google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

sábado, 20 de março de 2021

PANCS: Cultivo da Fava (Phaseolus lunatus)

 

Fava (Phaseolus lunatus)

Podem apresentar hábito de crescimento determinado ou indeterminado.

Nomes comuns – fava, fava-de-lima, fava-terra, fava-belém, feijão-espadinho, feijão favona, feijão-fígado-de-galinha, feijão-mangalô, bonge.

Família botânica – Fabaceae.

Origem – Centro Sul Andino.

Variedades – O que ocorre na prática é a seleção e manutenção local de variedades feita pelos agricultores. Verifica-se grande variabilidade em tamanho e coloração, de branca a preta, passando por creme, amarela, vermelha, rajadas branca e vermelha, branca e preta, entre outras. No Nordeste brasileiro, onde há maior consumo de fava, destacam-se as seguintes variedades que são mantidas pelos próprios agricultores: amarela-cearense, boca-de-moça, branquinha, mororó, olho-de-ovelha, olho-de-peixe, orelha-de-vó, raio-de-sol, rajada vermelha, rajada preta.

Clima e solo – Adapta-se às mais diferentes condições ambientais, mas desenvolve-se melhor nos trópicos úmidos e quentes e em solos areno-argilosos, férteis e bem drenados.

Preparo do solo – Varia conforme o sistema de cultivo a ser adotado. No caso do sistema convencional, deve-se proceder a aração e gradagem, e em seguida efetuar o coveamento ou sulcamento e adubação, atentando-se sempre para a adoção de práticas conservacionistas. Já em relação ao plantio direto o revolvimento é restrito às covas ou sulcos de plantio, deixando o solo protegido por uma cobertura morta (palhada de cultivo antecessor, geralmente de gramíneas e leguminosas) entre as covas ou linhas de plantio.

Calagem e adubação – Quando necessário, efetuar a correção da acidez do solo com antecedência de 60 a 90 dias, e aplicar a quantidade e o tipo de calcário com base na análise de solo, buscando pH entre 5,6 e 6,8. A adubação também deve ser baseada nos níveis de nutrientes observados na análise de solo, utilizando-se no plantio adubo fosfatado e parte do adubo nitrogenado e potássico, além da adubação orgânica. Em não havendo recomendações específicas para fava, sugere-se seguir a recomendação de adubação para feijão-vagem, ou seja, até 280 kg/ha de P 2O5 , 120 kg/ha de K 2O e 150 kg/ha de N, fornecendo 30% do N e 50% do K no plantio e o restante em cobertura, aos 30 e 60 dias (COMISSÃO, 1999).

Plantio – O semeio deve ser feito no local definitivo, em covas ou sulcos. Sugere-se o espaçamento de 1,0 x 0,5-0,6 m para variedades de crescimento indeterminado e 0,6-0,7 x 0,15 m para variedades de crescimento determinado. Em regiões de clima tropical, pode-se plantar durante todo ano, desde que haja disponibilidade de água. Em regiões com inverno mais ameno, o semeio deve ser feito na primavera ou início do verão.

Tratos culturais – As recomendações para a cultura referem-se a realização de capina e irrigação, quando necessárias, e quando o cultivo for de variedades de crescimento indeterminado, o tutoramento semelhante ao utilizado para feijão-vagem. As pragas que mais afetam a fava são vaquinhas e pulgões. Já com relação a doenças, é suscetível a antracnose, ferrugem e fusariose, que infestam folhas, caules, frutos e sementes.

Colheita – No caso de consumo como hortaliça, as favas (vagens) deverão ser colhidas ainda imaturas, pouco proeminentes, para o aproveitamento de todo o fruto, o que ocorre a partir dos 40-50 dias após o plantio. Para ingestão das sementes ainda verdes, as quais devem ser debulhadas, para posterior consumo, a colheita ocorre partir dos 50-60 dias após o semeio. O rendimento pode chegar a 8 ton/ha. Na alimentação utilizam-se os frutos (vagens) verdes, ainda bem tenros, imaturos, em refogados; e os grãos debulhados, ainda verdes ou secos. Os grãos verdes são típicos na culinária nordestina.

Figura 49: Fava




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

PANCS: Espinafre chinês - Batata d'agua (Ipomoea aquatica)


Espinafre chinês (Ipomoea aquatica)

Folhosa de grande importância no Sudeste Asiático, sendo produzido principalmente em solos encharcados e em canais de irrigação de arroz. No Brasil, é encontrada esporadicamente em alguns locais de clima quente e úmido, observando-se sua presença em feiras de Manaus, Estado do Amazonas, sendo muito procurada por asiáticos e descendentes, especialmente coreanos e chineses. Planta de crescimento indeterminado, com folhas alternas e tenras. É usada também como planta útil na despoluição de águas contaminadas por efluentes.

Nomes comuns – Espinafre chinês, espinafre d’água, batata-doce-folha, kangkung (Timor), hung tsay (China).

Família botânica – Convolvulaceae, a mesma da batata-doce.

Origem – Há controvérsias quanto ao centro primário, ocorrendo em diversas regiões tropicais do planeta, mas acredita-se que tenha se originado do Sudeste Asiático, pela maior variabilidade observada.

Variedades – Na Ásia, verifica-se a ocorrência de variedades comerciais; na Amazônia brasileira, observam-se variedades locais sem a sistematização das mesmas.

Clima e solo – Produz bem exclusivamente sob temperaturas elevadas. Desenvolve-se, em geral, em solos aluviais, mas pode ser produzida em diferentes tipos de solo de textura mediana desde que haja disponibilidade de água em abundância.

Preparo do solo – O plantio é, em geral, feito em sulcos em áreas alagadas ou encharcadas.

Calagem e adubação – É muito rústica, podendo produzir mesmo em solos depauperados. Entretanto, visando melhorar a produção, sugere-se fazer a correção do solo em função da análise de solo para uma faixa de 5,3 a 6,0. Recomenda-se a adubação somente com composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Plantio – A propagação é feita por sementes ou por mudas (ramas), sendo planta de fácil enraizamento. Sugere-se o espaçamento de 40 a 50 cm x 40 a 50 cm. Pode ser plantado durante o ano todo em regiões de clima quente e úmido, e de outubro a dezembro em regiões com inverno frio ou seco.

Tratos culturais – Recomenda-se manter a cultura livre de plantas infestantes por meio de capinas manuais e irrigar sempre que necessário, em geral duas a três vezes por semana. Não há relatos de sérios danos causados por pragas e doenças, mas pode ser alvo de insetos desfolhadores como vaquinhas e idiamins.

Colheita – A colheita é feita a partir de 60 dias após o plantio, efetuando-se cortes sucessivos das folhas por meses e a produtividade pode atingir até 20 ton/ha. Suas folhas são consumidas refogadas ou cozidas em sopas.


Figuras 47 e 48: Espinafre-chinês, planta e detalhe



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

PANCS: Dente-de-leão (Taraxacum officinale)

 

Dente-de-leão (Taraxacum officinale)

 

Folhosa silvestre nutritiva, de porte baixo, foi alimento importante durante a Idade Média. Depois, foi sendo gradualmente substituída por outras hortaliças, sendo hoje pouco usada como alimento, possivelmente por seu paladar amargoso. Em algumas situações é considerada como infestante de lavouras e pastagens e pode também ser considerada como planta indicadora de solo fértil.

 

Nomes comuns – Dente-de-leão.

 

Família botânica Asteraceae, a mesma da alface. Origem – Europa.

 

Variedades Observa-se variabilidade com relação a porte e formato das folhas.

 

Clima e solo Produz melhor sob temperaturas mais amenas, nas regiões Sul e Sudeste. Extremamente rústica, adapta-se a vários tipos de solo.

 

Preparo do solo O plantio sistematizado pode ser feito em canteiros semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura, lembrando que é frequente o manejo de plantas espontâneas em hortas caseiras, sem preparo de solo.

 

Calagem e adubação Por sua rusticidade, desenvolve-se mesmo em solos depauperados. Entretanto, para produção sistematizada, sugere-se a adubação. A calagem deve ser feita em função da análise de solo, visando atingir pH entre 5,5 e 6,0. Recomenda-se somente a correção do solo e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

 

Plantio A propagação é feita por sementes, normalmente no local definitivo, podendo-se também realizar a produção de mudas em bandejas, de modo semelhante ao empregado para hortaliças folhosas. Pode-se utilizar as brotações laterais como propágulos. O espaçamento recomendado é de 0,2 a 0,3 m x 0,2 a 0,3 m. Pode ser plantada durante o ano todo, desde que haja disponibilidade de água. É comum o manejo de plantas espontâneas em hortas caseiras.

 

Tratos culturais Manter as plantas infestantes sob controle, por meio de capinas manuais. Irrigar, de acordo com a necessidade da cultura, normalmente duas a três vezes por semana em períodos secos. Por ser uma cultura muito adaptada, raramente é atacada, a não ser esporadicamente por pragas generalistas como formigas ou gafanhotos.

 

Colheita e pós-colheita A colheita é feita 50 a 60 dias após o plantio, assim que as folhas atingem cerca de 15 a 20 cm. A produtividade de folhas pode variar em torno de 100 g/m2 semanalmente, perdurando por 6 meses ou mais. Tanto as raízes, quanto as folhas, quando novas, podem ser consumidas cruas. Pode ser utilizado em saladas, sucos e desidratado sob a forma de chás. As folhas também podem ser refogadas ou usadas em sopas. Assim como a maioria das hortaliças frescas apresenta pequena vida útil, por isso a desidratação é uma excelente opção.






quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Pancs: Cultivo do Cubiu (Solanum sessiliflorum)

Cubiu (Solanum sessiliflorum)

Foi domesticado pelos ameríndios pré-colombianos e distribuído em toda a Amazônia. A planta é um arbusto ereto e ramificado, que cresce de 1,0 a 2,0 m de altura. Produz frutos carnosos dos quais se extrai suco.

Nomes comuns – cubiu, maná, maná-cubiu, topiro, cocona e tomate de índio.

Família botânica – Solanaceae.

Origem – Amazônia Ocidental.

Variedades – Ocorre variabilidade para cor e formato de frutos de amarelo a vermelho e até roxo, além de porte da planta e outras características. A Divisão de Ciências Agronômicas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) fez uma coleção de 35 acessos de Belém do Pará e de Iquitos, Peru, citando a oportunidade de aumentar a resistência a nematoides, reduzir o número de sementes e aumentar a doçura.

Clima e solo – O cubiu cresce bem em regiões de clima quente e úmido. Há variedades no Peru que produzem bem em regiões mais altas, com temperaturas mais amenas. Apesar de ser uma espécie que necessita de luz, cresce relativamente bem à sombra, porém com redução na produção de frutos. O cubiu é adaptado a solos ácidos e de baixa fertilidade, apesar de haver redução na produção de frutos. Produz bem em solos com diferentes texturas, desde argilosa até arenosa.

Preparo do solo – Pelo sistema convencional, efetua-se o coveamento após aração e gradagem, com atenção à adoção de práticas conservacionistas em terrenos com declividade. Entretanto, recomenda-se o preparo localizado, restrito às covas de plantio, sem revolvimento do solo em área total. As covas devem ter, no mínimo, 20 x 20 x 20 cm em largura, comprimento e profundidade. No caso de mecanização, pode-se realizar o preparo pelo sulcamento de forma alternativa à aração e à gradagem. Se for cultivado em áreas sujeitas a encharcamento, recomenda-se o plantio em covas altas, popularmente conhecidas por “matumbos”.

Calagem e adubação – A calagem deve ser recomendada de acordo com as informações observadas na análise de solo. Sugere-se, no caso de produção comercial de frutos e considerando a inexistência de recomendações específicas, seguir a recomendação de adubação para berinjela, ou seja, até 200 kg/ ha de P2O5, 60 kg/ha de K2O e 40 kg/ha de N, e de 20 a 40 ton/ ha de esterco de curral curtido (COMISSÃO, 1999). Na adubação de cobertura, podem ser aplicados 60 kg/ha de N e até 100 kg/ ha de K2O, os quais podem ser parcelados a partir dos 45 dias após o transplantio a cada 15 ou 30 dias.

Plantio – O cubiu é propagado por sementes. As mudas podem ser produzidas em bandejas ou em recipientes individuais como copos ou saquinhos plásticos. Deve-se proceder o desbaste, deixando somente uma planta por célula ou recipiente, a mais vigorosa. As sementes iniciam a germinação a partir do sétimo dia e o plantio definitivo pode ser feito entre 45 e 60 dias após a semeadura, quando as plantas têm três a quatro folhas definitivas.

O plantio pode ser realizado durante o ano todo, em regiões quentes e úmidas como a Amazônia, e de setembro a dezembro nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição por plantas invasoras infestantes, por meio de capinas manuais entre as covas e roçada entre plantas. Na época seca, recomenda-se irrigar o plantio e utilizar cobertura morta entre plantas. Recomenda-se também o monitoramento da lavoura quanto ao ataque de pragas e doenças. As pragas mais frequentes são as vaquinhas, ácaros e pulgões e a doença mais comum é a “mela”, causada pelos fungos de solo Pythium sp. e Rhizoctonia solani.

Colheita e pós-colheita– A colheita começa aproximadamente sete meses após a semeadura. Os frutos são considerados maduros quando apresentam a mudança na coloração da casca, lembrando que se trata de fruto que não amadurece quando destacado da planta (fruto não climatérico). São muito resistentes ao transporte e podem ficar armazenados em geladeiras por um longo período, com boa conservação de suas características. Pode produzir de 30,0 a 50,0 ton/ha. A comercialização do cubiu é feita em pequena escala por produtores rurais nas feiras e nos mercados das cidades interioranas. O fruto do cubiu pode ser consumido ao natural, ou processado em forma de sucos, doces, geleias, sorvetes e compotas. Pode ainda ser utilizado em caldeiradas de peixe ou como tempero de pratos à base de carne de frango.


Figuras 43 e 44: Cubiu, planta e frutos


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

PANCS: Cultivo do Croá (Sicana odorifera)

 

Croá (Sicana odorifera)

É cultivado nas Américas do Sul e CCroá (Sicana odorifera) central e no Caribe. Planta anual, que cresce, frutifica e morre em curto período. É herbácea, rasteira ou trepadeira, com ramos quadrangulares. Possui folhas tripartidas, com até 30 cm de diâmetro.Croá (Sicana odorifera) O fruto é cilíndrico, alongado, com até 60 cm de comprimento e 12 cm de diâmetro, casca dura e coloração variando de laranja-avermelhado a roxo-escuro. A polpa é carnosa, amarelada, com sementes achatadas castanho escuras, com cerca de 1 cm. Quando bem madura, a polpa aquosa, amarelo-alaranjada, é fortemente aromática, daí a denominação S. odorifera.

Nomes comuns – croá, melão-de-caboclo, melão-de-cheiro e cruá.

Família botânica – Cucurbitaceae.

Origem – América Tropical, provavelmente do Peru ou Brasil.

Variedades – O que ocorre na prática é a seleção e manutenção de variedades locais e, muitas vezes, seleção massal, promovida pelos agricultores, em um sistema empírico de observação com a escolha das melhores plantas. Observa-se variabilidade com frutos de casca marrom e de casca roxo-escura, com maior ou menor presença do odor característico do fruto quando maduro, e com polpa mais ou menos amarelada.

Clima e solo – Como a maioria das cucurbitáceas, necessita de temperaturas mais elevadas para potencializar o seu desenvolvimento e produção. A faixa ideal de temperatura está entre 20ºC e 30ºC. Como se trata de planta rústica, possui ampla adaptação a várias tipos de solo, com melhor desenvolvimento em solos de textura média.

Preparo do solo – Varia conforme o sistema, mas pode ser feito pelo método modelo convencional, por meio do preparo de covas após aração e gradagem, ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo), com o revolvimento restrito às covas de plantio, deixando-se o solo protegido por uma cobertura morta formada a partir do manejo de plantas de cobertura, principalmente gramíneas ou leguminosas, estabelecidas previamente ao plantio. No caso do preparo convencional, é importante atentar para a adoção de práticas conservacionistas.

Calagem e adubação – Aconselha-se a proceder à correção da acidez do solo com calcário, de acordo com o resultado de análise de solo, elevando a saturação de bases para o nível de 65%. Como não há estudos específicos para a cultura, sugere-se utilizar a recomendação para a cultura do melão, isto é, no plantio até 160 kg/ha de P2O5, 20 kg/ha de K2O e 20 kg/ha de N, além de 20 ton/ha de esterco de curral curtido (COMISSÃO, 1999). Na adubação de cobertura, pode-se utilizar até 80 kg/ha de N e 80 kg/ha de K2O, os quais podem ser aplicados aos 15, 30 e 60 dias após o transplantio.

Plantio – As mudas podem ser produzidas em bandejas, em recipientes individuais (copinhos de jornal ou plástico, por exemplo) e, posteriormente, transplantadas para o local definitivo, quando tiverem quatro a cinco folhas. Também se pode semear diretamente no local definitivo, dispondo 3 sementes por cova e deixando a mais vigorosa. Recomenda-se o espaçamento de 3,0 x 4,0 m. As plantas apresentam melhor desenvolvimento sob elevadas temperaturas. Assim, em regiões onde as estações não são tão marcadas, o plantio pode ser feito durante todo o ano. Em regiões com inverno mais ameno e seco, o plantio deve ser feito na primavera ou início do verão.

Tratos culturais – Recomenda-se proceder às capinas, irrigações e adubações necessárias ao desenvolvimento das plantas. A condução da cultura deve ser feita em sistema de latada, semelhante ao usado para chuchu. Devem-se esticar fitilhos para auxiliar a fixação das gavinhas das plantas até o topo da latada. Não são observados usualmente a incidência de problemas fitossanitários na cultura, exceto pela ocorrência de brocas, que se instalam nos frutos em desenvolvimento.

Colheita e pós-colheita – Após 110 a 120 dias do plantio, os primeiros frutos estão no ponto de colheita, sendo colhidos e armazenados à sombra até o transporte para ao local onde será feita a comercialização. O rendimento pode variar de 20 a 30 ton/ha.

Os frutos ainda verdes podem ser consumidos como hortaliça e quando maduros apresentam sabor doce e muito apropriado para sucos fabricação de doces, compotas, purês e licores.


Figuras 41 e 42: Croá, planta e fruto





segunda-feira, 2 de novembro de 2020

PANCS: Chuchu-de-vento (Cyclanthera pedata)

 


Chuchu-de-vento (Cyclanthera pedata)

Essa hortaliça é cultivada localmente em diversos países da América do Sul, mas é no Peru que apresenta significativo valor econômico, destacando-se pelo grande cultivo e consumo. Há registros de seu cultivo ainda na Itália, na Inglaterra e no México, sendo que, neste último, além dos frutos, os brotos são utilizados como alimento. No Brasil, é bastante popular no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas Gerais.

Nomes comuns – Chuchu de vento, maxixe-do-reino, maxixe-peruano, boga-boga, cayo, taiuá-de-comer.

Família botânica – Cucurbitaceae, a mesma das abóboras e do chuchu.

Origem – Regiões tropicais e subtropicais da América do Sul.

Variedades – Na prática, os agricultores mantêm suas variedades empiricamente, sendo comum a condução de plantas germinadas espontaneamente.

Clima e solo – O chuchu-de-vento é tipicamente de clima tropical, não suportando temperaturas muito baixas ou geadas. Mas há relatos de sua ocorrência em condições de clima subtropical e tropical de altitude, no verão com temperatura média anual de 20ºC a 25ºC. Com relação a solos, apresenta boa adaptação a diferentes tipos, mas aparentemente desenvolve-se melhor em solos arenosos.

Preparo do solo – Varia conforme o sistema de cultivo adotado pelo produtor, podendo ser feito pelo método convencional ou pelo sistema de plantio direto (cultivo mínimo). No caso do preparo convencional, com aração e gradagem, deve-se atentar para a adoção de práticas conservacionistas. Em seguida, efetuam-se o coveamento e a adubação. No sistema de plantio direto, o revolvimento é restrito às linhas ou covas de plantio, deixando-se o solo entre as linhas ou covas protegido por cobertura morta (palhada) formada a partir do manejo (corte e/ou dessecação) de plantas de cobertura estabelecidas previamente ao plantio.

Calagem e Adubação – Recomenda-se proceder à correção da acidez do solo com calcário de acordo com o resultado de análise de solo, elevando a saturação de bases para o nível de 65%. Como não há estudos recomendando adubação dessa cultura, pode-se utilizar a recomendação para a cultura do pepino da 5ª Aproximação para o estado de Minas Gerais (COMISSÃO, 1999), isto é, até 180 kg/ha de P2O5, 50 kg/ha de K2O e 30 kg/ha de N, além de 20 ton/ha de esterco de curral curtido. Na adubação de cobertura, até 90 kg/ha de N e 70 kg/ha de K2O, os quais podem ser aplicados aos 20, 40 e 60 dias após o transplantio.

Plantio – As mudas podem ser produzidas em bandejas, em recipientes individuais (copinhos de jornal ou plástico, por exemplo) e, posteriormente, transplantadas para o local definitivo quando tiverem quatro a cinco folhas. Geralmente, são plantadas 14 a 20 mil mudas por hectare. Utiliza-se o espaçamento de 1,0 x 0,5 a 0,7 m. Também se pode fazer o plantio no local definitivo, semeando três a quatro sementes por cova com posterior desbaste 15 a 20 dias após o semeio, deixando-se as duas plantas mais vigorosas. O plantio deve ser concentrado nos períodos mais quentes nas regiões em que ocorrem temperaturas mais baixas. Em regiões onde as temperaturas médias se mantêm entre 25ºC e 30ºC, o cultivo pode ser feito durante o ano todo. Normalmente, é cultivado no início do período chuvoso.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida livre da competição com plantas infestantes por meio da capina manual ou mecânica e irrigada de acordo com as necessidades da cultura e o tipo de solo. Como a planta apresenta crescimento prostrado, é recomendado que se faça o tutoramento e a condução, podendo ser utilizado o mesmo sistema empregado para o tomate envarado. Há relatos de maior produtividade com o tutoramento vertical, em relação ao tutoramento cruzado. De uma forma ou de outra, a planta não deve ser muito manuseada para o tutoramento, observando-se redução no vigor e aumento na incidência de viroses. A irrigação é realizada de acordo com as necessidades da cultura e o tipo de solo.

Merece atenção à incidência de algumas pragas, como mosca branca, ácaros, vaquinhas, brocas dos frutos e formigas que podem atacar as plantas e causar danos à produção, caso seja necessário, deve-se realizar o controle destas pragas através de catação manual ou pela aplicação de caldas repelentes ou inseticidas, quando do início da ocorrência. Também se observa plantas atacadas por nematoides-das-galhas, Meloydogine.

Colheita e pós colheita – Em plantios realizados em setembro-outubro, no início das chuvas, a colheita é feita após 120 a 150 dias de plantio. Os frutos, ainda imaturos, devem ser colhidos quando atingirem de 10 a 15 cm de comprimento. A colheita pode se prorrogar por dois meses ou até mais, dependendo do estado vegetativo e fitossanitário da cultura. Pose-se obter produtividades médias de até 50 ton/ha.

Os frutos tem sabor levemente amargo e adocicado, semelhante ao maxixe, e seu consumo pode ocorrer em saladas cruas (frutos mais novos), cozidos, recheados, em sopas e molhos e combinado com carnes e aves.







sexta-feira, 9 de outubro de 2020

PANCS: Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum)

 

Chicória-do-Pará (Eryngium foetidum)

Encontrada em toda a região Amazônica, é uma folhosa aromática com aroma característico de “coentro”. Possui folhas com até 20 cm de comprimento e 5 cm de largura, com bordas serradas, dispostas em roseta formando uma pequena touceira. Na fase reprodutiva, há emissão de uma haste floral com grande produção de sementes férteis.

Nomes comuns – Chicória-do-Pará, chicória, coentro-do-Pará, coentro-do-Maranhão e coentrão, pela semelhança do aroma a este outro condimento.

Família botânica – Apiaceae, a mesma da cenoura.

Origem – Existe certa contradição quanto à sua origem, mas certamente está associada à região equatorial, amazônica ou africana.

Variedades – Observa-se pouca variabilidade com relação ao material plantado na Amazônia. Entretanto, encontra-se esporadicamente na região Sudeste, em regiões serranas, uma variedade morfologicamente distinta àquelas da região Amazônica. A variedade serrana tem folhas mais fibrosas, mais compridas (até 25 cm) e estreitas (até 2 cm).

Clima e solo – É espécie adaptada a regiões com temperaturas mais elevadas e com boa disponibilidade de água. Exceção feita à variedade encontrada em regiões serranas do Sudeste que produz sob climas mais amenos. Produz melhor em solo leve, fértil e com bom teor de matéria orgânica.

Preparo do solo – O plantio é feito em canteiros, após aração e gradagem. Como é geralmente cultivada em pequenas áreas, as operações são, em geral, feitas manualmente com auxílio de enxadas. Os canteiros devem ser semelhantes aos utilizados para alface, com 1,0 m a 1,2 m de largura por 10 a 15 cm de altura.

Calagem e adubação – A calagem deve ser feita em função da análise de solo, aplicando calcário visando atingir pH entre 5,5 e 6,5. Por sua relativa rusticidade, recomenda-se somente a correção do solo e a utilização de composto orgânico, na dosagem de até 3,0 kg/m2 de canteiro, conforme os teores de matéria orgânica no solo.

Se os níveis de fósforo (P) e potássio (K) forem muito baixos, inferior a 10 mg dm-3 (ppm), sugere-se até 200 kg/ha de P2O5 e 60 kg/ha de K2O.

Plantio – É normalmente feito o semeio em canteiros, seguido de transplantio cerca de 20 a 25 dias após o semeio ou pode-se produzir mudas em bandejas para transplantio. Em comunidades tradicionais da Amazônia, a semeadura é feita a lanço, com alta concentração de sementes por unidade de área. Quando a muda se desenvolve nos canteiros, em cerca de 30 dias, o excedente é desbastado e transplantado para outros canteiros, de modo a obter densidade de cerca de 50 plantas por m2. O plantio pode ser feito o ano todo em regiões de clima quente (temperatura média superior a 25ºC). Já em regiões de clima mais ameno (temperatura média superior a 20ºC), o plantio deve ser feito de setembro a março.

Tratos culturais – A cultura deve ser mantida sob baixa competição com plantas infestantes, no limpo, por meio de capinas manuais. A irrigação deve ser diária. Deve-se ter atenção quando o objetivo é a produção de sementes pois o sombreamento favorece a produção de folhas, atrasando significativamente o florescimento. Por outro lado se o interesse for a produção de folhas, deve-se efetuar o desbaste precoce das hastes florais, para aumentar a produção dessas.

Dois problemas fitossanitários merecem atenção na condução da lavoura, a murcha das plantas, causada por Ralstonia solanacearum, e nematoides -das-galhas, Meloidogyne, responsáveis por grande redução na produção.

Colheita – A colheita ocorre quando há perfilhamento e tem início o florescimento, cerca de 50 a 60 dias após o transplantio. Pode ser feita com ou sem raízes. Após a colheita, efetua-se a limpeza e o agrupamento de folhas ou plantas em maços. A produtividade pode atingir 10 maços/m2 com cerca de 200 g, perfazendo cerca de 2 kg/m2.

Embora seja utilizada em pequenas quantidades, seu aroma particular, semelhante ao do coentro, dá o sabor característico aos pratos em que está incorporado. No Norte do País, é amplamente difundido compondo o maço de “cheiro verde” – cebolinha, coentro e chicória-do-Pará, indispensável no tempero de pescados. Sob condições ambientes, as folhas podem ser reidratadas, colocando-as em água fria para recuperar a turgidez. Também pode ser desidratado ou congelado, permitindo maior conservação e uso como tempero em pratos já preparados.

Figuras 37 e 38: Chicória-do-Pará amazônica e serrana





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