classe: Dicotyledonae;
Ordem: Gentianalis; Família: Solanaceae;
Gênero: Solanum Lineais;
Subgênero: Solanum;
Seção: Petota;
Série: tuberosa.

Trata-se de uma espécie herbácea, anual. Os tubérculos são porções de caules subterrâneos transformados.
A espécie S. tuberosum ssp. tuberosum é uma espécie autotetraploide (2n = 4x = 48 cromossomos), com herança tetrassômica multialélica.
A flor da batata possui aproximadamente de 3 a 4 cm de diâmetro e cinco pétalas em forma de estrela e a corola gamopétala. A coloração varia de branca a rosa, vermelha, azul e roxa. Normalmente, ocorrem cinco anteras com 7mm a 9 mm de comprimento circundando o pistilo. As inflorescências apresentam geralmente mais de 10 flores. O gineceu é formado por dois carpelos fechados. O androceu e o gineceu amadurecem ao mesmo tempo, facilitando a autofecundação, que ocorre na maioria das cultivares. Em algumas cultivares, os botões florais caem antes da polinização; em outras, há florescimento; porém, o seu pólen estéril não permite a autofecundação.
Os frutos são biloculares do tipo baga, de cor verde, normalmente medindo de 2 cm a 3 cm de diâmetro, contendo de 40 a 240 sementes por fruto.
Muito embora algumas cultivares floresçam e produzam sementes, a batata cultivada é propagada vegetativamente por meio de tubérculos (clones). A propagação clonal possibilita que o vigor híbrido (heterose) obtido a partir de cruzamentos seja mantido em sucessivas gerações.
O caule aéreo da batata é normalmente oco na sua parte superior. Tem secção circular, quadrangular ou triangular, podendo apresentar asas, que são lisas ou onduladas. Quando o caule cresce diretamente do tubérculo-mãe ou próximo dele, é chamado de "rama", que pode ou não se ramificar.
As folhas são compostas, sendo formadas por um pecíolo com folíolo terminal, por folíolos laterais e, às vezes, por folíolos secundários e terciários. Dependendo da cultivar, as folhas têm tamanho, pilosidade e tonalidade de verde diferentes.
O sistema radicular da planta é relativamente superficial, com a quase totalidade das raízes permanecendo a uma profundidade não superior a 40-50 cm. Entretanto, em solos argilosos férteis e sem camadas de obstrução, podem alcançar até 1,0 m de profundidade. Quando o plantio é feito com batata-semente, as plantas desenvolvem raízes adventícias nos nós do caule subterrâneo, facilmente visíveis nas brotações dos tubérculos. Quando a semente verdadeira (semente-botânica) é semeada, ocorre emissão de uma raiz pivotante com raízes laterais.
Os tubérculos são caules adaptados para reserva de alimentos e também para reprodução, formando, como resultado, o engrossamento da extremidade dos estolões, que são caules modificados, subterrâneos, semelhantes a raízes. Na superfície dos tubérculos, as estruturas mais evidentes são os olhos, cada um contendo mais de uma gema, e as lenticelas.
Quando o tubérculo é cortado longitudinalmente, podem ser observados a periderme (película), o córtex, o anel vascular, a medula externa e a medula interna; esta mais clara, que tem comunicação com os olhos (gemas). A pele ou película da batata, formada de cinco a 15 camadas de células, é praticamente impermeável a líquidos e gases, protegendo o tecido contra o ataque de pragas e doenças. Quando a colheita é precoce e o tubérculo ainda não está maduro, a película se solta com facilidade, favorecendo a deterioração do tubérculo pela entrada de patógenos e perda de umidade.
As lenticelas, que são pequenos sistemas de comunicação entre a parte interna do tubérculo e o exterior, são estruturas importantes para a respiração. Tubérculos produzidos em solos muito úmidos apresentam a lenticelose, que consiste em lenticelas abertas e de tamanho aumentado, provocado por uma reação dos tecidos para compensar a baixa disponibilidade de oxigênio. A lenticelose favorece a entrada de micro-organismos fitopatogênicos nos tubérculos.
O ciclo fenológico da batateira pode ser dividido em cinco fases:
I - Brotação à pré-emergência: quando as condições ambientais são ideais a esta fase, e se estende por três a seis dias. Nesta fase, os brotos se desenvolvem a partir do tubérculo-semente e começam a emergir do solo, enquanto as raízes começam a se desenvolver.
II - Crescimento vegetativo: esta fase se estende por 15 a 30 dias, dependendo da cultivar e das condições ambientais. A parte aérea é formada, enquanto as raízes e estolões se desenvolvem a partir das gemas subterrâneas.
III - Início da tuberização: esta fase se estende por 10 a 15 dias. Inicia-se a formação dos tubérculos nas extremidades dos estolões, como resultado do armazenamento dos fotoassimilados na forma de amido.
IV - Crescimento dos tubérculos: o desenvolvimento da folhagem é finalizado enquanto grande quantidade de amido é armazenado rapidamente, aumentando o tamanho dos tubérculos.
V - Maturação: neste momento, todos os fotoassimilados são direcionados aos tubérculos, e a matéria seca acumulada atinge o nível máximo, as hastes tendem a prostrar, e as folhas se tornam amareladas, até o secamento total da parte aérea, enquanto a película dos tubérculos se torna mais firme.


domingo, 21 de agosto de 2016

Cultivo de Batata Orgânica

Alguns produtos agrícolas são severamente castigados pela mídia como sendo a fonte de toda contaminação por agrotóxicos ingeridos pela população. Talvez este seja um dos fatores que impedem um consumo maior de frutas, legumes e verduras. Certamente os cultivos feitos por produtores conscientes, assessorado por técnicos responsáveis, os produtos que são colocados no mercado estão dentro dos padrões exigidos mundialmente. Para comprovar este fato, pesquisas recentes têm mostrado um grande passo na redução dos resíduos de agrotóxicos contidos nos produtos amostrados nos grandes mercados do país. Entre os produtos de destaque, a batata.
Admitindo que os produtos agrícolas do nosso mercado estejam dentro das especificações exigidas em níveis de contaminação por agroquímicos, existe o consumidor de produto orgânico que não abre mão de consumir produtos certificados que não tiveram nenhum tipo de aplicação de fertilizantes, inseticidas, herbicidas ou qualquer outro produto químico no processo de produção. Não são tão exigentes quanto ao padrão e reconhecem que em determinadas épocas do ano a qualidade diminui, mesmo assim continuam a consumir. Mesmo com o preço bem mais alto que os produtos convencionais este tipo de consumidor é fiel.
Quando falamos de cultivo de batata sem fertilizantes químicos, sem inseticidas e fungicidas que são utilizados para a cultura, há sempre a questão, é possível?
É bem claro que ainda não temos um “pacote” pronto para a produção de batata orgânica, mas é possível produzir de maneira satisfatória com que temos disponível no mercado. Além dos insumos, adubos orgânicos e sementes o conhecimento da cultura é indispensável para ter sucesso nesta atividade. A agricultura orgânica exige muito mais cuidados e aplicação do conhecimento que os cultivos convencionais. Conhecer a fisiologia da cultura, bem como saber as diferentes características de cada variedade a ser plantada é fundamental para uma boa produção.
Antes de iniciar nesta atividade é preciso entrar em contato com órgãos certificadores de orgânicos, pois, para obtenção de um certificado é preciso cumprir uma série de exigências, que vão desde o histórico da área até uma lista de produtos que possuem selo ou aprovação para seu uso nesta atividade. Outro ponto importante, ou melhor, imprescindível é contatar empresas que possam comprar o produto, estipular o padrão de classificação e se possível estabelecer um preço, mesmo antes da colheita. Não podemos esquecer que todo mercado funciona da mesma maneira, lei da oferta e procura. Certamente no mercado de orgânicos a batata juntamente com outros produtos tem sempre uma procura maior que a oferta.
Depois de resolvido o grande dilema da comercialização e certificação, é o momento de organizar e planejar a produção.
Como já mencionado, conhecer a variedade que vamos trabalhar é vital para o sucesso do nosso empreendimento. Mesmo no cultivo convencional é comum ter lavouras com grandes frustrações por manejar erradamente a variedade. Sempre digo que mudar de variedade de batata é como mudar de espécie botânica.
Variedades para cultivo orgânico deve ter certas características como segue, ser precoce na tuberização, ter um sistema radicular bem desenvolvido, maior tolerância possível a requeima (P. infestans) e alternaria. Estes são itens básicos, mas outras características também são sempre bem-vindas. Não ser tão atrativa a insetos, ter resistência a viroses, boa aparência dos tubérculos e boas qualidades culinárias. Certamente estas características todo bom produtor procura, entretanto no cultivo orgânico não temos a possibilidade de recorrer aos inúmeros fungicidas e inseticidas que existe no mercado para literalmente “salvar a lavoura”.
As variedades brasileiras oriundas de vários programas de melhoramento genético nacional são as mais indicadas. Mas é possível encontrar produtores orgânicos plantando variedades importadas (Monalisa, Baraka, Caesar, Cupido, Ágata) com diferentes resultados, mas certamente sem ter muita idéia do que vai produzir. Se o plantio é feito em época que há chances da ocorrência de requeima, certamente as chances de perder toda a lavoura são grandes, e isto ás vezes ocorre.
As variedades que tem se mostrado bons resultados no cultivo orgânicos são: BRS Ana, Cristal, Camila, Eliza da EMBRAPA, Itararé, Aracy do Instituto Agronômico de Campinas. Todos estes materiais tive a oportunidade de acompanhar em cultivo orgânico, muitas com testemunha de variedades importadas. Todas estas variedades possuem um potencial para atingir acima de 27.000 kg/há.

Originária da América do Sul, a batata (Solanum tuberosum L.) está disseminada na maioria dos países do mundo; pertence à família das solanáceas, assim como o tomate, pimentão, berinjela e fumo e, caracteriza-se pela formação de caule subterrâneo intumescido, onde se acumulam reservas, denominado tubérculo (parte comestível). A batata, denominada erroneamente de "batata-inglesa", é um dos poucos alimentos capazes de nutrir a crescente população mundial, não apenas como energético, mas também como fonte de proteínas, vitaminas e sais minerais. É boa fonte de vitamina C e do complexo B, além de ser rica em potássio, com bons teores de fósforo e magnésio e razoável fonte de ferro. O baixo conteúdo de sódio a credencia para dietas que exigem baixo teor de sal. As diversas formas de apresentação tornam a batata um dos produtos mais utilizados na cozinha em todo o mundo, como fritas, saladas, purê, cozidas e assadas. A praticidade e a versatilidade culinária da batata evidenciam também a potencialidade para o investimento e desenvolvimento de produtos industrializados, com níveis de produção e consumo ainda muito baixos no Brasil, mas com boas perspectivas de mercado. A cultura apresenta maior destaque no Sudeste e Sul do país, em função das condições de clima mais favoráveis e do hábito alimentar dos habitantes, em sua maioria descendentes de europeus.
   O cultivo orgânico é uma boa opção de renda aos produtores, pois além de agregar maior valor aos produtos através do sistema de produção, reduz o custo de produção com insumos que podem ser preparados na propriedade, proporcionando maior autonomia do produtor que, por sua vez, não fica dependente de insumos importados cada vez mais caros. É importante destacar que no período de 12 meses (junho/2007 a maio/2008), os fertilizantes e os agrotóxicos que o Brasil importa em sua grande maioria (cerca de 70%), tiveram um aumento de 120 e 70%, respectivamente. Por ser uma das hortaliças que mais utiliza agrotóxicos, o cultivo orgânico é essencial para garantir a saúde do produtor, consumidor e meio ambiente.

Recomendações técnicas

Escolha correta da área e análise do solo: sempre que possível escolher áreas não cultivadas nos últimos três anos com batata e outras espécies da mesma família botânica. Solos contaminados com murchadeira e fusariose, doenças causadas por bactéria e fungo, respectivamente, não devem ser utilizados. Solos mal drenados, argilosos, pouco ensolarados e locais sujeitos a neblinas devem ser evitados. A análise do solo com antecedência é essencial para se fazer a recomendação adequada de adubação e correção da acidez. O excesso de calcário eleva o pH do solo que favorece a sarna comum, doença que contamina os tubérculos e o solo. O excesso ou a deficiência nutricional favorecem as doenças foliares e afeta a qualidade dos tubérculos.

.Uso de batata-semente de boa qualidade: 
o emprego de "semente" contaminada por viroses (doenças que causam a degeneração), sem brotação ou com brotação excessiva e/ou esgotada, leva ao fracasso da lavoura. O plantio de batata-semente em dormência, origina lavoura desuniformes e de fraco desenvolvimento. A aquisição da "semente" com antecedência, caso não esteja brotada, guardando-a em local protegido de pulgões para que a brotação ocorra naturalmente, é o ideal. A aquisição de algumas caixas de batata-semente de boa qualidade (certificada, registrada ou básica), multiplicando-a em área isolada sem problemas de doenças, no plantio de inverno/primavera, visando a produção de "semente" própria para o plantio de batata consumo no outono, no Litoral Catarinense, é uma boa alternativa para reduzir o alto custo deste insumo.

.Uso de cultivares adaptadas: 
no cultivo de batata orgânica é fundamental o uso de cultivar resistente às doenças foliares. Dentre as cultivares, a Epagri 361Catucha e SCS 365 Cota são as que mais se destacam pela alta resistência à requeima e pinta-preta, principais doenças foliares da batata . Além da maior adaptação ao cultivo orgânico, estas cultivares possibilitam maior renda ao produtor, pois os tubérculos produzidos possuem alto teor de matéria seca, um dos principais requisitos para a industrialização na forma de "chips" batata palha e pré-fritas (palitos). A Epagri, através da Estação Experimental de São Joaquim, está multiplicando batata-semente de boa qualidade, das cultivares Catucha e SCS 365 Cota.

Preparo adequado do solo:
 recomenda-se uma lavração profunda, com antecedência mínima de 30 dias e outra próximo ao plantio, quando houver condições adequadas de umidade do solo. Por ocasião do plantio da "semente", gradear o solo uma a duas vezes. O solo bem preparado, associado a amontoa (chegamento de terra) bem feita (cerca de 20 cm), sem torrões, reduz as pragas de solo como a larva-alfinete e larva-arame que ao perfurarem os tubérculos depreciam comercialmente os tubérculos colhidos

Adubação equilibrada: 
para uma adubação equilibrada, recomenda-se a análise do solo e dos teores de nutrientes do adubo orgânico, com antecedência. Plantas bem nutridas são mais resistentes às doenças e pragas, produzindo tubérculos de melhor qualidade. O desequilíbrio nutricional aumenta a suscetibilidade às doenças da folhagem e à sarna dos tubérculos e, pode afetar a qualidade culinária e industrial da batata. 

Plantio na época recomendada: 
a batateira não tolera geadas e excesso de umidade. Temperaturas noturnas elevadas, na época de tuberização, prejudicam e até impedem a formação de tubérculos. Plantio de outono e de inverno (março/abril) – em regiões onde não ocorrem geadas (Litoral). Plantio de primavera (setembro/outubro) – em regiões onde ocorrem geadas. Plantio de verão (dez./janeiro) - onde as temperaturas são amenas no verão (Planalto). 

Irrigação: 
a batata, embora seja uma das hortaliças mais exigentes em água (consome de 300 a 500 mm de água durante todo o ciclo), é também prejudicada pelo excesso, pois reduz a aeração do solo, aumenta a lixiviação de nutrientes e, ainda, favorece às doenças. O sistema de irrigação por aspersão, embora seja o mais utilizado, favorece a ocorrência de doenças foliares (requeima e pinta-preta). Para diminuir este problema, recomenda-se sempre que possível, a irrigação pela manhã para evitar que a folhagem permaneça com umidade durante a noite. A fase do início da tuberização ao início da senescência (maturação)que vai de 45 a 55 dias após a emergência, é a mais crítica quanto à deficiência hídrica, podendo haver decréscimo da produtividade e o aparecimento da sarna-comum. Irrigações excessivas neste período podem favorecer o aparecimento das doenças de solo e da folhagem. A alternância de excesso e falta de água pode causar defeitos morfo-fisiológicos tais como embonecamento, rachaduras e outras deformações nos tubérculos. 

Amontoa: 
consiste em chegar terra junto às plantas, para melhorar sua fixação ao solo e, ainda para evitar que os tubérculos se desenvolvam fora da terra, favorecendo o esverdeamento. Uma boa amontoa em ambos os lados da fileira formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura, quando as plantas estão com 25 a 30 cm de altura, reduz os danos de insetos que perfuram e depreciam comercialmente os tubérculos.

Manejo de doenças e pragas:
 é possível prevenir o aparecimento e o desenvolvimento de grande parte delas com as seguintes medidas preventivas: a) escolha correta da área; b) uso de tubérculos-sementes sadios e protegidos dos pulgões; c) utilizar cultivares resistentes; d) arar o solo com três meses de antecedência para expor as pragas de solo e os patógenos ao dessecamento; e) plantio na época recomendada; f) evitar escalonamentos de plantios e o uso de "semente" de tamanhos diferentes na mesma área pois as plantas mais velhas são mais suscetíveis à pinta-preta, disseminando-a para as mais jovens; g) nutrição e correção da acidez conforme análise do solo; h) um bom preparo de solo (sem torrões) e a amontoa adequada (em torno de 20 cm) reduz os danos (perfurações nos tubérculos) causados pela larva-alfinete; i) destruição dos restos de culturas, refugos de tubérculos, plantas hospedeiras e plantas voluntárias das proximidades da lavoura; j) pulverização preventiva com calda bordalesa ( 0,5%), a cada 7 a 10 dias, a partir da emergência das plantas, visando o manejo de doenças e pragas da parte aérea; k) pulverização com urina de vaca a 1%, visando o manejo da pinta-preta após a amontoa e l) rotação de culturas com gramíneas. 

Colheita, classificação e armazenamento: 
a batata consumo deve ser colhida em dias secos, amenos e com baixa umidade no solo para evitar a contaminação dos tubérculos por doenças. As hastes devem estarem secas e os tubérculos com a película firme. A colheita deve ser feita 10 a 15 dias mais tarde para que a película dos tubérculos não se solte. Iniciar a seleção dos tubérculos durante a colheita, após a secagem externa deles, eliminando-se os podres e com defeitos. A classificação deve ser feita por tamanho. Após a embalagem em sacos, deve-se guardar as batatas em locais limpos, ventilados e escuros para evitar o esverdeamento. Recomenda-se apenas a escovação dos tubérculos, evitando-se a lavagem dos mesmos.



sábado, 6 de agosto de 2016

irrigação de gotejamento na batata



1 – Introdução 
A elevada exigência hídrica da cultura da batata, associada a elevados custos de produção, alto risco característico da atividade e perspectiva de retorno financeiro compensador fazem com que a irrigação seja prática indispensável para a obtenção de produtividade elevada no empreendimento, em especial nos plantios realizados na estação seca.

Tradicionalmente, os métodos mais utilizados para a irrigação da cultura da batata são aspersão convencional, canhões autopropelidos e pivot central. Tais métodos possuem algumas características comuns como o fato de serem dotados de equipamentos que possibilitam sua movimentação 
pelo terreno, aplicando-se água em parte da área cultivada em cada turno. Por isto, aplica-se grandes volumes de água por turno, necessários para suprir a demanda da cultura por vários dias. Apesar de possuírem relativa eficiência de irrigação, algumas conseqüências negativas decorrem do seu uso como aplicação excessiva e desperdício de água, maior consumo de energia, maior necessidade de mão-de-obra, 
lixiviação de nutrientes no perfil do solo reduzindo a eficiência das fertilizações, molhamento da parte aérea das plantas, lavando parte dos defensivos aplicados e causando até severos danos mecânicos nas folhas, criando, assim, condições que favorecem a ocorrência de doenças.

Considerando-se a preocupação crescente com a escassez de água e a necessidade premente de economia tanto de água quanto de energia, os bataticultores defrontam- se hoje com o desafio de continuarem 
a desempenhar seu papel de enorme importância social e econômica, porém com maior racionalidade no uso dos recursos naturais. Assim, a utilização de métodos de irrigação e de práticas de manejo que permitam maior eficiência no uso da água e menor consumo de energia são metas imprescindíveis 
para a bataticultura moderna. Neste contexto, a irrigação por gotejamento destaca- se como a tecnologia de irrigação e fertilização mais racional para o setor, visto ser o método que possibilita maior eficiência 
no uso da água e que apresenta a menor demanda de energia e de mão-de-obra. No presente artigo discute-se as principais características do gotejamento, suas potencialidades para a cultura da batata 
e resultados decorrentes de 4 anos de pesquisa da Netafim Brasil e empresas associadas na adequação da 
tecnologia do gotejamento às condições de cultivo da batata do Brasil Central.


2 – Irrigação por gotejamento para batata: A irrigação por gotejamento iniciou-se em Israel, em meados dos anos 60, e desde então vem experimentando intensas inovações tecnológicas, evoluindo crescentemente. Um projeto de irrigação por gotejamento possui alguns componentes básicos comuns a qualquer sistema como bombas e tubulações de recalque, se diferenciando dos outros métodos pelas seguintes características:
- São sistemas que possibilitam irrigar toda a área plantada simultaneamente (Foto 1). Assim, irriga-se sempre que necessário, permitindo a aplicação de lâmina de água suficiente para suprir a demanda hídrica de 1 ou 2 dias;
- A água é transportada no interior de tubos de pequeno calibre, sendo aplicada ao solo de forma localizada, sob baixas pressões, por meio dos gotejadores. A ação de cada gotejador cria uma zona úmida ao redor das plantas chamada bulbo úmido, e com a junção de cada um dos bulbos criase 
uma faixa úmida seguindo a linha das plantas (Foto 1);

Assim, na irrigação por gotejamento são aplicados pequenos volumes de água com elevada frequência, ou seja, com intervalos curtos entre as irrigações, sendo o método que permite atingir os maiores níveis de 
uniformidade, precisão e controle da irrigação e da nutrição das plantas.


O gotejamento já é um método consagrado para irrigar hortaliças, sendo a sua adequação para a cultura da batata considerada como um importante desafio na irrigação por gotejamento no Brasil. De posse 
das experiências da Netafim em diversos países do mundo e de 4 anos de testes a campo realizados pela Netafim Brasil e empresas parceiras, a irrigação por gotejamento traz os seguintes benefícios 
para a cultura da batata e para o bataticultor:

- 30 a 50% de economia de água: 
- Maior produtividade e melhor qualidade sanitária, aspecto de muita importância para batata-semente; 
- Menor gasto de energia elétrica, necessitando de 1 cv/ha contra 2,5-3 cv/ha dos outros métodos; 
- A aplicação de água não causa molhamento foliar, concorrendo para melhoria do aspecto sanitário da cultura e redução do uso de defensivos; 
-Permite a realização de quimigação que é a aplicação de produtos químicos (defensivos e fertilizantes) na água de irrigação; 
- Permite a aplicação de fertilizantes utilizando a água de irrigação como veículo (fertirrigação), permitindo que se aplique nutrientes em qualquer fase do ciclo da cultura; 
- Permite a automação da irrigação; 
- Permite a realização de trato fitossanitário simultaneamente à irrigação; 
- Redução do uso de tratores e de equipamentos de pulverização; 
- Redução do uso de mão-de-obra para as práticas de irrigação, fertilização e tratos fitossanitários; 
-Redução dos custos de produção e maior lucratividade;

3 – Resultados experimentais e perspectivas futuras: Em ensaio conduzido no ano de 2000 na estação Experimental da Zeneca em Holambra-SP, foi estudada a produtividade da cv. Atlantic sob condições 
de irrigação por gotejamento e por aspersão. Foram montadas 2 áreas de gotejamento e 1 área de aspersão, as quais foram preparadas e semeadas seguindo padrão único. Também receberam 1,5 t/ha de Superfosfato Triplo a lanço em toda área e o mesmo controle fitossanitário. Nestas foram realizadas as seguintes práticas de fertilização e irrigação:

Tratamento 1: 
2,0 t/ha de 04-16-08 aplicadas no sulco de plantio, totalizando 80 kg/ha de N, 320 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por gotejamento em linhas simples, utilizando tubo-gotejadores equipados com gotejadores Super Typhoon 125 espaçados de 0,5 m e com vazão de 1,6 L/ h; 
Manejo de irrigação seguindo proposta da Netafim para gotejamento em batata; Fertirrigação com fertilizante fluido 10- 00-10, totalizando 209 kg/ha de N e 209 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 289 kg/ ha de N, 965 kg/ha de P2O5 e 369 kg/ha de K2O;

Tratamento 2: 
1,0 t/ha de 04-30-16 aplicada no sulco de plantio, totalizando 40 kg/ha de N, 300 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por gotejamento em linhas simples, utilizando tubo-gotejadores equipados com gotejadores autocompensantes tipo RAM 1,6Q espaçados de 0,5 m e com vazão de 1,6 L/h; 
Manejo de irrigação seguindo proposta da Netafim para gotejamento em batata; 
Fertirrigação utilizando nitrato de amônio e cloreto de potássio comerciais, totalizando 207 kg/ha de N e 160 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 247 kg/ ha de N, 945 kg/ha de P2O5 e 320 kg/ha de K2O;

Tratamento 3: 
2,0 t/ha de 04-16-08 aplicadas no sulco de plantio, totalizando 80 kg/ha de N, 320 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por aspersão em turnos de rega variáveis (geralmente 4 dias), de acordo com as condições climáticas; 
Adubação em cobertura utilizando fertilizante granulado 20-00-20 na dosagem de 800 kg/ha, aplicados aos 30 dias após plantio, totalizando 160 kg/ha de N e 160 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 240g/ha de N, 965 kg/ha de P2O5 e 320 kg/ha de K2O; 
As produtividades obtidas em cada área constam na Tabela 1:

O incremento de produtividade obtido em relação à aspersão (8 t/ha), em adição à economia de água, energia elétrica e de defensivos proporcionada pelo gotejamento, demonstram a viabilidade econômica do 
método, permitindo amortizar o investimento feito na aquisição do projeto de gotejamento em uma ou duas safras. Atualmente, um ensaio para produção de batata-semente sob gotejamento vem sendo conduzido em Patos de Minas-MG, junto ao “Grupo Nascente” com excelentes resultados preliminares. Destacam-se neste ensaio, a aplicação de defensivos via água de irrigação com notável economia de defensivos 
e de mecanização; a economia de água em relação ao pivot central; a aplicação de P, Ca e micronutrientes em fertirrigação (em adição ao N e ao K) e o excelente aspecto fitossanitário da cultura.

Os resultados finais serão obtidos em setembro do presente ano. Recentemente foi instalada uma área 
comercial para produção de batata consumo em Monte-Mor-SP, junto aos “Irmãos Andrade”, na qual vários testes de fertirrigação estão sendo conduzidos, sempre tendo como testemunha métodos tradicionais de irrigação e fertilização da batata.. Diante da conjuntura atual de pressão por racionalização no uso dos recursos naturais e elevada competitividade no setor, os bataticultores devem buscar a redução de custos e a obtenção de resultados de produtividade e qualidade cada vez melhores, sendo 
a irrigação por gotejamento uma das inovações tecnológicas mais importantes para a modernização da bataticultura brasileira.




sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cultura da Capiçoba (Erechtites valerianaefolia DC.)



INTRODUÇÃO

A espécie Erechtites valerianaefolia DC., família Asteraceae, é nativa do Brasil, mas não endêmica.
Ocorre nas Regiões Sul, Sudeste, Nordeste e também no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e norte do Pará. Está presente em quatro biomas: Cerrado, Caatinga, Pampa e Mata Atlântica.
É espécie pioneira e aparece em áreas que sofreram alterações recentes na vegetação ou no solo,
especialmente pelo fogo. Apesar de ser considerada planta daninha na agricultura empresarial, é consumida como hortaliça no interior de várias regiões do País. Faz parte da lista das hortaliças não convencionais e sua multiplicação é incentivada.
No Rio de Janeiro e São Paulo é conhecida como capiçoba ou capiçova. Em Goiás e em algumas
regiões de Minas Gerais, é conhecida como marianica; na Região Sul, é comum a denominação gondó.
Dentre outros nomes populares destacam-se: mariagondó, maria-gomes, almeirãozinho, capariçoba, caperiçoba, capiçova-vermelha, caraçova, caramuru, cariçoba, caruru-amargo, caruru-amargoso.
Os apreciadores da capiçoba afirmam que seu sabor não é nem amargo nem doce, mas é forte,
como se já tivesse sido temperada. Outros dizem que o sabor é marcante e muito refrescante. Ao serem manuseadas, as folhas exalam odor típico, muito agradável.

A capiçoba é planta anual, herbácea e ereta, que pode atingir 150 cm de altura. O caule é ramificado e as hastes são grossas (Fig. 1). As flores, de cor violácea, lilás ou rosa, são hermafroditas e estão agrupadas em capítulos. Pode florescer o ano todo, mas com maior intensidade de outubro a dezembro. É polinizada por abelhas. As sementes são leves e aladas, o que facilita sua dispersão.

As sementes de capiçoba são fotoblásticas positivas e apresentam maior germinação, quando coletadas no inverno, de abril a setembro.

SOLO E ADUBAÇÃO

Os canteiros devem ser preparados como para qualquer outra hortaliça folhosa. Desenvolve-se
melhor em solos leves, férteis, com pH entre 5,8 e 6,3. Em plantios comerciais, a calagem e a adubação devem ser feitas com base na análise química do solo. A capiçaba responde à adubação orgânica, que pode ser aplicada no plantio de 2 a 3 kg de composto orgânico por metro quadrado, e em cobertura (30-35 dias após o plantio), 1 a 2 kg por metro quadrado.

ÉPOCA DE PLANTIO E TRATOS CULTURAIS

Nas regiões com verão muito quente, deve- se plantar a capiçoba de março a agosto. Em regiões
de clima ameno pode ser cultivada todos os meses do ano.
A semeadura pode ser feita em bandejas ou diretamente no canteiro definitivo, o que irá requerer desbaste posterior para obter espaçamento definitivo em torno de 30 cm entre linhas e 30 cm entre plantas.
A capina e a irrigação aumentam a produção, tanto em cultivos domésticos quanto comerciais. Aind não há registro de pragas e doenças em plantas de capiçoba.

COLHEITA

Quando os ramos atingem aproximadamente 40 cm (60 a 80 dias após o plantio) a colheita pode ser iniciada. Após o corte, os ramos devem ser lavados em água corrente e de boa qualidade e amarrados em maços de, aproximadamente, 300 g.
No espaçamento de 30 cm x 30 cm e com peso médio do maço de 300 g, podem-se obter quatro maços por metro quadrado. Os ramos da capiçoba murcham facilmente, por isso devem ser manuseados à sombra e transportados para o local de venda à noite.

VALOR NUTRICIONAL E USOS NA CULINÁRIA


As folhas novas e as inflorescências são utilizadas na alimentação humana. Em Minas Gerais é
comum o uso das folhas refogadas para acompanhar feijão, angu e carnes. Também são utilizadas para preparar ensopados e rechear omeletes, tortas, pastéis e panquecas. As folhas contêm proteína e sais minerais (Quadro 1).

QUADRO 1 - Composição proteica e mineral de folhas de capiçoba (Erechtites valerianaefolia)
Proteína 2,0 Fósforo 27,8 Cálcio   92,9 Cobre 0,2 Potássio 366,3 Magnésio 23,5 Ferro 8,2 Zinco 0,3 Manganês 1,5
(g/100g) mg/100g




     

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Irrigação e Amontoa na Batata (Solanum tuberosum)



Amontoa:

Aproximadamente aos 25-30 dias de plantio, quando as hastes das plantas apresentam de 25 a 30 cm de altura, faz-se a amontoa, que consiste na aproximação de terra, em ambos os lados da fileira de plantas, formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura; visando proteger os tubérculos contra a exposição direta dos raios solares, que causam escaldadura e esverdeamento dos mesmos. Dependendo da intensidade das chuvas e do estado vegetativo da cultura, pode ser feita uma segunda amontoa aos 60 dias de plantio para evitar que os tubérculos sejam expostos à luz e fiquem esverdeados, tornando os inadequados ao consumo.
A amontoa, seja ela manual ou mecânica funciona também como controle de plantas daninhas. Este processo, quando não realizado adequadamente, pode provocar ferimentos nas raízes e na parte aérea das plantas, proporcionando portas de entrada para uma série de patógenos, como os que causam a rizoctoniose, murcha-bacteriana, podridão-seca e podridão-mole.
Para proteger a parte do caule que será coberta durante esta operação mecanizada, comumente é feita a pulverização do campo imediatamente antes da amontoa com fungicidas cúpricos. 


Amontoa mecanizada

Irrigação

Último nível tecnológico é assim que o bataticultor pensa quando vai investir para aumentar a produtividade da lavoura. Pois esta é a realidade. Após investir em um bom preparo de solo, em sementes de qualidade, correção e adubação de solo, ideais para ter uma ótima produtividade, e também em defensivos agrícolas para garantir a sanidade da lavoura; o produtor de batata necessita garantir água para a cultura na dose e hora certa para conseguir uma safra com alta produção e com alta qualidade do produto.
É frustrante para o bataticultor, após investir tanto dinheiro e trabalho, ter sua safra comprometida por um revés durante o decorrer do crescimento da cultura. O fator mais limitante para uma boa safra, com batatas de qualidade, é a falta de água. Principalmente a falta de água no período mais crítico para o desenvolvimento da cultura, que, no caso da batata, é a tuberização. A ocorrência de seca durante a formação e enchimento do tubérculo vai ocasionar batatas de tamanho pequeno e de baixa qualidade. Chuvas esparsas durante este período vão causar o embonecamento da batata, que deprecia o valor de venda do produto.
Por isso, é interessante para o bataticultor fornecer à planta uma quantidade adequada de água durante todo o desenvolvimento da cultura. Não se deve promover a “molhação” da lavoura, que é o que ocorre em muitos casos, e é devido a esta prática que a irrigação chega a ser mal vista em muitas regiões, onde o produtor “molha” a cultura com uma lâmina de água aquém da necessária, e também com turnos de rega longos, o que chega a ocasionar colheita com produção e qualidade até inferior a de produtores próximos que não irrigaram suas lavouras.
A irrigação com lâminas de água muito altas, pode provocar apodrecimento da semente e também escorrimento superficial, levando à erosão do solo, bem como à lixiviação (perda do adubo para profundidades superiores a de onde estão as raízes). Turnos de rega muito curtos podem causar problemas fitossanitários devido à má aeração do solo e também à lavagem dos defensivos, causando tanto problemas de podridão de raízes como o desenvolvimento de doenças na parte aérea da batata.

Na cultura da batata, devido a suas características, é interessante ter em mãos um equipamento de irrigação de fácil montagem e desmontagem, de fácil manejo e que não exija muita mão-de-obra, para evitar pisoteio e quebra de plantas. Aí é que se encaixa o Turbomaq, um equipamento robusto, de fácil manejo, que irriga praticamente todo tipo de terreno, tanto no formato, quanto na topografia, fornecendo lâmina de irrigação homogênea ao longo de todo o comprimento da mangueira.

O Turbomaq pode ser fornecido com canhão aspersor ou com barra irrigadora, sendo que, neste caso, a uniformidade de aplicação é maior, irrigando com gotas mais finas, porém com limitação quanto à declividade do terreno. No uso do equipamento com canhão aspersor, a distância entre hidrantes é maior, portanto há menos faixas de irrigação, mesmo sendo a gota um pouco maior. Pode ser usado, com toda a segurança, na irrigação tanto da batata, quanto do feijão.
Por último, um conselho: procurar sempre técnicos e empresas idôneos, que indicam e ofereçam opções de equipamentos e forneçam projeto técnico detalhado e descrição completa do sistema de irrigação a ser adquirido, além de procurar instalar equipamentos para o controle da umidade do solo (tensiômetro), evitando falta ou excesso de água na cultura.

Manejo da Irrigação

A irrigação pode ser definida como a reposição artificial da água no solo, na quantidade correta e no momento oportuno para satisfazer o consumo de água por uma cultura. Evapotranspiração (ET) é o termo empregado para definir o consumo de água por uma cultura. Este consumo é composto pela evaporação da água do solo e pela transpiração da água através do tecido da planta para a atmosfera.
A irrigação não é um substituto de uma prática agrícola, mas um instrumento do manejo agrícola. Ao lado das demais práticas, integra um conjunto de atividades que tem por objetivo o aumento da produção, buscando criar e assegurar as condições ideais para o desenvolvimento da planta. A função essencial da irrigação é propiciar à cultura um suprimento regular de água, de maneira que as demais operações agrícolas, como fertilização, mecanização, controle de pragas e doenças, possam atingir seus máximos benefícios, ou seja, maior produtividade e maiores lucros.
Entre as diversas vantagens do uso da irrigação como prática agrícola, podemos citar:
- Garantia de produção: com a instalação de um sistema de irrigação adequado, não há dependência das chuvas.
- Diminuição dos riscos: após todos os investimentos na preparação do solo, na compra de sementes, na aplicação de corretivos e adubos, não existe o risco de ver tudo perdido por falta de água.
- Colheita na entressafra: a irrigação possibilita obter colheitas fora da época de safra, o que resulta em remuneração extra e abastecimento regular do mercado.
- Aumento da produtividade: com todos os fatores do processo produtivo devidamente equilibrados o uso da irrigação, além de garantir a produção, possibilitará também um aumento dos rendimentos.
- Aumento do índice de exploração agrícola: possibilidade de mais de um plantio por ano, numa mesma área, assegurando maior rentabilidade.
- Quimigação: possibilidade de aplicação de produtos químicos (adubos, herbicidas, inseticidas, fungicidas, nematicidas) com a água de irrigação, reduzindo o trânsito de máquinas, o desgaste da maquinaria e o emprego de mão-de-obra.
Embora a irrigação apresente muitas vantagens, seu uso também tem algumas limitações:
Alto custo inicial: o investimento na aquisição de um sistema de irrigação é elevado em relação ao retorno, que nem sempre se processa a curto ou médio prazo. Por isto recomenda-se cautela na compra de equipamentos, pois uma decisão apressada poderá comprometer o projeto agropecuário.
Falta de mão-de-obra especializada: este é um dos problemas mais sérios enfrentados pelo agricultor, não só no que diz respeito à manutenção, mas também em relação à própria operação de um sistema de irrigação.
A batata é uma das principais hortaliças cultivadas no Brasil, com área plantada estimada na safra de 2003 de 146.963 ha (em três safras) e produção estimada em 2.897.472 t, com produtividade média de 19,7 t/ha (IBGE, 2003). Os principais estados produtores são Minas Gerais, São Paulo e Paraná, os quais respondem por quase 80% da produção nacional de batata. Entretanto, devido às variações edafoclimáticas, práticas culturais e variedades utilizadas, há diferenças significativas entre os valores de produtividade alcançados nas regiões produtoras. A produção comercial de batata pode passar de 40 t/ha se as condições, incluindo fertilidade e umidade, forem adequados durante a safra. O Brasil situa-se em 19º lugar (estimativa da FAO) na lista dos maiores produtores desta cultura.
Neste artigo, serão apresentadas algumas considerações sobre as relações entre o desenvolvimento vegetativo e a produção, com o fornecimento de água na cultura da batata e alguns princípios básicos no manejo eficiente da irrigação. No próximo artigo, apresentaremos os métodos de irrigação mais comumente usados na batata e exemplos de planejamento e manejo da irrigação.
Desenvolvimento da Batata e Disponibilidade da Água no Solo A batata é uma cultura que tem o seu desenvolvimento e produtividade intensamente influenciados pelas condições de umidade do solo. A deficiência de água é freqüentemente mais limitante para a obtenção de altos rendimentos do que o excesso de umidade. Assim, o controle da umidade do solo e o conhecimento do comportamento de parâmetros fisiológicos sob condições variáveis de umidade no solo são decisivos para a maximização da produção da cultura.
O desenvolvimento fisiológico da batata pode ser dividido em cinco estágios:
- Semeadura – emergência;
- Início do desenvolvimento vegetativo - início da tuberização;
- Tuberização;
- Crescimento dos tubérculos;
- Amadurecimento.
A duração de cada estágio depende da variedade, das práticas culturais e das condições ambientais. A batata é particularmente sensível ao déficit hídrico durante o início da tuberização e o desenvolvimento inicial dos tubérculos (transição entre os estágios II e III). Um déficit de água nesta época pode reduzir substancialmente a qualidade e resultar em malformação dos tubérculos. Se o déficit hídrico ocorrer durante o crescimento dos tubérculos (estágio IV), o peso total da produção será mais afetado do que a qualidade. Condições favoráveis de umidade promovem maior número e maior tamanho de tubérculos, maior teor de amido, melhor qualidade culinária e de conservação. Níveis excessivos de água no solo favorecem as podridões de tubérculos e a lenticelose. A alternância de excesso e falta de água pode causar defeitos fisiológicos, como embonecamento e rachaduras.
A produção e a qualidade da batata também são influenciadas pelo excesso de água no solo, resultante de irrigação excessiva ou chuva acima da média. Isto acarreta lixiviação de nutrientes abaixo da zona radicular, causando deficiência nutricional, baixa eficiência no uso do fertilizante e provável contaminação da água subterrânea. A saturação do solo na zona radicular por mais de 8-12 horas pode causar danos por falta de aeração adequada para a respiração das raízes. O excesso de água no solo por ocasião do plantio promove o apodrecimento das sementes e retarda a emergência devido à menor temperatura do solo úmido. Batatas que são super irrigadas durante o crescimento vegetativo e o início da tuberização têm grande chance de desenvolverem coração-negro e coraçãooco, e estão mais sujeitas à morte prematura.
O conteúdo de umidade do solo também tem influência nos danos mecânicos causados aos tubérculos durante o processo da colheita. Se os tubérculos estiverem desidratados, como resultado da baixa umidade do solo, eles se quebrarão mais facilmente no processo de arrancamento mecanizado. Se os tubérculos estiverem túrgidos, devido à alta umidade do solo, eles estarão mais suscetíveis a esfolamento e unhaduras. Neste caso, também poderão ocorrer problemas na qualidade e armazenamento dos tubérculos.
O desenvolvimento do sistema radicular da batata é relativamente superficial (45 - 60 cm), com a maioria das raízes na faixa de até 30 cm de profundidade. A pouca profundidade do sistema radicular é
atribuída à fragilidade das raízes em penetrar camadas compactadas ou outras camadas restritivas. A compactação do solo devido ao tráfego de máquinas pode restringir a penetração das raízes da batata, e é normalmente influenciado pelo conteúdo de umidade do solo no momento da operação de mecanização.
O crescimento das raízes também está relacionado com o vigor geral da cultura e o seu máximo desenvolvimento pode ser alcançado quando as condições de umidade são mantidas em condições adequadas no perfil do solo. Sob certas condições, irrigações leves e freqüentes, ou seja, fornecimento de água a uma pequena profundidade apenas, diminui a capacidade da planta em suportar maiores déficits de água, pois as raízes ficam confinadas naquela faixa superficial onde a umidade está presente. Outro fator importante é a capacidade de transmissão de água no solo que influencia a habilidade de extração de água pelas raízes.
Algumas pesquisas relacionam as condições de umidade do solo com a absorção de nutrientes pelas raízes, pelo efeito indireto do déficit de água no solo na disponibilidade dos nutrientes. Uma vez que a maior parte da matéria orgânica e dos nutrientes está concentrada na zona superficial do perfil do solo, a falta de umidade nesta zona poderá ocasionar a diminuição do desenvolvimento da planta pela redução na capacidade das raízes em absorver os nutrientes disponíveis.
Manejo da irrigação
O manejo racional de qualquer projeto de irrigação deve ter como objetivo melhorar a eficiência do uso da água e diminuir os custos, quer de mão-de-obra, quer de capital, mantendo as condições de umidade do solo e de fitossanidade favoráveis ao bom desenvolvimento da cultura irrigada.
A irrigação não deve ser vista como uma prática isolada. Ela é parte de um conjunto de operações necessário ao atendimento das necessidades das plantas para uma boa produção. Isto significa associar a irrigação com uma boa escolha das sementes, um adequado preparo do solo (manejo conservacionista), uma boa adubação e tratos fitossanitários quando necessários.
No manejo da irrigação, duas perguntas devem ser respondidas: quando e quanto irrigar. A primeira é respondida pelo termo freqüência de irrigação, ou turno de rega, que nada mais é do que o intervalo em dias entre as irrigações. A freqüência de irrigação pode ser fixa ou variável, especialmente levando-se em conta as chuvas que ocorrem no período. Quanto à segunda pergunta, a resposta é baseada nas condições climáticas, em quanto o solo é capaz de armazenar água entre as irrigações e principalmente, na sensibilidade da planta à falta de água, que está relacionada com o seu estágio de desenvolvimento.
Para o máximo retorno econômico, é necessário que o conteúdo de água no solo seja mantido dentro de certos limites ao longo do ciclo da cultura. A batata é exigente em água porque é mais sensível ao estresse hídrico, comparado com outras culturas, além de desenvolver um sistema radicular raso e ser
freqüentemente cultivada em solos de baixa a média capacidade de retenção de água. Estas condições fazem com que os sistemas de irrigação sejam dimensionados para aplicar água mais freqüentemente, em quantidades menores, de forma uniforme, tal que a disponibilidade de água no solo durante o ciclo da cultura seja otimizado. Estas condições também indicam que um manejo eficiente da irrigação na cultura da batata inclua: (1) monitoramento regular da quantidade de água no solo; (2) irrigações programadas de acordo com o uso da água pela cultura e com a capacidade de retenção da água no solo; (3) um suprimento de água e um sistema de irrigação que seja capaz de fornecer a quantidade programada.
A resposta da produção de batata ao manejo da irrigação é ilustrada na Figura 1. Os resultados foram obtidos de uma pesquisa em práticas de manejo de irrigação em 45 lavouras no Estado de Idaho, um dos maiores Estados produtores de batata nos Estados Unidos. A produção de batata é reduzida tanto por irrigação deficiente quanto por irrigação em excesso. Apenas 10% de variação na quantidade de água aplicada durante o ciclo pode resultar em decréscimo da produção devido à sensibilidade da batata ao déficit hídrico; por outro lado, a irrigação em excesso causa aeração deficiente no solo, aumenta os problemas fitossanitários e lixívia dos nutrientes da zona radicular. Um manejo da irrigação otimizado pode aumentar a produção comercializável e ao mesmo tempo reduzir os custos de produção pela conservação da água, energia, fertilizantes e defensivos, e diminuir os riscos de contaminação do ambiente. Um manejo eficiente da irrigação é um pré-requisito para um consistente e máximo retorno econômico.


Irrigação

A planta de batata é muito sensível ao déficit de água. Mesmo pequenos períodos de estiagem comprometem o sucesso da lavoura, sendo a irrigação recomendada em regiões e/ou estações com distribuição irregular de chuvas. A produção também é afetada pelo excesso de água, por reduzir a aeração do solo, favorecer maior incidência de doenças e lixiviar nutrientes móveis.
Irrigações em excesso favorecem várias doenças de solo, como murcha-bacteriana, sarna-prateada, sarna-pulverulenta, canela-preta e podridão-mole. A irrigação por aspersão, notadamente quando em regime de alta frequência, favorece condições de alta umidade no dossel vegetal, aumentando a incidência de doenças foliares. Por outro lado, a falta de água, especialmente no início da tuberização, favorece a ocorrência da sarna-comum.
A demanda de água pelas plantas é dependente das condições climáticas, da cultivar e do sistema de cultivo, principalmente. A necessidade total da cultura, incluindo a evaporação do solo, varia de 250 mm a 550 mm, podendo superar 600 mm para cultivares de ciclo longo e em regiões quentes e secas.
A irrigação é realizada, muitas vezes, por meio de práticas impróprias de manejo e do uso de sistemas de irrigação com baixa uniformidade de distribuição de água. Ao mesmo tempo em que são, geralmente, irrigadas em excesso, as plantas são também, com frequência, submetidas a condições de déficit hídrico. Por conseguinte, é possível aumentar a produtividade em até 20% e reduzir a lâmina total de irrigação em até 40%, somente irrigando-se corretamente.
Sistema de irrigação
Apesar de tecnicamente poderem ser utilizados diferentes métodos de irrigação, a cultura de batata no Brasil é irrigada quase exclusivamente por aspersão. A irrigação por sulco é pouco adotada por requerer terrenos planos, solos pouco permeáveis e demandar maior uso de mão de obra, enquanto o gotejamento apresenta alto custo e demanda grande quantidade de mão de obra qualificada para sua instalação, manutenção e retirada do campo ao final da colheita.
Os sistemas por aspersão do tipo convencional e autopropelido são os utilizados nos estados do Sudeste e Sul, enquanto o pivô central é adotado em grandes áreas na região do Cerrado (Minas Gerais, Bahia e Goiás). A principal desvantagem da aspersão é a interferência no controle fitossanitário, especialmente favorecendo doenças da parte aérea devido ao molhamento foliar e à lavagem de agrotóxicos.
A eficiência de irrigação por aspersão é influenciada pela desuniformidade com que a água é distribuída sobre o terreno, pelas perdas de água por evaporação e arrastamento pelo vento. Esta eficiência depende basicamente do dimensionamento hidráulico, da manutenção do sistema e das condições climáticas. Eficiências aceitáveis para sistemas por aspersão convencional estão entre 70% e 80%, entre 65% e 80% para autopropelido e entre 85% e 90% para pivô central.
Sistemas com problemas de dimensionamento e manutenção aplicam água de forma muito desuniforme, o que reduz a produtividade e a qualidade da batata, além de aumentar o gasto de água e energia.
Manejo da água de irrigação
Por manejo de irrigação entende-se determinar quando e quanto irrigar. A resposta para tais questões depende de diversos fatores, como tipo de solo, condições climáticas, sistema de irrigação e estádio de desenvolvimento da cultura. As irrigações devem ser realizadas quando as plantas utilizarem toda a água facilmente disponível no solo. A quantidade de água a ser aplicada deve ser suficiente para o solo retornar à condição de capacidade de campo.
Vários são os métodos para manejar a irrigação na cultura da batata. Todos demandam informações relacionadas a um ou mais componentes do sistema solo-planta-atmosfera. Naqueles mais precisos, o manejo é realizado em tempo real por meio da instalação de sensores para a medição da água no solo e/ou da estimativa da evapotranspiração. O custo, a precisão e a simplicidade de operacionalização dependem do nível de sofisticação do método.
A seguir são apresentados procedimentos e parâmetros relacionados às necessidades hídricas da batata, que permitem estabelecer diferentes estratégias de manejo.
Métodos com base em medidas na planta
Teoricamente, o momento da irrigação pode ser determinado com base na planta, seja pela avaliação da aparência visual de déficit hídrico, do potencial de água na folha ou da temperatura da folha. Este método, porém, além de não permitir estimar a lâmina de irrigação, é pouco confiável para indicar quando irrigar.
Na prática, muitos produtores têm definido quando irrigar com base na aparência visual de deficiência hídrica na planta. Contudo, quando tais sintomas aparecem, as atividades fisiológicas da planta já podem ter sido comprometidas. Por exemplo, irrigar quando se verifica sintomas de murchamento e folhas com coloração verde mais escuro acarreta queda de produtividade acima de 20%.
Métodos com base em medidas do status de água no solo
Informações sobre a disponibilidade de água no solo têm sido amplamente utilizadas por agricultores em todo o mundo para determinar quando irrigar.
Na prática, a avaliação do status de água no solo é realizada, muitas vezes, pelo tato e aparência visual do solo. A precisão é baixa, sobretudo para agricultores sem a devida destreza. De qualquer forma, a amostragem do solo deve ser realizada entre 40% e 50% da profundidade efetiva das raízes, em pelo menos três pontos da área. O fator de reposição de água ao solo (f) para batateira varia de 0,30 a 0,50, sendo o menor valor para solos de textura fina e estádios mais críticos à falta de água (estolonização/início de tuberização e formação da produção).
Por expressar a força com que a água se encontra retida, a tensão de água no solo exerce papel importante no processo de absorção da água pelas plantas. As irrigações devem ocorrer quando a tensão, avaliada entre 40% e 50% da profundidade efetiva das raízes, atingir de 25 kPa a 40 kPa durante os estádios inicial, vegetativo e de senescência, e de 15 kPa a 25 kPa durante os estádios de estolonização e início de tuberização e de formação da produção, sendo o menor valor para solos de textura grossa. A lâmina de irrigação pode ser estimada a partir de avaliações de campo ou da curva de retenção de água do solo. O manejo de água por meio do monitoramento da tensão pode ser realizado, de forma precisa e com baixo custo, por meio de sensores do tipo Irrigas®, tecnologia desenvolvida e patenteada pela Embrapa.
Métodos com base em medidas climáticas
Devido às dificuldades com a obtenção da evapotranspiração da cultura (ETc) por medições diretas e exatas, métodos indiretos são utilizados para estimar a evapotranspiração de referência (ETo). Utilizando-se coeficientes de cultura (Kc), ajustados para a batateira (Tabela 1), pode-se determinar a ETc para os diferentes estádios da cultura (ETc = Kc x ETo).
A ETo é estimada por meio de equações, empíricas ou não, a partir de dados climáticos. Para manejo da irrigação em tempo real, a ETo pode ser determinada pela equação de Penman-Monteith-FAO ou tanque classe A.
O conhecimento da ETc não possibilita, por si só, estimar, de forma direta, quando irrigar. O momento de se irrigar é determinado a partir do balanço de água no solo ou da medição da água disponível no solo.
Calendário de irrigação
O conhecimento antecipado da data das irrigações, pré-definindo turnos de regas fixos para cada estádio da cultura, possibilita que as práticas culturais possam ser planejadas antecipadamente.
Um procedimento simplificado que permite estabelecer os intervalos entre irrigações e a lâmina de irrigação durante cada estádio da cultura é por meio do uso de tabelas. A ETc é determinada na Tabela 2, a partir de dados históricos médios de temperatura e umidade relativa do ar, enquanto o turno de rega é determinado na Tabela 3, em função do tipo de solo, da profundidade de raiz e da ETc. A determinação do turno de rega até a completa emergência das hastes deve ser feita utilizando-se a Tabela 4.
Por utilizar dados climáticos históricos para estimar a ETc, o procedimento não deve ser usado por produtores que já irrigam utilizando sensores de umidade e/ou procedimentos para a estimativa da ETc em tempo real.


Tratos culturais

Amontoa
A amontoa é o processo no qual o solo é movimentado e direcionado para a base das plantas em ambos os lados da fileira de plantas, formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura, estimulando o desenvolvimento de estolões e protegendo os tubérculos do sol, além de também auxiliar no controle das plantas daninhas. A amontoa tradicional realiza-se aproximadamente aos 25-30 dias de plantio, quando as hastes das plantas apresentam de 25 cm a 30 cm de altura. Dependendo da intensidade das chuvas e do estado vegetativo da cultura, pode ser feita uma segunda amontoa aos 60 dias de plantio para evitar que os tubérculos sejam expostos à luz e fiquem esverdeados, tornando-os inadequados ao consumo. Este processo, quando não realizado adequadamente, pode provocar ferimentos nas raízes e na parte aérea das plantas, proporcionando portas de entrada para uma série de patógenos, como os que causam a rizoctoniose, murcha-bacteriana, podridão-seca e podridão-mole. Para proteger a parte do caule que será coberta durante esta operação mecanizada, comumente é feita a pulverização do campo imediatamente antes da amontoa com fungicidas cúpricos.
É comum também a antecipação da amontoa, realizando-se o primeiro processo logo após a germinação, com vantagens em relação à diminuição nos danos causados às plantas.
Interrupção do ciclo
A interrupção do ciclo da cultura, que normalmente varia de 90 a 120 dias dependendo da cultivar, do clima e do solo, pode ocorrer de forma natural ou artificial com a utilização de desfolhantes ou dessecantes, que matam a rama e as ervas daninhas, facilitando a colheita, e evitam futuras contaminações do tubérculo através da parte aérea da planta (rama). Se utilizar a dessecação, o produtor pode antecipar a colheita, aproveitando o preço de mercado, se favorável. Após a dessecação, é esperado um período que varia de 10 a 15 dias para que a pele da batata se fortaleça ou se firme, evitando o pelamento durante o processo de colheita e pós-colheita. Em cultivos agroecológicos, este processo pode ser realizado mecanicamente, por meio de roçada. Porém, deve-se evitar realizar o corte das ramas em épocas chuvosas e deve-se fazer a pulverização das hastes danificadas com defensivos permitidos neste tipo de cultivo, para diminuir os riscos da entrada de bactérias e fungos.




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