sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Microrganismos: Dando Vida ao Solo



Solo, ao contrário do que imagina a maioria das pessoas, não é apenas terra. No início da formação do planeta não existiam solos, mas sim imensos blocos de pedra e muita água.

Durante milhões de anos, o calor e o frio racharam a pedra; o vento e a água transformaram pedaços quebrados em areia grossa, areia fina e argila. Mas isso ainda não era solo, começou a ser quando apareceu a vida, na forma de microorganismos e depois de seres maiores.

Nascendo, crescendo e morrendo, esses microorganismos adicionaram matéria orgânica à terra, que passou a abrigar cada vez mais organismos. Estes, ao decompor a matéria orgânica, produziam ácidos que alteravam a areia e a argila, criando novas substâncias e transformando aquela massa inerte num corpo complexo e cheio de vida: o solo.

Essas transformações continuam até hoje. Por isso, existe sempre uma rocha embaixo do solo – a rocha-mãe. Não se percebe que o solo está sendo produzido porque o processo é muito lento: para formar apenas um centímetro de solo agrícola são necessários séculos.

De outra parte, os pequenos animais e vegetais do terreno são essenciais para a agricultura. Seu trabalho é variado: os pequenos canais, ou poros, feitos pelas minhocas, formigas, larvas e outros inúmeros insetos, servem para o ar circular e a água e as raízes das plantas penetrarem. 


Além disso, esses animais, ajudados por bactérias e fungos, trituram e decompõem a matéria orgânica, tornando seus nutrientes disponíveis para as raízes das plantas. Fazem mais: fabricam húmus, que torna o solo fofo e armazena água e nutrientes para as plantas. Os microorganismos produzem ainda substâncias que ajudam as culturas a crescer e se defenderem de pragas e doenças.

Em outras palavras, os microorganismos do solo são como uma usina transformadora: decompõem a matéria orgânica, produzindo ácidos que dissolvem os nutrientes do solo como fósforo e potássio. Até mesmo o nitrogênio é retirado do ar por bactérias e dado de graça às plantas pelos nossos "amigos invisíveis". Porém, para que tudo isso aconteça, é preciso que exista a matéria orgânica no chão na forma de "mulche" (cobertura morta).

São importantes para uma boa relação solo-planta

 Os microrganismos presentes no solo possuem funções fundamentais para a manutenção da fertilidade no solo e para o crescimento de plantas saudáveis. A parte viva e mais ativa da matéria orgânica é constituída, em sua maioria, pelos microrganismos; sem eles, o solo seria uma composição de areia, silte e argila.

 Segundo Alan Borges, gerente de desenvolvimento da Fertiláqua, um único grama de solo possui mais de 10 mil espécies diferentes de microrganismos, cerca de um bilhão de bactérias, um milhão de actinomicetos e 100 mil fungos, além de quantidades significativas de protozoários e algas. “É enorme a lista de processos em que os microrganismos atuam e quanto mais eles existirem, mais produtivo será o solo”, afirma.

 O conjunto de grupos de microrganismos, com seus genomas e interações em um determinado ambiente é chamado de microbioma. Quando em equilíbrio, torna-se uma forte defesa contra doenças e outras fontes de estresse para as plantas; além de disponibilizar grandes quantidades de nutrientes vitais, elevando os patamares de produtividade.

 É por meio da conversão (fixação) do nitrogênio atmosférico em compostos nitrogenados – que são utilizados pelas plantas na síntese de proteína – que os microrganismos aumentam a fertilidade do solo. Nesse processo, as substâncias orgânicas são convertidas em compostos inorgânicos, tornando-os úteis para os vegetais. “Em resumo, são as reações bioquímicas realizadas que fertilizam o solo pelo fornecimento de nutrientes”, explica o gerente.

 Na cultura de cana-de-açúcar, tem se observado nos últimos anos a presença de microbiomas desequilibrados, principalmente devido à intensa mecanização, ausência de rotação de culturas, diversas aplicações de defensivos agrícolas e excesso de adubação mineral.

 Isso foi possível ser monitorado por meio de laboratórios de microbiologia de solo que fazem análises de atividades enzimáticas, bem como de DNA e RNA do solo, possibilitando diagnosticar a saúde do microbioma.

 Desenvolvida especificamente para atuar no processo de revitalização do solo de áreas de cana-de-açúcar, a Linha Longevus da Fertiláqua conta com dois produtos – Longevus Soca e Longevus Planta – que apresentam em sua composição ácidos orgânicos, aminoácidos e nutrientes.

 As substâncias húmicas (ácidos orgânicos) atuam diretamente na biologia do solo, tratando-se de uma fonte energética (carbono orgânico) para os microrganismos. Quanto maior for o teor de carbono orgânico de um material, maior será a fonte nutricional para a atividade microbiológica e maiores serão os benefícios.
 Além de melhorar a qualidade no solo, a nova linha tem como objetivo apresentar maior produtividade e ampliar número de cortes.

As práticas agrícolas modernas transformam o solo em uma espécie de fábrica de plantas. Mas chega uma hora em que o próprio agricultor reconhece que o solo está “cansado”.

Isso ocorre porque ele está perdendo sua vida, ou seja, virou uma máquina de produção. Diante dessa situação, se torna necessário toneladas de adubos para compensar. E, invariavelmente, as plantas desse solo adoecerão mais facilmente. Existe uma vida microbiológica que está morrendo nesse solo.

No post de hoje, veja por que é importante ativar a vida microbiológica do solo.

O solo vivo
O solo não é apenas uma mistura de componentes físicos (areia, silte e argila). Se assim fosse, as plantas ali não conseguiriam se desenvolver.

Pelo contrário, o solo tem vida, e uma vida muito ativa. Milhões de microrganismos povoam o solo: são bactérias, fungos, líquens, algas, ou seja, a lista é imensa.

Além desses microrganismos, ainda existem os insetos, os vermes, os moluscos, as raízes das plantas, etc. Todo esse conjunto compõe a vida do solo.

E essa vida é muito importante para todos esses seres que têm sua existência no solo. Todos são interdependentes, mas, ao mesmo tempo, como se fosse uma única vida. Por essa razão, se fala em vida do solo e por isso se diz que ele é vivo.

Toda essa vida do solo, no entanto, precisa ter condições adequadas para manter-se. Nem sempre a agricultura tecnológica moderna garante a existência dessas condições que, na verdade, resumem-se em três componentes:

matéria orgânica;

umidade;

aeração.

Matéria orgânica
A matéria orgânica é o componente mais importante para a vida desse solo. Com ela os seres que ali vivem dispõem de alimento e de substrato (os microrganismos crescem sobre a matéria orgânica). Sua presença no solo retarda o seu ressecamento, pois ajuda a segurar a umidade.

Além disso, a matéria orgânica melhora a qualidade do próprio solo, fornecendo nutrientes e criando uma estrutura adequada para o desenvolvimento das plantas.

Umidade
A umidade é a água disponível no solo. Como toda a vida depende da água, a umidade do solo, portanto, precisa ser mantida a qualquer custo, ou a vida presente nele acabará.

Aeração
A aeração do solo é a condição de conter ar para a sobrevivência dos microrganismos que ali vivem. Ela resulta da não compactação do solo.

O solo de uma floresta, por exemplo, é um solo extremamente vivo e aerado. As raízes das plantas, os insetos, as minhocas e outros animais que se deslocam pelo solo constroem essa permanente condição de aeração.

Por outro lado, as máquinas agrícolas, quanto mais transitarem pelo solo, mais compacto ele ficará reduzindo a aeração do solo.

O que é a ativação microbiológica do solo
A retirada das florestas elimina toda a fonte de vida dos solos. Quando o agricultor pretende utilizá-lo para cultivar sua lavoura, precisa recuperar as condições que permitem a vida do solo, ou suas plantas não conseguirão dar o melhor de si.

A ativação microbiológica é justamente o resgate das condições de matéria orgânica, umidade e aeração, juntamente com o retorno dos microrganismos que estão quase desaparecidos (mas estão lá, embora em número muito pequeno).

Desse modo, incorporar matéria orgânica no solo, revolvê-lo para aumentar sua aeração e criar condições de umidade são atividades que reativam a vida do solo. Essas novas condições permitem que os microrganismos se multipliquem, se desenvolvam e criem eles próprios as condições para outros também se desenvolverem — existem produtos de biotecnologia auxiliam na reativação microbiológica do solo.

Importância da ativação microbiológica do solo
Agora ficou fácil entender porque é preciso ativar a vida microbiológica do solo: porque um solo vivo é o ambiente propício para que as plantas que serão cultivadas possam dar o melhor de si.

Um solo vivo é um solo rico, que segura a umidade e dispõe dos nutrientes que as plantas precisam para suas raízes se alimentarem. Além disso, um solo vivo e sadio não precisa de tanto fertilizante, trazendo economia para o agricultor.