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sábado, 28 de outubro de 2017

Produção de Sementes de Cebola



Cerca de 75% do consumo de sementes de cebola no Brasil são de cultivares de polinização livre. Tanto para as cultivares de polinização livre como para as híbridas, podem ser utilizados dois diferentes métodos na produção de sementes:

Semente-bulbo-semente: consiste em uma primeira fase de produção de bulbos, e uma segunda fase de produção de sementes. A primeira fase (vegetativa) não difere da produção comercial de bulbos, embora alguns cuidados especiais devam ser tomados (os quais serão discutidos posteriormente). Os bulbos-mãe, após colheita e cura, são selecionados de acordo com o padrão da cultivar (observando o tamanho, forma e cor), eliminando aqueles mal formados, com defeitos graves, brotados, “charutos”, e com sintomas de doenças. Geralmente são armazenados sobre estrados, em galpões secos, ventilados, à temperatura ambiente. Durante o armazenamento, inspeções periódicas são recomendadas, eliminando-se os bulbos doentes e brotados. A vernalização (indução ao florescimento) dos bulbos pode ser natural (regiões frias, como nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul) ou artificial (regiões mais quentes, como nos estados das regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste), utilizando câmaras frigoríficas. O binômio tempo-temperatura para vernalização irá depender da cultivar. Geralmente, o armazenamento dos bulbos a temperaturas mais baixas (próximas de 2ºC) durante 60-90 dias antes do plantio, e após, elevando-se a 8ºC durante 20-40 dias antes do plantio,  permite respectivamente, adequada conservação e adequado florescimento dos bulbos. Os bulbos são plantados no campo para a segunda fase, de produção de sementes (fase reprodutiva).



Semente-semente: é utilizado em regiões onde ocorrem temperaturas baixas suficientes para ocorrer a vernalização natural das plantas. As sementes (sistema de semeadura direta) ou as mudas (sistema de transplante) são dispostas na própria área onde se fará a colheita das sementes, em um único campo de produção. Tem como vantagens a maior facilidade, o menor custo e a maior rapidez (menos de um ano) na produção de sementes.
O método semente-bulbo-semente é padrão para produção de sementes genéticas e/ou básicas, pois permite seleção de bulbos. É também o método utilizado no Brasil para a produção de sementes fiscalizadas e certificadas. O método semente-semente é utilizado apenas para a produção de sementes fiscalizadas ou certificadas, pois não permite a seleção dos bulbos.
Para a produção de sementes híbridas, utiliza-se da macho-esterilidade genética citoplasmática. É utilizada uma linha masculina (parental polinizador) para quatro linhas femininas (parental macho-estéril). A coincidência na floração das duas linhas parentais é de extrema importância para se alcançar adequada produção de sementes. Deve-se tomar cuidado, durante o roguing, de eliminar eventuais plantas férteis no parental feminino.
Na produção de sementes, alguns aspectos devem ser observados:

Origem da semente
Utilizar sementes básicas ou certificadas provenientes de empresas idôneas, com qualidades genética, física, fisiológica e sanitária comprovadas. Neste último aspecto, vale a pena ressaltar que importantes doenças causadas por bactérias e fungos podem ser transmitidas pelas sementes (ver seção correspondente). O tratamento de sementes antes do plantio é recomendado.

Escolha da área
Escolher regiões com temperaturas amenas e de baixa umidade relativa do ar. A área destinada a produção de sementes não deve ser a mesma que foi cultivada com cebola ou outra aliácea em anos anteriores. A produção de sementes de espécies que requerem a polinização por insetos, como é o caso da cebola, exige atenção especial com relação a presença destes, principalmente abelhas, que são os principais polinizadores dessa espécie. Neste sentido, cuidados com as pulverizações e utilização de defensivos inócuos às abelhas devem ser observados durante a fase do florescimento. A distância mínima para isolamento de cultivares de cebola é de 1.000 m, embora sejam recomendadas distâncias superiores em razão do raio de vôo das abelhas, que pode chegar a 3.000 m.

Espaçamento de plantio
Espaçamentos menores diminuem a aeração das plantas, além de dificultar as inspeções de campo. Espaçamentos maiores podem permitir aumento no número de hastes florais por bulbo, aumentando a produção de sementes por planta. Deve-se considerar ainda a parte econômica, relacionada principalmente com o maior ou menor gasto com bulbos. No método semente-bulbo-semente, o espaçamento pode ser de 0,8-1,0 m entre linhas e 0,10-0,20 m entre bulbos. Neste espaçamento, 2,5-3,0 t de bulbos são suficientes para o plantio de 1 (um) hectare. No método semente-semente, a semeadura ou transplante das mudas pode ser feita no espaçamento de 0,70-1,0 m entre linhas, com cerca de 10 plantas/m linear. Cerca de 1,5-2,5 kg/ha de sementes são necessários para a semeadura.

Inspeções de campo e roquing
As inspeções de campo e o roguing são importantes para se obter sementes de alta qualidade genética e varietal. No método semente-semente realizar, no mínimo, duas inspeções: durante o estádio vegetativo, removendo plantas fora do tipo; e antes do florescimento, removendo aquelas plantas florescidas prematuramente. No método semente-bulbo-semente realizar, no mínimo, quatro inspeções: antes da maturação dos bulbos, após a cura dos bulbos, no plantio dos bulbos, e finalmente no início do florescimento. Observar as características das plantas, o formato, o tamanho, a coloração e a sanidade dos bulbos, e características das flores. Na seleção dos bulbos para plantio, os de tamanho médio devem ser preferidos. Bulbos pequenos produzem menores quantidades de sementes, enquanto bulbos grandes apresentam menor conservação pós-colheita e maior brotamento durante o armazenamento. Durante o roguing, devem ser eliminadas as plantas atípicas (fora do padrão da cultivar) e as plantas com sintomas de doenças, principalmente aquelas que podem ser transmitidas pelas sementes. 

Colheita das sementes
A determinação do melhor período de colheita das sementes irá influenciar tanto a produtividade como a qualidade das mesmas. O ponto de maturidade fisiológica das sementes deve ser determinado para cada cultivar, em cada região, por meio de estudos envolvendo o número de dias após a antese (abertura das flores). Teor de água nas sementes ao redor de 40% é bom indicador para iniciar a colheita. Em termos práticos, geralmente inicia-se a colheita quando cerca de 10% das inflorescências (umbelas) apresentam sementes expostas, isto é, quando as cápsulas começam a abrir. As umbelas de cebola não amadurecem simultaneamente, necessitando de mais de uma colheita. O retardamento na colheita pode, dependendo das condições climáticas, propiciar a queda das sementes no solo, reduzindo a produtividade. A colheita pode ser manual ou mecânica. Na colheita manual, as umbelas são colhidas, com auxílio de uma tesoura de poda, cortando-se cerca de 20-30 cm da haste floral e colocando-se em sacos para serem transportados aos galpões para posterior secagem.

Secagem e trilha das sementes
As umbelas são secas sobre lonas ao sol por alguns dias, tomando-se o cuidado de revolvê-las periodicamente. A secagem das umbelas permite melhoria na maturação das sementes, além de facilitar a trilhagem. As umbelas estão aptas para serem trilhadas quando estas apresentarem-se quebradiças.
Se colhidas manualmente, as umbelas são trilhadas em máquinas estacionárias, tendo-se o cuidado na regulagem da mesma (principalmente na velocidade que deve estar entre 450 e 550 rpm), evitando assim a ocorrência de danos mecânicos nas sementes. Após a trilhagem, é recomendável uma nova secagem do material antes do beneficiamento.
A secagem das  sementes poderá ser realizada naturalmente, ao sol, em local ventilado,  espalhando as sementes sobre telas ou tecidos finos, sobre estrados. Pode ser utilizado também estufas de circulação forçada de ar, à temperatura de 32ºC no início da secagem e a 42ºC no final da secagem, até que as sementes atinjam a umidade de 6%, que é a umidade adequada apara o acondicionamento em embalagens impermeáveis.

Beneficiamento das sementes
As sementes, após a trilhagem, devem ser passadas por máquinas de ar e peneiras e em seguida pela mesa de gravidade. Pode-se ainda utilizar um soprador pneumático, para eliminar impurezas, como restos de umbelas, e sementes chochas (imaturas ou mal formadas). A utilização de água para separação, embora utilizada, não é recomendada uma vez que pode prejudicar a qualidade das sementes. Neste processo, coloca-se as sementes em baldes com água por dois a três minutos (em um maior período, as sementes podem iniciar o processo de embebição), separando assim os materiais mais leves (os quais bóiam) das sementes (descem para o fundo). Quando se utiliza este método, as sementes devem ser secas imediatamente.

Tratamento das sementes
Diferentes tratamentos podem ser empregados, objetivando melhorar a germinação das sementes e a emergência das plântulas em campo. O tratamento das sementes visa reduzir uma possível infecção e/ou infestação de fungos nas sementes, além de maior controle de microrganismos na fase inicial de estabelecimento da cultura. Geralmente, as sementes têm sido tratadas com produtos de amplo espectro de ação, a base de captan ou thiram. A aplicação de película (film coating) nas sementes pode ser realizada para se obter uma melhor uniformidade e eficiência no tratamento fungicida das sementes, permitindo ainda uma melhor visualização das mesmas no solo.
Uma vez que as sementes de cebola são pequenas e apresentam forma irregular, a peletização das sementes é outra técnica que pode ser empregada para melhorar a distribuição das sementes durante a semeadura.

Embalagem e armazenamento das sementes
As sementes devem ser acondicionadas em embalagens à prova de umidade, como pouches (sacos aluminizados) ou em latas. O grau de umidade das sementes deve situar em torno de 6%. A semente de cebola apresenta longevidade curta, relacionada principalmente com a oxidação de lipídeos das membranas celulares, necessitando de condições de armazenamento bastante adequadas para manter a qualidade fisiológica. De comportamento ortodoxo, a semente de cebola necessita de baixa umidade relativa e baixa temperatura para sua conservação.

Rendimento de sementes
O rendimento de sementes é bastante variável, pois irá depender da cultivar, época e local de produção, condições edafoclimáticas, espaçamento de plantio, dentre outros. Rendimentos variando de 150-450 kg/ha de sementes têm sido os mais comumentes obtidos em nossas condições, com potencial para mais de 1.000 kg/ha em cultivares de polinização aberta, conforme se observa em outros países. Os rendimentos em sementes híbridas são baixos, geralmente entre 50 e 100 kg/ha.

Avaliação da qualidade das sementes
Cada lote de sementes deve ser amostrado e submetido aos testes de germinação e pureza, exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A Portaria Ministerial, no. 457, de 18 de dezembro de 1986, estabelece os padrões para distribuição, transporte e comercialização de sementes fiscalizadas de cebola. O teste de emergência das plântulas em campo, velocidade de germinação ou o teste de envelhecimento acelerado podem determinar o vigor das sementes.
A análise sanitária avalia a incidência de microrganismos associados às sementes. O teste de papel de filtro é muito utilizado para a detecção de vários fungos associados às sementes.



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Características Nutricionais e Funcionais da Cebola



O papel da nutrição hoje vai além da ênfase sobre a importância de uma dieta balanceada. Ela deve almejar a otimização das funções fisiológicas, garantir o aumento da saúde e bem-estar e a redução do risco de doenças. Neste novo contexto, os alimentos funcionais tem papel fundamental. Eles podem ser definidos como alimentos que, consumidos numa dieta padrão, fornecem benefícios além da nutrição básica. Alguns dos seus componentes, que podem ser nutrientes ou não, auxiliam na prevenção e recuperação de doenças e nas funções relativas ao mecanismo de defesa e controle do ritmo corporal.
Há muito tempo acredita-se que o consumo de cebola auxilia na prevenção de certas doenças, o que a caracteriza como um alimento funcional. De modo geral, todas as partes da planta da cebola podem ser consumidas na dieta humana. Embora apresentem reconhecidas propriedades funcionais, as cebolas são consumidas, principalmente, pela sua capacidade de adicionar sabor a outros alimentos.
Os açúcares e os ácidos orgânicos contribuem substancialmente para o sabor da cebola. No entanto, o sabor, o odor e a pungência característicos desta hortaliça são formados quando os tecidos da planta são rompidos ou cortados, resultando na decomposição enzimática de substâncias que contém enxofre na sua estrutura, conjuntamente denominadas de sulfóxidos de cisteína. A recente caracterização da enzima responsável pelo efeito lacrimatório da cebola em seres humanos abriu a possibilidade de estabelecer processos mais eficientes de desenvolvimento e seleção de cultivares isentas desta característica, as chamadas cebolas doces/suaves (“cebolas sem choro”).
Características nutricionais
A composição de cebola é influenciada pelas condições de cultivo (sistema de produção, tipo de solo, clima) e por fatores genéticos. Bulbos de cebola para consumo fresco são pouco calóricos (em torno de 40-50 calorias) e contém de 89 a 95% de água, além de mono e dissacarídeos (açúcares totais em torno de 6%), proteínas (1,6%), gordura (0,3%) e sais minerais (0,65%). Possuem também alguns compostos fenólicos, bem como ácidos málico, cítrico, succínico, fumárico, quínico, biotínicos, nicotínicos, fólicos, pantotênicos e ascórbico. A cebola possui diferentes minerais, como cálcio, ferro, fósforo, magnésio potássio, sódio e selênio. Destes, a contribuição da cebola em uma dieta padrão é significativa para o selênio, que é um mineral-traço essencial, ou seja, o organismo necessita dele em quantidades mínimas, tornando-se tóxico em altas doses. Deficiências de selênio geram catarata, distrofia muscular, depressão, necrose do fígado, infertilidade, doenças cardíacas e câncer. Este mineral oferece proteção contra doenças crônicas associadas ao envelhecimento, como aterosclerose (doenças das artérias coronarianas, cerebrovascular e vascular periférica), câncer, artrite, cirrose e efisema.
Embora não seja considerada uma boa fonte nutritiva devido a seus baixos teores de proteínas e açúcares, a cebola é rica em vitaminas do complexo B, principalmente B1 e B2, e vitamina C. Estes nutrientes são importantes para o bom funcionamento do organismo. As principais funções e as conseqüências do baixo consumo destas vitaminas estão na Tabela 1.

Características funcionais
O consumo da cebola tem aumentado, especialmente em países mais desenvolvidos, devido à sua associação com características funcionais. Pesquisas recentes têm procurado comprovar os benefícios da cebola para a saúde, além de identificar os compostos responsáveis por eles. A cebola é particularmente rica em dois grupos de compostos com comprovado beneficio à saúde humana: flavonóides e sulfóxidos de cisteína (compostos organosulfurados). Dois sub-grupos de compostos do tipo flavonóide predominam em cebolas: as antocianinas (que conferem a coloração avermelhada ou roxa aos bulbos) e as quercetinas e seus derivados (que conferem coloração amarelada ou cor de pinhão aos bulbos). As antocianinas, quercetinas e seus derivados são de grande interesse pelas suas propriedades anticarcinogênicas.
Muitos dos benefícios à saúde proporcionados pela cebola e espécies relacionadas são atribuídos aos compostos organosulfurados, os quais chegam a compor de 1-5% do peso seco total de bulbos maduros. A ação da enzima alinase sobre os sulfóxidos de cisteína forma substâncias voláteis como tiosulfinatos, tiosulfonatos e mono-, di- e tri-sulfideos. A gama de propriedades funcionais atribuídas aos sulfóxidos de cisteína e seus derivados incluem: propriedades anticarcinogênicas, atividade antiplaquetária, atividade inibidora de tromboses, ação antiasmática e efeitos antibióticos. Na Tabela 2 estão algumas propriedades da cebola comprovadas cientificamente.
Embora remonte às origens da civilização, a relação entre alimentação e saúde nunca foi tão estreita quanto nos dias de hoje. Uma receita de alimentação ideal deve ser equilibrada em proteínas, açúcares, gorduras, fibras, minerais, vitaminas e água, em doses balanceadas. Dessa forma, nenhum alimento isolado deve ser ingerido em detrimento de outros para prevenir uma doença específica, uma vez que diferentes alimentos fornecem diferentes substâncias vitais para a saúde.

Tabela 1. Principais funções das vitaminas presentes na cebola.
Vitamina
Efeitos sobre o organismo
Deficiência
B1
(Tiamina)
Melhor crescimento; maior resistência a infecções; funções normais do sistema nervoso; aumento do apetite; melhor digestão e absorção dos alimentos
Beribéri (confusão mental, perda muscular)
B2
(Riboflavina)
Saúde da pele; bom funcionamento do trato digestivo; formação de anticorpos e hemáceas
Lesões na mucosa bucal; vermelhidão da língua
B3
(Niacina)
Equilíbrio do sistema nervoso e do metabolismo; redução dos índices de colesterol; normalidade da respiração e circulação; produção de hormônios sexuais
Fraqueza muscular; falta de apetite e erupções cutâneas; pelagra (dermatite, demência e diarréia)
B5
(Ácido pantotênico)
Regulação dos índices de açúcar no sangue; melhor utilização das proteínas e vitaminas; formação de anticorpos
Distúrbios intestinais, renais e nervosos
B6
(Piridoxina)
Assimilação das proteínas; transmissão de impulsos nervosos; formação de anticorpos
Distúrbios nervosos (irritabilidade, convulsões)
B8
(Biotina)
Auxilio no crescimento; formação e utilização de gordura; produção de anticorpos
Dermatite; palidez; náusea; queda de cabelo; falta de apetite
B9
(Ácido fólico)
Manutenção da integridade do sangue e do sistema nervoso; formação do feto
Baixo crescimento; anemia e outras doenças sangüíneas; distúrbios no trato gastrointestinal
C
(Ácido ascórbico)
Absorção de ferro; síntese de colágeno; cicatrização; resistência a infecções; antioxidante
Escorbuto (baixa cicatrização, pele seca, queda de dentes e problemas de gengivas)

Tabela 2. Propriedades cientificamente comprovadas da cebola.

Efeito
Ação
Antibacteriano
Inibe bactérias causadoras de cáries e de distúrbios gástricos
Antifúngico
Contra fungos causadores de micose
Cardiovascular
Reduz o teor de gordura do sangue e o risco de trombose e de aterosclerose; estimula o coração
Antiasmática
Ameniza os sintomas da asma
Hipoglicêmico
Auxilia no controle da diabetes
Anticancerígeno
Reduz o risco de desenvolver câncer de esôfago, estômago e mama
Antiinflamatório
Auxilia no combate a inflamações
Outros
Antioxidante; desintoxicante de metais pesados




domingo, 22 de outubro de 2017

Colheita e pós-colheita da Cebola


A manutenção da qualidade dos bulbos da cebola e a adequada conservação pós-colheita dependem inicialmente do correto reconhecimento do ponto de colheita. Algumas mudanças fisiológicas que resultam na máxima qualidade dos bulbos para consumo são visualmente expressas no campo e subsidiam a definição do momento ideal de colheita. A observação criteriosa destes sinais, associada ao manuseio cuidadoso por ocasião da realização dos tratos culturais e dos procedimentos pós-colheita, pode garantir a integridade dos bulbos, reduzindo, a nível mínimo, os danos mecânicos e o estresse sofrido pelos tecidos. Esses cuidados também são válidos durante o armazenamento, que deve oferecer as condições ideais para que o produto seja acondicionado, pelo maior espaço de tempo possível, sem perda apreciável de seus atributos de qualidade, como sabor, aroma, textura, cor, teor de umidade e valor nutricional.
Para que a proposição de técnicas de manejo e conservação pós-colheita para a cebola seja bem sucedida, é necessário que sejam reconhecidos os eventos biológicos durante o desenvolvimento do bulbo e os fatores que influenciam suas respostas. Após a colheita, a manutenção da qualidade é possível a partir da utilização de meios que reduzam a velocidade com que esses eventos acontecem ou previnam a ação degradativa de agentes externos.

Ponto de colheita

Alguns elementos auxiliam a decisão do momento da colheita. Os mais importantes e de uso prático são:
  • o estado de umidade das duas ou três folhas externas (catáfilas) do bulbo: elas devem estar secas no momento da colheita;
  • a condição de umidade da folhagem: pelo menos 2/3 da folhagem deve estar seca por ocasião da colheita;
  • amolecimento dos tecidos do “pescoço” (pseudocaule) do bulbo: o ponto de colheita é reconhecido pela curvatura da folhagem, principalmente nas cultivares de “pescoço” fino.
A partir da observação dessas mudanças no final do ciclo da cultura, recomenda-se que a colheita seja realizada quando a maioria das plantas tenha sofrido tombamento (ou “estalo”), como resultado do murchamento da folhagem, acompanhado de amarelecimento. Nesse momento, o bulbo pode ser arrancado com facilidade e armazenado por um período de tempo maior.
Não há um consenso a respeito da proporção exata de plantas que deve ter sofrido tombamento para que se reconheça o ponto ideal de colheita. Alguns autores recomendam 50-60%, enquanto outros indicam que aproximadamente 70% das plantas devem estar tombadas no momento da colheita. Porém, vale destacar que a observação visual, o manejo dado à cultura e as condições climáticas no período de colheita podem ser definitivos no ajuste desta proporção.
Para reduzir perdas durante o armazenamento e/ou transporte, é importante que a irrigação seja gradualmente diminuída a partir do início da maturação dos bulbos, podendo ser interrompida duas a três semanas antes da colheita. A definição exata do período de interrupção da irrigação dependerá das características físicas do solo e das condições climáticas predominantes no período. O objetivo dessa prática é reduzir o conteúdo de água dos bulbos, uma vez que o alto conteúdo de umidade favorece o crescimento de microrganismos, comprometendo a qualidade e a comercialização.
Se, contudo, a colheita for realizada antes do momento ideal, o alto conteúdo de umidade na folhagem e no “pescoço”, a maior largura do “pescoço” e a presença de substâncias reguladoras de crescimento podem estimular a brotação após a colheita. A cebola colhida imatura ou “verde”, como se denomina popularmente, apresenta, ainda, a desvantagem de perder muito peso com a evaporação da água e ter má conservação uma vez que não há uma adequada cicatrização no local de corte das folhas, prejudicando o produtor e o consumidor.
De um modo geral, no Brasil, é mais comum a realização da colheita manual dos bulbos, apesar da possibilidade de uso da colheita mecanizada. Para a colheita manual, são utilizadas facas para facilitar o corte das raízes de cebola.
Os dias secos e ensolarados são os melhores para a colheita da cebola.

Cura

Depois de colhida, a folhagem da cebola precisa ser seca para que posteriormente seja feito o corte do “pescoço”. Esse procedimento de secagem é denominado cura e consiste na exposição do material colhido a temperaturas altas durante um determinado período. Além da redução do conteúdo de água, a cura tem como objetivo promover o desenvolvimento da coloração externa do bulbo.
A temperatura adequada para a cura da cebola é de, aproximadamente, 30ºC, sendo o processo concluído quando as películas externas do bulbo adquirem cor intensa, apresentam-se secas e quebradiças, desprendendo-se facilmente quando esfregadas com os dedos. Neste momento, o pescoço se mostra firme e seco. Isso geralmente ocorre aos 10 a 15 dias após a colheita, na maioria das regiões produtoras. Porém, nas condições do Nordeste, a cura é concluída em 3-5 dias. Após finalizado o processo, é feito o corte das ramas.
Em geral, a cura resulta numa perda de peso dos bulbos que varia de 3 a 5%, quando a colheita é realizada no momento certo. Porém, se os bulbos foram colhidos precocemente, ainda úmidos ou com os tecidos externos verdes, ou se a umidade do solo durante a colheita foi mantida alta ou, ainda, se a temperatura de cura foi muito elevada, a perda de peso pode ser superior a 10%.

Tipos de cura

A cura pode ser natural ou artificial. A cura natural é realizada no campo ou em galpões. Quando realizada no campo, os bulbos geralmente são arrumados em fileiras sobre o solo e protegidos da radiação solar direta pelas próprias folhas. A distribuição dos bulbos pode ser feita na própria linha de plantio, dispondo as ramas no sentido de declive do terreno.
No caso de chuvas durante a colheita, a cebola deve ser recolhida imediatamente para galpões. Nestes galpões, que devem ser secos e ventilados, as plantas permanecerão até que as folhas sequem e a cura seja completada.
A cura artificial é realizada nas regiões onde as condições climáticas, principalmente a ocorrência de chuvas e períodos de temperaturas baixas associadas à nebulosidade, não permitem que o processo seja realizado ao natural. Neste caso, são utilizados ventiladores com ar natural ou aquecido (secadores) ou até mesmo processos mais sofisticados como cura a vácuo e com radiação infravermelha.
A cura com a utilização de ar aquecido pode ser feita em um processo dinâmico, através do fluxo do ar sobre o produto deslocado por uma esteira, ou em um processo estático, no qual o ar é forçado entre os bulbos através de dutos perfurados. A cura estacionária é a mais comum no Brasil, sendo praticada em Santa Catarina, em estufas de fumo ou em câmaras construídas especialmente para esse fim. A temperatura utilizada para secagem é de 46 a 48 °C, por um período de tempo que varia de 16 a 32 horas. Nessas estufas, a cebola é colocada em caixas para facilitar o movimento do ar quente. As câmaras especiais são construídas de alvenaria, dotadas de um sistema de aquecimento por fornalhas e dutos de aquecimento.
Independente do sistema adotado, a cura permite que os tecidos se tornem menos permeáveis ao fluxo de umidade e mais resistentes a infecções. Portanto, podem ser armazenados por períodos maiores.

Principais alterações químicas nos bulbos durante a cura e o armazenamento

Durante a cura e o armazenamento, ocorrem várias modificações na composição do bulbo, que interferem na sua qualidade final. A perda de água é a mudança mais evidente, sendo mais intensa no processo de cura. Mudanças em compostos relacionados ao sabor do bulbo também são importantes. A quantidade total de açúcares, por exemplo, tende a diminuir quando o armazenamento é prolongado. Já o conteúdo de ácido pirúvico, responsável pelo sabor picante (pungência), pode aumentar ou diminuir durante o armazenamento, dependendo da cultivar.
Também pode ocorrer a emissão de brotos e raízes durante o armazenamento. Essa é uma das principais causas de perdas pós-colheita em bulbos de cebola, que pode ser evitada se as condições de armazenamento forem adequadas. Em geral, a brotação é favorecida por condições de temperaturas amenas, desde 5 a 20ºC, dependendo da cultivar, e por umidade relativa alta.

Operações pós-colheita

As principais etapas ou procedimentos pós-colheita aos quais os bulbos podem ser submetidos são:
  • Limpeza ou retirada de pedras e torrões: deve ser realizada antes do armazenamento dos bulbos, para evitar contaminação e facilitar a aeração;
  • Corte do “pescoço”: deve ser feito imediatamente após a cura, exceto quando os bulbos forem comercializados em réstias (tranças), com o objetivo de evitar que a folhagem sirva de foco de contaminação. A altura do corte não deve ser superior a 4 cm. Em geral, deixa-se 1 cm de pseudocaule;
  • Corte das raízes: deve ser realizado rente à base, tendo-se o cuidado de não ferir o bulbo;
  • Seleção: visa eliminar os bulbos que não apresentam características comerciais ou que não atendem aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado. São selecionados, para classificação e embalagem, os bulbos:
    - inteiros
    - sadios
    - limpos
    - praticamente isentos de parasitos
    - livres de umidade externa
    - livres de odor ou sabor desagradável
    - em condições de serem manuseados ou transportados, atingindo o mercado de - destino.
  • Classificação: os bulbos selecionados devem ser classificados conforme normas ou regulamentos vigentes no mercado de destino. O critério inicial de classificação baseia-se no diâmetro transversal dos bulbos (calibre). Para cada faixa de calibre, os bulbos podem ser agrupados em quatro categorias: extra, categoria I, categoria II e categoria III, diferenciadas entre si pela presença ou ausência de defeitos e pelo grau de tolerância (limites máximos) admitido para esses defeitos.
    Os defeitos mais comuns em bulbos de cebola são: cortes, cicatrizes de ferimentos, manchas, deformações, bulbo duplo, caule fibroso, sinais de podridões, brotamento e danos causados por insetos.
  • Embalagem: após classificados, os bulbos podem ser comercializados das seguintes formas:
    - soltos em caixas, sacos ou sacolas;
    - embalados em cartelas ou redes de malhas perfuradas, acondicionados ou não em embalagens secundárias;
    - em réstias, com as últimas folhas atadas.
Para o mercado interno, a cebola poderá ser comercializada em réstia, sendo, neste caso, classificada apenas em relação à categoria. Não é permitida, entretanto, a comercialização de cebolas em réstia entre países membros do Mercosul.
O emprego de sacos pequenos de ráfia ou de embalagens de papelão ou de madeira laminada é considerado mais adequado, uma vez que fornece maior proteção a danos mecânicos, como pancadas, abrasão (atrito), compressão e cortes, que ocorrem durante a movimentação, armazenamento e transporte dos bulbos e levam à deterioração.
Qualquer que seja a embalagem usada, a mesma deve ser nova, limpa e seca, além de conter um rótulo com as especificações: nome do produto, cultivar, calibre, categoria, peso líquido, origem do produto e data de embalagem.

Conservação pós-colheita

Alguns fatores, como doenças pós-colheita, brotação, enraizamento, perda de peso e respiração, determinam o período de conservação pós-colheita dos bulbos de cebola. Estes fatores estão diretamente associados à infra-estrutura do ambiente de armazenamento. Como regra geral, a cebola deverá ser embalada em locais cobertos, secos, limpos, ventilados, com dimensões de acordo com os volumes a serem acondicionados e de fácil higienização, a fim de evitar efeitos prejudiciais à qualidade e conservação do mesmo. Da mesma forma, o transporte deve assegurar uma conservação adequada ao produto.
Para que seja possível armazenar os bulbos por um período de tempo compatível com a distribuição no mercado final, a temperatura e a umidade relativa devem ser os principais elementos controlados durante o armazenamento e transporte. Geralmente, as cultivares que têm alto teor de matéria seca, alta pungência, boa dormência e que tenham sido colhidas no ponto de colheita ideal, bem como submetidas à cura podem ser armazenadas por até cinco meses sob temperatura ambiente e umidade relativa (UR) entre 60 e 80%. Condições de UR maiores não são recomendadas porque favorecem a brotação e o desenvolvimento de podridões, como a causada por Aspergillus niger. Para regiões produtoras que necessitam armazenar os bulbos por períodos extensos, pode-se fazer uso da refrigeração, recomendando-se temperaturas de 4-6ºC e UR de 70-80%. Contudo, o armazenamento de cebola em câmaras frias ainda não é comum no Brasil.
Por sua vez, a armazenagem convencional é utilizada principalmente no Sul, em Santa Catarina, onde os bulbos são acondicionados em sacarias, em caixotes, ou a granel com as ramas. Neste caso, as cebolas dispostas umas sobre as outras não devem superar a altura de empilhamento de 40 cm. Neste sistema, o bulbo fica somente exposto à ventilação natural, o que pode ser responsável em alguns anos pela alta taxa de doenças. Para reduzir o problema, recomenda-se usar barracões arejados, que permitam uma ventilação regular e adequada, onde os bulbos podem ser mantidos por 2 a 3 meses.
No Semi-Árido brasileiro, a cebola é acondicionada em galpões abertos sob temperatura ambiente, até o momento de transporte para o mercado de destino. Nestas condições, a duração do período de armazenamento, transporte e distribuição, geralmente, é compatível com os requisitos dos mercados atendidos. No entanto, é importante que sejam observados manejo nutricional, fitossanitário, de irrigação e solo adequados à cultura, bem como os procedimentos de colheita, cura, manuseio e operações pós-colheita, coerentes com a obtenção e a oferta de um produto de qualidade superior.

Pós-colheita

Vários fungos e bactérias patogênicos são capazes de infectar os bulbos de cebola durante a fase de cultivo e após a colheita, e ocasionar desde perdas cosméticas e superficiais nas escamas externas até a deterioração completa dos bulbos. Embora a maior parte destas doenças apareçam somente no período de pós-colheita, a infecção pode ocorrer em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura.
Em relação às doenças causadas por fungos, em regiões tropicais é comum a incidência do mofo-preto (Aspergillus) e mofo-verde (Penicillium) como causadores de perdas pós-colheita em cebola, enquanto a podridão-aquosa (Botrytis allii) é mais importante em regiões de clima mais ameno.
Outras doenças de pós-colheita em cebola causadas por fungos são antracnose (Colletotrichum circinans), podridão-basal (Fusarium oxysporum f. sp. cepae) e podridão-branca (Sclerotium cepivorum).
Entre as bactérias, as mais importantes são as podridões do bulbo ou das escamas causadas por Pectobacterium spp. e Dickeya spp. (Erwinia spp.), Burkholderia cepacia (Pseudomonas), Pseudomonas viridiflava e P. gladioli pv. alliicola. Também existem registros do envolvimento de uma levedura (Kluyveromyces marxianus) como causadora de podridão.
Em muitos casos, podem ocorrer doenças pós-colheita causadas por mais de um patógeno, envolvendo inclusive fungos e bactérias. A bactéria Burkholderia cepacia pode iniciar a infecção das escamas e Pectobacterium afetar o restante do bulbo a partir destas escamas. Situação semelhante pode ocorrer com fungos, com Pyrenochaeta causando a podridão-rosada das raízes e posteriormente Fusarium colonizando toda a região basal dos bulbos.

Controle de doenças de pós-colheita
Além do efeito direto das condições ambientais e dos tratos culturais durante o período vegetativo, a incidência de doenças de pós-colheita em bulbos de cebola está relacionada ao sistema de cura, armazenamento e comercialização. O processo de cura é muito eficiente como medida preventiva de controle de doenças pós-colheita, porque a desidratação das camadas externas impede a penetração de fungos e bactérias e ao mesmo tempo evita a perda de água dos bulbos.
Quando mantida em condição ideal, em temperatura em torno de 0ºC e 65-75% de umidade relativa, a cebola pode ser conservada por até nove meses. Nesta condição, além de minimizar a perda de água e retardar os processos metabólicos, o crescimento e o desenvolvimento de patógenos também são drasticamente reduzidos.
Os patógenos podem estar presentes nos bulbos, nas embalagens ou no ambiente de armazenamento, mas não chegam a causar danos significativos porque a condição ambiental é desfavorável às doenças de pós-colheita. Portanto, é muito importante fazer limpeza periódica do local de armazenamento, com jatos de água e detergente, e também eliminar bulbos doentes e restos de escamas.
Na comercialização, devem ser executadas inspeções periódicas e a eliminação dos bulbos doentes, com sintomas e sinais evidentes. A condição de armazenamento temporária também deve ser observada com cuidado, evitando-se ambientes muito quentes e úmidos que favorecem a proliferação de fungos e bactérias.

Cura
A cura é um processo extremamente importante na manutenção da qualidade pós-colheita das cebolas. Tem como principal função remover o excesso de umidade das camadas mais externas dos bulbos e das raízes antes do armazenamento.
A formação de uma camada de catáfilos secos (escamas) ao redor do bulbo em decorrência da cura bem feita promove uma barreira eficiente contra a perda de água e infecção microbiana e reduz a ocorrência de brotação.
Para cura, após a colheita, os bulbos são dispostos lateralmente sobre os canteiros e ficam nestas condições por 3 a 4 dias considerando-se uma região com clima quente e seco (Figura 1). É importante reduzir a incidência direta de luz solar sobre os bulbos, o que pode ocasionar o aparecimento de manchas esbranquiçadas nos bulbos, típicas de queimadura por sol.


Figura 1. Cura da cebola a campo
Recomenda-se que os bulbos sejam protegidos pela parte aérea da planta vizinha e assim por diante.
Em regiões úmidas, a cura das cebolas pode demorar um pouco mais e, em algumas situações, maior incidência de podridões pode ocorrer durante o armazenamento prolongado.
Quando feita no campo, a cura ocorre de maneira mais satisfatória quando prevalecem temperaturas o redor de 24ºC e umidade relativa variando de 75 a 80%, o que garante o desenvolvimento satisfatório da coloração da casca.
Terminada a cura a campo, o bulbos devem ser transferidos para um local sombreado, sem incidência de luz solar direta, com temperatura entre 25 e 30ºC e umidade relativa variando entre 70 e 75%. Nestas condições, a cura é finalizada após 10 a 15 dias.
Quando se optar por realizar a cura em locais cobertos como galpões, as cebolas podem ser agrupadas em réstias que serão penduradas em ganchos. Nestas condições, a cura ocorrerá em intervalo de tempo similar ao do campo. Ainda neste caso, os bulbos podem ser curados com a aplicação de ar aquecido, que é insuflado através das réstias de cebola, contribuindo para uma secagem mais rápida das camadas mais externas.
A temperatura recomendada do ar é de 30 a 40ºC e a umidade relativa deve ficar ao redor dos 30%, o que possibilita a cura entre 7 e 10 dias, que é considerada completa quando o pescoço do bulbo estiver seco. O controle de umidade durante esta etapa é crucial, pois em locais onde a umidade é elevada existe risco de maior ocorrência de doenças fúngicas.
Por outro lado, em locais onde a umidade relativa é baixa (abaixo de 60%), perda excessiva de água e rachadura das camadas mais externas do bulbo podem ocorrer. O processo de cura reduz a massa do bulbo e uma vez que a cebola é vendida por peso, atingir o ponto ideal de cura é um processo crítico.
Perdas de peso da ordem de 3 a 5% são normais sob condições ambiente, enquanto que perdas de até 10% podem ocorrer no caso da cura ser feita artificialmente. A parte do bulbo que ficou em contato direto com o solo pode desenvolver manchas amarronzadas, as quais diminuem a qualidade final do bulbo.
Obviamente, o processo de cura a campo depende das condições climáticas da região e, portanto, não se aconselha que seja o método escolhido no caso de grandes quantidades de cebola.

Visão geral criada por IA

A colheita e o pós-colheita da cebola são etapas críticas para garantir que o bulbo tenha boa conservação e não apodreça precocemente. O sucesso depende principalmente da identificação do momento certo (o "estalo") e de um processo de cura bem executado.
1. Colheita: Identificando o Momento Certo
O sinal visual mais claro de que a cebola está pronta é o estalo ou tombamento natural da parte aérea (folhas).
  • Ponto ideal: A colheita deve começar quando 40% a 70% das plantas estiverem com as folhas tombadas e começando a amarelar.
  • Irrigação: Deve-se suspender a irrigação cerca de 15 a 20 dias antes da colheita para evitar umidade excessiva no pescoço do bulbo, o que previne doenças.
  • Riscos de erro: Colher cedo demais resulta em bulbos com muita umidade, que não armazenam bem; colher tarde demais aumenta o risco de rebrotamento ou apodrecimento no solo.
  • 2. Cura: O Processo de Secagem
    A cura serve para retirar o excesso de umidade das películas externas e do "pescoço" da cebola, criando uma proteção natural.
    • Cura no Campo (ao Sol):
      • As cebolas são arrancadas e deixadas no chão por 3 a 7 dias.
      • Enleiramento: Deve-se organizar as cebolas em fileiras onde as folhas de uma carreira cubram os bulbos da carreira anterior, protegendo-os de queimaduras solares diretas.
    • Cura na Sombra/Galpão:
      • Em regiões muito úmidas ou com sol excessivo, as cebolas podem ser levadas para galpões ventilados.
      • O processo dura entre 10 a 15 dias (ou menos em regiões quentes como o Nordeste) até que a casca esteja quebradiça e o pescoço firme.
      • 3. Pós-Colheita e Armazenamento
        Após a cura completa, os bulbos passam pelo beneficiamento final antes da venda ou consumo.
        • Toalete: Consiste no corte das raízes e das ramas (folhas secas), geralmente a cerca de 1 cm do bulbo.
        • Classificação: Os bulbos são selecionados por tamanho. No mercado brasileiro, as classes 3 (50-70mm) e 4 (70-90mm) são as mais valorizadas.
        • Conservação:
          • Local: Deve ser seco, fresco e muito bem ventilado.
          • Condições Ideais: Em escala industrial, a cebola pode durar até 9 meses se mantida a 0ºC com umidade entre 65-75%. Em casa, evite sacos plásticos fechados; use redes ou cestos que permitam a circulação de ar.

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