google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

sábado, 3 de dezembro de 2016

Doenças na Batata


Doenças e métodos de controle

As doenças são responsáveis por elevadas perdas na produção de batata, e seu controle normalmente requer a aplicação de agrotóxicos. Estes, por sua vez, devem ser usados com muita cautela, sob pena de proporcionarem resíduos nos tubérculos que comprometem a segurança alimentar além de concorrerem para a deterioração do meio ambiente. Mais de uma centena de doenças já foi registrada para a cultura da batata; muitas delas tão devastadoras que, quando não adequadamente controladas, causam perda total da produção ou afetam a qualidade do produto, cuja aparência é muito valorada pelo consumidor brasileiro.
Doenças na batata podem ser causadas por fungos, oomicetos, bactérias, vírus e nematoides (doenças transmissíveis), além daquelas não transmissíveis, também chamadas de distúrbios fisiológicos.
Doenças causadas por fungos e oomicetos
Requeima, mela, míldio, mufa, preteadeira, fitóftora ou crestamento-da-fitóftora (Phytophthora infestans)
A requeima é a principal doença da batata no mundo. É favorecida por baixa temperatura (12 °C - 18 °C) e alta umidade relativa do ar (>90%). Sob estas condições, espalha-se rapidamente na lavoura, podendo causar perda total em poucos dias pela destruição da folhagem. A doença se manifesta primeiro nas folhas mais novas, onde causa manchas grandes (Figura 1) e escurecimento do caule (Figura 2). Quando o patógeno atinge o tubérculo, causa lesões escuras e firmes, de bordas pouco definidas, de cor marrom na polpa exposta por corte superficial (Figura 3).
A requeima é causada por Phytophthora infestans, um oomiceto (antigamente classificado como fungo) que produz esporângios, zoósporos e oósporos, que são estruturas responsáveis pela dispersão e/ou sobrevivência do patógeno. A recombinação dentro da espécie pode gerar variantes do patógeno que suplantam ou “quebram” a resistência vertical de cultivares ou que são resistentes a determinados fungicidas. A resistência horizontal à requeima tem sido preferida no desenvolvimento de novas cultivares, pois é efetiva contra todas as variantes do patógeno e, por conseguinte, mais estável e durável.
Pinta -preta ou mancha-de-alternaria, alternária e crestamento-foliar (Alternaria solani e A. grandis)
É favorecida por temperaturas altas, acima de 24 ºC, e alta umidade relativa do ar (>90%), portanto mais presente em lavouras cultivadas durante o verão. Normalmente, se estabelece na lavoura após o período de maior vigor vegetativo e se espalha por meio de esporos carregados pelo vento.
Contrastando com a requeima, ataca primeiramente as folhas mais velhas, onde causa lesões concêntricas, mais secas e menores que as da requeima (Figura 4), e pode provocar desfolha total das plantas, reduzindo o ciclo da cultura, resultando na produção de tubérculos pequenos e, consequentemente, em baixa produtividade. Estudos recentes têm indicado que A. grandis é a principal espécie associada à pinta-preta em batata no Brasil.
As cultivares mais plantadas no Brasil são suscetíveis à pinta-preta. Assim, seu controle requer aplicações de fungicidas que chegam a representar mais de 10% do custo de produção. Escolha do local e época de plantio, rotação de culturas de preferência com gramíneas e nutrição adequada das plantas, entre outros, têm um importante papel no controle integrado da doença. Porém, é difícil obter sucesso exclusivamente com as medidas acima, especialmente quando a cultura se insere em sistemas intensivos de produção. O emprego de cultivares resistentes está entre as medidas mais eficientes e seguras para o controle da pinta-preta. Trabalhos de melhoramento que vêm sendo conduzidos, inclusive pela Embrapa, têm mostrado ser possível obter genótipos precoces e ao mesmo tempo resistentes à pinta-preta.
Rizoctoniose, crosta-preta ou alfalto (Rhizoctonia solani)
É uma doença que aparece principalmente em solos frios, atacando inicialmente os brotos, antes e após a emergência, afetando o estande e a uniformidade da lavoura. Também provoca cancros avermelhados na base das ramas (Figura 5) e enrolamento das folhas, que se confunde com o ataque do vírus do enrolamento das folhas de batata (PLRV). Plantas afetadas às vezes apresentam tubérculos aéreos, que se formam pelo acúmulo localizado de amido pelo impedimento da sua translocação causado pelas lesões no caule. Nos tubérculos, a doença é reconhecida facilmente pela presença de escleródios superficiais pretos (asfalto) (Figura 6). É comum a formação de tubérculos deformados, produzidos em “cachos”, resultantes da inibição do alongamento dos estolões (Figura 7). Neste caso, percebe-se uma aspereza superficial que pode ser confundida com a sarna-comum. A doença espalha-se principalmente por meio da batata-semente e máquinas contaminadas.
Sarna-pulverulenta, sarna ou espongóspora (Spongospora subterranea)
É uma doença que afeta raízes e tubérculos da batata. Nas raízes, forma pequenas galhas similares às de nematoides (Figura 8), mas os danos são principalmente nos tubérculos, onde são formadas pústulas superficiais que se abrem (Figura 9) e liberam estruturas típicas do patógeno, chamadas bolas de esporos (spore balls). Essas lesões comprometem a aparência do produto e podem ser confundidas com as da sarna-comum. Geralmente, só é observada após a colheita, principalmente quando a batata é lavada. O patógeno está associado ao solo, onde sobrevive por muitos anos, e a batata-semente infectada, através da qual ele é disperso a longas distâncias. Embora cause mais problemas em climas frios, pode ser encontrada sob todas as condições onde se cultiva a batata, desde que os solos estejam bem úmidos.
Podridão-seca e olho-preto (Fusarium spp.)
Afeta somente os tubérculos, provocando o seu apodrecimento antes e, principalmente, após a colheita, pela infecção que se dá por meio de ferimentos mecânicos ou causados por insetos. É mais importante para a batata-semente, que é armazenada por períodos, que podem ser de vários meses, em câmaras frias ou em temperatura ambiente, dependendo da necessidade de se obter tubérculos brotados para o plantio. Temperaturas mais altas são mais favoráveis para o desenvolvimento da doença. A doença se caracteriza por ser seca e deprimida, evoluindo para seca total do tubérculo, que fica com aspecto mumificado. Quando o tubérculo doente é cortado, percebe-se a formação de cavidades internas, geralmente cobertas de micélio branco do fungo (Figura 10). O olho-preto (Figura 11), além de podridão-seca, causa escurecimento vascular.
Olho-pardo (Cylindrocladium clavatum)
Afeta somente os tubérculos, onde causa lesões superficiais marrom escuras ao redor das lenticelas localizadas mais próximas à região do estolão (Figura 12). É muito comum em solos de cerrado e aparece com mais frequência em cultivos sujeitos a temperaturas mais altas, principalmente se a batata é cultivada após ervilha ou soja, que também são hospedeiras do fungo. Pode ser confundida com outras doenças associadas às lenticelas (lenticeloses) e com a podridão-seca, neste caso, quando as lesões são mais profundas devido a condições de temperatura e umidade altas, que são mais favoráveis à doença
Sarna-prateada (Helminthosporium solani)
Afeta a periderme dos tubérculos (pele), sem se aprofundar na polpa. Tubérculos recém-colhidos, em especial se permaneceram no solo além do necessário para fixação da pele e sob temperatura e umidade altas, apresentam manchas superficiais irregulares, de aspecto metálico-prateado, percebidas principalmente após a lavação (Figura 13), característica que confere o nome à doença. No caso de batata-semente, que é armazenada por períodos mais longos, a superfície coberta pela lesão apresenta aspecto enrugado, ocasionado pela perda de água no tecido afetado.
Doenças causadas por bactérias
Murcha-bacteriana, murchadeira, água quente ou dormideira (Ralstonia solanacearum)
É favorecida por temperatura e umidade altas. Está presente nos solos de quase todo o país, podendo atacar muitas espécies de plantas, embora a raça 3 biovar 2 (R3Bv2) Filotipo I, predominante no Sul e Sudeste do Brasil, seja mais comum em batata. Provoca murcha da planta (Figura 14) e exsudação de pus bacteriano nos tubérculos (Figura 15). É responsável por perdas significativas em épocas mais quentes do ano em solos muito úmidos, se não for feita adequada rotação de culturas, de preferência com gramíneas, ou se batata-semente contaminada for utilizada. O teste-do-copo é uma técnica útil para se diagnosticar esta doença.
Ralstonia solanacearum é nativa da maioria dos solos brasileiros. Embora não haja registro de cultivares com resistência total à murcha-bacteriana, observa-se que qualquer nível de resistência tem se mostrado útil dentro do contexto do controle integrado.
Podridão-mole e canela-preta (Pectobacterium spp. e Dickeya spp.) (= Erwinia spp.)
De ocorrência muito comum em lavouras conduzidas no verão, são favorecidas por temperatura e umidade altas, tornando-se mais sérias na presença de ferimentos dos tecidos. Podem provocar perdas consideráveis pelo apodrecimento da batata-semente (antes e após o plantio), das ramas (Figura 17) e dos tubérculos (Figura 18) no campo ou armazém. Representantes dos dois gêneros acima são encontrados com abundância em todos os solos brasileiros, podendo atacar diversas hospedeiras, principalmente as hortaliças que produzem órgãos suculentos, como cenoura, mandioquinha-salsa, repolho, couve-flor e tomate.
Embora seja difícil o seu controle por meio de resistência genética, sabe-se que as cultivares variam em relação à severidade de sintomas para ambas as doenças. Nenhuma cultivar é considerada resistente, embora a variação na suscetibilidade relativa seja percebida.
Sarna-comum, sarna-estrela, sarna-profunda ou ferruginho (Streptomyces spp.)
Mais de 10 espécies de Streptomyces podem causar a doença, o que torna difícil seu controle. Independentemente da espécie, o patógeno é muito bem adaptado ao solo, onde pode estar presente antes do plantio, mas é transmitido também pela batata-semente. A doença provoca perdas consideráveis especialmente quando em solos secos por ocasião da tuberização, e com pH acima de 6,0. Somente os tubérculos são afetados e, por isso, normalmente só é detectada na colheita, com depreciação da qualidade dos tubérculos. Dependendo da espécie e da condição do solo, os sintomas podem ser superficiais ou profundos (Figura 19).
Doenças causadas por nematoides
Pipoca, nematoide ou nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.)
É causada por várias espécies do nematoide do gênero Meloidogyne, sendo mais comuns M. incognita e M. javanica no Brasil. Estas espécies são habitantes do solo e atacam diversas hospedeiras, o que dificulta a rotação de culturas para controle da doença. A infecção de raízes e tubérculos se dá pelo estádio juvenil 2 (J2); ao se alimentar dos tecidos, o nematoide induz hiperplasia e hipertrofia das células, formando as galhas (Figura 20). As protuberâncias nos tubérculos, também conhecidas como galhas ou pipocas, reduzem a produção, mas principalmente afetam a qualidade do produto. Provoca maiores danos sob temperatura alta do solo. O patógeno é disperso pela batata-semente infectada ou por máquinas e implementos contaminados.
Nematoide-da-pinta ou nematoide-das-lesões (Pratylenchus spp.)
Várias espécies de Pratylenchus causam lesões em raízes e tubérculos, mas as mais importantes no Brasil são P. brachyurus e P. penetrans. Embora também causem danos ao sistema radicular, prejudicando a absorção de águas e nutrientes pela planta, os sintomas são mais visíveis quando os tubérculos são atacados. Os nematoides penetram no tubérculo por meio das lenticelas, que ficam escurecidas, dando ao tubérculo um aspecto de pintado (Figura 21), desvalorizando-os comercialmente.
Nematoide-do-cisto (Globodera rostochiensis e G. pallida) e falso-nematoide-das-galhas (Nacobbus aberrans)
Estes dois gêneros de nematoides ainda não foram relatados no Brasil. São descritos aqui pelo seu alto poder destrutivo e por estarem presentes em países vizinhos, como Argentina, Chile, Peru e Equador. É importante mantê-los fora do país por meio de medidas quarentenárias na aquisição de batata-semente importada e, principalmente, evitando a importação clandestina de batata.
Doenças causadas por vírus
Enrolamento das folhas (Potato leafroll virus - PLRV)
Considerada a principal virose infectando a cultura da batata no Brasil, a doença está sendo detectada em baixa frequência nas lavouras nos últimos anos. O vírus pertence ao gênero Polerovirus, família Luteoviridae. São dois os tipos de sintomas observados nas plantas infectadas e decorrentes da infecção por PRLV. Os sintomas primários resultam da infecção da planta no campo durante o ciclo da cultura e caracterizam-se por apresentar enrolamento dos folíolos apicais, além de amarelecimento da base dos folíolos. Os sintomas secundários resultam do plantio de tubérculos infectados com o vírus e as plantas ficam com aspecto enfezado e apresentam enrolamento das folhas basais (Figura 22). Entre as várias espécies de pulgões que são capazes de transmitir o vírus, Myzus persicae é a principal. A relação vírus/vetor é do tipo persistente ou circulativa. Neste caso, o pulgão, tanto para adquirir o vírus em planta infectada como para transmiti-lo para planta sadia, necessita de algumas horas de alimentação no floema da planta. Uma vez virulífero, o pulgão pode transmitir o vírus por toda sua vida. As fontes iniciais do vírus no campo são tubérculos infectados e plantas de batata infectadas e que permanecem no campo.
Mosaico (Potato virus Y - PVY)
O mosaico tornou-se a virose de maior importância econômica para a cultura da batata no Brasil, sendo atualmente considerada a principal causa da degenerescência da batata-semente (Figura 23). O PVY pertence ao gênero Potyvirus, família Potiviridae. Possui três estirpes principais: PVYo, PVYc e PVYe o subgrupo necrótico denominado PVYNTN, que causa anéis necróticos nos tubérculos (Figura 24). Dessas estirpes, apenas o PVYc ainda não foi detectada no Brasil. O vírus é transmitido por várias espécies de pulgões, sendo a principalMyzus persicae. Pode ser transportado a grandes distâncias pela batata-semente infectada e por pulgões com asas (alados); a curtas distâncias, dentro da lavoura, por pulgões com ou sem asas (ápteros). A relação vírus/vetor é do tipo não persistente ou não circulativa. Dessa forma, o pulgão tanto pode adquirir como também transmitir o vírus em poucos segundos. Portanto, apenas uma “picada de prova” é suficiente para adquirir o vírus em planta infectada ou transmiti-lo para planta sadia.
Clorose (Tomato chlorotic virus – ToCV)
No Brasil, o ToCV é um patógeno emergente na batata, tendo sido detectado após a constatação de elevadas populações de mosca-branca em lavouras dessa cultura (Figura 25). O vírus tem sido detectado com frequência em tomateiro em diversas regiões do país, entretanto, embora menos frequente em batata, é uma nova ameaça à bataticultura nacional. Pertence ao gênero Crinivirus, na família Closteroviridae. A infecção da planta pelo vírus pode resultar na produção de tubérculos infectados, tornando a sua utilização como batata-semente inapropriada, considerando-se que poderão originar plantas infectadas. O vírus é transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci biótipo B) de maneira semipersistente, na qual períodos mais prolongados de aquisição e de transmissão são necessários para que o inseto possa adquirir e transmitir o vírus. Após a aquisição pela mosca-branca, a capacidade de transmissão do vírus pelo inseto vetor é reduzida gradualmente. O ToCV não se multiplica no vetor.
Mosaico-deformante (Tomato yellow vein streak virus - ToYVSV; Tomato severe rugose virus - ToSRV)
É uma doença emergente na cultura da batata no Brasil, ainda detectada em baixa incidência nas lavouras. Foi inicialmente relatada no Brasil na década de 1980, quando foi denominada de mosaico deformante. As espécies de geminivírus identificadas causando sintomas em batateira são Tomato yellow vein streak virus e Tomato severe rugose virus (ToSRV). Plantas infectadas com o vírus podem produzir tubérculos infectados, o que compromete sua utilização como batata-semente. Ambas as espécies pertencem ao gênero Begomovirus, na família Geminiviridae. São transmitidos pela mosca-branca Bemisia tabaci biótipo B, de maneira persistente-circulativa. Nesse tipo de relação vírus/vetor, o inseto adquire o vírus após algumas horas de alimentação em planta infectada; há um período de latência, no qual o vírus circula no corpo do vetor até atingir as glândulas salivares, quando este se torna apto a transmitir o vírus ao se alimentar em planta sadia.  
Vira-cabeça (Tomato spotted wilt virus - TSWV; Groundnut ringspot virus – GRSV; Tomato chlorotic spot virus- TSCV)
A ocorrência da doença vira-cabeça em batata no Brasil foi relatada pela primeira vez na década de 1930. Embora muito comum em tomateiro, não é frequentemente detectada em lavouras de batata. É causada por espécies de vírus classificados no gênero Tospovirus, família Bunyaviridae. Esses vírus induzem necrose nas folhas e no topo das plantas (Figura 26), sintomas que podem ser confundidos com os induzidos por fungos. A identificação da espécie do vírus só é possível por meio de testes em laboratório, sorológicos ou moleculares. Esses vírus são transmitidos por tripes, de maneira circulativa propagativa. Nesse tipo de transmissão, o vírus é adquirido pelo inseto durante a alimentação em planta infectada, circula no corpo do vetor onde se multiplica. Apenas o segundo instar larval do tripes é capaz de adquirir o vírus ao se alimentar em planta infectada e se tornar transmissor, quando adulto e, dessa forma, transmitir o vírus ao se alimentar em planta sadia. Os principais gêneros de tripes considerados importantes na agricultura são Frankliniella e Thrips. A ocorrência do Trips palmi na cultura da batata foi relatada no início da década de 90.
Medidas para o controle integrado de doenças
Para melhor controle das doenças e pragas da batata, o sistema mais adequado, tanto do ponto de vista econômico como ambiental, é o controle integrado, que procura preservar o meio ambiente. Nele, procura-se reduzir a necessidade do uso de agrotóxicos, sem negligenciar, entretanto, o seu valor em caso de as condições de cultivo serem muito favoráveis às doenças. Quando necessários, esses agrotóxicos devem ser usados com os cuidados essenciais à preservação da saúde do aplicador e do consumidor, bem como do meio ambiente, além de não onerar os custos de produção. Para a produção de batata orgânica, as medidas alternativas ao controle químico devem ser reforçadas, com ênfase no controle cultural preventivo, como a seguir:
  • plantar batata-semente certificada, que é uma garantia de estar menos contaminada com patógenos;
  • não plantar batata mais do que duas safras seguidas na mesma área. Fazer rotação preferencialmente com cereais (arroz, milho, sorgo), cana-de-açúcar ou pastagens;
  • evitar plantar batata em área onde foram cultivadas outras espécies de plantas da família Solanaceae, como pimentão, berinjela, tomate e jiló, considerando-se que essas espécies podem ser afetadas pelas mesmas doenças;
  • sempre que surgirem as primeiras plantas com sintomas de viroses ou de doenças causadas por patógenos de solo, arrancá-las, juntamente com as plantas situadas próximo às plantas eliminadas, e enterrá-las ou queimá-las fora da área de plantio. Em caso de campo de batata-semente, respeitar os níveis de tolerância pré-estabelecidos;
  • eliminar sistematicamente as plantas voluntárias (soqueira, resteva,) e as plantas daninhas, eventuais hospedeiras de patógenos e de vetores, no campo e em torno da área plantada. Alguns vírus podem infectar diversas plantas daninhas em campo atuando como fonte primária de inóculo;
  • preparar o solo com antecedência de modo a expor os patógenos, principalmente os nematoides, ao dessecamento;
  • evitar o movimento de máquinas, implementos e pessoas de áreas contaminadas para novas áreas de plantio;
  • plantar em solos bem drenados, que não acumulem água em excesso, pois solos encharcados favorecem muitas doenças, como a murcha-bacteriana, a sarna-pulverulenta e as podridões de tubérculos;
  • não aplicar excesso de calcário, considerando-se que pH acima de 6,0 favorece a ocorrência da sarna-comum;
  • adubar corretamente. Falta ou excesso de nutrientes favorece o desenvolvimento de doenças tanto de origem biótica como abiótica;
  • quando disponível, plantar cultivar resistente/tolerante às doenças mais prevalentes na região;
  • utilizar espaçamento correto para cada cultivar; plantios pouco arejados favorecem o surgimento e o aumento da severidade de doenças foliares, como a requeima;
  • em lavouras irrigadas, usar água de boa qualidade e evitar excesso ou falta de água. Colocar em prática os conhecimentos de “quando”, “como” e “quanto” irrigar;
  • pulverizar a lavoura, preventivamente, com produtos registrados para a cultura e recomendados para determinada doença ou inseto vetor;
  • monitorar a população de insetos vetores de vírus e pulverizar a lavoura de acordo com as recomendações do fabricante, somente quando necessário;
  • visitar frequentemente a lavoura e observar quaisquer irregularidades que possam favorecer as doenças, como vazamentos de canos de irrigação, ocorrência de plantas daninhas, presença de insetos, chuvas de granizo, etc.;
  • fazer eficiente controle de plantas daninhas dentro e próximo da área cultivada, principalmente das solanáceas, que podem hospedar patógenos e abrigar insetos que transmitem vírus;
  • realizar a colheita e o transporte dos tubérculos com cuidado, de modo a não causar ferimentos que sirvam de portas de entrada a patógenos causadores de podridões;
  • quando houver necessidade de lavação, deixar que os tubérculos sequem bem antes de embalar ou transportar;
  • a erradicação de plantas com sintomas de doenças, normalmente, só se justifica em campos de produção de batata-semente;
  • a aplicação de inseticidas para o controle do vetor visando a redução na disseminação de viroses não se justifica para o PVY, devido ao modo de transmissão não persistente do vírus pelo inseto. Nesse caso, a transmissão do PVY pelo pulgão pode já ter ocorrido antes que o inseticida atue sobre o inseto. Entretanto, para os vírus com relação vírus/vetor do tipo persistente circulativa (PLRV, geminivírus), semi-persistente (crinivírus) ou circulativa-propagativa (tospovírus), o controle químico pode ser utilizado desde que haja baixa incidência de vírus no campo;
  • aplicações de agrotóxicos em doses acima do recomendado pelo fabricante, além de não aumentarem a eficácia do controle, podem aumentar os custos de produção e causar contaminação do aplicador e do meio ambiente;
  • em áreas onde coexistem produtores de batata, é importante que todos os vizinhos adotem as medidas de controle para evitar a disseminação de patógenos entre lavouras.

FONTE: EMBRAPA HORTICULTURA


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Cultivo de Ivy Gourd (Coccinia grandis)



Introdução:

Coccinia grandis , a Ivy Gourd , também conhecido como cabaça escarlate e Kowai , é uma trepadeira tropical . No sudeste da Ásia, é cultivada por suas partes comestíveis, jovens brotos e frutos comestíveis
A sua área de distribuição natural se estende da África para a Ásia, incluindo Índia, Filipinas, Camboja, China, Indonésia, Malásia, Myanmar, Tailândia, Vietname, no leste da Papua Nova Guiné, e os Territórios do Norte, Austrália.
Sementes ou fragmentos da trepadeira podem ser realocados e levar a descendência viável. Isso pode ocorrer quando os seres humanos transportar detritos orgânicos ou equipamentos que contenham C. grandis . Uma vez que a cabaça hera é estabelecida, ela será presumivelmente distribuídos por aves, ratos e outros mamíferos. No Havaí, o fruto pode ser disperso por porcos.  dispersão de longa distância é mais comumente realizada por seres humanos devido aos seus usos culinários ou por engano. Considerado muito invasivo e no Estado Noxious Lista Weed Hawaii, cabaça hera pode crescer até quatro polegadas por dia. Ela cresce em cobertores densas, protegendo outras plantas da luz solar e sequestro nutrientes, matando efetivamente vegetação embaixo. Ele foi introduzido ao Havaí como planta de quintal. Às vezes, é tolerado ao longo de cercas de jardim e outras características ao ar livre por causa de suas atraentes flores brancas. Ele escapou para se tornar uma praga vigorosa no Havaí, Flórida, Austrália e Texas.



Descrição botânica

Esta planta é uma trepadeira perene com gavinhas individuais e folhas glabras. As folhas têm 5 lóbulos e são 6,5-8,5 cm de comprimento e 7-8 cm de largura. Flores femininas e masculinas surgem nas axilas no pecíolo, e tem 3 estames.

Valor medicinal

Na medicina tradicional, frutos têm sido utilizados no tratamento da lepra, febre, asma, bronquite, e icterícia. A fruta possui mastócitos -stabilizing, anti anafilático e anti-histamínico potencial. Em Bangladesh, as raízes são usadas para tratar osteoartrite e dores articulares. Um colar feito de folhas é aplicada na pele para tratar a sarna .
Extratos de Ivy gourd e outras formas da planta pode ser comprado on-line e em lojas de alimentos saudáveis. Estes produtos são reivindicados para ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue. Alguns estudos que suporta compostos da planta na inibição da glucose-6-fosfatase . A glucose-6-fosfatase é uma das principais enzimas hepáticas envolvidas na regulação do metabolismo do açúcar. Por conseguinte, é por vezes a Ivy Gourd é recomendado para diabéticos. Embora estas alegações não foram apoiadas, uma boa quantidade de pesquisas sobre as propriedades medicinais desta planta estão se concentrando em seu uso como um antioxidante , agente de antihypoglycemic , modulador do sistema imunitário, etc. [ carece de fontes? Alguns países da Ásia, como Tailândia , preparam bebidas tradicionais tónicas para fins medicinais.

Receitas

A variedade de receitas de toda a fruta, como o ingrediente principal. Eles são melhores quando cozido, e são frequentemente comparadas com melão amargo. A fruta é comumente consumidos na culinária indiana . Pessoas de Indonésia e outros países do Sudeste Asiático também consomem frutas e folhas. Na cozinha tailandesa , é um dos ingredientes da kaeng Khae curry. Cultivo de rashmati em jardins residenciais tem sido incentivada na Tailândia, devido ao facto de ser uma boa fonte de vários micronutrientes , incluindo vitaminas A e C. [ carece de fontes? ]
Na Índia, é comido como um caril , por fritura profunda-lo junto com especiarias, enchendo-o com masala e saltear-lo, ou fervê-la pela primeira vez em uma panela de pressão e depois fritá-lo. Ele também é usado em sambar , uma sopa à base de lentilha vegetal.



Cultivo:

Clima:
Esta hortaliça prospera melhor em clima quente e úmido entre 20 e 30 graus, com pico de produção no verão.

Solo:
solos arenosos e bem drenados com ph entre 6 e 6,5 são os ideais.
Propagação e método de plantio:
Normalmente esta cultura é propagada por estacas as vezes por semente (que chega a demorar até 1 ano) por estacas é muito mais rápido.
  As estacas devem estar maduras (lenhosas), devem ter verca de 20 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro, devem deixar de 4 a 6 folhas nas estacas e plantadas com 6 cm de profundidade em covas de 40x40x40 cm com 2 a 3 estacas por cova.

Espaçamento:
2 metros entre covas e 2 metros de rua.

Época de plantio:
No inicio da estação chuvosa, a proporção de plantas femininas para masculinas devem ser de 10:1
Como as plantas de Ivy Gourd são perenes, devem ser replantadas a cada 6 anos e devem também serem estaqueadas com moirões a 2 metros de altura, distanciados 20 metros um do outro com 2 fios de arame liso distanciados de 50 cm um do outro de cima para baixo e com o crescimento pode usar fitilhos plásticos, deste usado em estufa para guiar tomate, fazendo o mesmo para guiar a planta até aos arames.

Adubação:
Se optar pelo cultivo orgânico. deve usar por cova 10 lt de composto orgânico mais 200 gr por cova de farinha de osso por cova, fazendo aínda duas aplicações de composto na floração e na frutificação de 5 lt por cova.
Já se optar pela adubação quimica: 200 gr por cova de NPK 4-14-8 no plantio mais 2 lt de composto e em cobertura na floração e na frutificação  50 e 100 gr respectivamente do NPK 10-10-10 por cova.

Poda:
As plantas começam começam a frutificar aos 3 a 4 meses e a colheita prolonga por uns 4 meses e uma vez terminada a frutificação as plantas devem ser podadas a uma altura de 70 cm e novamente aplicados 5 lt de composto por cova ou 100 gr de 10-10-10.

Irrigação:
Após plantio irrigar imediatamente, se não chover repetir a operação semanalmente evitando encharcamento, a melhor forma de irrigação para esta cultura é gotejamento.

Plantas daninhas:
Manter a cultura no limpo, para evitar excessos pode-se usar cobertura morta.

Pragas:
Acultura é bem resistente a pragas, mas as mais comuns são: pulgões, tripses, mosca branca e ácaros caso necessário controle procure um técnico.
A variedade Sulabha é resistente a pragas e doenças.



Colheita:
A colheita é feita com tesourinha de poda para evitar danificar a plantar se for arrancada com a mão.

Rendimento:
Em torno de 15 t hectare

Conclusão:
Nos países onde é cultivada tem ótima aceitação de mercado por suas qualidades nutricionais e medicinal, espero que em pouco tempo seje cultivada no Brasil, onde já existem alguns cultivos.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Cultivo da Erva-do-orvalho (Barrilha) Mesembryanthemum crystallinum L

Mesembryanthemum crystallinum Linnaeus

Reino Plantae

Filo Magnoliophyta

Classe Magnoliopsida

Ordem Caryophyllales

Família Aizoaceae

Género Mesembryanthemum

Nome Comum barrilha, erva-do-orvalho

Erva perene prostrada baixa, até 40 cm, gorda, com folhas cobertas de papilas cristalinas; floração março-novembro

Portugal Continental:  introduzida da África do Sul; litoral do Algarve à Estremadura; rochedos do litoral 

Açores: introduzida

Madeira:  introduzida

A ficha da espécie Mesembryanthemum crystallinum foi actualizada pela última vez em 2011-12-16.


Erva-do-orvalho, barrilha, erva-gelada ou planta-de-gelo

A erva-do-orvalho (Mesembryanthemum crystallinum), também conhecida como barrilha, erva-gelada e planta-de-gelo, é uma pequena erva rasteira que normalmente não ultrapassa os 10 cm de altura. Suas folhas suculentas e seus talos podem ser consumidos crus ou cozidos, e suas sementes também são comestíveis. Contudo, seu aspecto singular faz com que seja mais cultivada como planta ornamental do que como hortaliça, pois esta planta fica coberta com brilhantes células hipertrofiadas que armazenam água, dando a aparência de estarem cobertas de cristais de gelo ou de gotas de orvalho, fato que também explica vários dos nomes atribuídos a esta erva.

Clima
Esta planta não suporta geadas e baixas temperaturas, podendo ser cultivada em regiões de clima quente o ano todo, e nos meses de primavera e verão em regiões onde o inverno apresenta baixas temperaturas.

Luminosidade
Exige luz solar direta pelo menos por algumas horas diariamente.


A erva-do-orvalho ou barrilha geralmente não ultrapassa 10 cm de altura, crescendo rasteira sobre o solo

Solo
Melhor cultivar em solo bem drenado, fértil e rico em matéria orgânica, embora esta planta suporte solos pouco férteis, solos arenosos e até mesmo solos salinos.

Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo levemente úmido, sem permitir que fique encharcado. Esta erva é resistente a seca, mas cresce melhor e tem melhor aspecto se não faltar água

Mudas de erva-do-orvalho ou barrilha

Plantio
O plantio pode ser feito com sementes ou com ramos de plantas saudáveis. As sementes podem ser semeadas no local definitivo em regiões quentes ou em sementeiras, pequenos vasos e outros recipientes, sendo depois transplantadas. Em regiões sujeitas a baixas temperaturas, semeie na primavera em local protegido e transplante no fim da primavera ou começo do verão, quando não houver mais perigo de ocorrer geadas. As sementes podem ficar na superfície do solo, cobertas apenas com uma leve camada de solo peneirado.

Ramos de plantas saudáveis e que não estejam florescendo também podem ser utilizados para propagar as plantas. Os ramos podem ser enterrados parcialmente em vasos com solo mantido bem úmido até o enraizamento, quando as mudas são então transplantadas para o local definitivo.

O espaçamento para o cultivo pode ser de 30 entre as linhas de plantio e de 15 a 30 cm entre as plantas. A erva-do-orvalho pode ser cultivada facilmente em vasos e jardineiras.

Tratos culturais
Retire as plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos.

As folhas da erva-do-orvalho, normalmente verdes, vão se tornando avermelhadas no verão, quando há alta incidência de radiação solar

Colheita
A colheita das folhas e talos jovens da erva-do-orvalho ou barrilha pode começar cerca de 30 dias após o plantio, mas isso pode variar com as condições de cultivo. Colha apenas as folhas e talos necessários ou colha todas as folhas e talos jovens. A planta normalmente rebrota rapidamente, de forma que podem ocorrer várias colheitas separadas por algumas semanas. Em regiões quentes, esta planta é perene.

Principais Cultivares de Batata (Região Sul)


Nas cultivares para consumo de mesa, as características apontadas como essenciais para o mercado atual brasileiro são: a aparência de tubérculo, película lisa e brilhante, formato alongado, gemas superficiais, polpa de cor creme ou amarela e resistência ao esverdeamento. Nas cultivares que se destinam ao processamento industrial, destacam-se como características mais importantes o alto potencial produtivo, tubérculos de formato adequado e com gemas superficiais e teores adequados de matéria seca e açúcares redutores. As cultivares mais plantadas atualmente no Brasil são, em sua grande maioria, oriundas da Europa. Entretanto, a produtividade ainda continua baixa pois estas cultivares foram geneticamente melhoradas sob condições de fotoperíodo longo e baixa pressão de alguns fatores bióticos e abióticos importantes que afetam a cultura no Brasil. Estas cultivares, quando plantadas em condições subtropicais e tropicais do país, apresentam um período vegetativo menor e, por conseguinte, têm uma menor produção de fotossintetizados, resultando em menor produtividade. Este fato é particularmente importante para produção de matéria prima visando processamento na forma de palitos pré-fritos congelados, cujos padrões mínimos requeridos para a indústria são produtividades acima de 40 t/ha e conteúdo de matéria seca superior a 19%.
Considerando que a introdução de cultivares de outros países não é capaz de atender devidamente às demandas da cadeia brasileira da batata, é importante que sejam desenvolvidas cultivares, com as características requeridas pelo mercado fresco de consumo e de processamento industrial.
As principais cultivares desenvolvidas por instituições brasileiras de pesquisa estão descritas abaixo:
Baronesa
Foto: Arione da Silva Pereira.
Figura 1. Cultivar Baronesa.
Lançada em 1955, ‘Baronesa’ foi a mais importante cultivar do melhoramento genético de batata no Brasil, atingindo, por muitos anos, mais de 80% da área plantada no Estado do Rio Grande do Sul. Mesmo que substituída quase totalmente pela cultivar Asterix, ainda ocupa nichos de produção em pequena escala. Esta cultivar possui elevado potencial produtivo e estabilidade de produção mesmo sob níveis moderados de fertilidade.
Derivada de autocruzamento da cultivar alemã Loman, realizado em 1952, ‘Baronesa’ foi desenvolvida pelo programa de Melhoramento Genético de Batata do Instituto Agronômico do Sul – IAS, que precedeu a Embrapa Clima Temperado, Pelotas-RS.
‘Baronesa’ possui ciclo vegetativo médio (100-110 dias), plantas de porte baixo a médio, com hábito de crescimento semiereto. Os tubérculos têm formato oval-alongado, gemas com profundidade média a superficial, película rosa e lisa, e polpa amarela clara. Apresenta suscetibilidade moderada ao esverdeamento. O período de dormência é relativamente curto, mas com forte dominância apical.
Esta cultivar é moderadamente resistente à pinta-preta (Alternaria spp.) e ao virus Y da batata (Potato virus Y - PVY); suscetível à requeima (Phytophthora infestans), à murcha-bacteriana (Ralstonia solanacearum) e ao virus do enrolamento da folha da batata (Potato leaf roll virus - PLRV).
Apresenta teor médio de matéria seca, com aptidão de uso múltiplo, preferencialmente ao cozimento para elaboração de salada e outros pratos afins.
BRS Ana
Foto: Arione da Silva Pereira.
Figura 2. Cultivar BRS Ana.
Lançada em 2007, com base na aparência e rendimento de tubérculos, teor de matéria seca e qualidade de fritas à francesa, esta cultivar é de duplo propósito (consumo de mesa e processamento industrial), com alto potencial produtivo e rusticidade. Apresenta menor exigência em fertilizantes que as principais cultivares importadas e moderada tolerância à seca.
Originou-se do cruzamento entre o clone C-1750-15-95 desenvolvido pela Embrapa, e a cultivar holandesa Asterix, realizado em 2000 pelo Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa (Clima Temperado, Pelotas, RS; Produtos e Mercado/Escritório de Canoinhas, SC e; Hortaliças, Brasília, DF).
Apresenta ciclo vegetativo tardio (110-120 dias), plantas grandes, com hábito de crescimento ereto. Os tubérculos possuem formato oval, gemas superficiais, película vermelha e levemente áspera, e polpa branca. Apresenta suscetibilidade moderada ao esverdeamento. Possui período de dormência médio, e baixa incidência de distúrbios fisiológicos.
Possui suscetibilidade moderada à requeima e resistência moderada à pinta-preta. Apresenta baixa degenerescência de sementes por viroses, conferida pela resistência moderada ao mosaico (PVY) e enrolamento (PLRV). Tem menores exigências nutricionais e de água que as cultivares mais plantadas, possibilitando reduzir custos e riscos de produção. Para obter-se alta percentagem de tubérculos de valor comercial, recomenda-se que o plantio seja feito com as sementes bem brotadas, que proporcionem cerca de quatro hastes por planta.
O teor de matéria seca é médio a alto, sendo apta ao cozimento; no entanto, é mais adequada para fritura à francesa. Face ao formato e tamanho dos tubérculos, esta cultivar tem possibilidades de uso no processamento industrial na forma de palitos pré-fritos congelados e fécula, e também para a fabricação de batata palha.
BRS Eliza
Foto: Arione da Silva Pereira.
Figura 3. Cultivar BRS Eliza.
Lançada em 2002, foi derivada do cruzamento entre as cultivares holandesas Edzina e Recent, efetuado em 1979, pelo programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS.
Apresenta período de dormência médio e ciclo vegetativo médio (100-110 dias), plantas de porte médio e hábito de crescimento ereto. Os tubérculos têm formato oval, película amarela e lisa, polpa amarela clara e gemas superficiais. Apresenta baixa suscetibilidade ao esverdeamento.
Possui elevado potencial produtivo, com tubérculos de boa aparência, e resistência à requeima e à pinta-preta e exigência relativamente baixa em adubação, o que possibilita a sua utilização tanto em sistema de produção convencional quanto orgânico.
Apresenta suscetibilidade ao mosaico (PVY) e ao enrolamento (PLRV), bem como à canela-preta (Pectobacterium spp.).
Possui baixo teor de matéria seca, com aptidão culinária ao cozimento para elaboração de purê e de pratos afins.
Cristal
Foto: Arione da Silva Pereira.
Figura 4. Cultivar Cristal.
Lançada em 1996, foi originada do cruzamento efetuado em 1964 entre os clones CRI-420-12-60 e CRI-368-8-60, ambos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Sul - IPEAS. Foi obtida pelo programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS.
Apresenta ciclo vegetativo médio (100 dias), plantas com tamanho pequeno-médio e hábito de crescimento ereto. Os tubérculos possuem formato oval-alongado; película amarela, um pouco áspera, gemas superficiais e polpa amarela intensa. Apresenta suscetibilidade moderada ao esverdeamento e período de dormência médio.
Tem moderado potencial produtivo de tubérculos de boa aparência, com plantas com bom nível de resistência à requeima e pinta-preta, que lhe confere potencial de utilização em sistemas de produção orgânicos. Possui bom nível de resistência ao mosaico (PVY) e suscetibilidade ao enrolamento (PLRV).
O teor de matéria seca é médio-alto, com aptidão de múltiplo uso culinário, tanto para fritura na forma de palitos e cozimento para elaboração de salada, purê e pratos afins.
EPAGRI 361 – Catucha
Foto: Arione da Silva Pereira.
Figura 5. Cultivar EPAGRI 361 - Catucha.
Lançada em 1995, esta cultivar originou-se de cruzamento efetuado em 1979 entre dois clones desenvolvidos pelo IPEAS/Embrapa, CRI-1149-1-78 e C-999-263-70. O obtentor é o Programa de Melhoramento Genético de Batata da EPAGRI, em parceria com o Programa de Melhoramento da Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS.
Com ciclo vegetativo médio (100 dias), ‘Catucha’ apresenta plantas de tamanho médio, com hábito de crescimento semiereto a ereto, e hastes vigorosas, que rapidamente cobrem o solo. Os tubérculos possuem formato oval-alongado, película amarela, um pouco áspera, gemas superficiais e polpa amarela clara. Apresenta suscetibilidade moderada ao esverdeamento e período de dormência médio.
Possui alto potencial produtivo, atingindo boa produtividade mesmo sob níveis moderados de adubação.
Possui alto nível de resistência de campo à requeima e moderada resistência à pinta-preta, características que a tornam apta ao cultivo orgânico. É suscetível ao mosaico (PVY) e ao enrolamento (PLRV).
Apresenta alto teor de matéria seca, com aptidão a múltiplos usos, mas preferencialmente para fritura.
BRS Clara
Foto: Arione da Silva Pereira.
Figura 6. Cultivar BRS Clara.
‘BRS Clara’, lançada em 2010, foi desenvolvida pelo Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa (Clima Temperado, Pelotas, RS; Produtos e Mercado/ Escritório de Canoinhas, SC e; Hortaliças, Brasília, DF). Originou-se do cruzamento entre a cultivar húngara White Lady e a cultivar Catucha, efetuado em 2000. Destaca-se pela facilidade de manejo de brotação e do controle da requeima.
O ciclo vegetativo é médio (100 a 105 dias), apresenta plantas de tamanho médio e hastes medianamente vigorosas, com hábito de crescimento semiereto e com enrolamento fisiológico característico das folhas. Os tubérculos possuem formato oval-alongado, gemas superficiais, película amarela e lisa e polpa creme. Apresenta suscetibilidade moderada ao esverdeamento. A dormência de tubérculos é médio-curta.
Apresenta elevado potencial produtivo, com alta percentagem de tubérculos graúdos. Tem resistência alta à requeima e moderada à pinta-preta. É suscetível ao mosaico (PVY) e ao enrolamento (PLRV).
O ponto ideal de colheita deve ser definido visando um equilíbrio entre o máximo rendimento e a qualidade da película, pois quando este ponto é ultrapassado, os tubérculos podem apresentar película levemente áspera e fosca. Da mesma forma, na época mais quente, deve ser colhida assim que a película estiver firme e comercializada imediatamente após a colheita, para não haver perda de qualidade da pele.
Os tubérculos têm teor médio de matéria seca, apresentando textura firme na cocção, com uso preferencial para a preparação de saladas e outros pratos afins.
Macaca
Foto: Arione da Silva Pereira.
Figura 7. Cultivar Macaca.
Presumivelmente originada do programa de melhoramento genético do IPEAS, que precedeu a Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS, provavelmente a partir de escape de clones. Também chamada de Macaquinha, Rosa Redonda e Rosa Maçã, passou por limpeza clonal nos laboratórios da Embrapa Clima Temperado, e foi caracterizada e registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
O ciclo vegetativo é curto (menor que 90 dias), apresenta plantas de tamanho pequeno e hastes pouco vigorosas, com hábito de crescimento prostrado. Os tubérculos possuem formato oval-curto e achatado, película vermelha intensa e áspera, polpa branca e gemas superficiais. Apresenta suscetibilidade moderada ao esverdeamento. A dormência de tubérculos é curta, sem dominância apical.
O potencial produtivo é médio e instável, apresentando suscetibilidade à pinta-preta, alta resistência ao mosaico (PVY) e alta suscetibilidade ao enrolamento (PLRV).
Apresenta teor de matéria seca médio-baixo, esfarelando-se na cocção, sendo recomendada para a preparação principalmente de purê, bem como também refogada e frita inteira.
BRSIPR Bel
Foto: Antonio César Bortoletto.
Figura 8. Cultivar BRSIPR Bel.
‘BRSIPR Bel’ foi lançada em 2012, desenvolvida na cooperação entre o Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa (Clima Temperado, Pelotas-RS; Produtos e Mercado/ Escritório de Canoinhas-SC e; e Hortaliças, Brasília-DF) e o Instituto Agronômico do Paraná - IAPAR. Originou-se do cruzamento entre a cultivar húngara Rioja e o clone C-1740-11-95 desenvolvido pelo programa de melhoramento da Embrapa, efetuado em 2001.
Seu ciclo vegetativo é médio (110 dias), apresenta plantas de tamanho médio e hastes moderadamente vigorosas, com hábito de crescimento semiereto, com bom aspecto vegetativo. Os tubérculos possuem formato oval, película amarela e pouco áspera, polpa creme e gemas superficiais. Apresenta alta suscetibilidade ao esverdeamento. A dormência dos tubérculos é relativamente longa, necessitando de um período de descanso antes da quebra de dormência.
Apresenta elevado potencial produtivo, com alta percentagem de tubérculos comerciais. Tem facilidade de manejo da quantidade e tamanho dos tubérculos a serem produzidos, realizado por meio do controle da quantidade de brotos dos tubérculos sementes.
É moderadamente suscetível à requeima e moderadamente resistente à pinta-preta, ao mosaico (PVY) e ao enrolamento (PLRV). Apresenta teor relativamente alto de matéria seca, com uso preferencial para processamento industrial nas formas de chips e de batata palha. Pode ser comercializada para consumo fresco, desde que sejam tomados os cuidados para prevenir o esverdeamento dos tubérculos.
BRS F63 Camila
Foto: Antonio César Bortoletto.
Figura 9. Cultivar BRS F63 Camila.
`BRS F63 Camila`, lançada em 2015, foi desenvolvida pelo Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa (Clima Temperado, Pelotas, RS; Produtos e Mercado/ Escritório de Canoinhas, SC e; Hortaliças, Brasília, DF). Originou-se do cruzamento dos clones C1750-15-95 x C1883-22-97 efetuado em 2004. Foi testada sob o código F63-01-06 e selecionada com base na aparência, rendimento e peso específico de tubérculos.
A cultivar é indicada para plantio na região Sul e nas épocas mais frias das demais regiões produtoras do país. Apresenta elevado potencial produtivo de tubérculos comerciais, teor médio de matéria seca que possibilita maior versatilidade culinária, vida de prateleira mais longa no mercado e no armazenamento de sementes; alta resistência PVY, que permite maior número de multiplicações de sementes, tornando-a mais barata e com melhor qualidade que outras cultivares.
`BRS F63 Camila` produz tubérculos de boa aparência, ovalados, com olhos rasos, polpa amarela clara, película amarela e lisa, resistência moderada ao esverdeamento de pós-colheita, e período de dormência médio. As plantas apresentam ciclo de desenvolvimento vegetativo médio e moderada suscetibilidade à requeima e à pinta-preta.
Na culinária, a `BRS F63 Camila` apresenta textura firme na cocção e sabor característico, sendo adequada inclusive para cozinha gourmet na preparação de saladas e pratos afins.

Cultivares de batata da Embrapa para a indústria
 
As cultivares de batata BRS IPR-Bel e BRS Ana, da Embrapa, destacam-se pela adaptação às diversas regiões do país; elevado rendimento para processamento, tanto na forma de chips como de batata palha; alto potencial produtivo e rendimento de tubérculos comerciais com características de qualidade para a industrialização.
Antonio Bortoletto, analista da Embrapa Produtos e Mercado, unidade responsável pela comercialização e inserção de tecnologias produtos e serviços da Embrapa no mercado, explica que, devido à adaptação das variedades nas diferentes regiões de cultivo de batata no país, será possível a sua utilização e adoção tanto por pequenas, médias ou grandes indústrias.
Já foi realizado um teste de fritura no laboratório, cujo resultado foi um sucesso, segundo profissionais das cooperativas e da indústria. Como parte do processo de promoção das cultivares, foram enviados cerca de 2.200 kg de tubérculos comerciais de Canoinhas, SC, para testes de fritura na linha de produção da Yoki, indústria parceira. 
 
A opinião de produtores, técnicos e da indústria

"Com estas variedades, estamos dando um passo à frente para obtermos estabilidade na bataticultura", disse Tsutomu Massuda, presidente da Cooperativa Unicastro, parceira na pesquisa destas cultivares de batata há três anos, durante o Dia de Campo no ano passado (2014), feito para demonstrar as aptidões das novas cultivares. 
É fato, disse Massuda na época, que a agricultura é uma atividade de alto risco e sujeita a diversos fatores como clima, aumento dos preços, de insumos, política cambial e econômica, marcos regulatórios trabalhistas e ambientais.  No caso da batata existe ainda a forte dependência na importação de sementes, por isso, é  imprescindível o trabalho que vem sendo feito pelos órgãos de pesquisa como Embrapa e Iapar em parceria com o produtor e a indústria para atender melhor o nosso consumidor, concluiu o presidente da Cooperativa.
Após três anos de parceria com a pesquisa, instalando campos de teste nos produtores da Unicastro, o desempenho das cultivares no campo e no processamento industrial tiveram resultados surpreendentes tanto no aspecto industrial, como nos aspectos agronômicos, com uma boa avaliação nos dados de aparência, cor, sabor e textura.
O presidente da Unicastro foi enfático ao afirmar: "Acredito que estão nascendo duas novas opções para a cadeia da bataticultura, as cultivares BRS IPR- Bel e BRS Ana".
Na avaliação dos técnicos da Cooperativa, as cultivares merecem destaque pela superioridade agronômica e qualidade industrial que agregam produtividade e resultados satisfatórios ao sistema, o que sinaliza o potencial de adaptação às condições climáticas da região produtora e a possibilidade de se tornarem comercialmente competitivas.
Ainda no Dia de Campo do ano passado, Luis Henrique de Carvalho, agrônomo da General Mills &Yoki, indústria de processamento de alimentos, também conheceu o manejo da variedade nacional e disse: 
"Vimos o nível de resistência a pragas, a doenças, a seca e também a produtividade e formato de tubérculos, observamos que a variedade analisada tem potencial inicial para boas práticas tanto no campo como no processamento, além de serem adaptadas ao nosso clima. Elas têm potencial para alavancar o nível de fritura e a produtividade dos batatais por esse Brasil afora".
No momento posso confirmar que os testes realizados na nossa indústria foram muito bons e que depositamos uma esperança grande na variedade BRS IPR-Bel e também na BRS Ana, concluiu o representante da Yoki.
 
Características das variedades

BRS IPR-Bel foi desenvolvida para uso no processamento industrial nas formas de chips e de batata palha. Pode eventualmente ser utilizada para consumo fresco, desde que sejam tomados os cuidados para prevenir o esverdeamento dos tubérculos. É uma cultivar que apresenta plantas medianamente vigorosas, com hábito de crescimento semiereto e porte médio, possuem tubérculos de formato oval, olhos medianamente rasos; película amarela e lisa, com suscetibilidade ao esverdeamento e polpa creme. É moderadamente suscetível a requeima (Phytophthora infestans) e moderadamente resistente à pinta-preta (Alternaria solani). Destaca-se pelo alto teor de matéria seca e pelo grande número de hastes e tubérculos por planta. 
BRS Ana é uma cultivar adequada para fritura à francesa (palitos), com potencial de processamento na forma de palitos pré-fritos congelados, palha e de flocos. Suas características de maior destaque são a aparência, o rendimento de tubérculos, peso específico e qualidade de fritura. Os tubérculos têm película vermelha, levemente áspera, polpa branca, formato oval e olhos rasos. Seu potencial produtivo é alto. No ecossistema subtropical, apresentou maior produtividade que as cultivares mais plantadas no país, quando cultivada no outono, e não diferiu na primavera. Apresenta, também, menor exigência em fertilizantes que as principais cultivares importadas e também mostra moderada tolerância à seca. A BRS Ana possui boa resistência à pinta preta, apresentando baixa degenerescência de sementes por viroses, conferida pela resistência ao vírus Y da batata e baixa incidência ao vírus do enrolamento da folha da batata. Apresenta ciclo tardio de 110-120 dias



CANAL DE VÍDEOS AGRÍCOLAS

CANAL DE VÍDEOS AGRÍCOLAS
CLIQUE NA IMAGEM ACIMA E VISITE NOSSO BLOG COM MAIS DE 300 VÍDEOS AGRÍCOLAS DO NOSSO CANAL DO YOUTUBE